Endocrinologia pediátrica · Adrenal, gônadas e desenvolvimento sexual

Síndrome dos ovários policísticos na adolescente

Critérios diagnósticos próprios da adolescência, por que não pedir ultrassom nem AMH, exames de exclusão, rastreio metabólico e emocional, tratamento no consultório e o novo nome PMOS (2026)

Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF

Em resumo

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é o distúrbio endócrino mais comum da mulher jovem, mas na adolescência é fácil de superdiagnosticar: ciclos irregulares, acne e ovários multifoliculares são comuns na maturação normal. Pela diretriz internacional de 2023, a adolescente precisa ter os dois critérios: ciclos irregulares definidos pelo tempo desde a menarca (de 1 a 3 anos após a menarca: < 21 ou > 45 dias; após 3 anos: < 21 ou > 35 dias ou < 8 ciclos/ano; qualquer ciclo > 90 dias após o 1º ano; amenorreia primária aos 15 anos ou > 3 anos após a telarca) e hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne grave) ou laboratorial (testosterona). Ultrassom e hormônio antimülleriano (AMH) não são recomendados nos primeiros 8 anos após a menarca (FEBRASGO 2025 e SBEM concordam). Quem tem sinais sem fechar critérios é classificada como "em risco" e reavaliada. Antes de rotular, excluir gravidez, doença da tireoide, hiperprolactinemia e hiperplasia adrenal não clássica. O pediatra trata a maioria (🟢): estilo de vida, contraceptivo combinado com 20–30 µg de etinilestradiol e metformina quando indicada, com rastreio de glicemia, lipídios, pressão, depressão e transtornos alimentares. Virilização rápida (clitoromegalia, voz grave, calvície) ou testosterona muito elevada sugerem tumor e exigem avaliação urgente (🔴). Em 2026 foi proposto o novo nome PMOS.

1.O que é e como se apresenta

Definição: distúrbio endócrino-metabólico heterogêneo, com disfunção ovulatória, hiperandrogenismo e, com frequência, resistência à insulina, de forte componente genético, agravado pelo excesso de peso — mas presente também em adolescentes magras.

Novo nome (maio de 2026): um consenso global com mais de 50 organizações, publicado no Lancet e divulgado pela Endocrine Society, propôs "polyendocrine metabolic ovarian syndrome" (PMOS), porque não há aumento de cistos ovarianos anormais na condição e o nome antigo desviava a atenção dos componentes metabólicos. Está prevista transição de 3 anos, com implantação plena na atualização da diretriz internacional de 2028. Até esta revisão não há tradução oficial em português; neste documento mantém-se "SOP", como nos protocolos brasileiros vigentes. Não houve mudança dos critérios diagnósticos.

Por que a adolescência é diferente

  • Nos primeiros anos após a menarca, a anovulação fisiológica causa ciclos irregulares.
  • Acne leve a moderada é quase universal na puberdade; a diretriz considera apenas acne grave como sinal de hiperandrogenismo.
  • Os ovários da adolescente são maiores e multifoliculares — a morfologia "policística" ao ultrassom é comum e não define doença.
  • Há risco de rótulo precoce, de exames desnecessários e de impacto emocional; há também risco de não reconhecer a síndrome e suas comorbidades.

Quadro clínico

  • Ciclos longos, espaniomenorreia, amenorreia secundária ou sangramento uterino anormal (após longos períodos sem menstruar, sangramento intenso por anovulação).
  • Hirsutismo (pelos terminais em padrão masculino: buço, queixo, linha média abdominal, tórax, dorso), acne moderada a grave e persistente, alopecia androgênica.
  • Acantose nigricans (resistência insulínica), ganho de peso central; às vezes ronco e sonolência diurna.
  • Sofrimento com a imagem corporal, sintomas depressivos e ansiosos, comportamento alimentar alterado.
  • História frequente de adrenarca precoce, nascimento pequeno para a idade gestacional, obesidade e diabetes tipo 2 na família.

