Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF
A hepatite A, a hepatite aguda mais comum, costuma ser anictérica abaixo de 6 anos e evolui bem em casa, com afastamento escolar e vacinação dos contactantes. A hepatite B e a hepatite C chegam ao pediatra sobretudo pela transmissão vertical: o filho de mãe HBsAg positiva recebe vacina nas primeiras 12 h e imunoglobulina anti-hepatite B (IGHAHB) 0,5 mL em coxas diferentes (até o 7º dia), mantém a amamentação e faz HBsAg e anti-HBs após o esquema; o filho de mãe com hepatite C faz HCV-RNA entre 3 e 6 meses e anti-HCV aos 18 meses (Ministério da Saúde). Hepatite B ou C confirmada vai ao hepatologista pediátrico; a C é tratada com antivirais de ação direta a partir de 3 anos e 17 kg. INR ≥ 1,5 que não corrige com vitamina K, sonolência ou confusão (encefalopatia), hipoglicemia, vômitos incoercíveis ou sangramento indicam insuficiência hepática aguda: pronto-socorro (🔴), com destino a serviço com acesso a transplante hepático. As hepatites virais são de notificação obrigatória (compulsória).
1.O que é e como se apresenta
Hepatite viral é a inflamação do fígado pelos vírus A, B, C, D (delta) e E; Epstein-Barr, citomegalovírus e adenovírus entram no diferencial (ver Transaminases elevadas e esteatose hepática (MASLD) na criança).
| Vírus | Transmissão | Incubação (GVS 2024) | Cronifica? |
|---|---|---|---|
| A (HAV) | Fecal-oral, água e alimentos, domicílio, creche; sexual oral-anal | 15–45 dias | Não |
| B (HBV) | Vertical, sangue, sexual, objetos perfurocortantes | 30–180 dias | 90% no RN; 25–30% de 1 a 5 anos; < 5% no adulto |
| C (HCV) | Vertical (3–5%; 19% com HIV materno), sangue, drogas injetáveis | Semanas a meses | Sim; resolução espontânea em 25–40% dos lactentes |
| D (HDV) | Só com o HBV (coinfecção ou superinfecção); região amazônica | 30–180 dias | Formas mais graves |
| E (HEV) | Fecal-oral; genótipo 3 é zoonose (carne de porco malcozida) | 14–60 dias | Só no imunossuprimido |
Hepatite A: abaixo de 6 anos, a maioria é assintomática ou tem quadro inespecífico (febre, vômitos, diarreia, dor abdominal); em escolares e adolescentes predomina a forma ictérica — pródromo de febre, náuseas, anorexia e dor em hipocôndrio direito, seguido de colúria, acolia e icterícia. A transmissão é maior nas 2 semanas antes da icterícia e mínima 1 semana depois (AEP 2023). Formas atípicas: colestática prolongada, recidivante e insuficiência hepática aguda (rara; mais no adolescente e na hepatopatia prévia).
Hepatite B: a aguda é quase sempre assintomática na criança. A crônica (HBsAg > 6 meses) passa pelas fases imunotolerante, imunoativa e de portador inativo; o risco de cirrose (1–5% na infância) e de carcinoma hepatocelular persiste por toda a vida (PCDT Hepatite B 2023).
Hepatite C: a criança infectada por via vertical costuma ser assintomática, com ALT normal ou pouco alta; a cirrose na infância é rara (1–2%), mas o risco cresce na vida adulta (PCDT Hepatite C 2026).
