Imunizações · Segurança e comunicação

Eventos supostamente atribuíveis à vacinação (ESAVI) e contraindicações verdadeiras e falsas

Reconhecer, tratar e notificar os ESAVI no consultório e separar contraindicações verdadeiras das falsas, segundo o Manual de ESAVI do Ministério da Saúde e a SBP

Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF

Em resumo

ESAVI é qualquer ocorrência indesejada após a vacinação, com ou sem relação causal com a vacina (o Manual do MS, 4ª ed., ainda usa EAPV). É grave quando exige hospitalização, ameaça a vida, causa incapacidade ou anomalia congênita ou leva ao óbito. Todo ESAVI suspeito é notificado no e-SUS Notifica; o grave e o óbito são de notificação obrigatória (compulsória). Em casa (🟢): reação local, febre nas primeiras 24–48 h com bom estado, irritabilidade, linfonodo da BCG até 3 cm, com antitérmico pelo padrão do site — sem antitérmico profilático, exceto com a 4CMenB. Reavaliação próxima (🟡): choro ≥ 3 h, febre alta ou que começa após 24 h, episódio hipotônico-hiporresponsivo (EHH) ou convulsão já resolvidos, complicações da BCG. Pronto-socorro (🔴): anafilaxia (adrenalina IM 0,01 mg/kg antes de tudo), EHH em curso, convulsão ≥ 5 minutos, encefalopatia, sinais de invaginação após a vacina rotavírus. Resfriado, antibiótico, prematuridade, alergia a ovo na tríplice viral e história familiar não adiam a vacina.

1.O que é e como se apresenta

Definições (Manual de Vigilância de ESAVI/EAPV, MS, 4ª ed., 2020, atualizada em 2021):

  • Grave: requer hospitalização; ameaça a vida; causa incapacidade permanente ou anomalia congênita; ou leva ao óbito. Broncoespasmo, discrasia sanguínea e convulsão febril, mesmo sem internação, são investigados.
  • Não grave: os demais — também notificados. Gravidade não é intensidade: hiperemia local intensa pode ser não grave.
  • Causalidade: reação ao produto; desvio de qualidade; erro de imunização (prevenível); reação de ansiedade (síncope, hiperventilação); evento coincidente.
Evento Vacinas Tempo típico Pontos-chave (MS 2020/2021)
Dor, eritema, edema, nódulo Injetáveis, sobretudo com alumínio 24–48 h Não contraindica doses seguintes; abscesso sempre notificado
Febre Penta/DTP, 4CMenB; SCR/SCRV no 5º–12º dia Penta: 3–12 h Febre > 24 h ou que começa após 24 h: procurar outra causa
Choro persistente ≥ 3 h Penta/DTP 2–8 h Analgésico e observação; não contraindica
EHH Sobretudo pertússis de células inteiras Até 48 h (mediana 3–4 h) Hipotonia + hiporresponsividade + palidez ou cianose; sem sequelas
Convulsão Penta/DTP (até 72 h); SCR/SCRV Conforme a vacina Quase sempre febril e benigna
Encefalopatia Pertússis Até 7 dias Rara; contraindica o componente pertússis
Anafilaxia Qualquer vacina Minutos a 2 h < 1 por milhão de doses; maioria nos primeiros 30 minutos
Invaginação Rotavírus Até 7 dias após a 1ª dose (no Brasil, após a 2ª) 1–4 casos por 100 mil vacinados; benefício muito maior
Apneia Prematuro < 31 semanas ou < 1.000 g 48 h Não adia a vacina

BCG — evolução normal (MS): mácula endurecida, pústula, úlcera de 4–10 mm e cicatriz em 6–12 semanas (raramente até 24). Linfonodo axilar ou clavicular até 3 cm, frio, indolor e móvel, em até 10% dos vacinados, regride sozinho. Ausência de cicatriz (cerca de 10%) não indica revacinação (MS; SBP). Não cobrir a úlcera nem aplicar medicamento tópico. A disseminação (BCGite), rara, obriga a investigar imunodeficiência.

