Imunizações · Calendários 2026

Vacinas – Atualizações 2026

Calendário da SBP 2026/2027 em destaque, Calendário Nacional de Vacinação do Ministério da Saúde e o que mudou em pneumocócica, pólio, meningocócica, VSR, influenza, HPV, dengue e COVID-19.

Guia prático para pediatras e famílias: as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria, o que o SUS oferece e como manter a caderneta em dia. 📄 Baixar em PDF

1.O que mudou em 2025–2026

Os últimos doze meses trouxeram mais mudanças na vacinação infantil do que qualquer outro período recente. Em resumo:

Tema O que mudou SBP 2026/2027 Ministério da Saúde (PNI)
Pneumocócica Chegada da conjugada 20-valente (VPC20) VPC20 ou VPC15 em esquema 3+1 (2, 4, 6 e 12–15 meses) VPC20 em esquema 2+1 (2, 4 e 12 meses) desde junho de 2026, com esquema misto VPC20/VPC10 enquanto durar o estoque
Poliomielite Volta do 2º reforço VIP em 5 doses (2, 4, 6, 15 meses e 4–6 anos) 2º reforço de VIP aos 4 anos reincorporado em 03/08/2026 (Nota Técnica nº 64/2026)
Meningocócica ACWY ACWY substitui o reforço da MenC MenACWY desde os 2 meses (preferida à MenC) MenC aos 3 e 5 meses; MenACWY aos 12 meses desde 01/07/2025 e dos 11 aos 14 anos
Vírus sincicial respiratório (VSR) Proteção do bebê pela vacina materna ou por anticorpo monoclonal Vacina na gestante ou nirsevimabe/clesrovimabe no bebê, de preferência na maternidade Abrysvo® para gestantes ≥ 28 semanas desde 02/12/2025; nirsevimabe desde fevereiro de 2026 para prematuros e crianças com comorbidades
Influenza Vacina de rotina na infância Todas as crianças e adolescentes a partir de 6 meses, todo ano Na rotina de 6 meses a menores de 6 anos, além de gestantes e grupos de risco
HPV Dose única no SUS e resgate HPV9 (preferida) em 2 doses dos 9 aos 19 anos HPV4 dose única dos 9 aos 14 anos; resgate de 15 a 19 anos prorrogado até 31/12/2026
Dengue Nova vacina aprovada e suspensa Qdenga® de 4 a 60 anos, 2 doses Qdenga® de 10 a 14 anos; a vacina do Butantan (Butantan-DV) foi suspensa em 08/06/2026
COVID-19 Vacina de rotina no lactente Rotina de 6 meses a menores de 5 anos, com a versão mais atualizada 3 doses aos 6, 7 e 9 meses
Mensagem principal

O calendário da SBP e o do Ministério da Saúde não competem: o do SUS é completo e protege a criança; o da SBP acrescenta doses e vacinas disponíveis na rede privada para ampliar a proteção individual. O essencial é não deixar a caderneta atrasada — e conferir, em 2026, o 2º reforço da VIP aos 4 anos, a MenACWY aos 12 meses e a proteção contra o VSR.

2.Calendário da SBP 2026/2027

O Calendário de Vacinação da SBP — Atualização 2026/2027 (Documento Científico nº 56, Departamento de Imunizações, 28/07/2026) vale para crianças e adolescentes saudáveis de 0 a 19 anos. Crianças com imunodeficiência ou doenças crônicas seguem esquemas especiais, disponíveis nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).

