Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF
Os erros inatos da imunidade (EII), antes chamados imunodeficiências primárias, são mais de 550 doenças monogênicas (SBP, DC nº 37, 2026). Manifestam-se por infecções de repetição, graves, prolongadas ou por germes incomuns, mas também por autoimunidade, inflamação, linfoproliferação, alergia grave e fenótipos sindrômicos. O pediatra suspeita pelos 10 sinais de alerta (Jeffrey Modell adaptados pelo BRAGID; na regra do BRAGID, adotada pelo site, um sinal já justifica investigar) e pelos sinais do primeiro ano de vida, e começa a investigação com hemograma (linfócitos e neutrófilos absolutos), IgG, IgA e IgM por valores de referência para a idade, sorologias vacinais e anti-HIV. O teste do pezinho passou a incluir as imunodeficiências (Lei 14.154/2021, etapa 4), com TREC (linfócitos T) e KREC (linfócitos B), em implantação progressiva pelos estados. Na suspeita de EII, BCG e rotavírus ficam suspensos (SBP; MS) e as demais vacinas vivas aguardam o imunologista até se excluir defeito celular; confirmada deficiência humoral grave, o CRIE contraindica só a BCG (CDC, AAP e AEP são mais restritivos); os conviventes devem ser vacinados (CRIE). A reposição de imunoglobulina segue o PCDT do Ministério da Saúde e é decidida em centro de referência. Lactente com infecção grave ou oportunista, linfopenia ou déficit de crescimento, BCG disseminada e febre com toxemia em criança com EII são pronto-socorro (🔴).
1.O que é e como se apresenta
Grupos (classificação da IUIS, simplificada)
| Grupo | Exemplos | Germes e manifestações típicas |
|---|---|---|
| Deficiências de anticorpos (as mais frequentes) | Agamaglobulinemia ligada ao X, imunodeficiência comum variável, deficiência seletiva de IgA, deficiência de anticorpos antipolissacarídeos, hipogamaglobulinemia transitória da infância | Bactérias encapsuladas (pneumococo, Haemophilus): otites, sinusites, pneumonias, bronquiectasias; enterovírus, giárdia; em geral após 6 meses, quando cai a IgG materna (PCDT 2007) |
| Imunodeficiências combinadas (celulares) | Imunodeficiência combinada grave (SCID), síndrome de DiGeorge, síndrome de hiper-IgM | Antes dos 6 meses: vírus, fungos, Pneumocystis, BCG; diarreia crônica, monilíase persistente, déficit de crescimento |
| Defeitos de fagócitos | Doença granulomatosa crônica, deficiências de adesão leucocitária, neutropenias congênitas | S. aureus, Aspergillus, Serratia: abscessos, linfadenites supuradas, BCGite; queda tardia do coto umbilical |
| Deficiências do complemento | C5–C9, properdina, C1q, C4 | Meningococo recorrente; lúpus-símile |
| Desregulação imune e autoinflamação | IPEX, ALPS, síndromes de febre periódica | Autoimunidade precoce (diabetes, enteropatia, citopenias), linfoproliferação, febres recorrentes |
| Síndromes bem definidas | Wiskott-Aldrich, ataxia-telangiectasia, hiper-IgE (STAT3) | Eczema com plaquetopenia; ataxia e telangiectasias; eczema, abscessos frios e pneumatoceles |
Adaptado de AEP (2019) e do documento Febre e infecção na criança imunocomprometida e com dispositivos (Infectologia).
Os 10 sinais de alerta na criança (Jeffrey Modell, adaptados pelo BRAGID e divulgados pela ASBAI e pela SBP):
- 2 ou mais pneumonias no último ano.
- 4 ou mais otites novas no último ano.
- Estomatites de repetição ou monilíase por mais de 2 meses.
- Abscessos de repetição ou ectima.
- Um episódio de infecção sistêmica grave (meningite, osteoartrite, sepse) — na lista divulgada pela SBP (2018), dois ou mais episódios.
- Infecções intestinais de repetição ou diarreia crônica.
- Asma grave, doença do colágeno ou doença autoimune.
- Efeito adverso ao BCG ou infecção por micobactéria.
- Fenótipo clínico sugestivo de síndrome associada a imunodeficiência.
- História familiar de imunodeficiência.
Na adaptação do BRAGID, um sinal já justifica investigar — regra adotada pelo site, como em Pneumonias de repetição — como investigar; a SBP (2018) divulga os 10 sinais sem fixar quantos são necessários, e a lista original da Jeffrey Modell, usada pela AEP, pede 2 ou mais. A LASID acrescenta déficit de crescimento, necessidade de antibiótico venoso, antibiótico por 2–3 meses com pouca melhora e doença reumatológica sem causa clara.
