Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF
Pense em tubulopatia na criança com baixo ganho de peso ou baixa estatura, poliúria e polidipsia, desidratação de repetição, vômitos, constipação crônica, raquitismo que não responde à vitamina D, nefrocalcinose ou litíase. O primeiro exame é a gasometria venosa com sódio, potássio e cloro, para calcular o ânion gap (Na − [Cl + HCO3]). Acidose metabólica hiperclorêmica com ânion gap normal, fora de diarreia, sugere acidose tubular renal (ATR): na distal (tipo 1) o pH urinário fica > 5,5 apesar da acidose, com hipocalemia e nefrocalcinose; na proximal (tipo 2), em geral dentro de uma síndrome de Fanconi (no lactente, pensar em cistinose); no tipo 4 há hipercalemia (hipoaldosteronismo). Alcalose metabólica hipocalêmica sem vômitos nem diuréticos sugere Bartter ou Gitelman. O tratamento é do nefrologista pediátrico; o pediatra suspeita, pede os exames iniciais, encaminha e acompanha o crescimento. Desidratação grave, hipocalemia com fraqueza ou arritmia e hipercalemia com alteração no ECG são 🔴: pronto-socorro.
1.O que é e como se apresenta
Tubulopatias são doenças da função do túbulo renal, com filtração glomerular inicialmente normal: primárias (genéticas) ou secundárias (medicamentos, tóxicos, doenças sistêmicas); simples ou complexas, como a síndrome de Fanconi (AEP 2022).
Quando suspeitar (AEP 2022): baixo ganho de peso ou baixa estatura com filtração normal; poliúria e polidipsia, nictúria, enurese, busca por água ou sal; desidratação de repetição e febre sem foco no lactente; vômitos, constipação crônica; raquitismo, fraqueza, câimbras, tetania, paralisia flácida; nefrocalcinose ou litíase; polidrâmnio (Bartter neonatal); surdez neurossensorial; consanguinidade, história familiar.
Principais tubulopatias (AEP 2022)
| Doença | Distúrbio ácido-base e eletrolítico | Pistas |
|---|---|---|
| ATR distal (tipo 1) | Acidose hiperclorêmica, ânion gap normal, K normal ou baixo, pH urinário > 5,5 | Nefrocalcinose precoce, hipercalciúria, surdez em algumas formas; vômitos, poliúria, desidratação e baixo ganho de peso desde as primeiras semanas |
| ATR proximal (tipo 2) | Acidose hiperclorêmica, K baixo, fração excretada de bicarbonato > 15% | Quase sempre dentro de síndrome de Fanconi; formas por medicamentos (acetazolamida, ifosfamida, valproato) |
| Síndrome de Fanconi | Acidose + hipofosfatemia, hipocalemia, hipouricemia, glicosúria com glicemia normal, aminoacidúria, proteinúria de baixo peso molecular | Poliúria, desidratação, raquitismo; cistinose, tirosinemia, galactosemia, Lowe, Wilson, medicamentos |
| ATR tipo 4 (hipercalêmica) | Acidose hiperclorêmica com hipercalemia | Hipoaldosteronismo (HAC perdedora de sal), pseudo-hipoaldosteronismo, uropatia obstrutiva, trimetoprima, IECA, BRA |
| Síndrome de Bartter | Alcalose metabólica hipocalêmica e hipoclorêmica, perda urinária de sal, hipercalciúria | Polidrâmnio (neonatal); antes dos 2 anos poliúria, vômitos, constipação, desidratação, baixo ganho de peso, PA normal ou baixa; surdez no tipo IVA |
| Síndrome de Gitelman | Alcalose hipocalêmica com hipomagnesemia e hipocalciúria | Escolar ou adolescente: câimbras, fraqueza, tetania, desejo de sal; QT longo |
| Diabetes insípido nefrogênico | Sódio e osmolalidade plasmáticos altos, urina diluída | Lactente irritado, que prefere água; febre, vômitos, constipação |
| Raquitismo hipofosfatêmico ligado ao X | Fósforo baixo, cálcio e 25(OH)D normais, perda urinária de fosfato, FGF-23 alto | Genu varo após a marcha, baixa estatura, história familiar, sem resposta à vitamina D |
2.Classificação de gravidade
