Cardiologia pediátrica · Arritmias e morte súbita

Taquicardia supraventricular e palpitações

Como avaliar a queixa de palpitações no consultório, reconhecer a taquicardia supraventricular no lactente e na criança maior, o que fazer antes da transferência e como seguir o paciente com o cardiologista

Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF

Em resumo

A maioria das crianças com palpitações tem taquicardia sinusal (febre, ansiedade, anemia, cafeína, energéticos, salbutamol, estimulantes) ou extrassístoles benignas; história, exame e ECG de 12 derivações resolvem a maior parte dos casos. A taquicardia supraventricular (TSV) é a arritmia sustentada mais comum da infância: FC fixa, em geral ≥ 220 bpm no lactente e ≥ 180 bpm na criança (PALS), QRS estreito, início e término súbitos. No lactente, os sintomas são inespecíficos e a crise prolongada pode causar insuficiência cardíaca. Toda TSV em curso é tratada em serviço com monitor: crise em lactente ou com sinais de má perfusão, síncope ou insuficiência cardíaca = 🔴 pronto-socorro. Na criança estável, manobras vagais; se falharem, adenosina 0,1 mg/kg IV rápida (máx. 6 mg), depois 0,2 mg/kg (máx. 12 mg); se instável, cardioversão sincronizada 0,5–1 J/kg, até 2 J/kg (PALS 2020, mantido em 2025). Palpitação breve, sem alarme e com ECG normal fica com o pediatra (🟢); TSV documentada, pré-excitação no ECG ou crises recorrentes vão ao cardiologista pediátrico (🟡), que decide entre observação, profilaxia e ablação.

Veja também, nesta Biblioteca: PALS — Suporte Avançado de Vida em Pediatria (Urgências e Emergências), Síncope na Criança e no Adolescente, Sopro cardíaco, dor torácica e pressão arterial elevada, Uso de cafeína por crianças e adolescentes, TDAH, Ansiedade e depressão na infância e adolescência e Anemia ferropriva.

1.O que é e como se apresenta

Palpitação é a percepção desagradável dos batimentos cardíacos, por serem rápidos, fortes ou irregulares. A queixa é comum no escolar e no adolescente e raramente corresponde a arritmia; o objetivo do pediatra é separar os poucos casos de arritmia real dos muitos casos benignos.

Causas mais frequentes de palpitações

  • Taquicardia sinusal: febre, dor, desidratação, anemia, hipertireoidismo, ansiedade e pânico; cafeína, energéticos e pré-treino; salbutamol, descongestionantes, estimulantes; drogas ilícitas.
  • Extrassístoles supraventriculares ou ventriculares: a causa cardíaca mais frequente; em coração estruturalmente normal, isoladas, monomórficas e que desaparecem com o exercício, são benignas (AEP, Pediatría Integral 2021).
  • Arritmia sinusal respiratória: fisiológica.
  • Taquiarritmias verdadeiras: TSV por reentrada (a mais comum), flutter e fibrilação atrial (raras sem cardiopatia), taquicardia atrial ectópica e, raramente, taquicardia ventricular.

Taquicardia supraventricular (TSV)

  • Mecanismo: reentrada por via acessória (predomina no lactente; inclui Wolff-Parkinson-White, com pré-excitação no ECG basal) ou nodal (mais comum no adolescente).
  • ECG na crise: FC fixa, em geral ≥ 220 bpm no lactente e ≥ 180 bpm na criança (PALS 2020); QRS estreito; P ausente ou retrógrada; RR regular. A taquicardia sinusal tem FC variável, P visível e causa aparente.
  • Lactente: achado de consulta ou queixa inespecífica (irritabilidade, palidez, recusa alimentar, sudorese, taquipneia); 23% de uma série espanhola teve insuficiência cardíaca, associada à menor idade e à crise mais longa (Anales de Pediatría 2007).
  • Criança maior: "coração disparado" abrupto, às vezes com dor torácica, tontura ou pré-síncope, que termina subitamente.
  • História natural: no lactente, muitas crises cessam no primeiro ano, com possível recorrência mais tarde; na criança maior, tende a persistir.

