Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF
A menstruação é um sinal vital (AAP/ACOG 2006, citado pela SBP; AEPap 2018): pergunte em toda consulta a data da última menstruação e o padrão do ciclo. Pela SBP (GPA nº 84/2023), o ciclo normal da adolescente tem intervalo de 21 a 45 dias, fluxo de até 7 dias e 3 a 6 absorventes por dia. Ciclo irregular no início é esperado; sangramento intenso, nunca. A causa mais comum é a anovulação; a segunda é a coagulopatia, sobretudo a doença de von Willebrand, presente em cerca de 20% das adolescentes avaliadas por sangramento intenso (ACOG 2019). Peça β-hCG, hemograma com plaquetas e ferritina; com triagem positiva, TP, TTPa, fibrinogênio, fator de von Willebrand e fator VIII antes de iniciar estrogênio. Sangramento leve com hemoglobina normal fica com o pediatra (🟢): calendário, ácido tranexâmico ou anti-inflamatório (só sem suspeita de coagulopatia) e ferro se houver ferropenia. Anemia, triagem positiva ou falta de resposta vão com prioridade à ginecologia infanto-puberal e à hematologia (🟡). Taquicardia, hipotensão, síncope, sangramento ativo intenso ou hemoglobina < 7 g/dL (ou < 10 g/dL com sintomas) são 🔴: pronto-socorro.
1.O que é e como se apresenta
Ciclo menstrual normal na adolescente (SBP, GPA nº 84/2023, adaptado de AAP/ACOG):
| Parâmetro | Normal |
|---|---|
| Menarca | Em média aos 12,4 anos, cerca de 2–3 anos após a telarca |
| Intervalo | 21 a 45 dias (média de 32 dias no 1º ano); após 3 anos da menarca, 24 a 38 dias |
| Duração do fluxo | Até 7 dias |
| Volume e absorventes | 30 a 60 mL por ciclo; 3 a 6 absorventes por dia |
Nos primeiros 1 a 2 anos ginecológicos, a maioria dos ciclos é anovulatória (imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise-ovário); a maioria se regulariza até o 6º ano (SBP 2023).
O que foge do normal e pede avaliação (SBP 2023; AEPap 2018):
- Ciclos < 21 dias ou > 45 dias; qualquer intervalo > 90 dias.
- Fluxo > 7 dias, troca de absorvente a cada 1–2 horas, coágulos grandes, "inundação".
- Volume > 80 mL (SBP 2023): na prática, fluxo que atrapalha escola, esporte ou sono.
- Sangramento intermenstrual ou pós-coito.
- Ausência de menarca aos 15 anos ou 3 anos após a telarca (ver "Puberdade precoce e puberdade atrasada").
Classificação das causas — PALM-COEIN (FIGO 2011/2018): causas estruturais — Pólipo, Adenomiose, Leiomioma, Malignidade e hiperplasia — e não estruturais — Coagulopatia, disfunção Ovulatória, Endometrial, Iatrogênica e Não classificada. Na adolescente, as causas estruturais são raras; predominam a disfunção ovulatória (imaturidade do eixo, SOP, tireoide, prolactina, transtorno alimentar, atividade física intensa, doença crônica) e a coagulopatia (ACOG 2019). Em revisão sistemática (Hall 2024), coagulopatias explicaram cerca de 19% dos casos, quase 90% delas von Willebrand. Iatrogênicas: anticoagulantes, antipsicóticos (prolactina), contraceptivos (escape), DIU de cobre.
Quadro: anovulação — atrasos longos seguidos de sangramento prolongado e abundante; coagulopatia — fluxo intenso desde a menarca, com epistaxe, equimoses, sangramento após extração e história familiar.