| Gravidade | Critérios clínicos | Conduta |
|---|---|---|
| 🟢 Leve | Tubulopatia já diagnosticada, estável, crescendo, com eletrólitos controlados; ou acidose hiperclorêmica leve durante ou logo após diarreia, que se normaliza | Seguimento pelo pediatra junto com o nefrologista pediátrico; repetir gasometria e eletrólitos após a diarreia antes de rotular ATR |
| 🟡 Moderada | Suspeita de tubulopatia: acidose hiperclorêmica persistente sem diarreia; hipocalemia ou alcalose sem vômitos nem diuréticos; poliúria confirmada; nefrocalcinose; raquitismo com fósforo baixo ou sem resposta à vitamina D; glicosúria com glicemia normal; baixo ganho de peso com eletrólitos alterados. Ou paciente em tratamento com vômitos leves, que ainda bebe e toma o remédio | Encaminhar com prioridade ao nefrologista pediátrico, com os exames iniciais; lactente com suspeita de Fanconi ou cistinose: com urgência. Intercorrência: reavaliar em 24–48 h |
| 🔴 Grave | Desidratação grave ou choque; hipocalemia com fraqueza, paralisia, íleo ou arritmia ou potássio < 2,5 mEq/L (grave pelo RCH 2024); hipercalemia com alteração no ECG ou potássio > 6 mEq/L (RCH 2024; documento Lesão renal aguda); acidose intensa com respiração de Kussmaul, sonolência ou recusa alimentar; hipernatremia; tetania, convulsão; paciente que vomita e não consegue tomar álcalis ou potássio | Pronto-socorro/hospital: hidratação venosa, monitor cardíaco, correção dos eletrólitos |
Fatores de risco que elevam a gravidade
- Lactente pequeno, prematuro ou desnutrido; diabetes insípido nefrogênico, Bartter neonatal.
- Gastroenterite, febre, calor ou jejum; diuréticos, laxativos, anfotericina B, ifosfamida, IECA, BRA, trimetoprima.
- Hipomagnesemia associada; QT longo (Gitelman); doença renal crônica instalada.
3.Diagnóstico no consultório
Clínica: peso e estatura; PA (normal ou baixa em Bartter e Gitelman; alta sugere Liddle ou Gordon); desidratação, raquitismo, audição; diário de ingestão e diurese. Poliúria: > 2.000 mL/1,73 m²/dia, cerca de > 3 mL/kg/h (AEP 2022).
Exames iniciais (AEP 2022; PCDT, MS 2022):
- Gasometria venosa (sem garrote prolongado, processada logo); sódio, potássio, cloro, magnésio, cálcio, fósforo, fosfatase alcalina, ácido úrico, ureia e creatinina, glicemia.
- Urina tipo 1 e pH urinário em urina fresca, no gasômetro ou pHmetro (a fita é imprecisa); em amostra, eletrólitos, cálcio, fósforo, magnésio, citrato e creatinina (frações excretadas e reabsorção tubular de fosfato).
- Ultrassonografia renal (nefrocalcinose, litíase, uropatia).
Como ler (AEP 2022):
- Ânion gap = Na − (Cl + HCO3); normal em geral de 8 a 12 mEq/L, conforme o laboratório.
- Ânion gap aumentado = cetoacidose, acidose láctica, intoxicações ou doença renal crônica — não é ATR.
- Ânion gap normal (hiperclorêmica): diarreia (a causa mais comum) ou ATR. Ânion gap urinário (Na + K − Cl): negativo na diarreia e na ATR proximal, positivo na distal.
- pH urinário > 5,5 com acidose sistêmica = ATR distal; potássio alto = tipo 4; fração excretada de bicarbonato > 15% com outras perdas proximais = proximal/Fanconi.
- Alcalose metabólica hipocalêmica: o cloro urinário separa as causas. Baixo = perda extrarrenal: vômitos (estenose de piloro, bulimia) ou fibrose cística (pseudo-Bartter — pedir teste do suor). Alto = diuréticos (às vezes escondidos pelo adolescente) ou Bartter/Gitelman. Gitelman tem magnésio baixo e calciúria baixa (cálcio/creatinina < 0,10 mmol/mmol ou < 1 mg/kg/dia); Bartter, calciúria alta (AEP 2022).
- Hipofosfatemia com reabsorção tubular de fosfato baixa = perda renal (raquitismo hipofosfatêmico, Fanconi, Dent).
