Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF
A criança com imunodeficiência ou doença crônica deve ser vacinada mais, e não menos: calendário completo (SBP e PNI) e esquemas especiais nos CRIE, com relatório médico. Vacinas não vivas são seguras em qualquer grau de imunossupressão. Vacinas vivas (tríplice viral, varicela, febre amarela, BCG, rotavírus, dengue) são contraindicadas na imunossupressão de alto grau: erro inato da imunidade celular, quimioterapia, transplante recente, HIV com CD4 baixo, biológicos e corticoide ≥ 2 mg/kg/dia (até 10 kg) ou ≥ 20 mg/dia de prednisona por ≥ 14 dias (Manual dos CRIE 2023). Na imunossupressão programada, vacinar pelo menos 2 semanas antes (não vivas) e 4 semanas antes (vivas); depois, aguardar 1 mês após o corticoide, 3 meses após a quimioterapia e 6 meses após o rituximabe para vacinas vivas (CRIE). A VPC20 substitui VPC13 e VPP23 na RIE (NT 52/2026). Os conviventes devem ser vacinados, inclusive com vacinas vivas. O pediatra conduz com o CRIE e o especialista (🟢/🟡); febre na criança asplênica ou com doença falciforme, exposição a varicela ou sarampo e evento adverso grave são urgência (🔴).
1.O que é e como se apresenta
Para o Manual dos CRIE (6ª ed., 2023), imunodeprimido é quem responde mal a estímulos antigênicos, com infecções mais graves e menor resposta vacinal. A imunodepressão é primária (erros inatos da imunidade) ou secundária (HIV, câncer e quimioterapia, transplantes, corticoide e outros imunossupressores). Desde 2025 os CRIE integram a Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais (RIE) (Portaria GM/MS nº 6.623/2025).
Grau de imunodepressão (Manual dos CRIE 2023, Quadro 2):
- Alto grau (vivas contraindicadas): erros inatos com defeito celular ou combinado; quimioterapia; até 2 meses após transplante de órgão sólido (variável); HIV com imunossupressão grave; prednisona ≥ 2 mg/kg/dia (até 10 kg) ou ≥ 20 mg/dia por ≥ 14 dias; drogas modificadoras da resposta imune e biológicos em qualquer dose (anti-TNF, rituximabe, abatacepte, tocilizumabe, eculizumabe).
- Baixo grau (avaliar caso a caso): HIV sem imunossupressão grave; corticoide abaixo dessa dose ou em dias alternados; metotrexato ≤ 0,4 mg/kg/semana; azatioprina ≤ 3 mg/kg/dia; 6-mercaptopurina ≤ 1,5 mg/kg/dia.
Não são imunossupressores: corticoide tópico, inalatório, intra-articular ou em dose de reposição; sulfassalazina; hidroxicloroquina (Manual dos CRIE 2023).
Doenças crônicas sem imunossupressão (lista da NT 52/2026, ver a tabela abaixo) não contraindicam vivas, mas exigem vacinas adicionais (Manual dos CRIE 2023).
2.Classificação de gravidade
| Gravidade | Critérios clínicos | Conduta |
|---|---|---|
| 🟢 Leve | Doença crônica sem imunossupressão (cardiopatia, pneumopatia, asma moderada ou grave, nefropatia, hepatopatia, diabetes, trissomia, fibrose cística, implante coclear) ou corticoide abaixo da dose imunossupressora | Pediatra conduz: calendário completo, vivas liberadas, influenza anual, COVID-19; relatório ao CRIE para as adicionais (VPC20, hepatite A, varicela) |
| 🟡 Moderada | Imunossupressão programada ou em curso: diagnóstico de câncer, candidato a transplante, início de biológico ou corticoide imunossupressor, esplenectomia eletiva, erro inato da imunidade, HIV, doença falciforme | Encaminhar com prioridade ao CRIE, com plano do especialista; vacinar antes da imunossupressão; suspender vivas; vacinar conviventes |
| 🔴 Grave | Febre em asplênico ou falciforme; imunodeprimido exposto a varicela ou sarampo ou com varicela, sarampo ou zóster; evento adverso grave (anafilaxia, doença disseminada pelo agente vacinal, como BCG disseminada ou varicela vacinal grave); vacina viva aplicada por engano em imunossupressão de alto grau | Pronto-socorro ou hospital; na exposição, imunoglobulina com urgência pelo CRIE ou serviço de referência; ESAVI grave: notificação obrigatória (compulsória) |
Fatores de risco que elevam a gravidade: asplenia anatômica ou funcional (sepse fulminante por encapsulados); imunodeficiência celular ou combinada, TCTH, DECH, quimioterapia, neutropenia; HIV com CD4 baixo ou carga viral detectável; vacinação incompleta, própria ou dos conviventes.