2.Classificação de gravidade
| Gravidade | Critérios clínicos | Conduta |
|---|---|---|
| 🟢 Leve | Ciclos irregulares ou fluxo aumentado, estável, hemoglobina ≥ 12 g/dL, sem ferropenia importante, triagem de coagulopatia negativa, β-hCG negativo | Pediatra: orientação, calendário, tranexâmico ou anti-inflamatório, ferro se ferritina baixa; retorno com hemograma |
| 🟡 Moderada | Hemoglobina 7–12 g/dL, estável, sem sintomas nem sangramento ativo intenso (< 10 g/dL: hormônio — AEPap 2018), ou ferropenia; sangramento intenso persistente; triagem de coagulopatia positiva ou sangramento intenso desde a menarca; ciclos > 90 dias ou amenorreia; sinais de SOP, tireoide ou prolactina; falta de resposta; anticoagulante | Colher os exames antes do hormônio; iniciar tratamento; encaminhar com prioridade à ginecologia infanto-puberal e, na suspeita de coagulopatia, à hematologia pediátrica; reavaliar em 24–48 h se sangramento ativo |
| 🔴 Grave | Instabilidade: taquicardia, hipotensão ou queda ortostática, palidez intensa, síncope, letargia, extremidades frias; sangramento ativo intenso (encharca absorvente em 1 hora ou menos); hemoglobina < 7 g/dL, ou < 10 g/dL com sintomas ou sangramento ativo; β-hCG positivo com sangramento (abortamento, ectópica); trauma genital ou suspeita de violência sexual | Pronto-socorro: acesso venoso, expansão se instável; hormônio em dose alta e antifibrinolítico no hospital |
Fatores que elevam a gravidade
- Coagulopatia conhecida, PTI, leucemia, hepatopatia, doença renal.
- Uso de anticoagulante ou antiagregante; quimioterapia; transplante.
- Contraindicação ao estrogênio (ver abaixo), que limita as opções de controle rápido.
3.Diagnóstico no consultório
Anamnese: menarca, datas dos ciclos, duração, absorventes por dia, coágulos, faltas à escola (pergunte também ao responsável); atividade sexual (com entrevista em privado e sigilo, conforme ECA/CFM e SBP GPA nº 122/2023), medicamentos, peso, exercício, acne e hirsutismo, galactorreia, sintomas de tireoide.
Triagem de coagulopatia — o escore da ACOG (2019, adaptado de Philipp): positiva com um critério, que indica investigar:
- Fluxo ≥ 7 dias com sensação de "inundação" ou troca de absorvente em ≤ 2 horas na maioria dos ciclos.
- Tratamento prévio de anemia.
- História familiar de coagulopatia diagnosticada.
- Sangramento excessivo após extração dentária, cirurgia, parto ou aborto.
Alternativa: ISTH-BAT ≥ 3 (ver "A criança que sangra").
Exame físico: frequência cardíaca, pressão arterial deitada e em pé, mucosas, petéquias e equimoses, hepatoesplenomegalia, massa abdominal, IMC, acne, hirsutismo e acantose, tireoide, galactorreia. Inspeção genital externa; sem exame especular em geral (ACOG 2019).
Exames:
| Para quem | Exames |
|---|---|
| Todas com sangramento intenso | β-hCG; hemograma com plaquetas; ferritina (ACOG 2019; NICE) |
| Triagem positiva, sangramento intenso desde a menarca, anemia ou internação | TP, TTPa, fibrinogênio, fator de von Willebrand (antígeno e atividade) e fator VIII — de preferência antes de iniciar estrogênio (MS 2016; ACOG 2019; site, "A criança que sangra") |
| Instabilidade | Tipagem sanguínea e prova cruzada |
| Conforme a clínica | TSH (não de rotina — NICE); prolactina (amenorreia, galactorreia); testosterona e 17-OH-progesterona (hiperandrogenismo — ver "Síndrome dos ovários policísticos"); pesquisa de IST com vida sexual ativa |
| Falta de resposta ao tratamento | Ultrassom pélvico, de preferência via abdominal (não de rotina — ACOG 2019) |
Armadilhas: TTPa normal não exclui von Willebrand; o fator de von Willebrand sobe com estresse, sangramento agudo, inflamação e estrogênio e é menor no grupo sanguíneo O: resultado normal na emergência ou com contraceptivo deve ser repetido.
Diagnóstico diferencial que não pode passar: gravidez (abortamento, ectópica) — β-hCG sempre, mesmo se a adolescente negar relação; violência sexual; doença inflamatória pélvica e cervicite por clamídia (ver "Infecções sexualmente transmissíveis na adolescência"); PTI e leucemia (plaquetas, outras citopenias); hipotireoidismo. Sangramento vaginal antes da puberdade não é menstruação: segue "Vulvovaginites, sinéquia de pequenos lábios e sinais de abuso sexual" e "Puberdade precoce e puberdade atrasada".
4.Tratamento e seguimento
O pediatra orienta, colhe os exames, trata o sangramento leve e a ferropenia e pode iniciar o hormônio sem contraindicação. O especialista (ginecologia infanto-puberal; hematologia na coagulopatia) conduz desmopressina, DIU com levonorgestrel e casos refratários.