Cistinose — não deixar passar: lactente com poliúria, desidratações, vômitos, baixo ganho de peso, raquitismo e Fanconi; evolui para doença renal crônica. Diagnóstico (cistina nos leucócitos, genética, cristais na córnea) e cisteamina são do especialista: encaminhar com urgência.
Diagnóstico diferencial que não pode passar: diarreia, cetoacidose diabética (glicosúria com glicemia alta), estenose de piloro, fibrose cística, diuréticos ou laxativos, insuficiência adrenal e HAC (hiponatremia com hipercalemia), doença renal crônica, polidipsia primária, raquitismo nutricional, hipofosfatasia.
4.Tratamento e seguimento
Divisão de papéis: diagnóstico, genética e doses são do nefrologista pediátrico; o pediatra mantém a medicação, acompanha o crescimento e trata cedo as intercorrências. As doses servem para reconhecer a faixa e erros de prescrição.
Medicamentos (sem documento da SBP; raquitismo hipofosfatêmico pelo PCDT de Raquitismo e Osteomalácia, MS 2022; demais tubulopatias pela AEP/AENP 2022 e documentos do site):
| Medicamento | Dose | Intervalo | Duração | Observação e referência |
|---|---|---|---|---|
| Citrato de potássio ou bicarbonato de sódio (ATR distal) | Criança: 1,5–2 mEq/kg/dia (AEP 2022; ERKNet/ESPN 2021: início 2–3). Lactente com HCO3 < 15: início de cerca de 5 mEq/kg/dia, às vezes > 10 (ERKNet/ESPN 2021) | Várias tomadas; no lactente, um pouco em cada mamada | Contínuo | Corrigir acidose, hipercalciúria e hipocitratúria e normalizar o crescimento; bicarbonato de vale a cada 24–48 h até estabilizar; ajuste pelo especialista |
| Álcalis, fósforo e hidroclorotiazida (ATR proximal e Fanconi) | Álcalis em doses altas; fósforo 40–100 mg/kg/dia; hidroclorotiazida 1–3 mg/kg/dia | Várias tomadas | Contínuo | Com metabólito ativo da vitamina D e potássio, pelo nefrologista (AEP 2022) |
| Fósforo elementar oral (raquitismo por perda renal de fosfato, quando não usa burosumabe) | 30–60 mg/kg/dia (adolescente no fim do crescimento: cerca de 20 mg/kg/dia); iniciar baixo e aumentar | 4 a 6 vezes ao dia, 1–2 h longe do leite | Até o fim do crescimento | Não buscar fósforo normal (hiperparatireoidismo); manipulado no Brasil (PCDT, MS 2022; AEP 2022: 20–40) |
| Calcitriol (raquitismo por excesso de FGF-23) | 0,03–0,07 mcg/kg/dia | 1–2 tomadas ao dia | Com o fosfato | Contraindicado no raquitismo hipofosfatêmico com hipercalciúria (PCDT, MS 2022) |
| Burosumabe (raquitismo hipofosfatêmico ligado ao X) | < 10 kg: 1 mg/kg; > 10 kg: 0,8 mg/kg (arredondar para o múltiplo de 10 mais próximo); máx. 90 mg/dose | SC a cada 14 dias | Pelo menos até o fim do crescimento | Suspender fosfato e calcitriol 7–10 dias antes; ajuste pelo fósforo (PCDT, MS 2022; bula) |
| Hidroclorotiazida (diabetes insípido nefrogênico) | < 6 meses: 1–1,5 mg/kg/dose; > 6 meses: 1 mg/kg/dose; máx. 50 mg/dose | 12/12 h | Contínuo | Com dieta de baixa carga de solutos; amilorida e indometacina a critério do nefrologista (AEP; documento Poliúria e polidipsia — diabetes insípido) |
| Cloreto de potássio (Bartter) | 1–3 mEq/kg/dia | Fracionado | Contínuo | AEP 2022 |
| Indometacina (Bartter) | 1–5 mg/kg/dia, conforme o tipo | Fracionado | Contínuo | Evitar até 4–6 semanas de vida no Bartter neonatal (enterocolite necrosante) (AEP 2022) |
| Cloreto de potássio e sais de magnésio (Gitelman) | Conforme especialista | Fracionado | Contínuo | Magnésio como cloreto, lactato ou aspartato (AEP 2022) |
| Fludrocortisona (ATR tipo 4 com hipoaldosteronismo) | Conforme especialista | 1x/dia | Contínuo | Suspender fármacos que retêm potássio (AEP 2022); na HAC, documento Insuficiência adrenal e HAC |
Burosumabe (anti-FGF-23): incorporado ao SUS para crianças (Portaria SCTIE/MS nº 1/2021); o PCDT (MS 2022) o define como primeira linha de 1 ano a 18 anos incompletos, com diagnóstico genético. Para adultos, não incorporado (Portaria SECTICS/MS nº 36/2025; Relatório Conitec nº 971). Fósforo e calcitriol ficam para quem não o usa, com vigilância de hipercalciúria e nefrocalcinose. Quem solicita é o especialista.
