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TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade)

Como é feito o diagnóstico, como ajudar em casa e na escola e como usar o tratamento com segurança

Conteúdo informativo, em linguagem acessível, para orientar o cuidado do seu filho. Use o semáforo: 🟢 cuidar em casa · 🟡 procure o pediatra · 🔴 pronto-socorro agora. Não substitui a consulta nem a orientação do seu pediatra. 📄 Baixar em PDF

Em poucas palavras

O TDAH é uma condição do desenvolvimento do cérebro, não é falta de educação nem preguiça. A criança tem dificuldade de manter a atenção, de controlar os impulsos e, muitas vezes, de ficar parada — em mais de um lugar (casa e escola) e a ponto de atrapalhar a vida dela. O diagnóstico é feito pelo médico com base na história e em questionários respondidos pelos pais e pelos professores; nenhum exame confirma o TDAH. Antes, é preciso afastar problemas de sono, audição, visão, aprendizagem, ansiedade e situações difíceis em casa ou na escola. O tratamento combina rotina, orientação aos pais, apoio da escola e, a partir dos 6 anos, quando indicado, remédio. Vá ao pronto-socorro se houver dor no peito, desmaio, falas sobre se matar ou ingestão de muitos comprimidos.

1.O que é

  • O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento, com forte influência genética. Prematuridade, baixo peso ao nascer e exposição a álcool e cigarro na gestação aumentam o risco.
  • Há três apresentações: predominantemente desatenta, predominantemente hiperativa-impulsiva e combinada.
  • É comum: afeta cerca de 7 a 8 em cada 100 crianças e adolescentes de 6 a 17 anos no Brasil.
  • Meninas tendem a ter a forma desatenta, mais "quieta", e são diagnosticadas mais tarde.
  • Pode vir junto com outras condições: comportamento desafiador, ansiedade, depressão, dificuldades de aprendizagem (como dislexia), autismo, tiques e problemas de sono.
  • O diagnóstico só costuma ser feito a partir dos 4 anos; antes disso, agitação e impulsividade fazem parte do desenvolvimento normal.

2.Como aparece (sinais e sintomas)

Desatenção: não termina tarefas, perde objetos, parece não ouvir quando falam com ela, esquece compromissos, erra por descuido, se distrai com qualquer coisa, evita tarefas que exigem concentração.

Hiperatividade e impulsividade: não para sentada, mexe mãos e pés, corre e sobe em tudo, fala demais, interrompe, responde antes de a pergunta terminar, tem dificuldade para esperar a vez.

  • Os sinais estão presentes por pelo menos 6 meses, começam antes dos 12 anos, aparecem em mais de um ambiente e causam prejuízo (notas, amizades, convivência em casa, acidentes).
  • A queixa costuma surgir quando aumentam as exigências da escola (6 a 8 anos).
  • Na adolescência, a agitação diminui e aparecem mais desorganização, esquecimentos e impulsividade (acidentes, uso de álcool e drogas, sexo sem proteção).

3.Semáforo: quando cuidar em casa, quando procurar o pediatra e quando ir ao pronto-socorro

Neste tema, o semáforo indica quando buscar avaliação:

Cor O que você observa O que fazer
🟢 Cuidar em casa e acompanhar Poucos sinais, com prejuízo pequeno, sem outros problemas; criança de 4–5 anos com sinais iniciais; ou criança já diagnosticada e bem com o tratamento Rotina, sono, orientação aos pais e combinados com a escola; conversar com o pediatra na consulta, com reavaliação em 1 a 3 meses
🟡 Procure o pediatra Muitos sinais, com prejuízo claro em casa e na escola (notas baixas, repetência, exclusão, brigas, acidentes); a escola relata dificuldades persistentes; criança pequena que não melhora com a orientação aos pais; tristeza, ansiedade ou suspeita de outras condições; em tratamento: perda de peso, insônia persistente, tristeza ou irritabilidade intensas, tiques novos Consulta nas próximas semanas (antes, se houver efeito colateral importante). Leve os questionários e o relatório da escola. O pediatra avalia, trata e encaminha ao neuropediatra, psiquiatra infantil ou psicólogo quando necessário
🔴 Pronto-socorro agora Falas sobre se matar, tentativa ou autolesão grave; agitação intensa, confusão, ver ou ouvir coisas que não existem; agressividade com risco para si ou para outros; ingestão de muitos comprimidos; em uso do remédio: dor no peito, desmaio, coração disparado com mal-estar, pressão muito alta Pronto-socorro agora; SAMU 192 se houver risco imediato, convulsão ou desmaio. Suspenda o remédio até a avaliação

Crianças que merecem mais atenção

  • Com depressão, ansiedade, transtorno bipolar, problemas de conduta ou uso de substâncias.
  • Com deficiência intelectual, epilepsia ou autismo.
  • Com doença do coração, ou família com morte súbita antes dos 40 anos — o médico precisa saber antes de começar o remédio.
  • Crianças expostas a violência ou negligência; pais com TDAH sem tratamento.
  • Adolescentes que já dirigem.

