Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF
Febre é temperatura axilar ≥ 37,5 °C (SBP 2025). Febre prolongada dura mais que o esperado para o quadro; a partir de 5 dias, pensar em Kawasaki. Febre de origem indeterminada (FOI), pelo critério da SBP (DC nº 206/2025) adotado pelo site, é febre ≥ 38,3 °C diária por ≥ 14 dias sem causa após avaliação clínica e laboratorial básica; a AEP usa > 38 °C por > 8 dias (divergência). A investigação em etapas começa na febre prolongada, sem esperar os 14 dias. A causa mais comum é infecção (EBV, CMV, infecção urinária, osteoarticular, tuberculose, bartonelose, leishmaniose visceral), seguida de doenças inflamatórias (AIJ sistêmica, Kawasaki incompleto, LES, doença inflamatória intestinal) e neoplasias (leucemia e linfoma). A investigação é em etapas, guiada pela história (viagens, animais, alimentos, contatos) e pelo exame repetido; criança em bom estado é investigada no consultório (🟢). Toxemia, citopenias, hepatoesplenomegalia, perda de peso, petéquias ou suspeita de Kawasaki indicam pronto-socorro ou internação (🔴). Não usar antibiótico empírico nem corticoide "de teste": atrasam o diagnóstico e podem mascarar leucemia e linfoma.
1.O que é e como se apresenta
Definições usadas neste documento
| Termo | Definição | Fonte |
|---|---|---|
| Febre | Temperatura axilar ≥ 37,5 °C (equivale a 38 °C oral ou retal) | SBP, DC nº 206/2025; padrão do site |
| Febre prolongada | Febre que se estende além do esperado para o diagnóstico; ≥ 5 dias = mudar a abordagem e avaliar Kawasaki | Como Conduzir uma Criança com Febre; NICE NG143 |
| FOI (critério do site) | Febre ≥ 38,3 °C diária por ≥ 14 dias, sem causa após avaliação clínica e laboratorial básica | SBP, DC nº 206/2025 |
| FOI (divergência) | > 38 °C por > 8 dias, sem causa após anamnese, exame físico e exames iniciais | AEP 2023 |
| "Pseudo-FOI" | Viroses sucessivas, com intervalos sem febre, tomadas por uma febre única | AEP 2023 |
Causas (quanto mais nova a criança, mais provável a infecção; quanto mais velha e mais longa a febre, mais prováveis as causas inflamatórias e tumorais — AEP 2023)
- Infecções (cerca de 30–60% dos casos com diagnóstico — SBP 2025; AEP 2023):
- EBV e CMV — as mais frequentes; FOI sem quadro típico de mononucleose, às vezes com neutropenia ou plaquetopenia.
- Infecção urinária — frequente e esquecida, sobretudo no lactente.
- Osteomielite, artrite e discite — pelve, ossos chatos e coluna na criança pequena; recusa em sentar ou andar.
- Tuberculose miliar e extrapulmonar — a prova tuberculínica pode ser negativa em até metade da miliar (AEP 2023).
- Bartonelose — pode cursar sem linfonodomegalia, com lesões hipoecoicas no fígado e no baço.
- Leishmaniose visceral — febre, esplenomegalia, palidez, citopenias e emagrecimento; em área de transmissão, febre com esplenomegalia é caso suspeito (MS).
- Outras: endocardite, abscesso intra-abdominal, HIV, malária, febre tifoide, brucelose, leptospirose, toxoplasmose, rickettsioses.
- Doenças inflamatórias e autoimunes (15–20% — SBP 2025):
- AIJ sistêmica — febre diária em pico, exantema evanescente, serosite; a artrite pode vir depois; ferritina muito alta.
- Kawasaki incompleto — sobretudo no lactente, de maior risco coronariano.
- LES (raro antes de 5 anos) e doença inflamatória intestinal (perda de peso, desaceleração do crescimento, anemia, aftas, doença perianal, mesmo com poucos sintomas digestivos).
- Síndromes autoinflamatórias, vasculites, Kikuchi-Fujimoto.
- Neoplasias (20–30% — SBP 2025; o grupo menos frequente na AEP): leucemia e linfoma (cerca de 80%), neuroblastoma; histiocitoses e linfo-histiocitose hemofagocítica (inclusive secundária a EBV e leishmaniose).