2.Classificação de gravidade
| Gravidade | Critérios clínicos | Conduta |
|---|---|---|
| 🟢 Leve | Hepatite aguda com bom estado geral, aceitando via oral, sem sangramento, INR < 1,5, glicemia normal; criança exposta à hepatite B ou C em seguimento; hepatite B ou C crônica estável já acompanhada | Casa, hidratação e dieta conforme aceitação, sem hepatotóxicos; afastamento escolar na hepatite A e E; TGO/TGP, bilirrubinas e INR repetidos até a melhora; notificar; vacinar contactantes |
| 🟡 Moderada | Vômitos frequentes com aceitação parcial; icterícia intensa ou colestase prolongada (prurido, acolia persistente); recaída; hepatite aguda em criança com hepatopatia crônica, imunossupressão ou coinfecção HIV; hepatite B ou C confirmada (HBsAg ou HCV-RNA reagente) | Reavaliação clínica e laboratorial em 24–48 h; observação no PS se a via oral falhar; encaminhar ao hepatologista (ou gastroenterologista/infectologista) pediátrico — com prioridade se houver ALT persistentemente alta, sinais de cirrose ou coinfecção |
| 🔴 Grave | INR ≥ 1,5 que não corrige com vitamina K (insuficiência hepática aguda pelo PALF: INR > 1,5 com encefalopatia ou > 2 sem ela — SBP 2018); encefalopatia (sonolência, irritabilidade, confusão, inversão do sono, asterixe); hipoglicemia; vômitos incoercíveis ou desidratação; sangramento; ascite; icterícia em piora com redução do fígado e queda das transaminases; lactente com hepatite aguda | Pronto-socorro, com destino a hospital com UTI pediátrica e acesso a centro de transplante hepático (ver "Quando encaminhar") |
Fatores que elevam a gravidade: hepatopatia crônica (hepatite A sobreposta tem maior mortalidade), adolescência na hepatite A, coinfecção HBV-HDV, imunossupressão, desnutrição, uso de paracetamol ou outros hepatotóxicos, lactente pequeno.
3.Diagnóstico no consultório
Clínico: icterícia, colúria, acolia, hepatomegalia dolorosa; pergunte por contato, creche, viagem, vacinação, sorologia materna, transfusões, tatuagens, drogas injetáveis, atividade sexual e todos os medicamentos e chás (paracetamol, antiepilépticos, isoniazida, suplementos).
Exames na suspeita de hepatite aguda:
- Função e lesão hepática: TGO/TGP, bilirrubinas, GGT e fosfatase alcalina, TP/INR, albumina, glicemia, hemograma.
- Sorologia (GVS 2024): anti-HAV IgM (hepatite A aguda); HBsAg e anti-HBc IgM (hepatite B aguda); anti-HCV, com HCV-RNA se reagente; anti-HEV IgM quando A, B e C forem negativas; anti-HDV no HBsAg reagente de área endêmica.
- Diferencial que não pode passar: doença de Wilson (sobretudo com hemólise ou alteração neurológica), hepatite autoimune, lesão por medicamentos, mononucleose, hepatite isquêmica, doenças metabólicas no lactente e colestase neonatal abaixo de 3 meses.
Hepatite B: HBsAg reagente = infecção (crônica se > 6 meses); anti-HBs isolado ≥ 10 mUI/mL = vacinado; anti-HBc total + anti-HBs = infecção curada. Hepatite C abaixo de 18 meses: o anti-HCV pode ser materno; o diagnóstico é pelo HCV-RNA.
4.Tratamento e seguimento
Hepatite aguda (A, B, E): suporte — hidratação, dieta conforme a aceitação, repouso relativo, sem álcool; evitar hepatotóxicos e sedativos. Na febre e na dor, paracetamol com cautela, na menor dose e pelo menor tempo, sem passar de 10–15 mg/kg/dose e 75 mg/kg/dia (padrão do site; menos se houver jejum, desnutrição ou desidratação); suspender na insuficiência hepática. Dipirona 15 mg/kg/dose é alternativa (padrão do site), exceto durante o tratamento da hepatite C com antivirais de ação direta (PCDT Hepatite C 2026). Evitar ibuprofeno na coagulopatia.
Hepatite A — afastamento e contactantes:
- Afastamento da creche ou escola até 1 semana após o início dos sintomas ou da icterícia (AEP 2023); o Ministério da Saúde orienta afastar quando necessário e prolongar em surtos em creches com crianças de fraldas (GVS 2024).
- Contactantes suscetíveis (domiciliares, creche com caso confirmado): vacina da hepatite A em até 2 semanas a partir de 12 meses; abaixo de 12 meses, imunoglobulina humana normal 0,1 mL/kg IM; imunodeprimido ou hepatopata ≥ 12 meses, vacina + imunoglobulina (CDC 2020; SBP e MS sem dose; fora do Manual dos CRIE 2023).
- Vacina (calendários): PNI — dose única aos 15 meses (até 4 anos, 11 meses e 29 dias); SBP — 2 doses a partir de 12 meses (12 e 18 meses); CRIE — 2 doses para hepatopatia crônica, portadores de hepatite B ou C, HIV, imunossupressão, trissomias e outras condições (GVS 2024).
