Endocrinologia pediátrica · Crescimento, osso e água

Poliúria e polidipsia — diabetes insípido

Como investigar a criança que bebe e urina demais, a nova nomenclatura (deficiência e resistência de arginina vasopressina), a prova de restrição hídrica, a desmopressina e a correção lenta da hipernatremia

Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF

Em resumo

Poliúria é diurese acima de 2 L/m²/dia — ou > 100 mL/kg/dia até 2 anos e > 50 mL/kg/dia acima de 2 anos (PCDT/MS 2018). Diante de criança que bebe e urina muito, o primeiro passo é a glicemia capilar e a fita urinária: diabetes mellitus é a causa mais comum e mais urgente. Afastados diabetes, hipercalcemia, hipocalemia e doença renal, restam a polidipsia primária (a mais frequente depois do diabetes) e o diabetes insípido, que desde 2022 se chama deficiência de arginina vasopressina (AVP-D, central) ou resistência à arginina vasopressina (AVP-R, nefrogênico) — mudança endossada por SBEM e ESPE para evitar confusão com diabetes mellitus. Sódio > 145 mEq/L ou osmolalidade plasmática > 295 mOsm/kg com urina diluída (< 300 mOsm/kg) confirma o distúrbio sem necessidade de prova de restrição hídrica, que é hospitalar. Toda AVP-D exige ressonância (craniofaringioma, germinoma, histiocitose). O tratamento é a desmopressina; a hipernatremia se corrige devagar (queda ≤ 0,5 mEq/L/h e ≤ 10–12 mEq/L em 24 h). Com sódio normal e acesso livre à água, a investigação é ambulatorial (🟡); hipernatremia, desidratação, lactente, adipsia, sinais neurológicos ou pós-neurocirurgia são urgência (🔴).

1.O que é e como se apresenta

Fisiologia em uma linha: a arginina vasopressina (AVP, hormônio antidiurético), produzida no hipotálamo e liberada pela neuro-hipófise, age no receptor V2 do túbulo coletor e permite concentrar a urina. Sem AVP (deficiência) ou sem resposta renal (resistência), a criança perde água livre e depende da sede para não desidratar.

Nova nomenclatura (declaração internacional de 2022, endossada por Endocrine Society, ESE, Pituitary Society, Society for Endocrinology, ESPE e SBEM)

  • Deficiência de arginina vasopressina (AVP-D) = antigo diabetes insípido central.
  • Resistência à arginina vasopressina (AVP-R) = antigo diabetes insípido nefrogênico.
  • Motivo: a confusão com diabetes mellitus levou à suspensão da desmopressina em pacientes internados, com desfechos graves, inclusive morte, e a glicemias e medicamentos desnecessários; 85% dos pacientes consultados preferiam a mudança.

Causas de poliúria com polidipsia na criança

  • Diurese osmótica: diabetes mellitus (a mais importante), manitol, dieta hiperproteica em sonda.
  • Polidipsia primária: hábito de beber muito (lactentes e pré-escolares que "vivem de mamadeira" ou suco), transtorno psiquiátrico no adolescente; urina diluída com sódio normal-baixo.
  • AVP-D (central): craniofaringioma, germinoma (pode aparecer na ressonância só anos depois), histiocitose de células de Langerhans (lesões ósseas, dermatite rebelde, otorreia); pós-neurocirurgia e trauma craniano; infecções do SNC; malformações de linha média (displasia septo-óptica); genéticas (gene AVP, síndrome de Wolfram); idiopática (exclusão, com ressonância seriada).
  • AVP-R (nefrogênica): congênita (AVPR2, ligada ao X; AQP2), que abre nas primeiras semanas com irritabilidade, febre sem foco, vômitos, baixo ganho de peso e hipernatremia; adquirida (lítio, hipercalcemia, hipocalemia, uropatia obstrutiva, doença renal crônica).

Quadro clínico por idade

  • Lactente: choro que só cessa com água, febre sem foco, vômitos, baixo ganho de peso, fraldas muito pesadas, desidratação hipernatrêmica (pele "pastosa", irritabilidade extrema) — não controla o próprio acesso à água.
  • Criança maior: sede intensa (prefere água gelada), acorda à noite para beber, enurese secundária ou noctúria nova.
  • Pistas da causa: cefaleia, alteração visual, desaceleração do crescimento, puberdade alterada (tumor selar/germinoma); lesões ósseas e de pele (histiocitose).