Sinais de alerta no primeiro ano de vida (Carneiro-Sampaio e cols., 2011 — proposta brasileira):
- Infecções fúngicas, virais ou bacterianas graves ou persistentes; sepse-símile febril sem agente identificado.
- Reação adversa ao BCG (lesão extensa, adenite supurada, doença disseminada).
- Linfopenia (< 2.500 linfócitos/mm³) ou outras citopenias persistentes.
- Diarreia persistente; lesões cutâneas extensas (eritrodermia).
- Cardiopatia congênita, hipocalcemia com ou sem convulsão, ausência de imagem tímica na radiografia (DiGeorge).
- Queda do coto umbilical após 30 dias (defeito de adesão leucocitária).
- Doença autoimune ou inflamatória precoce (diabetes, enteropatia, citopenias).
- História familiar de EII ou de mortes precoces por infecção; consanguinidade.
2.Classificação de gravidade
| Gravidade | Critérios clínicos | Conduta |
|---|---|---|
| 🟢 Leve | Infecções frequentes, mas leves e de resolução normal, em criança que cresce bem, com causa evidente (creche, tabagismo passivo, rinite ou asma mal controladas); nenhum sinal de alerta; triagem inicial normal; deficiência isolada de IgA sem infecções graves | Seguimento pelo pediatra: tratar os fatores, completar o calendário vacinal, reavaliar se surgir sinal de alerta |
| 🟡 Moderada | 1 ou mais sinais de alerta em criança em bom estado; imunoglobulinas baixas para a idade; ausência de resposta vacinal; neutropenia ou plaquetopenia persistentes sem outra causa; teste do pezinho com TREC ou KREC alterado em bebê bem (convocação pelo SRTN); fenótipo sindrômico; criança com EII já diagnosticada com infecção localizada e bom estado | Encaminhar com prioridade ao imunologista pediátrico ou centro de referência; TREC ou KREC alterado: com urgência, pelo fluxo do SRTN; suspender vacinas vivas até a avaliação; tratar as infecções sem atraso |
| 🔴 Grave | Lactente com infecção grave ou oportunista, linfopenia para a idade ou déficit de crescimento (suspeita de imunodeficiência combinada grave); BCG disseminada; sepse, meningite, osteomielite, pneumonia com SpO2 < 92%; febre com toxemia em criança com agamaglobulinemia, imunodeficiência combinada, doença granulomatosa crônica ou asplenia; imunodeprimido exposto a varicela ou sarampo; reação grave durante infusão de imunoglobulina | Pronto-socorro/hospital; contato com urgência com a imunologia pediátrica; nenhuma vacina viva; hemocomponentes irradiados e filtrados na suspeita de defeito celular |
Fatores de risco que elevam a gravidade: idade abaixo de 6 meses; consanguinidade; irmão com EII ou óbito precoce por infecção; vacina viva já aplicada (BCG, rotavírus) em lactente com suspeita de defeito celular; bronquiectasias; atraso diagnóstico (a reposição tardia já encontra lesão pulmonar).
3.Diagnóstico no consultório
Primeiro, confirmar que as infecções são reais e anormais: reveja radiografias e culturas; compare com o esperado para a idade e para a creche; procure causas mais comuns (asma, rinite, refluxo, adenoide, tabagismo passivo, anemia ferropriva, desnutrição, HIV, perdas proteicas).
Triagem inicial do pediatra (PCDT 2007; SBP, DC nº 37/2026; AEP 2019)
- Hemograma com contagem absoluta de linfócitos, neutrófilos e plaquetas, e esfregaço (excluir blastos; plaquetas pequenas no Wiskott-Aldrich). A contagem de linfócitos do lactente é alta: < 2.500/mm³ no 1º ano é alerta (Carneiro-Sampaio 2011; a AEP usa < 2.000/mm³, sobretudo abaixo de 6 meses), e 80% das SCID têm linfopenia (AEP 2019).
- IgG, IgA e IgM (IgE se eczema grave com abscessos) interpretadas por valores de referência para a idade (CALIPER, adotado pela SBP); nadir fisiológico da IgG aos 3–6 meses. Imunoglobulinas normais não excluem defeito de anticorpo: avaliar a função.