2.Classificação de gravidade

Gravidade Critérios clínicos Conduta
🟢 Leve Reação local sem abscesso; febre nas primeiras 24–48 h com bom estado; irritabilidade ou sonolência transitórias; exantema leve após SCR/varicela; lesão habitual da BCG e linfonodo ≤ 3 cm; síncope sem trauma Casa: compressa fria, antitérmico ou analgésico pelo padrão do site; sinais de alerta; notificar quando o Manual pede (reação local muito intensa, febre alta); não adiar as próximas doses
🟡 Moderada Choro ≥ 3 h; febre alta, > 24–48 h ou que começa após 24 h; EHH ou convulsão já resolvidos, exame normal; urticária ou angioedema sem comprometimento respiratório ou circulatório; abscesso; complicação locorregional da BCG Avaliação no mesmo dia e reavaliação em 24–48 h; notificação; reação alérgica leve ou local: observar pelo menos 4 h (MS); após EHH ou convulsão até 72 h da penta/DTP, DTPa pelo CRIE
🔴 Grave Anafilaxia; EHH em curso; convulsão ≥ 5 minutos, repetida ou sem recuperação; encefalopatia; sinais de invaginação após rotavírus; púrpura ou sangramento; lactente toxemiado; suspeita de BCG disseminada Pronto-socorro: adrenalina IM antes da transferência; SAMU 192; oxigênio para manter SpO2 ≥ 94%; notificação obrigatória (compulsória)

Fatores que elevam a gravidade: idade < 3 meses; prematuridade extrema; cardiopatia, pneumopatia ou doença neurológica descompensáveis pela febre (MS: DTPa pelo CRIE); anafilaxia prévia, asma não controlada, mastocitose; imunodeficiência conhecida ou suspeita (vacinas vivas); uso materno de imunossupressores na gestação (BCG); erro de imunização.

3.Diagnóstico no consultório

O diagnóstico é clínico e cronológico. Registrar vacina, lote, dose, via, local e horário; início e evolução dos sintomas; vacinas simultâneas; antecedentes. Associação temporal não prova causalidade — a investigação da vigilância define a relação causal.

Exames só conforme o quadro: febre fora do padrão — como febre sem sinais localizatórios; convulsão — protocolo de convulsão febril e primeira crise; suspeita de invaginação — ultrassonografia no serviço de urgência; púrpura — hemograma com plaquetas; BCG disseminada ou falha da isoniazida — investigação de imunodeficiência e de tuberculose pelo serviço de referência.

Diferencial que não pode passar: sepse ou meningite coincidentes; síncope × anafilaxia (síncope: palidez, bradicardia, recuperação rápida em decúbito, sem urticária nem broncoespasmo); EHH × crise × sepse; invaginação × gastroenterite; Dravet (a vacina revela, não causa).

4.Tratamento e seguimento

Reações locais e febre: compressa fria, analgésico se houver desconforto e antitérmico se houver febre (axilar ≥ 37,5 °C, padrão do site), sem alternar antitérmicos. O antitérmico não previne convulsão febril.

Antitérmico profilático: não de rotina, pelo risco de reduzir a resposta vacinal (MS 2020/2021; Green Book 2025; AEP 2025). Exceção: 4CMenB (Bexsero®) no lactente, sobretudo junto das vacinas de rotina — conduta do documento do site sobre a MenB (Green Book/JCVI e CAV-AEP recomendam; o Manual do MS reconhece o benefício; a SBP não se pronuncia).

