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Chiado no peito de repetição (sibilância recorrente)

Por que o bebê e a criança pequena chiam, como usar a bombinha com espaçador e quando procurar ajuda

Conteúdo informativo, em linguagem acessível, para orientar o cuidado do seu filho. Use o semáforo: 🟢 cuidar em casa · 🟡 procure o pediatra · 🔴 pronto-socorro agora. Não substitui a consulta nem a orientação do seu pediatra. 📄 Baixar em PDF

Em poucas palavras

Sibilância é o chiado no peito, um som parecido com um apito ao soltar o ar. Chamamos de sibilância recorrente quando a criança, entre 1 mês e 5 anos, tem três ou mais crises de chiado (ou chiado contínuo por 30 dias ou mais). Quase sempre as crises vêm com resfriados, e muitas crianças deixam de chiar até os 3–6 anos; parte delas tem asma. Na crise, o remédio de escolha é a bombinha de salbutamol com espaçador e máscara, conforme o plano do pediatra. Crianças com crises frequentes ou graves podem precisar de um remédio de prevenção diário, por um período de teste. Vá ao pronto-socorro se a bombinha não aliviar, se a respiração ficar muito rápida, com as costelas afundando, lábios roxos, ou se a criança não conseguir falar, mamar ou beber, ou ficar sonolenta.

1.O que é

  • Sibilância recorrente: três ou mais episódios de chiado entre 1 mês e 5 anos de idade, ou chiado que dura 30 dias ou mais.
  • Por que acontece: os brônquios da criança pequena são finos; com a inflamação dos vírus (principalmente VSR e rinovírus), fecham ainda mais e o ar passa "apitando".
  • Dois padrões comuns:
    • Chiado só com viroses: a criança chia nos resfriados e fica bem entre eles. Muitas melhoram com o crescimento.
    • Chiado com vários gatilhos: chia também com choro, risada, exercício, mudança de tempo ou poeira. Tem mais relação com asma.
  • Chiado de repetição não é sempre asma. O pediatra acompanha a evolução para saber qual é o caso.

2.Como aparece (sinais e sintomas)

  • Chiado no peito, tosse (principalmente à noite), respiração mais rápida.
  • Nas crises mais fortes: costelas afundando, cansaço para mamar ou falar.
  • O pediatra estima o risco de asma por sinais como: pai ou mãe com asma, dermatite atópica (eczema), rinite alérgica e chiado sem resfriado.
  • Sinais de que pode ser outra doença (conte ao pediatra): chiado desde o nascimento, criança que não ganha peso, vômitos junto com as crises, chiado que nunca some, barulho ao puxar o ar ou tosse "de cachorro" repetida, engasgo súbito antes do chiado, dedos com pontas arredondadas.

3.Semáforo: quando cuidar em casa, quando procurar o pediatra e quando ir ao pronto-socorro

Cor O que você observa O que fazer
🟢 Cuidar em casa Criança alerta, falando, brincando e comendo; chiado leve; costelas sem afundar (ou só um pouco); respiração pouco mais rápida; oxímetro (se tiver) 95% ou mais Bombinha com espaçador conforme o plano do pediatra; retorno programado
🟡 Procure o pediatra Costelas afundando entre e abaixo delas; respiração rápida, mas até 40 por minuto (acima de 1 ano); fala só frases curtas ou interrompe as mamadas; oxímetro entre 92% e 94%; melhora bem com a bombinha na primeira hora Consulta no mesmo dia. Depois de uma crise moderada, reavaliação em 24–48 h
🔴 Pronto-socorro agora Agitada, confusa ou sonolenta; não consegue falar, mamar ou beber; mais de 40 respirações por minuto; costelas afundando muito, gemido; lábios roxos; peito "silencioso" (quase não se ouve o ar entrar); oxímetro abaixo de 92%; sem melhora com a bombinha repetida em 1–2 horas, ou precisando dela antes de 2 horas Pronto-socorro agora, usando a bombinha no caminho. SAMU 192 se houver lábios roxos, sonolência ou esforço muito grande

Como saber se a respiração está rápida: conte as respirações por 1 minuto inteiro, com a criança calma.

Crianças que merecem mais atenção

  • Quem teve crise grave, internação ou UTI no último ano.
  • Sintomas todos os dias, acorda à noite com tosse ou chiado, usa a bombinha de alívio com frequência.
  • Pais com asma, dermatite atópica, alergia a ácaros ou pelos.
  • Prematuros e bebês com doença pulmonar da prematuridade.
  • Fumaça de cigarro, mofo e poluição em casa; dificuldade de acesso ao serviço de saúde.
  • Dificuldade com a técnica da bombinha ou com o remédio de prevenção.

4.Como cuidar em casa

  • Tenha um plano escrito do pediatra: o que dar na crise, quantas vezes e quando procurar ajuda.
  • Use a bombinha com espaçador e máscara, do jeito certo:
    1. Agite a bombinha e encaixe no espaçador.
    2. Ajuste bem a máscara sobre o nariz e a boca (abaixo de 4 anos, sempre com máscara).
    3. Aperte um jato por vez e deixe a criança fazer 5 a 6 respirações na máscara.
    4. Repita até completar o número de jatos do plano.
  • A bombinha com espaçador funciona tão bem quanto a inalação (nebulização) e é mais rápida.
  • Lave o nariz com soro durante os resfriados e ofereça líquidos.
  • Febre: antitérmico quando houver desconforto.
  • Ambiente: casa sem fumaça de cigarro e sem mofo.
  • Creche: pode voltar quando estiver sem febre há 24 horas e respirando bem.

