Infectologia pediátrica · Ossos, cabeça e pescoço

Osteomielite e artrite séptica na criança

Agentes por idade, critérios de Kocher, exames, drenagem como urgência ortopédica, antibiótico empírico com doses e duração pela SBP (pelo menos 3 semanas intravenoso e 3 por via oral), com as posições da PIDS/IDSA e da AEP

Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF

Em resumo

A artrite séptica (infecção da sinovial) e a osteomielite hematogênica aguda (infecção da metáfise) predominam abaixo de 5 anos e coexistem com frequência no lactente. O agente principal em todas as idades é o Staphylococcus aureus; entre 6 meses e 4 anos, a Kingella kingae dá quadro mais brando e provas inflamatórias pouco elevadas; na doença falciforme, a Salmonella. Febre (axilar ≥ 37,5 °C) com claudicação, recusa de apoio, pseudoparalisia ou dor óssea localizada pede avaliação no mesmo dia; os critérios de Kocher e a PCR ajudam a separá-las da sinovite transitória. A artrite séptica é urgência ortopédica (🔴): punção e drenagem, culturas e antibiótico intravenoso antiestafilocócico. Duração adotada (SBP, Reumatologia 2020): intravenoso por pelo menos 3 semanas e mais 3 semanas por via oral, com cefalexina em dose dobrada (150 mg/kg/dia; SBP 2003) na fase oral; a troca precoce para a via oral (SBP Infectologia 2003, PIDS/IDSA, AEP) fica como divergência. Em casa ficam só a sinovite transitória típica, com reavaliação garantida, e a criança na fase oral.

1.O que é e como se apresenta

A osteomielite hematogênica aguda se instala na metáfise dos ossos longos (fêmur, tíbia, úmero), com evolução de até 1–2 semanas (AEP 2023). Na artrite séptica, 50% dos casos ocorrem antes dos 2 anos e quadril, joelho e tornozelo respondem por 75%; no lactente, a infecção passa da metáfise à articulação (SBP 2020).

Agentes por idade (SBP 2020; AEP 2023):

Idade Agentes mais frequentes Lembrar
< 3 meses S. aureus, estreptococo do grupo B, bacilos Gram-negativos Multifocal, sem febre; Candida no RN internado
3 meses–5 anos S. aureus, Kingella kingae (sobretudo 6–48 meses), S. pyogenes S. pneumoniae e Hib no não vacinado
5–12 anos S. aureus, S. pyogenes MRSA comunitário conforme a região
Adolescente S. aureus; Neisseria gonorrhoeae se houver exposição sexual Investigar violência sexual
Doença falciforme Salmonella, S. aureus Diferencial com crise vaso-oclusiva

A Kingella kingae cresce mal em cultura (o diagnóstico é por PCR do líquido sinovial) e dá quadro leve, com PCR muitas vezes < 10 mg/L. O CA-MRSA (S. aureus resistente à meticilina da comunidade), sobretudo com leucocidina de Panton-Valentine, causa abscessos, trombose venosa profunda e sepse (AEP 2023).

Quadro clínico:

  • Claudicação ou recusa de apoio agudas; no lactente, pseudoparalisia e choro à troca de fralda.
  • Febre; no lactente pode faltar, com mais comprometimento do estado geral (SBP 2020).
  • Artrite séptica: articulação quente, edemaciada, dolorosa à mobilização passiva; quadril em flexão, abdução e rotação externa, dor referida ao joelho.
  • Osteomielite: dor óssea localizada e progressiva, dor à palpação metafisária, edema e calor locais.
  • Pelve e coluna: dor lombar ou abdominal, recusa de sentar.

2.Classificação de gravidade

Gravidade Critérios clínicos Conduta
🟢 Leve Quadro compatível com sinovite transitória: ≥ 3 anos, afebril (axilar < 37,5 °C), bom estado geral, apoia o membro, nenhum critério de Kocher; ou criança na fase oral após a alta, afebril e melhorando Sinovite: ibuprofeno e reavaliação em 24–72 h (ver A criança que manca); após a alta: antibiótico até o fim, retorno com PCR
🟡 Moderada Claudicação com febre baixa ou 1 critério de Kocher, bom estado geral; dor óssea localizada sem toxemia; lactente de 6–48 meses com quadro leve (suspeita de Kingella); sinovite que não melhora em 48–72 h Avaliação no mesmo dia em pronto-socorro com ortopedia: hemograma, PCR, VHS, hemocultura e ultrassonografia; sem antibiótico oral antes das culturas
🔴 Grave ≥ 2 critérios de Kocher; PCR > 2 mg/dL com derrame; recusa total de apoio ou pseudoparalisia; articulação quente e edemaciada; dor óssea localizada com febre; < 3 meses; doença falciforme com febre e dor óssea; sepse; suspeita de MRSA (abscesso, trombose) Pronto-socorro e internação: artrite séptica é urgência ortopédica (drenagem com culturas, antibiótico IV); sepse: ver Sepse e choque séptico

