Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF
O diabetes tipo 1 (DM1) é doença autoimune crônica com deficiência absoluta de insulina, e no Brasil cerca de 40% dos casos ainda são diagnosticados em cetoacidose (SBD). Toda criança com poliúria, polidipsia, perda de peso, enurese secundária ou fraldas muito pesadas precisa de glicemia capilar na hora, sem esperar exames de laboratório. Glicemia casual ≥ 200 mg/dL com sintomas confirma o diagnóstico (ISPAD 2022; SBP DC nº 37, 2023). Suspeita de DM1 não é encaminhamento eletivo: a criança deve ser avaliada pela equipe de diabetes no mesmo dia (NICE NG18), e a insulina deve começar em até 6 horas se houver cetose (ISPAD). Com vômitos, dor abdominal, taquipneia, desidratação ou sonolência, o destino é o pronto-socorro (🔴). No seguimento compartilhado, o pediatra reforça as metas (HbA1c < 7%; tempo no alvo > 70%), as regras de dias de doença (nunca suspender a insulina) e os rastreios de tireoide, doença celíaca e complicações. O teplizumabe (estágio 2, ≥ 8 anos) foi aprovado pela ANVISA em 2026, mas não está no SUS.
1.O que é e como se apresenta
- Definição: destruição autoimune das células beta, com dependência de insulina por toda a vida. O Brasil é o 4º país em número de casos (cerca de 100 mil pessoas < 20 anos; SBP DC nº 55, 2026), e cerca de 90% não têm história familiar.
- Estadiamento (SBP DC nº 55; ISPAD 2024; ADA):
- Estágio 1: ≥ 2 autoanticorpos (anti-GAD, anti-IA2, anti-insulina, anti-ZnT8) com glicemia normal.
- Estágio 2: ≥ 2 autoanticorpos com disglicemia (glicemia de jejum 100–125 mg/dL, 2 h no TOTG 140–199 mg/dL ou HbA1c 5,7–6,4%).
- Estágio 3: doença clínica (critérios diagnósticos de diabetes), com ou sem sintomas.
- Quadro clínico do estágio 3: poliúria, polidipsia, polifagia e perda de peso; noctúria ou enurese secundária; cansaço; candidíase genital; no lactente, sede intensa, irritabilidade e fraldas pesadas com trocas frequentes (SBP DC nº 37). Em crianças pequenas a progressão é rápida e a primeira apresentação pode ser a cetoacidose.
- Remissão parcial ("lua de mel"): a necessidade de insulina cai (< 0,5 U/kg/dia) nas primeiras semanas a meses, sem "cura".
2.Classificação de gravidade
| Gravidade | Critérios clínicos | Conduta |
|---|---|---|
| 🟢 Leve | DM1 em acompanhamento, criança bem, sem cetose; HbA1c na meta ou próxima; hipoglicemias leves ocasionais | Seguimento compartilhado; equipe a cada 3 meses; puericultura, vacinas e rastreios no pediatra |
| 🟡 Moderada | Suspeita de DM1 recém-diagnosticado em criança bem, sem vômitos e sem cetose importante; DM1 conhecido com HbA1c persistentemente acima da meta, hipoglicemias recorrentes ou noturnas, cetose leve em dia de doença (cetonemia < 1,5 mmol/L) que responde à insulina extra; sofrimento psíquico ou transtorno alimentar | Recém-diagnosticado: encaminhar no mesmo dia à equipe de diabetes (não é eletivo). DM1 conhecido: contato com a equipe no mesmo dia, reavaliação em 24–48 h e retorno prioritário ao endocrinologista em até 2 semanas |
| 🔴 Grave | Vômitos, dor abdominal, desidratação, taquipneia ou respiração de Kussmaul, hálito cetônico, sonolência ou confusão; cetonemia ≥ 1,5 mmol/L que não cai com insulina extra e hidratação; hipoglicemia grave (convulsão, inconsciência); lactente ou pré-escolar com hiperglicemia e cetose | Pronto-socorro/hospital — suspeita de cetoacidose (ver "Como encaminhar" e o documento Cetoacidose diabética) |
Fatores de risco que elevam a gravidade
- Idade < 5 anos (progressão rápida, sintomas pouco claros, mais edema cerebral na cetoacidose); diagnóstico tardio, vômitos atribuídos a "virose".
