👪 Para famílias · Doenças da criança · Classificação de risco

Sinais de gravidade — quando levar seu filho ao pronto-socorro

O semáforo usado em todos os guias e os sinais que pedem ajuda médica

Conteúdo informativo, em linguagem acessível, para orientar o cuidado do seu filho. Use o semáforo: 🟢 cuidar em casa · 🟡 procure o pediatra · 🔴 pronto-socorro agora. Não substitui a consulta nem a orientação do seu pediatra. 📄 Baixar em PDF

Em poucas palavras

A maioria das doenças da infância é leve e melhora com cuidados em casa. Mas uma doença grave costuma começar parecida com uma virose comum, e os primeiros sinais podem ser discretos. Por isso, todos os guias desta pasta usam o mesmo semáforo: 🟢 cuidar em casa, 🟡 procurar o pediatra e 🔴 ir ao pronto-socorro agora. Vá ao pronto-socorro (ou ligue para o SAMU 192) se a criança estiver com dificuldade para respirar, muito sonolenta ou difícil de acordar, com manchas roxas na pele, convulsão, lábios roxos ou acinzentados, sem conseguir beber ou vomitando tudo — e sempre que um bebê com menos de 3 meses tiver febre.

1.O que é o semáforo

Uma forma simples de decidir o que fazer, com as mesmas regras que o pediatra usa (Ministério da Saúde, SBP e NICE, do Reino Unido):

  • 🟢 Cuidar em casa — sinais leves. A criança está bem entre os picos de febre, brinca, bebe e faz xixi. Cuidados em casa e retorno combinado com o pediatra.
  • 🟡 Procure o pediatra — algo merece ser examinado: consulta no mesmo dia ou em 24–48 horas, conforme o caso.
  • 🔴 Pronto-socorro agora (ou SAMU 192) — sinais de gravidade. Não espere a consulta.

Um sinal vermelho vale mais que qualquer diagnóstico: mesmo que a criança "só tenha um resfriado", se aparecer um sinal vermelho, ela precisa de atendimento imediato.

2.Os sinais que mais importam

Observe a criança, de preferência depois que a febre baixar:

  • Jeito da criança (o mais importante). Brincar, sorrir e interagir tranquiliza. Preocupa a criança "molinha", desinteressada, com choro fraco, agudo ou sem parar, que não acorda direito.
  • Respiração. Muito rápida, com chiado ou gemido, nariz abrindo e fechando, pele afundando entre as costelas.
  • Cor da pele. Palidez intensa, pele rendilhada (manchada, como um mapa) ou acinzentada, lábios roxos; mãos e pés gelados com febre.
  • Manchas na pele. Pintinhas ou manchas roxas que não somem ao apertar a pele ou ao pressionar um copo de vidro transparente sobre elas.
  • Hidratação. Boca seca, choro sem lágrimas, olhos fundos, pouco xixi ou xixi escuro, não consegue beber ou vomita tudo.
  • Sistema nervoso. Convulsão, moleira estufada, pescoço duro, confusão, fraqueza de um lado do corpo.
  • Idade. Bebês pequenos adoecem de forma silenciosa: febre em menores de 3 meses é sempre sinal vermelho.

3.Semáforo: quando cuidar em casa, quando procurar o pediatra e quando ir ao pronto-socorro

