Cardiologia pediátrica · Cardiopatias congênitas e insuficiência cardíaca

Cianose e crise hipoxêmica (crise de hipóxia)

Como diferenciar cianose central de periférica, quando a causa é cardíaca, o teste da hiperóxia e o manejo da crise hipoxêmica da tetralogia de Fallot do consultório ao hospital

Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF

Em resumo

Cianose periférica (extremidades frias e azuladas, com língua e mucosas rosadas) decorre de frio ou má perfusão e, no recém-nascido, a acrocianose é fisiológica. Cianose central (língua e mucosas azuladas) é sempre patológica e deve ser confirmada com oximetria: pode ser cardíaca (shunt direita-esquerda ou mistura), pulmonar, de via aérea, por hipoventilação ou por hemoglobina anormal (metemoglobinemia). No recém-nascido, a cianose que não melhora com oxigênio (teste da hiperóxia) aponta para cardiopatia e para prostaglandina E1. A crise hipoxêmica (crise de hipóxia, tet spell) ocorre sobretudo em lactentes com tetralogia de Fallot: choro inconsolável, respiração rápida e profunda, cianose que se intensifica e diminuição do sopro. No consultório: acalmar a criança no colo da mãe, posição genupeitoral (joelhos contra o tórax), oxigênio e, se disponível, morfina IM ou SC; acionar o SAMU. No hospital: volume, fenilefrina, betabloqueador, cetamina, bicarbonato e, se refratária, intubação e cirurgia. Toda crise hipoxêmica é 🔴 e antecipa a discussão cirúrgica com o cardiologista. Criança cianótica conhecida, estável no seu basal, segue com pediatra e cardiologista (🟢).

Veja também, nesta Biblioteca: Abordagem do Recém-Nascido com Cianose, Cardiopatias Congênitas Cianóticas e Hipertensão Pulmonar Persistente (HPPN) (Neonatologia); Triagem de cardiopatia congênita crítica por oximetria de pulso; Cardiopatias congênitas: seguimento após a alta e Insuficiência cardíaca na criança (nesta área); PALS — Suporte Avançado de Vida em Pediatria (Urgências e Emergências).

1.O que é e como se apresenta

Cianose é a coloração azulada da pele e das mucosas pela presença de hemoglobina não oxigenada. Só é visível com quantidade significativa de hemoglobina reduzida: pode passar despercebida na anemia e ser exagerada na policitemia — por isso a oximetria é obrigatória.

Tipo Onde se vê Mecanismo Exemplos
Periférica Mãos, pés, região perioral; língua e mucosas rosadas Extração aumentada de O2 com fluxo lento; SpO2 normal Frio, acrocianose do RN, choque e baixo débito, fenômeno de Raynaud
Central Língua, mucosa oral, lábios, leito ungueal Dessaturação arterial (SpO2 baixa) ou hemoglobina anormal Cardiopatia cianótica, doença pulmonar, obstrução de via aérea, hipoventilação, metemoglobinemia
Diferencial (membros superiores × inferiores) Diferença de cor ou de SpO2 entre membro superior direito e membros inferiores Shunt pelo canal arterial HPPN, coarctação ou interrupção do arco aórtico no RN

Principais causas de cianose central na criança

  • Cardíacas: tetralogia de Fallot, transposição das grandes artérias, atresia tricúspide, atresia pulmonar, tronco arterial comum, drenagem venosa pulmonar anômala total, ventrículo único, anomalia de Ebstein; síndrome de Eisenmenger em shunts grandes não corrigidos; criança paliada com SpO2 basal baixa.
  • Respiratórias: pneumonia, bronquiolite, crise de asma grave, pneumotórax, derrame pleural; obstrução de via aérea (corpo estranho, crupe grave, epiglotite, atresia de coanas no RN).
  • Hipoventilação: depressão do sistema nervoso central (convulsão, intoxicação, trauma), doença neuromuscular, apneia.
  • Hematológicas: metemoglobinemia (congênita ou adquirida por nitritos, benzocaína, dapsona e outros oxidantes) — SpO2 em torno de 85% que não melhora com oxigênio, sangue "cor de chocolate", PaO2 normal.
  • Crise de perda de fôlego cianótica: pré-escolar que chora, prende a respiração em expiração, fica cianótico e pode perder a consciência brevemente, com recuperação completa; é benigna, mas deve ser diferenciada de convulsão e de arritmia.