Por idade

Idade Vacinas recomendadas pela SBP
Ao nascer BCG (peso > 2 kg) · Hepatite B (nas primeiras 12 horas) · Anticorpo monoclonal contra VSR se a mãe não foi vacinada (de preferência na maternidade)
2 meses DTPa (ou DTP) · Hib · VIP · Hepatite B · Rotavírus · Pneumocócica conjugada (VPC20 ou VPC15) · Meningocócica ACWY e meningocócica B (início a partir dos 2 meses)
3 a 5 meses Doses seguintes de meningocócica ACWY e meningocócica B — os meses exatos dependem da marca (ver Esquema de cada marca, abaixo)
4 meses DTPa · Hib · VIP · Rotavírus · Pneumocócica conjugada
6 meses DTPa · Hib · VIP · Hepatite B · Pneumocócica conjugada · Rotavírus (se RV5) · Influenza (2 doses na primeira vez, com 1 mês de intervalo) · COVID-19 (início)
9 meses Febre amarela
12 meses Pneumocócica conjugada (reforço, 12–15 m) · Meningocócica ACWY (reforço) · SCR + varicela (separadas) ou SCRV · Hepatite A (1ª dose) · Meningocócica B (reforço no 2º ano)
15 meses DTPa (1º reforço) · Hib (reforço) · VIP (1º reforço) · SCRV (2ª dose de SCR e varicela, com intervalo mínimo de 3 meses)
18 meses Hepatite A (2ª dose, 6 meses após a 1ª)
4 a 6 anos DTPa (2º reforço) · VIP (2º reforço) · Febre amarela (2ª dose, aos 4 anos) · Meningocócica ACWY (reforço aos 5–6 anos)
A partir de 4 anos Dengue — Qdenga®, 2 doses com 3 meses de intervalo
9 a 19 anos HPV — HPV9 (preferida) ou HPV4, 2 doses com 6 meses de intervalo
11 a 12 anos Meningocócica ACWY (reforço) · Meningocócica B, se não vacinado
14 anos dTpa (preferida) ou dT; novos reforços conforme o cenário epidemiológico
16 anos Meningocócica ACWY (2ª dose para quem iniciou na adolescência)
Todo ano, a partir de 6 meses Influenza, idealmente antes do período de maior circulação

Elaborado a partir das notas do Documento Científico nº 56 da SBP (2026). Intervalos, número de doses e produtos podem variar conforme a vacina escolhida — sempre conferir a bula e as notas do calendário.

O que cada vacina tem de importante (notas da SBP)

