Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF
Após as vacinas conjugadas, a meningite bacteriana ficou rara: o meningococo é a principal causa no Brasil (MS); as virais (enterovírus) são as mais frequentes e quase sempre benignas. O consultório não diagnostica nem afasta meningite: o diagnóstico é do líquor, no hospital. Toda suspeita — febre (≥ 37,5 °C axilar) com cefaleia intensa, vômitos, rigidez de nuca, fontanela abaulada ou sonolência — vai ao pronto-socorro. Febre com petéquias ou púrpura, alteração de consciência, convulsão, sinal focal ou choque é 🔴: SAMU 192, oxigênio para SpO2 ≥ 94%, acesso, glicemia e ceftriaxona 1ª dose 100 mg/kg IV ou IM (máx. 4 g) antes da remoção, se não atrasá-la. No hospital: antibiótico na primeira hora, dexametasona antes ou junto da 1ª dose quando indicada, quimioprofilaxia dos contatos (MS, NT nº 154/2024) e notificação obrigatória (compulsória). Casa só para a viral confirmada, com a criança bem. Todo sobrevivente de meningite bacteriana faz avaliação auditiva.
1.O que é e como se apresenta
Crianças a partir de 1 mês (recém-nascido: Meningite Neonatal).
Epidemiologia após as vacinas:
- Hib: raro; com esquema incompleto. Pneumococo: maior risco com fístula liquórica, implante coclear, asplenia, síndrome nefrótica e HIV (MS).
- Meningococo: desde 2023 predomina o sorogrupo B — em 2025, 55% dos casos com sorogrupo identificado e 73% abaixo de 1 ano (SBP, Nota Técnica nº 47/2026).
- Virais: enterovírus; também herpes, varicela-zóster, caxumba e arbovírus (MS). Tuberculosa: subaguda, com paralisia de nervo craniano, hiponatremia e contato com bacilífero.
Quadro por idade:
- Até 9 meses: os sinais meníngeos costumam faltar. Febre, irritabilidade, "grito meníngeo" ao trocar a fralda, recusa alimentar, vômitos, sonolência, convulsão e fontanela abaulada (MS).
- Maiores: febre, cefaleia intensa, vômitos, fotofobia, rigidez de nuca, Kernig, Brudzinski, confusão.
- Doença meningocócica: dor nas pernas, mãos e pés frios e cor anormal da pele são sinais de gravidade; púrpura, meningismo e rebaixamento costumam ser tardios (Motta 2015; NICE). Examinar sem roupa.
2.Classificação de gravidade
| Gravidade | Critérios clínicos | Conduta |
|---|---|---|
| 🟢 Leve | Meningite viral confirmada pelo líquor no hospital (pleocitose linfocitária, glicose normal, Gram negativo, Bacterial Meningitis Score 0), ≥ 2 meses, bom estado, aceitando via oral | Casa, com analgesia e hidratação; retorno programado com o pediatra e sinais de alerta por escrito |
| 🟡 Moderada | Suspeita de meningite em criança estável (febre com cefaleia, vômitos ou rigidez de nuca; lactente irritado com fontanela tensa), sem púrpura, choque, rebaixamento ou convulsão | Pronto-socorro no mesmo momento para punção lombar, com carta; não aguardar em casa |
| 🔴 Grave | Febre com petéquias ou púrpura; choque (TEC > 2 s, extremidades frias, taquicardia); alteração de consciência, convulsão, sinal focal, pupilas anormais; insuficiência respiratória | SAMU 192; oxigênio para SpO2 ≥ 94%; acesso venoso ou intraósseo; glicemia; ceftriaxona 100 mg/kg (máx. 4 g) IV ou IM antes da remoção, se não atrasar; bolus de cristaloide se choque |
Fatores de risco que elevam a gravidade:
- Idade < 1 ano; vacinação incompleta; contato com doença meningocócica ou Hib.
- Asplenia (anemia falciforme), deficiência ou inibidor de complemento (eculizumabe), HIV, imunossupressão; fístula liquórica, implante coclear, derivação ventricular, neurocirurgia.
- Antibiótico oral prévio (mascara o quadro e altera o líquor).
3.Diagnóstico no consultório
Clínico é só a suspeita. Examinar pele inteira (inclusive conjuntivas), TEC, FC, consciência, fontanela, sinais meníngeos e déficit focal. Sem rigidez de nuca não se afasta meningite, sobretudo no lactente e após antibiótico. Nenhum exame que atrase a remoção; nada de antibiótico oral para "ver como fica".
