Cirurgia pediátrica · Região inguinal e genital

Testículo não descido (criptorquidia) e testículo retrátil

Exame correto da bolsa escrotal, retrátil × não descido × ascendente, palpável × não palpável, por que não pedir ultrassom nem usar hormônio, idade ideal da orquidopexia e o recém-nascido com testículos não palpáveis bilaterais

Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF

Em resumo

A criptorquidia é a anomalia genital congênita mais comum do menino: cerca de 3% dos nascidos a termo e até 30% dos prematuros (SBP 2023). A maioria dos testículos desce sozinha nos primeiros meses; depois dos 6 meses de idade corrigida, a descida é rara (MS 2012; EAU 2025). O diagnóstico é clínico: exame em ambiente e mãos aquecidos, criança relaxada, deitada e de cócoras, em todas as consultas. O testículo retrátil desce com a manobra e permanece na bolsa: é variante do normal, não se opera e é reexaminado no mínimo uma vez por ano até a puberdade (🟢). O testículo não descido persistente aos 6 meses de idade corrigida, o ascendente, o ectópico e o não palpável vão ao cirurgião pediátrico (🟡), sem ultrassom (não muda a conduta) e sem hormônio. A orquidopexia é feita idealmente entre 6 e 12 meses e, depois de 1 ano, logo após o diagnóstico (SBP 2023); EAU e AUA fixam o limite em 18 meses. Recém-nascido com testículos não palpáveis bilaterais, ou criptorquidia com hipospádia, é urgência (🔴): suspeita de distúrbio do desenvolvimento sexual (DDS), sobretudo hiperplasia adrenal congênita (HAC) em bebê 46,XX virilizado. Dor aguda na virilha do lado do não descido é torção até prova em contrário: pronto-socorro.

1.O que é e como se apresenta

O testículo desce do abdome à bolsa escrotal no último trimestre da gestação. A incidência de testículo fora da bolsa cai de cerca de 3,4% ao nascer para 0,8–1% com 1 ano (SBP 2023; EAU 2025); é unilateral em 75–90% (SBP 2023).

Conceitos que o pediatra precisa separar (EAU 2025; SBP 2023):

Situação O que se encontra Conduta
Retrátil Já desceu, mas sobe por reflexo cremastérico vivo; trazido à bolsa com facilidade, permanece após soltar; tamanho normal Sem tratamento; reexame no mínimo anual até a puberdade
Não descido (congênito) Fora da bolsa desde o nascimento, no trajeto (abdominal, canalicular, saída do anel inguinal); não chega à bolsa ou volta logo; hemibolsa pouco desenvolvida Encaminhar se persistir aos 6 meses de idade corrigida
Ectópico Fora do trajeto (bolsa inguinal superficial, períneo, base do pênis, coxa, lado oposto) Encaminhar
Ascendente (adquirido) Estava na bolsa e "sobe" com o crescimento (1–2% dos meninos) ou após herniorrafia Encaminhar
Ausente Agenesia ou atrofia por torção intrauterina ("evanescente"); monorquia em até 4%, anorquia em < 1% Encaminhar; diagnóstico cirúrgico

Palpável × não palpável: cerca de 80% são palpáveis (inguinais ou ectópicos). Dos não palpáveis, 50–60% são intra-abdominais ou canaliculares, cerca de 20% ausentes e 30% atróficos (EAU 2025). A divisão orienta a cirurgia.

Fatores associados (SBP 2023; EAU 2025): prematuridade e baixo peso, história familiar, diabetes ou obesidade materna, defeitos de parede abdominal, paralisia cerebral, síndromes (Prader-Willi, Noonan, prune belly, Kallmann), hipospádia.

Riscos:

  • Fertilidade: perda progressiva de células germinativas e de Leydig desde o fim do 1º ano. A SBP (2023) cita infertilidade em 30–50% dos unilaterais e até 75% dos bilaterais; a EAU (2025) mostra que, no unilateral, a fertilidade cai mas a paternidade é semelhante à da população; no bilateral, ambas caem.
  • Câncer de testículo: risco 5 a 20 vezes maior; cerca de 10% dos tumores testiculares se associam à criptorquidia (SBP 2023). Em coorte sueca, risco relativo de 2,2 com orquidopexia antes dos 13 anos e de 5,4 depois (EAU 2025). A cirurgia deixa o testículo acessível ao autoexame a partir da puberdade.
  • Outros: hérnia inguinal associada, torção do testículo não descido, trauma e impacto psicológico.

