Guia prático para pediatras e famílias: as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria, o que o SUS oferece e como manter a caderneta em dia. 📄 Baixar em PDF
1.O que mudou em 2025–2026
Os últimos doze meses trouxeram mais mudanças na vacinação infantil do que qualquer outro período recente. Em resumo:
| Tema | O que mudou | SBP 2026/2027 | Ministério da Saúde (PNI) |
|---|---|---|---|
| Pneumocócica | Chegada da conjugada 20-valente (VPC20) | VPC20 ou VPC15 em esquema 3+1 (2, 4, 6 e 12–15 meses) | VPC20 em esquema 2+1 (2, 4 e 12 meses) desde junho de 2026, com esquema misto VPC20/VPC10 enquanto durar o estoque |
| Poliomielite | Volta do 2º reforço | VIP em 5 doses (2, 4, 6, 15 meses e 4–6 anos) | 2º reforço de VIP aos 4 anos reincorporado em 03/08/2026 (Nota Técnica nº 64/2026) |
| Meningocócica ACWY | ACWY substitui o reforço da MenC | MenACWY desde os 2 meses (preferida à MenC) | MenC aos 3 e 5 meses; MenACWY aos 12 meses desde 01/07/2025 e dos 11 aos 14 anos |
| Vírus sincicial respiratório (VSR) | Proteção do bebê pela vacina materna ou por anticorpo monoclonal | Vacina na gestante ou nirsevimabe/clesrovimabe no bebê, de preferência na maternidade | Abrysvo® para gestantes ≥ 28 semanas desde 02/12/2025; nirsevimabe desde fevereiro de 2026 para prematuros e crianças com comorbidades |
| Influenza | Vacina de rotina na infância | Todas as crianças e adolescentes a partir de 6 meses, todo ano | Na rotina de 6 meses a menores de 6 anos, além de gestantes e grupos de risco |
| HPV | Dose única no SUS e resgate | HPV9 (preferida) em 2 doses dos 9 aos 19 anos | HPV4 dose única dos 9 aos 14 anos; resgate de 15 a 19 anos prorrogado até 31/12/2026 |
| Dengue | Nova vacina aprovada e suspensa | Qdenga® de 4 a 60 anos, 2 doses | Qdenga® de 10 a 14 anos; a vacina do Butantan (Butantan-DV) foi suspensa em 08/06/2026 |
| COVID-19 | Vacina de rotina no lactente | Rotina de 6 meses a menores de 5 anos, com a versão mais atualizada | 3 doses aos 6, 7 e 9 meses |
O calendário da SBP e o do Ministério da Saúde não competem: o do SUS é completo e protege a criança; o da SBP acrescenta doses e vacinas disponíveis na rede privada para ampliar a proteção individual. O essencial é não deixar a caderneta atrasada — e conferir, em 2026, o 2º reforço da VIP aos 4 anos, a MenACWY aos 12 meses e a proteção contra o VSR.
2.Calendário da SBP 2026/2027
O Calendário de Vacinação da SBP — Atualização 2026/2027 (Documento Científico nº 56, Departamento de Imunizações, 28/07/2026) vale para crianças e adolescentes saudáveis de 0 a 19 anos. Crianças com imunodeficiência ou doenças crônicas seguem esquemas especiais, disponíveis nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).