- Omissão de insulina (adolescentes) e falha de bomba (sem insulina de longa ação, a cetose se instala em poucas horas).
- Vulnerabilidade social, falta de tiras, sensores ou geladeira; família sem treinamento; depressão, transtorno alimentar, álcool e drogas.
- Autoimunidade não diagnosticada (hipotireoidismo, doença celíaca, insuficiência adrenal).
3.Diagnóstico no consultório
O que é clínico: a suspeita. A glicemia capilar na hora orienta o encaminhamento: sintomas com glicemia alta = encaminhar no mesmo dia, sem esperar laboratório (SBP DC nº 55). Verificar cetonemia ou cetonúria se disponível.
Critérios diagnósticos (ISPAD 2022; SBP DC nº 37)
| Exame | Diabetes |
|---|---|
| Glicemia casual com sintomas clássicos | ≥ 200 mg/dL |
| Glicemia de jejum (≥ 8 h) | ≥ 126 mg/dL |
| TOTG (1,75 g/kg, máx. 75 g), 2 h | ≥ 200 mg/dL |
| HbA1c (método certificado) | ≥ 6,5% |
- Na criança sintomática, um único valor alterado confirma; não fazer TOTG nem esperar HbA1c. Sem sintomas, repetir o teste para confirmar. O glicosímetro sozinho não fecha o diagnóstico (ISPAD), mas é suficiente para encaminhar.
- No serviço de referência: gasometria, eletrólitos, cetonemia, HbA1c, autoanticorpos (anti-GAD, anti-IA2, anti-insulina, anti-ZnT8), TSH, anti-TPO, antitransglutaminase IgA e IgA total.
Diagnóstico diferencial que não pode passar
- Cetoacidose mascarada de gastroenterite, pneumonia ou abdome agudo: toda criança com vômitos e taquipneia sem causa clara merece glicemia capilar.
- Diabetes tipo 2 (adolescente com obesidade e acantose — mas 10–20% dos jovens com fenótipo de DM2 têm autoanticorpos, ISPAD) — ver documento DM2 desta Biblioteca.
- Diabetes monogênico (ISPAD): autoanticorpos negativos com diagnóstico antes de 6–12 meses, herança autossômica dominante, hiperglicemia de jejum leve e estável em criança sem obesidade, ou "lua de mel" prolongada (> 1 ano, insulina ≤ 0,5 U/kg/dia).
- Hiperglicemia de estresse, corticoide, fibrose cística; poliúria sem hiperglicemia (diabetes insípido, polidipsia primária).
4.Tratamento e seguimento
Divisão de tarefas. O endocrinologista pediátrico e a equipe definem insulina, contagem de carboidratos e tecnologia. O pediatra suspeita, encaminha no mesmo dia, acompanha crescimento, puberdade, vacinas e saúde mental, reforça metas, faz os rastreios e reconhece a descompensação.
Insulinas e doses de referência (ISPAD 2022; PCDT DM1 — Portaria Conjunta nº 17/2019)
| Medicamento | Dose | Intervalo | Duração | Observação |
|---|---|---|---|---|
| Dose diária total (DDT) | Remissão parcial < 0,5 U/kg/dia; pré-púberes 0,7–1,0 U/kg/dia; puberdade 1–2 U/kg/dia | Basal 30–50% da DDT; restante em bolus prandiais e correções | Contínuo | Valores de referência (ISPAD); a dose inicial é do especialista |
| Insulina NPH (humana) | Parte basal da DDT | 2–3 vezes ao dia | Contínuo | SUS (Atenção Primária); em migração para glargina no SUS em 2026 |
| Insulina regular (humana) | Bolus prandial | 20–30 min antes das refeições | Contínuo | SUS (Atenção Primária) |
| Análogos de ação rápida (lispro, asparte, glulisina) | Bolus prandial e correção | Imediatamente antes da refeição | Contínuo | SUS pelo Componente Especializado (CEAF), com critérios do PCDT |
| Glargina U100 | Parte basal da DDT | 1 vez ao dia, horário fixo | Contínuo | A partir de 2 anos (PCDT); na APS para DM1 de 2 a 17–18 anos (MS, NT nº 26/2026 e NT conjunta nº 169/2026) |
| Detemir, degludeca, glargina U300 | Parte basal da DDT | Detemir 1–2 vezes; degludeca e U300 1 vez ao dia | Contínuo | Detemir e degludeca ≥ 1 ano; U300 ≥ 6 anos (PCDT) |
| Glucagon (resgate) | 0,5 mg se < 25 kg; 1 mg se ≥ 25 kg | Dose única IM/SC | Resgate | Toda família deve ter e saber usar (ver documento Hipoglicemia na criança) |
- Troca de NPH por glargina (MS, NT conjunta nº 169/2026): NPH em dose única → 1:1; NPH em múltiplas doses → reduzir cerca de 20% da dose total; titular pela glicemia de jejum a cada 3 dias, sob orientação da equipe.
