Endocrinologia pediátrica · Adrenal, gônadas e desenvolvimento sexual

Insuficiência adrenal e hiperplasia adrenal congênita

Triagem neonatal da hiperplasia adrenal congênita pela 17-OH-progesterona, reconhecimento da crise adrenal, hidrocortisona de manutenção e de estresse, dose de emergência, cartão de emergência e insuficiência adrenal secundária ao uso de corticoide

Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF

Em resumo

A hiperplasia adrenal congênita (HAC) por deficiência de 21-hidroxilase (> 95% dos casos) é rastreada no teste do pezinho pela 17-OH-progesterona (17-OHP). Resultado muito alterado (≥ 2 vezes o ponto de corte) é convocação imediata: exame da genitália, sódio e potássio, 17-OHP sérica e cortisol — a crise perdedora de sal costuma surgir entre o 8º e o 15º dia de vida (SBP 2019), e o menino, com genitália normal, só é reconhecido pela triagem ou pela crise. Prematuridade e estresse causam falso-positivo; corticoide antenatal, falso-negativo. O tratamento é contínuo: hidrocortisona 10–15 mg/m²/dia em 3 tomadas na HAC (cerca de 8 mg/m²/dia na insuficiência adrenal primária), fludrocortisona e sal no lactente perdedor de sal. Em doença febril, vômitos, trauma ou cirurgia, dobrar ou triplicar a dose; se não conseguir tomar pela boca, hidrocortisona IM e pronto-socorro. Na crise adrenal (vômitos, prostração, hipotensão, hiponatremia, hipercalemia, hipoglicemia): hidrocortisona 50–100 mg/m² IV ou IM imediatamente, soro fisiológico 20 mL/kg e glicose — nunca esperar exames. Toda criança em reposição precisa de cartão de emergência e de hidrocortisona injetável em casa.

1.O que é e como se apresenta

Insuficiência adrenal primária (falência da suprarrenal: falta de cortisol e, em geral, de aldosterona)

  • HAC — a causa mais comum na infância. Forma clássica perdedora de sal (a mais grave), virilizante simples e forma não clássica (tardia).
  • Adrenalite autoimune (doença de Addison, isolada ou em síndrome poliglandular), adrenoleucodistrofia ligada ao X (menino com insuficiência adrenal: dosar ácidos graxos de cadeia muito longa), hipoplasia adrenal congênita, hemorragia adrenal (sepse meningocócica), infecções, fármacos.

Insuficiência adrenal secundária/terciária (falta de ACTH ou CRH: cortisol baixo, aldosterona preservada)

  • Supressão do eixo por corticoide exógeno — hoje a causa mais frequente (AEP): corticoide sistêmico prolongado (mais de 2–4 semanas nos últimos 12 meses é o grupo de risco citado pelo Royal Children's Hospital de Melbourne), altas doses de corticoide inalatório, nasal ou tópico potente.
  • Hipopituitarismo: tumores selares (craniofaringioma), cirurgia, radioterapia craniana, malformações de linha média, displasia septo-óptica.

Quadro clínico

  • RN com HAC perdedora de sal: na menina, virilização da genitália (clitoromegalia a aspecto masculino, sem gônadas palpáveis); no menino, genitália normal. Entre a 1ª e a 4ª semana: sucção fraca, vômitos, perda de peso, desidratação hiponatrêmica, hipercalemia, acidose, hipoglicemia, choque.
  • Criança maior: cansaço, fraqueza, anorexia, perda de peso, náuseas, vômitos, dor abdominal, tontura postural, desejo por sal, hiperpigmentação de dobras, cicatrizes, gengivas e mamilos (só na forma primária), hipoglicemia de jejum. O quadro é insidioso até que uma infecção precipite a crise.
  • HAC não clássica: pubarca precoce, aceleração do crescimento e da idade óssea, acne, hirsutismo e irregularidade menstrual na adolescente.
  • Tríade bioquímica da crise primária: sódio baixo, potássio alto e glicose baixa (RCH Melbourne).