- Resposta vacinal (síntese ativa de anticorpos): anti-tétano, anti-difteria, anti-hepatite B, sarampo e rubéola, conforme as vacinas recebidas (PCDT 2007); interpretação limitada abaixo de 1 ano (SBP 2026).
- Isoaglutininas anti-A e anti-B: úteis a partir de 2 anos (AEP 2019); só valem nos grupos O, A e B — o grupo AB não as produz (SBP 2026).
- Anti-HIV sempre; albumina e urina tipo 1 se Ig baixas (perda por síndrome nefrótica ou enteropatia — PCDT 2007).
- Radiografia de tórax no lactente (timo; pneumonias).
Com o especialista: imunofenotipagem de linfócitos (CD3, CD4, CD8, CD19, CD56), resposta a polissacarídeos pneumocócicos, subclasses de IgG (em geral acima de 7 anos — AEP), complemento (CH50, AP50), di-hidrorrodamina (doença granulomatosa crônica), linfoproliferação e estudo genético.
Teste do pezinho e imunodeficiências
- A Lei 14.154/2021 ampliou o Programa Nacional de Triagem Neonatal em 5 etapas; a etapa 4 é a das imunodeficiências primárias. A implantação é progressiva: alguns estados e municípios já fazem TREC e KREC pelo SUS (por exemplo, São Paulo e Minas Gerais, segundo o Jornal da USP), e outros estão em implantação; confira o que o SRTN do seu estado oferece.
- TREC baixo ou ausente: linfopenia T — suspeita de SCID, DiGeorge, outras linfopenias (prematuridade, perdas). KREC baixo: linfopenia B — suspeita de agamaglobulinemia.
- Resultado alterado: o SRTN convoca para repetir e confirmar (citometria); o bebê vai com urgência ao imunologista. Até a confirmação: nenhuma vacina viva (BCG, rotavírus), hemocomponentes irradiados e aleitamento materno suspenso até se conhecer a sorologia materna para CMV (revisão de Mongkonsritragoon et al., 2023; SBP e MS não tratam do tema). Bebê com infecção ou febre: 🔴.
- BCG: quando houver coleta de triagem para EII, a SBP recomenda, idealmente, adiar a BCG até a avaliação do resultado (Calendário SBP 2026/2027); o MS deixa o adiamento a critério médico (Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2026) e contraindica a BCG na pessoa com EII. Onde não há TREC, a BCG segue o calendário.
Diagnóstico diferencial que não pode passar: HIV; fibrose cística e discinesia ciliar (infecções sinopulmonares); corpo estranho e malformação (pneumonia no mesmo lobo); leucemia (citopenias); perdas proteicas (síndrome nefrótica, linfangiectasia); imunodeficiência secundária (desnutrição, corticoide, imunossupressores, inclusive na gestação); hipogamaglobulinemia transitória da infância — diagnóstico retrospectivo, ver Hipogamaglobulinemia no lactente.
4.Tratamento e seguimento
O pediatra: reconhece, investiga o 1º degrau e encaminha; trata cada infecção cedo, com dose plena e por tempo adequado (PCDT 2007), conforme os documentos do site (pneumonia, otite, sinusite — amoxicilina em dose alta quando o pneumococo é o alvo); mantém crescimento, nutrição, saúde bucal e escola; coordena vacinas com o CRIE; orienta higiene, água tratada e alimentos cozidos nos defeitos graves.
O especialista: confirma o diagnóstico e o defeito, indica profilaxias, imunoglobulina, transplante de células-tronco hematopoiéticas (curativo na SCID, idealmente antes das infecções) e terapia gênica quando disponível.
Reposição de imunoglobulina (PCDT do MS, Portaria SAS/MS nº 495, de 11/09/2007)
- Incluídos: agamaglobulinemia ligada ao X, imunodeficiência comum variável e outros defeitos predominantes de anticorpos, com infecções de repetição comprovadas e falha de produção de anticorpos demonstrada.
- Excluídos: achado laboratorial sem infecções relevantes; deficiência isolada de IgA, de IgM ou de IgD; defeito predominantemente celular (tratado em outro contexto).
- A decisão não se baseia só no nível de IgG, mas nas infecções e na incapacidade de produzir anticorpos; o paciente é encaminhado a centro de referência com imunologista.