Cistinose: cisteamina (tratamento de escolha), reposição das perdas de Fanconi e suporte nutricional. No Brasil, sem registro na Anvisa nem avaliação da Conitec (NATJUS-DF, 2023): importação excepcional, em geral por via judicial.
Medidas de suporte (AEP 2022):
- Água à vontade; nas perdedoras de sal, não restringir sal; no lactente grave, sonda ou gastrostomia para água e nutrição.
- Diabetes insípido nefrogênico: leite materno; na criança maior, moderar proteína e sódio.
- Gitelman: dieta rica em potássio, magnésio e sódio; evitar exercício extenuante e medicamentos que prolongam o QT.
- Crescimento, audiometria, ultrassom e função renal periódicos, conforme o especialista.
O que não fazer:
- Não diagnosticar ATR com gasometria colhida durante diarreia — repetir após a recuperação.
- Sem diuréticos, laxativos ou soro hipotônico sem orientação; não suspender álcalis ou potássio.
- Não dar vitamina D em dose alta no raquitismo hipofosfatêmico (documento Cálcio, vitamina D e raquitismo).
- Evitar anti-inflamatório extra (quem usa indometacina, desidratação) e nefrotóxicos (Nefrotoxicidade em Pediatria).
5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar
- Desidratação grave ou choque; desidratação moderada em lactente com tubulopatia que não tolera a via oral.
- Hipocalemia com fraqueza, paralisia, distensão abdominal ou arritmia; hipercalemia com alteração no ECG (T apiculada, QRS largo).
- Acidose intensa, hipernatremia, tetania ou convulsão.
- Criança em tratamento que vomita e não consegue tomar álcalis, potássio ou fludrocortisona.
Como encaminhar
- SAMU (192) no choque, arritmia, fraqueza intensa ou convulsão; avisar o serviço.
- Desidratação grave: Plano C do documento Diarreia aguda e desidratação (choque: SF 0,9% ou Ringer lactato 20 mL/kg, repetir conforme a perfusão); sem acesso, SRO por boca ou sonda.
- Não corrigir potássio sem monitor; em convulsão, protocolo do site (crise ≥ 5 minutos = estado de mal).
- Oxigênio para SpO2 ≥ 94%; glicemia capilar; decúbito lateral se sonolenta ou vomitando.
- Em hiperplasia adrenal congênita ou insuficiência adrenal conhecida, hidrocortisona antes do transporte, conforme o documento Insuficiência adrenal e HAC.
- Relatório: diagnóstico, doses, últimos exames, peso atual e habitual.
6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família
- "O remédio repõe o que o rim perde: todos os dias, nos horários combinados, sem interromper."
- "Deixe água sempre ao alcance: beber e urinar muito faz parte da doença."
- "Diarreia, vômitos, febre e calor desidratam mais rápido: procure atendimento cedo."
- Procurar o pronto-socorro se houver: vômitos que impedem o remédio ou os líquidos, pouca urina, olhos fundos, sonolência ou irritabilidade, fraqueza nas pernas, palpitação ou desmaio, respiração rápida e profunda, convulsão.
