Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF
Epilepsia (ILAE 2014): duas crises não provocadas com > 24 h de intervalo, uma crise com risco de recorrência ≥ 60% ou uma síndrome. Diagnóstico clínico; EEG não exclui; RM na focal, estrutural e refratária. Monoterapia pelo tipo de crise: carbamazepina nas focais (PCDT); valproato nas generalizadas em meninos; etossuximida ou valproato na ausência; em meninas, valproato só sem alternativa. Carbamazepina, oxcarbazepina e fenitoína agravam ausências e mioclonias. Falha de dois fármacos = refratária. O pediatra acompanha a controlada (🟢), encaminha a suspeita nova (🟡) e trata como estado de mal toda crise ≥ 5 minutos (🔴).
1.O que é e como se apresenta
Crise provocada (hipoglicemia, trauma, infecção do SNC, intoxicação) e convulsão febril não são epilepsia.
Definição operacional (ILAE 2014; SBP; PCDT) — qualquer um: (1) duas crises não provocadas com intervalo > 24 h; (2) uma crise não provocada com recorrência ≥ 60% em 10 anos (lesão estrutural, EEG epileptiforme); (3) síndrome epiléptica.
Classificação ILAE (2017): tipo de crise (focal, generalizada, desconhecida); tipo de epilepsia (focal, generalizada, combinada, desconhecida); síndrome, com etiologia (estrutural, genética, infecciosa, metabólica, imune, desconhecida) e comorbidades (aprendizagem, TDAH, TEA, sono). A revisão de 2025 troca "percepção" por consciência.
Síndromes pediátricas (ILAE 2022; "benigna" → "autolimitada"; West → "espasmos epilépticos infantis"):
| Síndrome | Idade e clínica | EEG | Tratamento |
|---|---|---|---|
| Ausência infantil | Idade escolar; dezenas de ausências breves/dia, provocadas pela hiperventilação | Ponta-onda generalizada 3 Hz | Etossuximida ou valproato (PCDT) |
| Autolimitada com pontas centrotemporais | 4–10 anos em 90%; crises hemifaciais no sono | Pontas centrotemporais | Muitas vezes não tratar (AEP) |
| Mioclônica juvenil | Adolescência; mioclonias ao acordar; piora com privação de sono e álcool | Poliponta-onda generalizada | Recorrência > 90% após retirada (PCDT) |
| Dravet | 1º ano, crises febris prolongadas, depois mioclonias e atraso; SCN1A | Normal no início | Valproato, clobazam, estiripentol; evitar bloqueadores de sódio |
| Lennox-Gastaut | < 18 anos; crises tônicas + outro tipo; deficiência intelectual | Ponta-onda lenta ≤ 2,5 Hz; atividade rápida no sono | Valproato; lamotrigina, clobazam, rufinamida, topiramato |
| Espasmos infantis | Lactente; espasmos em salvas; regressão | Hipsarritmia | Urgência: EEG em dias; corticoide ou vigabatrina (PCDT) |
2.Classificação de gravidade
| Gravidade | Critérios clínicos | Conduta |
|---|---|---|
| 🟢 Leve | Epilepsia controlada (ou síndrome autolimitada estável), monoterapia bem tolerada, plano de resgate definido | Pediatra com o neuropediatra: adesão, dose por peso, efeitos adversos, exames anuais, segurança |
| 🟡 Moderada | Suspeita nova (segunda crise afebril, ausências, mioclonias); falha ou intolerância ao 1º fármaco; efeito adverso relevante; adolescente em uso de valproato | Neuropediatra (NICE: inclui < 3 anos, < 4 anos com mioclonias, lesão estrutural, piora escolar); refratária: centro especializado. EEG, glicemia, ECG |
| 🔴 Grave | Crise ≥ 5 minutos ou crises seguidas sem recuperação; déficit focal; espasmos infantis ou regressão; febre com exantema em uso de lamotrigina ou carbamazepina; vômitos, dor abdominal ou icterícia com valproato | Pronto-socorro; resgate no consultório (Protocolo de Estado de Mal Convulsivo). Espasmos ou regressão: neuropediatra com urgência (NICE) |
Fatores que elevam a gravidade:
- Idade < 2 anos; crises em salvas ou estado de mal prévio.
- Dravet, Lennox-Gastaut, lesão estrutural, deficiência intelectual, doença metabólica.
- Má adesão, interação nova, privação de sono; família sem resgate ou longe do serviço.
3.Diagnóstico no consultório
O diagnóstico é clínico (SBP; PCDT): relato (início, duração cronometrada, pós-ictal, gatilhos), vídeo e diário de crises; antecedentes neonatais, febris e familiares. Exame: perímetro cefálico, pele (café com leite, hipocrômicas), dismorfias, neurológico.