Fatores de risco que elevam a gravidade:

  • Idade < 3 meses; quadril ou ombro (necrose avascular, lesão da fise).
  • Demora > 5–7 dias entre o início dos sintomas e o tratamento (AEP 2023).
  • Doença falciforme, imunodeficiência, cateter venoso central; pele ou varicela recente, contato com CA-MRSA, PCR > 100 mg/L (AEP 2023); multifocal, pelve ou coluna.

3.Diagnóstico no consultório

A suspeita é clínica: marcha, palpação óssea ponto a ponto, rotação interna dos quadris comparada (o sinal mais sensível de doença intra-articular), coluna, pele (porta de entrada) e temperatura axilar.

Critérios de Kocher (artrite séptica × sinovite transitória do quadril; SBP 2020):

  1. Febre > 38,5 °C (critério do estudo; na conduta, febre axilar ≥ 37,5 °C com claudicação já pede avaliação no mesmo dia).
  2. Incapacidade de apoiar o membro.
  3. VHS > 40 mm/h.
  4. Leucócitos > 12.000/mm³.

Probabilidade de artrite séptica: 0 critério < 0,2%; 1 = 3%; 2 = 40%; 3 = 93%; 4 = 99,6% (SBP 2020). PCR > 2 mg/dL (20 mg/L) é o 5º preditor (Caird; BOAST 2023). Os critérios não se aplicam bem ao joelho nem à Kingella (AEP 2023): são apoio, não substituem a clínica.

Exames — pedidos no pronto-socorro, sem atrasar o encaminhamento:

  • Hemograma, PCR e VHS. A PCR normaliza em 7–10 dias com tratamento eficaz e é o melhor marcador de seguimento (SBP 2020); a VHS demora 3–4 semanas (AEP 2023). Procalcitonina não é recomendada (PIDS/IDSA 2021).
  • Hemocultura antes do antibiótico (PIDS/IDSA 2021).
  • Radiografia: normal nos primeiros 10–14 dias de osteomielite, mas exclui fratura e tumor (AEP 2023; PIDS/IDSA 2021).
  • Ultrassonografia da articulação: mostra o derrame e guia a punção; não distingue infecção de sinovite (AEP 2023).
  • Ressonância magnética: escolha na osteomielite, pelve, coluna e complicações; cintilografia se indisponível (SBP 2020; PIDS/IDSA 2021).
  • Punção articular (ortopedista): citologia, Gram, cultura (também em frasco de hemocultura) e PCR para Kingella, se disponível (SBP 2020; AEP 2023).

Diagnóstico diferencial que não pode passar:

  • Sinovite transitória (exclusão), artrite reativa, febre reumática, AIJ.
  • Sarcoma de Ewing: febre, VHS alta e dor local imitam osteomielite; a que não responde ao antibiótico exige imagem e centro de oncologia (ver Tumores ósseos e sarcomas de partes moles).
  • Leucemia e neuroblastoma: dor óssea com palidez, petéquias, visceromegalia.
  • Crise vaso-oclusiva; fratura e maus-tratos < 3 anos; epifisiólise, Perthes.

4.Tratamento e seguimento

Punção, drenagem, antibiótico IV e duração são do hospital e do especialista; o pediatra suspeita, encaminha no mesmo dia, garante a adesão na fase oral e acompanha com ortopedista e infectologista.

Drenagem. Na artrite séptica, a articulação deve ser esvaziada e lavada o mais cedo possível, de preferência antes do antibiótico, com amostra para cultura (SBP 2020; AEP 2023; BOAST 2023). Artrocentese guiada por ultrassonografia pode bastar; cirurgia se quadril ou ombro (conforme o serviço), pus espesso, várias punções, MRSA, Salmonella, sintomas > 5–7 dias ou lactente < 3–6 meses (AEP 2023). Na osteomielite, desbridamento se sepse, progressão rápida ou abscesso > 2 cm (PIDS/IDSA 2021). Antibiótico intra-articular não deve ser usado (AEP 2023).