2.Classificação de gravidade

Gravidade Critérios clínicos Conduta
🟢 Leve Queixa de "beber muita água" com glicemia normal, fita sem glicose, sódio normal, urina que concentra (primeira urina da manhã concentrada), sem noctúria, crescimento normal — padrão de polidipsia habitual Diário de ingestão e diurese por 2–3 dias, orientação sobre oferta de líquidos (trocar suco/refrigerante por água, sem restrição forçada); retorno em 2–4 semanas
🟡 Moderada Poliúria documentada (> 2 L/m²/dia) com urina diluída, sódio normal e acesso livre à água; noctúria ou enurese secundária persistentes; criança com AVP-D conhecida e ajuste de dose Exames iniciais no consultório e encaminhamento prioritário à endocrinologia pediátrica (em dias a 2 semanas); ressonância pelo especialista. Orientar a família a nunca restringir água em casa
🔴 Grave Hipernatremia (Na > 145–150 mEq/L) ou desidratação; lactente com poliúria; criança sem acesso autônomo à água (neuropata, acamada) ou sem sede (adipsia); vômitos que impedem beber; cefaleia, vômitos, alteração visual ou rebaixamento; pós-neurocirurgia ou trauma craniano; hiperglicemia com cetose; hiponatremia em uso de desmopressina (cefaleia, vômitos, convulsão) Pronto-socorro/hospital (ver "Como encaminhar")

Fatores de risco que elevam a gravidade

  • Idade < 2 anos; dependência de terceiros para beber; adipsia por lesão hipotalâmica.
  • Deficiência de ACTH/cortisol associada (pode mascarar a poliúria, que aparece ao iniciar hidrocortisona).
  • Gastroenterite, febre, calor, jejum; desmopressina com oferta hídrica excessiva.

3.Diagnóstico no consultório

Confirmar a poliúria: diário de ingestão e diurese (volume de 24 h, noctúria), peso das fraldas no lactente. Comparar com 2 L/m²/dia (ou > 100 mL/kg/dia até 2 anos e > 50 mL/kg/dia acima de 2 anos; PCDT 2018). A AEP usa > 2 L/m²/dia na criança e > 2,5 L/m²/dia no lactente em dieta líquida.

Exames que o pediatra pede (mesmo dia se houver sintomas)

  • Glicemia capilar e fita urinária no consultório (glicosúria, cetonúria, densidade).
  • Sódio, potássio, cálcio, ureia, creatinina, glicemia, osmolalidade plasmática e urinária colhidas ao mesmo tempo, de preferência pela manhã após a noite sem beber de forma excessiva (sem restrição forçada).
  • Urina tipo 1; ultrassom renal se suspeita de uropatia ou nefropatia.
  • Se houver sinais sugestivos: TSH/T4 livre, IGF-1, cortisol matinal (outras deficiências hipofisárias).

Interpretação (PCDT 2018; AEP 2019)

  • Na > 145 mEq/L ou osmolalidade plasmática > 295 mOsm/kg com urina < 300 mOsm/kg (densidade < 1010): distúrbio da AVP confirmado — a prova de restrição hídrica é desnecessária e perigosa; segue-se direto ao teste com desmopressina, no hospital.
  • Urina concentrada: o PCDT encerra a prova quando a osmolalidade urinária passa de 600 mOsm/kg, e valores > 800 mOsm/kg praticamente excluem diabetes insípido.
  • Sódio normal-baixo com urina diluída sugere polidipsia primária, mas só a prova diferencia com segurança.

Prova de restrição hídrica (sempre hospitalar, supervisionada; AEP 2019)

  • Pesagem, diurese, sódio e osmolalidades seriados; duração variável (até 14 h nas poliúrias leves).
  • Interromper se perda de peso > 5%, sinais de hipovolemia, sede intolerável, osmolalidade plasmática > 300 mOsm/kg ou Na > 147 mEq/L, ou se a osmolalidade urinária estabilizar (variação < 30 mOsm/kg em três amostras horárias).
  • Então desmopressina e osmolalidade urinária seriada por até 4 h.
Resultado (osmolalidade urinária, mOsm/kg) Após restrição Após desmopressina
AVP-D completa < 300 > 750 ou aumento > 50%
AVP-D parcial 300–600 Aumento de 15–50%
AVP-R completa < 300 Aumento < 20%
AVP-R parcial < 600 Aumento < 45%
Normal ou polidipsia primária > 600 Aumento < 10%
  • Copeptina (fragmento estável do precursor da AVP): promissora, dosada em condições basais ou após estímulo, mas ainda em estudo e pouco disponível em pediatria (AEP 2019).