3.Diagnóstico no consultório
Triagem vacinal em toda consulta (Manual dos CRIE 2023, Quadro 1):
- Doença de base: imunodepressão temporária ou permanente; antes, durante ou depois.
- Medicamentos: nome, dose, duração e data da última dose (corticoide, quimioterapia, biológicos, imunoglobulina).
- Cartão vacinal e vacinas pendentes para a idade.
- Exames: CD4 e carga viral (HIV); creatinina e filtração (DRC); anti-HBs após hepatite B; sorologias de sarampo, varicela e hepatite A se a história for incerta.
- Epidemiologia: febre amarela, surto de sarampo, varicela na escola ou em casa.
Não pode passar: infecções graves ou de repetição, BCG com reação extensa, diarreia crônica e baixo ganho de peso exigem investigar erro inato da imunidade antes de vacinas vivas. O recém-nascido de mãe que usou imunossupressor ou imunobiológico na gestação adia a BCG pelo menos até 6 meses ou não a recebe, conforme a droga (SBP 2026/2027, adotada; CRIE: 6 a 12 meses); se a mãe usou rituximabe, o rotavírus fica contraindicado até 6 meses (SBP; o CRIE não o contraindica nos imunomoduladores em geral).
4.Tratamento e seguimento
Pediatra: calendário, triagem, relatório ao CRIE, conviventes e urgência. CRIE e especialista: vivas no imunodeprimido (decisão compartilhada), esquemas pós-TCTH, sorologias e revacinação.
Regras gerais (Manual dos CRIE 2023; Guia Vacinal do site):
- Antes da imunossupressão programada: não vivas ≥ 2 semanas antes; vivas ≥ 4 semanas antes (transplante, quimioterapia, biológicos, esplenectomia eletiva).
- Durante: não vivas podem ser aplicadas se houver necessidade epidemiológica e repetidas depois; vivas contraindicadas.
- Depois: corticoide imunossupressor, vivas 1 mês após a suspensão; quimioterapia, vivas após 3 meses (3 a 6 meses conforme a situação) e não vivas de preferência ≥ 3 meses após; rituximabe, vivas ≥ 6 meses após a última dose (Manual dos CRIE 2023) e não vivas, de preferência, ≥ 6 meses, pela melhor resposta (Guia Vacinal).
- Após imunoglobulina ou hemoderivados, para vivas injetáveis (Manual dos CRIE 2023, Tabela 5): IgIV de reposição 300–400 mg/kg, 8 meses; 1 g/kg, 10 meses; 1,6–2 g/kg, 11 meses; concentrado de hemácias, 5 meses; plasma ou plaquetas, 7 meses.
- Aciclovir: suspender de 24 h antes até 14 dias após a vacina de varicela.