2.Classificação de gravidade

Gravidade Critérios clínicos Conduta
🟢 Leve Testículo retrátil; lactente com menos de 6 meses de idade corrigida com testículo não descido unilateral palpável, genitália típica, sem hipospádia Seguimento pelo pediatra em todas as consultas; retrátil, no mínimo anual até a puberdade (AUA; EAU 2025; MS 2012: a cada 6–12 meses)
🟡 Moderada Não descido persistente aos 6 meses de idade corrigida; diagnóstico depois dos 6 meses; ascendente; ectópico; não palpável unilateral; testículo pequeno ou de consistência alterada; hérnia redutível associada Encaminhar ao cirurgião pediátrico, sem ultrassom e sem hormônio; com prioridade se houver hérnia ou se a criança já passou de 12 meses; bilateral palpável, também endocrinologia pediátrica
🔴 Grave Testículos não palpáveis bilaterais no recém-nascido ou lactente; criptorquidia com hipospádia, micropênis ou genitália atípica; esse bebê com vômitos, recusa alimentar, perda de peso, desidratação, letargia ou hiperpigmentação (perda de sal); dor inguinal ou escrotal aguda do lado do não descido; hérnia encarcerada Urgência: recém-nascido estável — não dar alta; avaliação da endocrinologia e da cirurgia pediátrica no mesmo dia, com 17-OH-progesterona, sódio, potássio e cariótipo (ver "Genitália atípica e diferenças do desenvolvimento sexual"); perda de sal, dor aguda ou hérnia encarcerada — pronto-socorro imediatamente

Fatores que elevam a gravidade

  • Gônadas não palpáveis bilaterais: HAC em bebê 46,XX até prova em contrário — a crise de perda de sal costuma surgir entre a 1ª e a 4ª semana.
  • Hiperpigmentação da bolsa e das aréolas, hipoglicemia, icterícia prolongada, irmão com HAC ou óbito neonatal inexplicado, consanguinidade.
  • Bilateralidade e localização intra-abdominal; diagnóstico tardio.

3.Diagnóstico no consultório

O diagnóstico é clínico (SBP 2023; AUA; EAU 2025). Perguntar idade gestacional (para corrigir a idade), se os testículos já foram vistos na bolsa (banho, consultas, maternidade), cirurgia inguinal prévia, dor escrotal aguda no passado e história familiar.

Como examinar:

  1. Ambiente e mãos aquecidos, criança calma e distraída (reduz o reflexo cremastérico).
  2. Inspeção: bolsa simétrica e bem formada sugere retrátil; hemibolsa pequena e lisa sugere não descido. Ver meato uretral, tamanho do pênis e pigmentação.
  3. Decúbito dorsal, pernas em rã: uma mão desliza da espinha ilíaca anterossuperior pelo canal inguinal até o púbis, "ordenhando" o conteúdo; a outra espera na bolsa. Sabão ou gel nos dedos ajuda.
  4. Repetir de cócoras ou sentado de pernas cruzadas (o maior, em pé): revela muitos retráteis.
  5. Prova do retrátil: trazido à bolsa, permanece depois de solto, sem tensão no cordão; o não descido volta logo ou não chega ao fundo.
  6. Sem testículo no trajeto: procurar nos locais ectópicos.
  7. Outro testículo: aumentado (hipertrofia compensatória) sugere ausência do não palpável, mas não dispensa a cirurgia (EAU 2025).
  8. Registrar em toda consulta: lado, local, se desce e se permanece.

Exames:

  • Ultrassom: não pedir antes de encaminhar (AUA 2014, reafirmada em 2018 e 2025; EAU 2025; BAPS 2015). Não localiza nem exclui com segurança o testículo intra-abdominal, o resultado negativo não dispensa a laparoscopia e o pedido atrasa a cirurgia. A imagem fica para o especialista (por exemplo, estruturas müllerianas na suspeita de DDS); a SBP (2023) também a deixa a critério da avaliação médica, não como rotina.
  • Unilateral palpável, genitália típica: nenhum exame.
  • Bilateral não palpável ou genitália atípica (conduzido pelo especialista): 17-OH-progesterona a partir do 3º dia, sódio e potássio seriados, glicemia, teste do pezinho, cariótipo; na minipuberdade, LH, FSH, testosterona e hormônio antimülleriano separam testículos intra-abdominais de anorquia (AUA; SBP DC nº 232/2026).