2.Classificação de gravidade

Gravidade Critérios clínicos Conduta
🟢 Leve Criança com insuficiência adrenal ou HAC já diagnosticada, bem, em reposição; doença leve com febre, aceitando medicação e líquidos pela boca, sem vômitos Pediatra: dose de estresse oral (dobrar ou triplicar a hidrocortisona) até 24 h sem sintomas; reavaliar em 24–48 h; manter seguimento com endocrinologista
🟡 Moderada 17-OHP moderadamente elevada no pezinho (entre o corte e 2 vezes o corte) em RN bem; pubarca precoce ou virilização (suspeita de HAC não clássica); suspeita clínica de insuficiência adrenal em criança estável (cansaço, perda de peso, hiperpigmentação, desejo por sal); uso prolongado de corticoide com sintomas vagos Nova amostra do pezinho ou exames séricos em poucos dias; endocrinologia pediátrica prioritária (dias a 2 semanas); na suspeita de insuficiência adrenal, orientar a família para os sinais de crise enquanto aguarda
🔴 Grave 17-OHP ≥ 2 vezes o corte; RN com genitália atípica e gônadas não palpáveis; vômitos, recusa alimentar, perda de peso, letargia; hiponatremia, hipercalemia, hipoglicemia, acidose; hipotensão, choque, rebaixamento de consciência; paciente em reposição que vomita ou não consegue tomar a medicação Pronto-socorro/hospital: hidrocortisona IM ou IV antes do transporte, acesso venoso, soro fisiológico, glicemia capilar e glicose, monitorização cardíaca

Fatores de risco que elevam a gravidade

  • Idade < 1 ano (RN e lactente descompensam em horas).
  • Sexo masculino com HAC (sem pista genital — depende da triagem).
  • Gastroenterite com vômitos, febre alta, sepse, cirurgia, trauma.
  • Falta de hidrocortisona injetável em casa ou família sem treinamento.
  • Deficiências hipofisárias associadas (hipoglicemia mais grave).
  • Diagnóstico não conhecido pelo serviço de emergência (falta do cartão).

3.Diagnóstico no consultório

Teste do pezinho com 17-OHP alterada (MS 2015; SBP 2019)

  • Coleta ideal entre o 3º e o 5º dia (mínimo 48 h). Pontos de corte pelo percentil 99 por faixa de peso ao nascer.
  • Entre o corte e 2 vezes o corte: nova amostra em papel-filtro.
  • ≥ 2 vezes o corte: convocação imediata — exame clínico (genitália: gônadas palpáveis? hipospadia? clitoromegalia?), peso comparado ao nascimento, estado de hidratação, sódio, potássio e glicemia, 17-OHP sérica, cortisol, androstenediona e testosterona (MS 2015).
  • Falso-positivo: cerca de 70% por prematuridade e/ou baixo peso (SBP 2019), além de estresse perinatal. Falso-negativo: coleta antes de 48 h, corticoide materno nos 15 dias antes do parto, transfusão, corticoide no RN.
  • A Endocrine Society (2018) recomenda triagem universal com cortes estratificados pela idade gestacional e 2ª etapa por espectrometria de massa (LC-MS/MS) para reduzir falsos-positivos.
  • Genitália atípica: não definir o sexo de criação às pressas; cariótipo, eletrólitos seriados e equipe especializada; não dar alta com simples encaminhamento (veja Genitália atípica ao nascimento).

Suspeita de insuficiência adrenal fora do período neonatal

  • Cortisol e ACTH pela manhã (por volta das 8 h), com sódio, potássio e glicemia; renina se suspeita de forma primária.
  • Não atrase o tratamento de uma criança instável para colher exames: se possível colha cortisol e ACTH no momento da punção, mas a hidrocortisona vem primeiro.
  • Confirmação com teste de estímulo com ACTH (tetracosactídeo) no especialista — dose de 250 mcg a partir de 2 anos, 125 mcg abaixo de 2 anos e 15 mcg/kg no lactente (Endocrine Society 2016).
  • HAC não clássica (pubarca precoce): 17-OHP basal pela manhã, na fase folicular nas meninas púberes; a AEP considera > 10 ng/mL diagnóstico e < 2 ng/mL excludente, com teste de ACTH nos valores intermediários.

Diagnóstico diferencial que não pode passar: estenose hipertrófica do piloro (alcalose hipoclorêmica com potássio baixo, e não alto), sepse, gastroenterite com desidratação, pseudo-hipoaldosteronismo, uropatia obstrutiva com infecção urinária, erros inatos do metabolismo.

4.Tratamento e seguimento

O que é do especialista: confirmação diagnóstica, ajuste fino das doses pela 17-OHP, androstenediona, renina, crescimento e idade óssea (Endocrine Society 2018), decisões sobre genitália e cirurgia, aconselhamento genético.

