Gastroenterologia e hepatologia pediátrica · Urgências digestivas

Pancreatite aguda e recorrente na criança

Critérios INSPPIRE, causas próprias da infância, gravidade pela NASPGHAN, hidratação, analgesia com opioide, nutrição enteral precoce e investigação da pancreatite recorrente e crônica

Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF

Em resumo

A pancreatite aguda (PA) na criança é diagnosticada com pelo menos 2 de 3 critérios (INSPPIRE): dor abdominal compatível, amilase e/ou lipase ≥ 3 vezes o limite superior da normalidade (LSN) e imagem compatível. Predominam causas biliares e anatômicas, medicamentos (valproato, asparaginase, azatioprina), trauma (inclusive maus-tratos), infecções, doenças sistêmicas, hipertrigliceridemia e predisposição genética; cerca de um quarto fica sem causa definida. A maioria dos casos é leve, mas toda criança com suspeita de PA deve ser avaliada em pronto-socorro e, em geral, internada (🔴): o tratamento é hidratação venosa vigorosa com cristaloide, analgesia eficaz — opioide se necessário —, alimentação precoce pela boca ou por sonda, sem jejum prolongado, e antibiótico apenas na necrose infectada. A gravidade é definida pela disfunção de órgãos (NASPGHAN): transitória (≤ 48 h) é moderadamente grave; persistente (> 48 h), grave. Até um terço tem novo episódio: dois ou mais episódios (pancreatite aguda recorrente) ou sinais de pancreatite crônica exigem encaminhamento ao gastroenterologista pediátrico para investigação genética, teste do suor e colangiorressonância.

1.O que é e como se apresenta

Inflamação aguda do pâncreas por ativação das enzimas digestivas, com edema e, nos casos graves, necrose e resposta inflamatória sistêmica.

Definições (INSPPIRE 2012; NASPGHAN 2017 e 2018):

Entidade Definição
Pancreatite aguda 2 de 3: dor abdominal compatível; amilase e/ou lipase ≥ 3× LSN; imagem compatível (ultrassonografia, tomografia ou ressonância)
Pancreatite aguda recorrente ≥ 2 episódios distintos de PA, com retorno ao estado basal entre eles (sem dor e com enzimas normais), sem alterações estruturais irreversíveis
Pancreatite crônica Alterações estruturais irreversíveis do pâncreas (calcificações, alterações ductais, atrofia) com dor típica, insuficiência exócrina ou endócrina (diabetes)

Quadro clínico: dor epigástrica, contínua, às vezes irradiada para o dorso, com náuseas e vômitos e posição antálgica (AEP 2023). No lactente e no pré-escolar o quadro é inespecífico — irritabilidade, vômitos, distensão, febre — e o diagnóstico exige alto grau de suspeição (NASPGHAN 2018).

Causas na criança (NASPGHAN 2018; AEP 2023):

  • Biliares e obstrutivas: colelitíase e barro biliar (anemias hemolíticas, obesidade, nutrição parenteral, ceftriaxona), cisto de colédoco, má junção biliopancreática, pâncreas divisum.
  • Medicamentos: valproato, L-asparaginase e pegaspargase (LLA), azatioprina e 6-mercaptopurina, mesalazina, análogos do GLP-1.
  • Trauma abdominal: guidão de bicicleta, trânsito. Em lactente ou pré-escolar sem história compatível, considerar maus-tratos (trauma abdominal não acidental).
  • Infecções: caxumba, Epstein-Barr, citomegalovírus, hepatite A, Mycoplasma; migração de áscaris para a via biliar ou pancreática.
  • Doenças sistêmicas: sepse e choque, síndrome hemolítico-urêmica, vasculite por IgA, lúpus, doença inflamatória intestinal, cetoacidose diabética.
  • Metabólicas: hipertrigliceridemia (em geral ≥ 1.000 mg/dL), hipercalcemia, erros inatos do metabolismo.
  • Genéticas: mutações em PRSS1 (pancreatite hereditária, autossômica dominante), SPINK1, CFTR (inclusive fibrose cística com suficiência pancreática) e CTRC, mais comuns na forma recorrente e na crônica.
  • Autoimune e idiopática (cerca de 24%).

