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Convulsão febril e primeira crise

O que fazer durante a crise, quando chamar o SAMU e o que esperar depois

Conteúdo informativo, em linguagem acessível, para orientar o cuidado do seu filho. Use o semáforo: 🟢 cuidar em casa · 🟡 procure o pediatra · 🔴 pronto-socorro agora. Não substitui a consulta nem a orientação do seu pediatra. 📄 Baixar em PDF

Em poucas palavras

A convulsão febril acontece em 2 a 5 em cada 100 crianças, entre 6 meses e 5 anos, junto com febre (38 °C ou mais). A forma simples dura menos de 15 minutos, envolve o corpo todo, acontece uma vez em 24 horas e a criança volta ao normal: não causa dano ao cérebro nem afeta a inteligência. Durante a crise: mantenha a calma, deite a criança de lado, não coloque nada na boca e cronometre. Se passar de 5 minutos, ligue para o SAMU 192. Depois de qualquer crise, a criança precisa ser examinada para descobrir a causa da febre. O antitérmico deixa a criança confortável, mas não previne a convulsão. Uma primeira crise sem febre precisa de avaliação e de consulta com o neuropediatra.

1.O que é

  • Convulsão febril: crise que surge nas primeiras 24 horas de uma febre, em criança de 6 meses a 5 anos, sem infecção no cérebro, sem alteração do sangue (como açúcar baixo) e sem crises anteriores sem febre. É mais comum entre 18 e 24 meses e costuma haver casos na família. A velocidade com que a febre sobe pesa mais do que o valor máximo.
  • Por que 38 °C? No site, febre é temperatura axilar de 37,5 °C ou mais. Para chamar uma crise de "convulsão febril", porém, o médico usa 38 °C ou mais: com um valor mais baixo, haveria o risco de considerar benigna uma crise que precisa ser investigada.
  • Simples (70–75% dos casos): o corpo todo se contrai ou se sacode, dura menos de 15 minutos, acontece uma vez em 24 horas e a criança se recupera totalmente.
  • Complexa: começa ou fica em um lado do corpo, dura mais de 15 minutos, repete em 24 horas, ou a criança demora muito para voltar ao normal ou fica com fraqueza de um lado.
  • Primeira crise sem febre: é diferente. Pode ter uma causa imediata (açúcar baixo, pancada na cabeça, intoxicação, infecção) ou não. Sempre pede avaliação e consulta com o neuropediatra.

2.Como aparece (sinais e sintomas)

  • A criança perde a consciência, fica rígida ou com tremores e abalos, revira os olhos, baba, pode ficar com os lábios arroxeados e fazer xixi.
  • A maioria das crises dura poucos minutos.
  • Depois, é normal ficar sonolenta ou confusa por um tempo (em geral, dentro de 1 hora ela se recupera).
  • O que não é convulsão: calafrios e tremores de febre (a criança está acordada e responde); delírio com febre; "perda de fôlego" depois de um choro ou susto; desmaio.
  • Se puder, filme a crise: o vídeo ajuda muito o médico.

3.Semáforo: quando cuidar em casa, quando procurar o pediatra e quando ir ao pronto-socorro

Cor O que você observa O que fazer
🟢 Cuidar em casa Criança já examinada pelo médico após a crise, com convulsão febril simples, 1 ano ou mais, vacinas em dia, totalmente recuperada (acordada, brincando), causa da febre conhecida Cuidar da febre e do conforto; observar. Retorno ao pediatra em 24–48 h
🟡 Procure o pediatra Crise com febre que durou menos de 5 minutos, a criança acordou bem e está interagindo, mas ainda não foi examinada; bebê de 6 a 12 meses com vacinas atrasadas; uso de antibiótico nos últimos dias; causa da febre não esclarecida; primeira crise sem febre com recuperação completa; família insegura para observar em casa Avaliação médica no mesmo dia, em poucas horas (pediatra, pronto atendimento ou pronto-socorro). Na primeira crise sem febre, o médico pede exames e encaminha ao neuropediatra (em até 2 semanas)
🔴 Pronto-socorro agora (ou SAMU 192) Crise que dura 5 minutos ou mais, ou crises repetidas sem acordar entre elas; nova crise no mesmo dia; crise de um lado do corpo, fraqueza de um lado depois; não acorda bem ou fica muito confusa por muito tempo; dificuldade para respirar ou lábios roxos que não melhoram; pescoço duro, moleira estufada, manchas roxas na pele, vômitos repetidos, criança muito abatida; bebê com menos de 6 meses; crise após pancada na cabeça; suspeita de ter tomado remédio ou produto; crise sem febre com recuperação incompleta SAMU 192 se a crise passar de 5 minutos ou a criança não respirar bem. Nos demais, pronto-socorro agora

Crianças que merecem mais atenção

  • Bebês com menos de 12 meses e, principalmente, com menos de 6 meses (convulsão com febre nessa idade não é considerada típica).
  • Vacinas atrasadas contra Hib e pneumococo; uso recente de antibiótico (pode esconder sinais de meningite).
  • Atraso do desenvolvimento, doença neurológica ou epilepsia na família.
  • Família que mora longe do serviço de saúde ou sem condição de observar a criança.

4.Como cuidar em casa

Durante a crise — o que fazer

  1. Mantenha a calma e olhe o relógio: cronometre a duração.
  2. Deite a criança de lado, no chão ou em cama larga, longe de quinas e objetos perigosos.
  3. Afrouxe as roupas, principalmente no pescoço.
  4. Fique ao lado dela até a crise acabar; se possível, peça a alguém para filmar.
  5. Se passar de 5 minutos, ligue para o SAMU 192. Depois de 5 minutos, a crise tem pouca chance de parar sozinha e precisa de remédio.

