Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF
Imunoterapia é todo tratamento que age sobre o sistema imune: anticorpos monoclonais (sufixo -mabe), proteínas de fusão (-cepte), pequenas moléculas como os inibidores de JAK (-citinibe), células CAR-T, imunoterapia alérgica e imunoglobulinas. O pediatra raramente prescreve, mas reconhece a indicação, encaminha, prepara e acompanha. Preparar é atualizar as vacinas (não vivas ≥ 2 semanas e vivas ≥ 4 semanas antes, Manual dos CRIE 2023), rastrear a tuberculose latente (prova tuberculínica ou IGRA e radiografia; PT ≥ 5 mm ou IGRA positivo, sem doença ativa, indica tratar a infecção latente — Ministério da Saúde), pedir hepatites B e C e HIV e comprovar varicela e sarampo. Os anti-TNF, o rituximabe, o tocilizumabe, o abatacepte, os inibidores de JAK e a CAR-T são imunossupressão de alto grau: vacinas vivas contraindicadas. Sob omalizumabe, dupilumabe e anti-IL-5, o calendário segue quase normal. Seguimento conjunto é 🟢; encaminhar e preparar é 🟡. São 🔴 (pronto-socorro): febre em quem usa biológico imunossupressor ou recebeu CAR-T, anafilaxia na aplicação, varicela ou sarampo no imunossuprimido, síndrome de liberação de citocinas e neurotoxicidade.
1.O que é e como se apresenta
Classes de imunoterapia e como reconhecer pelo nome. A denominação comum internacional usa sufixos que revelam o mecanismo (CAV-AEP, Manual de Imunizações, cap. 14, out/2025):
| Classe | Sufixo e exemplos | Alvo e mecanismo | Uso pediátrico típico |
|---|---|---|---|
| Anticorpo monoclonal | -mabe. -ximabe (quimérico, como infliximabe e rituximabe); -zumabe (humanizado, como omalizumabe, mepolizumabe, tocilizumabe); -umabe (humano, como adalimumabe, dupilumabe) | Bloqueia citocina, receptor ou célula (IgE, IL-5, IL-4Rα, TSLP, TNF, IL-6, CD20) ou neutraliza vírus (proteína F do VSR) | Asma grave, urticária, dermatite atópica, AIJ, doença inflamatória intestinal, VSR |
| Proteína de fusão e antagonista de receptor | -cepte (etanercepte, abatacepte); -quinra (anacinra) | Receptor solúvel que sequestra o ligante; bloqueio de IL-1 | AIJ, doenças autoinflamatórias |
| Pequena molécula alvo-específica | -citinibe (tofacitinibe, baricitinibe, upadacitinibe) | Inibição das Janus quinases (JAK). É sintética, não é biológico, mas é imunossupressora | AIJ, dermatite atópica do adolescente |
| Terapia celular e biespecífico | CAR-T (tisagenlecleucel); blinatumomabe | Linfócito T modificado contra CD19; anticorpo CD19/CD3 | Leucemia linfoblástica aguda B refratária ou recidivada |
| Imunoterapia alérgica | Extratos padronizados (SCIT, SLIT, imunoterapia oral para alimentos) | Indução de tolerância (T reguladores, IgG4) | Rinite, asma alérgica, veneno de himenópteros, alergia alimentar |
| Imunoglobulinas | IgIV, IgSC, imunoglobulinas hiperimunes | Reposição de anticorpos ou imunomodulação | Erros inatos da imunidade, Kawasaki, PTI, profilaxia pós-exposição |
O que muda para o pediatra é o grau de imunossupressão, e não o nome da classe. O Manual dos CRIE (2023) considera imunossupressores, em qualquer dose, os anti-TNF, o rituximabe, o abatacepte, o tocilizumabe e o eculizumabe. O CAV-AEP (2025) inclui também os inibidores de JAK, o etanercepte, a anacinra, os anti-IL-17, IL-12/23 e IL-23, o belimumabe, o mepolizumabe e os receptores de CAR-T, e considera sem efeito imunossupressor o dupilumabe, o omalizumabe, o nirsevimabe e o palivizumabe.