- Esquema preferido: basal-bolus (múltiplas doses) ou sistema de infusão contínua (bomba). A SBD recomenda bomba como método preferencial abaixo de 7 anos (quando acessível); sistemas automatizados (alça fechada híbrida) reduzem hipoglicemia e aumentam o tempo no alvo — indicação do especialista.
Metas (ISPAD 2022; SBD 2026)
| Parâmetro | Meta |
|---|---|
| HbA1c | < 7% (SBD, classe I); flexível < 7,5% com hipoglicemia grave ou assintomática ou sem acesso a tecnologia (SBD) |
| Tempo no alvo (70–180 mg/dL) | > 70% |
| Tempo abaixo do alvo | < 4% abaixo de 70 mg/dL; < 1% abaixo de 54 mg/dL |
| Coeficiente de variação | ≤ 36% |
| Glicemia capilar (SBD) | Jejum e pré-refeição 70–130 mg/dL; 2 h pós-refeição < 180 mg/dL; ao deitar 90–150 mg/dL |
- HbA1c a cada 3 meses; sem sensor, glicemia capilar ≥ 6 vezes ao dia (ISPAD).
- CGM: a SBD recomenda para todas as idades e o NICE oferece a todas as crianças; no SUS, depende de protocolos locais ou da via judicial.
Dias de doença (ISPAD 2022; SBD 2026)
- Nunca suspender a insulina basal, mesmo sem comer; a dose pode subir ou descer, nunca parar.
- Glicemia a cada 1–2 h (ISPAD) ou 2–4 h (SBD); cetonas a cada 1–2 h até < 0,6 mmol/L (cetonemia é preferível à cetonúria).
- Insulina extra conforme a cetonemia (SBD): 0,7–1,4 mmol/L → + 5% da DDT (ou 0,05 U/kg); 1,5–2,9 mmol/L → + 10% da DDT (ou 0,1 U/kg; 10–20% na ISPAD); ≥ 3,0 mmol/L → + 20–50% da DDT (ou 0,2 U/kg) e avaliação de emergência. Dose e insulina a usar são as do plano escrito da equipe.
- Líquidos em pequenos volumes a cada 5–10 min. Gastroenterite com glicemia baixa: reduzir a DDT em 20–50% e considerar minidose de glucagon (ISPAD: ≤ 2 anos 20 µg; ≥ 3 anos 10 µg por ano de idade, máx. 150 µg, SC).
- Febre (axilar ≥ 37,5 °C) eleva a glicemia; antitérmico conforme o padrão da Biblioteca, sem alternar.
Rastreio de comorbidades e complicações (ISPAD 2022)
| Condição | Quando começar | Frequência |
|---|---|---|
| Tireoidite (TSH, anti-TPO) | Ao diagnóstico, após estabilização | A cada 2 anos; anual se anticorpos positivos ou bócio |
| Doença celíaca (antitransglutaminase IgA + IgA total; IgG se deficiência de IgA) | Ao diagnóstico | Novamente com 2 e 5 anos de doença; antes se sintomas ou parente de 1º grau afetado |
| Pressão arterial | Toda consulta | < 13 anos: ≥ p95 = hipertensão; ≥ 13 anos: ≥ 130/80 mmHg |
| Perfil lipídico | 11 anos (2 anos se hipercolesterolemia familiar) | A cada 3 anos se normal; LDL alvo < 100 mg/dL |
| Albuminúria (relação albumina/creatinina, 1ª urina) | 11 anos ou puberdade, com 2–5 anos de doença | Anual; confirmar em 2 de 3 amostras em 3–6 meses |
| Retinopatia (fundo de olho sob midríase) | 11 anos ou puberdade, com 2–5 anos de doença | A cada 2–3 anos |
| Neuropatia (sensibilidade, vibração, reflexos) | 11 anos ou puberdade, com 2–5 anos de doença | Anual |
| Insuficiência adrenal | Se hipoglicemias frequentes, queda inexplicada da dose, hiperpigmentação | — |
- Em toda consulta: crescimento, IMC, puberdade, locais de aplicação (lipo-hipertrofia) e saúde mental; vacinas do calendário e influenza anual.