Durante a crise — o que NÃO fazer

  • Não coloque nada na boca (dedos, colher, pano): a criança não "engole a língua".
  • Não segure os movimentos à força.
  • Não dê remédio, água ou comida pela boca.
  • Não coloque na banheira nem no chuveiro para baixar a febre.
  • Não sacuda nem tente "acordar" a criança com tapas ou álcool.

Remédio de resgate: algumas crianças (crises longas antes, crises repetidas, casa longe do hospital, epilepsia) recebem do médico uma receita de remédio para usar durante a crise, com instruções por escrito e treinamento. Use somente se ele foi receitado para o seu filho, exatamente como orientado — e chame o SAMU 192 mesmo assim.

Depois da crise

  • Deixe a criança descansar de lado e observe a respiração.
  • Leve para avaliação médica para descobrir a causa da febre.
  • Trate a febre para o conforto, como sempre (veja abaixo).
  • Escola ou creche: volta quando estiver sem febre há 24 horas e bem-disposta.

5.Remédios: o que ajuda e o que evitar

Antitérmicos tratam o desconforto, mas não previnem a convulsão febril. Não dê "para prevenir" antes de a febre aparecer e não alterne antitérmicos. Confira com o pediatra a dose em mL do remédio que você tem em casa:

  • Dipirona: 10–12 mg/kg por dose, a cada 6 h (no máximo 4 doses por dia); não usar em menores de 3 meses ou 5 kg.
  • Paracetamol: 10–15 mg/kg por dose, a cada 4–6 h (no máximo 5 doses por dia e 75 mg/kg no dia). Uso seguido por mais de 48–72 h, principalmente na dose máxima ou somado a antigripais com paracetamol, pode fazer mal ao fígado — nesse prazo, leve para reavaliação.
  • Ibuprofeno: 5–10 mg/kg por dose, a cada 6–8 h, a partir de 6 meses; evite na suspeita de dengue, na catapora e na desidratação.

Não indicado na convulsão febril simples: remédio anticonvulsivante todos os dias ou "só nos dias de febre". Os efeitos colaterais superam o benefício. Na crise sem febre, a decisão sobre remédio é do neuropediatra.

Remédio de resgate: só com receita e treinamento, como explicado acima. Nunca use remédio receitado para outra pessoa.

6.Quando ir ao pronto-socorro

  • Crise de 5 minutos ou mais (SAMU 192), ou crises repetidas.
  • Nova crise no mesmo dia.
  • Não acorda bem, fica muito confusa ou com fraqueza de um lado.
  • Dificuldade para respirar ou lábios roxos que não melhoram.
  • Pescoço duro, moleira estufada, manchas roxas, vômitos repetidos, criança muito abatida.
  • Bebê com menos de 6 meses com crise e febre.
  • Crise após pancada na cabeça ou suspeita de intoxicação.

Como levar

  • Não leve de carro uma criança que ainda está em crise: chame o SAMU 192.
  • Depois da crise, transporte-a deitada de lado, com a cabeça apoiada; não dê nada pela boca até estar bem acordada.
  • Anote (ou filme) a hora de início e fim, como foi a crise, a temperatura e os remédios dados.
  • Leve a caderneta de vacinação e os remédios em uso.

7.Como prevenir

  • Não há como impedir todas as convulsões febris; cerca de 1 em cada 3 crianças tem outra, geralmente nos primeiros anos.
  • Vacinas em dia: previnem infecções graves com febre. Ter tido convulsão febril não impede vacinar.
  • Tenha em casa termômetro e antitérmico, e saiba o peso atual da criança.
  • Combine com o pediatra um plano do que fazer numa nova crise.

8.Dúvidas e mitos comuns

Meu filho vai ter epilepsia? Na grande maioria das vezes, não. O risco depois de uma convulsão febril simples é pequeno (2 a 3 em cada 100, pouco acima da população geral); é maior na forma complexa.

A criança pode morrer engasgada ou engolir a língua? Ela não engole a língua. Deitá-la de lado evita que se engasgue com saliva ou vômito.

Se eu der antitérmico logo, evito a convulsão? Não. O antitérmico dá conforto, mas não previne a crise.

Precisa de eletroencefalograma ou tomografia? Na convulsão febril simples, não. O médico investiga a causa da febre. Exames são indicados na crise complexa ou sem febre.

Pode tomar vacina depois? Pode e deve.

Lembre-se
  1. Durante a crise: calma, criança de lado, nada na boca e cronômetro.
  2. Passou de 5 minutos: SAMU 192.
  3. Depois de qualquer crise, a criança deve ser examinada.
  4. Antitérmico não previne a convulsão febril.
  5. Remédio de resgate só se foi receitado para o seu filho, do jeito que o médico ensinou.

9.Veja também

Veja também, nesta Biblioteca:

  • Sinais de gravidade — quando levar seu filho ao pronto-socorro
  • Dor de cabeça e enxaqueca
  • Vacinação

Versão para profissionais: Convulsão febril e primeira crise epiléptica (Patologias do consultório).

10.Fontes

Baseado no documento profissional Convulsão febril e primeira crise epiléptica desta Biblioteca e nas referências nele citadas:

  • Dr. José Roberto Stefani. Protocolo de Convulsão Febril; Protocolo de Estado de Mal Convulsivo — documentos desta Biblioteca, 2026.
  • American Academy of Pediatrics. Febrile seizures — guidelines de 2008 e 2011.
  • NICE. Epilepsies in children, young people and adults (NG217), 2022.
  • Associação Espanhola de Pediatria. Convulsiones febriles, 2022.