Antibiótico empírico (iniciar logo após as culturas; se houver sepse, não esperar a punção):

  • Acima de 3 meses, sem fator de risco: oxacilina ou cefalosporina de 1ª geração (cefazolina) (SBP 2003; PIDS/IDSA 2021). Em < 5 anos, entre essas opções, preferir cefazolina: oxacilina e clindamicina cobrem mal a Kingella (AEP 2023).
  • < 3 meses: oxacilina ou cefazolina + gentamicina ou cefotaxima, no hospital (AEP 2023).
  • Doença falciforme: cobertura para S. aureus e Salmonella — antiestafilocócico + cefalosporina de 3ª geração (SEIP 2015).
  • Adolescente com suspeita de gonococo: ceftriaxona (AEP 2023) e investigação de IST e de violência sexual (SBP 2020).
  • Suspeita de MRSA (prevalência local de MRSA > 10–15%, abscessos, contato com CA-MRSA): clindamicina, se a resistência local for baixa, ou vancomicina; sepse: vancomicina associada a oxacilina ou cefazolina até as culturas (SBP 2003; AEP 2023).

Duração — posição do site (SBP, Departamento de Reumatologia, 2020): antibiótico intravenoso por pelo menos 3 semanas e, depois, por via oral por mais 3 semanas, "pois não há evidências comparando diferentes regimes". Vale para artrite séptica e osteomielite. A fase oral exige doença controlada — afebril, dor e função melhores, PCR em queda, hemocultura negativa, boa aceitação oral — e o betalactâmico oral vai em dose dobrada para atingir o osso (SBP 2003; AEP 2023: 2–3 vezes a habitual).

Medicamento Dose Intervalo Duração Observação e referência
Cefazolina IV 100 mg/kg/dia (máx. 6 g/dia) 8/8 h Fase IV (≥ 3 semanas) SBP 2003: 50–100 (no osso, o limite superior); AEP 2023: 100–150; cobre Kingella
Oxacilina IV 100–200 mg/kg/dia (máx. 12 g/dia) 6/6 h Fase IV (≥ 3 semanas) SBP 2003 (escolha para S. aureus sensível); fraca contra Kingella (AEP 2023)
Clindamicina IV ou VO 25–40 mg/kg/dia (máx. 2,7 g/dia) 6/6 h (AEP: 6–8 h) Fase IV e oral, se escolhida SBP 2003; AEP 2023: 30–40; CA-MRSA ou alergia a betalactâmico; não cobre Kingella; VO sem dobrar
Vancomicina IV 15 mg/kg/dose (1ª dose máx. 1,5 g) 6/6 h, ajustar pelo nível sérico Fase IV Padrão do site (SBP); suspeita de MRSA ou sepse
Cefalexina VO (fase oral) 150 mg/kg/dia (máx. 4 g/dia) 6/6 h 3 semanas SBP 2003: dobro da dose habitual; estudos norte-americanos, 75–100 (Haynes 2024; Hiskey 2023); não usar a dose de pele
Cefadroxila VO 60–90 mg/kg/dia (máx. 4 g/dia) 8/8 h 3 semanas SEIP 2015; Haynes 2024: 60–80, 12/12 h
Ibuprofeno (dor) 5–10 mg/kg/dose 6–8 h Enquanto houver dor Padrão do site; ≥ 6 meses; evitar em dengue, desidratação, varicela
Dipirona (dor, febre) 15 mg/kg/dose 6/6 h (máx. 4 doses/dia) Enquanto houver dor Padrão do site; não < 3 meses ou < 5 kg
  • Mais longa, com o especialista: MRSA ou leucocidina de Panton-Valentine, Salmonella, pelve ou coluna, artrite com osteomielite, neonato, complicações ou resposta lenta (SEIP 2015; AEP 2023).
  • Divergência registrada: a SBP Infectologia (2003) propõe a terapêutica sequencial precoce, com total de 14–21 dias na artrite e no mínimo 3 semanas na osteomielite; PIDS/IDSA (2021, 2023) e AEP (2023) passam à via oral após 2–4 dias, com 2–3 semanas na artrite (PIDS/IDSA: 10–14 dias se a melhora for rápida) e 3–4 na osteomielite. O site segue o documento mais recente da SBP.

