Gastroenterologia e hepatologia pediátrica · Urgências digestivas

Hemorragia digestiva na criança — alta e baixa

Confirmar que é sangue, avaliar a estabilidade hemodinâmica, reconhecer as causas por idade e decidir entre tratar em casa, reavaliar ou estabilizar e transferir, segundo SBP, Ministério da Saúde e AEP 2023

Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF

Em resumo

O primeiro passo é confirmar que é sangue e que vem do tubo digestivo: alimentos e corantes, ferro e bismuto, sangue deglutido (epistaxe, fissura do mamilo materno — teste de Apt no recém-nascido) e sangue vaginal ou urinário simulam hemorragia. O segundo é a estabilidade hemodinâmica: taquicardia é o sinal mais precoce e a hipotensão é tardia. As causas dependem da idade — fissura anal e proctocolite alérgica no lactente, pólipo juvenil, invaginação, divertículo de Meckel, vasculite por IgA e síndrome hemolítico-urêmica no pré-escolar, doença inflamatória intestinal no escolar e no adolescente; na hemorragia alta, esofagite, gastrite e úlcera, Mallory-Weiss e varizes (a causa mais frequente de hemorragia alta com risco de vida). 🟢 Em casa: bom estado, sinais vitais normais, pouco sangue e causa evidente (fissura: amolecer as fezes). 🟡 Reavaliação e encaminhamento ao gastroenterologista pediátrico: sangramento recorrente ou sem causa clara. 🔴 Pronto-socorro: taquicardia, palidez, hipotensão, hematêmese volumosa, melena, sangramento volumoso, cólica com letargia ou hepatopatia — dois acessos, cristaloide 10–20 mL/kg com reavaliação, tipagem, jejum e SAMU 192.

1.O que é e como se apresenta

Hemorragia digestiva alta (HDA) origina-se acima do ângulo de Treitz; baixa (HDB), abaixo dele (AEP 2023).

  • Hematêmese: sangue vivo ou em "borra de café" no vômito.
  • Melena: fezes pretas, pegajosas e fétidas; em geral origem alta.
  • Hematoquezia: sangue vermelho nas fezes; em geral baixa, mas pode ser HDA maciça.
  • Raias de sangue nas fezes: fissura ou proctocolite. Sangramento oculto: anemia ferropriva.

Falsa hemorragia — excluir antes de investigar (AEP 2023; SIGENP 2017; MS, Protocolo SAMU 192):

  • Alimentos, corantes e medicamentos: beterraba, gelatinas, sucos e balas vermelhas, melancia; ferro e bismuto escurecem as fezes e simulam melena (MS); xaropes com corante; carvão ativado.
  • Sangue deglutido: epistaxe, extração dentária, amigdalectomia; no recém-nascido e no lactente amamentado, sangue materno (do parto ou de fissura do mamilo).
  • Outra origem: pseudomenstruação da recém-nascida, menarca, hematúria; uratos (cristais rosados na fralda).

Teste de Apt (Apt-Downey): distingue hemoglobina fetal (do bebê) da adulta (materna) no vômito ou nas fezes do recém-nascido (AEP 2023). Material diluído em água, sobrenadante rosado com hidróxido de sódio a 1%: continua rosa = sangue do bebê; fica marrom-amarelado = sangue materno. Examine o mamilo da mãe.

Causas por idade (AEP 2023; SIGENP 2017):

Idade Hemorragia baixa Hemorragia alta
Recém-nascido Sangue materno deglutido; proctocolite alérgica; enterocolite necrosante (prematuro); volvo; fissura Sangue materno; doença hemorrágica por deficiência de vitamina K; gastrite ou úlcera de estresse; trauma por sonda
Lactente Fissura anal (a mais comum); proctocolite alérgica (APLV); diarreia infecciosa; invaginação (pico de 6 a 36 meses); divertículo de Meckel; hiperplasia nodular linfoide Esofagite por refluxo; gastrite; Mallory-Weiss; corpo estranho e cáusticos
Pré-escolar Fissura; disenteria; pólipo juvenil (sangramento indolor ao fim da evacuação); divertículo de Meckel (sangramento indolor e volumoso, vermelho-escuro); invaginação; vasculite por IgA; síndrome hemolítico-urêmica (SHU) Epistaxe deglutida; gastrite por anti-inflamatório (AINE); corpo estranho (bateria); varizes
Escolar e adolescente Doença inflamatória intestinal (DII); colite infecciosa e pseudomembranosa; pólipos e polipose; vasculite por IgA; fissura; abuso sexual Úlcera péptica (H. pylori, AINE); varizes por hipertensão portal; gastropatia hipertensiva; Mallory-Weiss; esofagite

Pistas no exame (AEP 2023): circulação colateral e esplenomegalia (hipertensão portal); manchas melânicas nos lábios (Peutz-Jeghers); telangiectasias; púrpura palpável (vasculite por IgA); fissuras recorrentes, plicoma ou fístula (doença de Crohn).