5.Remédios: o que ajuda e o que evitar

Remédio de alívio (para a crise): o salbutamol em spray (bombinha) com espaçador abre os brônquios em minutos. Use só com orientação do pediatra, na quantidade e no intervalo do plano escrito.

Corticoide pela boca: reservado para crises moderadas a graves, por poucos dias, com receita. Não deve ser repetido a cada chiado leve, porque os efeitos indesejados se somam.

Remédio de prevenção (controle): para crianças com sintomas mais de duas vezes por semana, crises frequentes ou uma crise grave no último ano, o pediatra pode indicar corticoide inalatório (bombinha) todos os dias, em dose baixa, como um teste de 2 a 3 meses. Ao fim do teste, ele reavalia: se funcionou, mantém ou suspende e acompanha; se não funcionou, revê a técnica, o uso e o diagnóstico. Esse remédio não serve para a crise, é diário e não deve ser interrompido por conta própria.

Para a febre — confira com o pediatra a dose em mL do remédio que você tem em casa:

  • Dipirona: 10–12 mg/kg por dose, a cada 6 h (no máximo 4 doses por dia); não usar em menores de 3 meses ou 5 kg.
  • Paracetamol: 10–15 mg/kg por dose, a cada 4–6 h (no máximo 5 doses por dia e 75 mg/kg no dia); uso seguido por mais de 48–72 h pode fazer mal ao fígado — nesse prazo, leve para reavaliação.
  • Ibuprofeno: 5–10 mg/kg por dose, a cada 6–8 h, a partir de 6 meses; evite na suspeita de dengue, na catapora e na desidratação.
  • Não alterne antitérmicos.

O que não usar

  • Xarope de salbutamol (broncodilatador pela boca), xaropes para tosse, antialérgicos e mucolíticos.
  • Antibiótico nas crises causadas por vírus.
  • Inaladores de pó abaixo de 5 anos (a criança não consegue puxar o ar com força suficiente).
  • Corticoide pela boca por conta própria ou a cada chiado leve.

6.Quando ir ao pronto-socorro

  • A bombinha não alivia após as doses repetidas da primeira hora, ou o alívio dura menos de 2–3 horas.
  • Respiração muito rápida, costelas afundando muito, gemido.
  • Lábios roxos ou oxímetro abaixo de 92%.
  • Não consegue falar, mamar ou beber.
  • Muito agitada, confusa ou sonolenta.

Como levar

  • Deixe a criança sentada ou no colo, na posição em que respira melhor.
  • Continue a bombinha com espaçador no caminho, conforme o plano.
  • Se estiver sonolenta ou com muito esforço, não dê nada pela boca.
  • Lábios roxos, sonolência ou esforço muito grande: ligue para o SAMU 192.
  • Leve a bombinha, o espaçador, o plano escrito, a caderneta e anote os horários das doses.

7.Como prevenir

  • Vacinas em dia: gripe todo ano a partir de 6 meses e COVID-19 conforme o calendário.
  • Casa sem fumaça (inclusive de cigarro eletrônico) e sem mofo.
  • Lavar as mãos e reduzir o contato com pessoas resfriadas.
  • Usar corretamente o remédio de prevenção, quando indicado, e levar a criança às reavaliações.

8.Dúvidas e mitos comuns

Meu filho tem bronquite? "Bronquite" é um termo popular. O pediatra prefere falar em sibilância recorrente abaixo de 5 anos e observa se há asma.

A bombinha vicia ou faz mal ao coração? Não vicia. Pode acelerar o coração e causar tremor por pouco tempo, o que é esperado. Usada na dose do plano, é segura.

Inalação é melhor que bombinha? Não. A bombinha com espaçador é tão eficaz quanto a inalação e mais rápida.

Ele vai ter asma para sempre? Muitas crianças que chiam com viroses melhoram com o crescimento. O acompanhamento mostra a evolução de cada uma.

Lembre-se
  1. Chiado de repetição nem sempre é asma; muitas crianças melhoram com o crescimento.
  2. Na crise, bombinha com espaçador e máscara, um jato por vez, conforme o plano escrito.
  3. O remédio de prevenção é diário, é um teste com data para reavaliar e não serve para a crise.
  4. Depois de uma crise moderada, reavaliação em 24–48 h.
  5. Bombinha que não alivia, costelas afundando, lábios roxos ou sonolência: pronto-socorro.

9.Veja também

Veja também, nesta Biblioteca:

  • Sinais de gravidade — quando levar seu filho ao pronto-socorro
  • Asma na criança — crise e controle
  • Bronquiolite viral aguda
  • Resfriado comum e infecções de vias aéreas superiores
  • Tosse que não passa (tosse persistente e crônica)
  • Vacinação

Versão para profissionais: Sibilância recorrente do lactente e do pré-escolar (Patologias do consultório).

10.Fontes

Baseado no documento profissional Sibilância recorrente do lactente e do pré-escolar desta Biblioteca e nas referências nele citadas:

  • Sociedade Brasileira de Pediatria. Guia prático de atualização — Sibilância recorrente do lactente e pré-escolar, 2017.
  • Sociedade Brasileira de Pediatria. Uso de corticosteroides sistêmicos em doenças alérgicas em pediatria, 2025.
  • Global Initiative for Asthma (GINA). Management of asthma in children under 5, 2025.
  • NICE, BTS e SIGN. Asthma — diagnosis, monitoring and chronic asthma management (NG245), 2024.
  • AEPap. Sibilancias recurrentes en los primeros años de vida, 2018.