Cardiologia pediátrica · Inflamação e infecção

Miocardite, pericardite e síndrome inflamatória multissistêmica (MIS-C)

Como suspeitar de inflamação do miocárdio e do pericárdio no consultório, reconhecer a MIS-C (SIM-P) e a miocardite após vacina de mRNA, e decidir o que é ambulatorial e o que é pronto-socorro

Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF

Em resumo

Miocardite (músculo cardíaco, em geral viral) e pericardite se sobrepõem com frequência (a ESC 2025 as agrupa como "síndrome inflamatória miopericárdica"). Suspeite diante de dor torácica, dispneia, palpitações, síncope, taquicardia desproporcional à febre ou cansaço dias a semanas após virose, após vacina de mRNA contra COVID-19 (sobretudo adolescentes do sexo masculino, até 7 dias após a 2ª dose) ou 2 a 6 semanas após COVID-19 (MIS-C). No lactente, parece "gripe" com taquipneia, gemência, sudorese às mamadas e hepatomegalia, e costuma ser fulminante. Toda suspeita de miocardite ou de MIS-C vai ao pronto-socorro no mesmo dia (🔴): ECG, troponina, BNP/NT-proBNP e ecocardiograma, com internação. A pericardite aguda confirmada, sem critérios de alto risco (febre > 38 °C, curso subagudo, derrame volumoso ou tamponamento, falta de resposta ao anti-inflamatório em 7 dias, miocardite associada, imunossupressão, trauma, anticoagulante), pode ser tratada em casa com anti-inflamatório não esteroide e colchicina e reavaliada em 1 semana (🟢). SIM-P é de notificação obrigatória (compulsória).

1.O que é e como se apresenta

Miocardite (AHA 2021; SBC 2022): na infância, quase sempre viral (enterovírus, adenovírus, parvovírus B19, HHV-6, influenza, SARS-CoV-2); outras causas: MIS-C, Kawasaki, lúpus, medicamentos, vacinas de mRNA, difteria. Três formas:

  • Aguda: disfunção ventricular com insuficiência cardíaca em dias.
  • Fulminante: choque cardiogênico e arritmias, típica de recém-nascidos e lactentes (SBC 2022; ESC 2025).
  • Crônica: pode evoluir para cardiomiopatia dilatada; sobrevida em 10 anos livre de transplante de cerca de 60% na criança (SBC 2022).

Quadro clínico por idade:

  • Lactente: taquipneia, gemência, palidez, sudorese às mamadas, recusa alimentar, vômitos, taquicardia sem febre, hepatomegalia, galope — confunde-se com bronquiolite, gastroenterite ou sepse.
  • Escolar e adolescente: dor torácica, dispneia aos esforços, palpitações, síncope, dor abdominal e vômitos (congestão hepática).

Pericardite aguda (ESC 2015): diagnóstico com 2 de 4 critérios: dor torácica pleurítica que melhora ao sentar e inclinar para frente; atrito pericárdico; alterações de ECG (supradesnivelamento difuso de ST, infradesnivelamento de PR); derrame pericárdico. Causas: viral/idiopática (a maioria), pós-pericardiotomia, purulenta (rara, grave), tuberculose, doenças autoinflamatórias (frequentes na criança), lúpus, artrite idiopática juvenil, doença renal. A recorrência é frequente (ESC 2025).

MIS-C / SIM-P: síndrome hiperinflamatória 2 a 6 semanas após infecção por SARS-CoV-2 (muitas vezes assintomática): febre persistente, dor abdominal, vômitos, diarreia, exantema, conjuntivite, disfunção miocárdica, choque e alterações coronárias. Ficou rara com a imunidade populacional e a vacinação, mas a vigilância continua.

Miocardite após vacina de mRNA contra COVID-19:

  • Quem e quando: adolescentes e adultos jovens do sexo masculino, até 7 dias após a 2ª dose (mediana de 2 dias) (CDC; Oster, JAMA 2022).
  • Frequência: em 2021, após a 2ª dose da Pfizer, 70,7 por milhão de doses em meninos de 12–15 anos e 105,9 aos 16–17 anos (Oster, 2022); com a formulação 2023–2024, cerca de 8 por milhão de 6 meses a 64 anos e 27 por milhão em homens de 12 a 24 anos (FDA, 2025).
  • Evolução: 87% com sintomas resolvidos na alta, sem mortes confirmadas abaixo de 30 anos (Oster, 2022). Alterações de ressonância persistiram em muitos após cerca de 5 meses, de significado prognóstico desconhecido (FDA, 2025).