- Na hipogamaglobulinemia transitória, a SBP (2026) admite imunoglobulina temporária se IgG < −2 DP (sobretudo < 100 mg/dL) ou infecções graves.
| Medicamento | Dose | Intervalo | Duração | Observação e referência |
|---|---|---|---|---|
| Imunoglobulina humana IV (reposição) | 300–400 mg/kg a cada 3 semanas ou 400–500 mg/kg a cada 4 semanas; máx. 600 mg/kg (3 semanas) ou 800 mg/kg (4 semanas) | 3–4 semanas | Contínuo | PCDT 2007; meta de IgG de vale > 500 mg/dL e, sobretudo, controle das infecções; AEP 2019: vale > 700 mg/dL (> 900 se bronquiectasias); especialista |
| Sulfametoxazol-trimetoprima (profilaxia, a critério do especialista) | 5 mg/kg de trimetoprima | 3 dias por semana (diária na doença granulomatosa crônica) | Contínuo | AEP 2019; Pneumocystis na imunodeficiência combinada; infecções apesar de IgG adequada |
| Azitromicina (profilaxia alternativa, a critério do especialista) | 5 mg/kg | Dias alternados (3 vezes por semana) | Contínuo | AEP 2019; deficiência de anticorpos com infecções apesar da reposição |
| Dipirona (febre e dor) | 15 mg/kg/dose (não < 3 meses ou < 5 kg) | 6/6 h | Sintomático | Padrão do site; febre em EII grave não se trata em casa sem avaliação |
| Paracetamol (febre e dor) | 10–15 mg/kg/dose (máx. 75 mg/kg/dia) | 4/4 a 6/6 h | Até 48–72 h sem reavaliação | Padrão do site |
Reações à imunoglobulina (cefaleia, calafrios, febre, mais comuns nas primeiras infusões) são manejadas reduzindo a velocidade; anafilaxia segue o Protocolo de Anafilaxia.
Vacinas (Manual dos CRIE 2023, Tabela 9 — posição do site em Vacinação da criança imunocomprometida)
| Erro inato | Vacinas vivas | Vacinas indicadas no CRIE |
|---|---|---|
| Defeito combinado (celular e humoral) | Nenhuma | Hib, VIP, pneumocócica (VPC20 pela NT 52/2026), MenACWY, influenza, hepatite A, HPV e demais não vivas |
| Deficiência humoral grave (agamaglobulinemia, imunodeficiência comum variável) | BCG contraindicada; varicela e demais da rotina permitidas pelo CRIE (posição do site; CDC, AAP e AEP divergem — ver a comparação) | Hib, VIP, varicela, pneumocócica, MenACWY, influenza, hepatite A, HPV |
| Deficiência de IgA e de subclasses | Permitidas | As mesmas, com a rotina |
| Deficiência do complemento | Permitidas | Hib, varicela, pneumocócica, MenACWY, influenza, hepatite A, HPV e rotina (meningocócica B fora do SUS) |
| Doença granulomatosa crônica | BCG contraindicada; virais permitidas | Hib, pneumocócica, MenACWY, influenza, hepatite A, HPV |
- Rotavírus: contraindicado na suspeita de imunodeficiência até 6 meses (Calendário SBP 2026/2027) e na SCID.
- Em reposição de imunoglobulina, as vacinas vivas injetáveis aplicadas têm resposta comprometida; respeitar os intervalos do CRIE (IgIV de reposição 300–400 mg/kg: 8 meses).
- Conviventes: calendário completo, influenza anual, varicela e tríplice viral nos suscetíveis, VIP (nunca VOP); rotavírus permitido, com lavagem das mãos nas trocas de fralda (CRIE 2023).
- Exposição a varicela ou sarampo em defeito celular ou humoral grave: imunoglobulina específica ou humana com urgência pelo CRIE (ver Vacinação da criança imunocomprometida e com doenças crônicas (CRIE)).
- BCG disseminada ou outro evento adverso grave: notificação obrigatória (compulsória) como ESAVI grave.
O que não fazer: profilaxia antibiótica ou imunoglobulina "de prova" sem diagnóstico do especialista; vacina viva em lactente com sinal de alerta antes de afastar defeito celular; transfusão não irradiada na suspeita de SCID; atribuir infecções graves "à creche" sem investigar.
5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar
- Lactente com pneumonia grave, sepse, meningite, infecção por Pneumocystis, CMV, candidíase invasiva ou outro germe oportunista.
- Lactente com linfopenia para a idade, diarreia crônica e déficit de crescimento (suspeita de SCID), sobretudo se recebeu BCG ou rotavírus.
- BCG com lesões múltiplas, adenite com febre e perda de peso, hepatoesplenomegalia (BCG disseminada).