O que é do pediatra: garantir que a família tenha hidrocortisona oral e injetável, cartão de emergência e plano escrito de dias de doença; aplicar a dose de estresse; reconhecer a crise; acompanhar crescimento, pressão arterial, peso e sinais de excesso de corticoide (ganho de peso, desaceleração do crescimento, estrias) e de dose insuficiente (virilização, avanço da idade óssea, cansaço).

Medicamentos

Medicamento Dose Intervalo Duração Observação
Hidrocortisona — manutenção na HAC 10–15 mg/m²/dia (Endocrine Society 2018; MS 2015; SBP 2019) Dividida em 3 tomadas Contínua Evitar suspensões orais e glicocorticoides potentes de longa ação (dexametasona) na criança em crescimento (Endocrine Society)
Hidrocortisona — manutenção na insuficiência adrenal primária ~8 mg/m²/dia (Endocrine Society 2016; AEP) 3–4 tomadas Contínua Secundária: doses iguais ou menores, conforme especialista
Fludrocortisona 0,05–0,2 mg/dia (Endocrine Society; MS); RN e lactente perdedor de sal frequentemente 0,1–0,2 mg/dia (SBP) 1–2 tomadas Contínua Não aumentar na dose de estresse
Cloreto de sódio (lactente perdedor de sal) 1–2 g/dia (17–34 mEq/dia) Dividido entre as mamadas, diluído Primeiro ano Leite materno e fórmulas têm pouco sódio
Dose de estresse oral 2–3 vezes a dose de manutenção (MS, SBP, AEP, Endocrine Society) — ou ~30 mg/m²/dia em 4 tomadas (BSPED) A cada 6 h durante a doença Até 24 h sem sintomas Gatilhos: febre (Endocrine Society 2018 na HAC e MS usam ≥ 38,5 °C; Endocrine Society 2016 na IA primária: > 38 °C dobrar, > 39 °C triplicar; a SBP já recomenda aumentar na febre abaixo desse valor; AEP > 38 °C), vômitos, diarreia, trauma, procedimento
Hidrocortisona IM/IV de emergência 50–100 mg/m² (Endocrine Society; MS). Por idade: lactente e pré-escolar 25 mg, escolar 50 mg, adolescente 100 mg (SBP 2019); < 1 ano 25 mg, 1–5 anos 50 mg, ≥ 6 anos 100 mg (BSPED/NICE); máx. 100 mg Dose única imediata — Aplicar em casa ou no consultório se vômitos, recusa da medicação oral, prostração ou sinais de choque — e seguir para o PS
Hidrocortisona IV após o bólus 50–100 mg/m²/dia A cada 6 h ou infusão contínua Até estabilizar; depois reduzir para a dose oral de estresse Endocrine Society 2016; MS 2015

Medidas de suporte e o que não fazer

  • Soro fisiológico 0,9% 20 mL/kg em bólus, repetido conforme a resposta (até 60 mL/kg na primeira hora no choque — Endocrine Society 2016); corrigir hipoglicemia com glicose IV conforme o protocolo do serviço (ex.: soro glicosado a 10% 2–5 mL/kg, RCH Melbourne).
  • A hipercalemia costuma ceder com hidrocortisona e soro; tratar com as medidas habituais se houver alteração no ECG.
  • Não suspender corticoide abruptamente após uso prolongado; não usar dexametasona como reposição de manutenção na criança; não aumentar a fludrocortisona em doenças; não esperar confirmação laboratorial para dar hidrocortisona na suspeita de crise.
  • Corticoide prolongado por outra doença: retirada gradual e, se houver suspeita de supressão do eixo, cobertura de estresse e avaliação com o especialista.

5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar

  • RN com 17-OHP ≥ 2 vezes o corte e qualquer sinal clínico (perda de peso, vômitos, sucção fraca) ou sódio baixo/potássio alto.
  • Genitália atípica com gônadas não palpáveis.
  • Criança em reposição com vômitos, diarreia importante, recusa da medicação, prostração, sonolência, palidez, extremidades frias, hipotensão, convulsão ou hipoglicemia.
  • Trauma importante, queimadura, fratura, necessidade de cirurgia ou sedação.
  • Suspeita de insuficiência adrenal não diagnosticada com hipotensão, hiponatremia, hipercalemia ou hipoglicemia.