Como o SUS fornece. Os biológicos ambulatoriais são dispensados pelo Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF), nas farmácias estaduais ou regionais. O acesso exige que o paciente preencha os critérios do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da doença, com laudo, receita e exames exigidos. A Conitec avalia cada tecnologia e recomenda, ou não, a incorporação, que depois entra no PCDT. Exemplo: o PCDT de Asma (Portaria Conjunta nº 43, de 24/03/2026) incluiu omalizumabe, mepolizumabe e dupilumabe a partir de 6 anos e benralizumabe para adultos. Na saúde suplementar vale o rol da ANS com suas diretrizes de utilização (DUT), e a asma eosinofílica grave tem a DUT 65.9 (ANS, Cosaúde, 2024). Fora do PCDT e do rol, o acesso é privado ou judicial. O relatório deve trazer diagnóstico, tratamentos que falharam, indicação em bula na Anvisa e evidência, pois o juiz consulta o NatJus.
Terapias celulares. A Anvisa registrou em 23/02/2022 o Kymriah (tisagenlecleucel), primeiro CAR-T, para pacientes até 25 anos com leucemia linfoblástica aguda B refratária ou em 2ª recidiva ou posterior, aplicado só em centros habilitados; os riscos centrais são a síndrome de liberação de citocinas e os eventos neurológicos (Anvisa, 2022). A aprovação se apoiou no estudo de fase 2 ELIANA (NCT02435849; 80 participantes até 25 anos; concluído em 11/2022). A CAR-T não está incorporada ao SUS: a incorporação depende de avaliação da Conitec, e o Ministério da Saúde estrutura uma rede de terapia celular com CAR-T de produção nacional em estudo (Agência Aids, a partir da Folha de S.Paulo, 05/04/2026); hoje o acesso é privado, judicial ou em pesquisa clínica.
2.Classificação de gravidade
| Gravidade | Critérios clínicos | Conduta |
|---|---|---|
| 🟢 Leve | Criança em imunoterapia estável; reação local à injeção (dor, eritema, edema < 10 cm); infecção leve em quem usa biológico não imunossupressor (omalizumabe, dupilumabe) em bom estado; consulta de rotina e de vacinas | Seguimento pelo pediatra com o especialista; tratar a intercorrência como na criança sem imunoterapia; manter calendário e influenza anual |
| 🟡 Moderada | Indicação provável de imunoterapia (asma grave, urticária crônica refratária, dermatite atópica grave, artrite crônica, doença inflamatória intestinal); preparo antes do início; PT ou IGRA positivo; sorologia de hepatite B ou C positiva; vacinas vivas pendentes; reação local grande ou repetida; eosinofilia acentuada ou alteração laboratorial na monitorização | Encaminhar ao alergista e imunologista pediátrico ou ao especialista da doença (com prioridade quando a doença está sem controle); organizar triagem e vacinas; contato com o especialista antes da próxima dose |
| 🔴 Grave | Febre (axilar ≥ 37,5 °C) em uso de biológico imunossupressor, inibidor de JAK, quimioterapia ou após CAR-T, mesmo em bom estado (imunossupressão de alto grau, como em Febre e infecção na criança imunocomprometida e com dispositivos, Infectologia); anafilaxia durante ou após a aplicação; varicela, zóster ou sarampo, ou exposição a eles, no imunossuprimido; após CAR-T ou blinatumomabe, febre, hipotensão ou hipoxemia (síndrome de liberação de citocinas) ou confusão, sonolência, tremor, afasia ou convulsão (neurotoxicidade); dispneia, tosse e febre em uso de anti-TNF (tuberculose, pneumonia) | Pronto-socorro ou hospital de referência, avisando a equipe; anafilaxia: adrenalina IM antes de tudo; após CAR-T: o centro que aplicou |
Febre em uso de biológico imunossupressor ou inibidor de JAK — padrão do site (decisão do Dr. Stefani, 03/10/2026): é 🔴 (pronto-socorro) mesmo em bom estado, conforme Febre e infecção na criança imunocomprometida e com dispositivos (Infectologia); só com imunossupressor convencional isolado (metotrexato, ciclosporina, azatioprina), sem biológico nem JAK, a febre em bom estado é 🟡 (avaliação no mesmo dia e contato com o especialista). O documento Artrite idiopática juvenil (Reumatologia) segue o mesmo padrão.