Por idade
| Idade | Vacinas recomendadas pela SBP |
|---|---|
| Ao nascer | BCG (peso > 2 kg) · Hepatite B (nas primeiras 12 horas) · Anticorpo monoclonal contra VSR se a mãe não foi vacinada (de preferência na maternidade) |
| 2 meses | DTPa (ou DTP) · Hib · VIP · Hepatite B · Rotavírus · Pneumocócica conjugada (VPC20 ou VPC15) · Meningocócica ACWY e meningocócica B (início a partir dos 2 meses) |
| 3 a 5 meses | Doses seguintes de meningocócica ACWY e meningocócica B — os meses exatos dependem da marca (ver Esquema de cada marca, abaixo) |
| 4 meses | DTPa · Hib · VIP · Rotavírus · Pneumocócica conjugada |
| 6 meses | DTPa · Hib · VIP · Hepatite B · Pneumocócica conjugada · Rotavírus (se RV5) · Influenza (2 doses na primeira vez, com 1 mês de intervalo) · COVID-19 (início) |
| 9 meses | Febre amarela |
| 12 meses | Pneumocócica conjugada (reforço, 12–15 m) · Meningocócica ACWY (reforço) · SCR + varicela (separadas) ou SCRV · Hepatite A (1ª dose) · Meningocócica B (reforço no 2º ano) |
| 15 meses | DTPa (1º reforço) · Hib (reforço) · VIP (1º reforço) · SCRV (2ª dose de SCR e varicela, com intervalo mínimo de 3 meses) |
| 18 meses | Hepatite A (2ª dose, 6 meses após a 1ª) |
| 4 a 6 anos | DTPa (2º reforço) · VIP (2º reforço) · Febre amarela (2ª dose, aos 4 anos) · Meningocócica ACWY (reforço aos 5–6 anos) |
| A partir de 4 anos | Dengue — Qdenga®, 2 doses com 3 meses de intervalo |
| 9 a 19 anos | HPV — HPV9 (preferida) ou HPV4, 2 doses com 6 meses de intervalo |
| 11 a 12 anos | Meningocócica ACWY (reforço) · Meningocócica B, se não vacinado |
| 14 anos | dTpa (preferida) ou dT; novos reforços conforme o cenário epidemiológico |
| 16 anos | Meningocócica ACWY (2ª dose para quem iniciou na adolescência) |
| Todo ano, a partir de 6 meses | Influenza, idealmente antes do período de maior circulação |
Elaborado a partir das notas do Documento Científico nº 56 da SBP (2026). Intervalos, número de doses e produtos podem variar conforme a vacina escolhida — sempre conferir a bula e as notas do calendário.
O que cada vacina tem de importante (notas da SBP)
- BCG: dose única, o mais cedo possível, com peso acima de 2 kg. Não se revacina a criança sem cicatriz. Adiar até 6 meses se a mãe usou imunossupressores ou biológicos na gestação, e também se houver coleta para triagem de erros inatos da imunidade.
- Hepatite B: primeira dose nas primeiras 12 horas. Quem recebe a pentavalente do SUS fica com 4 doses (ao nascer, 2, 4 e 6 meses). Recém-nascido com peso ≤ 2 kg ou menos de 33 semanas: 4 doses obrigatórias (0, 2, 4, 6 meses). Filho de mãe HBsAg positiva recebe também imunoglobulina (HBIG), idealmente nas primeiras 12 horas e até o 7º dia.
- DTPa: a acelular é preferida por ter a mesma eficácia e menos reações. Esquema: 2, 4, 6 meses, reforços aos 15 meses e 4–6 anos; dTpa aos 14 anos.
- Hib: 2, 4 e 6 meses, com 4ª dose aos 15 meses quando se usou vacina combinada com pertussis acelular (hexa ou penta acelular). A Hib isolada deixou de ser produzida para a rede privada em 2024.
- VIP (pólio inativada): todas as 5 doses com VIP — 2, 4, 6, 15 meses e 4–6 anos. Criança em atraso completa com VIP em qualquer idade (no SUS, até menores de 5 anos).
- Pneumocócica conjugada: a SBP recomenda VPC20 ou VPC15 em 3+1 para quem começa até 6 meses. As vacinas são intercambiáveis; quem tem esquema incompleto com VPC10 pode completar com VPC20 ou VPC15. Criança saudável com esquema completo de VPC13 não precisa revacinar, salvo risco aumentado.
- Meningocócicas C e ACWY: uso rotineiro a partir dos 2 meses, preferindo a ACWY pelo maior espectro — inclusive como reforço em quem recebeu MenC. Reforços aos 5–6 anos e na adolescência. Adolescente nunca vacinado com ACWY: 2 doses (11 e 16 anos) até os 15 anos; 1 dose dos 16 aos 18 anos.
- Meningocócica B (Bexsero®): entre 2 e 12 meses, 2 doses com intervalo mínimo de 2 meses e reforço no 2º ano; de 12 a 23 meses, 2 doses e reforço 12–23 meses depois; a partir de 2 anos, 2 doses com 1 mês de intervalo.