Medicamento Dose Intervalo Duração Observação e referência
Paracetamol 10–15 mg/kg/dose; máx. 75 mg/kg/dia; 500 mg/dose < 12 anos; nunca > 4 g/dia 4–6 h (máx. 5 doses/dia) Enquanto houver febre; reavaliar se > 48–72 h Padrão do site (bula); risco cumulativo de hepatotoxicidade
Paracetamol profilático com a 4CMenB 10–15 mg/kg/dose Na aplicação e a cada 4–6 h 3 doses, nas 2 primeiras doses Green Book 2025; CAV-AEP; documento do site sobre a MenB
Dipirona 15 mg/kg/dose 6/6 h (máx. 4 doses/dia) Enquanto houver febre Não usar < 3 meses ou < 5 kg (bula); padrão do site (decisão de 30/09/2026); SBP 2024 e MS: 15–25 mg/kg
Ibuprofeno 5–10 mg/kg/dose 6–8 h Enquanto houver febre Padrão do site; ≥ 6 meses; evitar na suspeita de dengue, desidratação, varicela
Adrenalina 1 mg/mL IM 0,01 mg/kg; máx. 0,3 mg na criança e 0,5 mg no adolescente Repetir em 5–15 min se necessário Até estabilizar Padrão do site; vasto lateral da coxa; autoinjetor 0,15 mg < 30 kg, 0,3 mg ≥ 30 kg
Midazolam (crise ≥ 5 min) IN 0,2 mg/kg; bucal 0,3 mg/kg; IM 0,2 mg/kg (máx. 10 mg) Dose única; repetir conforme protocolo — Padrão do site (PADROES, 29/09/2026)
Diazepam (crise ≥ 5 min) Retal 0,5 mg/kg; IV/IO 0,2–0,3 mg/kg (máx. 10 mg) Dose única; repetir conforme protocolo — Padrão do site (PADROES, 29/09/2026)
Isoniazida (complicação da BCG) 10 mg/kg/dia; máx. 400 mg/dia 1x/dia Até a regressão da lesão; seguir 3 meses após suspender MS 2020/2021

Anafilaxia pós-vacinal (MS 2020/2021; padrão do site): adrenalina IM imediatamente e SAMU 192; deitar com as pernas elevadas (sentado só se houver dispneia sem hipotensão; decúbito lateral se vomitar), nunca de pé; oxigênio para manter SpO2 ≥ 94%; SF 0,9% 20 mL/kg IV na hipotensão (MS); salbutamol no broncoespasmo. Anti-histamínico (2ª geração, padrão do site) e corticoide são só adjuvantes. Quem recebeu adrenalina vai ao hospital (reação bifásica em até 11% das crianças; monitorização por pelo menos 12 h, MS). Depois, a mesma vacina e seus componentes ficam contraindicados até avaliação do alergista e do CRIE.

Observação após a vacina: pelo menos 15 minutos, com o adolescente vacinado sentado (MS, Manual de ESAVI; a SBP não fixa tempo); a AEP usa 15–30 min. O serviço precisa de adrenalina e de equipe treinada.

EHH: conduta conservadora — ambiente ventilado, leite materno ou água quando responsivo, antitérmico se febre, cuidado com broncoaspiração e observação até a resolução completa. Sem sequelas; o MS indica completar o esquema com DTPa pelo CRIE, e o site segue o MS.

Convulsão: tratar como qualquer crise (≥ 5 minutos = estado de mal), com as doses da tabela, do padrão do site, e não as do Manual de ESAVI. Após convulsão até 72 h da penta ou da DTP, completar com DTPa pelo CRIE (MS). Convulsão febril prévia e epilepsia controlada não contraindicam vacinas.

Encefalopatia até 7 dias após pertússis: contraindica o componente pertússis, inclusive acelular; completar com DT (MS; CDC; AEP).

BCG (MS 2020/2021): linfadenopatia > 3 cm não supurada — acompanhar, sem punção e sem isoniazida; supurada — não incisar nem retirar, isoniazida; úlcera > 1 cm sem cicatrização após 12 semanas, abscesso frio e granuloma — isoniazida, limpeza local, sem tópico; abscesso quente — antibiótico sistêmico se infecção de pele; queloide — expectante; reação lupoide e disseminação — esquema tríplice e investigação de imunodeficiência pelo especialista. Todas são notificadas.

Não usar: antiemético ou anti-histamínico sedativo, pomada na BCG; não repetir o rotavírus regurgitado.

Contraindicações verdadeiras, precauções e falsas contraindicações

Contraindicações verdadeiras (Guia Vacinal do site; MS; AEP; CDC):

  • Anafilaxia a dose anterior ou a componente (a única comum a todas as vacinas).
  • Encefalopatia até 7 dias após vacina com pertússis → DT.
  • Vacinas vivas em imunodeficiência grave, imunossupressão em dose alta e gestação.
  • Rotavírus: invaginação prévia, malformação intestinal não corrigida, imunodeficiência combinada grave, fora do limite de idade (1ª dose até 11 meses e 29 dias; última até 23 meses e 29 dias, SBP).
  • BCG: imunodeficiência, neoplasia, corticoide em dose alta; adiar abaixo de 2 kg; filho de mãe que usou imunossupressores ou imunobiológicos na gestação — adiar pelo menos até 6 meses ou contraindicar (SBP).

