Conteúdo informativo, em linguagem acessível, para orientar o cuidado do seu filho. Use o semáforo: 🟢 cuidar em casa · 🟡 procure o pediatra · 🔴 pronto-socorro agora. Não substitui a consulta nem a orientação do seu pediatra. 📄 Baixar em PDF
A maioria das dúvidas sobre o pênis, os testículos e a virilha dos meninos é benigna. A fimose é normal nos primeiros anos e se desfaz sozinha: não puxe a pele do pênis, lave só com água no banho. O testículo fora da bolsa que não desceu até os 6 meses deve ser avaliado pelo cirurgião. A hérnia na virilha precisa de cirurgia; a hérnia do umbigo e a hidrocele (líquido em volta do testículo) do bebê costumam melhorar sozinhas. São urgências — vá ao pronto-socorro na hora: dor forte e súbita no testículo, hérnia que fica dura, dolorida e não volta, e pele do pênis que ficou presa atrás da cabeça, com inchaço.
1.O que é
- Fimose: a pele que cobre a cabeça do pênis (prepúcio) não desliza para trás. Nos primeiros anos, é normal: quase 9 em cada 10 meninos conseguem retrair a pele aos 3 anos. As "bolinhas brancas" sob a pele (esmegma) são normais. Puxar à força causa cicatriz, que pode criar uma fimose de verdade.
- Parafimose: a pele foi puxada para trás e não volta, apertando a cabeça do pênis, que incha.
- Balanopostite: inflamação da cabeça do pênis e do prepúcio, com vermelhidão, inchaço, dor e às vezes secreção.
- Criptorquidia (testículo fora da bolsa): o testículo não está no saco escrotal; pode estar na virilha ou dentro da barriga. Se não desceu até os 6 meses, dificilmente descerá sozinho.
- Testículo retrátil: sobe com o frio ou o toque, mas desce e fica na bolsa. Não precisa de tratamento, mas deve ser examinado uma vez por ano, porque às vezes volta a subir.
- Hérnia inguinal (na virilha): um "caroço" macio na virilha ou na bolsa, que aumenta com o choro ou o esforço e some em repouso. Não desaparece sozinha. É mais comum em prematuros; nas meninas, também acontece.
- Hérnia umbilical: o umbigo "estufado", que aumenta com o choro. Muito comum no bebê; fecha sozinha na maioria e raramente fica presa.
- Hidrocele: líquido em volta do testículo, que deixa a bolsa maior, sem dor. No bebê, costuma sumir no primeiro ano; se o tamanho varia ao longo do dia, pode haver hérnia junto.
- Dor aguda no testículo (escroto agudo): pode ser torção do testículo (o testículo gira e o sangue para de chegar — emergência), torção de um pequeno apêndice do testículo, inflamação (epididimite), pancada ou hérnia presa. A torção é mais comum no recém-nascido e na adolescência.
2.Como aparece (sinais e sintomas)
- Prepúcio que "balona" ao urinar, com jato fino ou dificuldade para urinar.
- Vermelhidão, inchaço e dor na ponta do pênis.
- Bolsa vazia ou menor de um lado.
- Caroço na virilha ou na bolsa que aparece com o choro.
- Bolsa aumentada, macia e sem dor.
- Dor súbita e forte no testículo, às vezes com náuseas e vômitos; testículo mais alto e muito dolorido. No adolescente, a torção pode começar como dor na parte baixa da barriga ou na virilha — ele pode ter vergonha de dizer que é no testículo.