- Rotavírus: RV1 (2 e 4 meses) ou RV5 (2, 4 e 6 meses). 1ª dose até 11 meses e 29 dias; última até 23 meses e 29 dias. Completar com a mesma marca; não repetir se a criança cuspir ou vomitar; não aplicar em criança hospitalizada.
- Influenza: para todas as crianças e adolescentes a partir de 6 meses. Menores de 9 anos na primeira vacinação recebem 2 doses com 1 mês de intervalo. Anual.
- Sarampo, caxumba, rubéola e varicela: aos 12 meses, SCR e varicela separadas ou SCRV (a SCRV como 1ª dose causa mais febre); aos 15 meses, 2ª dose preferencialmente com SCRV. Em surto ou exposição, a SCR pode ser dada a partir de 6 meses, mas essa dose não conta — a criança recebe mais duas após 1 ano.
- Hepatite A: 2 doses a partir de 12 meses, com 6 meses de intervalo (o SUS aplica dose única aos 15 meses).
- Febre amarela: 2 doses, aos 9 meses e aos 4 anos, para toda a população brasileira. Não aplicar no mesmo dia que a SCR ou SCRV em menores de 2 anos — intervalo ideal de 30 dias. Mãe vacinada que amamenta bebê com menos de 6 meses suspende a amamentação por 10 dias.
- HPV: HPV9 (Gardasil 9®) preferida, 2 doses de 9 a 19 anos (0 e 6 meses); a partir de 20 anos e em imunocomprometidos, 3 doses. Quem recebeu 1 dose de HPV4 no SUS pode completar com 2 doses de HPV9, respeitando 6 meses da HPV4.
- COVID-19: rotina de 6 meses a menores de 5 anos e, em qualquer idade, para quem tem comorbidade ou imunossupressão, sempre com a versão mais atualizada da vacina.
- Dengue (Qdenga®): de 4 a 60 anos, 2 doses com 3 meses de intervalo, independentemente de infecção prévia. Contraindicada em gestantes, lactantes e imunocomprometidos.
- VSR: duas estratégias, ambas altamente eficazes — vacina na gestante (Abrysvo®, a partir de 28 semanas) ou anticorpo monoclonal no bebê (nirsevimabe — Beyfortus®; ou clesrovimabe — Enflonsia®). Para bebês de mães não vacinadas, a SBP recomenda o monoclonal de preferência na maternidade, em qualquer época do ano. Não se combinam as duas estratégias no bebê a termo e sem comorbidade, exceto se a mãe for imunocomprometida, se a vacina materna tiver sido aplicada menos de 14 dias antes do parto, no prematuro (< 37 semanas) ou na criança com maior risco de doença grave.
- Nirsevimabe: menores de 12 meses, dose única de 50 mg (peso < 5 kg) ou 100 mg (≥ 5 kg); de 12 a 23 meses com maior risco, 200 mg.
- Clesrovimabe: menores de 12 meses, dose única de 105 mg, independentemente do peso.
- Após cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea durante a sazonalidade, aplicar dose adicional.
- Adolescente gestante: hepatite B em dia, COVID-19 (qualquer momento), dTpa a partir de 20 semanas, influenza e VSR a partir de 28 semanas.
Vacinas meningocócicas: esquema de cada marca
O calendário da SBP recomenda meningocócica conjugada a partir dos 2 meses (preferindo a ACWY) e meningocócica B de rotina, mas o número de doses no 1º ano depende da marca e da idade em que se começa. Os esquemas abaixo seguem as bulas aprovadas pela ANVISA.