Diferenciais que não podem passar: bebê 46,XX com HAC e virilização intensa; criptorquidia com hipospádia (DDS — AUA; EAU 2025); torção do testículo não descido e hérnia encarcerada; testículo ascendente no escolar (não é retrátil); hidrocele do cordão e linfonodo; testículos pequenos e firmes no adolescente (Klinefelter) ou ausência de puberdade (ver "Puberdade precoce e puberdade atrasada").

4.Tratamento e seguimento

O que o pediatra faz:

  • Examina os testículos em toda consulta e explica à família a diferença entre retrátil e não descido.
  • Abaixo de 6 meses de idade corrigida, unilateral com genitália típica: reexamina nas consultas de puericultura (MS 2012).
  • Encaminha ao cirurgião pediátrico o não descido aos 6 meses de idade corrigida, o diagnóstico posterior, o ascendente, o ectópico e o não palpável (SBP 2023; MS 2012; AUA; EAU 2025), sem ultrassom e sem hormônio.
  • Retrátil: tranquiliza e reexamina no mínimo uma vez por ano até a puberdade (AUA; EAU 2025); o MS (2012) sugere a cada 6–12 meses, com atenção entre 4 e 10 anos. Até um terço sobe em definitivo (EAU 2025): se deixar de descer ou não permanecer, encaminhar.
  • Após a orquidopexia: confere posição e tamanho nas consultas e ensina o autoexame a partir da puberdade.

O que é do especialista:

  • Orquidopexia idealmente entre 6 e 12 meses (SBP 2023; EAU 2025), no máximo até 18 meses (EAU 2025; AUA: "no ano seguinte" aos 6 meses; BAPS 2015: 6–18 meses). Depois de 1 ano, logo após o diagnóstico (SBP 2023).
  • Palpável: via inguinal ou escrotal. Não palpável: exame sob anestesia e laparoscopia; orquidopexia em um ou dois tempos ou retirada do resto atrófico. Após a puberdade, com testículo intra-abdominal e o outro normal, pode-se indicar orquiectomia (EAU 2025; AUA).
  • Bilateral: a EAU (2025) admite análogo de GnRH para preservar a fertilidade (recomendação fraca) — decisão do especialista.

Hormônio para induzir a descida — não usar. hCG e GnRH têm sucesso em cerca de 20%, com reascensão em até 20%, efeitos adversos e sinais de dano germinativo (EAU 2025); AUA e AAP não recomendam; a EAU não recomenda no unilateral. A SBP (2023) admite tratamento medicamentoso "a depender da causa": para o site, indicação do especialista (por exemplo, hipogonadismo), não para descer o testículo.

Analgesia após a orquidopexia (orientada pelo cirurgião; padrão do site, conforme "Analgesia e sedação para procedimentos na emergência pediátrica"):

Medicamento Dose Intervalo Duração Observação e referência
Paracetamol 10–15 mg/kg/dose 4–6 h (máx. 5 doses/dia) Enquanto houver dor Máx. 75 mg/kg/dia; teto por dose da apresentação (bulas: gotas 200 mg/mL máx. 35 gotas, suspensão 32 mg/mL máx. 15 mL e 100 mg/mL máx. 2,5 mL abaixo de 12 anos; comprimidos só a partir de 12 anos; nunca > 1 g/dose); nunca > 4 g/dia (padrão do site; bula)
Dipirona 15 mg/kg/dose 6 h (máx. 4 doses/dia) Enquanto houver dor Não usar abaixo de 3 meses ou de 5 kg (bula; padrão do site)
Ibuprofeno 5–10 mg/kg/dose 6–8 h Enquanto houver dor A partir de 6 meses; evitar na desidratação, dengue e varicela (padrão do site; bula)
hCG ou GnRH para a descida Não usar — — Baixa eficácia e possível dano germinativo (AUA; EAU 2025)

Codeína é proscrita; tramadol só a partir de 12 anos (padrão do site).