Anovulação leve com Hb normal: orientar; o MS (2016) oferece combinado por 3–6 meses se o padrão incomoda.
Medicamentos no consultório:
| Medicamento | Dose | Intervalo | Duração | Observação e referência |
|---|---|---|---|---|
| Ácido tranexâmico VO | 1 g; máx. 4 g/dia | 8/8 h | Do 1º dia do fluxo, até 4 dias por ciclo | Como em "A criança que sangra" (AEP, Pediamécum; MS 2008); AEPap 2018: 15–25 mg/kg, até 4 dias. MS 2016: 250 mg a 1 g de 6/6 a 12/12 h por 4 dias; ACOG 2019: 1,3 g 8/8 h por 5 dias. Escolha na suspeita de coagulopatia. Contraindicado com trombose atual ou prévia, CIVD e hematúria macroscópica |
| Ibuprofeno | 600 mg (abaixo de 40 kg, 10 mg/kg/dose — padrão do site) | 8/8 h | 4 dias, a partir do 1º dia do fluxo | MS 2016 (também diclofenaco 50 mg 8/8 h). Não usar na suspeita ou confirmação de coagulopatia, na plaquetopenia ou com anticoagulante (site, "A criança que sangra") |
| Contraceptivo oral combinado | Etinilestradiol 30 µg monofásico com levonorgestrel, 1 comprimido/dia | 1x/dia (cíclico, estendido ou contínuo) | Ao menos 3–6 meses | MS 2016 (30–50 µg); ACOG 2019 (30–50 µg, uso contínuo na coagulopatia). Colher fator de von Willebrand antes |
| Acetato de medroxiprogesterona VO | 10 mg/dia | 1x/dia | 12 dias por mês (dias 14 a 25 do ciclo) ou do 5º ao 26º dia | AEPap 2018 (cíclico, anovulação); MS 2016 (5º ao 26º dia, sangramento ovulatório). Se o estrogênio é contraindicado |
| Ferro elementar VO | 3–6 mg/kg/dia; no adolescente, até a dose do adulto | Dose única ou fracionada | 3–6 meses ou até repor os estoques | SBP 2026 (Diretriz nº 32), como em "Anemia ferropriva". ACOG/CDC: 60–120 mg/dia. Hemograma em 30–45 dias |
Contraindicações ao estrogênio (pílula, adesivo, anel, injetável mensal): doença tromboembólica atual ou prévia e trombofilia conhecida, lúpus, enxaqueca com aura, hepatopatia grave, tireoidopatia descompensada e gestação (SBP, GPA nº 122/2023); diabetes com doença vascular (MS 2016). Nesses casos: progestagênio isolado, ácido tranexâmico e, com o especialista, DIU com levonorgestrel — que a SBP (2023) considera apropriado com mutação trombogênica (ver "Trombose venosa e trombofilias na criança e no adolescente" e "Lúpus eritematoso sistêmico juvenil"). Não se pede trombofilia de rotina antes do contraceptivo. O crescimento não contraindica o estrogênio (ACOG 2019).
Tranexâmico com contraceptivo: contraindicação teórica na bula; a ACOG (2019) aceita quando a monoterapia falha — decisão do especialista.
Não usar: anti-inflamatório na suspeita de coagulopatia; ácido acetilsalicílico; injeção intramuscular na coagulopatia; DIU de cobre; medroxiprogesterona de depósito no sangramento agudo (ACOG 2019); hormônio antes de colher a coagulação.
Seguimento: calendário em toda consulta; hemograma em 30–45 dias de ferro e ferritina ao final; reavaliar o hormônio após 3–6 meses.
5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar
- Taquicardia, hipotensão, queda da pressão ao levantar, síncope, letargia, taquipneia, pele fria, pulsos finos, diurese reduzida (sinais de hipovolemia — MS 2016).
- Sangramento ativo intenso, que encharca o absorvente em 1 hora ou menos, por várias horas.
- Hemoglobina < 7 g/dL, ou < 10 g/dL com sintomas de anemia ou sangramento ativo (AEPap 2018; ACOG 2019).
- β-hCG positivo com sangramento ou dor pélvica; trauma genital; suspeita de violência sexual.
- Coagulopatia, anticoagulante ou plaquetopenia com sangramento que não cede.
