Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF
A trissomia do 18 (Edwards) e a trissomia do 13 (Patau) são as aneuploidias autossômicas mais frequentes depois da síndrome de Down. O NIPT é rastreamento; o diagnóstico é sempre pelo cariótipo, que separa trissomia livre, translocação e mosaicismo, com prognóstico e recorrência diferentes. A mortalidade precoce é alta (mediana de 9 a 12,5 dias), mas 13–20% vivem mais de 1 ano e 10–13% chegam aos 10 anos (Nelson, JAMA 2016). Por isso, "incompatível com a vida" não serve como justificativa isolada para negar ou impor tratamento. A conduta é a decisão compartilhada e individualizada: conforto exclusivo e cuidado que prolonga a vida são opções eticamente aceitáveis (AAP 2025), com cuidados paliativos desde o diagnóstico. Criança estável, com plano de cuidado combinado, é seguida em casa pelo pediatra (🟢), com genética, cardiologia e paliativos. Apneia com cianose, desconforto respiratório, convulsão prolongada ou desidratação levam ao pronto-socorro (🔴), conforme o plano antecipado de cuidados. As anomalias são de notificação obrigatória (compulsória) na DNV.
1.O que é e como se apresenta
- Trissomia do 18: 1/6.000 a 1/8.000 nascidos vivos; cerca de 94% livre, menos de 5% mosaico, 2% parcial (Cereda e Carey, 2012).
- Trissomia do 13: cerca de 1/5.000 nascidos vivos; até 10% por translocação, em geral robertsoniana, como a rob(13;14) (NHS Genomics Education).
- A trissomia livre vem de não disjunção, mais frequente com a idade materna. Mosaico e formas parciais podem ter fenótipo incompleto e sobrevida bem maior.
Ultrassonografia pré-natal (sugere, não diagnostica): na trissomia do 18, RCIU precoce, polidrâmnio, mãos cerradas, pés em mata-borrão ou pé torto, cardiopatia, onfalocele, cistos de plexo coroide, artéria umbilical única; na trissomia do 13, holoprosencefalia, fenda labiopalatina, microftalmia, polidactilia, cardiopatia, rins hiperecogênicos. Translucência nucal aumentada nas duas.
Fenótipo ao nascer:
- Trissomia do 18: RCIU com pouco tecido subcutâneo, mãos cerradas com o 2º dedo sobre o 3º e o 5º sobre o 4º, unhas hipoplásicas, pés em mata-borrão (calcanhar proeminente), occipital proeminente, micrognatia, orelhas displásicas, esterno curto, limitação da abertura das coxas, cardiopatia em 90% ou mais (CIV com doença de várias valvas, canal arterial), onfalocele, atresia de esôfago, rim em ferradura (AEP 2010).
- Trissomia do 13: holoprosencefalia com defeitos de linha média (hipotelorismo, ciclopia, probóscide), fenda labiopalatina, microftalmia ou anoftalmia, coloboma, polidactilia pós-axial, aplasia cutis no couro cabeludo, hemangiomas, cardiopatia, rins policísticos, onfalocele (AEP 2010; NHS Genomics Education).
Prognóstico real (dados populacionais):
| Estudo | Trissomia do 13 | Trissomia do 18 |
|---|---|---|
| Ontário, 1991–2012 (Nelson, JAMA 2016) | Mediana 12,5 dias; 1 ano 19,8%; 10 anos 12,9% | Mediana 9 dias; 1 ano 12,6%; 10 anos 9,8% |
| Texas, 1999–2008 (Ludorf, JAMA Netw Open 2025; 798 nascidos vivos) | 10 anos: completa 4,9%; mosaico ou parcial 25% | 10 anos: completa 6,6%; mosaico ou parcial 43,8% |
- Causas de morte: apneia central, insuficiência cardíaca, hipoventilação, aspiração, obstrução de via aérea superior e hipertensão pulmonar (Cereda e Carey, 2012; AEP 2010).
- Desenvolvimento: deficiência intelectual grave, com aquisições como sorriso social, reconhecer a família e, às vezes, marcha com apoio (AEP 2010).