  • BCG: dose única, o mais cedo possível, com peso acima de 2 kg. Não se revacina a criança sem cicatriz. Adiar até 6 meses se a mãe usou imunossupressores ou biológicos na gestação, e também se houver coleta para triagem de erros inatos da imunidade.
  • Hepatite B: primeira dose nas primeiras 12 horas. Quem recebe a pentavalente do SUS fica com 4 doses (ao nascer, 2, 4 e 6 meses). Recém-nascido com peso ≤ 2 kg ou menos de 33 semanas: 4 doses obrigatórias (0, 2, 4, 6 meses). Filho de mãe HBsAg positiva recebe também imunoglobulina (HBIG), idealmente nas primeiras 12 horas e até o 7º dia.
  • DTPa: a acelular é preferida por ter a mesma eficácia e menos reações. Esquema: 2, 4, 6 meses, reforços aos 15 meses e 4–6 anos; dTpa aos 14 anos.
  • Hib: 2, 4 e 6 meses, com 4ª dose aos 15 meses quando se usou vacina combinada com pertussis acelular (hexa ou penta acelular). A Hib isolada deixou de ser produzida para a rede privada em 2024.
  • VIP (pólio inativada): todas as 5 doses com VIP — 2, 4, 6, 15 meses e 4–6 anos. Criança em atraso completa com VIP em qualquer idade (no SUS, até menores de 5 anos).
  • Pneumocócica conjugada: a SBP recomenda VPC20 ou VPC15 em 3+1 para quem começa até 6 meses. As vacinas são intercambiáveis; quem tem esquema incompleto com VPC10 pode completar com VPC20 ou VPC15. Criança saudável com esquema completo de VPC13 não precisa revacinar, salvo risco aumentado.
  • Meningocócicas C e ACWY: uso rotineiro a partir dos 2 meses, preferindo a ACWY pelo maior espectro — inclusive como reforço em quem recebeu MenC. Reforços aos 5–6 anos e na adolescência. Adolescente nunca vacinado com ACWY: 2 doses (11 e 16 anos) até os 15 anos; 1 dose dos 16 aos 18 anos.
  • Meningocócica B (Bexsero®): entre 2 e 12 meses, 2 doses com intervalo mínimo de 2 meses e reforço no 2º ano; de 12 a 23 meses, 2 doses e reforço 12–23 meses depois; a partir de 2 anos, 2 doses com 1 mês de intervalo.
  • Rotavírus: RV1 (2 e 4 meses) ou RV5 (2, 4 e 6 meses). 1ª dose até 11 meses e 29 dias; última até 23 meses e 29 dias. Completar com a mesma marca; não repetir se a criança cuspir ou vomitar; não aplicar em criança hospitalizada.
  • Influenza: para todas as crianças e adolescentes a partir de 6 meses. Menores de 9 anos na primeira vacinação recebem 2 doses com 1 mês de intervalo. Anual.
  • Sarampo, caxumba, rubéola e varicela: aos 12 meses, SCR e varicela separadas ou SCRV (a SCRV como 1ª dose causa mais febre); aos 15 meses, 2ª dose preferencialmente com SCRV. Em surto ou exposição, a SCR pode ser dada a partir de 6 meses, mas essa dose não conta — a criança recebe mais duas após 1 ano.
  • Hepatite A: 2 doses a partir de 12 meses, com 6 meses de intervalo (o SUS aplica dose única aos 15 meses).
  • Febre amarela: 2 doses, aos 9 meses e aos 4 anos, para toda a população brasileira. Não aplicar no mesmo dia que a SCR ou SCRV em menores de 2 anos — intervalo ideal de 30 dias. Mãe vacinada que amamenta bebê com menos de 6 meses suspende a amamentação por 10 dias.
  • HPV: HPV9 (Gardasil 9®) preferida, 2 doses de 9 a 19 anos (0 e 6 meses); a partir de 20 anos e em imunocomprometidos, 3 doses. Quem recebeu 1 dose de HPV4 no SUS pode completar com 2 doses de HPV9, respeitando 6 meses da HPV4.
  • COVID-19: rotina de 6 meses a menores de 5 anos e, em qualquer idade, para quem tem comorbidade ou imunossupressão, sempre com a versão mais atualizada da vacina.
  • Dengue (Qdenga®): de 4 a 60 anos, 2 doses com 3 meses de intervalo, independentemente de infecção prévia. Contraindicada em gestantes, lactantes e imunocomprometidos.
  • VSR: duas estratégias, ambas altamente eficazes — vacina na gestante (Abrysvo®, a partir de 28 semanas) ou anticorpo monoclonal no bebê (nirsevimabe — Beyfortus®; ou clesrovimabe — Enflonsia®). Para bebês de mães não vacinadas, a SBP recomenda o monoclonal de preferência na maternidade, em qualquer época do ano. Não se combinam as duas estratégias no bebê a termo e sem comorbidade, exceto se a mãe for imunocomprometida, se a vacina materna tiver sido aplicada menos de 14 dias antes do parto, no prematuro (< 37 semanas) ou na criança com maior risco de doença grave.
    • Nirsevimabe: menores de 12 meses, dose única de 50 mg (peso < 5 kg) ou 100 mg (≥ 5 kg); de 12 a 23 meses com maior risco, 200 mg.
    • Clesrovimabe: menores de 12 meses, dose única de 105 mg, independentemente do peso.
    • Após cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea durante a sazonalidade, aplicar dose adicional.
  • Adolescente gestante: hepatite B em dia, COVID-19 (qualquer momento), dTpa a partir de 20 semanas, influenza e VSR a partir de 28 semanas.

Vacinas meningocócicas: esquema de cada marca

O calendário da SBP recomenda meningocócica conjugada a partir dos 2 meses (preferindo a ACWY) e meningocócica B de rotina, mas o número de doses no 1º ano depende da marca e da idade em que se começa. Os esquemas abaixo seguem as bulas aprovadas pela ANVISA.