2.Classificação de gravidade

Gravidade da PA pela NASPGHAN (2017):

  • Leve: sem disfunção de órgão nem complicação; resolve na primeira semana — a mais comum.
  • Moderadamente grave: disfunção de órgão transitória (≤ 48 h) ou complicação local (coleção peripancreática, necrose) ou sistêmica (piora de doença prévia).
  • Grave: disfunção de órgão persistente (> 48 h), pelos critérios pediátricos de sepse por idade.
Gravidade Critérios clínicos Conduta
🟢 Leve Amilase ou lipase elevada sem dor compatível (achado de exame) em criança em bom estado; ou criança após a alta de PA leve, sem dor, comendo normalmente Seguimento pelo pediatra: repetir enzimas, pensar em causa não pancreática; após a alta, rever a causa e orientar recorrência
🟡 Moderada Pancreatite aguda recorrente (≥ 2 episódios) ou suspeita de pancreatite crônica (dor recorrente com esteatorreia, perda de peso, calcificações, diabetes) fora de crise; PA de causa não esclarecida Encaminhar ao gastroenterologista pediátrico, com prioridade, com exames iniciais (ver Diagnóstico); crise de dor = 🔴
🔴 Grave Toda suspeita de pancreatite aguda (dor epigástrica com vômitos, com ou sem enzimas disponíveis); com mais urgência se houver choque, desidratação, hipoxemia, oligúria, alteração de consciência, icterícia com febre Pronto-socorro e internação: hidratação venosa, analgesia, monitorização; UTI na disfunção de órgão (ver "Como encaminhar")

Fatores de risco que elevam a gravidade

  • Disfunção de órgão nas primeiras 48 h; síndrome da resposta inflamatória sistêmica (aumenta o risco de disfunção persistente — NASPGHAN 2017).
  • Lipase ≥ 7× LSN nas primeiras 24 h (preditor ainda não validado — NASPGHAN 2018); fora isso, a enzima não mede a gravidade.
  • Hipertrigliceridemia, doença sistêmica grave, trauma com lesão ductal, necrose na imagem.
  • Idade < 7 anos e peso < 23 kg (escore de DeBanto, AEP 2023).

3.Diagnóstico no consultório

O pediatra suspeita; a confirmação costuma ser feita no pronto-socorro. Não atrasar o encaminhamento à espera de exames.

Enzimas:

  • Lipase é preferível: mais específica, eleva-se em 4–6 h, pico em 24 h e permanece alta por 6–10 dias (AEP 2023).
  • Amilase pode ser normal em 10–15% e normalizar em 2 dias; é pouco específica (salivar, intestino, ovário).
  • Elevação não pancreática: insuficiência renal ou hepática, doença inflamatória intestinal, celíaca, cetoacidose, trauma craniano, macroamilasemia (NASPGHAN 2018).

Exames na primeira crise (NASPGHAN 2018, recomendação 1c; INSPPIRE 2012):

Objetivo Exames
Confirmar Lipase (e/ou amilase)
Causa ALT, AST, GGT, fosfatase alcalina, bilirrubinas; triglicerídeos; cálcio; ultrassonografia abdominal (litíase, barro, dilatação de vias biliares, cisto de colédoco)
Gravidade e hidratação Hemograma, eletrólitos, ureia e creatinina, glicemia, gasometria e lactato se grave, PCR; diurese; SpO2
Conforme o caso Sorologias virais; radiografia de tórax; investigação de maus-tratos

Imagem (NASPGHAN 2018; NASPGHAN/SPR 2021): ultrassonografia é o exame inicial; tomografia com contraste só se o diagnóstico for duvidoso (apresentação tardia com enzimas já normais) ou se houver piora clínica — para avaliar necrose, idealmente após 96 h do início; colangiorressonância para via biliar e ductos na suspeita de obstrução e na pancreatite recorrente.

Diagnóstico diferencial que não pode passar: apendicite, úlcera perfurada, colecistite e colangite, invaginação, volvo, cetoacidose diabética (glicemia capilar), pneumonia de base, gravidez ectópica, trauma não acidental (ver "Dor abdominal aguda").

4.Tratamento e seguimento

O tratamento da PA é hospitalar. O pediatra suspeita, estabiliza, encaminha e acompanha após a alta. Não há documento da SBP nem do Ministério da Saúde sobre o manejo da pancreatite na criança; o site segue o relatório da NASPGHAN (2018), único documento específico para crianças, convergente com o NICE (NG104, que inclui crianças).