Meningocócicas conjugadas ACWY e C
| Vacina | Idade mínima | Início aos 2–6 meses | Início aos 7–11 meses | Início aos 12–23 meses | A partir de 2 anos |
|---|---|---|---|---|---|
| Menveo® (MenACWY-CRM, GSK) | 2 meses | 3 doses com intervalo ≥ 2 meses + reforço aos 12–16 meses (preferido) ou 2 doses + reforço no 2º ano | 2 doses: a 2ª no 2º ano de vida, ≥ 2 meses após a 1ª | 2 doses, a 2ª ≥ 2 meses após a 1ª | Dose única |
| Nimenrix® (MenACWY-TT, Pfizer) | 6 semanas | 2 doses com intervalo de 2 meses (se iniciada antes de 6 meses) + reforço aos 12 meses | 1 dose + reforço aos 12 meses (≥ 2 meses após) | Dose única | Dose única |
| MenQuadfi® (MenACWY-TT, Sanofi) | 6 semanas (ampliação aprovada pela ANVISA em 08/09/2026) | Esquema primário de 1 a 3 doses, conforme a idade de início, + reforço a partir de 12 meses — seguir a bula atualizada | Idem | Dose única | Dose única |
| Menjugate® (MenC-CRM, GSK) — usada no SUS | 2 meses | 2 doses com intervalo de 2 meses + reforço após 12 meses (no SUS: 3 e 5 meses; reforço com MenACWY aos 12 meses) | 2 doses + reforço após 12 meses | Dose única | Dose única |
Reforços recomendados pela SBP para quem foi vacinado no 1º ano: aos 5–6 anos e na adolescência (a partir de 11 anos). Quem recebeu MenC pode receber dose(s) de MenACWY, respeitando intervalo mínimo de 1 mês. Adolescente nunca vacinado com ACWY: 2 doses (11 e 16 anos) se começar até os 15 anos; 1 dose dos 16 aos 18 anos.
Meningocócicas B
| Vacina | Idade de início | Esquema primário | Reforço |
|---|---|---|---|
| Bexsero® (4CMenB, GSK) | 2 a 5 meses | 3 doses com intervalo ≥ 1 mês ou 2 doses com intervalo ≥ 2 meses | Aos 12–15 meses, ≥ 6 meses após a série primária |
| 6 a 11 meses | 2 doses com intervalo ≥ 2 meses | No 2º ano de vida, ≥ 2 meses após a série primária | |
| 12 a 23 meses | 2 doses com intervalo ≥ 2 meses | 12 a 23 meses após a série primária | |
| 2 anos ou mais | 2 doses com intervalo ≥ 1 mês | Considerar se o risco persistir | |
| Trumenba® (MenB-FHbp, Pfizer) | 10 a 25 anos | 2 doses (0 e 6 meses) ou 3 doses (0, ≥ 1 mês e ≥ 4 meses após a 2ª) | Considerar se o risco persistir |
Fontes: bulas brasileiras de Menveo®, Nimenrix®, MenQuadfi®, Menjugate®, Bexsero® (aprovada em 04/02/2026) e Trumenba®; ANVISA, Resolução nº 3.448/2026 (ampliação da MenQuadfi®); SBP, Documento Científico nº 56. A SBP adota para a Bexsero® o esquema de 2 doses + reforço no 1º ano. As vacinas pentavalentes ABCWY (Penbraya®, Penmenvy®), aprovadas nos EUA e na Europa, não têm registro no Brasil até esta data.
- Iniciar a ACWY aos 2 meses na rede privada: Menveo® (2 meses) ou Nimenrix®/MenQuadfi® (a partir de 6 semanas), conforme a disponibilidade.
- Completar o esquema primário com a mesma marca sempre que possível; o número de doses segue a bula da vacina usada.
- A Bexsero® pode ser aplicada no mesmo dia das outras vacinas; a febre é mais comum — o paracetamol profilático nas duas primeiras doses é recomendado no Reino Unido.
- Criança do SUS (MenC 3 e 5 meses + ACWY 12 meses) pode complementar na rede privada com MenB e com os reforços de ACWY aos 5–6 anos.
A SBP recomenda mais doses e mais vacinas do que o SUS e do que a maioria dos calendários internacionais: pneumocócica em 3+1, meningocócica ACWY desde os 2 meses, meningocócica B de rotina, hepatite A em 2 doses, HPV em 2 doses até 19 anos, febre amarela em 2 doses, varicela aos 12 e 15 meses e influenza para todos até 19 anos. Essas escolhas buscam a máxima proteção individual com os produtos disponíveis na rede privada. O esquema do SUS, mais enxuto, é baseado em estudos de efetividade populacional e também protege — a criança vacinada no SUS não está "incompleta".
3.Calendário Nacional de Vacinação 2026 (Ministério da Saúde)
Baseado na Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2026 (versão de 23/07/2026) e nas notas técnicas posteriores. Todas as vacinas abaixo são gratuitas nas unidades básicas de saúde.