2.Classificação de gravidade
| Gravidade | Critérios clínicos | Conduta |
|---|---|---|
| 🟢 Leve | Diagnóstico confirmado, estável em casa, com plano de cuidado combinado; alimentação por boca, sonda ou gastrostomia com ganho de peso; sem apneias com cianose; convulsões controladas | Seguimento pelo pediatra, com genética, cardiologia, paliativos e reabilitação; vacinas em dia; apoio à família |
| 🟡 Moderada | Suspeita clínica ou pré-natal sem cariótipo; diagnóstico recente sem plano de cuidado; piora da alimentação, engasgos, perda de peso; apneias breves que cedem sozinhas ou ronco com pausas; convulsão nova já cessada; família sem apoio | Encaminhar com prioridade à genética médica e, conforme o caso, à cardiologia, à neurologia, à fonoaudiologia e aos paliativos; pedir os exames iniciais; reavaliação próxima |
| 🔴 Grave | Apneia com cianose ou bradicardia, desconforto respiratório, SpO2 abaixo do habitual, insuficiência cardíaca, convulsão ≥ 5 minutos ou em salvas, desidratação, febre com toxemia, sonda ou gastrostomia deslocada sem como hidratar | Pronto-socorro ou hospital, respeitando o plano antecipado de cuidados; se a família optou por conforto exclusivo em casa, acionar a equipe de paliativos e tratar os sintomas no domicílio |
Fatores que elevam a gravidade
- Trissomia completa, prematuridade, baixo peso, sexo masculino.
- Cardiopatia com repercussão, hipertensão pulmonar, ventilação mecânica (antes da cirurgia cardíaca, chance de morte mais de 8 vezes maior; Cooper, JAHA 2019).
- Holoprosencefalia, apneias centrais, micrognatia grave, aspiração.
3.Diagnóstico no consultório
Pré-natal:
- Rastreamento: teste combinado do 1º trimestre e NIPT; no Reino Unido faz parte do pré-natal (NHS); no SUS, não localizamos programa nacional.
- NIPT positivo não é diagnóstico: o valor preditivo positivo é menor na trissomia do 13 (sobretudo em gestante jovem) e o mosaicismo confinado à placenta gera falso-positivos. Confirmar por cariótipo (QF-PCR ou FISH para resultado rápido) em vilo corial ou líquido amniótico (NHS). Nenhuma decisão irreversível se baseia só no rastreamento.
- Confirmado o diagnóstico: cuidado paliativo perinatal e plano de parto (local com recursos, reanimação ou conforto).
Pós-natal:
- Cariótipo de sangue periférico em todo RN com suspeita, mesmo com exame pré-natal sugestivo. QF-PCR ou FISH ajudam nas decisões iniciais, mas não substituem o cariótipo, que identifica translocação e mosaicismo; na suspeita de mosaico com sangue normal, o geneticista pode pedir cariótipo de pele. O microarray não distingue a translocação.
- Anomalias associadas: ecocardiograma, ultrassonografia de abdome e transfontanelar, avaliação oftalmológica, auditiva e da deglutição.
- Enquanto o diagnóstico não está confirmado, o RN recebe o suporte de qualquer RN (AAP 2025; PRN-SBP 2026: na dúvida, reanimar).
- Diferencial: acinesia fetal (Pena-Shokeir), holoprosencefalia não cromossômica, Meckel-Gruber, Smith-Lemli-Opitz, triploidia — o diagnóstico nunca é só clínico.
- Comunicar com método (ver "Comunicação de notícias difíceis"): ambiente reservado, os pais juntos, chamar o bebê pelo nome.
4.Tratamento e seguimento
Decisão compartilhada:
- "Letal" ou "incompatível com a vida" não descreve os dados e não justifica, sozinho, negar ou impor tratamento. A AAP (ago/2025) afirma que o conforto exclusivo é moralmente aceitável e deve ser oferecido a todos os pais, e que o diagnóstico sozinho não justifica negar terapias que possam prolongar a vida ou permitir a alta; valem as mesmas regras éticas das outras crianças.
- Informar sobrevida real e desfecho com e sem cada tratamento, considerando idade gestacional, peso, cardiopatia, tipo citogenético e valores da família; registrar e rever as decisões.
- Planos possíveis: conforto exclusivo; cuidado intermediário (oxigênio, sonda, tratamento de infecções, sem intubação nem reanimação); tratamento pleno, inclusive cirurgia — sempre com paliativos em paralelo.