2.Classificação de gravidade

Gravidade Critérios clínicos Conduta
🟢 Leve Adolescente "em risco" (sinais sem critérios completos) ou com SOP pelos critérios da adolescência; hirsutismo leve a moderado; sem alteração metabólica importante; exames de exclusão normais Seguimento pelo pediatra: estilo de vida, contraceptivo combinado se indicado, rastreio metabólico e emocional; reavaliação a cada 3–6 meses
🟡 Moderada Dúvida diagnóstica; hirsutismo intenso ou sem resposta a 6 meses de tratamento; pré-diabetes, dislipidemia, hipertensão, esteatose (ALT elevada), obesidade grave; amenorreia persistente; 17-OH-progesterona elevada; prolactina ou TSH alterados; contraindicação ao contraceptivo; sofrimento psíquico relevante Encaminhamento eletivo-prioritário (4–8 semanas) à endocrinologia pediátrica ou ginecologia da infância e adolescência; saúde mental conforme o caso
🔴 Grave Virilização rápida (clitoromegalia, voz grave, aumento de massa muscular, calvície frontal) ou início abrupto e progressivo de hirsutismo; testosterona muito elevada; massa abdominal ou pélvica; sinais de Cushing (estrias violáceas, hipertensão, fraqueza proximal); sangramento uterino intenso com anemia ou instabilidade; hiperglicemia com cetose ou sintomática; transtorno alimentar com instabilidade clínica; ideação suicida Avaliação urgente: pronto-socorro/hospital ou especialista no mesmo dia, conforme o quadro

Fatores de risco e contextos que elevam a gravidade

  • Obesidade (sobretudo grave), acantose, diabetes tipo 2 ou SOP na família.
  • Nascimento pequeno para a idade gestacional; adrenarca precoce.
  • Uso de medicamentos que alteram peso e ciclo (antipsicóticos, valproato).
  • Tabagismo, enxaqueca com aura, trombofilia ou trombose na família (limitam o contraceptivo combinado).
  • Depressão, ansiedade, transtorno alimentar, bullying.

3.Diagnóstico no consultório

Critérios na adolescência (diretriz internacional 2023; FEBRASGO 2025; SBEM) — é preciso ter os dois:

  1. Ciclos irregulares, definidos pelo tempo desde a menarca:
    • No 1º ano após a menarca: irregularidade é normal (faz parte da transição puberal).
    • De > 1 a < 3 anos após a menarca: ciclos < 21 ou > 45 dias.
    • De > 3 anos após a menarca: ciclos < 21 ou > 35 dias, ou < 8 ciclos por ano.
    • Após o 1º ano: qualquer ciclo > 90 dias.
    • Amenorreia primária aos 15 anos ou > 3 anos após a telarca.
  2. Hiperandrogenismo:
    • Clínico: hirsutismo pela escala de Ferriman-Gallwey modificada ≥ 4–6, conforme a etnia (a SIEDP usa ≥ 6 em brancas e ≥ 8 em negras); acne grave; alopecia androgênica.
    • Laboratorial: testosterona total e livre (ou índice de androgênio livre), idealmente por espectrometria de massas (LC-MS/MS); evitar testosterona livre por imunoensaio direto. Se testosterona normal com clínica sugestiva, androstenediona e SDHEA.

Não pedir para o diagnóstico: ultrassom pélvico e AMH nos primeiros 8 anos após a menarca (diretriz 2023; FEBRASGO 2025; SBEM-SP). Ultrassom só se houver outra indicação (massa, dor, suspeita de tumor, amenorreia primária para avaliar útero).

Adolescente "em risco": sinais de SOP sem critérios completos (por exemplo, hiperandrogenismo com ciclos ainda dentro do esperado para o tempo de menarca) — pode ser tratada pelos sintomas, com reavaliação até, no máximo, 8 anos após a menarca.

Exames de exclusão (colher de preferência na fase folicular inicial ou em amenorreia, fora de contraceptivo hormonal)

  • β-hCG (sempre, diante de atraso menstrual).
  • TSH e prolactina.
  • 17-OH-progesterona basal (hiperplasia adrenal congênita não clássica).
  • FSH, LH e estradiol se amenorreia (insuficiência ovariana, hipogonadismo, amenorreia hipotalâmica por baixo peso, exercício ou transtorno alimentar).
  • Se sinais de Cushing: cortisol salivar noturno ou urinário, pelo especialista.
  • Testosterona muito elevada ou SDHEA muito elevado, com virilização: tumor ovariano ou adrenal — imagem e especialista com urgência.