Fatores que elevam a gravidade: imunossupressão combinada (biológico com corticoide ou metotrexato); CAR-T recente; corticoide ≥ 2 mg/kg/dia (até 10 kg) ou ≥ 20 mg/dia por ≥ 14 dias (Manual dos CRIE 2023); neutropenia ou linfopenia; cateter central; vacinação incompleta da criança ou dos conviventes; tuberculose em casa; residência em área de febre amarela.
3.Diagnóstico no consultório
Antes de iniciar (o pediatra pode adiantar):
- História: infecções graves ou de repetição, tuberculose (contato, tratamento), hepatite, área endêmica, gestação na adolescente.
- Tuberculose latente (Nota Informativa nº 15/2024-CGTM/DATHI/SVSA/MS): prova tuberculínica (PT) ou IGRA e radiografia de tórax em quem vai usar imunobiológico ou imunossupressor, inclusive corticoide acima de 15 mg/dia de prednisona por mais de 1 mês. PT ≥ 5 mm ou IGRA positivo, cicatriz radiológica de TB nunca tratada ou contato de TB pulmonar indicam tratar a infecção latente, depois de excluir a TB ativa (clínica, radiografia e, se houver suspeita, teste rápido molecular). O esquema segue o Ministério da Saúde. No PCDT da AIJ (2026), como registrado no documento Artrite idiopática juvenil do site, o biológico começa após 4 semanas de tratamento da infecção latente, e a PT ou IGRA é repetida anualmente. O PCDT de Asma (2026) não exige a triagem de tuberculose para omalizumabe, mepolizumabe e dupilumabe, que não são imunossupressores clássicos.
- Sorologias: HBsAg, anti-HBc e anti-HBs; anti-HCV; anti-HIV. O anti-HBc isolado e o HBsAg positivo antes do rituximabe ou do anti-TNF vão ao especialista, pelo risco de reativação da hepatite B.
- Varicela e sarampo: 2 doses no cartão; se a história for incerta, sorologia antes da imunossupressão.
- Hemograma com eosinófilos (base para anti-IL-5 e para notar eosinofilia do dupilumabe), transaminases, creatinina. Parasitológico de fezes ou tratamento de helmintíase antes de anti-IL-5, anti-IL-4Rα e anti-TSLP, conforme bula, em quem tem risco.
Diferencial que não pode passar: antes de rotular asma grave ou urticária "refratária", excluir má adesão e erro de técnica; antes de imunossuprimir, excluir erro inato da imunidade (infecções graves ou de repetição, BCG com reação extensa, diarreia crônica e baixo ganho de peso), neoplasia (dor óssea noturna, citopenias, hepatoesplenomegalia) e tuberculose ativa.
4.Tratamento e seguimento
O que é do pediatra: suspeitar da indicação, encaminhar, fazer a triagem, atualizar as vacinas com o CRIE, acompanhar crescimento e intercorrências e reconhecer os eventos graves. O que é do especialista: indicação, prescrição, aplicação (as primeiras doses de biológico em serviço preparado para anafilaxia), monitorização específica e suspensão.