2.Classificação de gravidade

Gravidade Critérios clínicos Conduta
🟢 Leve Pericardite aguda confirmada (clínica + ECG/eco) em escolar ou adolescente, sem critérios de alto risco, troponina normal, eco sem disfunção nem derrame volumoso AINE + colchicina em casa; restrição de esforço; reavaliação em 7 dias; seguimento com o cardiologista pediátrico
🟡 Moderada Dor torácica, palpitações ou cansaço dias após virose ou vacina de mRNA, com sinais vitais normais e sem insuficiência cardíaca; pericardite recorrente ou com critério menor Avaliação no mesmo dia com ECG, troponina e eco (PS ou cardiologia de urgência); miocardite confirmada = internação; pericardite com critério menor = cardiologista em 24–48 h
🔴 Grave Suspeita de miocardite (troponina elevada, ECG alterado, disfunção ao eco); lactente com taquipneia, gemência, taquicardia desproporcional, hepatomegalia ou galope; insuficiência cardíaca, choque; síncope, arritmia, bloqueio AV; tamponamento (hipotensão, bulhas abafadas, turgência jugular, pulso paradoxal); suspeita de MIS-C; pericardite purulenta Pronto-socorro/hospital imediatamente (UTI pediátrica e cardiologia); SAMU se instável

Alto risco na pericardite (ESC 2015) — internação e investigação:

  • Maiores: febre > 38 °C (critério da ESC); curso subagudo; derrame volumoso (> 20 mm em diástole); tamponamento; sem resposta ao AINE em 7 dias.
  • Menores: miopericardite; imunossupressão; trauma; anticoagulante oral.

Fatores que elevam a gravidade

  • Idade < 2 anos e recém-nascido (miocardite fulminante).
  • Cardiopatia congênita, cardiomiopatia, imunossupressão, lúpus.
  • Síncope, arritmia ou dor ao esforço; história familiar de cardiomiopatia ou morte súbita antes dos 40 anos.
  • Adolescente do sexo masculino com dor torácica na semana após vacina de mRNA.

3.Diagnóstico no consultório

O que é clínico: a suspeita. Pergunte por virose ou COVID-19 nas últimas 6 semanas, vacina de mRNA na última semana, dor torácica (respiração, posição), dispneia, palpitações, síncope, intolerância ao esforço; no lactente, mamadas, sudorese e diurese.

Exame: FC e FR (taquicardia desproporcional à febre é alarme), SpO2, PA, enchimento capilar, pulsos, fígado, bulhas abafadas ou galope, atrito pericárdico (paciente sentado e inclinado para frente), turgência jugular. Na suspeita de MIS-C, também conjuntivite, exantema, lábios, extremidades e sinais de choque.

Exames — quando e quais (sempre sem atrasar o encaminhamento do caso grave):

  • ECG: alterações de ST-T, baixa voltagem, arritmias, bloqueios; na pericardite, supra de ST difuso e infra de PR. ECG normal não exclui miocardite.
  • Troponina e BNP/NT-proBNP; PCR e VHS (a CDC orienta ECG, troponina e marcadores inflamatórios na suspeita pós-vacina).
  • Ecocardiograma: primeira linha (AHA 2021) — função ventricular, derrame, trombos, coronárias. Radiografia de tórax: cardiomegalia, congestão.
  • Ressonância cardíaca (especialista): confirma com uma alteração em T2 (edema) e uma em T1 (realce tardio ou mapeamento T1) — Lake Louise revisado (SBC 2022; ESC 2025).
  • MIS-C: hemograma, PCR, VHS, ferritina, D-dímero, coagulograma, função renal e hepática, eletrólitos, troponina, BNP, RT-PCR/antígeno e sorologia para SARS-CoV-2.