No hospital (especialista): expansão com cristaloide; estrogênio conjugado 25 mg IV a cada 4–6 h por até 24 h (ACOG 2019), onde houver; ou contraceptivo monofásico com 30–50 µg de etinilestradiol, 1 comprimido a cada 6–8 h até cessar o sangramento (MS 2016: 6/6 h; ACOG 2019), depois redução gradual, com antiemético; sem estrogênio, medroxiprogesterona 20 mg VO 8/8 h por 7 dias (ACOG 2019); ácido tranexâmico IV 10 mg/kg/dose 8/8 h (MS 2015, como em "A criança que sangra"; ACOG: máx. 600 mg/dose). Transfusão pela instabilidade e pelo sangramento ativo, não só pelo número — em geral com Hb ≤ 7 g/dL, uma unidade e reavaliação (ACOG 2019). Sem resposta em 24–48 h: hematologia.
Como encaminhar
- Deitar; frequência cardíaca, pressão e SpO2. Acesso venoso; se instável, SF 0,9% 20 mL/kg e reavaliar; oxigênio para SpO2 entre 94% e 98% (padrão do site).
- Se possível, colher antes de qualquer hormônio ou transfusão: hemograma, tipagem, β-hCG, TP, TTPa, fibrinogênio, fator de von Willebrand e fator VIII.
- Não dar anti-inflamatório nem fazer injeção intramuscular; contato prévio com o serviço; SAMU 192 se houver instabilidade.
- Relatório: padrão menstrual, triagem, medicamentos, exames e condutas.
- Na suspeita de violência sexual: atendimento no serviço de referência, notificação obrigatória (compulsória), Conselho Tutelar e comunicação obrigatória à polícia pelo serviço (Lei nº 12.845/2013, art. 3º, IX, incluído pela Lei nº 15.516/2026).
6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família
- "No começo, o ciclo irregular é normal; menstruação muito forte, não."
- Anote o 1º dia e quantos absorventes usa por dia.
- O ferro é diário, longe do leite; as fezes ficam escuras.
- Não comece o anticoncepcional antes de colher os exames pedidos.
- Retorne antes se: fluxo > 7 dias, troca a cada 1–2 horas, > 3 meses sem menstruar, manchas roxas, sangramento de nariz ou gengiva.
- Pronto-socorro se: tontura ao levantar, desmaio, coração acelerado, falta de ar, palidez intensa, absorvente encharcado em 1 hora, dor forte na barriga; em uso de anticoncepcional, dor e inchaço na perna, dor no peito ou dor de cabeça súbita e forte.
7.Comparação com as referências
| Item | SBP | Ministério da Saúde | AAP | NICE | AEP | Johns Hopkins | Harvard | Oxford / Cambridge |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Ciclo normal | 21–45 dias, ≤ 7 dias, 3–6 absorventes (GPA nº 84, jul/2023) | Irregularidade dos primeiros anos esperada (Saúde das Mulheres, 2016) | Sinal vital (AAP/ACOG 2006, citado pela SBP); ACOG nº 785: 21–45 dias | Sem parâmetros da adolescência (NG88, 2018, atualizada jul/2026) | 21–45 dias, 2–7 dias (AEPap, FAPap 2018) | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
| Coagulopatia | von Willebrand é a mais associada à menarca | Suspeitar se intenso desde a adolescência; hemograma, TP, TTPa | ACOG nº 785 (2019): triagem de 8 perguntas; ~20% com coagulopatia | Testar se intenso desde a menarca com história sugestiva | Hemograma, TP, TTPa, β-hCG | — | — | Segue o NICE |
| Exames | Anamnese e exame; imagem se necessário | Gravidez, hemograma | ACOG: β-hCG, hemograma, ferritina, coagulação; sem ultrassom de rotina | Hemograma para todas; sem hormônios nem TSH de rotina | Ultrassom se exame incompleto | — | — | Segue o NICE |
| Tratamento ambulatorial | Sem esquema localizado; contracepção (GPA nº 122, dez/2023) | AINE, tranexâmico, combinado, progestagênio, DIU-LNG | ACOG: combinado 30–50 µg, progestagênio, DIU-LNG, tranexâmico | 1ª linha DIU-LNG; depois tranexâmico, AINE, hormônio | Por Hb: AINE ou tranexâmico; < 10 g/dL hormônio | — | — | Segue o NICE |
| Sangramento agudo | Sem posição localizada | Estrogênio ou combinado 6/6 h; emergência se hipovolemia | ACOG: internar se instável; estrogênio IV ou combinado em dose alta | Sem recomendação específica | Internar Hb < 7, ou < 10 com sintomas | — | — | Segue o NICE |