Crise hipoxêmica (crise de hipóxia, tet spell). Piora súbita da hipoxemia, típica da tetralogia de Fallot não corrigida (também em outras lesões com obstrução ao fluxo pulmonar e shunt direita-esquerda). O espasmo do infundíbulo do ventrículo direito e a queda da resistência vascular sistêmica aumentam o desvio de sangue não oxigenado para a aorta; a hipoxemia gera acidose e hiperpneia, que realimentam o ciclo. Ocorre mais em lactentes, muitas vezes pela manhã, ao acordar, após choro, alimentação, evacuação, febre ou desidratação. O lactente fica muito irritado e inconsolável, com hiperpneia (respiração rápida e profunda), cianose intensa e redução ou desaparecimento do sopro (menos sangue passa pela via de saída pulmonar). A crise dura de 15 minutos a mais de 1 hora e, nos casos graves, evolui com hipotonia, convulsão, alteração de consciência e óbito (Dorigo, SOCERJ). A criança maior com Fallot não corrigido se agacha (squatting) espontaneamente para aliviar a hipoxemia.

2.Classificação de gravidade

Gravidade Critérios clínicos Conduta
🟢 Leve Cianose periférica com SpO2 normal (frio, acrocianose do RN); crise de perda de fôlego típica com recuperação completa; criança com cardiopatia cianótica conhecida, estável, no seu basal de SpO2, sem crises, crescendo bem Tranquilizar e orientar; na cardiopata, seguimento compartilhado com o cardiologista (ver Cardiopatias congênitas: seguimento)
🟡 Moderada Cardiopata cianótica com SpO2 um pouco abaixo do basal, sem desconforto nem crise, com intercorrência leve (febre, IVAS); SpO2 92–94% em quadro respiratório leve sem cardiopatia; crises de perda de fôlego frequentes ou atípicas; suspeita de cardiopatia (sopro, baqueteamento) em criança estável e com SpO2 ≥ 95% Contato com o cardiologista no mesmo dia; reavaliação em 24–48 h; hidratação e antitérmico; ECG e ecocardiograma prioritários quando há suspeita de cardiopatia
🔴 Grave Qualquer crise hipoxêmica; cianose central de início recente; SpO2 < 92% (ou claramente abaixo do basal na cardiopata); cianose com desconforto respiratório, alteração de consciência, hipotonia, convulsão ou má perfusão; RN ou lactente < 3 meses com cianose central; cianose que não melhora com oxigênio; suspeita de metemoglobinemia; shunt com queda da SpO2 ou perda do sopro Pronto-socorro após medidas iniciais (posição, oxigênio, morfina se disponível); SAMU

Fatores que elevam a gravidade: tetralogia de Fallot ou outra lesão com obstrução ao fluxo pulmonar ainda não corrigida; crises prévias; anemia (inclusive deficiência de ferro), desidratação, febre, jejum prolongado; idade < 6 meses; shunt sistêmico-pulmonar; policitemia importante; uso de medicamentos que baixam a resistência vascular sistêmica.

3.Diagnóstico no consultório

1. É central ou periférica? Olhar a língua e a mucosa oral com boa luz; aquecer as extremidades; medir a SpO2 no membro superior direito e em um membro inferior. SpO2 normal com extremidades frias = periférica.

2. Qual o contexto? Idade, início (súbito ou progressivo), relação com choro, alimentação ou esforço, febre, tosse, engasgo, ingestão de medicamentos ou alimentos com nitritos, história de cardiopatia, cirurgia, shunt.

3. Exame dirigido:

  • Sugere causa cardíaca: cianose com pouco esforço respiratório (taquipneia "tranquila"), sopro (o sopro da tetralogia é sistólico, na borda esternal esquerda alta, e diminui durante a crise), segunda bulha única, hepatomegalia, baqueteamento digital (cianose crônica), diferença de SpO2 entre membros superiores e inferiores.
  • Sugere causa pulmonar: desconforto respiratório importante, estertores, sibilos, redução do murmúrio; melhora evidente da SpO2 com oxigênio.
  • Sugere metemoglobinemia: criança pouco sintomática para a cor que tem, SpO2 em torno de 85% que não muda com oxigênio, exposição a oxidantes.