Intervenções:
- Cirurgia cardíaca: no registro STS (Cooper, JAHA 2019; 343 operações em 304 pacientes, 2010–2017), mortalidade operatória de 15%. No Boston Children's (Greene, JTCVS Open 2024), sobrevida de 79% em 1 ano e 70% em 5 anos nos operados, contra 51,5% e 35% nos não operados. Há viés de seleção (operam-se os mais estáveis); a indicação é individual (ver "Cardiopatias nas síndromes genéticas").
- Outras: gastrostomia, correção de atresia de esôfago ou onfalocele, traqueostomia — decisões compartilhadas.
Apneias: centrais (controle anormal da respiração; principal causa de morte súbita) e obstrutivas (micrognatia, glossoptose, hipotonia, laringo e traqueomalácia). Perguntar sempre por ronco, pausas, cianose e engasgos; polissonografia ou oximetria noturna conforme o plano. Posicionamento, oxigênio, CPAP ou traqueostomia são decididos com a família; no conforto, o objetivo é o alívio.
Cuidado no domicílio (o pediatra coordena):
- Alimentação: a maioria precisa de sonda e muitos de gastrostomia (em média aos 8 meses na trissomia do 18; Cereda e Carey, 2012); avaliar deglutição, tratar refluxo, prevenir aspiração.
- Convulsões: 25–50% na trissomia do 18, em geral de controle fácil (Cereda e Carey, 2012); manutenção com o neurologista e plano de resgate escrito.
- Rastreios: na trissomia do 18, ultrassonografia de abdome a cada 6 meses (Wilms e hepatoblastoma; Cereda e Carey, 2012); audição, visão, escoliose.
- Vacinas: calendário completo, sem negar vacinas pelo diagnóstico (AAP 2025); pelo Manual dos CRIE 2023 (Quadro 8), as trissomias recebem influenza anual, pneumocócica (VPC20, NT nº 52/2026), varicela (suscetíveis), hepatite A em 2 doses e meningocócica C; nirsevimabe conforme os critérios vigentes (ver "Imunização contra o VSR").
| Medicamento | Dose | Intervalo | Duração | Observação e referência |
|---|---|---|---|---|
| Midazolam (resgate de crise) | Intranasal 0,2 mg/kg; bucal 0,3 mg/kg; máx. 10 mg | Dose única | Crise ≥ 5 min | Padrão do site (protocolo de crise convulsiva) |
| Diazepam retal (resgate) | 0,5 mg/kg; máx. 10 mg | Dose única | Crise ≥ 5 min | Padrão do site |
| Paracetamol (dor, febre) | 10–15 mg/kg/dose; máx. 75 mg/kg/dia | 4/4 a 6/6 h (máx. 5 doses/dia) | Até 48–72 h sem reavaliação | Padrão do site; teto por dose da apresentação (bulas: gotas 200 mg/mL máx. 35 gotas, suspensão 32 mg/mL máx. 15 mL e 100 mg/mL máx. 2,5 mL abaixo de 12 anos; comprimidos só a partir de 12 anos; nunca > 1 g/dose) |
| Dipirona (dor, febre) | 15 mg/kg/dose | 6/6 h (máx. 4 doses/dia) | Conforme sintomas | Padrão do site; não usar abaixo de 3 meses ou de 5 kg (bula) |
| Anticonvulsivante de manutenção | Conforme neurologista | — | Contínuo | PCDT de Epilepsia (MS) |
| Opioides e sedação paliativa | Conforme equipe de paliativos | — | — | Prescrição da equipe especializada |
- Não usar: rótulo prognóstico no lugar de dados; anti-histamínicos sedativos (padrão do site).
- Oxigênio: fora do plano de conforto, SpO2 entre 94% e 98%; na cardiopatia com shunt ou hipertensão pulmonar, meta do cardiologista.
Cuidados paliativos: começam no diagnóstico, pré ou pós-natal, em paralelo a qualquer tratamento, sem exigir prognóstico curto nem ordem de não reanimar (SBP, DC nº 48/2026; PNCP, Portaria GM/MS 3.681/2024). Incluem plano antecipado escrito, controle de sintomas, apoio espiritual, escolha do local do cuidado e da morte (inclusive em casa) e acompanhamento do luto — ver "Cuidados de fim de vida e paliativos na UTI neonatal".
