Crescimento e Nutrição · Crescimento

Avaliação do crescimento e curvas

Técnica de medida, curvas da OMS 2006 e 2007 na Caderneta da Criança, escore-z e percentis, velocidade de crescimento e ganho de peso, alvo genético, perímetro cefálico, IMC, prematuros e quando investigar ou encaminhar

Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF

Em resumo

O crescimento é o melhor indicador de saúde da criança, mas um ponto isolado vale pouco: o que importa é a trajetória. Meça com técnica padronizada (comprimento deitado até 2 anos, estatura em pé a partir de 3 anos, perímetro cefálico com fita inextensível), registre nas curvas da OMS (padrões de 2006 até 5 anos e referência de 2007 de 5 a 19 anos) da Caderneta da Criança e leia em escore-z (SBP 2021; MS 2024). Calcule a velocidade de crescimento em intervalos de 6 a 12 meses e o alvo genético medindo os pais (SBP 2023). A criança que cresce paralela às linhas, entre −2 e +2 escores-z, compatível com a família e com desenvolvimento normal, fica com o pediatra (🟢). Queda de canal, estatura ou peso para estatura abaixo de −2, IMC acima de +2, velocidade baixa, discordância com o alvo ou perímetro cefálico fora de ±2 pedem investigação no consultório e encaminhamento ao especialista conforme o caso (🟡); a desnutrição aguda grave sem complicação, acima de 6 meses e com apetite, é tratada em ambulatório com seguimento próximo e especialista com urgência (🟡; SBP 2023). Desnutrição aguda grave com complicação, falta de apetite ou edema +++ (ou abaixo de 6 meses), perda de peso aguda com desidratação e perímetro cefálico que cresce com sinais de hipertensão intracraniana vão ao pronto-socorro (🔴).

1.O que é e como se apresenta

A avaliação do crescimento junta medida correta, curva adequada e interpretação longitudinal. Peso, estatura e IMC são acompanhados do nascimento aos 18 anos; o perímetro cefálico, nos primeiros 3 anos (SBP, Manual de Orientação nº 64/2023).

Curvas adotadas no Brasil (SBP; MS)

  • OMS 2006 (0 a 5 anos): padrão de como a criança saudável, amamentada e em ambiente favorável deve crescer; peso, comprimento/estatura, peso para estatura, IMC e perímetro cefálico para idade.
  • OMS 2007 (5 a 19 anos): referência de estatura, IMC e peso (este até 10 anos).
  • Caderneta da Criança (MS, 7ª edição, 2024): traz as curvas da OMS por sexo e as curvas INTERGROWTH-21st para o pré-termo até 64 semanas pós-concepcionais; depois, o pré-termo passa às curvas da OMS sem correção da idade. Se o INTERGROWTH-21st não for usado, acompanhar o pré-termo nas curvas da OMS com idade corrigida até 2 anos (até 3 anos se nasceu com menos de 28 semanas).
  • Síndromes com curvas próprias (Down, Turner, acondroplasia): usar a curva específica junto com a da OMS.

Escore-z e percentil: o escore-z é o número de desvios-padrão de distância da mediana [(valor medido − mediana) ÷ desvio-padrão]; o percentil é a posição em 100. Escore-z 0 = p50; −2 ≈ p2,3 (a SBP arredonda para p3); +2 ≈ p97; −3 ≈ p0,1. O escore-z discrimina melhor os extremos e permite acompanhar valores fora das linhas (SBP 2021). Programas WHO Anthro e Anthro Plus calculam os escores.

Classificação do estado nutricional (SBP, Manual de Avaliação Nutricional, 2021, pontos de corte da OMS)

Escore-z Peso para idade Peso para estatura ou IMC (0–5 anos) IMC (5–19 anos) Estatura para idade
< −3 Muito baixo peso Magreza acentuada Magreza acentuada Muito baixa estatura
≥ −3 e < −2 Baixo peso Magreza Magreza Baixa estatura
≥ −2 e ≤ +1 Adequado Eutrofia Eutrofia Adequada (≥ −2)
> +1 e ≤ +2 Adequado Risco de sobrepeso Sobrepeso Adequada
> +2 e ≤ +3 Peso elevado Sobrepeso Obesidade Adequada
> +3 Peso elevado Obesidade Obesidade grave Adequada

O peso para idade não distingue magreza de baixa estatura e não é usado acima de 10 anos; para o estado nutricional, use peso para estatura ou IMC.