Cor O que você observa O que fazer
🟢 Cuidar em casa Brinca e interage (pelo menos quando a febre baixa); cor normal da pele e dos lábios; respira sem esforço; mama ou bebe bem; boca úmida e xixi normal Cuidados em casa, antitérmico se estiver desconfortável, muito líquido; siga o guia do tema e o retorno combinado
🟡 Procure o pediatra Mais quieta que o normal, só acorda se for bem estimulada; bebê de 3 a 6 meses com febre de 39 °C ou mais; febre há 5 dias ou mais; respiração mais rápida que o normal, com nariz abrindo e fechando; bebe ou mama menos e faz bem menos xixi; calafrios; inchaço de braço, perna ou junta, ou não quer apoiar um membro; você acha que ela "não está bem" Consulta no mesmo dia (ou em até 24 h, se estiver melhorando). Se piorar antes, vá ao pronto-socorro
🔴 Pronto-socorro agora Bebê menor de 3 meses com febre (axilar a partir de 37,5 °C); muito sonolenta, difícil de acordar, não reage, choro fraco ou agudo sem parar; gemido ao respirar, respiração muito rápida com a barriga e as costelas afundando, lábios roxos; pele pálida, rendilhada ou acinzentada; manchas roxas que não somem ao apertar; não consegue beber ou mamar, vomita tudo; não faz xixi há mais de 6–8 horas; convulsão (agora ou nas últimas 72 h); moleira estufada, pescoço duro, fraqueza de um lado do corpo Vá ao pronto-socorro agora. Chame o SAMU 192 se a criança não acorda, está com muita falta de ar, está roxa ou em convulsão

Crianças que merecem mais atenção — nelas, procure ajuda mais cedo:

  • Bebês com menos de 3 meses (e, em menor grau, até 6 meses).
  • Prematuros e bebês que nasceram com baixo peso.
  • Crianças com doença crônica: do coração, dos pulmões, dos rins, neurológica, anemia falciforme, diabetes.
  • Imunidade baixa (quimioterapia, uso de corticoide por longo tempo, imunodeficiência).
  • Vacinação atrasada.
  • Quando a família mora longe do serviço de saúde, não tem transporte ou já voltou ao médico pelo mesmo problema.

4.Como cuidar em casa

  • Observe o jeito, não só o termômetro. Febre é temperatura axilar a partir de 37,5 °C, mas o número sozinho não mede a gravidade.
  • Líquidos em pequenas quantidades e com frequência. Mantenha o peito. Na diarreia ou nos vômitos, use o soro de reidratação oral.
  • Conte a respiração com a criança calma, durante 1 minuto inteiro, e observe se a barriga e as costelas afundam.
  • Anote febre, remédios dados (dose e hora), xixis, vômitos e evacuações.
  • Tenha um prazo combinado com o pediatra ("se não melhorar em 48 horas, retorno").
  • Confie na sua percepção. Se você sente que algo está muito errado, procure atendimento — a preocupação dos pais é levada a sério pelos médicos.

5.Remédios: o que ajuda e o que evitar

O antitérmico serve para aliviar o mal-estar, não para zerar o termômetro. Confira com o pediatra a dose em mL do remédio que você tem em casa:

  • Dipirona: 10–12 mg por kg por dose, a cada 6 horas (no máximo 4 doses por dia). Não usar em bebês com menos de 3 meses ou menos de 5 kg. A antiga regra de "1 gota por quilo" dá dose maior que a recomendada.
  • Paracetamol: 10–15 mg por kg por dose, a cada 4–6 horas (no máximo 5 doses por dia e 75 mg/kg no dia). Por 2–3 dias seguidos, sobretudo na dose máxima, em criança que come e bebe pouco ou somado a antigripais com paracetamol, pode fazer mal ao fígado: febre por mais de 48–72 h pede reavaliação.
  • Ibuprofeno: 5–10 mg por kg por dose, a cada 6–8 horas, a partir de 6 meses. Evite na suspeita de dengue, na catapora e na criança desidratada.
  • Não alterne antitérmicos diferentes.
  • Não dê antibiótico, corticoide, xarope ou qualquer outro remédio sem receita, nem ácido acetilsalicílico (AAS).
  • Febre em bebê com menos de 3 meses: não medique antes de o bebê ser examinado — leve ao pronto-socorro.