- Miscelânea: febre por medicamento, febre factícia, febre central, hipertireoidismo.
Febre factícia (simulada ou provocada pelo paciente ou pelo cuidador, Münchausen por procuração) — pistas (AEP 2023): temperatura alta sem pele quente nem taquicardia, criança bem durante a "febre", registros de casa diferentes dos do serviço, melhora quando o cuidador se afasta, PCR e VHS normais. Medir na frente da equipe, com termômetro do serviço. Suspeita de maus-tratos: notificação obrigatória (compulsória) e Conselho Tutelar.
2.Classificação de gravidade
| Gravidade | Critérios clínicos | Conduta |
|---|---|---|
| 🟢 Leve | Bom estado geral entre os picos, brinca e se alimenta; peso preservado; exame físico normal e repetido; sem citopenias; PCR e VHS normais ou pouco elevadas; ou padrão de viroses sucessivas ("pseudo-FOI") | Consultório: anamnese e exame completos, diário de febre, exames de primeiro nível ambulatoriais, antitérmico só para desconforto, retorno programado com reexame |
| 🟡 Moderada | FOI que persiste com exames de primeiro nível normais ou inconclusivos; PCR ou VHS persistentemente elevadas; anemia leve, linfonodomegalia persistente, artralgia, dor abdominal vaga, exantema durante os picos; adolescente com fatores de risco para HIV; família sem condição de seguimento próximo | Reavaliação em 24–48 h; exames de segundo nível guiados; encaminhar com prioridade ao infectologista pediátrico (ou ao reumatologista, conforme a pista); considerar internação para observar o padrão da febre e investigar |
| 🔴 Grave | Toxemia, hipotensão, má perfusão, prostração; citopenias (bicitopenia ou pancitopenia, blastos no esfregaço); hepatoesplenomegalia; perda de peso importante ou progressiva; petéquias ou sangramento; suspeita de Kawasaki; sopro novo (endocardite); ferritina muito elevada com queda de plaquetas ou fibrinogênio (ativação macrofágica); febre após viagem à área de malária; dor óssea intensa ou recusa em andar; sinais neurológicos; lactente < 3 meses; imunodeprimido | Pronto-socorro ou internação para investigação e tratamento; neutropenia febril segue o protocolo próprio |
Fatores de risco que elevam a gravidade
- Idade < 3 meses; imunodepressão, quimioterapia, asplenia (inclusive doença falciforme); cardiopatia, cateter ou prótese.
- Área de transmissão de leishmaniose visceral ou malária; contato com tuberculose.
- Sudorese noturna, dor óssea noturna, palidez progressiva; uso prévio de corticoide (mascara leucemia e linfoma).
- Febre > 2 semanas em criança maior com provas inflamatórias muito elevadas.
3.Diagnóstico no consultório
1. Confirmar a febre com diário: termômetro digital axilar, 2–3 vezes por dia, com horário e antitérmico usado; procurar dias sem febre (viroses sucessivas).
2. Anamnese dirigida — a etapa de maior rendimento:
- Padrão: picos diários (AIJ sistêmica, abscesso), recorrente em intervalos regulares (febres periódicas), terçã ou quartã (malária).
- Viagens no último ano, sobretudo nas últimas 4–6 semanas: Amazônia Legal (malária), área de leishmaniose, zona rural, água doce (esquistossomose, leptospirose).
- Animais: gato e filhote (Bartonella, toxoplasmose), cão (leishmaniose), roedores (leptospirose), carrapatos (febre maculosa), répteis (Salmonella).
- Alimentos: leite e queijo não pasteurizados (brucelose), carne malcozida, água de poço.
- Contatos com tuberculose; medicamentos, inclusive tópicos e fitoterápicos.
- Sintomas: perda de peso, sudorese noturna, dor óssea ou articular, diarreia, aftas, exantema; infecções de repetição; febre periódica na família; no adolescente, vida sexual e drogas.
3. Exame físico completo, despido, repetido a cada consulta: peso e curva; pele (petéquias, exantema, lesão de inoculação); olhos e boca; todas as cadeias linfonodais, inclusive supraclavicular; sopro novo; fígado e baço; ossos, articulações e coluna; região perianal; exame neurológico.