Seguimento após a alta: reavaliação com PCR em 5–7 dias (SEIP 2015); vigiar diarreia, exantema e neutropenia em cursos longos de betalactâmico (Hiskey 2023); seguimento ortopédico das sequelas. Febre que volta, dor que piora ou PCR que sobe sugerem abscesso, agente resistente ou outro diagnóstico (Ewing).

O que não usar:

  • Antibiótico oral "por via das dúvidas" antes das culturas (padrão de A criança que manca).
  • Corticoide sem diagnóstico (mascara leucemia).
  • Oxacilina ou clindamicina isoladas no menor de 5 anos com suspeita de Kingella.
  • Quinolona de rotina; antibiótico intra-articular.

5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar

  • Febre (axilar ≥ 37,5 °C) com claudicação, recusa de apoio, pseudoparalisia ou dor óssea localizada.
  • ≥ 2 critérios de Kocher ou PCR > 2 mg/dL com derrame articular.
  • Lactente < 3 meses com membro parado ou dor ao manuseio, com ou sem febre.
  • Doença falciforme com febre e dor óssea.
  • Sinais de sepse.
  • Sinovite que ganha febre, piora ou não melhora em 48–72 h.
  • Após a alta: febre que volta, dor ou edema que pioram, vômitos que impedem o antibiótico oral.

Como encaminhar:

  1. Contato prévio com serviço que tenha ortopedia pediátrica de urgência e ultrassonografia.
  2. Analgesia (doses do site); membro em posição de conforto, sem carga.
  3. Não iniciar antibiótico oral antes da punção e das culturas; antibiótico antes da remoção só na sepse ou em grande demora no transporte, após contato com o serviço.
  4. Sepse: SAMU 192, oxigênio para manter SpO2 ≥ 94%, acesso venoso ou intraósseo, glicemia capilar, bolus de 10–20 mL/kg com reavaliação (ver Sepse e choque séptico).
  5. Jejum (punção sob sedação ou cirurgia).
  6. Relatório: início, febre, antibióticos e antitérmicos usados, vacinas, doença de base, exames.

6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família

  • "O tratamento é longo (pelo menos 6 semanas). Dê o antibiótico em todas as doses e até o último dia, mesmo que a criança pareça curada; a dose para o osso é maior que a de pele."
  • "Se vomitar o remédio ou não conseguir tomá-lo, avise o pediatra no mesmo dia. Volte no reexame marcado."
  • Procurar o pronto-socorro se houver: febre que volta, dor que piora, inchaço ou vermelhidão no local, volta a mancar ou a não mexer o membro, prostração, falta de ar.

7.Comparação com as referências

Item SBP Ministério da Saúde AAP NICE AEP Johns Hopkins Harvard Oxford / Cambridge
Agentes S. aureus; Kingella citada (2020) Salmonella: infecção grave na falciforme (2009) Sem diretriz própria; PIDS/IDSA: cobrir Kingella de 6–48 meses Sem diretriz específica S. aureus, Kingella, S. pyogenes Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE
Diagnóstico Kocher; PCR no seguimento; RM (2020) Radiografia, hemocultura, PCR, punção na falciforme PIDS/IDSA: hemocultura antes do antibiótico; RM Sem diretriz específica Ultrassonografia; RM; Kocher com cautela — — Segue o NICE
Drenagem Urgente, pelo ortopedista (2020) Ortopedista (2012) PIDS/IDSA: o quanto antes NG254: controlar o foco na sepse Antes do antibiótico — — Segue o NICE
Empírico Oxacilina ou cefalosporina de 1ª geração; vancomicina se MRSA (2003) Sem posição específica PIDS/IDSA: cefazolina ou oxacilina; MRSA pelo dado local NG254: imediato no alto risco de sepse Cefazolina; MRSA > 10–15%: clindamicina — — Segue o NICE
Via oral Após ≥ 3 semanas IV (2020); cefalexina 150 mg/kg/dia (2003) — PIDS/IDSA: precoce — Após 2–4 dias; dose 2–3 vezes a habitual — — Segue o NICE
Duração ≥ 3 semanas IV + 3 VO (2020); Infectologia 2003: 14–21 dias / ≥ 3 semanas — PIDS/IDSA: artrite 10–14 dias; osteomielite 3–4 semanas — Artrite 2–3; osteomielite 3–4 semanas — — Segue o NICE