Meningocócicas conjugadas ACWY e C

Vacina Idade mínima Início aos 2–6 meses Início aos 7–11 meses Início aos 12–23 meses A partir de 2 anos
Menveo® (MenACWY-CRM, GSK) 2 meses 3 doses com intervalo ≥ 2 meses + reforço aos 12–16 meses (preferido) ou 2 doses + reforço no 2º ano 2 doses: a 2ª no 2º ano de vida, ≥ 2 meses após a 1ª 2 doses, a 2ª ≥ 2 meses após a 1ª Dose única
Nimenrix® (MenACWY-TT, Pfizer) 6 semanas 2 doses com intervalo de 2 meses (se iniciada antes de 6 meses) + reforço aos 12 meses 1 dose + reforço aos 12 meses (≥ 2 meses após) Dose única Dose única
MenQuadfi® (MenACWY-TT, Sanofi) 6 semanas (ampliação aprovada pela ANVISA em 08/09/2026) Esquema primário de 1 a 3 doses, conforme a idade de início, + reforço a partir de 12 meses — seguir a bula atualizada Idem Dose única Dose única
Menjugate® (MenC-CRM, GSK) — usada no SUS 2 meses 2 doses com intervalo de 2 meses + reforço após 12 meses (no SUS: 3 e 5 meses; reforço com MenACWY aos 12 meses) 2 doses + reforço após 12 meses Dose única Dose única

Reforços recomendados pela SBP para quem foi vacinado no 1º ano: aos 5–6 anos e na adolescência (a partir de 11 anos). Quem recebeu MenC pode receber dose(s) de MenACWY, respeitando intervalo mínimo de 1 mês. Adolescente nunca vacinado com ACWY: 2 doses (11 e 16 anos) se começar até os 15 anos; 1 dose dos 16 aos 18 anos.

Meningocócicas B

Vacina Idade de início Esquema primário Reforço
Bexsero® (4CMenB, GSK) 2 a 5 meses 3 doses com intervalo ≥ 1 mês ou 2 doses com intervalo ≥ 2 meses Aos 12–15 meses, ≥ 6 meses após a série primária
6 a 11 meses 2 doses com intervalo ≥ 2 meses No 2º ano de vida, ≥ 2 meses após a série primária
12 a 23 meses 2 doses com intervalo ≥ 2 meses 12 a 23 meses após a série primária
2 anos ou mais 2 doses com intervalo ≥ 1 mês Considerar se o risco persistir
Trumenba® (MenB-FHbp, Pfizer) 10 a 25 anos 2 doses (0 e 6 meses) ou 3 doses (0, ≥ 1 mês e ≥ 4 meses após a 2ª) Considerar se o risco persistir

Fontes: bulas brasileiras de Menveo®, Nimenrix®, MenQuadfi®, Menjugate®, Bexsero® (aprovada em 04/02/2026) e Trumenba®; ANVISA, Resolução nº 3.448/2026 (ampliação da MenQuadfi®); SBP, Documento Científico nº 56. A SBP adota para a Bexsero® o esquema de 2 doses + reforço no 1º ano. As vacinas pentavalentes ABCWY (Penbraya®, Penmenvy®), aprovadas nos EUA e na Europa, não têm registro no Brasil até esta data.

Na prática
  • Iniciar a ACWY aos 2 meses na rede privada: Menveo® (2 meses) ou Nimenrix®/MenQuadfi® (a partir de 6 semanas), conforme a disponibilidade.
  • Completar o esquema primário com a mesma marca sempre que possível; o número de doses segue a bula da vacina usada.
  • A Bexsero® pode ser aplicada no mesmo dia das outras vacinas; a febre é mais comum — o paracetamol profilático nas duas primeiras doses é recomendado no Reino Unido.
  • Criança do SUS (MenC 3 e 5 meses + ACWY 12 meses) pode complementar na rede privada com MenB e com os reforços de ACWY aos 5–6 anos.
Por que o calendário da SBP tem mais doses?

A SBP recomenda mais doses e mais vacinas do que o SUS e do que a maioria dos calendários internacionais: pneumocócica em 3+1, meningocócica ACWY desde os 2 meses, meningocócica B de rotina, hepatite A em 2 doses, HPV em 2 doses até 19 anos, febre amarela em 2 doses, varicela aos 12 e 15 meses e influenza para todos até 19 anos. Essas escolhas buscam a máxima proteção individual com os produtos disponíveis na rede privada. O esquema do SUS, mais enxuto, é baseado em estudos de efetividade populacional e também protege — a criança vacinada no SUS não está "incompleta".