Criança
| Idade | Vacinas do SUS |
|---|---|
| Ao nascer | BCG · Hepatite B · Nirsevimabe para prematuros (≤ 36 semanas e 6 dias), de preferência na maternidade |
| 2 meses | Pentavalente (DTP/Hib/Hepatite B) · VIP · Rotavírus (RV1) · Pneumocócica 20-valente |
| 3 meses | Meningocócica C |
| 4 meses | Pentavalente · VIP · Rotavírus · Pneumocócica (VPC10 ou VPC20, conforme a fase de transição) |
| 5 meses | Meningocócica C |
| 6 meses | Pentavalente · VIP · COVID-19 (1ª dose) · Influenza |
| 7 meses | COVID-19 (2ª dose) |
| 9 meses | COVID-19 (3ª dose) · Febre amarela |
| 12 meses | Pneumocócica 20-valente (reforço) · Meningocócica ACWY · Tríplice viral (SCR) |
| 15 meses | DTP (1º reforço) · VIP (1º reforço) · Tríplice viral (2ª dose) · Varicela (monovalente, 1ª dose) · Hepatite A (dose única) |
| 4 anos | DTP (2º reforço) · VIP (2º reforço) · Varicela (2ª dose) · Febre amarela (reforço) |
| Todo ano, de 6 meses a menores de 6 anos | Influenza (2 doses com 30 dias de intervalo na primeira vez) |
| A partir de 7 anos | dT (difteria e tétano), conforme a situação vacinal |
Fase de transição da pneumocócica: enquanto houver estoque de VPC10, o esquema é VPC20 aos 2 meses, VPC10 aos 4 meses e VPC20 aos 12 meses. Crianças menores de 5 anos que fizeram o esquema primário com VPC10 recebem o reforço com VPC20.
Nirsevimabe no SUS (desde fevereiro de 2026): prematuros até 36 semanas e 6 dias, em qualquer época do ano, e crianças menores de 2 anos com comorbidades (cardiopatia com repercussão hemodinâmica, doença pulmonar crônica da prematuridade, imunocomprometimento grave, fibrose cística, doença neuromuscular grave, síndrome de Down e anomalias congênitas de vias aéreas), nestas últimas durante a sazonalidade.
Adolescente (9 a 19 anos)
| Vacina | Esquema no SUS |
|---|---|
| HPV4 | Dose única dos 9 aos 14 anos (meninas e meninos); resgate para quem tem 15 a 19 anos e nunca foi vacinado, até 31/12/2026 |
| Meningocócica ACWY | Dose única ou reforço dos 11 aos 14 anos |
| Dengue (Qdenga®) | 10 a 14 anos, 2 doses com 3 meses de intervalo, nos municípios prioritários |
| dT | Reforço a cada 10 anos (ou 5 anos em caso de ferimento grave) |
| Hepatite B, tríplice viral e febre amarela | Completar conforme a caderneta |
| Varicela | Para indígenas e profissionais de saúde não vacinados |
Gestante
| Vacina | Quando |
|---|---|
| dTpa | A partir de 20 semanas, em toda gestação — protege o bebê contra a coqueluche |
| VSR (Abrysvo®) | Dose única a partir de 28 semanas (no SUS desde dezembro de 2025) |
| Influenza | 1 dose por temporada, em qualquer fase da gestação |
| COVID-19 | 1 dose por gestação, em qualquer idade gestacional (intervalo mínimo de 6 meses da dose anterior) |
| Hepatite B | Completar conforme a caderneta |
4.SBP e SUS lado a lado
| Vacina | SBP 2026/2027 | SUS 2026 | Na prática |
|---|---|---|---|
| Hepatite B | 0, 2, 6 m (ou 0, 2, 4, 6) | Ao nascer + pentavalente (2, 4, 6 m) | Equivalentes |
| Difteria, tétano e coqueluche | DTPa acelular: 2, 4, 6, 15 m e 4–6 a; dTpa aos 14 a | Pentavalente (DTP de células inteiras) 2, 4, 6 m; DTP 15 m e 4 a; dT a partir de 7 a | A acelular tem menos reações |
| Hib | 2, 4, 6 m + 15 m (se combinada acelular) | Pentavalente 2, 4, 6 m | — |