- Febre com toxemia, hipotensão ou desconforto respiratório em criança com EII conhecida; abscesso profundo na doença granulomatosa crônica; meningococcemia na deficiência de complemento.
- Hipocalcemia com convulsão em lactente com cardiopatia (DiGeorge).
- Reação grave durante a infusão de imunoglobulina.
Como encaminhar: contato prévio com o serviço e com a imunologia pediátrica; oxigênio para manter SpO2 entre 94% e 98%; acesso venoso e expansão se choque (ver Sepse e choque séptico na criança, Urgências); hemoculturas antes do antibiótico, sem atrasá-lo; isolamento protetor; relatório com sinais de alerta, exames, vacinas recebidas (data do BCG e do rotavírus), última dose de imunoglobulina e resultado do teste do pezinho.
6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família
- "Infecção que volta muitas vezes, que é grave ou que não melhora com o tratamento habitual precisa ser investigada; anote cada episódio, o antibiótico usado e as internações."
- "Até o imunologista liberar, seu filho não recebe vacinas de vírus ou bactérias vivas; as outras vacinas devem continuar, e a família deve estar toda vacinada."
- "Leve sempre o cartão de vacinas, o resultado do teste do pezinho e o relatório do especialista."
- Pronto-socorro imediatamente se: febre com prostração, respiração rápida ou difícil, manchas roxas, sonolência, convulsão, recusa alimentar no lactente, diarreia com sinais de desidratação; contato com catapora ou sarampo (avisar no mesmo dia).
- Retorno antes do previsto se: nova infecção, perda de peso, feridas na boca persistentes, ferida que não cicatriza, gânglios inchados com pus.
7.Comparação com as referências
| Item | SBP | Ministério da Saúde | AAP | NICE | AEP | Johns Hopkins | Harvard | Oxford / Cambridge |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Versão consultada | DC nº 37, 02/04/2026; 10 sinais, 02/05/2018; Calendário 2026/2027 | PCDT, Portaria nº 495/2007; Manual dos CRIE, 6ª ed., 2023; IN do Calendário 2026; Lei 14.154/2021 | Vacinas pelo CDC/ACIP (tabela 8-1, 26/06/2024) | Sem diretriz localizada | Protocolo de Inmunodeficiencias primarias, 2019 | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
| Sinais de alerta | 10 sinais (2018), sem fixar o número; item 5 com 2 ou mais episódios | — | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | 10 sinais Jeffrey Modell; 2 ou mais | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
| Triagem inicial | Hemograma, Ig por idade (CALIPER), resposta vacinal, isoaglutininas | Hemograma, Ig, síntese ativa de anticorpos | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Hemograma e Ig detectam metade; linfopenia < 2.000 | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
| Triagem neonatal | DC nº 37 não aborda TREC; adiar BCG se houver coleta | Etapa 4 da Lei 14.154/2021, em implantação; adiar BCG a critério médico | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Defende o cribado de SCID | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
| Vacinas vivas | Rotavírus contraindicado na suspeita (até 6 meses) | Humoral grave: só BCG contraindicada; conviventes vacinados | Humoral grave: SCR, SCRV, FA, BCG e VOP contraindicadas | Sem posição específica localizada | Evitar vivas no paciente e nos conviventes (agamaglobulinemia, combinadas) | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
| Imunoglobulina | Temporária na HTI selecionada | 300–500 mg/kg a cada 3–4 semanas; vale > 500 | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | 400 mg/kg/mês; vale > 700 | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
Leitura: as referências concordam em suspeitar pelos sinais de alerta, em começar por hemograma e imunoglobulinas interpretadas pela idade, em confirmar a falha funcional de anticorpos antes de repor imunoglobulina, em encaminhar a centro de referência e em proibir vacinas vivas nos defeitos celulares. As divergências são três. (1) Limiar dos sinais de alerta: o BRAGID investiga com 1 sinal; a SBP (2018) divulga os 10 sinais sem fixar o número (e, no item 5, fala em dois ou mais episódios de infecção sistêmica grave, contra um episódio do BRAGID e da ASBAI); a Jeffrey Modell original e a AEP pedem 2 ou mais. (2) Vacinas vivas na deficiência humoral grave: o CRIE (MS, 2023) contraindica só a BCG e libera varicela e demais vacinas da rotina; o CDC (tabela 8-1, seguido pela AAP) contraindica também tríplice e tetraviral, febre amarela e VOP, e a AEP (2019) evita vacinas vivas até nos conviventes, enquanto o CRIE manda vacinar os conviventes. (3) Meta da reposição: IgG de vale > 500 mg/dL no PCDT (2007) e > 700 mg/dL na AEP (2019). O NICE não tem diretriz sobre o tema, e não se localizou posição institucional de Johns Hopkins ou Harvard. O site adota a SBP (adiamento da BCG quando há coleta de triagem e contraindicação do rotavírus na suspeita) e, onde a SBP não se posiciona, o Ministério da Saúde: PCDT 2007 na reposição e Manual dos CRIE 2023 nas vacinas, inclusive na deficiência humoral grave (só a BCG contraindicada) e nos conviventes; a posição mais restritiva de CDC, AAP e AEP fica registrada para que o leitor, com o imunologista, faça a sua escolha no caso individual. No número de sinais de alerta, que nem a SBP nem o MS fixam, o site segue o BRAGID (1 sinal basta).