4. Teste da hiperóxia (período neonatal, em serviço): oferecer FiO2 100% por cerca de 10 minutos e medir a PaO2, de preferência em sangue arterial pré-ductal. PaO2 que sobe acima de ~150–250 mmHg sugere causa pulmonar; PaO2 que permanece baixa (por exemplo, < 100 mmHg, com pouca variação) sugere cardiopatia cianótica com mistura ou shunt direita-esquerda — ou HPPN grave (documento Abordagem do Recém-Nascido com Cianose, nesta Biblioteca). A oximetria isolada com oxigênio é uma aproximação, não substitui a gasometria. O teste não atrasa a prostaglandina E1 quando a suspeita de cardiopatia canal-dependente é forte.

5. Exames: na suspeita cardíaca, ecocardiograma (padrão-ouro), ECG e radiografia de tórax (coração "em bota" na tetralogia, "ovo deitado" na transposição); na respiratória, conforme o quadro; na metemoglobinemia, gasometria com cooximetria (dosagem de metemoglobina). Hemograma na criança cianótica crônica (policitemia; deficiência de ferro com hemoglobina "normal" para a idade, mas insuficiente para a hipoxemia).

Diagnóstico diferencial da crise hipoxêmica: crise convulsiva, crise de perda de fôlego, arritmia, obstrução de shunt, sepse, hipoglicemia, bronquiolite grave em cardiopata. O sopro que desaparece durante a crise e volta depois é a pista para a crise hipoxêmica.

4.Tratamento e seguimento

Cianose por causa não cardíaca: tratar a causa (ver documentos de bronquiolite, pneumonia, asma e crupe). Oxigênio e alvos de SpO2 conforme o documento de cada doença. Metemoglobinemia sintomática ou com nível elevado é tratada no hospital (azul de metileno, suspensão do agente).

Criança com cardiopatia cianótica estável: seguimento pelo pediatra e pelo cardiologista. O pediatra evita a desidratação (febre, diarreia, calor), trata a febre, corrige a deficiência de ferro, mantém vacinas e proteção contra o VSR, e orienta a família a reconhecer a crise.

Crise hipoxêmica — passo a passo. As medidas iniciais podem e devem começar no consultório; as demais são hospitalares, com monitorização. Doses conforme as fontes citadas (as faixas variam entre protocolos; seguir o protocolo do serviço).

  1. Acalmar: criança no colo da mãe, ambiente tranquilo; não insistir em punção venosa enquanto a criança está agitada (o choro piora a crise).
  2. Posição genupeitoral (joelhos flexionados contra o tórax, no colo, de frente para o ombro da mãe): aumenta a resistência vascular sistêmica e o retorno venoso, reduzindo o desvio direita-esquerda. A criança maior pode agachar.
  3. Oxigênio em alto fluxo por máscara (máscara com reservatório, se tolerada); retirar se aumentar a agitação.
  4. Morfina (IM ou SC se não houver acesso venoso; IV lenta se houver): reduz a agitação e a hiperpneia.
  5. Expansão volêmica com soro fisiológico 0,9%.
  6. Correção da acidose com bicarbonato de sódio, empiricamente ou conforme gasometria.
  7. Vasoconstritor (fenilefrina) para elevar a resistência vascular sistêmica; betabloqueador para reduzir o espasmo infundibular e a frequência cardíaca.
  8. Cetamina (seda e eleva a resistência sistêmica) como resgate.
  9. Refratária: intubação e ventilação em UTI, anestesia geral e cirurgia (correção ou shunt) de urgência.
Medicamento Dose Intervalo Duração Observação
Oxigênio Alto fluxo por máscara Contínuo Até resolver Retirar se piorar a agitação
Morfina 0,1–0,2 mg/kg IM, SC ou IV lenta (Biblioteca; Merck e SOCERJ: 0,1 mg/kg) Pode repetir uma vez Dose única ou repetida Protocolos do NHS iniciam com 0,05 mg/kg IV e 0,1 mg/kg IM; monitorar respiração
Soro fisiológico 0,9% 10–20 mL/kg IV (NHS Leicester 10 mL/kg, repetível; Leeds 20 mL/kg) Reavaliar após cada bolo — Aumenta a pré-carga e o fluxo pulmonar
Bicarbonato de sódio 1 mEq/kg IV Conforme gasometria — Na acidose metabólica
Fenilefrina Bolo 5–20 mcg/kg IV (Merck; NHS: 5–10 mcg/kg); infusão 0,1–0,5 mcg/kg/min Bolo a cada 10–20 min, se necessário Até estabilizar Uso hospitalar, com monitorização da PA; máx. 500 mcg por bolo (Merck)
Propranolol IV Inicial 0,015–0,02 mg/kg IV lento (Merck; BNFc), titulado até máx. 0,1 mg/kg (Leeds; Merck 0,1–0,2 mg/kg) Titular Na crise Hospitalar, com monitorização (bradicardia, hipotensão, hipoglicemia); esmolol ou metoprolol IV são alternativas nos protocolos do NHS
Cetamina 0,5–2 mg/kg IV ou 2–3 mg/kg IM (Merck) — Resgate Seda e eleva a resistência sistêmica
Propranolol VO (prevenção) 0,25–1 mg/kg/dose (Merck); NHS: 0,5–1 mg/kg 3 vezes ao dia 6/6 h (Merck) ou 8/8 h (NHS) Até a cirurgia Prescrição do cardiologista; risco de hipoglicemia em jejum e de bradicardia