Vacinas sob imunobiológicos (Manual dos CRIE 2023, como em Vacinação da criança imunocomprometida e com doenças crônicas):
- Antes: completar o calendário; não vivas pelo menos 2 semanas antes e vivas pelo menos 4 semanas antes do início (o CRIE escreve 14 a 30 dias para a tríplice viral). Antes do anti-TNF: influenza, pneumococo (VPC20 na Rede de Imunobiológicos, NT nº 52/2026), hepatite B, difteria e tétano. Antes do rituximabe: hepatite B nos suscetíveis. Antes da CAR-T, prevalece a data mais restritiva entre a bula (vivas ≥ 6 semanas antes da linfodepleção) e o CRIE (≥ 4 semanas antes da imunossupressão), definida com o centro (ver Imunoterapia oncológica pediátrica).
- Durante biológico imunossupressor: vivas contraindicadas (tríplice e tetraviral, varicela, febre amarela, BCG, rotavírus, dengue). As não vivas podem ser aplicadas, com influenza anual, e repetidas depois se necessário.
- Depois: vivas 3 a 6 meses após o término da terapia imunossupressora; pelo menos 6 meses após o rituximabe; 1 mês após o corticoide imunossupressor (Manual dos CRIE 2023).
- Omalizumabe, mepolizumabe, dupilumabe e tezepelumabe: não estão na lista de biológicos imunossupressores do CRIE. As bulas de dupilumabe e tezepelumabe recomendam evitar vacinas vivas. O consenso Delphi do ACAAI (2024) admite vacinas vivas sob dupilumabe por decisão compartilhada. Conduta do site: decidir com o especialista e o CRIE, idealmente completando as vivas antes do início.
- Recém-nascido de mãe que usou imunobiológico nos 2 últimos trimestres: adiar a BCG (6 a 12 meses pelo CRIE; o site segue a SBP, que adia pelo menos até 6 meses) e o rotavírus segue a SBP, que só o contraindica se a mãe usou rituximabe (o PCDT de Crohn 2026, item 6.6.1, recomenda não aplicar vacinas vivas, inclusive o rotavírus, nos 6 primeiros meses ao filho de mãe em anti-TNF — divergência); ver o documento de vacinação do imunocomprometido.
- Conviventes: calendário completo, influenza anual, tríplice viral e varicela nos suscetíveis, VIP. Rotavírus é permitido, com lavagem das mãos após trocar fraldas.
Eventos adversos que o pediatra reconhece:
- Reação no local da injeção (comum, autolimitada) e anafilaxia (rara; omalizumabe cerca de 0,2%, PCDT de Asma 2026). Pode ocorrer mesmo após doses anteriores bem toleradas.
- Infecções: tuberculose (anti-TNF), encapsulados (rituximabe, eculizumabe), zóster (inibidores de JAK), oportunistas na imunossupressão combinada.
- Dupilumabe: conjuntivite (sobretudo na dermatite atópica), herpes oral, eosinofilia transitória; raros casos de granulomatose eosinofílica com poliangiite após retirada de corticoide oral (PCDT 2026).
- Após CAR-T e blinatumomabe: síndrome de liberação de citocinas (febre, hipotensão, hipoxemia; tratada com tocilizumabe no centro) e neurotoxicidade (Anvisa, 2022); hipogamaglobulinemia prolongada por aplasia de células B.