Filho de mãe HBsAg positiva (coerente com Profilaxia pós-exposição e Guia Vacinal):
- Vacina hepatite B nas primeiras 12 h + IGHAHB 0,5 mL IM em coxa diferente, em qualquer peso ou idade gestacional; IGHAHB até o 7º dia se o resultado materno chegar depois (SBP; CRIE 2023). Mãe com HBsAg desconhecido: teste rápido na admissão para o parto.
- Esquema: SUS — dose ao nascer + pentavalente aos 2, 4 e 6 meses (4 doses); SBP — 0, 2 e 6 meses (ou 0, 2, 4, 6); ≤ 2 kg ou < 33 semanas: 4 doses (SBP 2026/2027).
- Amamentação mantida, mesmo sem profilaxia completa (GVS 2024).
- Sorologia: HBsAg e anti-HBs 1 a 2 meses após a última dose, a partir de 9 meses se recebeu IGHAHB (PCDT 2023, que em outro trecho cita 30 a 60 dias); anti-HBs ≥ 10 mUI/mL e HBsAg negativo = protegido, fim do seguimento; anti-HBs < 10 e HBsAg negativo = repetir o esquema completo e nova sorologia; HBsAg reagente = infecção, encaminhar.
Hepatite B crônica — o que é do pediatra: confirmar HBsAg após 6 meses; pedir HBeAg/anti-HBe, HBV-DNA, ALT, INR, hemograma, anti-HCV, anti-HIV, anti-HDV (área endêmica), anti-HAV IgG e ultrassom; vacinar contra hepatite A; testar e vacinar contactantes. Sem restrição a esportes, creche ou escola (PCDT 2023). Encaminhar ao hepatologista pediátrico.
Quando tratar (PCDT 2023, decisão do especialista): HBV-DNA ≥ 2.000 UI/mL e ALT ≥ 1,3 × LSN por ≥ 6 meses (pelo menos 2 dosagens de cada). Também: cirrose, manifestação extra-hepática, coinfecção HIV ou HDV, carcinoma hepatocelular na família, sinais de gravidade e prevenção de reativação antes de imunossupressão.
Hepatite C — criança exposta (PCDT Hepatite C 2026): HCV-RNA entre 3 e 6 meses → anti-HCV aos 18 meses (não reagente = descartado; reagente = novo HCV-RNA). HCV-RNA detectável: notificar e repetir anti-HCV e HCV-RNA aos 18 meses. Parto cesáreo não reduz a transmissão; amamentação permitida (SBP; PCDT 2026) — com fissura sangrante, suspender só na mama afetada até cicatrizar (SBP); não amamentar com HIV materno nem durante antiviral.
Hepatite C crônica: encaminhar; abaixo de 3 anos, apenas seguimento (pode haver cura espontânea); a partir de 3 anos e 17 kg, todas as crianças são tratadas, com controle de HCV-RNA 12 semanas após o término (cura = indetectável).
| Medicamento | Dose | Intervalo | Duração | Observação e referência |
|---|---|---|---|---|
| Vacina hepatite B | 0,5 mL IM (até 19 anos) | Ao nascer (< 12 h) e esquema | 3–4 doses | CRIE 2023; SBP 2026/2027; PCDT 2023 |
| IGHAHB (RN de mãe HBsAg+) | 0,5 mL IM | Dose única, coxa diferente | Até o 7º dia | CRIE 2023; SBP |
| Vacina hepatite A | 0,5 mL IM | PNI 15 meses; SBP 12 e 18 meses | 1–2 doses | GVS 2024; SBP 2026/2027 |
| Imunoglobulina humana normal (contato de hepatite A, < 12 meses) | 0,1 mL/kg IM | Dose única | Até 2 semanas da exposição | CDC 2020 (SBP e MS sem dose) |
| Entecavir (hepatite B, ≥ 2 anos e ≥ 10 kg) | 0,015 mg/kg/dia (máx. 0,5 mg); cirrose descompensada 0,03 mg/kg/dia (máx. 1 mg) | 1×/dia VO | Prolongada | Especialista; PCDT Hepatite B 2023 |
| Tenofovir disoproxila (hepatite B) | ≥ 12 anos e ≥ 35 kg: 300 mg; 2–12 anos (se contraindicação a entecavir e interferon): 8 mg/kg/dia (máx. 300 mg) | 1×/dia VO | Prolongada | Especialista; PCDT Hepatite B 2023 |
| Alfapeginterferona 2a (hepatite B HBeAg+, ≥ 3 anos) | 180 mcg/1,73 m²/semana SC | Semanal | 48 semanas | Especialista; PCDT Hepatite B 2023 |
| Sofosbuvir/velpatasvir granulado (hepatite C, 3–11 anos, 17–29,99 kg) | 200/50 mg | 1×/dia VO | 12 semanas | Especialista; PCDT Hepatite C 2026; Portaria SCTIE/MS nº 95/2025 |
| Sofosbuvir/velpatasvir comprimido (≥ 12 anos ou ≥ 30 kg) | 400/100 mg | 1×/dia VO | 12 semanas | Especialista; PCDT Hepatite C 2026; AEP 2023 |
Não usar: corticoide na hepatite aguda, "protetores hepáticos", chás, fitoterápicos e sedativos.