Depois da crise: a crise hipoxêmica indica, em geral, que a correção cirúrgica deve ser antecipada — decisão do cardiologista. Enquanto isso: propranolol oral se prescrito, evitar desidratação e jejum prolongado, tratar febre e anemia, e ensinar a família a reconhecer a crise e a colocar a criança na posição genupeitoral.

O que não fazer: deixar a criança chorando em maca enquanto se tenta acesso venoso; tentar "acalmar" colocando-a deitada de costas; dar alta de uma crise que respondeu sem avaliação cardiológica; confundir a crise com convulsão ou cólica e perder tempo.

5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar

  • Toda crise hipoxêmica, mesmo que tenha cedido no consultório.
  • Cianose central de início recente ou sem causa conhecida.
  • SpO2 < 92% em quadro agudo ou claramente abaixo do basal em cardiopata cianótico.
  • Cianose que não melhora com oxigênio; suspeita de metemoglobinemia.
  • RN ou lactente < 3 meses com cianose central.
  • Criança com shunt sistêmico-pulmonar com queda da SpO2 ou desaparecimento do sopro contínuo (suspeita de obstrução do shunt).
  • Cianose com desconforto respiratório, alteração de consciência, convulsão, hipotonia ou má perfusão.

Como encaminhar

  1. Posição genupeitoral no colo da mãe e oxigênio durante toda a espera e o transporte.
  2. Morfina 0,1 mg/kg IM ou SC, se disponível no serviço, sem esperar acesso venoso.
  3. Monitorar SpO2 e FC; ter bolsa-valva-máscara à mão.
  4. SAMU (192) — transporte com a mãe, criança no colo, mantendo a posição; avisar o hospital, de preferência o que acompanha a criança.
  5. No RN com suspeita de cardiopatia canal-dependente, a prostaglandina E1 é iniciada no hospital (ver documentos de Neonatologia).
  6. Relatório com diagnóstico, SpO2 basal, horário e duração da crise, medicamentos aplicados e em uso.

6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família

  • "Seu filho tem uma saturação 'normal' mais baixa que a de outras crianças; o cardiologista vai dizer qual é."
  • "Se ele ficar muito irritado, chorando sem parar, respirando rápido e fundo e mais roxo: pegue-o no colo, dobre os joelhos dele contra o peito, fale calmamente e ligue para o SAMU (192). Mesmo que melhore, ele precisa ser avaliado no mesmo dia."
  • "Febre, diarreia e vômitos desidratam e facilitam a crise: ofereça líquidos e procure atendimento cedo."
  • "Não suspenda o propranolol por conta própria; ofereça alimento nos horários, sem jejum prolongado."
  • Pronto-socorro também se: roxidão que piora, falta de ar, sonolência excessiva, desmaio, convulsão; na criança com shunt, saturação caindo.