No hospital — punção lombar (PL):
- Contraindicações (NICE NG240; AEP 2021): instabilidade (estabilizar antes), púrpura extensa ou em progressão, coagulopatia ou plaquetas < 50.000/mm³, infecção no local, convulsões não controladas e sinais de hipertensão intracraniana.
- TC antes da PL: não de rotina; só com sinal focal novo (inclusive crise focal), pupilas anormais, papiledema, Glasgow ≤ 9 ou queda rápida da consciência (NICE), derivação, neurocirurgia ou trauma (AEP) ou imunodepressão (IDSA). Hemocultura e antibiótico antes da TC.
- Líquor: citologia com diferencial, glicose (com glicemia simultânea), proteína, Gram, cultura e PCR; na suspeita de tuberculose, ADA e Xpert MTB/RIF Ultra.
| Líquor (MS; AEP 2021) | Bacteriana | Viral | Tuberculosa | Normal |
|---|---|---|---|---|
| Aspecto | Turvo | Límpido | Límpido ou opalescente | "Água de rocha" |
| Leucócitos/mm³ | 200 a milhares (AEP: em geral > 1.000), neutrófilos | 5–500, linfócitos (neutrófilos no início) | 25–500, linfócitos | 0–5 |
| Glicose | Baixa (< 40 mg/dL; relação < 0,4 muito sugestiva) | Normal | Baixa | 45–100 mg/dL |
| Proteína | Alta (> 100 mg/dL) | Normal ou pouco alta | Muito alta | 15–50 mg/dL |
Cuidados: PL precoce pode dar líquor pouco alterado ou linfocitário; antibiótico prévio negativa culturas (PCR útil); ADA > 8 UI/L sugere tuberculose (AEP).
Bacterial Meningitis Score (BMS) — pleocitose (≥ 10/mm³) sem antibiótico antes da PL (Nigrovic, JAMA 2007; comitê de emergência da AAP): Gram positivo (2 pontos), neutrófilos no líquor ≥ 1.000/mm³ (1), proteína ≥ 80 mg/dL (1), neutrófilos no sangue ≥ 10.000/mm³ (1), convulsão (1). Zero = risco muito baixo (valor preditivo negativo 99,9% em 3.295 crianças; as 2 falhas tinham < 2 meses). Não vale na criança grave, com petéquias ou imunodeprimida.
Diferencial que não pode passar: encefalite herpética, abscesso e empiema, sepse, hemorragia intracraniana, tumor; na febre com petéquias, viroses, vasculite por IgA, PTI, leucemia, endocardite.
4.Tratamento e seguimento
Do pediatra: reconhecer, estabilizar, 1ª dose de ceftriaxona, remover, notificar, acompanhar sequelas. Do hospital e do infectologista: PL, antibiótico, dexametasona, complicações.
Antibiótico empírico por idade:
- 1 a 2 meses: ampicilina + ceftriaxona (ou cefotaxima), por Listeria, estreptococo do grupo B e Gram-negativos (MS — decisão do site); a partir de 2 meses, ceftriaxona sem ampicilina. NICE NG143 e AEP 2021 mantêm a ampicilina até 3 meses — divergência registrada; o site mantém 3 meses.
- ≥ 3 meses: ceftriaxona (ou cefotaxima) (MS; NICE). Vancomicina empírica associada é rotina para AEP e IDSA; o MS a reserva ao pneumococo resistente à cefalosporina — critério do serviço (resistência local, Gram, gravidade).
- Suspeita de encefalite herpética: aciclovir IV 8/8 h (MS): 20 mg/kg/dose < 3 meses; 10 mg/kg/dose de 3 a 12 meses e 500 mg/m²/dose de 1 a 12 anos (decisão do site; MS 10 mg/kg em todas as idades); 10 mg/kg/dose ≥ 12 anos (Encefalites agudas na criança — infecciosas e autoimunes). Anafilaxia a betalactâmico: cloranfenicol (MS).