Rastreio de comorbidades ao diagnóstico (diretriz 2023)

  • Glicemia: avaliar em todas ao diagnóstico; o TOTG 75 g é o teste mais preciso (glicemia de jejum e HbA1c são alternativas menos sensíveis); repetir conforme risco.
  • Pressão arterial anual; perfil lipídico basal; peso, IMC e circunferência abdominal.
  • ALT (esteatose associada à disfunção metabólica), sobretudo com obesidade.
  • Depressão e ansiedade (instrumentos validados) e transtornos alimentares, independentemente do peso.
  • Ronco, pausas respiratórias e sonolência diurna (apneia obstrutiva do sono).

Diagnóstico diferencial que não pode passar

  • Gravidez.
  • Tumor secretor de androgênio (ovário, adrenal): virilização rápida.
  • Hiperplasia adrenal congênita não clássica.
  • Síndrome de Cushing, hipotireoidismo, hiperprolactinemia (prolactinoma, medicamentos).
  • Amenorreia hipotalâmica (anorexia nervosa, exercício intenso, estresse) e insuficiência ovariana prematura.
  • Uso de esteroides anabolizantes ou medicamentos androgênicos.

4.Tratamento e seguimento

O tratamento é dirigido aos sintomas e às prioridades da adolescente (ciclos, pelos, acne, peso, contracepção), decidido junto com ela e a família.

Medidas de base (todas)

  • Estilo de vida sem culpa e sem estigma: alimentação saudável, sono, redução de telas, e pelo menos 60 minutos diários de atividade física moderada a vigorosa, com fortalecimento muscular e ósseo 3 vezes por semana (diretriz 2023). Há benefício mesmo sem perda de peso; em quem tem excesso de peso, perdas modestas já melhoram ciclos e metabolismo.
  • Tratamento cosmético do hirsutismo (depilação a laser ou outros métodos) e cuidado da acne (ver "Acne").
  • Apoio emocional; atenção a transtornos alimentares durante intervenções de peso.
Medicamento Dose Intervalo Duração Observação
Contraceptivo oral combinado Etinilestradiol 20–30 µg ou equivalente (diretriz 2023); FEBRASGO: ≤ 30 µg 1x/dia, esquema contínuo ou cíclico Ao menos 6 meses para avaliar hirsutismo (acne melhora em 1–3 meses; pelos em 6–9 meses) 1ª linha para ciclos irregulares e hirsutismo, na adolescente com diagnóstico ou "em risco". Não há progestagênio preferencial (diretriz 2023). Checar enxaqueca com aura, trombose/trombofilia, hipertensão, tabagismo
Metformina Dose inicial baixa com aumento gradual (Pediatría Integral: 425 mg 2x/dia); máximo 2 g/dia na adolescente (diretriz 2023) 1–2x/dia, com refeições Enquanto houver benefício Considerar em adolescentes com SOP ou "em risco" para regular ciclos e sobretudo com excesso de peso ou alteração glicêmica; evidência limitada. Uso fora da bula (bula: diabetes tipo 2 a partir de 10 anos). Efeitos gastrointestinais; vitamina B12 no uso prolongado
Antiandrogênio (espironolactona) A critério do especialista (Pediatría Integral: 25 mg/dia, até 200 mg/dia) 1x/dia — Só com contracepção eficaz (risco de malformação genital de feto masculino); em geral associado ao contraceptivo quando a resposta do hirsutismo é insuficiente
Progestagênio cíclico Conforme ginecologia/especialista Cíclico, conforme o especialista — Proteção endometrial quando o contraceptivo combinado é contraindicado ou recusado

O que não fazer

  • Diagnosticar SOP por ultrassom ou por AMH na adolescente, ou no 1º ano após a menarca por ciclos irregulares.
  • Iniciar contraceptivo antes de colher os exames de exclusão (altera testosterona, SHBG e 17-OHP).
  • Espironolactona sem contracepção.
  • Dietas muito restritivas, "detox" ou suplementos para "tratar a SOP".
  • Rotular a adolescente de "infértil" — a fertilidade costuma estar preservada, com tratamento quando desejada na vida adulta.