Precauções: doença aguda moderada ou grave (adiar até melhorar); Guillain-Barré até 6 semanas após dose anterior; sangue ou imunoglobulina recentes (vivas injetáveis; intervalos do Manual dos CRIE 2023, Tabela 5); plaquetopenia grave (via e sítio); gastroenterite com vômitos (adiar o rotavírus; diarreia leve sem desidratação não adia — MS); doença neurológica progressiva (pertússis).

Falsas contraindicações — vacinar no mesmo dia:

  • Resfriado, doença leve, febre baixa, convalescença, exposição recente a infecção.
  • Antibiótico em uso (exceção: tifoide oral).
  • Prematuridade: vacinar pela idade cronológica (SBP 2018; MS); só a BCG espera 2 kg.
  • Alergia a ovo na tríplice viral ou tetraviral, mesmo anafilática: vacinar com a observação habitual (ASBAI 2018; AEP 2025; CDC). Na febre amarela, anafilaxia ao ovo → CRIE.
  • História familiar de convulsão, ESAVI, alergia ou morte súbita; alergia a não componentes (penicilina); atopia; reação local ou febre após a dose anterior; amamentação (exceto febre amarela na mãe de bebê < 6 meses); contato com gestante ou imunodeprimido.
  • Convulsão febril prévia, epilepsia controlada, paralisia cerebral, síndrome de Down; corticoide tópico ou inalatório.

5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar

  • Anafilaxia, mesmo que tenha melhorado com a adrenalina.
  • EHH em curso, ou resolvido sem certeza diagnóstica.
  • Convulsão ≥ 5 minutos, repetida, focal ou sem recuperação; alteração prolongada da consciência.
  • Após a vacina rotavírus: choro em crises, vômitos, palidez, distensão, fezes com sangue ou em "geleia de framboesa" (invaginação).
  • Lactente < 3 meses febril com mau estado; petéquias ou púrpura.
  • Suspeita de BCG disseminada (febre persistente, hepatoesplenomegalia, perda de peso): serviço de referência com urgência.

Como encaminhar: (1) adrenalina IM antes de tudo na anafilaxia, sem esperar o SAMU; (2) posição conforme o quadro; (3) oxigênio para manter SpO2 ≥ 94%, acesso venoso se possível, SF 0,9% 20 mL/kg na hipotensão; (4) crise ≥ 5 minutos: benzodiazepínico pelo padrão do site, nada pela boca; (5) SAMU 192 e contato prévio com o serviço; (6) relatório com vacina, lote, horários, medicamentos e resposta, e a caderneta. O ESAVI grave é de notificação obrigatória (compulsória).

6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família

  • "Dor, vermelhidão e febre no primeiro ou segundo dia são esperadas: compressa fria e antitérmico na dose do peso, só se houver febre ou dor. Não dê antitérmico antes da vacina, exceto quando o pediatra orientar (vacina meningocócica B)."
  • "A ferida da BCG cicatriza em até 3 meses. Não cubra e não passe nada."
  • No mesmo dia: choro sem parar por 3 horas, febre alta ou que começa depois do segundo dia, inchaço grande no membro, ferida da BCG maior que 1 cm ou com pus.
  • Pronto-socorro (SAMU 192): falta de ar, chiado, inchaço na boca ou nos olhos, manchas vermelhas com moleza; bebê mole, pálido ou arroxeado que não responde; convulsão; manchas roxas; após a vacina rotavírus, choro forte em crises, vômitos, barriga inchada ou sangue nas fezes.