| Pólio | VIP 2, 4, 6, 15 m e 4–6 a | VIP 2, 4, 6, 15 m e 4 a | Iguais desde agosto de 2026 |
| Pneumocócica | VPC20/15: 2, 4, 6 e 12–15 m (3+1) | VPC20: 2, 4 e 12 m (2+1) | O 2+1 do SUS é esquema completo |
| Meningocócica ACWY / C | ACWY desde 2 m; reforços 5–6 a e ≥ 11 a | MenC 3 e 5 m; ACWY 12 m e 11–14 a | Na rede privada, ACWY desde o início |
| Meningocócica B | Rotina: 2 doses + reforço | Não oferecida (só CRIE) | Rede privada |
| Rotavírus | RV1 (2 doses) ou RV5 (3 doses) | RV1: 2 e 4 m | Idade máxima para iniciar: 11 m e 29 d |
| Influenza | Todos de 6 m a 19 a, anual | 6 m a < 6 a, gestantes e grupos de risco | SBP mais ampla |
| COVID-19 | 6 m a < 5 a + comorbidades | 6, 7 e 9 m | Equivalentes no lactente |
| Tríplice viral / varicela | 12 m (SCR + V) e 15 m (SCRV) | SCR 12 e 15 m; varicela 15 m e 4 a | Mesmo número de doses; intervalo diferente |
| Hepatite A | 2 doses a partir de 12 m | Dose única aos 15 m | SBP: 2ª dose na rede privada |
| Febre amarela | 9 m e 4 a | 9 m e 4 a | Iguais |
| HPV | HPV9 (ou HPV4), 2 doses de 9 a 19 a | HPV4 dose única de 9 a 14 a (resgate 15–19 até dez/2026) | Pode completar com HPV9 |
| Dengue | Qdenga® 4 a 60 a | Qdenga® 10 a 14 a | SBP mais ampla |
| VSR | Vacina materna ou nirsevimabe/clesrovimabe para todos os bebês de mães não vacinadas | Vacina materna + nirsevimabe para prematuros e comorbidades | SBP inclui o bebê a termo de mãe não vacinada |
5.Situações especiais
Prematuros
- BCG: quando o peso atingir 2 kg.
- Hepatite B: peso ≤ 2 kg ou idade gestacional < 33 semanas recebem 4 doses (0, 2, 4, 6 meses).
- Demais vacinas: pela idade cronológica, não pela corrigida.
- Rotavírus: não aplicar durante a internação; vacinar na alta, se ainda dentro da idade-limite.
- VSR: nirsevimabe para todo prematuro menor de 37 semanas (no SUS, até 36 semanas e 6 dias), de preferência antes da alta da maternidade, independentemente da vacinação materna.
Criança com vacinas atrasadas
- Não existe "recomeçar o esquema": as doses já aplicadas valem; completa-se o que falta, respeitando intervalos mínimos.
- Rotavírus: se a 1ª dose não foi dada até 11 meses e 29 dias, não se aplica mais.
- VIP: conferir as cadernetas de crianças de 4 anos — muitas estão sem o 2º reforço. No SUS, a dose de resgate é aplicada até 4 anos, 11 meses e 29 dias; depois disso, na rede privada, conforme a SBP.
- Pneumocócica: o número de doses depende da idade em que se começa — seguir a bula.
- Febre amarela e tríplice viral (ou SCRV) em menores de 2 anos: não aplicar no mesmo dia — intervalo ideal de 30 dias entre elas.
Vacinas especiais (CRIE)
Crianças com imunodeficiências, doenças crônicas (cardíacas, pulmonares, renais, hepáticas), asplenia, síndrome de Down, fibrose cística e outras condições têm direito, no SUS, a vacinas e esquemas especiais nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) — por exemplo, meningocócica B, HPV em 3 doses e pneumocócicas adicionais. O pediatra deve encaminhar com relatório.
6.Por que manter a caderneta em dia agora
- Sarampo: as Américas perderam o status de eliminação em novembro de 2025, após mais de 12 meses de transmissão no Canadá. Em 2026, até junho, já eram mais de 22 mil casos em 17 países — o maior número desde 2019. O Brasil mantém a eliminação, com casos importados, mas o risco de reintrodução é real.