1. Hidratação (NASPGHAN 2018, recomendações 2ai e 2aii):

  • Cristaloide — Ringer lactato ou soro fisiológico 0,9%.
  • Com comprometimento hemodinâmico: bolus de 10–20 mL/kg, repetido conforme a perfusão (no choque, seguir o padrão do site: SF 0,9% 20 mL/kg).
  • Depois, 1,5 a 2 vezes a manutenção (Holliday-Segar: 100 mL/kg/dia até 10 kg, + 50 mL/kg/dia de 10 a 20 kg, + 20 mL/kg/dia acima de 20 kg) nas primeiras 24–48 h, com controle de diurese (meta > 0,5–1 mL/kg/h), ureia e creatinina.
  • Sinais vitais pelo menos a cada 4 h nas primeiras 48 h.

2. Analgesia — a dor deve ser controlada; opioide é permitido e não há evidência de que a morfina prejudique o esfíncter de Oddi (NASPGHAN 2018, recomendação 2ci). Antiemético: ondansetrona, nas doses do documento "Diarreia aguda e desidratação".

Medicamento Dose Intervalo Duração Observação e referência
Dipirona 15 mg/kg/dose 6/6 h (máx. 4 doses/dia) Enquanto houver dor Padrão do site (SBP); não usar < 3 meses ou < 5 kg (bula)
Paracetamol 10–15 mg/kg/dose 4–6 h (máx. 5 doses/dia) Enquanto houver dor Máx. 75 mg/kg/dia, nunca > 4 g/dia (padrão do site, SBP); cautela no jejum e na desidratação (hepatotoxicidade)
Morfina IV 0,05–0,1 mg/kg/dose 4/4 h (titular a cada 10–20 min, se necessário) Enquanto houver dor intensa SBP 2024 (documento "Analgesia e sedação"); só no serviço, com monitorização; NASPGHAN 2018: opioide se não houver resposta a paracetamol ou AINE
  • AINE (ibuprofeno): aceito pela NASPGHAN, mas evitar enquanto houver desidratação ou risco de lesão renal (padrão do site).

3. Nutrição — sem jejum prolongado:

  • NASPGHAN 2018 (2di): na PA leve, alimentação oral ou enteral precoce, nas primeiras 48–72 h, reduz internação e disfunção de órgão; não é preciso esperar a normalização das enzimas.
  • NICE NG104: não deixar em jejum sem motivo claro (por exemplo, vômitos); na PA moderadamente grave ou grave, enteral em até 72 h.
  • Nutrição parenteral só se a enteral for inviável por mais de 5–7 dias (NASPGHAN 2018, 2dii).
  • A SBP (Suporte Nutricional, 2018) inclui a pancreatite entre as indicações de nutrição enteral.

4. Antibiótico — não usar profilaxia:

  • Antibiótico profilático não é recomendado, nem na PA grave (NASPGHAN 2018, 2ei; NICE NG104).
  • Reservar para necrose infectada e infecções extrapancreáticas (colangite, pneumonia, cateter) — escolha e doses do serviço.

5. Causa e complicações (no hospital):

  • Biliar: CPRE na coledocolitíase com colangite ou icterícia obstrutiva; colecistectomia antes da alta na PA biliar leve (NASPGHAN 2018, 2li).
  • Hipertrigliceridemia: tratamento hospitalar (ver "Dislipidemias").
  • Medicamento: suspender o suspeito; na LLA, nova exposição à asparaginase é decisão do oncologista.
  • Coleções e necrose: conservador; drenagem, se necessária, endoscópica ou percutânea, de preferência após 4 semanas (NASPGHAN 2018).
  • Não usar: inibidores de protease, antioxidantes ou probióticos na PA (NASPGHAN 2018).

6. Seguimento pelo pediatra após a alta:

  • Confirmar que a causa foi investigada e os medicamentos suspeitos, revistos.
  • Recorrência em 15–35% (NASPGHAN 2018; AEP 2023): orientar a família a reconhecer a dor.
  • Pseudocisto (sobretudo após trauma): dor persistente, massa, vômitos ou febre → reavaliação.