Aspectos éticos e legais no Brasil:
- Resolução CFM 1.805/2006 (ortotanásia): permite limitar ou suspender procedimentos que prolonguem a vida do doente em fase terminal de enfermidade grave e incurável, respeitada a vontade do representante legal; exige esclarecer as opções, fundamentar e registrar no prontuário, garante segunda opinião e todos os cuidados para aliviar o sofrimento, inclusive a alta.
- Código de Ética Médica (2018), art. 41, parágrafo único: nas situações irreversíveis e terminais, cuidados paliativos sem ações inúteis ou obstinadas; eutanásia é proibida.
- Fora da fase terminal, limitar suporte é decisão compartilhada no melhor interesse da criança, nunca unilateral nem baseada só no rótulo; em impasse, comitê de bioética.
Recorrência (com o geneticista; ver "Aconselhamento genético, consanguinidade e risco de recorrência"):
- Trissomia livre: em torno de 1% (Cereda e Carey, 2012; 0,55% na AEP 2010), somado ao risco da idade materna; oferecer diagnóstico pré-natal nas próximas gestações.
- Translocação: cariótipo dos pais obrigatório; se houver portador equilibrado, o risco depende do rearranjo e alcança outros familiares.
Notificação: registrar todas as anomalias na DNV — notificação obrigatória (compulsória) das anomalias congênitas (Portaria GM/MS nº 10.175/2026; NT nº 3/2026-SVSA/MS).
5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar
- Apneia com cianose, palidez ou bradicardia, ou pausas cada vez mais frequentes.
- Desconforto respiratório, gemência, SpO2 abaixo do habitual, suspeita de aspiração ou pneumonia.
- Insuficiência cardíaca (cansaço às mamadas, sudorese, taquipneia, hepatomegalia).
- Convulsão ≥ 5 minutos ou crises em salvas.
- Desidratação, vômitos persistentes; sonda ou gastrostomia deslocada sem como hidratar.
- Febre com toxemia.
Como encaminhar
- Consultar o plano antecipado de cuidados: se a escolha foi conforto exclusivo em casa, acionar a equipe de paliativos e tratar os sintomas no domicílio; se foi cuidado pleno ou intermediário, encaminhar.
- Aspirar secreções e posicionar (decúbito lateral na obstrução).
- Oxigênio para SpO2 entre 94% e 98% (padrão do site), exceto na cardiopatia com shunt ou hipertensão pulmonar (meta do cardiologista); estimular na apneia; bolsa e máscara se necessário.
- Convulsão: resgate com midazolam ou diazepam e protocolo de crise do site.
- SAMU (192) e contato prévio com o serviço.
- Relatório com cariótipo, cardiopatia, medicamentos, saturação habitual e cópia do plano de cuidado com os limites acordados.
6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família
- "Seu filho é uma criança, não um diagnóstico. Vamos cuidar dele com o que vocês decidirem conosco, e podemos rever as decisões a qualquer momento."
- "Tenham por escrito o plano de cuidado e o de crise convulsiva."
- Procurar ajuda imediata (ou a equipe de paliativos, conforme o plano): pausas na respiração com lábios roxos, falta de ar, gemido, convulsão que não para em 5 minutos, vômitos que não param, sonda fora do lugar, criança muito sonolenta, fria ou pálida.