5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar
- INR ≥ 1,5 que não corrige com vitamina K; encefalopatia (sonolência, agitação, confusão, inversão do sono).
- Hipoglicemia; vômitos incoercíveis com desidratação; sangramento, ascite, edema.
- Icterícia em piora com fígado diminuindo, ou transaminases caindo com bilirrubina e INR subindo.
- Lactente, imunossuprimido ou hepatopata com piora.
Como encaminhar: glicemia capilar; hipoglicemia: glicose IV 0,5–1 g/kg (SG 10% 5–10 mL/kg) a partir de 1 mês (MS, Protocolo SAMU 192 — padrão do site), mantendo soro glicosado contínuo; acesso venoso; vitamina K IV (1 mg/kg, máx. 10 mg — AEP 2023), sem atrasar a remoção; oxigênio para manter SpO2 ≥ 94%; não dar sedativos, paracetamol nem AINE; contato prévio com o hospital, de preferência com acesso a centro de transplante hepático (SBP 2018); SAMU 192 se encefalopatia ou instabilidade.
6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família
- Hepatite A passa pelas fezes: lave as mãos após banheiro e fraldas e antes de cozinhar; a criança fica em casa até 1 semana após o início da icterícia.
- Irmãos e contactantes sem a vacina da hepatite A devem tomá-la: leve as cadernetas.
- Líquidos e a comida aceita; nada de remédios, chás ou "protetores do fígado" sem orientação.
- Volte ao pronto-socorro no mesmo dia se a criança ficar muito sonolenta, confusa ou agitada, vomitar tudo, tiver sangramento (gengiva, nariz, fezes pretas), barriga inchada, piora da icterícia ou não urinar.
- Filho de mãe com hepatite B: a amamentação continua; complete todas as doses da vacina e faça o exame de sangue no prazo pedido.
- Filho de mãe com hepatite C: os exames entre 3 e 6 meses e aos 18 meses dizem se houve infecção; com ferida sangrando no mamilo, não amamente daquele lado até cicatrizar.
- Hepatite B ou C não impede creche, escola ou esporte.
7.Comparação com as referências
| Item | SBP | Ministério da Saúde | AAP | NICE | AEP | Johns Hopkins | Harvard | Oxford / Cambridge |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Vacina hepatite A | 2 doses a partir de 12 meses | Dose única aos 15 meses; 2 doses no CRIE | 2 doses 12–23 meses | Sem diretriz localizada | 2 doses ≥ 12 meses (grupos de risco) | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
| Profilaxia e afastamento na hepatite A | Sem dose de IG localizada | Afastar se necessário; IG fora do CRIE | CDC 2020: vacina ≥ 12 meses em 2 semanas; IG 0,1 mL/kg < 12 meses | Sem diretriz localizada | Vacina em 14 dias; afastar 1 semana | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
| RN de mãe HBsAg+ | Vacina + IGHAHB < 12 h; IGHAHB até 7º dia | Idem; HBsAg e anti-HBs 1–2 meses após o esquema (≥ 9 meses) | CDC: HBsAg e anti-HBs aos 9–12 meses | Sem diretriz localizada | IGHB < 12 h; HBsAg e anti-HBs aos 6–12 meses | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
| Hepatite B crônica | Sem posição localizada | Tratar se HBV-DNA ≥ 2.000 e ALT ≥ 1,3 × LSN por 6 meses | Sem posição consultada | Encaminhar toda criança HBsAg+ ao hepatologista | ALT alta persistente + DNA ≥ 2.000; entecavir ou tenofovir ≥ 2 anos | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
| Criança exposta à hepatite C | Amamentar; suspender na mama com fissura sangrante | HCV-RNA 3–6 meses e anti-HCV aos 18 meses | HCV-RNA 2–6 meses; negativo encerra | Sem diretriz pediátrica localizada | HCV-RNA aos 3 meses; anti-HCV aos 18 meses | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