3.Semáforo: quando cuidar em casa, quando procurar o pediatra e quando ir ao pronto-socorro
| Cor | O que você observa | O que fazer |
|---|---|---|
| 🟢 Cuidar em casa | Fimose sem sintomas; testículo que sobe e desce (retrátil); hérnia do umbigo que volta com facilidade; hidrocele sem dor no primeiro ano; vermelhidão leve e localizada na ponta do pênis | Higiene com água, sem puxar a pele. O pediatra acompanha nas consultas de rotina |
| 🟡 Procure o pediatra | Testículo fora da bolsa aos 6 meses (ou percebido depois disso); caroço na virilha que aparece e volta; hidrocele que muda de tamanho ou persiste após 1–2 anos; fimose com balonamento, jato fino, dor ou inflamações repetidas; vermelhidão e inchaço que se espalham no pênis ou que voltam sempre | Consulta em 24–48 h nas inflamações do pênis (com reavaliação); consulta de rotina, sem demora, nos demais — o pediatra encaminha ao cirurgião pediátrico (a hérnia da virilha com prioridade, em poucas semanas) |
| 🔴 Pronto-socorro agora | Dor forte e súbita no testículo ou na bolsa, com ou sem vômitos; hérnia dura, dolorida, que não volta, com choro que não passa ou vômitos; pele do pênis presa atrás da cabeça, com inchaço; não consegue urinar; vermelhidão e inchaço no pênis ou na bolsa com febre e criança abatida; recém-nascido sem os dois testículos na bolsa ou com a genitália diferente do esperado (avaliação especializada no mesmo dia) | Pronto-socorro agora, de preferência com cirurgião pediátrico ou urologista. Na dor no testículo, não espere melhorar: após 4–6 horas o testículo pode ser perdido |
Crianças que merecem mais atenção
- Prematuros e bebês com menos de 1 ano com hérnia na virilha (maior risco de a hérnia ficar presa).
- Recém-nascidos e adolescentes com dor no testículo (idades de maior risco de torção).
- Meninos com testículo fora da bolsa (maior risco de torção).
4.Como cuidar em casa
Pênis e prepúcio
- Lave com água no banho, sem puxar a pele. Não faça "exercícios" nem massagens para soltar.
- Quando a pele já retrai com facilidade (em geral na idade escolar), ensine o menino a puxá-la de leve, lavar e sempre voltar a pele para a frente.
- Balanopostite leve: banhos de assento mornos 3 vezes ao dia por 3–4 dias, analgésico se doer e não retrair a pele até melhorar.
Testículos
- Observe no banho morno, quando o bebê está relaxado — com frio, o testículo sobe.
- O pediatra examina os testículos em todas as consultas até a puberdade.
- Ensine o adolescente a avisar logo qualquer dor, inchaço ou caroço no testículo, sem vergonha.
Hérnias e hidrocele
- Hérnia umbilical: não use faixas, moedas ou esparadrapo — não ajudam e podem machucar a pele.
- Hérnia inguinal: enquanto espera a cirurgia, observe se ela fica dura, dolorida ou não volta.
5.Remédios: o que ajuda e o que evitar
- Fimose: quando há indicação (sintomas, inflamações ou fimose que persiste depois dos 3–4 anos), o pediatra pode receitar pomada de corticoide para passar no anel da pele por 4 a 8 semanas, com retração suave e sem dor. Resolve a maioria dos casos. Use só a pomada receitada, pelo tempo combinado.
- Balanopostite com infecção: pomada ou antibiótico só com receita; siga os horários e o tempo indicados.
- Testículo fora da bolsa: o tratamento é cirúrgico. Hormônio não é indicado para fazer o testículo descer, e o ultrassom antes da consulta com o cirurgião geralmente não é necessário.
Para dor (inflamação do prepúcio, torção do pequeno apêndice do testículo já diagnosticada, epididimite) — confira com o pediatra a dose em mL do remédio que você tem em casa:
- Ibuprofeno: 5–10 mg/kg por dose, a cada 6–8 h, a partir de 6 meses; evite na suspeita de dengue, na catapora e na desidratação.
- Paracetamol: 10–15 mg/kg por dose, a cada 4–6 h (no máximo 5 doses por dia e 75 mg/kg no dia); não use por mais de 48–72 h sem reavaliação.
