Endocrinologia pediátrica · Crescimento, osso e água

Deficiência de hormônio de crescimento e uso do GH

Quando suspeitar, como encaminhar, testes de estímulo, indicações aprovadas e cobertas pelo SUS, doses em mg/kg, efeitos adversos e o papel do pediatra no seguimento

Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF

Em resumo

A deficiência de hormônio de crescimento (DGH) pode ser congênita (hipoglicemia neonatal, micropênis, icterícia prolongada, defeitos de linha média) ou adquirida (tumor selar — sobretudo craniofaringioma —, radioterapia craniana, trauma, histiocitose); muitas vezes é idiopática e isolada. O sinal que leva à suspeita é a velocidade de crescimento baixa com estatura abaixo de −2 escores-z ou queda de canal, idade óssea atrasada e IGF-1 baixo para a idade óssea e a puberdade. O diagnóstico é do endocrinologista pediátrico: pelo PCDT do Ministério da Saúde (2018), pico de GH < 5 ng/mL em dois testes de estímulo (um só teste basta se houver lesão hipotálamo-hipofisária ou outra deficiência hormonal), com priming com esteroide sexual nos pré-púberes maiores. A somatropina é diária e subcutânea — 0,025–0,035 mg/kg/dia (0,175–0,245 mg/kg/semana) na DGH — e o SUS a fornece para DGH/hipopituitarismo e síndrome de Turner. O seguimento é ambulatorial (🟢/🟡). Hipoglicemia no recém-nascido com micropênis, cefaleia com alteração visual ou vômitos, claudicação com dor no quadril ou joelho e sinais de insuficiência adrenal em criança com hipopituitarismo exigem pronto-socorro (🔴).

1.O que é e como se apresenta

Definição: secreção insuficiente de GH pela hipófise anterior, isolada ou associada a outras deficiências (TSH, ACTH, gonadotrofinas, vasopressina — hipopituitarismo). A redução de GH diminui a produção hepática de IGF-1, principal mediador do crescimento linear.

Causas

  • Congênitas: idiopática (mais comum); defeitos de linha média (displasia septo-óptica, fenda palatina, incisivo central único); hipoplasia hipofisária, neuro-hipófise ectópica, interrupção de haste; mutações de fatores de transcrição hipofisários (PROP1, POU1F1, HESX1) e do gene do GH.
  • Adquiridas: craniofaringioma e outros tumores selares/suprasselares, radioterapia craniana (instalação tardia), neurocirurgia, traumatismo craniano grave, infecções do SNC, histiocitose de células de Langerhans.
  • Funcional/transitória: privação psicossocial e hipotireoidismo podem reduzir o GH, que se normaliza com o tratamento da causa.

Quadro clínico por idade

  • Recém-nascido e lactente (DGH congênita, muitas vezes múltipla): hipoglicemia (às vezes grave e recorrente), micropênis (deficiência de gonadotrofinas), icterícia prolongada, criptorquidia; o peso e o comprimento ao nascer costumam ser normais — a desaceleração aparece nos primeiros meses a anos.
  • Criança: velocidade de crescimento baixa, baixa estatura proporcionada, face "infantil", adiposidade troncular; peso preservado para a estatura (padrão "endócrino"); idade óssea atrasada.
  • Adquirida: criança que crescia bem e desacelera, às vezes com cefaleia, alteração visual, poliúria ou puberdade parada — tumor selar até prova em contrário.

2.Classificação de gravidade

Gravidade Critérios clínicos Conduta
🟢 Leve Criança já diagnosticada e em uso de somatropina, crescendo bem, sem efeitos adversos; ou baixa estatura com velocidade normal e compatível com a estatura-alvo (variante normal) Seguimento pelo pediatra junto com o endocrinologista: medida a cada 3–6 meses, adesão, técnica de aplicação, rastreio de efeitos adversos; variante normal: reavaliar a velocidade em 6 meses
🟡 Moderada Velocidade de crescimento baixa ou queda de canal; estatura < −3 escores-z; estatura entre −2 e −3 com velocidade reduzida; idade óssea atrasada com IGF-1 baixo; antecedente de radioterapia craniana, tumor do SNC, trauma grave ou defeito de linha média; menina com baixa estatura não explicada (Turner); PIG sem recuperação aos 4 anos Exames iniciais no consultório e encaminhamento prioritário à endocrinologia pediátrica (idealmente em até 4–8 semanas)
🔴 Grave Hipoglicemia neonatal ou do lactente com micropênis, icterícia prolongada ou defeito de linha média (hipopituitarismo congênito); desaceleração com cefaleia, vômitos, alteração visual ou poliúria (tumor selar); em uso de GH: cefaleia intensa com vômitos ou papiledema (hipertensão intracraniana), claudicação ou dor no quadril/joelho (epifisiólise), dor abdominal intensa persistente (pancreatite); hipopituitarismo com vômitos, hipotensão, hiponatremia ou hipoglicemia (insuficiência adrenal) Pronto-socorro/hospital (ver "Como encaminhar")