| Medicamento | Dose | Intervalo | Duração | Observação e referência |
|---|---|---|---|---|
| Adrenalina IM 1 mg/mL (anafilaxia na aplicação) | 0,01 mg/kg (máx. 0,3 mg na criança; 0,5 mg no adolescente); autoinjetor 0,15 mg < 30 kg e 0,3 mg ≥ 30 kg | Repetir em 5–15 min se necessário | Até a remoção | Vasto lateral da coxa; SBP 2021 e Protocolo de Anafilaxia do site |
| Dipirona (febre com desconforto) | 15 mg/kg/dose | 6/6 h (máx. 4 doses/dia) | Sintomático | Padrão do site; não < 3 meses ou < 5 kg (bula); alternativa paracetamol 10–15 mg/kg/dose, máx. 75 mg/kg/dia (SBP); não substitui o pronto-socorro do imunossuprimido |
| Imunoglobulina antivaricela-zóster (IGHAVZ) | 125 UI/10 kg IM (mín. 125, máx. 625 UI) | Dose única | Até 96 h após o contato | Imunossuprimido suscetível exposto; pelo CRIE (Manual dos CRIE 2023) |
| Tratamento da infecção latente da tuberculose | Esquema e dose conforme o Ministério da Saúde | — | — | Após excluir TB ativa (NI nº 15/2024-MS); prescrição com o especialista ou serviço de TB |
Não fazer: vacina viva sem saber o nome, a dose e a data do último imunobiológico; suspender por conta própria o biológico na intercorrência leve sem falar com o especialista; antibiótico "de cobertura" em casa para febre em quem usa anti-TNF, rituximabe, JAK ou CAR-T; corticoide antes de excluir infecção e neoplasia.
Tabela-resumo
| Medicamento | Alvo | Indicação pediátrica | Idade mínima (Anvisa / FDA / EMA) | SUS | Via e intervalo | Fonte |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Omalizumabe | IgE | Asma alérgica grave; urticária crônica | Asma ≥ 6 anos; urticária ≥ 12 (bula; SBP 2023) | Asma > 6 anos (PCDT 2026) | SC a cada 2–4 semanas | PCDT Asma 2026 |
| Mepolizumabe | IL-5 | Asma eosinofílica grave | ≥ 6 anos (bula; GINA 2026) | ≥ 6 anos (PCDT 2026) | SC a cada 4 semanas | PCDT Asma 2026 |
| Dupilumabe | IL-4Rα | Dermatite atópica, asma, esofagite eosinofílica, rinossinusite com pólipos, urticária | DA ≥ 6 meses; asma ≥ 6 anos (PCDT); EoE ≥ 1 ano e 15 kg (Anvisa 2024) | Asma ≥ 6 anos; DA 6 meses a < 12 anos (PCDT) | SC a cada 2–4 semanas | PCDT Asma 2026; PCDT DA 2025 e Anvisa 2024, conforme Dermatite atópica e Esofagite eosinofílica do site |
| Adalimumabe, etanercepte, tocilizumabe | TNF; TNF (fusão); IL-6R | AIJ, uveíte | ≥ 2 anos (PCDT AIJ 2026) | Sim (PCDT AIJ 2026) | SC ou IV, semanal a mensal | PCDT AIJ 2026, conforme Artrite idiopática juvenil do site |
| Tisagenlecleucel | CD19 (CAR-T) | LLA B refratária ou ≥ 2ª recidiva | Até 25 anos (Anvisa 2022) | Não incorporado (sem decisão da Conitec); acesso privado, judicial ou em pesquisa | IV, dose única, em centro certificado | Anvisa 2022; Agência Aids/Folha, 04/2026 |
| Nirsevimabe | Proteína F do VSR | Prevenção do VSR | RN e < 2 anos (Anvisa 2023) | Prematuros ≤ 36s6d e < 24 meses com comorbidades (desde fev/2026; Portaria SCTIE/MS nº 14/2026) | IM, dose única | Ver Anticorpos monoclonais contra o VSR |
Em estudo (fase 3 e 4)
- Tofacitinibe na AIJ (NCT02592434): fase 3, 225 participantes de 2 a 17 anos, desfecho primário de surto na fase duplo-cega; concluído (conclusão primária em 05/2019).
- JUVE-BASIS — baricitinibe na AIJ (NCT03773978): fase 3, 220 participantes de 2 a menos de 18 anos, desfecho primário de tempo até o surto; concluído (01/2022).
5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar
- Febre (axilar ≥ 37,5 °C) em uso de anti-TNF, rituximabe, tocilizumabe, abatacepte, inibidor de JAK, quimioterapia ou nos meses após CAR-T: pronto-socorro, sem antitérmico como teste de resposta. Com cateter central ou neutropenia, seguir Neutropenia febril e Febre e infecção na criança imunocomprometida.