2.Classificação de gravidade

Gravidade Critérios clínicos Conduta
🟢 Leve Palpitações breves, em repouso ou com gatilho evidente (febre, ansiedade, cafeína, salbutamol), sem síncope, sem sintomas ao esforço, sem família de risco; exame e ECG normais (ou extrassístoles isoladas que somem com o exercício) Tratar a causa; orientar cafeína, energéticos, sono e ansiedade; diário de sintomas; retorno programado
🟡 Moderada Palpitações de início e término súbitos sugestivas de TSV, já resolvidas, em criança estável; TSV documentada anteriormente; pré-excitação (PR curto e onda delta) no ECG; extrassístoles frequentes, pareadas, polimórficas ou que aumentam com o esforço; palpitações com cardiopatia conhecida ou com família de risco ECG, e Holter ou monitor de eventos; cardiologia pediátrica prioritária (em até 2–4 semanas); afastar esporte competitivo se sintomas ao esforço até a avaliação
🔴 Grave TSV em curso (FC fixa ≥ 220 bpm no lactente ou ≥ 180 bpm na criança); qualquer taquicardia em lactente; sinais de má perfusão, hipotensão, alteração de consciência, insuficiência cardíaca (taquipneia, hepatomegalia, sudorese); síncope ou palpitações durante o esforço; taquicardia de QRS largo; dor torácica com dispneia Pronto-socorro com monitor e desfibrilador (ver "Como encaminhar"); SAMU 192 se instável

Fatores de risco que elevam a gravidade

  • Idade < 1 ano e crise prolongada.
  • Pré-excitação (risco de fibrilação atrial pré-excitada muito rápida).
  • Cardiopatia congênita (sobretudo operada), miocardite, cardiomiopatia.
  • Morte súbita inexplicada em jovem na família (antes dos 40 anos no documento de Síncope desta Biblioteca; antes dos 50 na AHA e na AAP), canalopatia ou cardiomiopatia.
  • Hipertireoidismo, estimulantes, drogas, anorexia nervosa com distúrbio eletrolítico.

3.Diagnóstico no consultório

Anamnese dirigida: início e término (súbitos sugerem TSV; graduais, taquicardia sinusal); duração; FC contada ou registrada; ritmo regular ou irregular; relação com esforço, emoção, posição ou sono; sintomas associados (dor torácica, tontura, síncope); o que faz a crise parar. Cafeína e energéticos, pré-treino, medicamentos, drogas, ansiedade, tireoide. Na família: morte súbita, afogamento ou acidente inexplicados em jovens, marca-passo ou desfibrilador, cardiomiopatia, surdez congênita.

Exame físico: FC e ritmo por um minuto, PA com manguito adequado (bolsa ≈ 40% da circunferência do braço), sopros, sinais de insuficiência cardíaca, tireoide, palidez, sinais de uso de substâncias.

Exames

  • ECG de 12 derivações em toda palpitação que não seja claramente sinusal: pré-excitação (PR curto e onda delta), QTc, sobrecargas, bloqueios, extrassístoles. ECG normal fora da crise não exclui TSV.
  • Registrar a crise fecha o diagnóstico: ECG durante o episódio (pedir o traçado antes do tratamento, se estável), Holter de 24–48 h se sintomas diários, monitor de eventos se esporádicos. Relógios e aplicativos não substituem o ECG (UHL/NHS, 2025).
  • Hemograma, TSH e T4 livre, eletrólitos conforme a suspeita clínica.
  • Ecocardiograma (pelo cardiologista) na TSV documentada, na pré-excitação e se houver sopro ou disfunção.

Diagnóstico diferencial que não pode passar: taquicardia sinusal de causa grave (choque, sepse, miocardite — FC desproporcional à febre), taquicardia de QRS largo (ventricular até prova em contrário), flutter atrial no recém-nascido, hipertireoidismo, intoxicação por cafeína ou estimulantes, taquicardia postural ortostática (ver Síncope) e pânico — só depois de afastada a arritmia.

4.Tratamento e seguimento

Palpitações benignas (pediatra): explicar, tratar a causa (anemia, febre, tireoide), reduzir cafeína, suspender energéticos e pré-treino, cuidar do sono e da ansiedade. Extrassístoles isoladas que somem com o esforço, em coração normal, não exigem tratamento nem restrição de esporte.

TSV aguda — o que fazer (em serviço com monitor)