5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar

  • Recém-nascido com testículos não palpáveis bilaterais, criptorquidia com hipospádia, micropênis ou genitália atípica: não dar alta; se já está em casa, encaminhar com urgência, no mesmo dia, a serviço com endocrinologia e cirurgia pediátrica.
  • Esse bebê com vômitos, recusa alimentar, perda de peso, desidratação, sonolência ou hiperpigmentação: pronto-socorro imediatamente (perda de sal).
  • Dor inguinal ou escrotal aguda ou massa inguinal dolorosa e endurecida no lado do não descido (torção).
  • Hérnia que não reduz, dolorosa ou com vômitos.
  • Pós-operatório com sangramento, bolsa muito aumentada, febre com ferida vermelha ou dor que não cede.

Como encaminhar

  1. Suspeita de torção ou hérnia encarcerada: sem exames no consultório; jejum; analgesia (doses acima); contato com o serviço com cirurgião pediátrico ou urologista e encaminhamento imediato.
  2. Suspeita de perda de sal: acesso venoso e glicemia capilar; tratar hipoglicemia e desidratação conforme "Insuficiência adrenal e hiperplasia adrenal congênita"; colher sódio, potássio e 17-OH-progesterona antes da hidrocortisona, se não atrasar; transporte monitorizado; oxigênio, se necessário, para SpO2 entre 94% e 98% (no recém-nascido, metas neonatais).
  3. Comunicação: descrever sem atribuir sexo ("bebê com gônadas não palpáveis") (SBP DC nº 232/2026).
  4. Relatório: idade gestacional, achados de cada exame (lado, local, se desce), cirurgias, teste do pezinho e exames colhidos.

6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família

  • "O testículo que sobe e desce, mas fica na bolsa quando puxado, é normal (retrátil). Não precisa de cirurgia, mas vamos examiná-lo pelo menos uma vez por ano até a puberdade."
  • "Se o testículo não estiver na bolsa aos 6 meses (contando a prematuridade), não vai descer sozinho: a cirurgia é simples, de preferência antes de 1 ano."
  • "Ultrassom não ajuda a decidir, e remédio para descer o testículo não é recomendado."
  • "Se um testículo que ficava na bolsa deixar de ficar, conte na consulta. Depois da puberdade, ele deve examinar os próprios testículos todo mês."
  • Pronto-socorro na hora: dor forte e súbita na virilha ou no saco, inchaço endurecido na virilha, hérnia que não volta, vômitos com dor; no recém-nascido, vômitos, mamadas fracas, perda de peso ou sonolência.

7.Comparação com as referências

Item SBP Ministério da Saúde AAP NICE AEP Johns Hopkins Harvard Oxford / Cambridge
Versão e data DC Endocrinologia, Pediatria para Famílias (mar/2023); DC nº 232 (2026) Caderno de Atenção Básica nº 33 (2012) HealthyChildren.org (jun/2025); AUA 2014, reafirmada 2018 e 2025 Sem diretriz NG; NHS NIPE (jan/2025) AEPap, Guía de Algoritmos (2022) Sem posição específica localizada Boston Children's (página vigente) Segue o NICE; BAPS/RCS (2015)
Ultrassom A critério da avaliação, não rotina Sem posição Não pedir antes do encaminhamento Sem posição Não usar de rotina — Sem benefício na maioria Não indicado (BAPS)
Encaminhar Consulta obrigatória se fora da bolsa com 1 ano Aos 6 meses, à cirurgia pediátrica Aos 6 meses de idade corrigida Bilateral: revisão urgente por pediatra sênior Ao cirurgião; bilateral à endocrinologia — Ao cirurgião Unilateral direto ao cirurgião
Idade da cirurgia Ideal 6–12 meses Precoce, sem idade Até 18 meses — 12–18 meses — Se não desceu até 1 ano 6–18 meses
Hormônio Pode ser usado conforme a causa Sem posição Não recomendado — Não substitui a cirurgia — Sem posição Sem posição
Retrátil Variante, sem seguimento definido A cada 6–12 meses, dos 4 aos 10 anos Anual (AUA) — Anual até a puberdade — Sem tratamento Seguimento (ascensão 3–20%)
Bilateral não palpável Urgência, excluir HAC (DC nº 232) Sem posição Especialista imediato (AUA) Revisão urgente Endocrinologia e cariótipo — — Avaliação endócrina precoce