- Anafilaxia durante ou após a aplicação (urticária generalizada com sintoma respiratório, rouquidão, estridor, sibilância, vômitos repetidos, hipotensão, síncope).
- Após CAR-T ou blinatumomabe: febre, hipotensão, taquicardia, hipoxemia, confusão, sonolência, tremor, dificuldade de falar ou de escrever, convulsão. Contato imediato com o centro que aplicou.
- Varicela, zóster ou sarampo, ou exposição a eles, no imunossuprimido (IGHAVZ até 96 h pelo CRIE; internação se doente).
- Tosse prolongada, febre e perda de peso em uso de anti-TNF (tuberculose); icterícia ou transaminases muito altas (hepatite B reativada).
Como encaminhar: na anafilaxia, adrenalina IM 0,01 mg/kg antes de tudo, deitado com pernas elevadas (sentado se dispneia), 2ª dose em 5–15 min se necessário; oxigênio para manter SpO2 entre 94% e 98%; acesso e expansão se hipotensão (sepse: Sepse e choque séptico na criança); SAMU (192) se instável; avisar o serviço e o especialista; relatório com o biológico, a dose, a data da última aplicação, outros imunossupressores, vacinas e triagem; isolamento no transporte se varicela ou sarampo.
6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família
- "Leve a lista dos remédios, com a data da última injeção, a todas as consultas e ao pronto-socorro."
- "Antes de qualquer vacina, avise que ele usa remédio para a imunidade. Algumas vacinas só podem ser dadas antes de começar."
- "Os irmãos e os adultos da casa devem ter as vacinas em dia, inclusive gripe, sarampo e catapora."
- "Contato com catapora ou sarampo: ligue no mesmo dia."
- Pronto-socorro se: febre em quem usa injeção para artrite, intestino ou leucemia, ou recebeu CAR-T; falta de ar, chiado, inchaço da boca ou manchas pelo corpo após a injeção; confusão, sonolência, tremor ou convulsão após CAR-T; bolhas pelo corpo; pele amarelada.
7.Comparação com as referências
| Item | SBP | Ministério da Saúde | AAP | NICE | AEP | Johns Hopkins | Harvard | Oxford / Cambridge |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Versão consultada | Sem documento sobre preparo para biológicos localizado; remete ao CRIE | Manual dos CRIE 2023; NI nº 15/2024 (ILTB); PCDT Asma 2026 | Sem posição específica localizada (IDSA 2013 endossada, no documento do CRIE do site) | TA278 (omalizumabe) e demais TA de biológicos | CAV-AEP, cap. 14, out/2025 | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
| Biológico como imunossupressor | Remete ao CRIE | Anti-TNF, rituximabe, abatacepte, tocilizumabe, eculizumabe em qualquer dose | — | — | Inclui JAK, anti-IL-5 e CAR-T; dupilumabe e omalizumabe não | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
| Vacinas antes de iniciar | Remete ao CRIE | Não vivas ≥ 2 semanas; vivas ≥ 4 semanas | — | — | Não vivas ≥ 2 semanas; vivas ≥ 4 semanas | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
| Triagem de tuberculose | Sem posição específica localizada | PT ≥ 5 mm ou IGRA positivo: tratar ILTB | — | — | — | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
| Vivas sob dupilumabe | Sem posição específica localizada | Não listado como imunossupressor | ACAAI 2024: decisão compartilhada | — | Sem efeito imunossupressor | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
Leitura: há concordância em vacinar antes de imunossuprimir (não vivas 2 semanas e vivas 4 semanas antes), em contraindicar vivas sob biológico imunossupressor e em vacinar os conviventes. Diverge a lista do que é imunossupressor: o CRIE cita cinco biológicos e não os anti-tipo 2; o CAV-AEP inclui mepolizumabe, JAK e CAR-T e libera dupilumabe e omalizumabe; as bulas de dupilumabe e tezepelumabe pedem evitar vivas, e o ACAAI (2024) as admite por decisão compartilhada. Após a suspensão, o CRIE espera 3 a 6 meses (6 após rituximabe) e o CAV-AEP até 24 meses. A SBP não tem documento próprio sobre o preparo para biológicos e remete as situações especiais ao CRIE. O site segue a SBP e, onde ela remete, o Ministério da Saúde (Manual dos CRIE 2023 para vacinas e NI nº 15/2024 para tuberculose). Nos biológicos anti-tipo 2, a decisão sobre vivas é tomada com o especialista e o CRIE.