- Glicemia capilar em toda crise.
- ECG de 12 derivações após a 1ª crise (NICE).
- EEG: não obrigatório e não exclui (PCDT; NICE); classifica e orienta o fármaco; ≥ 30 min (PCDT); após a 1ª crise, idealmente em até 72 h; se normal, com privação de sono (NICE).
- RM de encéfalo: epilepsia focal ou suspeita estrutural (PCDT); o NICE indica a todos, exceto generalizada idiopática e autolimitada centrotemporal. Não é preciso TC antes da RM (PCDT); TC só na urgência.
Diferencial que não pode passar: síncope e arritmias (QT longo); perda de fôlego; parassonias; tiques; desatenção × ausência (a hiperventilação a provoca); distonia por metoclopramida; hipoglicemia; crises psicogênicas.
4.Tratamento e seguimento
Quando iniciar: decisão fortalecida após duas crises não provocadas (PCDT); após a primeira, em geral não, a critério do neuropediatra (padrão do site). Neuropediatra: síndrome, fármaco, RM, genética, cirurgia, dieta. Pediatra: dose por peso, adesão, efeitos adversos, interações, exames, vacinas (epilepsia não contraindica), escola, segurança e resgate.
Princípios (PCDT; AEP; AAP): monoterapia, dose baixa e aumento lento; resposta em ~3 meses; se falhar, trocar; associação só após duas monoterapias.
Escolha pelo tipo de crise (o site segue o PCDT, com as restrições da Anvisa ao valproato):
| Crise ou síndrome | Primeira escolha | Alternativas | Podem agravar |
|---|---|---|---|
| Focal | Carbamazepina (PCDT) | Oxcarbazepina (AEP; fora do PCDT), lamotrigina, levetiracetam (NICE), topiramato | — |
| Tônico-clônica generalizada | Meninos: valproato (PCDT). Meninas: lamotrigina ou levetiracetam (NICE) | Topiramato, clobazam | — |
| Ausência infantil | Etossuximida (≥ 3 anos) ou valproato (PCDT) | Lamotrigina (menos eficaz) | Carbamazepina, oxcarbazepina, fenitoína, fenobarbital, gabapentina, vigabatrina |
| Mioclônica juvenil | Meninos: valproato (PCDT). Meninas: lamotrigina (PCDT) | Levetiracetam (NICE: 1ª escolha em meninas), clonazepam, topiramato | Os mesmos; lamotrigina pode piorar mioclonias (PCDT) |
| Espasmos, Dravet, Lennox-Gastaut | Especialista | — | Dravet: bloqueadores de sódio |
Doses (titulação pelo especialista):
| Medicamento | Dose | Intervalo | Duração | Observação e referência |
|---|---|---|---|---|
| Ácido valproico | Início 10–15 mg/kg/dia; manutenção 15–40 (até 60) mg/kg/dia; máx. 2.500 mg/dia | 8/8 ou 12/12 h | Contínuo | AEP 2022 (PCDT, em mg/dia: início 250 mg, máx. 3.000); hepatotoxicidade maior < 2 anos e em politerapia (PCDT) |
| Levetiracetam | 1–6 meses: 14 mg/kg/dia, +14 a cada 2 semanas, máx. 42. ≥ 6 meses e < 50 kg: 20 mg/kg/dia, +20 a cada 2 semanas, máx. 60. ≥ 50 kg: 1.000 a 3.000 mg/dia | 12/12 h | Contínuo | PCDT (adjuvante no SUS); irritabilidade, humor |
| Lamotrigina | Com valproato: 0,15 mg/kg/dia por 2 semanas, 0,3 por mais 2, depois +0,3 a cada 1–2 semanas até 1–5 mg/kg/dia (máx. 500 mg/dia). Com indutores: 0,6 mg/kg/dia por 2 semanas, 1,2 por mais 2, até 5–15 mg/kg/dia (máx. 700 mg/dia) | 12/12 h | Contínuo | PCDT (monoterapia só > 12 anos após falha da 1ª linha; adjuvante > 2 anos). Titulação lenta (exantema grave) |
| Etossuximida | Início 10 mg/kg/dia; manutenção 15–40 mg/kg/dia; máx. 1.500 mg/dia | 12/12 ou 8/8 h | Contínuo | AEP 2022 (PCDT, em mg/dia: 250 mg, máx. 1.500); PCDT: ausência ≥ 3 anos |
| Carbamazepina | < 6 anos: 5–10 mg/kg/dia, +5–10/semana, máx. 35 mg/kg/dia. 6–12 anos: 100 mg/dia, +100/semana, máx. 600–1.000 mg/dia | 8/8 ou 6/6 h (12/12 h na liberação lenta) | Contínuo | PCDT (1ª escolha nas focais); hiponatremia, exantema; indutor enzimático |