2.Classificação de gravidade

Gravidade Critérios clínicos Conduta
🟢 Leve Sangue confirmado, em pequena quantidade (raias ou poucas gotas); criança em bom estado, frequência cardíaca, perfusão e coloração normais; causa evidente — fissura anal, proctocolite em lactente que ganha peso, sangue deglutido (epistaxe, mamilo), estrias de sangue após vômitos repetidos que cessaram Tratamento da causa em casa (fissura: amolecer as fezes; proctocolite: conduta da APLV); sinais de alerta; retorno programado
🟡 Moderada Sangramento recorrente ou sem causa evidente, sinais vitais normais; hematoquezia indolor recorrente (pólipo); pouca borra de café com criança estável; diarreia com sangue sem desidratação grave nem SHU; anemia sem repercussão; suspeita de DII; vasculite por IgA com dor leve Exames; reavaliação em 24–48 h; encaminhar ao gastroenterologista pediátrico, com prioridade se anemia, recorrência ou suspeita de DII; observação no pronto-socorro conforme o caso
🔴 Grave Taquicardia para a idade, enchimento capilar > 2 s, palidez, extremidades frias, hipotensão, sonolência ou agitação; hematêmese volumosa ou de sangue vivo; melena; hematoquezia volumosa; queda da hemoglobina; dor em cólica com letargia ou massa abdominal (invaginação); vômitos biliosos ou distensão; palidez, oligúria ou petéquias após diarreia com sangue (SHU); hepatopatia ou hipertensão portal conhecida; coagulopatia ou plaquetopenia; ingestão de bateria ou cáustico; recém-nascido com sangramento próprio (Apt) ou distensão Pronto-socorro ou hospital com endoscopia pediátrica e UTI: oxigênio, dois acessos, cristaloide 10–20 mL/kg com reavaliação, tipagem, jejum, SAMU 192

Fatores de risco que elevam a gravidade

  • Hepatopatia, hipertensão portal (cirrose ou obstrução da veia porta, inclusive após cateter umbilical), varizes conhecidas.
  • Coagulopatias, plaquetopenia, anticoagulantes; recém-nascido sem vitamina K ao nascer.
  • AINE (mesmo em doses baixas), corticoide; criança em UTI, queimada ou politraumatizada (úlcera de estresse).
  • Lactente pequeno, cardiopatia, anemia prévia, sangramento recorrente ou transfusão prévia.

3.Diagnóstico no consultório

Anamnese: cor, quantidade (em colheres) e relação com as fezes; dor à evacuação e fezes duras (fissura); sangramento indolor (pólipo, Meckel); vômitos repetidos antes do sangue (Mallory-Weiss); dor epigástrica e AINE (úlcera); diarreia, febre e surtos (disenteria, E. coli produtora de toxina Shiga); dieta do lactente e da mãe (APLV); epistaxe; hepatopatia; história familiar de coagulopatia ou polipose.

Exame físico: frequência cardíaca, enchimento capilar, pressão arterial, coloração e consciência primeiro — a taquicardia é o indicador mais sensível de perda importante; hipotensão e enchimento prolongado indicam perda > 25% da volemia e precedem o colapso (AEP 2023). Depois: narinas e orofaringe, pele, abdome (massa, hepatoesplenomegalia, distensão) e inspeção anal sempre (fissura em geral na linha média posterior).