| Medicamento | Dose | Intervalo | Duração | Observação e referência |
|---|---|---|---|---|
| Ceftriaxona — 1ª dose na suspeita | 100 mg/kg IV ou IM (máx. 4 g) | Antes da remoção | — | Padrão do site, se não atrasar; alternativa: penicilina cristalina |
| Ceftriaxona — manutenção | 100 mg/kg/dia (máx. 4 g/dia) | 12/12 h | Meningococo 5–7 dias; Hib 7–10; pneumococo 10–14; Gram-negativos 21 | MS, Guia de Vigilância 2024 |
| Cefotaxima (alternativa) | 200 mg/kg/dia (AEP: 300) | 6/6 h | Pelo agente | MS; AEP 2021 |
| Ampicilina — 1 a 2 meses | 300 mg/kg/dia (75 mg/kg/dose) | 6/6 h | Listeria ≥ 21 dias | MS (até 2 meses — decisão do site); AEP 2021 e NICE: até 3 meses |
| Penicilina G cristalina (agente sensível) | 200.000–400.000 UI/kg/dia | 4/4 h | Pelo agente | MS, Guia de Vigilância 2024 |
| Vancomicina — pneumococo resistente ou critério do serviço | 15 mg/kg/dose (1ª dose máx. 1,5 g) | 6/6 h, pelo nível sérico | Pelo agente | Padrão do site (SBP); MS 60 mg/kg/dia; nunca isolada |
| Dexametasona | 0,15 mg/kg/dose IV (0,6 mg/kg/dia) | 6/6 h | 2–4 dias | AEP 2021; "Como Conduzir": 15 min antes da 1ª dose de antibiótico |
Dexametasona (sem SBP nem MS; segue "Como Conduzir" e AEP 2021): acima de 6 semanas (AEP; IDSA; NICE > 3 meses), na suspeita ou confirmação de meningite bacteriana; reduz perda auditiva por Hib e, provavelmente, pneumococo. Sem atrasar o antibiótico. Manter se Hib ou pneumococo; suspender com outro agente (NICE; AEP). Não usar no recém-nascido nem de rotina na doença meningocócica (NICE). Ceftriaxona dada no consultório: dexametasona o mais cedo possível no hospital. Tuberculosa: Tuberculose na infância no Brasil — atualização 2026.
Meningite viral: hidratação e analgesia (dipirona 15 mg/kg/dose; paracetamol 10–15 mg/kg/dose, máx. 75 mg/kg/dia — padrão do site); antiviral só para herpes e varicela-zóster (MS).
Suporte no hospital: não restringir líquidos de rotina, vigiando sódio e diurese; osmóticos só com hipertensão intracraniana (NICE); isolamento de gotículas até 24 h de antibiótico (SMS-SP 2025).
Não fazer: atrasar antibiótico pela PL ou TC; antibiótico oral na suspeita.
Quimioprofilaxia de contatos (MS, Nota Técnica Conjunta nº 154/2024, que revoga o Guia de Vigilância nesse ponto; a vigilância organiza). Contato próximo (de 10 dias antes dos sintomas até 24 h de tratamento do caso): domicílio ou dormitório; troca de saliva; ≥ 4 h a até 1 m em ambiente fechado; ≥ 5 dias na turma de creche ou escola infantil; procedimento de via aérea sem EPI. Idealmente nas primeiras 24 h; após 10 dias da exposição, pouco valor (Hib: até 30 dias).
| Indicação | Medicamento | Dose | Intervalo | Duração | Referência |
|---|---|---|---|---|---|
| Doença meningocócica — todo contato próximo, independentemente da vacina | Rifampicina (1ª escolha; não na gestante) | < 1 mês 5 mg/kg/dose; ≥ 1 mês 10 mg/kg/dose (máx. 600 mg) | 12/12 h | 2 dias | MS, NT 154/2024 |
| Doença meningocócica — alternativas | Ceftriaxona IM (1ª escolha na gestante); ciprofloxacino VO; azitromicina VO | Ceftriaxona < 12 anos 125 mg, ≥ 12 anos 250 mg; cipro ≥ 18 anos 500 mg; azitromicina ≥ 12 anos 500 mg (último recurso) | — | Dose única | MS, NT 154/2024 |
| Hib — contatos domiciliares se na casa houver < 4 anos com vacina incompleta, ou < 2 anos ou imunocomprometido (qualquer vacina); creche idem; toda a sala se 2º caso em 60 dias | Rifampicina | < 1 mês 10 mg/kg/dose; 1 mês a < 18 anos 20 mg/kg/dose (máx. 600 mg); ≥ 18 anos 600 mg | 24/24 h | 4 dias | MS, NT 154/2024 |
| Hib — contraindicação ou intolerância à rifampicina; gestante (1ª escolha) | Ceftriaxona IM ou IV | < 12 anos 50 mg/kg; ≥ 12 anos 1 g | 24/24 h | 2 dias | MS, NT 154/2024 |
O paciente recebe profilaxia na alta só se não tratado com ceftriaxona ou cefotaxima. Hib invasivo antes de 2 anos: completar o esquema ou, se completo (6 meses a < 2 anos), dose adicional após 30 dias (NT 154/2024). Pneumococo e vírus não têm quimioprofilaxia. Bloqueio vacinal: ver Vacinação do viajante e em situações de surto.