O que é do especialista: prova de restrição e teste da desmopressina; ressonância de hipotálamo e hipófise em toda AVP-D (ausência do brilho da neuro-hipófise em T1; espessamento de haste > 7 mm pode exigir biópsia se houver outros achados; germinoma pode não aparecer no início — ressonância seriada, a cada 4 meses nos 2 primeiros anos e anual nos 3 seguintes na forma idiopática; AEP 2019); avaliação dos demais eixos hipofisários; genética.

Diagnóstico diferencial que não pode passar

  • Diabetes mellitus/cetoacidose (glicemia capilar sempre).
  • Tumor selar ou germinoma e histiocitose.
  • Hipercalcemia, hipocalemia e doença renal (AVP-R adquirida).
  • Desidratação hipernatrêmica por oferta inadequada, erro de diluição de fórmula ou maus-tratos.
  • Polidipsia primária (não tratar com desmopressina: risco de intoxicação hídrica).

4.Tratamento e seguimento

Quem trata: o diagnóstico e o início da desmopressina são do endocrinologista pediátrico (nefrologista na AVP-R). O pediatra acompanha, ajusta junto com o especialista, orienta a família e conduz as intercorrências (vômitos, diarreia, febre, cirurgias).

AVP-D (central): desmopressina — análogo sintético da AVP, fornecida pelo SUS pelo PCDT de diabetes insípido.

Medicamento Dose Intervalo Duração Observação
Desmopressina solução/spray nasal Início 5 µg na criança (2,5 µg no recém-nascido); spray = 10 µg/jato (PCDT 2018); AEP: 2,5 µg nas crianças menores, 5 µg acima de 12 anos, à noite 1–2x/dia; titular (dose total em geral 4–8 vezes a inicial, em 2–3 tomadas; AEP) Por toda a vida na AVP-D permanente Absorção irregular com rinite/congestão. Na enurese a via nasal não é usada — indicação diferente
Desmopressina comprimido Início 0,05–0,1 mg (PCDT 2018); bula: 0,1 mg 3x/dia, faixa usual 0,1–0,2 mg 3x/dia; Johns Hopkins: 25 µg 12/12 h (1–11 anos) e 50 µg 12/12 h (≥ 12 anos) 2–3x/dia Contínua Equivalência aproximada: 1 µg parenteral = 10 µg nasal = 120 µg sublingual = 200 µg oral (AEP)
Desmopressina liofilizado sublingual 120 µg (AEP), titulado 2–3x/dia Contínua Útil quando a via nasal falha
Desmopressina injetável (SC/IV) < 1 ano: 0,2–0,4 µg; > 1 ano: 0,4–1 µg (bula) 1–2x/dia Hospitalar/pós-operatório Uso hospitalar, exclusivo do especialista; muitos serviços iniciam com doses bem menores (Johns Hopkins: 0,02–0,08 µg), sobretudo no lactente — risco de hiponatremia com a dose da bula
Hidroclorotiazida (AVP-R) 1–1,5 mg/kg/dose < 6 meses; 1 mg/kg/dose > 6 meses; máx. 50 mg/dose (AEP) 12/12 h Contínua Reduz a diurese em cerca de 40%; associada a dieta de baixa carga de solutos; amilorida e indometacina a critério do nefrologista

Regras de segurança com desmopressina

  • Beber conforme a sede, sem forçar líquidos; a hiponatremia é o principal risco (cefaleia, vômitos, sonolência, convulsão). Sódio < 130 mEq/L exige redução drástica da ingestão e contato com o especialista (bula).
  • Meta de sódio 137–145 mEq/L, com controle periódico (a cada 6–12 meses no paciente estável; PCDT 2018) e sempre que houver sintomas ou mudança de dose.
  • Nunca suspender a desmopressina por confusão com diabetes mellitus; em internação, avisar a equipe: "AVP-D — não é diabetes mellitus".
  • Em gastroenterite, febre ou jejum: vigiar diurese, peso e sódio; em hidratação venosa, a combinação de desmopressina com soro hipotônico pode causar hiponatremia grave.

Lactentes: preferir leite materno ou fórmulas de menor carga de solutos; na AVP-R, tiazídico e dieta de baixa carga renal de solutos; na AVP-D do lactente, desmopressina em doses muito pequenas, pelo especialista (AEP).

AVP-D adípsica (sem sede): volume de líquidos fixo diário, pesagem diária e sódio periódico (AEP) — é a forma de maior risco.