Exames — quando pedir e quais:

  • Fissura típica, proctocolite em lactente bem e sangue deglutido evidente: nenhum exame.
  • Recorrente, sem causa clara ou com anemia: hemograma com plaquetas, ferritina, TP e TTPA.
  • Diarreia com sangue: coprocultura; com palidez, oligúria ou petéquias, hemograma com esfregaço (esquistócitos), ureia, creatinina e urina (SHU).
  • Hemorragia alta importante (hospital): coagulograma, tipagem, ureia, creatinina e função hepática; ureia/creatinina elevada sugere origem alta; a hemoglobina inicial pode ser normal e cair em 24 h (AEP 2023).
  • Especialista ou hospital: ultrassonografia na suspeita de invaginação (ver "Dor abdominal aguda"); cintilografia com pertecnetato de tecnécio-99m no sangramento indolor e volumoso (Meckel ou duplicação em mais de 90%); endoscopia, que localiza a fonte em 90–95% e a trata; colonoscopia (pólipo, DII) (AEP 2023).

Diagnóstico diferencial que não pode passar: invaginação (choro em crises, palidez e letargia — a "geleia de framboesa" é tardia); volvo; SHU; varizes em criança com esplenomegalia; enterocolite necrosante; doença hemorrágica do recém-nascido; bateria no esôfago; abuso sexual.

4.Tratamento e seguimento

O que o pediatra faz:

  • Fissura anal: amolecer as fezes com polietilenoglicol (PEG) ou lactulose, nas doses de "Constipação intestinal"; banho de assento morno; água e fibras. Fissura que não cicatriza, múltipla ou fora da linha média: pensar em Crohn ou abuso e encaminhar.
  • Proctocolite alérgica: conduta de "Alergia à proteína do leite de vaca" — casos leves no lactente amamentado em bom estado podem ser observados; havendo indicação, exclusão do leite de vaca da dieta materna ou fórmula extensamente hidrolisada, com provocação oral para confirmar.
  • Sangue deglutido: tratar a causa (epistaxe; fissura do mamilo, mantendo a amamentação).
  • Mallory-Weiss leve (estrias após vômitos já controlados, criança estável): observar e tratar a causa dos vômitos.
  • Disenteria: antibiótico só nas indicações de "Diarreia aguda e desidratação"; não tratar a suspeita de E. coli produtora de toxina Shiga (risco de SHU).
  • Vasculite por IgA: seguir "Nefropatia por IgA e vasculite por IgA"; dor intensa ou sangue nas fezes exigem afastar invaginação.
  • Seguimento: hemograma e ferritina após sangramento recorrente; ferro nas doses de "Anemia ferropriva".

Do gastroenterologista e do hospital: endoscopia terapêutica (adrenalina injetada, clipes, coagulação; ligadura elástica ou escleroterapia das varizes), polipectomia, cirurgia do Meckel, tratamento da DII e do H. pylori, profilaxia das varizes (propranolol, ligadura) e, nos refratários, derivações e transplante hepático (AEP 2023).

Medicamentos (iniciados no pronto-socorro ou no hospital; doses com fonte):

Medicamento Dose Intervalo Duração Observação e referência
Cristaloide (SF 0,9% ou Ringer lactato) 10–20 mL/kg IV ou IO, em bolus Repetir após reavaliação Até a estabilização ou os hemoderivados PALS do site; MS (SAMU 192, 2016): 20 mL/kg, repetir 2–3 vezes, hemácias precoces. Cautela na hipertensão portal (AEP 2023)
Concentrado de hemácias 10–15 mL/kg Conforme resposta — "Transfusão de hemocomponentes" (MS 2015): na perda aguda, decisão clínica; choque hemorrágico 10–20 mL/kg ("Trauma pediátrico")
Omeprazol IV 0,8–2 mg/kg/dia, em 2 doses, sem ultrapassar a dose do adulto (bula) 12/12 h Até a endoscopia e conforme achado SBP (DC Hepatologia nº 2/2018, na insuficiência hepática); antes e depois da endoscopia, também nas varizes (AEP 2023); SIGENP 2017: 1–3 mg/kg no sangramento ativo
Octreotida 1 mcg/kg IV em bolus, seguido de 1–2 mcg/kg/h em infusão contínua Contínuo Especialista (SIGENP: ≥ 5 dias) Suspeita de varizes, antes da endoscopia (AEP 2023; dose: Rev Paul Pediatr 2011); o especialista pode subir a 2–5 mcg/kg/h (SIGENP 2017); vigiar glicemia. Vasopressina ou terlipressina: só o especialista
Vitamina K Recém-nascido: 1 mg IV ou IM; lactente: 1–2 mg/dose Repetir conforme resposta — RN: "Distúrbios hematológicos do RN"; lactente com coagulopatia: SIGENP 2017; plasma se sangramento ativo
Cefalosporina de 2ª ou 3ª geração Conforme o serviço — Curta Profilaxia na hemorragia por varizes (AEP 2023) — decisão hospitalar

O que não fazer: AINE (antitérmico: dipirona 15 mg/kg/dose ou paracetamol nas doses do site, sem alternar); lavagem gástrica com soro gelado (ineficaz, risco de hipotermia — AEP 2023); hiper-hidratar na hipertensão portal; antidiarreicos; atribuir à APLV o sangramento de lactente em mau estado; dispensar sem examinar a região anal.