Leitura: há convergência no essencial — diagnóstico clínico com exame repetido, separação entre retrátil e não descido, encaminhamento do testículo que não desceu aos 6 meses de idade corrigida, nenhum ultrassom de rotina e investigação imediata de DDS nos não palpáveis bilaterais. Há três divergências. Idade da cirurgia: SBP (2023) e EAU preferem 6–12 meses; AUA, AAP e BAPS aceitam até 18; o algoritmo da AEPap (2022) cita 12–18 meses, atribuindo-o à ESPU, mas a diretriz EAU/ESPU vigente pede antes de 12. Hormônio: a SBP (texto para famílias) admite tratamento medicamentoso "a depender da causa"; AUA, AAP, EAU (unilateral) e AEPap não recomendam hormônio para a descida. Retrátil: MS a cada 6–12 meses entre 4 e 10 anos; AUA e EAU, anual até a puberdade. O NICE não tem diretriz específica; Oxford e Cambridge seguem o NICE e o rastreamento do NHS. O site adota a posição da SBP: orquidopexia idealmente entre 6 e 12 meses e, depois de 1 ano, logo após o diagnóstico; ultrassom só a critério do especialista; urgência nas gônadas não palpáveis bilaterais. A SBP torna a consulta obrigatória se o testículo estiver fora da bolsa com 1 ano; o site encaminha antes, aos 6 meses (MS; AUA), para operar na janela ideal da SBP; retrátil, a cada 6–12 meses (MS), no mínimo anual. O hormônio "conforme a causa" fica com o especialista, nunca para induzir a descida.

Pontos práticos
  1. Examine os testículos em toda consulta, em ambiente aquecido, deitado e de cócoras; registre lado, local e se desce e permanece.
  2. Retrátil desce e fica na bolsa: não opera, mas é reexaminado no mínimo anualmente até a puberdade; se deixar de descer, é ascendente e vai ao cirurgião.
  3. Fora da bolsa aos 6 meses de idade corrigida, ectópico, ascendente ou não palpável: cirurgião pediátrico, sem ultrassom e sem hormônio.
  4. Orquidopexia idealmente entre 6 e 12 meses; depois de 1 ano, logo após o diagnóstico (SBP 2023).
  5. Testículos não palpáveis bilaterais ou criptorquidia com hipospádia no recém-nascido: urgência, sem alta antes de excluir HAC.
  6. Dor aguda na virilha do lado do não descido é torção até prova em contrário: pronto-socorro.

Veja também, nesta Biblioteca: Genitália atípica e diferenças do desenvolvimento sexual e Insuficiência adrenal e hiperplasia adrenal congênita (Endocrinologia); Fimose, criptorquidia, hérnias, hidrocele e escroto agudo e Puberdade precoce e puberdade atrasada (Patologias do consultório); Emergências Cirúrgicas Neonatais (Neonatologia); Analgesia e sedação para procedimentos na emergência pediátrica (Urgências e emergências); Hérnia inguinal, hérnia umbilical e hidrocele na criança e Escroto agudo — torção testicular, torção de apêndice e orquiepididimite (nesta área).

8.Fontes

  • Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico de Endocrinologia. Criptorquidismo (Pediatria para Famílias), março de 2023. sbp.com.br; PDF
  • Ministério da Saúde. Saúde da criança: crescimento e desenvolvimento — Cadernos de Atenção Básica nº 33, 2012 (item 4.3.7). PDF
  • American Urological Association. Evaluation and Treatment of Cryptorchidism: AUA Guideline, 2014 (reafirmada em 2018; validade confirmada em 2025). auanet.org
  • American Academy of Pediatrics (HealthyChildren.org). Undescended Testicles: What Parents Need to Know, 2025. healthychildren.org
  • EAU/ESPU. Guidelines on Paediatric Urology — Management of undescended testes, 2025. PDF
  • AEPap. Criptorquidia en pediatría — Guía de Algoritmos en Pediatría de Atención Primaria, 2022. PDF
  • NHS/UKHSA. Newborn and infant physical examination: quality improvement guidance, 2025. gov.uk
  • BAPS/Royal College of Surgeons of England. Commissioning guide: Paediatric orchidopexy, 2015. PDF
  • Boston Children's Hospital. Undescended Testicles (Cryptorchidism). childrenshospital.org