4. Exames de primeiro nível (febre prolongada sem causa — AEP 2023; SBP 2025):
| Exame | O que procurar |
|---|---|
| Hemograma com esfregaço | Citopenias, blastos, linfocitose atípica, eosinofilia |
| PCR ou VHS (sempre a mesma no seguimento) | VHS > 100 mm/h: tuberculose, doença autoimune, neoplasia |
| Função renal, eletrólitos, transaminases, albumina, LDH e ácido úrico | Hepatite, infiltração, lise tumoral |
| Urina tipo 1 e urocultura (coleta adequada) | Infecção urinária |
| Hemoculturas (volume adequado; repetir em dias diferentes) | Bacteriemia, endocardite |
| Sorologias EBV e CMV | Causas virais mais frequentes |
| Prova tuberculínica ou IGRA e radiografia de tórax | Tuberculose; massa mediastinal (linfoma) |
| Gota espessa ou teste rápido no mesmo dia | Se viagem à área de malária (MS: sorologia não serve para o diagnóstico) |
Outras sorologias só com exposição: Bartonella (gato), HIV (adolescente e risco), toxoplasmose, leishmaniose (rK39), brucelose, leptospirose. Sorologias pedidas sem exposição geram falso-positivo e confundem (AEP 2023).
5. Segundo nível (em geral com o especialista ou na internação): ferritina, triglicerídeos, fibrinogênio; ultrassonografia abdominal; ecocardiograma; calprotectina fecal; FAN, complemento, imunoglobulinas; cintilografia óssea ou ressonância. Mielograma (com PCR para Leishmania) precoce se citopenias com hepatoesplenomegalia. Biópsia, tomografias e PET-CT ficam para o fim.
Quando parar o antitérmico para ver o padrão: na criança estável, o antitérmico é usado só para desconforto, e não para "zerar" a temperatura (SBP 2025). Para documentar o padrão, evitar o antitérmico "de horário" e registrar a temperatura antes de cada dose; quando a investigação exige ver a curva sem interferência, a AEP recomenda retirar todos os medicamentos, inclusive antitérmicos, um de cada vez (a febre por medicamento cede em 72–96 h após a suspensão). Melhora ou não com o antitérmico não diferencia doença grave de não grave (NICE NG143).
Diagnóstico diferencial que não pode passar: leucemia, linfoma, Kawasaki incompleto, endocardite, leishmaniose visceral, tuberculose miliar, malária por P. falciparum, linfo-histiocitose hemofagocítica, abscesso intra-abdominal.
4.Tratamento e seguimento
O pediatra confirma a febre, repete história e exame, pede o primeiro nível, reavalia e trata a causa quando definida (infecção urinária; arranhadura do gato conforme Linfonodomegalias e linfadenites na criança; tuberculose com o serviço de referência). O especialista (infectologista pediátrico, reumatologista, onco-hematologista) conduz o segundo e o terceiro níveis.
Antitérmicos — só para desconforto, sem alternar (padrão do site):
| Medicamento | Dose | Intervalo | Duração | Observação e referência |
|---|---|---|---|---|
| Dipirona | 15 mg/kg/dose | 6/6 h (máx. 4 doses/dia) | Enquanto houver desconforto | Não usar < 3 meses ou < 5 kg (bula); "1 gota/kg" leva a superdosagem — padrão do site |
| Paracetamol | 10–15 mg/kg/dose; máx. 75 mg/kg/dia; máx. 500 mg/dose < 12 anos e 1 g/dose ≥ 12 anos; nunca > 4 g/dia | 4–6 h (máx. 5 doses/dia) | Não usar por mais de 48–72 h sem reavaliação | Efeito cumulativo: risco de hepatotoxicidade com uso repetido, desidratação, desnutrição, jejum ou soma de produtos (SBP 2025; bula; padrão do site) |
| Ibuprofeno | 5–10 mg/kg/dose; máx. 40 mg/kg/dia ou 2,4 g/dia | 6–8 h | Enquanto houver desconforto | A partir de 6 meses; evitar na suspeita de dengue, na desidratação e na varicela (SBP 2025; "Como Conduzir"; padrão do site) |
O que não fazer
- Antibiótico empírico na criança estável: mascara endocardite, osteomielite, abscessos e tuberculose e negativa as culturas (AEP 2023; NICE NG143). Também não usar doxiciclina ou macrolídeo "para atípicos" sem suspeita e sem exames colhidos. Exceção: criança grave (sepse, púrpura febril, neutropenia febril), conforme os documentos próprios do site.