Pós-operatório de craniofaringioma: resposta trifásica — poliúria nas primeiras 24 h a 4–5 dias; fase de antidiurese com hiponatremia (5º–11º dia); depois AVP-D permanente (AEP). Exige controle hospitalar de diurese e sódio.

Hipernatremia — correção lenta (padrão do site; NICE NG29)

  • Tratar primeiro o choque (SF 0,9% 20 mL/kg), mesmo com sódio alto.
  • Calcular o déficit de água livre (4 mL/kg × [Na atual − 145]; 3 mL/kg se Na > 170) e corrigir em 48 h (48–72 h nas formas graves ou crônicas), com solução hipotônica planejada.
  • Queda máxima de 0,5 mEq/L por hora e de 10–12 mEq/L em 24 h; se Na ≥ 170 mEq/L ou hipernatremia crônica, no máximo 8 mEq/L/dia. O NICE (NG29) limita a queda a 12 mmol/L em 24 h.
  • Convulsão durante a correção = edema cerebral: NaCl 3% 3–5 mL/kg IV em 10–20 min e desacelerar a correção.
  • Na AVP-D, a desmopressina reduz a diurese de água livre — o sódio pode cair mais rápido do que o previsto: iniciar em dose baixa e recalcular a oferta hídrica.

O que não fazer: prova de restrição hídrica fora do hospital; restringir água na suspeita de diabetes insípido; desmopressina "de prova" na polidipsia primária; correção rápida de hipernatremia.

5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar

  • Glicemia capilar elevada com cetonúria, vômitos, dor abdominal ou taquipneia (cetoacidose).
  • Sódio > 150 mEq/L (ou > 145 mEq/L com sintomas), desidratação, febre sem foco com fraldas muito molhadas no lactente.
  • Lactente com suspeita de diabetes insípido (investigação e início de tratamento internados).
  • Criança que não consegue beber (vômitos, rebaixamento, dependência de cuidador) ou sem sede.
  • Poliúria com cefaleia, vômitos, alteração visual ou do nível de consciência (tumor, hipertensão intracraniana).
  • Pós-operatório ou pós-trauma craniano com poliúria.
  • Em uso de desmopressina: cefaleia intensa, vômitos, confusão, sonolência ou convulsão (hiponatremia).

Como encaminhar

  1. Glicemia capilar e fita urinária no consultório.
  2. Se sinais de choque: acesso venoso e SF 0,9% 20 mL/kg; não usar soluções hipotônicas em bólus.
  3. Permitir que a criança consciente beba água à vontade durante o transporte (salvo vômitos, rebaixamento ou uso recente de desmopressina com suspeita de hiponatremia).
  4. Na suspeita de hiponatremia por desmopressina: suspender a próxima dose, não oferecer água, posição lateral de segurança se convulsão; SAMU (192).
  5. Contato com o serviço; relatório com peso, diurese estimada, sódio e osmolalidades disponíveis, medicamentos e horário da última dose de desmopressina.

6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família

  • "Nunca deixe faltar água para a criança e nunca a proíba de beber enquanto investigamos."
  • "Anote por 2–3 dias tudo o que ela bebe e o xixi, inclusive à noite."
  • Com desmopressina: "Dê o remédio no horário combinado e deixe beber pela sede, sem insistir. Se ela ficar com dor de cabeça, enjoo, vômitos, muito sonolenta ou inchada, não dê mais água e procure atendimento."
  • "Em vômitos ou diarreia, a criança com diabetes insípido desidrata rápido: procure o serviço no mesmo dia."
  • "Leve sempre um cartão ou relatório dizendo: deficiência de vasopressina (diabetes insípido) — não é diabetes mellitus; não suspender a desmopressina."
  • Voltar antes se: sede e xixi aumentando, voltar a molhar a cama, emagrecimento, dor de cabeça, alteração da visão, parada do crescimento.
  • Pronto-socorro se: vômitos que impedem beber, criança muito irritada ou sonolenta, lábios secos e pouco xixi, convulsão, dor de cabeça forte com vômitos.