| Oxcarbazepina | Início 8–10 mg/kg/dia; manutenção 25–40 mg/kg/dia; máx. 2.400 mg/dia | 12/12 h | Contínuo | AEP 2022; não incorporada ao PCDT (sem superioridade à carbamazepina); hiponatremia |
| Clobazam | Início 0,1–0,3 mg/kg/dia; manutenção 0,5–1,5 mg/kg/dia; máx. 30 (40) mg/dia | 12/12 h | Contínuo | AEP 2022 (PCDT: máx. 40 mg/dia); adjuvante; tolerância |
| Topiramato | Adjuvante > 2 anos: 1–3 mg/kg/dia, +1–3/semana, máx. 5–9 mg/kg/dia (até 400 mg/dia) | 12/12 h | Contínuo | PCDT; cálculo renal, perda de peso, teratogênico |
Valproato em meninas (Anvisa 2018, com a EMA; PCDT): só sem alternativa — na gestação, malformações em ~10% e distúrbios do neurodesenvolvimento em até 30–40%. Se indispensável (Dravet, Lennox-Gastaut): especialista na menarca, reavaliação anual e prevenção da gravidez (teste, contracepção, formulário de riscos); na idade fértil, dose mínima, se possível ≤ 500–600 mg/dia (PCDT). MHRA 2024 (não adotado pela Anvisa): dois especialistas para iniciar abaixo de 55 anos, em ambos os sexos, e contracepção a meninos até 3 meses após.
Exames e interações:
- Anuais (PCDT): hemograma, plaquetas, TGO/TGP, sódio, potássio, lipídios, vitamina D, TSH, T4 livre; nível sérico na má adesão, intoxicação ou politerapia (valproato 50–100 µg/mL).
- Indutores (carbamazepina, fenitoína, fenobarbital) reduzem até 50% o anticoncepcional oral (PCDT).
- Valproato eleva a lamotrigina (PCDT); canabidiol eleva clobazam e, com valproato, transaminases (SBP 2019); claritromicina eleva a carbamazepina e carbapenêmicos reduzem o valproato (bula).
Retirada: após pelo menos 2 anos sem crises (PCDT; AEP: 2–4 anos), pelo neuropediatra.
Epilepsia refratária: falha de dois fármacos tolerados, bem escolhidos e em dose adequada (ILAE; PCDT; AEP); com um terceiro, o controle cai a ~3% (AEP). Rever adesão, dose e diagnóstico (20–30% dos encaminhados não têm epilepsia — PCDT) e encaminhar a centro terciário: cirurgia, dieta cetogênica, estimulação vagal.
Dieta cetogênica (PCDT; NICE; AEP): com equipe especializada; escolha na deficiência de GLUT-1 e de piruvato desidrogenase; eficaz em espasmos, Dravet, Lennox-Gastaut e refratária; avaliar em 3,5 meses e, se reduzir > 50% das crises, manter 2–3 anos (PCDT). Atkins modificada (Johns Hopkins): mais simples para adolescentes (Kossoff).
Canabidiol (AEP 2022: 2,5–5 até 10–20 mg/kg/dia, pelo especialista): evidência em Dravet e Lennox-Gastaut (SBP 2019; NICE: com clobazam, > 2 anos, após outras opções). Não incorporado ao SUS (Conitec; Portaria SCTIE/MS nº 25/2021). Produtos de Cannabis (RDC 327/2019) não são medicamentos registrados: só esgotadas outras opções, com consentimento e receita B (THC ≤ 0,2%).
Segurança (NICE; AAP; SBP):
- Água: chuveiro em vez de banheira; natação só com supervisão direta.
- Altura: nada acima da própria altura sem supervisão; capacete na bicicleta.
- Sono regular; evitar álcool.
- Direção: só com crises controladas, liberação médica e avaliação do Detran.
- Plano escrito para a escola (AAP); risco pequeno de morte súbita (SUDEP) reforça a adesão (NICE).
Resgate domiciliar (padrão do site): crise ≥ 5 minutos, dose por escrito e família treinada — midazolam intranasal 0,2 mg/kg, bucal 0,3 mg/kg ou IM 0,2 mg/kg (máx. 10 mg), ou diazepam retal 0,5 mg/kg (máx. 10 mg); se não cessar, SAMU (192). Atualizar pelo peso.
5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar
- Crise ≥ 5 minutos (mesmo que ceda com o resgate) ou crises seguidas sem recuperação.
- Não recuperação, déficit focal novo, trauma, confusão persistente (estado de mal não convulsivo); vômitos que impedem as doses.