Esquemas por condição (Manual dos CRIE 2023; NT 52/2026; Guia Vacinal do site):
| Condição | Vacinas vivas | Vacinas e esquemas especiais |
|---|---|---|
| Erro inato — defeito celular ou combinado | Contraindicadas | Não vivas de rotina + Hib, VPC20, MenACWY, influenza, hepatite A, HPV; vacinar conviventes |
| Erro inato — deficiência de anticorpos | Varicela permitida; BCG contraindicada nas formas graves | Não vivas de rotina + Hib, VPC20, MenACWY, influenza, hepatite A |
| Deficiência de complemento | Permitidas | MenACWY e meningocócica B, VPC20, Hib; eculizumabe só após vacina meningocócica ou com antibiótico profilático |
| Doença granulomatosa crônica | BCG contraindicada; demais permitidas | Rotina + Hib, VPC20, MenACWY, influenza |
| HIV | SCR e varicela se CD4 ≥ 15% (≤ 6 anos) ou ≥ 200 (> 6 anos) há 6 meses (SBP); febre amarela conforme CD4 e risco; BCG ao nascer se assintomático; rotavírus permitido; sem tetraviral | VIP, VPC20, MenACWY 2 doses + reforço a cada 5 anos, hepatite B com sorologia, hepatite A, HPV 3 doses, influenza anual |
| Câncer e quimioterapia | Contraindicadas durante e até 3 meses após | Atualizar antes; influenza anual; revacinar após o término (oncologista e CRIE) |
| Transplante de órgão sólido | Completar ≥ 4 semanas antes; contraindicadas após, enquanto houver imunossupressão | Hepatite B (dose dobrada), hepatite A, VPC20, MenACWY, HPV, influenza anual; vacinar conviventes |
| TCTH | A partir de 24 meses, sem DECH, sem recaída e sem imunossupressor | Considerado não vacinado: reiniciar 3 a 12 meses após; VPC20 3 doses com 2 meses de intervalo |
| Biológicos e imunossupressores | Contraindicadas | Antes do anti-TNF: influenza, pneumococo, hepatite B, difteria e tétano; hepatite B antes do rituximabe |
| Asplenia e doença falciforme | Permitidas (falciforme com hidroxiureia: febre amarela se neutrófilos > 1.500/mm³) | VPC20, MenACWY 2 doses + reforço a cada 5 anos, meningocócica B, Hib, influenza anual, hepatites A e B, varicela; esplenectomia eletiva: ≥ 2 semanas antes |
| DRC e síndrome nefrótica | Permitidas sem imunossupressão; completar ≥ 4 semanas antes do transplante | Hepatite B 4 doses dobradas (0/1/2/6 meses), anti-HBs depois; hemodiálise: anti-HBs anual; VPC20, varicela, influenza |
| Hepatopatia, cardiopatia, pneumopatia, diabetes | Permitidas | VPC20, influenza anual, COVID-19; hepatopatia: hepatites A e B |
| Trissomias, fibrose cística, implante coclear, fístula liquórica e DVP | Permitidas | VPC20, influenza; trissomias e FC: hepatite A; nirsevimabe no SUS (< 2 anos com FC, Down ou imunocomprometimento grave) |
VPC20 na RIE (NT 52/2026), não vacinados antes: 2 a 6 meses, 3 doses (0/2/4 meses) + reforço aos 12–15 meses; 7 a 11 meses, 2 doses + reforço aos 12–15 meses; 12 a 59 meses, 2 doses com 2 meses de intervalo; ≥ 5 anos, dose única (exceto TCTH e CAR-T). Esquema completo de VPC10 ou VPC13 sem VPP23: 1 dose de VPC20 ≥ 8 semanas após a última conjugada; 2 doses de VPP23: vacinado. Quem recebe VPC20 não recebe VPP23; enquanto houver estoque, ainda se usa VPC13 → VPP23.
Outras vacinas: HPV em 3 doses para imunocomprometidos; COVID-19 para imunossuprimidos e comorbidades (SBP; PNI); dengue (Qdenga) contraindicada no imunocomprometido. Meningocócica B: rotina na SBP, prioritária na asplenia, no HIV e na deficiência de complemento; não disponível no SUS, nem no CRIE (Manual dos CRIE 2023; não incorporada para < 1 ano pela Portaria SCTIE/MS nº 21/2026) — prescrever na rede privada.
Convívio domiciliar (Manual dos CRIE 2023): conviventes e profissionais de saúde com calendário em dia, influenza anual, varicela e tríplice viral (2 doses) nos suscetíveis e VIP. Rotavírus e febre amarela são permitidos aos conviventes (lavar as mãos nas fraldas após o rotavírus). Convivente com exantema após a vacina de varicela evita contato direto com o imunodeprimido até as lesões secarem.