3.Calendário Nacional de Vacinação 2026 (Ministério da Saúde)

Baseado na Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2026 (versão de 23/07/2026) e nas notas técnicas posteriores. Todas as vacinas abaixo são gratuitas nas unidades básicas de saúde.

Criança

Idade Vacinas do SUS
Ao nascer BCG · Hepatite B · Nirsevimabe para prematuros (≤ 36 semanas e 6 dias), de preferência na maternidade
2 meses Pentavalente (DTP/Hib/Hepatite B) · VIP · Rotavírus (RV1) · Pneumocócica 20-valente
3 meses Meningocócica C
4 meses Pentavalente · VIP · Rotavírus · Pneumocócica (VPC10 ou VPC20, conforme a fase de transição)
5 meses Meningocócica C
6 meses Pentavalente · VIP · COVID-19 (1ª dose) · Influenza
7 meses COVID-19 (2ª dose)
9 meses COVID-19 (3ª dose) · Febre amarela
12 meses Pneumocócica 20-valente (reforço) · Meningocócica ACWY · Tríplice viral (SCR)
15 meses DTP (1º reforço) · VIP (1º reforço) · Tríplice viral (2ª dose) · Varicela (monovalente, 1ª dose) · Hepatite A (dose única)
4 anos DTP (2º reforço) · VIP (2º reforço) · Varicela (2ª dose) · Febre amarela (reforço)
Todo ano, de 6 meses a menores de 6 anos Influenza (2 doses com 30 dias de intervalo na primeira vez)
A partir de 7 anos dT (difteria e tétano), conforme a situação vacinal

Fase de transição da pneumocócica: enquanto houver estoque de VPC10, o esquema é VPC20 aos 2 meses, VPC10 aos 4 meses e VPC20 aos 12 meses. Crianças menores de 5 anos que fizeram o esquema primário com VPC10 recebem o reforço com VPC20.

Nirsevimabe no SUS (desde fevereiro de 2026): prematuros até 36 semanas e 6 dias, em qualquer época do ano, e crianças menores de 2 anos com comorbidades (cardiopatia com repercussão hemodinâmica, doença pulmonar crônica da prematuridade, imunocomprometimento grave, fibrose cística, doença neuromuscular grave, síndrome de Down e anomalias congênitas de vias aéreas), nestas últimas durante a sazonalidade.

Adolescente (9 a 19 anos)

Vacina Esquema no SUS
HPV4 Dose única dos 9 aos 14 anos (meninas e meninos); resgate para quem tem 15 a 19 anos e nunca foi vacinado, até 31/12/2026
Meningocócica ACWY Dose única ou reforço dos 11 aos 14 anos
Dengue (Qdenga®) 10 a 14 anos, 2 doses com 3 meses de intervalo, nos municípios prioritários
dT Reforço a cada 10 anos (ou 5 anos em caso de ferimento grave)
Hepatite B, tríplice viral e febre amarela Completar conforme a caderneta
Varicela Para indígenas e profissionais de saúde não vacinados

Gestante

Vacina Quando
dTpa A partir de 20 semanas, em toda gestação — protege o bebê contra a coqueluche
VSR (Abrysvo®) Dose única a partir de 28 semanas (no SUS desde dezembro de 2025)
Influenza 1 dose por temporada, em qualquer fase da gestação
COVID-19 1 dose por gestação, em qualquer idade gestacional (intervalo mínimo de 6 meses da dose anterior)
Hepatite B Completar conforme a caderneta