Fatores que elevam a gravidade ou a probabilidade de DGH

  • Radioterapia craniana, tumor do SNC, neurocirurgia, trauma craniano grave ou meningite prévios.
  • Defeitos de linha média, nistagmo ou baixa acuidade visual no lactente (displasia septo-óptica).
  • Consanguinidade ou irmão com DGH; outras deficiências hipofisárias conhecidas.

3.Diagnóstico no consultório

O que é clínico (e é do pediatra): medir com técnica correta, lançar nas curvas da OMS, calcular a velocidade de crescimento (intervalo mínimo de 6 meses) e a estatura-alvo, avaliar proporções, dismorfias, estadiamento puberal e sinais de doença crônica. A DGH é diagnóstico de exclusão: antes de pensar nela, afastar as causas mais frequentes de crescimento lento (ver "Baixa estatura").

Exames iniciais no consultório

  • Os mesmos de "Baixa estatura": hemograma, VHS/PCR, função renal e hepática, eletrólitos, cálcio, fósforo, fosfatase alcalina, urina tipo 1, antitransglutaminase IgA com IgA total, idade óssea e cariótipo em toda menina com baixa estatura não explicada.
  • TSH e T4 livre (T4 livre baixo com TSH normal ou baixo sugere causa central).
  • IGF-1 (e IGFBP-3 abaixo de 3 anos), interpretado pela idade óssea e pela puberdade: IGF-1 normal torna a DGH menos provável; IGF-1 baixo é inespecífico (desnutrição, hipotireoidismo, atraso puberal) e é mais útil para acompanhar tratamento e adesão (SPSP 2021).
  • GH basal aleatório não serve para diagnóstico: a secreção é pulsátil (SPSP 2021). Exceção: no recém-nascido durante hipoglicemia, GH < 5 ng/mL associado a alteração clássica na ressonância confirma a deficiência (PCDT 2018).

O que é do especialista

  • Testes de estímulo: clonidina, insulina (sob supervisão), glucagon, levodopa ou arginina.
    • PCDT/MS 2018: DGH se pico de GH < 5 ng/mL; dois testes na DGH isolada sem lesão anatômica; um teste se houver lesão hipotálamo-hipofisária ou outra deficiência hormonal; dispensa de teste se critérios auxológicos + defeito anatômico + deficiência hormonal adicional.
    • Priming (PCDT 2018): meninas a partir de 10 anos e meninos a partir de 11 anos ainda pré-púberes ou em puberdade inicial recebem estrogênio ou testosterona antes do teste, para evitar falso diagnóstico de deficiência no atraso constitucional (PES 2016 recomenda o mesmo em meninos > 11 e meninas > 10 anos pré-púberes).
    • O ponto de corte é controverso (< 5, < 7 ou < 10 ng/mL conforme a época e o ensaio; SPSP 2021); a Itália usa < 8 µg/L em dois testes (AIFA Nota 39). A PES (2016) desaconselha usar o teste de estímulo como critério diagnóstico isolado.
  • Ressonância de hipófise e hipotálamo em toda DGH confirmada; avaliação dos demais eixos (TSH, ACTH/cortisol, gonadotrofinas, sódio e osmolalidade).
  • Genética (painéis de hipopituitarismo, SHOX, Noonan, Turner, Prader-Willi) conforme o fenótipo.

Diagnóstico diferencial que não pode passar

  • Tumor selar (craniofaringioma, germinoma): desaceleração + cefaleia, alteração visual, poliúria.
  • Hipotireoidismo, doença celíaca, excesso de corticoide.
  • Atraso constitucional (testes falsamente baixos sem priming).
  • Turner, deficiência de SHOX, displasias esqueléticas; privação psicossocial (GH baixo reversível).