Seguimento

  • Reavaliação a cada 3–6 meses no início: ciclos, hirsutismo (escala), acne, peso, pressão, humor.
  • Glicemia/TOTG e lipídios conforme risco (anualmente na obesidade ou alteração prévia).
  • Rever o diagnóstico da adolescente "em risco" até 8 anos após a menarca.
  • Transição para a ginecologia/endocrinologia de adultos.

5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar

  • Sangramento uterino intenso (encharca absorventes em pouco tempo, coágulos grandes) com palidez, taquicardia, tontura ou hipotensão.
  • Virilização rápida, massa abdominal ou pélvica palpável, dor pélvica aguda (torção ou tumor).
  • Hiperglicemia sintomática (poliúria, polidipsia, perda de peso), cetose, vômitos ou desidratação.
  • Transtorno alimentar com bradicardia, hipotensão, hipotermia ou distúrbio eletrolítico.
  • Ideação suicida ou autolesão.
  • Suspeita de trombose em uso de contraceptivo (dor e edema de panturrilha, dor torácica, dispneia, cefaleia intensa súbita, déficit neurológico).
  • Nos demais casos (🟡), encaminhamento ambulatorial à endocrinologia pediátrica ou ginecologia da infância e adolescência.

Como encaminhar

  1. Sangramento intenso: sinais vitais, acesso venoso e SF 0,9% 20 mL/kg se instabilidade; hemograma e β-hCG; contato com o serviço de ginecologia.
  2. Hiperglicemia: glicemia capilar e fita urinária (glicose e cetonas) no consultório; não aguardar exames ambulatoriais.
  3. Risco de suicídio: não deixar a adolescente sozinha, acionar a família e o serviço de emergência psiquiátrica.
  4. Suspeita de trombose: suspender o contraceptivo e encaminhar imediatamente.
  5. Relatório com curva de peso e estatura, pressão arterial, escala de hirsutismo, datas das menstruações e exames já realizados.

6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família

  • "Nos primeiros anos depois da primeira menstruação, é normal o ciclo ser irregular. Vamos acompanhar antes de dar um diagnóstico definitivo."
  • "Ovário 'com microcistos' no ultrassom da adolescente é comum e não é doença."
  • "Síndrome dos ovários policísticos não é culpa de ninguém; é uma condição hormonal e metabólica que tem tratamento. Atividade física e alimentação saudável ajudam mesmo sem emagrecer."
  • "O anticoncepcional regula o ciclo e melhora pelos e acne, mas os pelos levam 6 meses ou mais para melhorar. Tome todos os dias no mesmo horário."
  • "Com SOP, a fertilidade costuma estar preservada — e o anticoncepcional não prejudica gestações futuras."
  • Anotar as datas das menstruações (calendário ou aplicativo) e trazer no retorno.
  • Voltar antes se: mais de 3 meses sem menstruar, sangramento muito prolongado, pelos aumentando rápido, tristeza persistente, vômitos para emagrecer ou restrição alimentar.
  • Pronto-socorro se: sangramento intenso com tontura ou desmaio, dor na barriga forte, dor e inchaço na perna ou falta de ar em uso de anticoncepcional, pensamentos de morte.

7.Comparação com as referências

Item SBP / MS / SBEM (FEBRASGO) AAP / PES / Endocrine Society NICE (Oxford / Cambridge) AEP SIP / SIEDP Harvard / Johns Hopkins
Critérios na adolescente FEBRASGO 2025: anovulação crônica + hiperandrogenismo; SBEM-SP: irregularidade (> 45 dias), hirsutismo e testosterona elevada; sem documento específico da SBP localizado Pediatrics 2020: ciclos irregulares + hiperandrogenismo; diagnóstico definitivo só ≥ 2 anos após a menarca; sem diretriz AAP própria Sem diretriz NICE específica localizada (página CKS inacessível); segue o NICE Pediatría Integral (SEPEAP) 2020: adiar o diagnóstico até ≥ 3 anos após a menarca Não fazer diagnóstico definitivo na adolescente; tratar componentes JH: página geral de adultos, sem recomendação para adolescentes; Harvard: página inacessível
Ultrassom Não usar; rever após 8 anos da menarca Não recomendado na adolescente — Volume ovariano ≥ 12 mL "sugere", mas dispensável Ainda lista morfologia (≥ 12 folículos ou volume > 10 mL) JH cita ultrassom no diagnóstico (adultas)
Hirsutismo Ferriman-Gallwey mFG — — mFG ≥ 6 (brancas), ≥ 8 (negras) —
1ª linha Contraceptivo com ≤ 30 µg de etinilestradiol Contraceptivo combinado Etinilestradiol + ciproterona considerado (ver "Acne") Contraceptivo combinado Contraceptivo com progestagênio antiandrogênico (drospirenona na obesa) Contraceptivo, metformina, estilo de vida
Metformina 500–2.800 mg/dia (FEBRASGO, adultas); fora da bula na adolescente Para disfunção metabólica — 425 mg 2x/dia, progressiva — Citada para resistência insulínica
Nome SOP PMOS proposto (Endocrine Society, 2026) Society for Endocrinology anuncia PMOS — — JH já usa "PMOS"