7.Comparação com as referências

Item SBP Ministério da Saúde AAP NICE AEP Johns Hopkins Harvard Oxford / Cambridge
Notificação Notificar todo evento adverso (calendário 2023) e-SUS Notifica; grave é compulsório Sem posição específica localizada Registrar reações (NG218) Classifica por causalidade Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE (Yellow Card)
Observação pós-vacina Sem posição específica localizada Pelo menos 15 min Sem posição específica localizada Green Book: sem tempo fixo 15–30 min Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE
Antitérmico profilático Calendário não se pronuncia; nota sobre 4CMenB cita o benefício Não de rotina; exceções Sem posição específica localizada Green Book: só com 4CMenB < 1 ano Não; sim com 4CMenB Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE
EHH ou convulsão após pertússis DTPa preferida (menos reatogênica) Doses seguintes com DTPa (CRIE) Sem posição específica localizada Green Book: mesma vacina Falsa contraindicação Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE
Alergia a ovo e SCR Sem posição específica localizada Anafilaxia a ovo não contraindica SCR Sem posição específica localizada Remete ao Green Book Vacinar, mesmo se anafilática Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE
Contraindicações Prematuro pela idade cronológica; BCG > 2 kg Anafilaxia; encefalopatia (DT); vivas na imunossupressão Isenção só por indicação médica (2016) Consultar o Green Book Permanentes: anafilaxia e encefalopatia Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE

Leitura: há concordância na definição de ESAVI, na adrenalina IM primeiro, na raridade das contraindicações verdadeiras, nas falsas contraindicações e em evitar antitérmico profilático, exceto com a 4CMenB (Green Book, CAV-AEP, Manual do MS). A principal divergência é o EHH e a convulsão até 72 h após pertússis: o MS completa com DTPa pelo CRIE; CDC e AEP não os consideram precaução, e o Green Book repete a mesma vacina. Variam também o tempo de observação (MS ≥ 15 min, adotado; AEP 15–30 min; Green Book sem tempo fixo) e o antitérmico profilático após febre alta prévia, que o MS admite considerar. O site adota a SBP e, onde ela não se pronuncia, o Ministério da Saúde (DTPa pelo CRIE; notificação obrigatória), com antitérmico profilático só na 4CMenB.

Pontos práticos
  1. Anafilaxia: adrenalina 1 mg/mL, 0,01 mg/kg IM na coxa (máx. 0,3 mg na criança, 0,5 mg no adolescente), antes de tudo; depois, hospital.
  2. Observar pelo menos 15 minutos após a vacina (MS); adolescente vacinado sentado.
  3. Febre e dor pós-vacina: antitérmico pelo padrão do site só se houver sintoma; profilático apenas com a 4CMenB (paracetamol, 3 doses nas 2 primeiras aplicações).
  4. EHH ou convulsão até 72 h após a penta ou a DTP: notificar e completar com DTPa pelo CRIE; encefalopatia: DT.
  5. BCG: não cobrir, não tratar com pomada, não puncionar nem incisar o gânglio; isoniazida só nas complicações previstas pelo MS.
  6. Resfriado, antibiótico, prematuridade, alergia a ovo na tríplice viral e história familiar não são contraindicações: vacinar no mesmo dia.

Veja também, nesta Biblioteca: Guia Vacinal Completo, Imunobiológicos em Pediatria e Vacinas – Atualizações 2026 (Imunizações); Calendário vacinal SBP 2026/2027 e Meningocócica B em lactentes (Temas atualizados pela SBP); Anafilaxia e autoaplicador de adrenalina (Alergia); Convulsão febril e primeira crise (Doenças da criança).

8.Fontes

  • Ministério da Saúde. Manual de Vigilância Epidemiológica de Eventos Adversos Pós-Vacinação, 4ª ed., 2020 (atualizada em 2021). gov.br
  • SBP, Departamento de Imunizações. Calendário de Vacinação da SBP 2026/2027 (DC nº 56), 2026. sbp.com.br; Atualização 2023. PDF
  • SBP e Instituto Questão de Ciência. O antivacinismo no Brasil e no mundo (MO nº 104), 2023. PDF
  • SBP. Vacinação em prematuros, 2018. sbp.com.br
  • AAP. Medical Versus Nonmedical Immunization Exemptions. Pediatrics, 2016. PubMed
  • NICE. Vaccine uptake in the general population (NG218), 2022. nice.org.uk
  • UKHSA. Green Book, chapter 8 — Vaccine safety and the management of adverse events following immunisation, 2025. PDF
  • CAV-AEP. Manual de inmunizaciones, cap. 3 (Seguridad, contraindicaciones y precauciones, 2025). vacunasaep.org; cap. 5 (El acto de la inmunización, 2025). vacunasaep.org
  • CDC/ACIP. Contraindications and Precautions. cdc.gov; Pink Book, Pertussis. cdc.gov
  • ASBAI. Vacinação contra o sarampo e pacientes alérgicos, 2018. asbai.org.br