4.Tratamento e seguimento

Quem prescreve: somatropina é prescrição do endocrinologista pediátrico. O papel do pediatra é suspeitar, encaminhar no tempo certo e acompanhar em conjunto: adesão, técnica, crescimento, efeitos adversos, calendário vacinal e saúde emocional.

Indicações e cobertura

  • SUS (Componente Especializado da Assistência Farmacêutica): DGH/hipopituitarismo (PCDT, Portaria Conjunta nº 28/2018) e síndrome de Turner (PCDT, Portaria Conjunta nº 15/2025). O uso em PIG não está incorporado nacionalmente (parecer técnico, 2024).
  • Registradas na Anvisa (variam conforme o produto — conferir a bula): DGH, Turner, Prader-Willi, PIG, insuficiência renal crônica e baixa estatura idiopática; SHOX e Noonan constam do registro de alguns produtos em outros países.
  • Ação prolongada (semanal): a somapacitana foi aprovada pela Anvisa em setembro de 2023 para DGH em crianças e adultos; outros análogos semanais (somatrogona, lonapegsomatropina) existem em outros países. Não estão no SUS.
Medicamento / indicação Dose Intervalo Duração Observação
Somatropina — DGH 0,025–0,035 mg/kg/dia (0,075–0,10 UI/kg/dia) = 0,175–0,245 mg/kg/semana (PCDT 2018); PES 2016: 0,16–0,24 mg/kg/semana Diária, subcutânea, à noite Até velocidade < 2 cm/ano ou idade óssea de 14–15 anos (meninas) e 16 anos (meninos) (PCDT) Doses maiores na puberdade, a critério do especialista (até 0,07 mg/kg/dia; SPSP 2021). IGF-1 anual ou após mudança de dose
Somatropina — síndrome de Turner 45–50 µg/kg/dia; até 68 µg/kg/dia se o potencial de estatura estiver muito comprometido (PCDT 2025) Diária, subcutânea A partir de 2 anos (estatura < p5 ou velocidade baixa) até idade óssea de 13,5–14 anos ou velocidade < 2 cm/ano Cariótipo confirmado
Somatropina — Prader-Willi 0,5 → 1 mg/m²/dia em 3–6 meses (GRS 2013; DC SBP nº 45); bula: máx. 2,7 mg/dia Diária Início a partir de 4–6 meses, sem teste de estímulo Polissonografia antes e após o início
Somatropina — PIG sem recuperação 0,035 mg/kg/dia (1 mg/m²/dia) (bula) Diária A partir de 4 anos sem catch-up (NICE; AIFA) Não coberta pelo SUS em nível nacional
Somatropina — insuficiência renal crônica 0,045–0,050 mg/kg/dia (bula) Diária Conforme o especialista —
Somapacitana (semanal) Conforme bula e especialista 1x/semana — Aprovada na Anvisa para DGH (2023)

Monitorização (PCDT 2018; PES 2016)

  • Consulta a cada 3–6 meses: estatura, velocidade, peso, Tanner, pressão arterial, coluna e quadris.
  • IGF-1 anual ou após mudança de dose (reduzir se acima do normal); idade óssea, glicemia de jejum e função tireoidiana anuais.
  • Critérios de interrupção (PCDT 2018): velocidade < 2 cm/ano com idade óssea de 14–15 anos (meninas) ou 16 anos (meninos); falta a consultas; intercorrência grave (pausa de 1–2 meses); câncer surgido ou recidivado (reiniciar só após 2 anos livre de doença). NICE TA188: suspender se a velocidade aumentar < 50% do basal no 1º ano.
  • Transição: ao fim do crescimento, a DGH idiopática isolada é retestada (PCDT: 30–90 dias sem GH, um teste com insulina ou glucagon; PES: IGF-1 primeiro); muitos normalizam. Quem tem deficiência persistente segue com endocrinologia de adultos.

Efeitos adversos que o pediatra deve reconhecer (bula; PES 2016)

  • Hipertensão intracraniana idiopática (cefaleia, vômitos, papiledema — em geral nos primeiros meses); epifisiólise e Legg-Calvé-Perthes (claudicação, dor no quadril ou joelho); progressão de escoliose (Turner, Prader-Willi).
  • Resistência insulínica/hiperglicemia; hipotireoidismo e insuficiência adrenal centrais desmascarados; pancreatite (rara); reações locais, edema, artralgia.
  • Neoplasias: atenção em sobreviventes de câncer (segunda neoplasia). Prader-Willi: mortes por complicações respiratórias em obesos graves ou com apneia.
  • Contraindicações: hipersensibilidade, hipertensão intracraniana, retinopatia diabética proliferativa ou pré-proliferativa (PCDT 2018); neoplasia ativa e doença aguda grave (bula).