| Tratamento da hepatite C | Sem posição localizada | DAA a partir de 3 anos e 17 kg, 12 semanas | Encaminhar ao especialista | Sem diretriz pediátrica localizada | DAA ≥ 3 anos, por peso | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
Leitura: há convergência na vacina e IGHAHB nas primeiras 12 h do filho de mãe HBsAg positiva, na amamentação, nos antivirais de ação direta para a hepatite C a partir de 3 anos e na definição de insuficiência hepática aguda (PALF — SBP 2018 e AEP 2023). Divergem: doses da vacina da hepatite A (SBP e AAP 2; PNI 1); sorologia pós-vacinal do filho de mãe HBsAg positiva (MS 1–2 meses após o esquema e ≥ 9 meses; CDC 9–12 meses; AEP 6–12 meses); criança exposta à hepatite C — AAP/CDC 2023 encerra o seguimento com um HCV-RNA negativo, MS e AEP mantêm o anti-HCV aos 18 meses. O site adota a SBP onde ela tem posição (vacinas, profilaxia do recém-nascido, amamentação, insuficiência hepática aguda); nos demais itens, o Ministério da Saúde; sem posição de ambos, a AEP no afastamento da hepatite A e o CDC 2020 na imunoglobulina (0,1 mL/kg).
- Toda hepatite aguda pede INR e glicemia: INR ≥ 1,5 sem correção com vitamina K, sonolência ou hipoglicemia = pronto-socorro.
- Filho de mãe HBsAg positiva: vacina e IGHAHB nas primeiras 12 h, amamentação mantida e HBsAg com anti-HBs após o esquema.
- Filho de mãe com hepatite C: HCV-RNA entre 3 e 6 meses e anti-HCV aos 18 meses; tratamento com antiviral de ação direta a partir de 3 anos.
- Paracetamol com cautela na hepatite aguda e suspenso na insuficiência hepática; nada de chás e "protetores hepáticos".
- Hepatite A: afastar até 1 semana após a icterícia e vacinar contactantes suscetíveis em até 2 semanas; notificação obrigatória (compulsória) de todo caso confirmado e de surtos.
Veja também, nesta Biblioteca: Profilaxia pós-exposição e Guia Vacinal Completo (Imunizações); Calendário de vacinação da SBP 2026/2027 (Temas SBP); Transaminases elevadas e esteatose hepática (MASLD) na criança e Icterícia após o período neonatal, hepatopatia crônica e insuficiência hepática aguda (nesta área); Infecções sexualmente transmissíveis na adolescência e HIV na criança (Infectologia); Colestase Neonatal e Atresia de Vias Biliares e Icterícia Neonatal e Hiperbilirrubinemia (Neonatologia); Diarreia aguda e desidratação (Patologias do consultório).
8.Fontes
- Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Hepatite B e Coinfecções, 2023. PDF
- Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas Hepatite C e Coinfecções (Portaria SCTIE/MS nº 39, de 20/07/2026). PDF
- Ministério da Saúde. Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais, 6ª ed., 2023. PDF
- Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde, 6ª ed. revisada, volume 2 — Hepatites virais, 2024. PDF
- Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico de Hepatologia. Insuficiência hepática aguda em crianças e adolescentes (Documento Científico nº 2), 2018. PDF
- Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento de Aleitamento Materno. Doenças maternas infecciosas e amamentação (GPA nº 2), 2017, revisado em 2019. PDF
- AEP/SEGHNP. López Medina EM, Pérez Escrivá A, Piqueras Arenas AI. Hepatitis víricas. Protoc diagn ter pediatr, 2023. PDF
- American Academy of Pediatrics. Perinatal Hepatitis C. aap.org
- CDC. Prevention of Hepatitis A Virus Infection in the United States — ACIP Recommendations, MMWR 2020. cdc.gov
- CDC. Perinatal Hepatitis B — provider overview (sorologia pós-vacinal). cdc.gov
- NICE. Hepatitis B (chronic): diagnosis and management (CG165), 2013, atualizada 2017. nice.org.uk