Medicamentos e imunobiológicos relacionados:
| Medicamento | Dose | Intervalo | Duração | Observação e referência |
|---|---|---|---|---|
| IGHVZ (imunoglobulina antivaricela-zóster) | 125 UI/10 kg IM (mín. 125, máx. 625 UI) | Dose única | Até 96 h após o contato, de preferência em 24–48 h | Imunodeprimido suscetível exposto; CRIE (Manual dos CRIE 2023) |
| Penicilina V oral (profilaxia na doença falciforme) | 3 meses a 2 anos: 125 mg; 2 a 5 anos: 250 mg | 12/12 h | Até 5 anos | MS 2012; alérgico: eritromicina 20 mg/kg/dia 12/12 h (máx. 2 g/dia) (MS 2012); esplenectomia: ≥ 2 anos, individualizada (Guia Vacinal) |
| Penicilina G benzatina (alternativa profilática na doença falciforme) | 3 meses a 2 anos: 300.000 UI; 2 a 5 anos: 600.000 UI IM | 28/28 dias | Até 5 anos | MS 2012 (dose de profilaxia; o padrão do site < 20 kg 600.000 / ≥ 20 kg 1.200.000 UI é de tratamento) |
| Ceftriaxona (púrpura febril, antes da transferência) | 100 mg/kg IV ou IM, 1ª dose (máx. 4 g) | Dose única no pré-hospitalar | Manutenção pelo serviço | Padrão do site (30/09/2026), se não atrasar a remoção |
| Adrenalina IM 1 mg/mL (anafilaxia pós-vacina) | 0,01 mg/kg (máx. 0,3 mg na criança e 0,5 mg no adolescente) | Repetir em 5–15 min se necessário | — | Vasto lateral da coxa; padrão do site |
Não fazer: adiar não vivas; aplicar vivas sem saber dose e data do último imunossupressor; VPP23 após VPC20; tetraviral no HIV.
5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar
- Febre (axilar ≥ 37,5 °C) em criança asplênica ou com doença falciforme: pronto-socorro imediato, sem esperar exames, para antibiótico parenteral na chegada (o MS interna a criança falciforme < 3 anos com temperatura > 38,3 °C).
- Púrpura, instabilidade ou alteração de consciência em imunodeprimido.
- Imunodeprimido com varicela, herpes-zóster ou sarampo: internação (antiviral IV na varicela e no zóster).
- Imunodeprimido suscetível exposto a varicela (IGHVZ até 96 h) ou sarampo: contato urgente com o CRIE ou o serviço de referência.
- Evento adverso grave após vacina: anafilaxia, convulsão, BCG com lesões múltiplas ou adenite com febre e perda de peso, exantema vesicular extenso após varicela vacinal; ESAVI grave: notificação obrigatória (compulsória).
Como encaminhar
- Anafilaxia: adrenalina IM antes de qualquer outra medida.
- Suspeita de sepse ou púrpura febril: acesso venoso se disponível, ceftriaxona 100 mg/kg (máx. 4 g) se não atrasar a remoção; oxigênio para manter SpO2 ≥ 94%.
- SAMU (192) na instabilidade; avisar o serviço de destino e o especialista.
- Varicela ou sarampo: isolamento no transporte.
- Relatório: doença de base, imunossupressores (dose e data), cartão vacinal; se ESAVI, vacina e lote.
Relatório ao CRIE (eletivo): CPF ou CNS; diagnóstico com CID; imunossupressores (nome, dose, início, término previsto); exames (CD4, carga viral, creatinina, anti-HBs); cartão vacinal; vacinas solicitadas; CRM e especialidade (a NT 52/2026 exige CID e especialidade no registro).
6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família
- "Avise antes de qualquer vacina se ele usa corticoide, quimioterapia ou remédio para imunidade."
- "Irmãos e adultos da casa com vacinas em dia, inclusive gripe, sarampo e catapora, protegem seu filho."
- "Contato com catapora ou sarampo: ligue no mesmo dia; a proteção precisa ser dada em poucos dias."
- Procurar o pronto-socorro se houver: febre em criança sem baço ou com doença falciforme; manchas roxas; sonolência, gemência ou falta de ar; bolhas pelo corpo; inchaço de lábios, chiado ou desmaio logo após a vacina.