5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar

  • Choque ou perda importante: taquicardia, enchimento capilar > 2 s, palidez, hipotensão, sonolência, síncope.
  • Hematêmese volumosa, borra de café repetida, melena ou hematoquezia volumosa.
  • Hepatopatia, hipertensão portal ou varizes, coagulopatia, plaquetopenia ou anticoagulante.
  • Invaginação, volvo ou abdome agudo; SHU (palidez, oligúria ou petéquias após diarreia com sangue).
  • Recém-nascido com sangramento próprio (Apt) ou mau estado; prematuro com sangue nas fezes.
  • Ingestão de bateria ou cáustico; anemia com repercussão; sangramento persistente.

Como encaminhar

  1. ABC; oxigênio para manter SpO2 ≥ 94%; decúbito lateral se vomitar ou estiver sonolenta.
  2. Dois acessos calibrosos (intraósseo após duas tentativas em até 90 s — PALS do site); colher hemograma, coagulograma, tipagem e prova cruzada.
  3. Cristaloide 10–20 mL/kg se houver choque, reavaliando após cada bolus; cautela na hipertensão portal; sem atrasar o transporte.
  4. Jejum. Omeprazol IV, se disponível, na hemorragia alta importante; octreotida na suspeita de varizes só com infusão segura, sem atrasar a remoção.
  5. Vitamina K 1 mg IV ou IM no recém-nascido que não a recebeu.
  6. SAMU 192 e contato com serviço com endoscopia pediátrica, banco de sangue e UTI pediátrica; levar foto do material.
  7. Relatório: horário e volume do sangramento, sinais vitais seriados, volume infundido, medicamentos (AINE, anticoagulante, ferro), doenças de base, exames.

6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família

  • "Beterraba, gelatina, balas vermelhas e remédios com ferro mudam a cor das fezes."
  • "A fissura é a causa mais comum de sangue nas fezes da criança pequena: deixe o cocô mole todos os dias, com o laxante prescrito, banho de assento morno e água."
  • "Se a mãe tem rachadura no mamilo, o sangue pode ser dela: continue amamentando e trate o mamilo."
  • "Evite ibuprofeno e outros anti-inflamatórios sem orientação médica."
  • Procurar o pronto-socorro imediatamente se: vômito com sangue ou borra de café; fezes pretas e pegajosas; muito sangue nas fezes; criança pálida, suando frio, sonolenta ou desmaiando; crises de choro com moleza ou barriga inchada; vômito verde; pouca urina após diarreia com sangue; manchas roxas na pele.

7.Comparação com as referências

Item SBP Ministério da Saúde AAP NICE AEP Johns Hopkins Harvard Oxford / Cambridge
Documento Sem documento específico; IBP na hepatopatia (DC nº 2/2018) SAMU 192 — HDA e HDB (adultos), choque pediátrico (2016) Sem diretriz localizada Sem diretriz pediátrica (CG141 só acima de 16 anos) Protocolo de HDA e HDB (SEGHNP-AEP, 2023) Sem posição específica localizada Revisão Boston Children's (Pai e Fox, 2017) Segue o NICE
Falsa hemorragia — Ferro e bismuto simulam melena — — Alimentos, fármacos, sangue deglutido; Apt no RN — — Segue o NICE
Estabilização — Cristaloide 20 mL/kg (repetir 2–3 vezes) e hemácias precoces; O2 se SpO2 < 94% — — Taquicardia como sinal precoce; volume com cautela na hipertensão portal — Estabilizar antes de localizar a fonte Segue o NICE
Transfusão — Hb < 7 g/dL estável; perda aguda clínica (2015) — Hb < 70 g/L (NG24, geral) Instável ou Hb ≤ 8 g/dL — — Segue o NICE
Fármacos Omeprazol 0,8–2 mg/kg/dia (DC 2/2018) IBP IV e vitamina K (adulto) — — IBP antes e depois da endoscopia; octreotida nas varizes; cefalosporina — — Segue o NICE
Endoscopia e encaminhamento — Regulação para serviço de destino — — Endoscopia precoce se transfusão, instabilidade ou recorrência — Endoscopia diagnóstica e terapêutica Segue o NICE