- Um sinal de alerta já justifica investigar (BRAGID); no lactente, linfopenia, infecção grave, diarreia crônica ou reação ao BCG são urgência.
- Primeiro degrau no consultório: hemograma com linfócitos absolutos, IgG, IgA e IgM por idade, sorologias vacinais, anti-HIV, albumina e urina.
- Na suspeita de EII, suspender BCG e rotavírus e aguardar o imunologista para as outras vivas; na deficiência humoral grave confirmada, o CRIE contraindica só a BCG; vacinar os conviventes.
- TREC ou KREC alterado no teste do pezinho: imunologista com urgência pelo fluxo do SRTN, sem vacinas vivas e com hemocomponentes irradiados.
- Imunoglobulina e profilaxias são decisão do centro de referência; o pediatra trata cada infecção cedo e em dose plena.
Veja também, nesta Biblioteca: Hipogamaglobulinemia no lactente (Temas atualizados pela SBP); Pneumonias de repetição — como investigar e Bronquiectasias não fibrose cística e discinesia ciliar primária (Pneumologia); Febre e infecção na criança imunocomprometida e com dispositivos e HIV na criança — exposição vertical e criança vivendo com HIV (Infectologia); Vacinação da criança imunocomprometida e com doenças crônicas (CRIE) e Eventos supostamente atribuíveis à vacinação (ESAVI) e contraindicações verdadeiras e falsas (Imunizações); Neutropenias na infância (fora da quimioterapia) e Interpretando o hemograma alterado na criança — leucocitose, linfocitose, eosinofilia, plaquetose, policitemia e pancitopenia (Hematologia); Marcha atópica e reações de hipersensibilidade e Dermatite atópica (nesta área).
8.Fontes
- SBP, Departamento de Imunologia Clínica. Hipogamaglobulinemia no lactente, Documento Científico nº 37, 02/04/2026, conforme a análise publicada nesta Biblioteca (Temas atualizados pela SBP).
- SBP. SBP divulga 10 alertas sobre imunodeficiência primária, 02/05/2018. sbp.com.br
- SBP. Calendário de Vacinação da SBP — atualização 2026-2027. sbp.com.br
- ASBAI. Deficiências imunológicas — os 10 sinais de alerta adaptados para o nosso meio. sbai.org.br
- Artmed. Imunodeficiências primárias em pediatria — quando suspeitar? (reproduz a adaptação do BRAGID e a regra de 1 sinal). artmed.com.br
- LASID. Signos de alarma de IDP. lasid.org
- Pinto-Mariz F. Failure of immunological competence — when to suspect? (sinais do 1º ano de vida, Carneiro-Sampaio 2011). PMC
- Ministério da Saúde. PCDT Imunodeficiência primária com predominância de defeitos de anticorpos — imunoglobulina humana, Portaria SAS/MS nº 495, 11/09/2007. gov.br/saude
- Ministério da Saúde. Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais, 6ª ed., 2023 (Tabela 9). PDF
- Ministério da Saúde. Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2026 (BCG). PDF
- Mongkonsritragoon W et al. Positive newborn screening for severe combined immunodeficiency — what should the pediatrician do? Clin Med Insights Pediatr, 2023;17. PMC
- Brasil. Lei nº 14.154, de 26/05/2021 — amplia o Programa Nacional de Triagem Neonatal. camara.leg.br
- Jornal da USP. Teste do Pezinho Ampliado no SUS (TREC e KREC). jornal.usp.br
- CDC/ACIP. Altered immunocompetence — General Best Practice Guidelines (tabela 8-1, 26/06/2024). cdc.gov
- AEP. Seoane Reula ME et al. Diagnóstico y manejo de las inmunodeficiencias primarias en niños, 2019. PDF