Ganho de peso e crescimento esperados

Idade Peso (lactente a termo, AIG, no p50) Comprimento ou estatura
0–3 meses 25–30 g/dia (cerca de 700 g/mês) 3,5 cm/mês
4–6 meses 20 g/dia (600 g/mês) 2 cm/mês
7–9 meses 15 g/dia (500 g/mês) 1,5 cm/mês
10–12 meses 10 g/dia (300 g/mês) 1,2 cm/mês (cerca de 25 cm no 1º ano)
1–2 anos — 10–13 cm/ano
2–4 anos 2–3 kg/ano (pré-escolar) cerca de 7 cm/ano
4–6 anos — cerca de 6 cm/ano
6 anos até a puberdade — cerca de 5 cm/ano
Estirão — Meninas 8–10 cm/ano (Tanner 2–3); meninos 10–12 cm/ano (Tanner 3–4)

Fontes: peso e comprimento no 1º ano, SBP 2021 (Manual de Avaliação Nutricional); velocidade a partir de 1 ano, SBP 2023 (Manual de Orientação nº 64), a mesma usada no documento Baixa estatura; ganho de peso do pré-escolar, SBP 2024 (Manual de Alimentação). O recém-nascido perde até cerca de 10% do peso nos primeiros dias e o recupera em 10–14 dias no aleitamento (AEP 2023); quase todos recuperam até 3 semanas (NICE NG75).

2.Classificação de gravidade

Gravidade Critérios clínicos Conduta
🟢 Leve Trajetória paralela às linhas, entre −2 e +2 escores-z; estatura compatível com o alvo genético; velocidade normal para a idade; IMC entre −2 e +1 (0–5 anos) ou +1 (5–19 anos); perímetro cefálico entre −2 e +2 e estável; desenvolvimento normal. Inclui criança pequena saudável que acompanha pais baixos e o lactente GIG que desacelera até o seu canal Seguimento pelo pediatra no calendário de consultas; reforço de alimentação e sono
🟡 Moderada Queda de 2 ou mais faixas (linhas de escore-z ou espaços de percentil); traçado horizontal no lactente; peso para estatura ou IMC < −2; estatura < −2 com velocidade baixa, ou < −3; velocidade < 4–5 cm/ano na fase pré-puberal; estatura > 2 escores-z abaixo do alvo; IMC > +2 (0–5 anos) ou > +1 (5–19 anos); perímetro cefálico < −2 ou > +2, ou que cruza 2 linhas; recém-nascido sem recuperar o peso de nascimento até 3 semanas; estatura alta progressiva ou puberdade fora da faixa Investigação no consultório e encaminhamento conforme o achado: Déficit de crescimento (nutrologia, gastroenterologia), Baixa estatura (endocrinologia), Obesidade e risco cardiometabólico, perímetro cefálico (neuropediatria, com prioridade se microcefalia nova ou craniossinostose). Desnutrição aguda grave sem complicação (acima de 6 meses, com apetite, sem edema +++): ambulatório com seguimento próximo e encaminhamento com urgência (ver Déficit de crescimento e Desnutrição na criança)
🔴 Grave Desnutrição aguda grave (peso para estatura ou IMC < −3, circunferência do braço < 11,5 cm de 6 a 59 meses ou edema bilateral) com complicação — falta de apetite, hipoglicemia, hipotermia, desidratação, letargia, infecção, anemia grave, edema +++ — ou abaixo de 6 meses (SBP, Nota de Alerta nº 41/2023; ver Desnutrição na criança); perda de peso aguda com desidratação ou vômitos persistentes; perímetro cefálico que cresce rápido com fontanela tensa, vômitos, sonolência, olhar em sol poente; desaceleração da estatura com cefaleia, vômitos matinais e alteração visual Pronto-socorro/hospital (ver "Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar")

Fatores que elevam o risco ou a gravidade

  • Prematuridade, PIG, baixo peso ao nascer, gemelaridade.
  • Doença crônica (cardiopatia, nefropatia, doença pulmonar, neurológica, má absorção), uso de corticoide.
  • Insegurança alimentar, negligência, depressão materna, pais adolescentes, isolamento social.
  • Dieta restritiva (vegana sem orientação, exclusões desnecessárias), alimentação forçada ou com telas.
  • Medidas antigas ausentes: sem trajetória, a primeira medida alterada é tratada como alerta até nova medida.