Leitura: as referências concordam que febre com recusa de apoio é infecção osteoarticular até prova em contrário, que o S. aureus é o alvo principal, que culturas vêm antes do antibiótico, que a artrite séptica exige drenagem precoce e que a RM é o exame de escolha na osteomielite. Divergências: a SBP Reumatologia (2020) pede pelo menos 3 semanas parenterais e mais 3 orais; a SBP Infectologia (2003), a PIDS/IDSA, a AEP e as vias britânicas (BSAC, BOAST) usam troca oral precoce e cursos curtos; a AEP prefere cefazolina abaixo de 5 anos pela Kingella; a cefalexina oral vai de 75–100 (estudos norte-americanos) a 150 mg/kg/dia (SBP). O NICE não tem diretriz específica; Oxford e Cambridge seguem o NICE. O site adota a SBP: oxacilina ou cefazolina (2003), pelo menos 3 semanas intravenoso e mais 3 por via oral (2020), cefalexina 150 mg/kg/dia na fase oral (2003); a preferência pela cefazolina abaixo de 5 anos segue a AEP, pois a SBP cita a Kingella sem definir antibiótico.

Pontos práticos
  1. Febre com claudicação, recusa de apoio, pseudoparalisia ou dor óssea localizada: avaliação no mesmo dia; ≥ 2 critérios de Kocher ou PCR > 2 mg/dL com derrame = artrite séptica provável.
  2. Artrite séptica é urgência ortopédica: punção ou drenagem e culturas antes do antibiótico, salvo sepse.
  3. Não dê antibiótico oral "por via das dúvidas" antes das culturas.
  4. Abaixo de 5 anos, pense na Kingella: cefazolina cobre; oxacilina e clindamicina isoladas, não.
  5. Duração (SBP 2020): intravenoso por pelo menos 3 semanas e mais 3 por via oral, com cefalexina 150 mg/kg/dia (SBP 2003), o dobro da dose de pele.
  6. Mais longa em MRSA, Salmonella, pelve, coluna e neonato. "Osteomielite" que não responde pode ser Ewing.

Veja também, nesta Biblioteca: A criança que manca e Impetigo, celulite e abscessos (Patologias do consultório); Tumores ósseos e sarcomas de partes moles (Oncologia); Sepse e choque séptico na criança (Urgências e emergências); Como Conduzir uma Criança com Febre (Pediatria geral); Artrites na criança (Reumatologia). Doença falciforme: área de Hematologia (em preparação).

8.Fontes

  • SBP, Departamento Científico de Reumatologia. Artrite aguda em crianças e adolescentes (Documento Científico), 2020. PDF
  • SBP, Departamento de Infectologia. Nascimento-Carvalho CM, Berezin EN. Recomendação para antibioticoterapia de crianças e adolescentes com infecção por Staphylococcus aureus, 2003. PDF
  • Ministério da Saúde. Manual de eventos agudos em doença falciforme, 2009. PDF
  • Ministério da Saúde. Doença falciforme — condutas básicas para tratamento, 2012. PDF
  • PIDS/IDSA. Woods CR et al. 2021 Guideline on Diagnosis and Management of Acute Hematogenous Osteomyelitis in Pediatrics. J Pediatric Infect Dis Soc, 2021. academic.oup.com
  • PIDS/IDSA. Woods CR et al. 2023 Guideline on Diagnosis and Management of Acute Bacterial Arthritis in Pediatrics. J Pediatric Infect Dis Soc, 2024. academic.oup.com
  • Haynes AS et al. Cefadroxil and cephalexin pharmacokinetics and pharmacodynamics in children with musculoskeletal infections. Antimicrob Agents Chemother, 2024. PMC
  • Hiskey L et al. First-generation cephalosporins for treatment of acute hematogenous osteomyelitis in children. Open Forum Infect Dis, 2023. PMC
  • AEP. Núñez Cuadros E, Saavedra Lozano J. Infecciones osteoarticulares — artritis séptica, osteomielitis y espondilodiscitis. Protocolos diagnósticos y terapéuticos en pediatría, 2023. PDF
  • SEIP-SERPE-SEOP. Saavedra-Lozano J et al. Consenso sobre el tratamiento de la osteomielitis aguda y artritis séptica no complicadas. An Pediatr, 2015. PDF
  • NICE. Suspected sepsis in under 16s — recognition, diagnosis and early management (NG254), 2025. nice.org.uk
  • BSAC Paediatric Pathways. Bone and joint infection. bsac.org.uk
  • Sebastiao A, Khawar H, Hawkins R. Investigation and management of lower limb septic arthritis in children — an update using the latest BOAST guidelines. Cureus, 2024. PMC