- Corticoide "de teste": mascara leucemia e linfoma, piora infecção oculta (tuberculose, leishmaniose) e confunde a avaliação autoimune; só com diagnóstico firmado ou, na suspeita forte de doença inflamatória grave, após excluir neoplasia, com o especialista (AEP 2023).
- A suspeita firme de Kawasaki é a exceção: imunoglobulina e ácido acetilsalicílico no hospital (ver "Doença de Kawasaki").
Suporte e seguimento: hidratação, roupas leves, sem banho frio; peso a cada consulta; repetir exame e hemograma enquanto a febre durar. A maioria dos casos sem diagnóstico cura sem sequelas (AEP 2023). Febre que recorre em intervalos regulares, com a criança bem entre os episódios, sugere febre periódica.
5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar
- Toxemia, má perfusão, prostração ou desidratação.
- Citopenias ou blastos; hepatoesplenomegalia (o NICE NG12 indica avaliação especializada imediata para petéquias ou hepatoesplenomegalia inexplicadas).
- Perda de peso importante ou progressiva; massa mediastinal ou abdominal.
- Suspeita de Kawasaki; sopro novo (endocardite); febre após viagem à área de malária sem gota espessa no mesmo dia.
- Dor óssea intensa ou recusa em andar; sinais neurológicos; ferritina muito alta com queda de plaquetas ou fibrinogênio.
- Lactente < 3 meses, imunodeprimido; FOI sem diagnóstico quando o segundo nível não é viável no ambulatório.
Como encaminhar
- ABC; no choque, seguir "Sepse e choque séptico na criança"; oxigênio para manter SpO2 ≥ 94%; acesso venoso se possível.
- Sem antibiótico nem corticoide no consultório, exceto na púrpura febril: ceftriaxona 1ª dose 100 mg/kg IV ou IM (máx. 4 g), se não atrasar a remoção (padrão do site).
- Contato prévio com o serviço; SAMU (192) se houver instabilidade.
- Relatório: diário de febre, exames, viagens, animais, contatos, medicamentos e peso.
- Leishmaniose visceral, malária e tuberculose: notificação obrigatória (compulsória).
6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família
- "Meça a temperatura na axila duas ou três vezes por dia e anote horário, valor e remédio dado."
- "O antitérmico é para o conforto, não para zerar o termômetro; não alterne remédios."
- "Não dê antibiótico nem corticoide por conta própria: eles podem esconder a causa da febre."
- Procurar o pronto-socorro se houver: criança muito abatida ou difícil de acordar; pontinhos vermelhos ou manchas roxas na pele; sangramento; palidez que aumenta; barriga crescendo; perda de peso; dor nos ossos que acorda ou faz mancar; olhos vermelhos com lábios rachados; falta de ar; convulsão.