Definições de caso da MIS-C

Item Ministério da Saúde (SIM-P, 2020) CDC/CSTE (2023)
Idade Até 19 anos < 21 anos
Febre > 38 °C e persistente (≥ 3 dias) ≥ 38,0 °C (referida ou medida)
Inflamação VHS, PCR ou procalcitonina elevados PCR ≥ 3,0 mg/dL (30 mg/L)
Órgãos ≥ 2 de: mucocutâneo; hipotensão/choque; disfunção miocárdica, pericardite, valvulite ou coronárias; coagulopatia; gastrointestinal ≥ 2 de: cardíaco (FEVE < 55%, coronárias ou troponina); mucocutâneo; choque; gastrointestinal; hematológico (plaquetas < 150.000 ou linfócitos < 1.000/µL); exige internação
SARS-CoV-2 RT-PCR, antígeno ou sorologia positivos, ou contato com caso RT-PCR, antígeno ou anticorpos, ou contato nos 60 dias anteriores
Exclusão Outras causas (sepse, choque tóxico) Diagnóstico alternativo mais provável, incluindo Kawasaki

O limiar de 38 °C é das definições de caso; na rotina do site, febre é axilar ≥ 37,5 °C.

Diagnóstico diferencial que não pode passar: Kawasaki, sepse e choque tóxico, apendicite (a MIS-C simula abdome agudo), bronquiolite e pneumonia (lactente com miocardite), taquicardia supraventricular com disfunção, cardiomiopatias, anomalia de coronária, pneumotórax, cocaína ou estimulantes, pericardite purulenta ou tuberculosa, lúpus.

4.Tratamento e seguimento

Miocardite: sempre hospitalar (ESC 2025): monitorização, suporte à insuficiência cardíaca (milrinona como inotrópico de primeira linha — AHA 2021), arritmias, suporte circulatório e transplante em centros especializados. Imunoglobulina e imunossupressão não têm benefício comprovado e dependem do centro (AHA 2021). Após a alta, o cardiologista conduz medicamentos, ecocardiograma e ressonância seriados.

MIS-C: hospitalar — imunoglobulina IV 2 g/kg (máx. 100 g) (dividida se houver disfunção cardíaca) e metilprednisolona (1–2 mg/kg/dia; pulsos de 10–30 mg/kg/dia, máx. 1 g, nos graves), anakinra nos refratários, AAS em dose baixa (3–5 mg/kg/dia, máx. 81 mg/dia) e anticoagulação conforme coronárias, função ventricular e trombose (ACR; AEP 2021; SIP 2021). Após a alta, o pediatra acompanha o desmame do corticoide definido pelo especialista (sem corticoterapia prolongada), o AAS até o ecocardiograma de controle (1–2 e 4–6 semanas) e sinais de recaída.

Pericardite aguda sem critérios de alto risco (🟢) — o que o pediatra pode conduzir junto com o cardiologista:

Medicamento Dose Intervalo Duração Observação
Ibuprofeno 10 mg/kg/dose (limite superior do padrão do site); no adolescente, dose anti-inflamatória definida com o cardiologista 6–8 h 1–2 semanas, até resolução da dor e normalização da PCR, com redução gradual A partir de 6 meses; com alimento; evitar na desidratação, varicela, suspeita de dengue e doença renal; máximo diário conforme bula
Colchicina < 5 anos: 0,5 mg/dia; > 5 anos: 1,0–1,5 mg/dia (ESC 2015); adolescente: 0,5 mg/dia se < 70 kg, 0,5 mg 12/12 h se ≥ 70 kg (ESC, adultos) 1–3 tomadas/dia Cerca de 3 meses no 1º episódio; ≥ 6 meses na recorrência; último a ser suspenso (ESC 2025) Reduz recorrência; diarreia é o efeito adverso mais comum; interações (macrolídeos, azólicos); prescrição pelo especialista
  • Não usar: AAS como anti-inflamatório na pericardite da criança (síndrome de Reye, hepatotoxicidade — exceto Kawasaki e MIS-C, sob especialista); corticoide como primeira linha (efeitos adversos; reservado ao especialista); antibiótico sem suspeita de pericardite purulenta. Refratária ou recorrente: inibidor de interleucina-1 (anakinra), pelo especialista (ESC 2025).

Atividade física e esporte:

  • Miocardite: sem esporte competitivo ou atividade intensa por 3 a 6 meses (SBC 2022), com liberação após reavaliação cardiológica (ecocardiograma, Holter e teste de esforço, a critério do especialista). A ESC 2025 propõe restrição inicial de 1 mês e depois individualizada.
  • Pericardite: sem esforços até a resolução; atleta, pelo menos 3 meses; miopericardite, pelo menos 6 meses (ESC 2015).