- Estágios 1 e 2: seguir o documento Detecção precoce do diabetes tipo 1 (SBP DC nº 55). Teplizumabe: ANVISA (março de 2026), ≥ 8 anos no estágio 2, infusão IV por 14 dias em centro treinado; fora do SUS; incorporado no NHS (NICE TA1176, 2026).
O que não fazer: suspender a insulina em dia de doença; trocar insulina por "dieta" ou fitoterápicos; usar antidiabéticos orais no DM1; atrasar o encaminhamento para pedir exames; proibir atividade física.
5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar
- Suspeita de DM1 com vômitos, dor abdominal, desidratação, taquipneia, hálito cetônico, sonolência ou confusão.
- Criança < 5 anos com hiperglicemia e cetose, mesmo aparentemente bem.
- DM1 conhecido com cetonemia ≥ 1,5 mmol/L que não cai com insulina extra, ou ≥ 3,0 mmol/L; vômitos persistentes (> 2 h em < 5 anos, ISPAD); glicemia que sobe apesar da insulina extra ou que não se mantém acima de 70 mg/dL.
- Hipoglicemia grave (convulsão, inconsciência), mesmo recuperada com glucagon, se sem causa clara ou sem adulto capaz de vigiar.
Como encaminhar
- Glicemia capilar e cetonemia (ou cetonúria); pesar a criança.
- Não dar insulina no consultório a criança recém-diagnosticada; DM1 conhecido pode aplicar a correção prevista no plano da equipe.
- Desidratação ou má perfusão com demora no transporte: acesso venoso e soro fisiológico 0,9% 10–20 mL/kg em 20–30 min (ISPAD), sem hiper-hidratar; oxigênio se SpO2 baixa ou choque.
- Rebaixamento de consciência: posição lateral de segurança, via aérea, acionar o SAMU (192).
- Hipoglicemia grave: glucagon IM antes de transportar.
- Contato telefônico com o serviço de destino; relatório com glicemias, cetonas, doses de insulina e horário da última aplicação.
6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família
- "Diabetes tipo 1 não é culpa de ninguém e não vem de comer doce. O corpo parou de produzir insulina, e a insulina será para sempre."
- "Nunca pare a insulina basal, mesmo se a criança estiver doente ou sem comer. Meça glicose e cetona e ligue para a equipe."
- "Tenha sempre açúcar de ação rápida e glucagon em casa, na escola e nos passeios; ensine a escola a reconhecer e tratar hipoglicemia."
- "Insulina de estoque na geladeira, nunca no congelador; faça rodízio dos locais de aplicação."
- Procure o pronto-socorro se: vômitos repetidos, dor de barriga forte, respiração rápida ou funda, hálito de fruta, sonolência ou confusão; cetona no sangue acima de 1,5 que não baixa; glicose que não sobe acima de 70 mesmo com açúcar; convulsão ou desmaio.