- Coqueluche: houve aumento importante em 2024–2025, com internações e óbitos concentrados em bebês com menos de 1 ano — por isso a dTpa na gestação e a vacinação em dia dos contactantes são fundamentais.
- Febre amarela: 2025 teve surtos em São Paulo, Minas Gerais e Pará, com alta letalidade e casos quase exclusivamente em pessoas não vacinadas.
- Coberturas vacinais: voltaram a subir desde 2023 (a 1ª dose da tríplice viral passou de cerca de 81% em 2022 para cerca de 93% em 2025), mas ainda há bolsões de baixa cobertura.
- Revise a caderneta em toda consulta, não só nas de vacina.
- 2026: confira o 2º reforço da VIP aos 4 anos e a MenACWY aos 12 meses.
- Explique às famílias que o esquema 2+1 do SUS é completo; o 3+1 da SBP é uma opção a mais na rede privada.
- VSR: oriente a vacina a partir de 28 semanas já no pré-natal pediátrico; se a mãe não foi vacinada (ou foi há menos de 14 dias do parto), o bebê recebe o monoclonal.
- Meningocócica B: o Reino Unido recomenda (e a Associação Espanhola de Pediatria sugere) paracetamol profilático nas duas primeiras doses para reduzir a febre — a SBP não menciona, mas é uma opção a discutir.
- Dengue: a vacina do Butantan está suspensa desde 08/06/2026; quem a recebeu recentemente deve ser observado por 21 dias para sinais de alarme de dengue, com notificação de eventos adversos. A Qdenga® segue normalmente.
- HPV: aproveite o resgate de 15 a 19 anos no SUS até 31/12/2026.
7.Fontes
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Calendário de Vacinação da SBP — Atualização 2026/2027. Documento Científico nº 56, Departamento Científico de Imunizações, 28/07/2026. https://www.sbp.com.br/acervo/calendario-de-vacinacao-da-sbp-atualizacao-2026-2027/
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Nota de esclarecimento sobre a suspensão temporária da vacina da dengue produzida pelo Instituto Butantan, 12/06/2026.
- Ministério da Saúde. Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2026 (versão de 23/07/2026).
- Ministério da Saúde. Calendário técnico nacional de vacinação — criança; adolescentes e jovens; gestante. https://www.gov.br/saude/pt-br/vacinacao/calendario-tecnico
- Ministério da Saúde. Guia técnico para introdução da vacina pneumocócica 20-valente conjugada no Programa Nacional de Imunizações, 26/05/2026.
- Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 64/2026-CGICI/DPNI/SVSA/MS — reincorporação do 2º reforço da VIP aos 4 anos (vigência a partir de 03/08/2026).
- Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 77/2025 — substituição do reforço da meningocócica C pela meningocócica ACWY aos 12 meses (a partir de 01/07/2025).
- Ministério da Saúde. Início da distribuição da vacina contra o VSR para gestantes (dezembro de 2025) e incorporação do nirsevimabe (fevereiro de 2026).
- Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 58/2026 — suspensão temporária da vacina Butantan-DV (08/06/2026).
- Ministério da Saúde. Prorrogação do resgate da vacinação contra HPV para 15 a 19 anos até 31/12/2026.
- Organização Pan-Americana da Saúde. Perda da certificação de eliminação do sarampo nas Américas (11/11/2025); atualizações epidemiológicas de sarampo 2026; alerta epidemiológico de coqueluche (31/05/2025).
- Sociedade Brasileira de Imunizações. Calendários de vacinação 2026/2027. https://sbim.org.br/calendarios-de-vacinacao
- Bulas brasileiras (ANVISA): Menveo®, Nimenrix®, MenQuadfi®, Menjugate®, Bexsero® (04/02/2026), Trumenba®. ANVISA — ampliação de uso da MenQuadfi® a partir de 6 semanas (08/09/2026).
- Veja também, nesta Biblioteca: Calendário de vacinação da SBP 2026/2027 (comparação com AAP, NHS, AEP, Itália e OMS), Imunizantes contra o VSR, Doença meningocócica e vacina 4CMenB e Vacina dengue do Butantan, em Temas atualizados pela SBP.