Vacinação contra COVID-19 — recomendação:

  • Manter a vacinação do calendário (PNI: 6 meses a < 5 anos e grupos de risco; SBP 2026/2027): a infecção por SARS-CoV-2 também causa miocardite e MIS-C, e a vacinação reduz risco e gravidade da MIS-C.
  • Orientar o adolescente, sobretudo do sexo masculino, a procurar atendimento se tiver dor no peito, falta de ar ou palpitações nos 7 dias após dose de vacina de mRNA.
  • Miocardite ou pericardite após a vacina, miocardite prévia de outra causa ou MIS-C prévia: nova dose só após avaliação do cardiologista, conforme a nota técnica vigente do Ministério da Saúde e o CDC.

Seguimento: o pediatra reavalia sintomas, sinais de insuficiência cardíaca e adesão; o cardiologista define exames e liberação esportiva. Após MIS-C, observe sequelas emocionais e o retorno escolar.

5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar

  • Qualquer suspeita de miocardite: dor torácica ou dispneia com taquicardia desproporcional, galope, hepatomegalia, troponina elevada ou ECG alterado.
  • Suspeita de MIS-C: febre persistente após COVID-19 ou contato, com dor abdominal, vômitos, exantema, conjuntivite, prostração ou sinais de choque.
  • Lactente com taquipneia, gemência, sudorese às mamadas e fígado aumentado sem explicação respiratória; síncope, arritmia ou bloqueio ao ECG.
  • Pericardite com critério maior de alto risco (febre > 38 °C, curso subagudo, derrame volumoso, tamponamento, sem resposta ao AINE em 7 dias) ou suspeita de pericardite purulenta.

Como encaminhar

  1. Não atrasar o transporte por exames; ECG e oximetria só se imediatos.
  2. Oxigênio se SpO2 < 92% ou desconforto respiratório; posição de conforto (semissentado na dispneia; sentado e inclinado para frente na pericardite).
  3. Choque ou má perfusão: SAMU (192) e acesso venoso se possível; na suspeita de miocardite, evitar expansões rápidas e repetidas — alíquotas menores com reavaliação (fígado, estertores, FC), conforme o serviço de destino.
  4. Não dar AAS nem corticoide no consultório; antitérmico conforme padrão do site se houver febre (paracetamol 10–15 mg/kg/dose ou dipirona 10–12 mg/kg/dose).
  5. Contato prévio com o serviço (UTI pediátrica e ecocardiografia).
  6. Relatório: início dos sintomas, virose ou COVID-19 recente, vacina (data e tipo), sinais vitais, SpO2, ECG e exames, medicamentos.
  7. SIM-P: notificação obrigatória (compulsória).

6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família

  • "A pericardite melhora em dias; a colchicina segue por meses, mesmo sem dor, porque evita que volte. Sem esporte até o médico liberar. Retorno em 7 dias, ou antes se a dor não melhorar em 2–3 dias."
  • Após vacina de mRNA contra COVID-19: "Nos 7 dias seguintes, procure atendimento se houver dor no peito, falta de ar ou coração disparado."
  • Após COVID-19: "Nas 6 semanas seguintes, febre persistente com dor de barriga, vômitos, manchas ou olhos vermelhos exige avaliação no mesmo dia."
  • Pronto-socorro se houver: falta de ar, cansaço ao mínimo esforço, desmaio, coração disparado ou irregular, palidez, suor frio, lábios roxos, urina diminuída, sonolência; no bebê, respiração rápida, gemido, suor nas mamadas e recusa alimentar.