Notificação: todas as meningites e a doença meningocócica são de notificação obrigatória (compulsória), já na suspeita (MS).
Complicações: perda auditiva, efusão ou empiema subdural (febre após 8 dias de tratamento), hidrocefalia, paralisia de nervos cranianos, epilepsia, déficit motor e de linguagem; na doença meningocócica, necrose de pele e amputações (Motta 2015; MS).
Seguimento pelo pediatra:
- Avaliação auditiva (audiometria ou potencial evocado, conforme a idade) em todo sobrevivente de meningite bacteriana, de preferência antes da alta; surdez grave ou profunda: encaminhar com urgência para avaliação de implante coclear (NICE NG240).
- Vigiar desenvolvimento, linguagem e escola; reabilitação conforme a sequela.
- Revisar vacinas conforme Imunizações e CRIE.
- Encaminhar ao infectologista pediátrico com prioridade na meningite recorrente (fístula, imunodeficiência, complemento, asplenia).
5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar
Pronto-socorro no mesmo momento: toda suspeita. Internação: toda meningite bacteriana provável ou confirmada; viral com mau estado, vômitos persistentes, dor não controlada, < 2 meses, BMS ≥ 1 ou dúvida. UTI: choque, púrpura ou coagulação intravascular, convulsões, hipertensão intracraniana, coma, sinal focal, sódio < 120 mEq/L (AEP).
Como encaminhar (🔴): SAMU 192; oxigênio para SpO2 ≥ 94%; acesso venoso ou intraósseo e glicemia capilar (hemocultura só se não atrasar); ceftriaxona 100 mg/kg (máx. 4 g) IV ou IM, se não atrasar a remoção; choque: cristaloide 10–20 mL/kg com reavaliação a cada bolus (Sepse e choque séptico na criança); convulsão ≥ 5 min: midazolam IN 0,2, bucal 0,3 ou IM 0,2 mg/kg (máx. 10 mg) (padrão do site); máscara cirúrgica, aviso ao destino, carta com doses e horários; notificar.
6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família
- Meningite viral em casa: líquidos, analgésico prescrito, retorno programado.
- Voltar imediatamente se: manchas roxas ou vermelhas que não somem ao apertar (teste do copo), sonolência difícil de despertar, confusão, convulsão, vômitos que não param, dor de cabeça que piora, moleira estufada, mãos e pés frios, dor forte nas pernas, pouca urina.
- Contatos: profilaxia até o fim; febre com manchas é emergência mesmo durante a profilaxia.
- Após meningite bacteriana: teste de audição; observar se a criança responde a sons e fala.
7.Comparação com as referências
| Item | SBP | Ministério da Saúde | AAP | NICE | AEP | Johns Hopkins | Harvard | Oxford / Cambridge |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Antes da remoção | Sem documento oficial localizado | AIDPI — ceftriaxona 100 mg/kg IM antes de referir (máx. 2 g) | Sem posição específica localizada | Ceftriaxona ou benzilpenicilina, se não atrasar | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
| TC antes da PL | Sem posição localizada | Coleta sem atrasar antibiótico | IDSA — focal, papiledema, imunodepressão | Não de rotina; só sinais de HIC | Se HIC ou focalidade | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
| Empírico | Sem documento oficial localizado | Ceftriaxona; vancomicina se resistência; ampicilina até 2 meses | IDSA — vancomicina + cefalosporina | Ceftriaxona em dose máxima; amoxicilina < 3 meses (NG143) | Cefotaxima 300 + vancomicina | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
| Dexametasona | Sem posição localizada | Não aborda | IDSA — ≥ 6 semanas (Hib) | > 3 meses; manter se Hib ou pneumococo | > 6 semanas, 2–4 dias | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
| Quimioprofilaxia | Sem posição localizada | NT 154/2024 — rifampicina (Hib até < 18 anos); ceftriaxona na gestante | Red Book | Remete à UKHSA | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
Leitura: todas concordam que o antibiótico não espera punção nem tomografia, que a ceftriaxona é a base e que todo sobrevivente faz audição. Divergem na ampicilina (até 2 meses no MS, adotado pelo site; até 3 meses no NICE NG143 e na AEP), na vancomicina empírica (rotina para AEP e IDSA; MS e NICE só com resistência), na cefotaxima (MS 200; AEP 300 mg/kg/dia), na dexametasona (> 6 semanas na AEP e IDSA, > 3 meses no NICE; janela de 60 min na AEP e 12 h no NICE), na duração na doença meningocócica (MS 5–7 dias, AEP 7, NICE 5) e no teto da ceftriaxona antes de referir (AIDPI 2 g). A SBP não tem documento oficial de conduta. Posição do site: pela regra SBP → MS, o Ministério da Saúde no esquema por agente, na duração, na quimioprofilaxia (NT nº 154/2024) e na notificação; ceftriaxona 100 mg/kg (máx. 4 g) e ampicilina até 3 meses pelos documentos do site (decisão do Dr. Stefani); dexametasona por "Como Conduzir" e AEP 2021; TC e BMS por NICE e AAP.