Leitura: só a AEP (SEGHNP-AEP, 2023) tem protocolo pediátrico completo: falsa hemorragia e teste de Apt, taquicardia como sinal precoce, causas por idade, IBP antes e depois da endoscopia, octreotida e cefalosporina nas varizes, endoscopia precoce. O NICE só tem diretriz acima de 16 anos (Oxford e Cambridge seguem o NICE); AAP e Johns Hopkins não têm posição localizada; a revisão do Boston Children's segue a mesma sequência (estabilizar, localizar, tratar). A divergência prática está na transfusão: a AEP transfunde com Hb ≤ 8 g/dL na HDA, enquanto o Ministério da Saúde (2015), adotado no site, usa Hb < 7 g/dL na criança estável e decisão clínica na perda aguda. Nas doses de octreotida, sem posição da SBP ou do MS, o site parte da experiência brasileira (1–2 mcg/kg/h), menor que a italiana (SIGENP, 2–5 mcg/kg/h). O site adota a SBP onde ela se manifesta (omeprazol; APLV; constipação), no restante o Ministério da Saúde (SAMU 192; transfusão de 2015) e, na falta de ambos, a AEP (causas por idade e conduta hospitalar).

Pontos práticos
  1. Primeiro, confirme que é sangue e que é da criança: alimentos, ferro, epistaxe e mamilo materno (teste de Apt no recém-nascido).
  2. Taquicardia é o primeiro sinal de perda importante; hipotensão é tardia.
  3. Fissura anal é a causa mais comum no lactente e no pré-escolar: inspecione o ânus e amoleça as fezes.
  4. Sangramento indolor e volumoso: pense em Meckel; indolor e recorrente ao fim da evacuação: pólipo juvenil; com cólica e letargia: invaginação.
  5. Diarreia com sangue seguida de palidez e oligúria é SHU até prova em contrário.
  6. No 🔴: oxigênio, dois acessos, tipagem, cristaloide 10–20 mL/kg com reavaliação, jejum e SAMU 192.

Veja também, nesta Biblioteca: Alergia à proteína do leite de vaca, Constipação intestinal, Dor abdominal aguda, Diarreia aguda e desidratação e Anemia ferropriva (Patologias do consultório); Transfusão de hemocomponentes na criança e A criança que sangra — hemofilia, doença de von Willebrand e outras coagulopatias (Hematologia); Nefropatia por IgA e vasculite por IgA (Nefrologia e Urologia); Sepse e choque séptico na criança e Trauma pediátrico (Urgências e emergências); Doença inflamatória intestinal, Helicobacter pylori e Corpo estranho e cáusticos (nesta área).

8.Fontes

  • Asociación Española de Pediatría / SEGHNP. Navalón Rubio M, Bautista Casasnovas A. Hemorragia digestiva alta y baja en edad pediátrica. Protocolos diagnósticos y terapéuticos en Gastroenterología, Hepatología y Nutrición Pediátrica, 2023. PDF
  • Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico de Hepatologia. Insuficiência hepática aguda em crianças e adolescentes, Documento Científico nº 2, 2018. PDF
  • Ministério da Saúde. Protocolos de Suporte Avançado de Vida — SAMU 192 (AC31 HDA, AC32 HDB e choque no paciente pediátrico), 2ª ed., 2016. PDF
  • Romano C, Oliva S et al. Pediatric gastrointestinal bleeding — perspectives from the Italian Society of Pediatric Gastroenterology (SIGENP). World J Gastroenterol, 2017. wjgnet.com
  • Meneses DG, Pinto EALC, De Tommaso AMA. Uso de octreotida na hemorragia digestiva alta secundária à hipertensão portal em pacientes pediátricos. Rev Paul Pediatr, 2011. SciELO
  • Pai AK, Fox VL (Boston Children's Hospital, Harvard Medical School). Gastrointestinal bleeding and management. Pediatr Clin North Am, 2017. PubMed
  • NICE. Acute upper gastrointestinal bleeding in over 16s — management (CG141). nice.org.uk