- Não alterne analgésicos. Na dor súbita no testículo, não espere o analgésico fazer efeito: vá direto ao pronto-socorro.
6.Quando ir ao pronto-socorro
- Dor forte e súbita no testículo, na bolsa, na virilha ou na parte baixa da barriga (principalmente no adolescente), com ou sem vômitos.
- Hérnia que ficou dura, dolorida, vermelha, que não volta, com choro que não passa ou vômitos.
- Pele do pênis presa atrás da cabeça, com inchaço ou cor arroxeada.
- Não consegue urinar.
- Vermelhidão e inchaço no pênis ou na bolsa com febre e criança abatida.
- Recém-nascido com genitália diferente do esperado ou sem os dois testículos na bolsa (avaliação no mesmo dia).
Como levar
- Não dê comida nem bebida na dor do testículo e na hérnia presa: pode ser preciso cirurgia.
- Não tente empurrar a hérnia nem puxar a pele do pênis à força — isso é feito pela equipe, com analgesia.
- Anote a hora em que a dor começou e leve a caderneta.
7.Como prevenir
- Nunca forçar a retração do prepúcio.
- Examinar os testículos nas consultas de rotina e seguir o encaminhamento ao cirurgião no tempo certo: a cirurgia do testículo fora da bolsa é feita, de preferência, antes de 1 ano (no máximo até 1 ano e meio), para proteger a fertilidade e facilitar o acompanhamento.
- Hérnia na virilha: operar logo após o diagnóstico evita que ela fique presa. No prematuro ainda internado, o momento é combinado com o cirurgião.
- Hérnia do umbigo: cirurgia só se não fechar até os 4 anos, ou antes se ficar presa.
8.Dúvidas e mitos comuns
Todo menino com fimose precisa operar? Não. Na maioria, a pele se solta sozinha; quando há indicação, a pomada resolve quase sempre.
Devo puxar a pele para "ajudar a abrir"? Não. Isso machuca e pode causar cicatriz.
Moeda ou faixa no umbigo ajuda a hérnia a fechar? Não. Ela fecha sozinha na maioria das vezes, sem nada.
A dor no testículo melhorou. Posso esperar? Não. Mesmo que melhore, a criança precisa ser examinada no mesmo momento: a torção pode melhorar e voltar.
- Fimose é normal nos primeiros anos: lave com água e não puxe a pele.
- Testículo fora da bolsa aos 6 meses: encaminhamento ao cirurgião, cirurgia de preferência antes de 1 ano.
- Hérnia na virilha precisa de cirurgia; a do umbigo geralmente fecha sozinha.
- Dor súbita no testículo é emergência: pronto-socorro na hora, sem comer.
- Hérnia dura que não volta ou pele do pênis presa com inchaço: pronto-socorro.
9.Veja também
Veja também, nesta Biblioteca:
- Sinais de gravidade — quando levar seu filho ao pronto-socorro
- Infecção urinária
- Vulvovaginites (irritação e corrimento) e sinéquia de pequenos lábios
- Dermatite das fraldas (assadura)
- Cuidando do Recém-Nascido
Versão para profissionais: Fimose, criptorquidia, hérnias, hidrocele e escroto agudo (Patologias do consultório).
10.Fontes
Baseado no documento profissional Fimose, criptorquidia, hérnias, hidrocele e escroto agudo desta Biblioteca e nas referências nele citadas:
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Fimose — tratamento clínico x tratamento cirúrgico, 2023; Urologia pediátrica (Pediatria para Famílias), 2025.
- American Academy of Pediatrics. Care for an Uncircumcised Penis (HealthyChildren.org).
- American Urological Association. Evaluation and Treatment of Cryptorchidism.
- European Association of Urology. Paediatric Urology Guidelines.
- Pediatría Integral (SEPEAP/AEP). Cirugía programada; Patologías genitourinarias más frecuentes, 2024.