| Ferro | 3–6 mg/kg/dia (Diretriz nº 32, 2026) | — | 60–120 mg/dia (CDC, citado pela ACOG) | — | — | — | — | Segue o NICE |
Leitura: as referências concordam que, nos primeiros anos após a menarca, ciclos irregulares de 21 a 45 dias são esperados, que o sangramento intenso não é e que a coagulopatia — sobretudo a doença de von Willebrand — deve ser investigada quando o fluxo é intenso desde a menarca ou há história pessoal ou familiar. Divergem na investigação (ACOG: ferritina e coagulação com triagem positiva; NICE: só hemograma de rotina), na 1ª linha (NICE: DIU com levonorgestrel, pensado para adultas; MS e ACOG: medicação oral; AEPap: escalona pela hemoglobina), na dose do ácido tranexâmico (MS 2016 250 mg a 1 g; AEP 1 g 8/8 h por até 4 dias; ACOG 1,3 g 8/8 h por 5 dias) e no anti-inflamatório (MS e NICE o aceitam; o site o evita na suspeita de coagulopatia, como em "A criança que sangra"). A SBP define o ciclo normal (GPA nº 84/2023) e as contraindicações do estrogênio (GPA nº 122/2023), sem documento oficial sobre o tratamento: o site adota a SBP e, na falta dela, o Ministério da Saúde (2016), com a ACOG 2019 na triagem de coagulopatia e no sangramento agudo hospitalar, que nem SBP nem MS detalham para a adolescente.
- Intervalo de 21 a 45 dias é normal no início; fluxo > 7 dias, troca a cada 1–2 horas ou intervalo > 90 dias não são.
- Sangramento intenso desde a menarca: pense em von Willebrand — triagem, hemograma, ferritina, coagulação e fator de von Willebrand antes do hormônio.
- β-hCG sempre, mesmo quando a adolescente nega relação sexual.
- Na suspeita de coagulopatia, ácido tranexâmico sim, anti-inflamatório não.
- Taquicardia, hipotensão, síncope, sangramento ativo intenso ou Hb < 7 g/dL: pronto-socorro, com acesso venoso e exames colhidos antes do tratamento.
Veja também, nesta Biblioteca: A criança que sangra — hemofilia, doença de von Willebrand e outras coagulopatias, A criança anêmica — como investigar além da anemia ferropriva, Púrpura trombocitopênica imune (PTI) na criança e Trombose venosa e trombofilias na criança e no adolescente (Hematologia); Anemia ferropriva, Vulvovaginites, sinéquia de pequenos lábios e sinais de abuso sexual e Puberdade precoce e puberdade atrasada (Patologias do consultório); Síndrome dos ovários policísticos na adolescente (Endocrinologia); Infecções sexualmente transmissíveis na adolescência (Infectologia); Contracepção na adolescência — métodos, critérios de elegibilidade e aspectos legais (nesta área).
8.Fontes
- Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico de Medicina do Adolescente. Como reconhecer um ciclo menstrual normal em adolescentes? Guia Prático de Atualização nº 84, 2023. PDF
- Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico de Medicina do Adolescente. Atualização sobre métodos efetivos de contracepção na adolescência. Guia Prático de Atualização nº 122, 2023. PDF
- Ministério da Saúde / Instituto Sírio-Libanês. Protocolos da Atenção Básica — Saúde das Mulheres, 2016. PDF
- ACOG, Committee on Adolescent Health Care. Screening and Management of Bleeding Disorders in Adolescents With Heavy Menstrual Bleeding. Committee Opinion nº 785, 2019. PDF
- NICE. Heavy menstrual bleeding: assessment and management (NG88), 2018, atualizada em 2026. nice.org.uk
- AEPap. Cuerpo Triguero C, García Rebollar C. Trastornos del ciclo menstrual en la adolescencia — sangrado uterino anormal. Form Act Pediatr Aten Prim, 2018. fapap.es
- FIGO. Munro MG et al. The two FIGO systems for normal and abnormal uterine bleeding (PALM-COEIN): 2018 revisions. Int J Gynaecol Obstet, 2018. PubMed
- Hall EM et al. Systematic review and meta-analysis of the etiology of heavy menstrual bleeding in 2,770 adolescent females. BMC Womens Health, 2024. PMC