4.SBP e SUS lado a lado

Vacina SBP 2026/2027 SUS 2026 Na prática
Hepatite B 0, 2, 6 m (ou 0, 2, 4, 6) Ao nascer + pentavalente (2, 4, 6 m) Equivalentes
Difteria, tétano e coqueluche DTPa acelular: 2, 4, 6, 15 m e 4–6 a; dTpa aos 14 a Pentavalente (DTP de células inteiras) 2, 4, 6 m; DTP 15 m e 4 a; dT a partir de 7 a A acelular tem menos reações
Hib 2, 4, 6 m + 15 m (se combinada acelular) Pentavalente 2, 4, 6 m —
Pólio VIP 2, 4, 6, 15 m e 4–6 a VIP 2, 4, 6, 15 m e 4 a Iguais desde agosto de 2026
Pneumocócica VPC20/15: 2, 4, 6 e 12–15 m (3+1) VPC20: 2, 4 e 12 m (2+1) O 2+1 do SUS é esquema completo
Meningocócica ACWY / C ACWY desde 2 m; reforços 5–6 a e ≥ 11 a MenC 3 e 5 m; ACWY 12 m e 11–14 a Na rede privada, ACWY desde o início
Meningocócica B Rotina: 2 doses + reforço Não oferecida (só CRIE) Rede privada
Rotavírus RV1 (2 doses) ou RV5 (3 doses) RV1: 2 e 4 m Idade máxima para iniciar: 11 m e 29 d
Influenza Todos de 6 m a 19 a, anual 6 m a < 6 a, gestantes e grupos de risco SBP mais ampla
COVID-19 6 m a < 5 a + comorbidades 6, 7 e 9 m Equivalentes no lactente
Tríplice viral / varicela 12 m (SCR + V) e 15 m (SCRV) SCR 12 e 15 m; varicela 15 m e 4 a Mesmo número de doses; intervalo diferente
Hepatite A 2 doses a partir de 12 m Dose única aos 15 m SBP: 2ª dose na rede privada
Febre amarela 9 m e 4 a 9 m e 4 a Iguais
HPV HPV9 (ou HPV4), 2 doses de 9 a 19 a HPV4 dose única de 9 a 14 a (resgate 15–19 até dez/2026) Pode completar com HPV9
Dengue Qdenga® 4 a 60 a Qdenga® 10 a 14 a SBP mais ampla
VSR Vacina materna ou nirsevimabe/clesrovimabe para todos os bebês de mães não vacinadas Vacina materna + nirsevimabe para prematuros e comorbidades SBP inclui o bebê a termo de mãe não vacinada

5.Situações especiais

Prematuros

  • BCG: quando o peso atingir 2 kg.
  • Hepatite B: peso ≤ 2 kg ou idade gestacional < 33 semanas recebem 4 doses (0, 2, 4, 6 meses).
  • Demais vacinas: pela idade cronológica, não pela corrigida.
  • Rotavírus: não aplicar durante a internação; vacinar na alta, se ainda dentro da idade-limite.
  • VSR: nirsevimabe para todo prematuro menor de 37 semanas (no SUS, até 36 semanas e 6 dias), de preferência antes da alta da maternidade, independentemente da vacinação materna.

Criança com vacinas atrasadas

  • Não existe "recomeçar o esquema": as doses já aplicadas valem; completa-se o que falta, respeitando intervalos mínimos.
  • Rotavírus: se a 1ª dose não foi dada até 11 meses e 29 dias, não se aplica mais.
  • VIP: conferir as cadernetas de crianças de 4 anos — muitas estão sem o 2º reforço. No SUS, a dose de resgate é aplicada até 4 anos, 11 meses e 29 dias; depois disso, na rede privada, conforme a SBP.
  • Pneumocócica: o número de doses depende da idade em que se começa — seguir a bula.
  • Febre amarela e tríplice viral (ou SCRV) em menores de 2 anos: não aplicar no mesmo dia — intervalo ideal de 30 dias entre elas.

Vacinas especiais (CRIE)

Crianças com imunodeficiências, doenças crônicas (cardíacas, pulmonares, renais, hepáticas), asplenia, síndrome de Down, fibrose cística e outras condições têm direito, no SUS, a vacinas e esquemas especiais nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) — por exemplo, meningocócica B, HPV em 3 doses e pneumocócicas adicionais. O pediatra deve encaminhar com relatório.