4.Como cuidar em casa

  • Entenda e explique: TDAH não é má vontade. Converse com a criança sobre como o cérebro dela funciona, sem rótulos.
  • Rotina previsível: horários fixos para acordar, comer, estudar, brincar e dormir; quadro visual com as tarefas.
  • Tarefas em etapas curtas, uma instrução de cada vez, olhando nos olhos; pausas planejadas.
  • Elogie o que deu certo, logo em seguida; combinados claros, com consequências previsíveis e sem gritos ou castigos físicos.
  • Sono adequado para a idade: a falta de sono piora muito a atenção. Ronco com pausas na respiração e pernas inquietas à noite devem ser contados ao pediatra.
  • Telas (SBP): de 6 a 10 anos, 1 a 2 horas por dia; de 11 a 18 anos, 2 a 3 horas por dia, nunca à noite; sem telas nas refeições e desligadas 1 a 2 horas antes de dormir.
  • Atividade física todos os dias.
  • Evite cafeína e energéticos.
  • Parceria com a escola: sentar perto do professor, instruções curtas, tempo extra nas provas, agenda conferida.
  • Programas de orientação para pais (em grupo ou individuais) são o primeiro tratamento aos 4–5 anos e ajudam em todas as idades.

5.Remédios: o que ajuda e o que evitar

  • Quando se usa: a partir de 6 anos, quando os sinais atrapalham a vida, sempre junto com as medidas em casa e na escola. Aos 4–5 anos, o tratamento começa pela orientação aos pais; remédio nessa idade é decisão do especialista.
  • Quais são: o metilfenidato é a primeira escolha; a lisdexanfetamina é alternativa. Há outras opções para casos específicos, indicadas pelo especialista. Todos só com receita, e a dose é ajustada pelo médico aos poucos.
  • Antes de começar: o médico pergunta sobre desmaios, dor no peito ou palpitações durante esforço e sobre morte súbita na família, e mede pressão e frequência cardíaca. Eletrocardiograma só é pedido quando há algum risco.
  • Como usar: dê pela manhã, depois do café da manhã; não mude a dose por conta própria; não compartilhe com irmãos ou colegas; guarde fora do alcance das crianças.
  • Efeitos colaterais comuns: perda de apetite (reforce o lanche da tarde e o jantar), dor de barriga, dor de cabeça, dificuldade para dormir, irritação no fim do efeito; tiques podem aparecer ou piorar. Conte ao pediatra.
  • Acompanhamento: retornos a cada 2–4 semanas durante os ajustes de dose, com novo questionário da escola; depois, a cada 3–6 meses, com medida de peso, altura, pressão e frequência cardíaca.
  • O remédio não é calmante e não causa dependência quando usado como receitado.
  • No SUS: o metilfenidato e a lisdexanfetamina não são fornecidos pela rede nacional (alguns estados têm programas próprios); a rede oferece psicoeducação, terapia e apoio escolar, inclusive nos CAPS/CAPSi.

O que não usar: dietas restritivas sem indicação, suplementos "para foco", remédios para "acalmar" (como antialérgicos que dão sono) e remédios de outras pessoas.

6.Quando ir ao pronto-socorro

  • Falas sobre se matar, tentativa ou autolesão grave.
  • Agitação intensa, confusão, alucinações, agressividade com risco.
  • Ingestão de muitos comprimidos (agitação, coração acelerado, tremores, febre, convulsão).
  • Dor no peito, desmaio ou coração disparado com mal-estar em uso do remédio.

Como levar

  • Suspenda o remédio e leve a embalagem, anotando a hora e a quantidade tomada.
  • No risco de suicídio: não deixe a criança ou o adolescente sozinho, retire remédios e objetos perigosos e acompanhe até o atendimento. O CVV atende pelo 188.
  • Convulsão ou desmaio: deite de lado e ligue para o SAMU 192. O Disque-Intoxicação (0800-722-6001) orienta em casos de ingestão.
  • Leve a lista de remédios e doses.

7.Como prevenir

  • Gestação sem álcool e sem cigarro.
  • Não é possível prevenir o TDAH, mas reconhecer e tratar cedo evita repetência, baixa autoestima, acidentes e uso de substâncias.

8.Dúvidas e mitos comuns

TDAH é invenção ou falta de limites? Não. É uma condição reconhecida, com base no desenvolvimento do cérebro.

Toda criança agitada tem TDAH? Não. Para o diagnóstico, os sinais precisam aparecer em mais de um ambiente e atrapalhar a vida, e outras causas precisam ser afastadas.

O remédio vicia ou "dopa" a criança? Usado como receitado, não vicia e não é calmante. Se a criança ficar "apagada", a dose precisa ser revista.

Precisa de eletroencefalograma ou ressonância? Não. Exames só quando há outra suspeita.

Lembre-se
  1. TDAH não é preguiça nem falta de educação; tem tratamento.
  2. O diagnóstico usa informações de casa e da escola; leve o relatório escolar.
  3. Rotina, sono, elogios e parceria com a escola fazem parte do tratamento.
  4. Remédio só com receita, pela manhã, sem mudar a dose e guardado com segurança.
  5. Dor no peito, desmaio, falas sobre morte ou muitos comprimidos: pronto-socorro.

9.Veja também

Veja também, nesta Biblioteca:

  • Transtorno do espectro autista (autismo)
  • Atraso de fala e do desenvolvimento
  • Distúrbios do sono na infância
  • Ansiedade e depressão na infância e adolescência
  • Tela, Educação e Responsabilidade
  • Orientações: 6 a 9 Anos

Versão para profissionais: Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) (Patologias do consultório).

10.Fontes

Baseado no documento profissional Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) desta Biblioteca e nas referências nele citadas:

  • Sociedade Brasileira de Pediatria. TDAH na adolescência (Documento Científico nº 203), 2025.
  • Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do TDAH, 2022.
  • American Academy of Pediatrics. Clinical Practice Guideline for the Diagnosis, Evaluation, and Treatment of ADHD, 2019.
  • NICE. Attention deficit hyperactivity disorder: diagnosis and management (NG87), 2018.