Pancreatite aguda recorrente e crônica — do gastroenterologista pediátrico (🟡):

  • Investigação (INSPPIRE 2017): enzimas hepáticas, lipídios em jejum, cálcio, teste do suor (mesmo com triagem neonatal normal), genética (PRSS1, SPINK1, CFTR, CTRC), colangiorressonância (com secretina quando disponível), triagem de doença celíaca.
  • Pancreatite crônica: avaliação anual de insuficiência exócrina, vitaminas lipossolúveis e insuficiência endócrina (INSPPIRE 2017); o NICE pede HbA1c pelo menos a cada 6 meses e densitometria a cada 2 anos.
  • Enzimas pancreáticas, dor e procedimentos: centro de referência. Pancreatite hereditária: aconselhamento genético; evitar tabaco e álcool (NICE NG104).

5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar

  • Toda suspeita de pancreatite aguda: dor epigástrica intensa com vômitos, sobretudo com fator de risco (colelitíase, trauma, valproato, asparaginase, azatioprina, hipertrigliceridemia, pancreatite prévia).
  • Dor abdominal com amilase ou lipase ≥ 3× LSN.
  • Sinais de gravidade: taquicardia, hipotensão, má perfusão, desidratação, oligúria, taquipneia ou SpO2 < 92%, alteração de consciência, distensão com íleo, icterícia com febre (colangite).
  • Triglicerídeos ≥ 1.000 mg/dL ou soro lipêmico com dor abdominal (padrão do documento "Dislipidemias e hipercolesterolemia familiar").
  • Trauma abdominal com dor epigástrica — e suspeita de maus-tratos.
  • Criança com pancreatite recorrente ou crônica em nova crise de dor.

Como encaminhar

  1. Não atrasar a remoção por exames.
  2. Avaliar ABC; com sinais de choque ou desidratação importante, acesso venoso e SF 0,9% 20 mL/kg, quando disponível (padrão do site).
  3. Oxigênio para manter SpO2 94–98% durante o encaminhamento.
  4. Analgesia antes da saída (dipirona ou paracetamol), sem medo de mascarar o diagnóstico; sem via oral se houver vômitos ou suspeita cirúrgica.
  5. Glicemia capilar (cetoacidose diabética; hiperglicemia da pancreatite grave).
  6. SAMU (192) se houver choque, desconforto respiratório ou alteração de consciência; contato prévio com o serviço.
  7. Relatório: início da dor, medicamentos, trauma, episódios e casos familiares, exames.
  8. Suspeita de maus-tratos: documentar, notificação obrigatória (compulsória) e Conselho Tutelar, sem precisar de confirmação.

6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família

  • "Depois da alta, a criança come normalmente; dieta especial só se o médico indicar (por exemplo, triglicerídeos altos)."
  • "Algumas crianças têm nova crise; se a dor voltar, procure atendimento."
  • Procurar o pronto-socorro se houver: dor forte na parte de cima da barriga ou que vai para as costas, vômitos repetidos, barriga inchada, febre (temperatura axilar ≥ 37,5 °C) com dor, olhos ou pele amarelos, sonolência, falta de ar, pouca urina.
  • Retorno programado com o pediatra depois da alta e encaminhamento ao gastroenterologista pediátrico se houver um segundo episódio.

7.Comparação com as referências

Item SBP Ministério da Saúde AAP NICE AEP Johns Hopkins Harvard Oxford / Cambridge
Diagnóstico Sem documento específico localizado Sem protocolo localizado Sem posição específica localizada Lipase ou amilase; TC se enzimas normais Lipase mais específica Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE
Analgesia Sem documento — — Equipe multiprofissional da dor Meperidina como analgésico mais usado Sem posição localizada Sem posição localizada Segue o NICE
Nutrição Pancreatite entre indicações de nutrição enteral (2018) — — Sem jejum sem motivo; enteral em até 72 h se grave Jejum e parenteral; dieta oral após normalizar amilase Sem posição localizada Sem posição localizada Segue o NICE
Antibiótico Sem documento — — Nunca profilático Profilaxia não indicada; uso precoce só na PA grave Sem posição localizada Sem posição localizada Segue o NICE
Encaminhamento — — — Criança: discutir com gastro pediátrico e centro de pâncreas PAR e PC: genética (PRSS1, SPINK1, CFTR, CTRC) Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE

Leitura: a SBP não tem documento específico (o de Suporte Nutricional, 2018, só inclui a pancreatite entre as indicações de nutrição enteral), o Ministério da Saúde não tem protocolo e a AAP não tem diretriz própria. Por isso, o site segue a NASPGHAN (2017 e 2018), documentos pediátricos baseados no INSPPIRE, que convergem com o NICE NG104 — diretriz que inclui crianças — em três pontos centrais: hidratação com cristaloide, alimentação precoce sem jejum prolongado e nenhum antibiótico profilático. A principal divergência é do protocolo da AEP/SEGHNP (2023), que mantém jejum, nutrição parenteral e dieta só após normalizar a amilase, prefere a meperidina e admite antibiótico precoce na PA grave — condutas que o site não adota. Johns Hopkins e Harvard, sem posição específica localizada; Oxford e Cambridge seguem o NICE. Posição adotada: na falta de posição da SBP e do Ministério da Saúde, NASPGHAN 2018, em concordância com o NICE.

Pontos práticos
  1. Pancreatite = 2 de 3: dor compatível, amilase ou lipase ≥ 3× LSN, imagem. Prefira a lipase; a altura da enzima não mede a gravidade.
  2. Na criança, pense em via biliar, medicamentos (valproato, asparaginase, azatioprina), trauma — inclusive maus-tratos —, infecção, doença sistêmica, triglicerídeos e genética. Primeira crise: enzimas hepáticas, triglicerídeos, cálcio e ultrassonografia.
  3. Suspeita de pancreatite aguda é pronto-socorro e internação (🔴); gravidade pela disfunção de órgão: transitória ≤ 48 h moderadamente grave, persistente > 48 h grave.
  4. Hidratação com cristaloide (bolus 10–20 mL/kg se instável, depois 1,5–2× manutenção), analgesia eficaz com opioide se necessário e alimentação precoce — sem jejum prolongado.
  5. Sem antibiótico profilático; só na necrose infectada ou em infecção documentada.
  6. Segundo episódio ou sinais de cronicidade: gastroenterologista pediátrico com prioridade, para teste do suor, genética e colangiorressonância.

Veja também, nesta Biblioteca: Dor abdominal aguda (Patologias do consultório); Dislipidemias e hipercolesterolemia familiar (Cardiologia); Icterícia após o período neonatal, hepatopatia crônica e insuficiência hepática aguda (nesta área — colelitíase); Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) (Oncologia); Fibrose cística — da triagem neonatal ao seguimento (Pneumologia); Trauma pediátrico e Analgesia e sedação (Urgências).

8.Fontes

  • NASPGHAN. Abu-El-Haija M, Kumar S et al. The Management of Acute Pancreatitis in the Pediatric Population — Clinical Report From the NASPGHAN Pancreas Committee. J Pediatr Gastroenterol Nutr, 2018. PDF
  • NASPGHAN. Abu-El-Haija M, Kumar S, Szabo F et al. Classification of Acute Pancreatitis in the Pediatric Population — Clinical Report From the NASPGHAN Pancreas Committee. J Pediatr Gastroenterol Nutr, 2017. PDF
  • INSPPIRE. Morinville VD et al. Definitions of pediatric pancreatitis and survey of present clinical practices. J Pediatr Gastroenterol Nutr, 2012. PubMed
  • INSPPIRE. Gariepy CE et al. Causal Evaluation of Acute Recurrent and Chronic Pancreatitis in Children — Consensus From the INSPPIRE Group. J Pediatr Gastroenterol Nutr, 2017. PMC
  • NASPGHAN e Society for Pediatric Radiology. Trout AT et al. Noninvasive Imaging of Pediatric Pancreatitis, 2021 (resumo). PubMed
  • NICE. Pancreatitis (NG104), 2018, atualizada em 2020. nice.org.uk; recomendações. nice.org.uk
  • AEP e SEGHNP. Protocolos diagnósticos y terapéuticos en Gastroenterología, Hepatología y Nutrición Pediátrica — Otras enfermedades del páncreas exocrino, 2023 (atualizado em 2022). PDF
  • Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento de Suporte Nutricional. Nutrição enteral em pacientes pediátricos (notícia do documento científico), 2018. sbp.com.br