  1. Avaliar estabilidade: perfusão, PA, consciência. Instável → cardioversão sincronizada imediata.
  2. Estável → manobras vagais (primeira linha no PALS 2020 e 2025):
    • Lactente: reflexo de mergulho — bolsa com gelo e água, ou compressa gelada, sobre a face (testa, olhos e nariz) por 15–30 segundos, com monitor; a imersão da face em água gelada por cerca de 5 segundos é mais eficaz, mas exige equipe treinada (RCH Melbourne).
    • Criança maior: Valsalva — soprar uma seringa de 10 mL ou o polegar por 10–15 segundos; a Valsalva modificada (soprar semissentado e, logo em seguida, deitar com as pernas elevadas a 45°) é mais eficaz (RCH Melbourne).
    • Não fazer: compressão dos globos oculares nem massagem do seio carotídeo.
  3. Adenosina se as manobras falharem e cardioversão sincronizada se instável (hipotensão, má perfusão, alteração de consciência) — doses na tabela (PALS 2020; documento PALS desta Biblioteca). Refratária ou recorrente: antiarrítmico com o cardiologista.
  4. Verapamil é contraindicado em menores de 1 ano (hipotensão grave e parada — RCH Melbourne; o PALS desta Biblioteca o reserva a maiores de 1 ano). Na fibrilação atrial pré-excitada (QRS largo, irregular, muito rápido), evitar adenosina, digoxina, verapamil e amiodarona; cardioversão se instável.
Medicamento Dose Intervalo Duração Observação
Adenosina IV/IO (hospital) 0,1 mg/kg em bolo rápido (máx. 6 mg); 2ª dose 0,2 mg/kg (máx. 12 mg) 2ª dose se a 1ª não reverter Dose única ou duas doses Acesso proximal, flush imediato, ECG contínuo; rubor, dispneia e pausa breve são esperados
Cardioversão sincronizada (hospital) 0,5–1 J/kg; depois 2 J/kg Se não reverter — TSV instável; sedação/analgesia se não atrasar
Amiodarona IV (hospital, com especialista) 5 mg/kg em infusão lenta (máx. 300 mg/dose) — — TSV refratária; monitorar PA e QT
Propranolol oral (profilaxia) Dose definida pelo cardiologista pediátrico Fracionado ao longo do dia No lactente, em geral 6–12 meses Mais usado no lactente; hipoglicemia em jejum, broncoespasmo; não suspender por conta própria
Outros (digoxina, flecainida, sotalol) Conforme especialista — — Digoxina e verapamil são evitados na pré-excitação

Profilaxia e ablação (cardiologista)

  • Lactente: em geral recebe profilaxia (propranolol é o mais usado); reduzir de 12 para 6 meses não aumentou a recorrência em coorte finlandesa (Mecklin, 2023); recorrem mais os com Wolff-Parkinson-White ou em associação de drogas.
  • Criança maior com crises raras e bem toleradas: manobras vagais e plano de ação podem bastar.
  • Ablação por cateter: tratamento definitivo; em geral acima de 15–20 kg, conforme o centro (ACC 2025).
  • Pré-excitação assintomática: cardiologista; estratificação e ablação em decisão compartilhada; a pré-excitação isolada não impõe restrição de atividade física (ACC 2025).

O que não fazer: tratar palpitações com betabloqueador ou ansiolítico sem ECG; rotular como ansiedade antes de afastar arritmia; liberar esporte competitivo com síncope ao esforço sem avaliação.

Seguimento pelo pediatra: revisar o plano de ação, ensinar a contar a FC, conferir adesão e efeitos adversos da profilaxia (hipoglicemia com propranolol em jejum ou doença intercorrente); vacinas e puericultura normais.

5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar

  • Qualquer taquicardia sustentada com FC fixa ≥ 220 bpm no lactente ou ≥ 180 bpm na criança.
  • Lactente com taquicardia, recusa alimentar, palidez, sudorese, taquipneia ou hepatomegalia.
  • Sinais de choque, hipotensão, alteração de consciência, dor torácica ou dispneia durante a crise.
  • Síncope ou palpitações durante o exercício.
  • Taquicardia de QRS largo ou irregular e muito rápida (suspeita de fibrilação atrial pré-excitada).
  • Crise que não cede com manobras vagais em até alguns minutos.
  • Internação ou cardiologia imediata: primeiro episódio, menores de 3 meses, insuficiência cardíaca, cardioversão ou antiarrítmico venoso (RCH Melbourne).

Como encaminhar

  1. Posição de conforto; oxigênio se SpO2 < 94% ou desconforto respiratório.
  2. Se houver ECG, registrar o traçado de 12 derivações sem atrasar a transferência.
  3. Criança maior estável e cooperativa: pode-se tentar a Valsalva modificada enquanto aguarda; no lactente, não retardar a transferência.
  4. Instável: SAMU (192); via aérea e ventilação; RCP se sem sinais de circulação; DEA à mão.
  5. Não dar antiarrítmico no consultório sem monitor e desfibrilador.
  6. Contatar o destino; relatório com FC, início, manobras, medicamentos e ECG.

6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família

  • "Quando o coração disparar, conte os batimentos por 15 segundos e multiplique por 4 (ou use o oxímetro) e anote início e término."
  • "Faça a manobra que o cardiologista ensinou; se não passar em poucos minutos, vá ao pronto-socorro e peça o eletrocardiograma antes do remédio, se a criança estiver bem."
  • "Evite energéticos, pré-treinos e excesso de café, chá-mate e refrigerantes de cola."
  • Pronto-socorro se: bebê pálido, suado, cansado para mamar ou respirando rápido; coração disparado que não passa; desmaio, dor no peito, falta de ar; palpitação no esporte.
  • Retorno após cada crise; não suspender o remédio por conta própria.