7.Comparação com as referências
| Item | SBP | Ministério da Saúde | AAP | NICE | AEP | Johns Hopkins | Harvard | Oxford / Cambridge |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Definição e suspeita | Sem documento localizado | Só no PCDT de raquitismo (2022) | Sem diretriz localizada | Sem diretriz localizada | Falha de crescimento, poliúria, desidratação, raquitismo | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
| Exames | — | Gasometria venosa, eletrólitos, pH e densidade urinários, TRP (PCDT) | — | — | Gasometria, ânion gap, pH urinário, frações excretadas, TRP | — | — | Segue o NICE |
| ATR distal | — | Corrigir a acidose, de preferência pelo nefrologista (PCDT) | — | — | Álcali 1,5–2 mEq/kg/dia (criança) | — | — | Segue o NICE |
| Bartter e Gitelman | — | — | — | — | KCl 1–3 mEq/kg/dia, indometacina 1–5 mg/kg/dia; Gitelman KCl e magnésio | — | — | Segue o NICE |
| Raquitismo ligado ao X | — | Burosumabe 1ª linha de 1 a 17 anos, no SUS; fósforo 30–60 mg/kg/dia | — | Sem diretriz aberta nesta revisão | Fosfato 20–40 mg/kg/dia e calcitriol; burosumabe aprovado | — | — | Segue o NICE |
| Encaminhamento | Nefrologista pediátrico (regra do site) | Especialista (PCDT) | — | — | Tratamento individualizado pelo especialista | — | — | Segue o NICE |
Leitura: a lista de documentos do Departamento de Nefrologia da SBP não inclui tubulopatias. O Ministério da Saúde trata do tema só no PCDT de Raquitismo e Osteomalácia (2022): gasometria venosa na investigação, acidose tubular com o nefrologista e, no ligado ao X, burosumabe de 1 a 17 anos ou fósforo 30–60 mg/kg/dia — acima dos 20–40 da AEP. AAP, NICE, Johns Hopkins e Harvard não têm diretriz localizada para o pediatra geral. Assim, na falta de posição da SBP, o site segue o Ministério da Saúde no raquitismo hipofosfatêmico e, onde nenhum dos dois se posiciona (acidose tubular, Fanconi, Bartter, Gitelman), o protocolo da AEP/AENP (2022), o único protocolo pediátrico com doses e algoritmos; para o lactente com ATR distal, que a AEP não detalha, o consenso ERKNet/ESPN 2021; no diabetes insípido nefrogênico, o documento de Endocrinologia do site, que não diverge da AEP.
- Baixo ganho de peso, poliúria, desidratações, constipação, raquitismo ou nefrocalcinose: gasometria venosa com eletrólitos e ânion gap.
- Acidose hiperclorêmica com ânion gap normal, fora de diarreia, é ATR até prova em contrário; pH urinário > 5,5 aponta a distal.
- Lactente com Fanconi (glicosúria com glicemia normal, fósforo baixo, poliúria): pense em cistinose e encaminhe com urgência.
- Alcalose hipocalêmica: cloro urinário baixo = vômitos ou fibrose cística; alto = diuréticos, Bartter ou Gitelman.
- Acidose com potássio alto (tipo 4): investigue hipoaldosteronismo e hiperplasia adrenal congênita.
- Desidratação grave, hipocalemia com fraqueza ou arritmia e hipercalemia com alteração no ECG: pronto-socorro.
Veja também, nesta Biblioteca: Litíase urinária e hipercalciúria; Doença renal crônica; Poliúria e polidipsia — diabetes insípido; Cálcio, vitamina D e raquitismo; Insuficiência adrenal e hiperplasia adrenal congênita; Baixa estatura; Diarreia aguda e desidratação; Nefrotoxicidade em Pediatria.
8.Fontes
- AEP/AENP. Tubulopatías. Protocolos diagnósticos y terapéuticos en Nefrología Pediátrica, 2022;1:155-76 (e capítulo Marcadores clínicos de enfermedad renal). PDF do livro completo
- SBP, Departamento de Nefrologia. Lista de documentos científicos (consultada em 09/2026). sbp.com.br
- Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas — Raquitismo e Osteomalácia (Portaria Conjunta nº 2, de 11/01/2022). PDF
- Conitec. Relatório de Recomendação nº 971 — burosumabe em adultos com hipofosfatemia ligada ao X, com a Portaria SECTICS/MS nº 36/2025, 2025. PDF
- ERKNet/ESPN. Trepiccione F et al. Distal renal tubular acidosis: clinical practice points, Nephrol Dial Transplant, 2021. PDF
- The Royal Children's Hospital Melbourne. Hypokalaemia e Hyperkalaemia, 2024. rch.org.au
- NATJUS-DF (TJDFT). Nota técnica cisteamina e cistinose nefropática, 2023. PDF