O que não fazer

  • GH sem indicação formal, inclusive no esporte (proibido pela WADA em qualquer idade); suplementos ou "estimulantes do apetite" para crescer; GH basal aleatório como triagem; suspender hidrocortisona ou levotiroxina de criança com hipopituitarismo.

5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar

  • Todos os critérios 🔴 da tabela de gravidade — em especial hipoglicemia do lactente com micropênis ou icterícia prolongada, desaceleração com cefaleia, vômitos, alteração visual ou poliúria, e, em uso de GH, cefaleia com vômitos ou claudicação/dor no quadril (avaliação ortopédica no mesmo dia, sem carga).

Como encaminhar

  1. Glicemia capilar; se hipoglicemia, glicose 10% 2 mL/kg IV e infusão contínua; "amostra crítica" (GH, cortisol, insulina) antes da glicose, sem atrasar o tratamento.
  2. Suspeita de insuficiência adrenal com instabilidade: acesso venoso, soro fisiológico 20 mL/kg, hidrocortisona em dose de estresse conforme protocolo do serviço, contato imediato com o hospital.
  3. Suspeita de hipertensão intracraniana: suspender a dose de GH, cabeceira elevada, jejum se vômitos; SAMU (192) se rebaixamento de consciência.
  4. Suspeita de epifisiólise: não apoiar o membro, transporte sem carga.
  5. Relatório com curva de crescimento, estatura-alvo, idade óssea, IGF-1, medicamentos e doses (GH, hidrocortisona, levotiroxina, desmopressina).

Encaminhamento ambulatorial à endocrinologia pediátrica: os critérios 🟡 da tabela de gravidade e a suspeita de Prader-Willi, Noonan ou SHOX.

6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família

  • "O tratamento é longo e diário; o resultado depende de não esquecer as doses. Aplique à noite, alternando os locais, e guarde conforme a bula."
  • "Vamos medir a cada 3 a 6 meses; o primeiro ano mostra se o tratamento está funcionando."
  • "Se a criança tiver outra deficiência de hormônio (tireoide, cortisol), nunca suspenda esses remédios; em febre alta, vômitos ou cirurgia, siga o plano de dose de estresse combinado com o endocrinologista."
  • Voltar antes se: dor de cabeça frequente, mancar, dor no quadril ou joelho, coluna "torta", muita sede e muita urina.
  • Pronto-socorro se: dor de cabeça forte com vômitos ou alteração da visão; não consegue apoiar a perna; bebê com tremores, moleza ou convulsão; criança com hipopituitarismo que vomita e fica prostrada.

7.Comparação com as referências

Item SBP / MS / SBEM AAP / PES / Endocrine Society NICE (Oxford / Cambridge) AEP SIP / SIEDP (AIFA) Harvard / Johns Hopkins
Critério de DGH Pico < 5 ng/mL; 2 testes (1 se lesão ou outra deficiência); priming ≥ 10 anos (meninas) e ≥ 11 anos (meninos) (PCDT 2018) PES 2016: não usar o teste como critério isolado; priming em pré-púberes > 10/11 anos Diagnóstico pelo especialista; segue o NICE Diagnóstico pelo especialista; ponto de corte sem valor localizado Pico < 8 µg/L em 2 testes; critérios auxológicos explícitos (Nota 39) JH: exames de sangue e ressonância sob endocrinologista pediátrico; Harvard: página inacessível
Dose na DGH 0,025–0,035 mg/kg/dia 0,16–0,24 mg/kg/semana (22–35 µg/kg/dia) Conforme licença do produto Conforme ficha técnica Máximo 50 µg/kg/dia Sem posição específica localizada
Indicações financiadas SUS: DGH e Turner; PIG não incorporado FDA inclui baixa estatura idiopática (< −2,25 DP) TA188: DGH, Turner, Prader-Willi, IRC, PIG (≥ 4 anos), SHOX SNS: DGH, Turner, IRC, Prader-Willi, PIG; BEI não DGH, tumores, Turner, IRC, Prader-Willi, SHOX, PIG, Noonan; BEI não JH cita apenas a DGH
Critério de parada VC < 2 cm/ano com IO 14–15 (meninas) / 16 (meninos) VC < 2–2,5 cm/ano Ganho < 50% do basal no 1º ano; VC < 2 cm/ano — — —