6.Por que manter a caderneta em dia agora

  • Sarampo: as Américas perderam o status de eliminação em novembro de 2025, após mais de 12 meses de transmissão no Canadá. Em 2026, até junho, já eram mais de 22 mil casos em 17 países — o maior número desde 2019. O Brasil mantém a eliminação, com casos importados, mas o risco de reintrodução é real.
  • Coqueluche: houve aumento importante em 2024–2025, com internações e óbitos concentrados em bebês com menos de 1 ano — por isso a dTpa na gestação e a vacinação em dia dos contactantes são fundamentais.
  • Febre amarela: 2025 teve surtos em São Paulo, Minas Gerais e Pará, com alta letalidade e casos quase exclusivamente em pessoas não vacinadas.
  • Coberturas vacinais: voltaram a subir desde 2023 (a 1ª dose da tríplice viral passou de cerca de 81% em 2022 para cerca de 93% em 2025), mas ainda há bolsões de baixa cobertura.
Dicas práticas para o pediatra
  1. Revise a caderneta em toda consulta, não só nas de vacina.
  2. 2026: confira o 2º reforço da VIP aos 4 anos e a MenACWY aos 12 meses.
  3. Explique às famílias que o esquema 2+1 do SUS é completo; o 3+1 da SBP é uma opção a mais na rede privada.
  4. VSR: oriente a vacina a partir de 28 semanas já no pré-natal pediátrico; se a mãe não foi vacinada (ou foi há menos de 14 dias do parto), o bebê recebe o monoclonal.
  5. Meningocócica B: o Reino Unido recomenda (e a Associação Espanhola de Pediatria sugere) paracetamol profilático nas duas primeiras doses para reduzir a febre — a SBP não menciona, mas é uma opção a discutir.
  6. Dengue: a vacina do Butantan está suspensa desde 08/06/2026; quem a recebeu recentemente deve ser observado por 21 dias para sinais de alarme de dengue, com notificação de eventos adversos. A Qdenga® segue normalmente.
  7. HPV: aproveite o resgate de 15 a 19 anos no SUS até 31/12/2026.

7.Fontes

  1. Sociedade Brasileira de Pediatria. Calendário de Vacinação da SBP — Atualização 2026/2027. Documento Científico nº 56, Departamento Científico de Imunizações, 28/07/2026. https://www.sbp.com.br/acervo/calendario-de-vacinacao-da-sbp-atualizacao-2026-2027/
  2. Sociedade Brasileira de Pediatria. Nota de esclarecimento sobre a suspensão temporária da vacina da dengue produzida pelo Instituto Butantan, 12/06/2026.
  3. Ministério da Saúde. Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2026 (versão de 23/07/2026).
  4. Ministério da Saúde. Calendário técnico nacional de vacinação — criança; adolescentes e jovens; gestante. https://www.gov.br/saude/pt-br/vacinacao/calendario-tecnico
  5. Ministério da Saúde. Guia técnico para introdução da vacina pneumocócica 20-valente conjugada no Programa Nacional de Imunizações, 26/05/2026.
  6. Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 64/2026-CGICI/DPNI/SVSA/MS — reincorporação do 2º reforço da VIP aos 4 anos (vigência a partir de 03/08/2026).
  7. Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 77/2025 — substituição do reforço da meningocócica C pela meningocócica ACWY aos 12 meses (a partir de 01/07/2025).
  8. Ministério da Saúde. Início da distribuição da vacina contra o VSR para gestantes (dezembro de 2025) e incorporação do nirsevimabe (fevereiro de 2026).
  9. Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 58/2026 — suspensão temporária da vacina Butantan-DV (08/06/2026).
  10. Ministério da Saúde. Prorrogação do resgate da vacinação contra HPV para 15 a 19 anos até 31/12/2026.
  11. Organização Pan-Americana da Saúde. Perda da certificação de eliminação do sarampo nas Américas (11/11/2025); atualizações epidemiológicas de sarampo 2026; alerta epidemiológico de coqueluche (31/05/2025).
  12. Sociedade Brasileira de Imunizações. Calendários de vacinação 2026/2027. https://sbim.org.br/calendarios-de-vacinacao
  13. Bulas brasileiras (ANVISA): Menveo®, Nimenrix®, MenQuadfi®, Menjugate®, Bexsero® (04/02/2026), Trumenba®. ANVISA — ampliação de uso da MenQuadfi® a partir de 6 semanas (08/09/2026).
  14. Veja também, nesta Biblioteca: Calendário de vacinação da SBP 2026/2027 (comparação com AAP, NHS, AEP, Itália e OMS), Imunizantes contra o VSR, Doença meningocócica e vacina 4CMenB e Vacina dengue do Butantan, em Temas atualizados pela SBP.