6.Quando ir ao pronto-socorro

Vá agora, qualquer que seja a doença, se houver:

  • Febre em bebê com menos de 3 meses.
  • Dificuldade para respirar, gemido, lábios roxos.
  • Criança muito sonolenta, difícil de acordar, confusa, ou choro fraco ou agudo sem parar.
  • Manchas roxas que não somem ao apertar.
  • Pele pálida, rendilhada ou acinzentada; mãos e pés gelados com febre.
  • Não consegue beber, vomita tudo, sem xixi há mais de 6–8 horas.
  • Convulsão; moleira estufada; pescoço duro.
  • Dor muito forte que não melhora com o analgésico.
  • Inchaço nos lábios ou na língua, falta de ar ou vômitos logo após alimento, remédio ou picada de inseto (alergia grave).

Como levar

  • Ligue 192 (SAMU) se a criança está desacordada, roxa, com muita falta de ar, em convulsão há mais de 5 minutos ou com alergia grave. Nesses casos, não leve em carro particular.
  • Na convulsão: deite a criança de lado, no chão ou na cama, afaste objetos, não coloque nada na boca e marque o tempo.
  • Se a criança está sonolenta ou vomitando, não dê nada pela boca no caminho; transporte-a de lado se estiver muito sonolenta.
  • Com falta de ar, deixe a criança sentada no colo, na posição em que respira melhor.
  • Se o médico já receitou adrenalina autoinjetável para alergia grave, use-a e depois ligue 192.
  • Leve a caderneta de saúde, os remédios em uso (ou fotos das caixas), suas anotações e a lista de alergias.

7.O que ter em casa

  • Termômetro digital.
  • Antitérmico receitado, com a dose em mL anotada para o peso atual, e a seringa dosadora que vem com ele.
  • Envelopes de soro de reidratação oral (gratuitos na UBS) e soro fisiológico para o nariz.
  • Lista de telefones: pediatra, pronto-socorro de referência, SAMU 192 e Disque-Intoxicação 0800-722-6001 (Anvisa).
  • Caderneta de vacinação em dia, lista de alergias e de remédios de uso contínuo.
  • Remédios e produtos de limpeza trancados, fora do alcance.

8.Dúvidas e mitos comuns

Febre alta faz mal ao cérebro? Não. A febre é uma defesa do corpo. O que preocupa é o estado geral da criança, não o número.

Se a febre não baixa com o remédio, é grave? Nem sempre. O antitérmico baixa só 1 a 1,5 °C; observe a criança quando a febre cede.

Posso esperar amanhecer para ir ao médico? Com sinal vermelho, não. Com sinal amarelo, procure atendimento no mesmo dia; se piorar à noite, vá ao pronto-socorro.

Lembre-se
  1. O jeito da criança (brincar, interagir, acordar bem) vale mais que o termômetro.
  2. Bebê com menos de 3 meses com febre vai ao pronto-socorro.
  3. Dificuldade para respirar, manchas roxas que não somem ao apertar, sonolência excessiva e convulsão são sinais vermelhos.
  4. Criança grave vai de SAMU 192; leve a caderneta e os remédios em uso.
  5. Na dúvida, confie na sua percepção e procure ajuda.

9.Veja também

Veja também, nesta Biblioteca:

  • Convulsão febril e primeira crise
  • Vacinação
  • Os guias de cada doença desta pasta (resfriado, otite, diarreia, bronquiolite e outros), que trazem o semáforo específico do tema

Versão para profissionais: Classificação de risco em pediatria — a gravidade chega a qualquer porta (Patologias do consultório).

10.Fontes

Baseado no documento profissional Classificação de risco em pediatria desta Biblioteca e nas referências nele citadas:

  • Ministério da Saúde / OPAS. Manual AIDPI Criança — 2 meses a 5 anos, 2017.
  • NICE. Fever in under 5s — assessment and initial management (NG143), 2019, atualizada em 2021.
  • Sociedade Brasileira de Pediatria. Abordagem da febre aguda em pediatria, 2025.
  • Ministério da Saúde. Acolhimento e Classificação de Risco nos Serviços de Urgência, 2009.