7.Comparação com as referências

Item SBP / MS (e SBC) AAP / AHA NICE (Oxford / Cambridge) AEP SIP Harvard / Johns Hopkins
Miocardite — diagnóstico e tratamento ECG, troponina, eco, ressonância (Lake Louise); suporte da IC (SBC 2022) Eco primeira linha; ressonância; imunoterapia sem benefício comprovado (AHA 2021) Sem diretriz pediátrica localizada; Oxford Handbook Sem protocolo específico localizado Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada
Pericardite Sem documento pediátrico localizado Sem diretriz AAP/AHA localizada; ESC: AINE + colchicina, sem AAS nem corticoide na criança Sem diretriz pediátrica localizada — — —
MIS-C — definição SIM-P ≤ 19 anos, febre ≥ 3 dias; notificação obrigatória (MS 2020) CDC 2023: < 21 anos, PCR ≥ 3 mg/dL, ≥ 2 de 5 categorias Definição RCPCH (PIMS-TS) Consenso SIM-PedS (2021) Guia da SIP (2021) Sem protocolo público localizado
MIS-C — tratamento IGIV 2 g/kg + corticoide; AAS dose baixa (site) ACR: IGIV + metilprednisolona; anakinra; AAS 3–5 mg/kg/dia — IGIV; metilprednisolona 1–2 mg/kg/dia ou pulsos 30 mg/kg/dia (máx. 1 g) IGIV; corticoide por gravidade; AAS 5 mg/kg por 6–8 semanas —
Vacina mRNA Evento raro; manter calendário do PNI CDC/FDA: até 7 dias após 2ª dose; ~27/milhão em homens de 12–24 anos (2025) — — — —
Esporte após miocardite 3–6 meses (SBC 2022) Individualizado — — — —

Leitura: as referências convergem em que a miocardite da criança é hospitalar, diagnosticada com ECG, troponina e eco e confirmada por ressonância, sem imunoterapia de benefício comprovado. Na MIS-C, todas usam imunoglobulina com corticoide, anakinra nos refratários e AAS em dose baixa, divergindo nas doses de corticoide e no tempo de AAS; as definições diferem na idade (19 × 21 anos) e na PCR. A ESC 2025 é mais permissiva no esporte (1 mês inicial, depois individualizado) que a SBC (3–6 meses). Sobre a vacina de mRNA, o risco é pequeno, em geral benigno, concentrado em rapazes, e todas mantêm a vacinação.

Pontos práticos
  1. Taquicardia desproporcional à febre, galope ou fígado aumentado após virose (no lactente, "bronquiolite que não fecha") = miocardite até prova em contrário: pronto-socorro no mesmo dia.
  2. Dor torácica nos 7 dias após vacina de mRNA em adolescente: ECG, troponina e avaliação no mesmo dia.
  3. Febre persistente com dor abdominal, exantema ou conjuntivite após COVID-19 recente: pense em MIS-C, encaminhe e notifique.
  4. Pericardite sem critérios de alto risco: ibuprofeno + colchicina em casa, sem AAS e sem corticoide, com reavaliação em 7 dias.
  5. Esporte só com liberação do cardiologista (3–6 meses após miocardite pela SBC).

Veja também, nesta Biblioteca: Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P / MIS-C) e Doença de Kawasaki (Reumatologia); Sopro cardíaco, dor torácica e pressão arterial elevada (Patologias do consultório); Síncope na Criança e no Adolescente e PALS (Urgências e Emergências); Imunobiológicos em Pediatria e Calendário vacinal SBP 2026/2027 (Imunizações).

8.Fontes

  • SBC. Montera MW et al. Diretriz de Miocardites da SBC, 2022. PDF
  • SBP/MS. Notificação obrigatória dos casos de SIM-P, 2020. PDF
  • AHA. Law YM et al. Diagnosis and Management of Myocarditis in Children, 2021 (resumo do ACC). acc.org
  • ESC. 2025 Guidelines for the management of myocarditis and pericarditis. Eur Heart J; Rev Esp Cardiol
  • ESC. 2015 Guidelines on pericardial diseases. PMC; colchicina pediátrica em Medscape
  • CDC/CSTE. MIS-C case definition, 2023. cdc.gov
  • CDC. Myocarditis and pericarditis after mRNA COVID-19 vaccination. cdc.gov
  • Oster ME et al. JAMA, 2022. jamanetwork.com
  • FDA. Updated myocarditis warning for mRNA COVID-19 vaccines, 2025. fda.gov
  • ACR, versão 3 (2022), conforme protocolo do Children's Minnesota. PDF
  • AEP/SECIP. García-Salido A et al. Consenso SIM-PedS. An Pediatr, 2021. analesdepediatria.org
  • SIP. Cattalini M et al. MIS-C guidance. Ital J Pediatr, 2021. link.springer.com
  • Oxford Handbook of Paediatrics, 3ª ed., 2021 (obra de referência).