Como encaminhar

  1. Hidrocortisona IM (ou IV) imediatamente, na dose por idade ou 50–100 mg/m² (máx. 100 mg) — se o frasco da família estiver disponível, use-o.
  2. Glicemia capilar; se hipoglicemia, glicose IV; acesso venoso com soro fisiológico 20 mL/kg.
  3. Monitorização cardíaca se hipercalemia; oxigênio se choque.
  4. Contato com o serviço de destino, informando "insuficiência adrenal em crise"; transporte em ambulância (SAMU 192) se instável.
  5. Enviar o cartão de emergência, o relatório com o diagnóstico, as doses em uso e o que foi aplicado (horário e dose).

6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família

  • "A hidrocortisona substitui um hormônio vital; nunca pode faltar."
  • Andar sempre com o cartão de emergência (ou pulseira/colar) e com a hidrocortisona injetável; a escola e os cuidadores devem conhecer o plano.
  • Regra dos dias de doença: febre, vômito isolado, diarreia ou machucado — dobrar ou triplicar a dose, a cada 6 h, conforme o plano escrito do endocrinologista, até 24 h sem sintomas.
  • Se vomitar a dose, não conseguir tomar, ficar muito mole, sonolento, pálido ou frio: aplicar a injeção de hidrocortisona e ir ao pronto-socorro. Na dúvida, aplique: uma dose extra de hidrocortisona raramente causa dano; a crise pode matar.
  • Lactente perdedor de sal: dar o sal diluído todos os dias; pesar com frequência.
  • Nunca suspender corticoide por conta própria, inclusive o de uso prolongado para asma, nefrose ou outras doenças.
  • Retorno ao endocrinologista nas datas marcadas (crescimento, pressão, exames); renovar a receita e verificar a validade da ampola.

7.Comparação com as referências

Item SBP / MS (SBEM) Endocrine Society (EUA) NICE / BSPED (Oxford / Cambridge) AEP SIP / SIEDP Harvard / Johns Hopkins
Triagem neonatal de HAC Universal (PNTN); 17-OHP por peso ao nascer (p99); ≥ 2x corte = urgência Universal; cortes por idade gestacional; 2ª etapa LC-MS/MS Sem triagem neonatal de HAC no Reino Unido Triagem após 48 h; cortes por sexo e idade gestacional Sem posição específica localizada; experiência regional publicada (Nordeste da Itália, com LC-MS/MS) Sem posição específica localizada
Manutenção HAC 10–15 mg/m²/dia ÷ 3; fludrocortisona 0,05–0,2 mg; sal 1–2 g/dia HAC 10–15; IA primária ~8 mg/m²/dia Dose pela resposta clínica (tabelas NG243) IA 8 mg/m²/dia; HAC 10–15 (até 20 na puberdade); NaCl 2–4 mEq/kg/dia — —
Estresse 2–3x; SBP aumenta mesmo com febre < 38,5 °C HAC 2018: 2–3x com febre > 38,5 °C, vômitos, trauma; IA 2016: dobrar > 38 °C, triplicar > 39 °C BSPED: ~30 mg/m²/dia em 4 tomadas 2–3x; febre > 38 °C — Boston Children's (BCHP): 25 mg/m²/dia (38–38,8 °C) e 50 mg/m²/dia (≥ 38,9 °C), a cada 6 h
Crise — bólus MS: RN 20 mg, lactente/pré-escolar 50 mg, escolar/adolescente 100 mg; SBP: 25/50/100 mg; depois 50–100 mg/m²/dia IA 2016: 50 mg/m² IV, depois 50–100 mg/m²/dia a cada 6 h; SF 20 mL/kg BSPED: 25 mg (< 1 ano), 50 mg (1–5), 100 mg (≥ 6); depois infusão IV contínua por peso (25 mg/24 h até 10 kg; 50 mg de 10 a 20 kg; 100 mg de 20 a 40 kg; 150–200 mg acima de 40 kg) IA: 75–100 mg/m² (mín. 25, máx. 100 mg); HAC: 60–80 mg/m² — BCHP: 50 mg/m² IM e PS se não tolera VO
Cartão/kit Cartão, pulseira ou colar Identificação médica e kit injetável Cartão BSPED; kit com hidrocortisona IM e gel de glicose Educação da família — BCHP: hidrocortisona injetável (100 mg/mL) em casa