7.Comparação com as referências
| Item | SBP | Ministério da Saúde | AAP | NICE | AEP | Johns Hopkins | Harvard | Oxford / Cambridge |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Definição | Febre axilar ≥ 37,5 °C; FOI ≥ 38,3 °C diária por ≥ 14 dias (DC 206/2025) | Sem protocolo de FOI; febre + esplenomegalia = suspeita de leishmaniose visceral | Sem diretriz; série da Hosp Pediatr 2018 usa febre > 7 dias | Febre ≥ 5 dias = amarelo; avaliar Kawasaki (NG143) | > 38 °C por > 8 dias após investigação inicial (2023) | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
| Causas | Infecção 30–40%, inflamatória 15–20%, neoplasia 20–30% | — | Infecção 41%, autoimune 27%, oncológica 18% (Hosp Pediatr 2018) | — | Infecção 50–60%; depois autoimunes e neoplasias | — | — | Segue o NICE |
| Exames iniciais | Investigação direcionada à clínica | Gota espessa ou teste rápido na suspeita de malária; sorologia não | — | Antitérmico não diferencia gravidade | Hemograma, PCR/VHS, culturas, EBV/CMV, PT, radiografia de tórax | — | — | Segue o NICE |
| Antibiótico e corticoide | Sem posição específica sobre FOI | — | — | Não prescrever antibiótico oral na febre sem foco | Não usar antibiótico nem corticoide empíricos de rotina | — | — | Segue o NICE |
| Alerta de câncer | Não dar corticoide antes de investigar (documentos do site) | — | — | Petéquias ou hepatoesplenomegalia: avaliação imediata; febre inexplicada: hemograma muito urgente (NG12) | Citopenias e dor óssea = alarme; mielograma precoce | — | — | Segue o NICE |
Leitura: as referências concordam no essencial — a FOI da criança é, em geral, apresentação incomum de doença comum, a infecção é a principal causa, a investigação deve ser sistemática, em etapas e guiada pela clínica, e o tratamento empírico atrapalha. A divergência principal é a definição: a SBP (DC nº 206/2025) usa ≥ 38,3 °C diária por ≥ 14 dias, a AEP > 38 °C por > 8 dias e a série da Hosp Pediatr (AAP), > 7 dias; o NICE não define FOI e trata febre ≥ 5 dias como sinal amarelo (Kawasaki). O MS não tem protocolo de FOI, mas suas definições de vigilância (leishmaniose visceral, malária) pesam no Brasil. O site adota a SBP: FOI ≥ 38,3 °C diária por ≥ 14 dias (AEP como divergência), febre como sinal axilar ≥ 37,5 °C, investigação direcionada desde a febre prolongada e antitérmico só para desconforto.
- Confirmar a febre com diário (termômetro axilar digital, 2–3 vezes por dia) e excluir viroses sucessivas antes de chamar de FOI.
- A história faz o diagnóstico: viagens, animais, leite não pasteurizado, contato com tuberculose, medicamentos e perda de peso.
- Primeiro nível para todos: hemograma com esfregaço, PCR ou VHS, LDH, ácido úrico, urina e urocultura, hemoculturas, EBV e CMV, prova tuberculínica ou IGRA e radiografia de tórax.
- Citopenias, hepatoesplenomegalia, perda de peso, petéquias, toxemia ou suspeita de Kawasaki: pronto-socorro.
- Sem antibiótico empírico e sem corticoide de teste na criança estável: mascaram infecção, leucemia e linfoma.
- Em área de transmissão, febre com esplenomegalia é leishmaniose visceral até prova em contrário — notificação obrigatória (compulsória).
Veja também, nesta Biblioteca: Como Conduzir uma Criança com Febre (Pediatria geral); Síndromes Autoinflamatórias e Febres Periódicas e Doença de Kawasaki (Reumatologia); Linfonodomegalias e linfadenites na criança e Mononucleose infecciosa (vírus Epstein-Barr) (Patologias do consultório); Diagnóstico Precoce do Câncer Infantil Salva Vidas e Neutropenia febril na criança com câncer (Oncologia); Sepse e choque séptico na criança (Urgências e emergências); Tuberculose na infância no Brasil — atualização 2026 (Temas atualizados pela SBP); Doenças endêmicas no Brasil — leishmaniose visceral, doença de Chagas, malária e esquistossomose (nesta área).
8.Fontes
- Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamentos Científicos de Pediatria Ambulatorial e de Infectologia. Abordagem da Febre Aguda em Pediatria e Reflexões sobre a febre nas arboviroses — Documento Científico nº 206, 2025. PDF
- Asociación Española de Pediatría. Rivero Calle I, Dacosta AI, Cervantes Hernández E. Síndrome febril prolongado y fiebre de origen desconocido. Protocolos de Infectología (SEIP), 2023. PDF
- NICE. Fever in under 5s — assessment and initial management (NG143), 2019, atualizada. nice.org.uk
- NICE. Suspected cancer — recognition and referral (NG12), seção de cânceres hematológicos. nice.org.uk
- Antoon JW et al. Etiology and Resource Use of Fever of Unknown Origin in Hospitalized Children. Hosp Pediatr (AAP), 2018. PubMed
- Ministério da Saúde. Manual de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral. PDF
- Ministério da Saúde. Malária — diagnóstico e tratamento. gov.br