Leitura: a diretriz internacional de 2023, a FEBRASGO (2025), a SBEM e a revisão publicada na Pediatrics (2020) convergem no essencial: na adolescente, o diagnóstico exige disfunção ovulatória definida pelo tempo desde a menarca e hiperandrogenismo, sem ultrassom e sem AMH até 8 anos após a menarca, com exclusão de gravidez, tireoide, prolactina e hiperplasia adrenal não clássica, rastreio metabólico e emocional e contraceptivo combinado de baixa dose como primeira linha. As divergências são de momento (a revisão da Pediatrics aguarda 2 anos após a menarca e a SEPEAP, 3 anos; a diretriz 2023 aceita ciclos > 45 dias já a partir do 2º ano) e de atualização: a página da SIEDP e a revisão da SEPEAP ainda descrevem critérios ecográficos, e a página de Johns Hopkins, voltada a adultas, inclui ultrassom. O nome PMOS (2026) está em transição e ainda não foi incorporado pelos documentos brasileiros. Não foram localizados documento específico da SBP nem diretriz NICE sobre SOP na adolescente; Oxford e Cambridge seguem o NICE.

Pontos práticos
  1. Na adolescente, SOP exige ciclos irregulares pelo tempo desde a menarca + hiperandrogenismo — os dois.
  2. Não peça ultrassom nem AMH para diagnosticar SOP nos primeiros 8 anos após a menarca.
  3. Antes de rotular: β-hCG, TSH, prolactina e 17-OH-progesterona, colhidos antes de iniciar contraceptivo.
  4. Sinais sem critérios completos = "em risco": tratar sintomas e reavaliar.
  5. Ao diagnóstico: glicemia (TOTG), lipídios, pressão, humor e comportamento alimentar.
  6. Virilização rápida ou testosterona muito alta = tumor até prova em contrário; avaliação urgente.

Veja também, nesta Biblioteca: Acne, Obesidade e risco cardiometabólico, Puberdade precoce e puberdade atrasada e Ansiedade e depressão na infância e adolescência (Patologias do consultório); Medicamentos para obesidade (GLP-1) em adolescentes (Temas atualizados pela SBP).

8.Fontes

  • Teede HJ et al. International evidence-based guideline for the assessment and management of polycystic ovary syndrome — Summary, 2023 (Monash University). PDF
  • FEBRASGO, Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Endócrina. Síndrome dos ovários policísticos. Femina, 2025;53(12):1390-7. PDF
  • SBEM-SP. SOP na adolescência: US não deve ser critério. sbemsp.org.br
  • FEBRASGO. Síndrome dos Ovários Policísticos na adolescência, 2018. febrasgo.org.br
  • Diagnosis and Management of Polycystic Ovary Syndrome in Adolescents. Pediatrics, 2020;145(Suppl 2):S210. publications.aap.org
  • Endocrine Society. Polyendocrine Metabolic Ovarian Syndrome: new name to improve diagnosis and care, 12/05/2026. endocrine.org
  • Roldán Martín MB, Corredor Andrés B. Síndrome de ovario poliquístico en la adolescente. Pediatría Integral (SEPEAP), 2020. pediatriaintegral.es
  • SIEDP. Sindrome dell'ovaio policistico. siedp.it
  • Johns Hopkins Medicine. Polycystic Ovary Syndrome (PCOS/PMOS). hopkinsmedicine.org