3.Diagnóstico no consultório

Técnica de medida (SBP, Manual de Orientação nº 64/2023)

  • Peso: lactente despido em balança pediátrica calibrada; criança maior com roupa leve, sem calçados.
  • Comprimento (até 2 anos): deitado no estadiômetro horizontal (infantômetro), com duas pessoas; cabeça no plano de Frankfurt encostada na parte fixa, ombros, nádegas e calcanhares em contato com a base, joelhos estendidos e a parte móvel nas plantas dos pés. Fita métrica no colo ou na mesa não serve.
  • Estatura (a partir de 3 anos; entre 2 e 3 anos, deitado ou em pé): estadiômetro vertical fixo, sem calçados e sem adereços no cabelo, calcanhares juntos, olhar no plano de Frankfurt, encostando calcanhares, panturrilhas, nádegas, escápulas e occipital.
  • Diferença deitado × em pé = 0,7 cm: criança de 2 anos ou mais medida deitada, subtrair 0,7 cm; menor de 2 anos medida em pé, somar 0,7 cm. Na transição, fazer as duas medidas na mesma consulta.
  • Duplicata: se as duas medidas diferirem mais de 0,5 cm, fazer a terceira e registrar a média das mais próximas.
  • Perímetro cefálico: fita inextensível da glabela e rebordos supraorbitários à proeminência occipital, 3 medidas e anotar a maior; medir após as primeiras 24 horas de vida, mensalmente até 6 meses, em toda consulta até 36 meses e anualmente depois (SBP, DC nº 230/2025, como no documento Macrocefalia, microcefalia e hidrocefalia). Microcefalia: < −2 DP (grave < −3); macrocefalia: > +2 DP.
  • IMC: peso (kg) ÷ estatura (m)², sempre na curva de IMC para idade e sexo.

Velocidade de crescimento: calcule em intervalos de pelo menos 6 meses, idealmente 12 — a projeção de 3 meses multiplica por 4 o erro de medida (SBP 2023). No lactente, use os incrementos mensais da tabela acima.

Alvo genético (SBP 2023): meninos = (pai + mãe + 13) ÷ 2; meninas = (pai − 13 + mãe) ÷ 2; faixa de ± 5 cm. Meça os pais: estatura referida é pouco confiável. Pais muito baixos podem ter doença hereditária — a fórmula não "normaliza" o filho.

Como ler a curva

  • Normal: traçado paralelo às linhas, em qualquer faixa entre −2 e +2 (Caderneta 2024).
  • Alerta: mudança rápida de direção para cima ou para baixo, traçado horizontal ou cruzamento de linhas. No 1º ano, recanalizar até 1 faixa pode ser fisiológico (lactentes que nasceram grandes ou pequenos buscando o próprio canal); a AEP (2023) lembra que cerca de 5% dos lactentes de 6 a 12 meses cruzam 2 faixas sem doença — por isso a trajetória é sempre avaliada junto com o exame e o desenvolvimento.
  • Ordem de comprometimento: o peso cai primeiro (ingestão ou absorção insuficiente), depois a estatura e por último o perímetro cefálico; perímetro cefálico comprometido cedo sugere causa genética, congênita ou neurológica (ver Déficit de crescimento).
  • Peso × estatura: peso mais comprometido que a estatura sugere causa nutricional ou doença sistêmica; estatura mais comprometida com peso preservado ou excesso de peso sugere causa endócrina (ver Baixa estatura).

Exames: a avaliação do crescimento é clínica. Exames só diante de alteração, conforme o documento do problema encontrado (déficit, baixa estatura, obesidade, perímetro cefálico).

Diferencial que não pode passar: erro de medida ou de curva (mais comum que doença); prematuro avaliado sem correção; doença celíaca e outras causas de má absorção; hipotireoidismo; síndrome de Turner em menina baixa; craniossinostose e hidrocefalia; negligência.

4.Tratamento e seguimento

O pediatra faz: medir e registrar em toda consulta (calendário da SBP: 1ª semana; mensal até 6 meses; bimestral até 12; trimestral até 18; semestral até 5 anos; anual dos 5 aos 18), mostrar a curva à família, calcular velocidade e alvo, orientar alimentação e sono, rastrear o desenvolvimento e decidir quando investigar. O especialista (nutrólogo, gastroenterologista, endocrinologista, neuropediatra) assume a investigação dirigida e o tratamento específico.