7.Comparação com as referências
| Item | SBP | Ministério da Saúde | AAP | NICE | AEP | Johns Hopkins | Harvard | Oxford / Cambridge |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Corticoide imunossupressor | Remete ao CRIE | ≥ 2 mg/kg/dia (até 10 kg) ou ≥ 20 mg/dia, ≥ 14 dias | ≥ 2 mg/kg/dia ou ≥ 20 mg/dia, ≥ 14 dias (IDSA/CDC) | Sem diretriz; Green Book: > 40 mg ou 2 mg/kg > 1 semana; > 20 mg ou 1 mg/kg > 14 dias | ≥ 2 mg/kg ou ≥ 20 mg ≥ 14 dias; ≥ 1 mg/kg ≥ 28 dias | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Seguem o NICE (Green Book) |
| Vivas após corticoide | Remete ao CRIE | 1 mês; rituximabe ≥ 6 meses | 1 mês | Green Book: 3 meses | 1 a 3 meses | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Seguem o NICE (Green Book) |
| Vivas após quimioterapia | Remete ao CRIE | 3 a 6 meses | 3 meses (6 se anti-B) | Green Book: 6 meses | ≥ 6 meses | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Seguem o NICE (Green Book) |
| HIV e vivas | SCR e varicela se CD4 ≥ 15% | Conforme categoria de CD4 | Sem imunossupressão grave | — | — | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Seguem o NICE |
| Pneumococo | VPC20 ou VPC15; CRIE | VPC20 na RIE, sem VPP23 | VPC + VPP23 (IDSA 2013) | — | VNC20 sem VNP23 | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Seguem o NICE |
| Conviventes | Vacinar (SBP 2020) | Influenza, SCR, varicela, VIP | SCR, varicela, rotavírus, influenza | Green Book: incentivar | Triviral, varicela, gripe | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Seguem o NICE (Green Book) |
Leitura: há concordância no essencial: não vivas são seguras, vivas contraindicadas na imunossupressão de alto grau, vacinar antes da imunossupressão e vacinar os conviventes. CRIE, IDSA 2013 (endossada pela AAP) e AEP usam o mesmo limiar de corticoide (a AEP acrescenta ≥ 1 mg/kg/dia por 28 dias); o Green Book é mais conservador (vivas 3 meses após o corticoide e 6 após a quimioterapia). No pneumococo, MS e AEP usam VPC20 sem VPP23; a IDSA 2013 ainda associa VPP23. No rituximabe, o CRIE pede ≥ 6 meses para vivas (o Guia do site, 12). A SBP remete as situações especiais ao CRIE e define os critérios de CD4 no HIV; o site adota a posição da SBP e, onde ela remete ao CRIE, o Manual dos CRIE 2023 e a NT 52/2026 do Ministério da Saúde.
- Imunodeprimido deve receber mais vacinas: todas as não vivas do calendário e as do CRIE, com relatório com CID.
- Corticoide imunossupressor: ≥ 2 mg/kg/dia (até 10 kg) ou ≥ 20 mg/dia por ≥ 14 dias; vivas 1 mês após a suspensão.
- Imunossupressão programada: não vivas ≥ 2 semanas antes e vivas ≥ 4 semanas antes.
- VPC20 na RIE conforme a idade (≥ 5 anos, dose única); quem recebe VPC20 não recebe VPP23.
- Vacinar os conviventes, inclusive com tríplice viral, varicela e rotavírus; poliomielite só com VIP.
- Febre em asplênico ou falciforme e exposição de imunodeprimido a varicela ou sarampo são urgências.
Veja também, nesta Biblioteca: Guia Vacinal Completo, Imunobiológicos em Pediatria, Vacinas – Atualizações 2026 e Vacinação do prematuro (nesta área); Calendário vacinal SBP 2026/2027 e Imunizantes contra o VSR (Temas SBP); Síndrome nefrótica e Doença renal crônica (Nefrologia e Urologia); Fibrose cística (Pneumologia).
8.Fontes
- Ministério da Saúde. Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais, 6ª ed., 2023. PDF
- Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 52/2026-CGICI/DPNI/SVSA/MS — VPC20 na Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais, 2026. PDF
- Ministério da Saúde. Doença falciforme — condutas básicas para tratamento, 2012. PDF
- Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento de Imunizações. Imunizações em crianças e adolescentes que vivem com HIV/aids (Documento Científico, 2019–2021). PDF
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Imunização de crianças e adolescentes em situações especiais (apresentação do documento, 2020). sbp.com.br
- Rubin LG et al. 2013 IDSA Clinical Practice Guideline for Vaccination of the Immunocompromised Host (endossada pela AAP). Clin Infect Dis, 2014. academic.oup.com
- CDC/ACIP. General Best Practice Guidelines — Altered Immunocompetence. cdc.gov
- UKHSA. Contraindications and special considerations — Green Book, chapter 6 (atualizado em 2017). PDF
- CAV-AEP. Inmunizaciones en niños inmunodeprimidos o con tratamiento inmunosupresor (cap. 14), out/2025; Inmunizaciones en niños con enfermedades crónicas (cap. 17), jan/2026. cap. 14 · cap. 17
- Stefani JR. Guia Vacinal Completo (30/09/2026) e Calendário vacinal SBP 2026/2027. Biblioteca do site.