- Leia o sufixo: -mabe é anticorpo monoclonal, -cepte é proteína de fusão, -citinibe é inibidor de JAK. Pergunte sempre o nome, a dose e a data da última aplicação.
- Antes do biológico: PT ou IGRA com radiografia, hepatites B e C, HIV, varicela e sarampo comprovados, calendário completo (vivas ≥ 4 semanas antes).
- Anti-TNF, rituximabe, tocilizumabe, abatacepte, JAK e CAR-T são imunossupressão de alto grau: sem vacinas vivas e com influenza anual.
- Febre em quem usa biológico imunossupressor ou recebeu CAR-T vai ao pronto-socorro.
- Anafilaxia na aplicação: adrenalina IM 0,01 mg/kg primeiro. Após CAR-T, febre, hipotensão ou confusão são síndrome de liberação de citocinas ou neurotoxicidade até prova em contrário.
Veja também, nesta Biblioteca: Biológicos na asma grave e na urticária crônica, Imunoterapia alérgica e biológicos na alergia alimentar e Anticorpos monoclonais contra o VSR (nesta área); Vacinação da criança imunocomprometida e com doenças crônicas (CRIE) e Imunobiológicos em Pediatria (Imunizações); Febre e infecção na criança imunocomprometida e com dispositivos (Infectologia); Neutropenia febril na criança com câncer (Oncologia); Protocolo de Anafilaxia e Sepse e choque séptico na criança (Urgências); Artrite idiopática juvenil (Reumatologia); Erros inatos da imunidade — quando suspeitar e como começar (Alergia e Imunologia).
8.Fontes
- Ministério da Saúde. Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais, 6ª ed., 2023. PDF
- Ministério da Saúde. Nota Informativa nº 15/2024-CGTM/DATHI/SVSA/MS — infecção latente pelo M. tuberculosis, 17/12/2024. PDF
- Ministério da Saúde. PCDT da Asma, Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 43, de 24/03/2026. PDF
- Secretaria de Estado da Saúde do Paraná. Componente Especializado da Assistência Farmacêutica. saude.pr.gov.br
- ANS. Relatório preliminar da Cosaúde — tezepelumabe na asma eosinofílica grave (DUT 65.9), 21/05/2024. PDF
- Anvisa. Anvisa aprova produto de terapia avançada para tratamento de câncer (Kymriah), 23/02/2022. gov.br/anvisa
- CAV-AEP. Inmunizaciones en niños inmunodeprimidos o con tratamiento inmunosupresor, cap. 14, out/2025. vacunasaep.org
- Lieberman JA et al. Vaccines in patients receiving dupilumab — ACAAI Delphi consensus. Ann Allergy Asthma Immunol 2024;133:286-94. PubMed
- SBP, Departamentos de Alergia e Dermatologia. Diretrizes — Abordagem da urticária na criança e no adolescente, 2023. PDF
- NICE. TA278 — Omalizumab for treating severe persistent allergic asthma. nice.org.uk
- Agência Aids. Terapia com células CAR-T para leucemia e linfomas pode chegar ao SUS em dois anos (a partir da Folha de S.Paulo), 05/04/2026. agenciaaids.com.br
- ClinicalTrials.gov. NCT02592434; NCT03773978; NCT02435849