Não há medicamento para "fazer crescer" na criança saudável. Os suplementos de rotina seguem o documento Suplementação de vitaminas e ferro:

Medicamento Dose Intervalo Duração Observação e referência
Vitamina D3 (colecalciferol) 400 UI/dia no 1º ano; 600 UI/dia de 1 a 18 anos 1x/dia Contínua SBP, DC nº 181/2024; prevenção, não estímulo de crescimento
Ferro elementar (lactente a termo) 10–12,5 mg/dia 1x/dia 2 ciclos: 6–9 e 12–15 meses SBP, Diretriz nº 32/2026; pré-termo e baixo peso: 2–4 mg/kg/dia (ver Suplementação)

Não usar: estimulantes de apetite (ciproeptadina e similares), polivitamínicos ou aminoácidos "para crescer", hormônio de crescimento sem indicação do endocrinologista (ver Baixa estatura).

Seguimento: variante normal — próxima consulta do calendário; achado limítrofe — nova medida, com a mesma técnica e o mesmo equipamento, em intervalo curto (lactente) ou em 6 meses (estatura), antes de rotular.

5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar

  • Desnutrição aguda grave (peso para estatura ou IMC < −3 escores-z, circunferência do braço < 11,5 cm ou edema bilateral dos pés) com complicação: falta de apetite, hipoglicemia, hipotermia, desidratação, letargia, vômitos intratáveis, infecção, anemia grave ou edema +++; abaixo de 6 meses, desnutrição grave ou edema (SBP, Nota de Alerta nº 41/2023). Sem complicação, acima de 6 meses e com apetite: ambulatório com seguimento próximo (SBP 2023); o Manual do MS (2005) enfatiza a internação — divergência discutida em Déficit de crescimento.
  • Perda de peso aguda com desidratação, vômitos incoercíveis ou biliosos.
  • Recém-nascido com perda de peso acentuada e sinais de desidratação, icterícia intensa, letargia ou mamadas ineficazes.
  • Perímetro cefálico que cresce rápido com fontanela tensa, disjunção de suturas, vômitos, sonolência, olhar em sol poente ou convulsão.
  • Desaceleração da estatura com cefaleia progressiva, vômitos matinais, alteração visual ou poliúria recente (tumor selar).

Como encaminhar: glicemia capilar (se baixa, glicose conforme protocolo); manter aquecido o desnutrido grave e oferecer pequena quantidade de glicose oral se consciente, sem realimentação agressiva; acesso venoso se instável; oxigênio para manter SpO2 entre 94% e 98% se houver desconforto; SAMU (192) se instável; contato prévio com o serviço; levar a Caderneta e a curva com as medidas anteriores.

6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família

  • "Traga sempre a Caderneta: o que conta é a linha que o seu filho desenha ao longo do tempo, não um número isolado."
  • "Criança que cresce no próprio canal, ativa e se desenvolvendo bem, está bem, mesmo que seja menor ou maior que os colegas."
  • "Vitaminas e xaropes não fazem crescer; comida de verdade, sono e brincadeira, sim."
  • Voltar antes se: parou de ganhar peso, emagreceu, diarreia ou vômitos que não passam, cabeça crescendo muito rápido ou parou de crescer, perdeu habilidades.
  • Pronto-socorro se: criança muito magra, fria, sonolenta ou que não aceita líquidos; inchaço nos pés; moleira estufada com vômitos ou sonolência; dor de cabeça forte com vômitos ou alteração da visão.

7.Comparação com as referências

Item SBP Ministério da Saúde AAP NICE AEP Johns Hopkins Harvard Oxford / Cambridge
Versão consultada MO nº 64 (08/05/2023); Manual de Avaliação Nutricional 2ª ed. (2021) Caderneta da Criança 7ª ed. (2024) CDC/AAP, MMWR 59(RR-9), 09/2010 NG75 Faltering growth (27/09/2017) Protocolo SEGHNP-AEP Fallo de medro (2023) Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE
Curvas OMS 2006 e 2007 OMS 2006/2007; INTERGROWTH-21st no pré-termo OMS até 2 anos; CDC de 2 a 19 UK-WHO (OMS até 4 anos) Várias curvas espanholas e OMS; usar sempre a mesma Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE
Pontos de corte Escore-z −2/−3; +1/+2/+3 (OMS) Faixa adequada entre −2 e +2 p2,3 e p97,7 (±2 DP) p2 e p0,4; espaços de centil p3 ou p5; queda de 2 percentis Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE
Trajetória de alerta Queda de canal; velocidade < 4–5 cm/ano Traçado horizontal ou que cruza linhas — Queda de 1, 2 ou 3 espaços conforme o peso ao nascer Seguimento ≥ 2–3 meses Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE
Alvo genético ± 5 cm — — > 2 espaços abaixo do centil parental — Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE
Frequência de medida Toda consulta; PC até 36 meses Toda consulta (Caderneta) — Peso no máximo semanal até 6 meses; estatura no máximo a cada 3 meses se houver preocupação Todas as revisões até 24 meses Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE

Leitura: há convergência em medir com técnica padronizada, usar curvas de padrão (OMS) nos primeiros anos, valorizar a trajetória mais que o ponto isolado e calcular o alvo genético. As diferenças estão nos pontos de corte — o Brasil usa escore-z (−2 e −3; +1, +2 e +3), o CDC/AAP usa p2,3 e p97,7 nas curvas da OMS até 2 anos, o NICE usa p2 e p0,4 e "espaços de centil" nas curvas UK-WHO, e a AEP aceita p3 ou p5 em curvas locais —, na curva após 2 anos (EUA usam o CDC) e na faixa do alvo genético (± 5 cm na SBP; o NICE considera significativo estar mais de 2 espaços de centil abaixo do centil parental). O Ministério da Saúde acrescenta o INTERGROWTH-21st para o pré-termo na Caderneta. O site adota a SBP: curvas da OMS 2006/2007, classificação em escore-z e alvo genético ± 5 cm, com a Caderneta da Criança como instrumento de registro.

Pontos práticos
  1. Comprimento deitado em infantômetro até 2 anos; estatura em estadiômetro fixo a partir de 3; corrija 0,7 cm na troca.
  2. Lance na curva da OMS da Caderneta e leia em escore-z; um ponto isolado não define doença.
  3. Velocidade de estatura em intervalos de 6–12 meses; alvo genético com os pais medidos (± 5 cm).
  4. Perímetro cefálico em toda consulta até 36 meses; < −2 ou > +2, ou cruzando linhas, investigar.
  5. Use peso para estatura ou IMC para o estado nutricional; peso para idade sozinho engana.
  6. Desnutrição aguda grave com complicação, falta de apetite, edema +++ ou abaixo de 6 meses e perímetro cefálico com hipertensão intracraniana são pronto-socorro.

Veja também, nesta Biblioteca: Déficit de crescimento, Desnutrição na criança e Suplementação de vitaminas e ferro (nesta área); Baixa estatura e Obesidade e risco cardiometabólico (Patologias do consultório); Macrocefalia, microcefalia e hidrocefalia (Neurologia e desenvolvimento); Puberdade normal e crescimento na adolescência (Medicina do adolescente); Peso ao nascer — PIG, AIG e GIG (Neonatologia).

8.Fontes

  • Sociedade Brasileira de Pediatria, DC de Endocrinologia. Manual de Orientação nº 64 — Avaliação do crescimento: o que o pediatra precisa saber, 08/05/2023. PDF
  • Sociedade Brasileira de Pediatria, DC de Nutrologia. Manual de Orientação — Avaliação nutricional da criança e do adolescente, 2ª ed., 2021. PDF
  • Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de Alimentação, 5ª ed. revisada e ampliada, 2024. PDF
  • Ministério da Saúde. Caderneta da Criança — Passaporte da Cidadania, 7ª ed., 2024. PDF
  • Sociedade Brasileira de Pediatria, DC de Nutrologia. Nota de Alerta nº 41 — Princípios da abordagem e tratamento da desnutrição grave em crianças, 01/02/2023. PDF
  • Ministério da Saúde. Manual de atendimento da criança com desnutrição grave em nível hospitalar, 2005. PDF
  • World Health Organization. Child growth standards (2006) e growth reference 5–19 years (2007). who.int
  • Grummer-Strawn LM et al. (CDC, com participação da AAP). Use of World Health Organization and CDC growth charts for children aged 0–59 months in the United States. MMWR 2010;59(RR-9). cdc.gov
  • NICE. NG75 — Faltering growth: recognition and management of faltering growth in children, 27/09/2017. nice.org.uk
  • Herrero Álvarez M, García Calatayud S. Fallo de medro. Protocolos diagnósticos y terapéuticos en Gastroenterología, Hepatología y Nutrición Pediátrica SEGHNP-AEP, 2023;1:491–504. PDF