- O consultório não afasta meningite: a suspeita vai ao pronto-socorro no mesmo momento.
- Febre com petéquias ou púrpura: SAMU, oxigênio (SpO2 ≥ 94%), acesso, glicemia e ceftriaxona 100 mg/kg (máx. 4 g) IV ou IM antes da remoção, se não atrasar.
- Antibiótico não espera punção nem tomografia; TC só com sinal focal, pupilas anormais, Glasgow ≤ 9 ou queda rápida da consciência.
- Dexametasona 0,15 mg/kg 6/6 h por 2–4 dias, 15 min antes ou junto da 1ª dose, acima de 6 semanas, sem atrasar o antibiótico; manter só se Hib ou pneumococo.
- Contatos de doença meningocócica: rifampicina 10 mg/kg/dose (máx. 600 mg) 12/12 h por 2 dias, independentemente da vacina (gestante: ceftriaxona); Hib: 20 mg/kg/dia por 4 dias até < 18 anos (NT nº 154/2024). Notificação obrigatória (compulsória) na suspeita.
- Todo sobrevivente de meningite bacteriana faz avaliação auditiva; surdez profunda vai com urgência à avaliação de implante coclear.
Veja também, nesta Biblioteca: Encefalites agudas na criança — infecciosas e autoimunes (nesta área); Meningite Neonatal (Neonatologia); Sepse e choque séptico na criança (Urgências e emergências); Doença meningocócica no Brasil e vacina 4CMenB em lactentes e Tuberculose na infância no Brasil — atualização 2026 (Temas atualizados pela SBP); Vacinação do viajante e em situações de surto (sarampo, febre amarela, coqueluche, meningite) (Imunizações); Como Conduzir uma Criança com Febre (Pediatria geral).
8.Fontes
- Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde, 6ª ed. revisada, vol. 1 (meningites e doença meningocócica), 2024. gov.br
- Ministério da Saúde. Nota Técnica Conjunta nº 154/2024-DPNI/SVSA/MS — novas orientações para a vigilância das meningites e quimioprofilaxia, 2024. PDF
- Ministério da Saúde. AIDPI Criança — Manual de quadros de procedimentos, 2 meses a 5 anos. PDF
- Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (COVISA). Fluxograma para casos suspeitos de meningite bacteriana, versão 5, 2025. PDF
- Motta F. Doença meningocócica — Fascículo 3: quadro clínico, diagnóstico e tratamento (folheto AlamTec/GSK, hospedado no site da SBP; não é documento de departamento), 2015. PDF
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Nota Técnica nº 47 — Doença meningocócica e vacina 4CMenB em lactentes, 2026 (resumo nesta Biblioteca).
- NICE. NG240 — Meningitis (bacterial) and meningococcal disease, 2024. nice.org.uk; NG143 — Fever in under 5s, recomendação 1.5.7. nice.org.uk
- AEP / SECIP. Téllez González C et al. Meningitis bacteriana aguda. Protocolos diagnósticos y terapéuticos, 2021. PDF
- Nigrovic LE et al. Clinical prediction rule for identifying children with CSF pleocytosis at very low risk of bacterial meningitis. JAMA, 2007. PubMed
- IDSA. Tunkel AR et al. Meningite bacteriana, 2004 — resumo AAFP, 2005. aafp.org