7.Comparação com as referências
| Item | SBP / MS (e SBD) | ADA / ISPAD | NICE (Oxford / Cambridge) | AEP | SIP | Harvard / Johns Hopkins |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Suspeita clínica | Glicemia na hora; encaminhar sem esperar exames (SBP DC 37 e 55) | Insulina em até 6 h se cetose (ISPAD) | Encaminhar no mesmo dia à equipe pediátrica de diabetes | Protocolos SEEP/AEP; > 1/3 em cetoacidose | Rastreio populacional por lei (2023) | Centros TrialNet; programa de estágio precoce (Johns Hopkins) |
| Meta de HbA1c | < 7% (SBD); PCDT 2019 < 7,5% | < 7% (ISPAD 2022; ADA) | ≤ 6,5% (48 mmol/mol) | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada |
| Tempo no alvo e CGM | TIR > 70%; CGM em todas as idades (SBD); fora do padrão SUS | TIR > 70%, < 4% abaixo de 70; CGM e sistemas automatizados (ADA) | rtCGM oferecido a todos | — | — | — |
| Insulinas | NPH/regular na APS; análogos no CEAF; glargina na APS 2–17/18 anos (2026) | Análogos preferidos; regular/NPH onde não há acesso (ISPAD) | Basal-bolus ou bomba | — | — | — |
| Teplizumabe | ANVISA (2026); fora do SUS | FDA ≥ 8 anos, estágio 2 | NHS (TA1176, 2026) | EMA (2026), preço pendente | EMA; AIFA pendente | Oferecido (Boston Children's e Johns Hopkins) |
Leitura: há concordância no essencial — glicemia imediata, encaminhamento no mesmo dia, basal-bolus, tempo no alvo e rastreios. As divergências são de meta e de acesso: o NICE é o mais estrito (HbA1c ≤ 6,5%), a ISPAD, a ADA e a SBD adotam < 7%, e o PCDT do Ministério da Saúde, de 2019, ainda usa < 7,5%. O Reino Unido garante CGM e já incorporou o teplizumabe; no Brasil ambos dependem de acesso privado ou judicial, e o SUS avança com a glargina na Atenção Primária (2026). Oxford e Cambridge seguem o NICE; de Harvard e Johns Hopkins, só localizamos os programas de atendimento.
- Poliúria, polidipsia, perda de peso ou enurese secundária: glicemia capilar na hora. Alta com sintomas = encaminhamento no mesmo dia, sem TOTG e sem esperar laboratório.
- Vômitos, taquipneia ou sonolência em criança com hiperglicemia é cetoacidose até prova em contrário: pronto-socorro, sem insulina no consultório.
- Doses de referência (ISPAD): < 0,5 U/kg/dia na remissão, 0,7–1,0 antes da puberdade, 1–2 na puberdade; o ajuste é da equipe.
- Metas: HbA1c < 7%, tempo no alvo > 70% e < 4% abaixo de 70 mg/dL; HbA1c a cada 3 meses.
- Dia de doença: nunca suspender a insulina basal; cetona a cada 2 h; ≥ 1,5 mmol/L que não cai = serviço de urgência.
- Rastreie TSH e anti-TPO a cada 2 anos, doença celíaca ao diagnóstico e com 2 e 5 anos de doença, e lipídios, albuminúria, retina e neuropatia a partir dos 11 anos ou da puberdade.
Veja também, nesta Biblioteca: Detecção precoce do diabetes tipo 1 — rastreio de autoanticorpos e estadiamento (Temas atualizados pela SBP); Cetoacidose diabética; Hipoglicemia na criança (fora do período neonatal); Diabetes tipo 2 e resistência à insulina no adolescente; Poliúria e polidipsia — diabetes insípido; Obesidade e risco cardiometabólico (Patologias do consultório).
8.Fontes
- Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento de Endocrinologia. Diabetes melito tipo 1 na criança e no adolescente — orientações para o pediatra. Documento Científico nº 37, 2023. PDF
- SBP, Departamento de Endocrinologia. Documentos científicos (inclui DC nº 55, 2026). sbp.com.br
- Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Diabete Melito Tipo 1 — Portaria Conjunta nº 17, 2019. gov.br
- Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 26/2026 — migração de insulina NPH para glargina (projeto-piloto), 2026. PDF
- Sociedade Brasileira de Diabetes. Ministério da Saúde amplia acesso à insulina glargina no SUS (NT conjunta nº 169/2026), 2026. diabetes.org.br
- Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretriz 2026 — Metas de controle glicêmico; Peculiaridades da criança com DM1; Dias de doença; DM1 no SUS
- ISPAD Clinical Practice Consensus Guidelines 2022 (português): cap. 1, cap. 8, cap. 9, cap. 13, cap. 18, cap. 19 (classificação, metas, insulina, dias de doença, complicações e doenças associadas)
- NICE. NG18 — Diabetes (type 1 and type 2) in children and young people, atualizado em 2025. nice.org.uk
- American Diabetes Association. Standards of Care in Diabetes 2026, seção 14 (não acessada; posições conforme o documento de detecção precoce desta Biblioteca).
- Oxford Handbook of Paediatrics, 3ª ed., 2021 (obra de referência).