Leitura: há convergência em que a DGH é diagnóstico do especialista baseado na velocidade de crescimento, na idade óssea, no IGF-1 e em testes de estímulo com priming nos pré-púberes maiores, na dose diária de 25–35 µg/kg/dia, na ressonância e na vigilância de hipertensão intracraniana, epifisiólise, escoliose e glicose. As divergências estão no ponto de corte do teste (< 5 ng/mL no Brasil, < 8 µg/L na Itália, sem valor único na PES) e sobretudo no acesso: o SUS fornece somatropina apenas para DGH e Turner, enquanto o NICE financia seis indicações e a Itália oito; a baixa estatura idiopática é aprovada no Brasil e nos EUA, mas não financiada no Reino Unido, na Espanha e na Itália. Oxford e Cambridge seguem o NICE; não foi localizada posição pediátrica própria da Endocrine Society nem da AEP sobre o ponto de corte.

Pontos práticos
  1. O sinal que leva à suspeita é a velocidade de crescimento baixa, não uma medida isolada; afaste hipotireoidismo, doença celíaca, Turner e doença crônica antes de pensar em DGH.
  2. GH basal aleatório não serve; IGF-1 normal torna DGH improvável, IGF-1 baixo é inespecífico. Testes de estímulo são do especialista.
  3. Recém-nascido com hipoglicemia + micropênis (ou icterícia prolongada, defeito de linha média) é hipopituitarismo até prova em contrário: glicemia, amostra crítica e hospital.
  4. Desaceleração do crescimento com cefaleia, alteração visual ou poliúria é tumor selar até prova em contrário.
  5. Em uso de GH: cefaleia com vômitos (hipertensão intracraniana) e mancar ou dor no quadril/joelho (epifisiólise) exigem avaliação no mesmo dia.
  6. SUS: somatropina para DGH/hipopituitarismo e Turner; dose da DGH 0,025–0,035 mg/kg/dia (0,175–0,245 mg/kg/semana).

Veja também, nesta Biblioteca: Baixa estatura e Puberdade precoce e puberdade atrasada (Patologias do consultório); Hormônio do crescimento em crianças e adolescentes atletas e Disfunções endócrinas na síndrome de Prader-Willi (Temas atualizados pela SBP); Tumores Cerebrais na Infância — Revisão (Oncologia); Poliúria e polidipsia: diabetes insípido (nesta área).

8.Fontes

  • Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas — Deficiência do Hormônio de Crescimento – Hipopituitarismo. Portaria Conjunta nº 28, de 30/11/2018. PDF (acervo SBP)
  • Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas — Síndrome de Turner. Portaria Conjunta nº 15, de 31/07/2025. PDF
  • Comitê Estadual de Saúde (TRF2). Parecer técnico nº 1632/2024 — somatropina em PIG. PDF; NATJUS-DF. Nota técnica — somatropina/baixa estatura. PDF
  • Sociedade de Pediatria de São Paulo, Departamento de Endocrinologia. Deficiência do hormônio de crescimento (GH), 2021. PDF
  • Grimberg A et al. Guidelines for Growth Hormone and Insulin-Like Growth Factor-I Treatment in Children and Adolescents (Pediatric Endocrine Society). Horm Res Paediatr, 2016. PubMed; resumo das recomendações. Medscape
  • NICE. TA188 — Human growth hormone (somatropin) for the treatment of growth failure in children, 2010. nice.org.uk
  • AIFA. Nota 39 — Ormone della crescita e analoghi (somatropina, somatrogon). PDF
  • Genotropin (somatropina) — informação do produto (posologia por indicação, advertências). Pfizer
  • Anvisa aprova somapacitana (Sogroya) para deficiência de GH em crianças e adultos, 25/09/2023. Guia da Farmácia
  • Johns Hopkins Medicine. Growth Hormone Deficiency. hopkinsmedicine.org
  • Biblioteca do site: Hormônio do crescimento em crianças e adolescentes atletas (SBP DC nº 36, 2026 × referências) e Disfunções endócrinas na síndrome de Prader-Willi (SBP DC nº 45 × referências).