Leitura: há concordância em quase tudo o que salva vidas — triagem neonatal onde existe, hidrocortisona como glicocorticoide da criança em crescimento, dose de estresse de 2–3 vezes a manutenção, hidrocortisona parenteral imediata na crise, expansão com soro fisiológico, correção da hipoglicemia e cartão de emergência. As diferenças estão nas doses fixas de emergência por idade (o MS 2015 dá 20 mg ao RN e 50 mg já ao lactente; SBP e BSPED dão 25 mg ao lactente), no bólus em mg/m² (50 mg/m² na Endocrine Society 2016; 75–100 mg/m² na AEP) e no limiar de febre que dispara a dose de estresse (> 38 °C na AEP e na diretriz de IA primária da Endocrine Society 2016; ≥ 38,5 °C na diretriz de HAC da Endocrine Society 2018 e no MS; febre mais baixa já na SBP). O Reino Unido não faz triagem neonatal de HAC, o que torna a vigilância clínica do menino ainda mais crítica.

Pontos práticos
  1. 17-OHP ≥ 2 vezes o corte no pezinho é convocação no mesmo dia: peso, genitália, sódio, potássio e glicemia; a crise perdedora de sal costuma vir entre o 8º e o 15º dia.
  2. RN "bem" com genitália masculina normal pode ter HAC — o menino depende da triagem.
  3. Manutenção: hidrocortisona 10–15 mg/m²/dia (HAC) ou ~8 mg/m²/dia (IA primária) em 3 tomadas, com fludrocortisona e sal no lactente perdedor de sal.
  4. Doença com febre, vômito ou trauma: dobrar ou triplicar; se não tolera via oral, hidrocortisona IM (25/50/100 mg conforme a idade, máx. 100 mg) e pronto-socorro.
  5. Na crise: hidrocortisona 50–100 mg/m² IV ou IM antes de qualquer exame, soro fisiológico 20 mL/kg e glicose.
  6. Cartão de emergência e hidrocortisona injetável em casa para toda criança em reposição; nunca suspender corticoide prolongado de forma abrupta.

Veja também, nesta Biblioteca: Endocrinopatias neonatais, Distúrbios hidroeletrolíticos e Hipoglicemia neonatal (Neonatologia); Genitália atípica ao nascimento (Temas atualizados pela SBP); Genitália atípica e diferenças do desenvolvimento sexual (nesta área); Puberdade precoce e puberdade atrasada (Patologias do consultório — pubarca precoce); PALS (Urgências e emergências); Hipotireoidismo congênito e adquirido (Endocrinologia pediátrica).

8.Fontes

  • Ministério da Saúde. Triagem neonatal: hiperplasia adrenal congênita. Brasília, 2015. PDF
  • Sociedade Brasileira de Pediatria, DC de Endocrinologia. Guia Prático de Atualização nº 7 — Hiperplasia adrenal congênita: triagem neonatal, 2019. PDF
  • Speiser PW et al. Congenital Adrenal Hyperplasia Due to Steroid 21-Hydroxylase Deficiency: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab 2018. PDF
  • Bornstein SR et al. Diagnosis and Treatment of Primary Adrenal Insufficiency: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab 2016;101(2):364. academic.oup.com
  • NICE. NG243 — Adrenal insufficiency: identification and management, 2024. NCBI Bookshelf
  • BSPED. Recommendations for hydrocortisone doses for emergency management and peri-operative care for childhood adrenal insufficiency (Endocrine Abstracts, 2022). endocrine-abstracts.org
  • NHS Greater Glasgow and Clyde. Adrenal insufficiency in children, emergency and acute management guidance (adota o BSPED). clinicalguidelines.scot.nhs.uk
  • AEP. Protocolos de Endocrinología Pediátrica — Insuficiencia suprarrenal (Grau et al.), 2019. PDF
  • AEP. Protocolos de Endocrinología Pediátrica — Hiperplasia suprarrenal congénita (Labarta Aizpún et al.), 2019. PDF
  • Royal Children's Hospital Melbourne. Clinical Practice Guidelines — Adrenal crisis and acute adrenal insufficiency. rch.org.au
  • Boston Children's Health Physicians. Adrenal Insufficiency Guidelines — stress dosing, 2025. PDF
  • Yau M, Gujral J, New MI. Congenital Adrenal Hyperplasia: Diagnosis and Emergency Treatment. Endotext, 2019. NCBI Bookshelf