7.Comparação com as referências
| Item | SBP | Ministério da Saúde | AAP | NICE | AEP | Johns Hopkins | Harvard | Oxford / Cambridge |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Diagnóstico | Cariótipo nas aneuploidias (padrão do site) | Sem documento específico | Suporte enquanto se confirma (2025) | Rastreio combinado (NHS); sem diretriz específica | Cariótipo; dos pais em toda T18 (2010) | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
| Prognóstico e cirurgia | Sem documento específico localizado | Sem documento específico | Intervenções, inclusive cirurgia cardíaca, discutidas caso a caso (2025) | — | Mortalidade acima de 90% até 2 anos (2010) | Sem posição específica localizada | Sobrevida maior nos operados (Greene 2024) | Segue o NICE |
| Decisão | Compartilhada; na dúvida, reanimar (PRN-SBP 2026) | — | Conforto aceitável; diagnóstico não justifica negar tratamento (2025) | Planejamento antecipado (NG61, 2016/2019) | Informar que nem todos vivem pouco (2010) | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
| Paliativos | Desde o diagnóstico (DC nº 48 e 52/2026) | PNCP (Portaria 3.681/2024) | Em todo o percurso (2025) | NG61: inclui RN e luto | — | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
| Notificação e recorrência | DNV (padrão do site) | Compulsória na DNV (Portaria 10.175/2026) | — | — | Recorrência 0,55% (2010) | — | — | Segue o NICE |
Leitura: há convergência em diagnóstico citogenético, confirmação do NIPT, paliativos desde o diagnóstico e decisão compartilhada. A mudança principal é da AAP (clinical report de ago/2025): o conforto exclusivo continua aceitável, mas o diagnóstico sozinho não justifica negar terapias, inclusive cirurgia. A AEP (2010), anterior aos dados de 2016–2025, enfatiza a mortalidade acima de 90% até 2 anos e indica cariótipo dos pais em toda trissomia do 18 (o NHS o reserva à translocação). O NICE não tem diretriz específica; Oxford e Cambridge o seguem. A SBP não tem documento específico localizado sobre as trissomias do 13 e do 18: o site adota os princípios da SBP (DC nº 48 e 52/2026; PRN-SBP 2026), o MS na notificação e nos paliativos (PNCP 2024) e, na falta de posição de ambos sobre a decisão de tratar, a AAP 2025, por ser a referência mais recente e específica. Cariótipo dos pais: obrigatório na translocação; na trissomia livre, decisão do geneticista.
- NIPT é rastreamento: toda suspeita é confirmada por cariótipo, que define livre, translocação ou mosaico.
- Use dados, não rótulos: mediana de 9 a 12,5 dias, mas 10–13% vivem 10 anos, e mais no mosaico ou na forma parcial.
- Sem diagnóstico confirmado, o RN recebe o suporte de qualquer RN.
- Decisão compartilhada, registrada e revista; conforto exclusivo e tratamento pleno são opções éticas; paliativos desde o diagnóstico.
- Em casa: sonda ou gastrostomia, plano escrito para apneia e convulsão, ultrassonografia de abdome a cada 6 meses na trissomia do 18, vacinas com as adicionais do CRIE.
- Notificação obrigatória (compulsória) das anomalias na DNV e aconselhamento genético para toda família.
Veja também, nesta Biblioteca: Avaliação do RN com dismorfismos e Avaliação dismorfológica (Neonatologia); Cuidados de fim de vida e paliativos na UTI neonatal (Temas em Neonatologia); Comunicação de notícias difíceis e Cuidados paliativos pediátricos — o que são (Temas atualizados pela SBP); Cardiopatias nas síndromes genéticas (Cardiologia); Aconselhamento genético, consanguinidade e risco de recorrência e Quando pensar em doença genética e quais exames pedir (nesta área); Imunização contra o VSR (Imunizações).
8.Fontes
- AAP. Pyle AK et al. Guidance for Caring for Infants and Children With Trisomy 13 and Trisomy 18: Clinical Report. Pediatrics 2025;156(2):e2025072719 — resumo. guidelinecentral.com
- Nelson KE et al. Survival and Surgical Interventions for Children With Trisomy 13 and 18. JAMA 2016;316(4):420–428. PDF
- Ludorf et al. Long-Term Survival Among Children With Trisomy 13 and Trisomy 18 by Cytogenetic Status. JAMA Netw Open, 2025. PMC
- Cooper DS et al. Cardiac Surgery in Patients With Trisomy 13 and 18 (STS database). J Am Heart Assoc, 2019. pure.johnshopkins.edu
- Greene CL et al. (Boston Children's). Operative and nonoperative outcomes in patients with trisomy 13 and 18 with congenital heart disease. JTCVS Open, 2024. PMC
- Cereda A, Carey JC. The trisomy 18 syndrome. Orphanet J Rare Dis, 2012. PMC
- AEP. Pérez Aytés A. Trisomía 18 (síndrome de Edwards). Protoc diagn ter pediatr, 2010;1:96–100. PDF
- NHS. Edwards' syndrome (trisomy 18). nhs.uk
- NHS England Genomics Education Programme. Patau syndrome (trisomy 13). genomicseducation.hee.nhs.uk
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 1.805/2006. PDF
- SBP (DC nº 48 e 52/2026; PRN-SBP 2026) e MS (Portarias GM/MS nº 3.681/2024 e 10.175/2026; NT nº 3/2026-SVSA/MS; Manual dos CRIE 2023), conforme os documentos deste site.