7.Comparação com as referências

Item SBP / MS / SBEM AAP / PES / Endocrine Society NICE (Oxford / Cambridge) AEP SIP / SIEDP Harvard / Johns Hopkins
Nomenclatura SBEM endossa AVP-D/AVP-R (2022); PCDT (2018) ainda usa "diabetes insípido" Endocrine Society endossa AVP-D/AVP-R Society for Endocrinology endossa; segue o NICE Protocolo 2019 usa "diabetes insípida" ESPE endossa; sem posição específica da SIP localizada JH usa "arginine vasopressin disorder" (2025)
Definição de poliúria > 2 L/m²/dia; > 100 mL/kg/dia (< 2 anos), > 50 mL/kg/dia (> 2 anos) Sem diretriz AAP específica Sem diretriz NICE específica > 2 L/m²/dia; > 2,5 L/m²/dia no lactente — JH (pacientes internados): > 3 mL/kg/h
Diagnóstico Osm plasmática > 295 ou Na > 145 com urina diluída; prova de restrição — Segue o NICE Dispensa a prova se Na > 145, Osm > 310 e urina < 300; critérios de parada explícitos — Na > 145 com urina < 300 ou Osm > 300
Desmopressina Nasal 5 µg (2,5 µg RN); oral 0,05–0,1 mg — Segue o NICE Nasal 2,5–5 µg; oral 200 µg; sublingual 120 µg; tabela de equivalência — Oral 25 µg (1–11 anos) ou 50 µg (≥ 12 anos) 12/12 h; SC 0,02–0,08 µg
Hipernatremia Site: ≤ 0,5 mEq/L/h, ≤ 10–12 mEq/L/24 h — NG29: queda ≤ 12 mmol/L em 24 h; eletrólitos a cada 4–6 h "Correção lenta" — Na > 155: reposição da diurese com SG 5%, sem exceder 6 mL/kg/h

Leitura: as referências convergem em afastar primeiro diabetes mellitus, hipercalcemia, hipocalemia e doença renal, em dispensar a prova de restrição quando já há hipernatremia com urina diluída, em fazer a prova só no hospital, na ressonância com vigilância prolongada e na desmopressina para a AVP-D. A nova nomenclatura (AVP-D/AVP-R) foi endossada por SBEM, ESPE e Endocrine Society, mas os protocolos brasileiro (2018) e espanhol (2019) ainda usam o termo antigo. As divergências são de detalhe: a faixa de doses iniciais (a AEP e o PCDT começam com 2,5–5 µg nasal; o protocolo de Johns Hopkins, com 25–50 µg orais a cada 12 h) e o limite de velocidade de queda do sódio (NICE 12 mmol/L em 24 h; o padrão do site é mais conservador nas formas graves). Não há diretriz específica da AAP, do NICE (além da NG29) ou da SIP; o Boston Children's não pôde ser acessado; Oxford e Cambridge seguem o NICE.

Pontos práticos
  1. Criança que bebe e urina muito: glicemia capilar e fita urinária na hora — diabetes mellitus primeiro.
  2. Colha sódio e osmolalidades plasmática e urinária ao mesmo tempo; Na > 145 ou Osm > 295 com urina < 300 mOsm/kg confirma o distúrbio sem prova de restrição.
  3. Nunca faça ou oriente restrição hídrica em casa; a prova é hospitalar.
  4. Toda deficiência de vasopressina (central) precisa de ressonância e seguimento de imagem — germinoma pode aparecer depois.
  5. Com desmopressina: beber pela sede; cefaleia, vômitos ou sonolência = checar sódio (hiponatremia).
  6. Hipernatremia: choque primeiro, depois correção em 48 h, com queda ≤ 0,5 mEq/L/h e ≤ 10–12 mEq/L/dia (≤ 8 mEq/L/dia se Na ≥ 170 ou crônica).

Veja também, nesta Biblioteca: Enurese noturna e Diarreia aguda e desidratação (Patologias do consultório); Detecção precoce do diabetes tipo 1 (Temas atualizados pela SBP); Tumores Cerebrais na Infância — Revisão (Oncologia); Deficiência de hormônio de crescimento e uso do GH (nesta área).

8.Fontes

  • Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas — Diabetes Insípido. Portaria Conjunta nº 2, de 10/01/2018. PDF (acervo SBP)
  • Arima H et al. / Working Group for Renaming Diabetes Insipidus. Changing the name of diabetes insipidus: a position statement. Endocrine Connections, 2022. ec.bioscientifica.com
  • AEP/SEEP. García García E. Diabetes insípida — Protocolos de Endocrinología Pediátrica, 2019. PDF
  • Johns Hopkins All Children's Hospital. Arginine Vasopressin Disorder (Diabetes Insipidus) Clinical Pathway, 2025. PDF
  • NICE. NG29 — Intravenous fluid therapy in children and young people in hospital (hipernatremia e hiponatremia). nice.org.uk
  • DDAVP (acetato de desmopressina) — bula. bula.com.br
  • Biblioteca do site: Aula de desidratação e distúrbios eletrolíticos (Estudantes e residentes) — regra de correção da hipernatremia.