7.Comparação com as referências

Item SBP / MS (e SBC) AAP / AHA NICE (Oxford / Cambridge) AEP SIP Harvard / Johns Hopkins
Definição e FC da TSV PALS (documento desta Biblioteca; Diretriz SBC 2019) ≥ 220 bpm lactente, ≥ 180 bpm criança (PALS 2020) Sem diretriz pediátrica de TSV (Oxford Handbook) Mesmos critérios SICP/AIAC 2011: adenosina na crise, betabloqueador na manutenção do lactente Johns Hopkins: palpitações ≥ 5 min com dor ou palidez merecem avaliação
Manobras vagais Primeira linha (PALS desta Biblioteca) Primeira linha na TSV estável (PALS 2020 e 2025) Sem posição pediátrica; segue o NICE Valsalva, reflexo de mergulho; sem compressão ocular Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada
Adenosina e cardioversão 0,1 (máx. 6) → 0,2 mg/kg (máx. 12); 0,5–1 → 2 J/kg Idem (2020; mantido em 2025) — Escalonamento além do PALS em alguns protocolos Adenosina primeira linha —
Palpitações na atenção primária Sem documento SBP específico localizado Sem diretriz AAP específica NG127: cardiologia se desmaio, palpitações ou morte súbita na família ECG de 12 derivações é essencial (FAPap) — Johns Hopkins: sintomas ao esforço exigem avaliação antes do esporte
Profilaxia e ablação Com o cardiologista Ablação é tratamento definitivo; pré-excitação em decisão compartilhada (ACC 2025) — Ablação como tratamento padrão da TSV sintomática Betabloqueador no lactente Sem posição específica localizada

Leitura: há convergência na sequência manobra vagal → adenosina → cardioversão sincronizada e nas doses do PALS, as mesmas do documento PALS desta Biblioteca. As divergências são de detalhe: protocolos espanhóis escalonam adenosina e energia além do PALS; o Reino Unido não tem diretriz pediátrica própria e usa a NG127 só para o encaminhamento; e, nos EUA, a pré-excitação assintomática passou da "observação" à decisão compartilhada sobre ablação. Não há documento da SBP dedicado a palpitações.

Pontos práticos
  1. FC fixa, sem variação com choro ou repouso, ≥ 220 bpm no lactente ou ≥ 180 bpm na criança é TSV até prova em contrário.
  2. Todo lactente com TSV vai ao pronto-socorro, mesmo que pareça bem: pode descompensar em horas.
  3. Peça (ou oriente a família a pedir) o ECG durante a crise, antes da adenosina, se a criança estiver estável.
  4. Adenosina 0,1 mg/kg (máx. 6 mg) → 0,2 mg/kg (máx. 12 mg); cardioversão 0,5–1 → 2 J/kg — sempre em ambiente monitorado.
  5. Verapamil nunca em menores de 1 ano; digoxina e verapamil são evitados na pré-excitação.
  6. Palpitação ou síncope durante o esforço é sinal de alarme: afaste do esporte até a avaliação cardiológica.

8.Fontes

  • American Heart Association. Pediatric Tachycardia With a Pulse Algorithm (PALS), 2020. PDF
  • American Heart Association / American Academy of Pediatrics. Part 8 — Pediatric Advanced Life Support, 2025 Guidelines (Pediatrics 2026; Circulation 2025) — consultado por resumo secundário. Resumo
  • Dr. José Roberto Stefani. PALS — Suporte Avançado de Vida em Pediatria (Urgências e Emergências, nesta Biblioteca), 2026.
  • The Royal Children's Hospital Melbourne. Clinical Practice Guideline — Supraventricular tachycardia (SVT). rch.org.au
  • Balaguer Gargallo M et al. Taquicardia paroxística supraventricular en el niño y el lactante. Anales de Pediatría, 2007. analesdepediatria.org
  • Sarquella-Brugada G et al. Arritmias más frecuentes en la población infantojuvenil. Pediatría Integral (SEPEAP), 2021. pediatriaintegral.es
  • Ortigado Matamala A. Palpitaciones en Pediatría. FAPap (AEPap), 2011. PDF
  • NICE. NG127 — Suspected neurological conditions: recommendations for children aged under 16, 2019 (atualizada). nice.org.uk
  • University Hospitals of Leicester (NHS). Palpitations in children, 2025. PDF
  • American College of Cardiology. Clinical Practice Algorithms for Wolff-Parkinson-White Pattern in Pediatric Patients, 2025. acc.org
  • Mecklin M et al. Multicenter cohort study on duration of antiarrhythmic medication for supraventricular tachycardia in infants. Eur J Pediatr, 2023. link.springer.com
  • AIAC / SICP. Policy document — cardiopatie aritmiche pediatriche, 2011. PDF
  • Johns Hopkins Medicine. How to know if your child might have heart issues. hopkinsmedicine.org
  • Oxford Handbook of Paediatrics, 3ª ed., 2021 (obra de referência).