7.Comparação com as referências

Item SBP / MS (e SBC) AAP / AHA NICE (Oxford / Cambridge) AEP SIP Harvard / Johns Hopkins
Cianose central × periférica Central sempre patológica; confirmar com oximetria (Biblioteca); SBP/SBC: sem documento específico localizado Sem diretriz própria localizada Sem diretriz pediátrica; Oxford Handbook Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada
Teste da hiperóxia PaO2 que não sobe sugere cardiopatia (Biblioteca) — — — — —
Medidas iniciais da crise Genupeitoral, O2, morfina, volume (SOCERJ; Biblioteca) Genupeitoral, O2, volume, morfina 0,1 mg/kg (Merck) Genupeitoral, O2 alto fluxo, morfina 0,05 mg/kg IV ou 0,1 mg/kg IM, SF 10–20 mL/kg (protocolos NHS de Leicester e Leeds) Escalonado: O2, posição, morfina, sedação (Anales de Pediatría) — —
Vasoconstritor e betabloqueador Propranolol; adrenalina ou cetamina na crise persistente (SOCERJ) Fenilefrina 5–20 mcg/kg; propranolol ou esmolol; cetamina Fenilefrina 5–10 mcg/kg; propranolol, esmolol ou metoprolol Fenilefrina indisponível na Espanha; terlipressina como resgate (relato) — —
Após a crise Cirurgia (Biblioteca) Propranolol VO até a cirurgia Propranolol VO — — Johns Hopkins: correção completa ou shunt seguido de correção aos 4–6 meses

Leitura: todas as fontes concordam na sequência — acalmar, posição genupeitoral, oxigênio, morfina, volume e, na persistência, vasoconstritor e betabloqueador, com intubação e cirurgia como último recurso. As diferenças são de dose: a morfina varia de 0,05 mg/kg IV (NHS) a 0,1–0,2 mg/kg (Biblioteca), a fenilefrina de 5 a 20 mcg/kg e o propranolol IV tem faixas muito diferentes entre protocolos — o que reforça que essas etapas são hospitalares e seguem o protocolo local. A AEP chama atenção para a indisponibilidade de fenilefrina em alguns países; no Brasil, verificar a disponibilidade no serviço.

Pontos práticos
  1. Olhe a língua: cianose central é sempre doença e pede oximetria; cianose de extremidades com SpO2 normal é periférica.
  2. Anemia esconde a cianose e policitemia a exagera — confie na oximetria e na gasometria.
  3. Lactente com Fallot, irritado, respirando rápido e profundo, mais roxo e com sopro que sumiu: crise hipoxêmica.
  4. Crise: colo da mãe, joelhos contra o tórax, oxigênio, morfina IM ou SC — sem brigar por acesso venoso — e SAMU.
  5. Toda crise vai ao hospital e antecipa a conversa sobre cirurgia.
  6. Prevenção: hidratação, tratar febre e anemia, propranolol se prescrito, família treinada na posição genupeitoral.

8.Fontes

  • Nesta Biblioteca: Abordagem do Recém-Nascido com Cianose; Cardiopatias Congênitas Cianóticas (Neonatologia, revisão 2026).
  • Dorigo AHJL. Crise cianótica: como diagnosticar e tratar. Revista da SOCERJ (Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro), 2000. PDF
  • Beerman LB. Tetralogy of Fallot. Merck Manual Professional Edition, 2023. merckmanuals.com
  • University Hospitals of Leicester / East Midlands Congenital Heart Centre (NHS). Guideline for cyanotic spells (tet spells) in children, versão 5, 2023. PDF
  • Leeds General Infirmary, Paediatric Cardiology (NHS). Management of a hypercyanotic spell (tetralogy of Fallot) — publicado pelo Sheffield Children's. PDF
  • Azpilicueta Idarreta et al. Terlipresina como tratamiento de rescate de las crisis hipoxémicas en la tetralogía de Fallot. Anales de Pediatría, 2010. analesdepediatria.org
  • Johns Hopkins All Children's Hospital. Tetralogy of Fallot — diagnosis and treatment. hopkinsmedicine.org
  • Oxford Handbook of Paediatrics, 3ª ed., 2021 (obra de referência).