- Reação cutânea grave (febre, exantema, mucosas, bolhas) com lamotrigina, carbamazepina, oxcarbazepina ou fenitoína.
- Com valproato: vômitos, dor abdominal, icterícia, sonolência (hepatotoxicidade, pancreatite, hiperamonemia).
- Espasmos ou regressão sem acesso rápido ao neuropediatra.
Como encaminhar: posição lateral; oxigênio para SpO2 94–98%; glicemia capilar; crise ≥ 5 min: benzodiazepínico no consultório, com bolsa-valva-máscara à mão; SAMU (192); relatório com fármacos, doses e horários. No hospital (Protocolo de Estado de Mal Convulsivo), 2ª linha pelo MS: fenitoína 15–20 mg/kg IV (máx. 1.500 mg) ou fenobarbital 15 mg/kg IV; onde houver, levetiracetam 60 mg/kg IV em 5–10 min (máx. 4.500 mg; Antara IV, fora da bula); valproato 40 mg/kg só ≥ 2 anos.
A fenitoína leva cerca de 20 min para infundir; somada aos benzodiazepínicos, o controle pode passar de 30 min (limite ILAE 2015 para risco de lesão neuronal). Prepare a 2ª linha já na 1ª dose de benzodiazepínico e inicie logo após a 2ª dose, sem esperar. Onde houver levetiracetam IV, ele é preferível por infundir em 5–10 min (NICE NG217; APLS; ESETT, EcLiPSE e ConSEPT 2019).
Após o t1 de 5 min (ILAE 2015), a crise tende a se prolongar e a chance de parar sozinha cai muito: na 1ª crise de 407 crianças, 76% duraram em média 3,6 min e 24%, 31 min; após 5–10 min, raramente cediam sozinhas (Shinnar, 2001). O t2 = 30 min é o limite do risco de lesão neuronal (Trinka, 2015).
Atenção, 30 minutos: a partir do t2 (ILAE 2015) cresce o risco de lesão neuronal. Se a crise não ceder com o benzodiazepínico (2 doses) e a medicação de 2ª linha, é estado de mal REFRATÁRIO. Não espere os 30 min nem tente uma 3ª droga de 2ª linha por muito tempo: acione a UTI pediátrica para intubação e COMA INDUZIDO com infusão contínua de anestésico, para suprimir a atividade epiléptica, com monitorização eletroencefalográfica contínua (alvo: cessar as crises no EEG ou surto-supressão).
Coma induzido (UTI, com suporte hemodinâmico — hipotensão; NCS 2012): midazolam 0,2 mg/kg + 0,05–2 mg/kg/h; tiopental 2–7 mg/kg + 0,5–5 mg/kg/h; cetamina no super-refratário, conforme protocolo da UTI; propofol com cautela (síndrome de infusão), 1–2 mg/kg + 30–200 mcg/kg/min, contraindicado nas crianças pequenas.
6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família
- "Dê o remédio todos os dias; nunca pare nem troque por conta própria."
- Na crise: cronometrar, deitar de lado, nada na boca, filmar; resgate se passar de 5 minutos e SAMU (192).
- Pronto-socorro se: crise que não para, crises seguidas, não acorda bem, fraqueza de um lado, manchas com febre, pele amarelada com valproato.
- Levar diário de crises e lista de remédios.
7.Comparação com as referências
| Item | SBP | Ministério da Saúde | AAP | NICE | AEP | Johns Hopkins | Harvard | Oxford / Cambridge |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Diagnóstico | Clínico; duas crises > 24 h; EEG classifica | ILAE 2014; EEG não obrigatório | Diagnóstico preciso e plano | ECG; EEG não exclui | ILAE | Sem posição localizada | Sem posição localizada | Segue o NICE |
| Focal e ausência | Sem documento de escolha | Carbamazepina; etossuximida ou valproato | Monoterapia | Lamotrigina ou levetiracetam; etossuximida | Oxcarbazepina, lamotrigina, levetiracetam, carbamazepina; valproato, etossuximida | Sem posição localizada | Sem posição localizada | Segue o NICE |
| Valproato em meninas | — | Evitar na idade fértil | — | Só se alternativas falharem | Limitar na adolescência | Sem posição localizada | Sem posição localizada | MHRA: dois especialistas |
| Refratária | Cirurgia, dieta, estimulação vagal | Dois fármacos; centro terciário | ~30% refratários | Encaminhar a centro terciário | Dois fármacos | Atkins modificada | Sem posição localizada | Segue o NICE |
| 2ª linha do estado de mal | Sem documento | Fenitoína ou fenobarbital | AES: três equivalentes | Prefere levetiracetam | SEUP: três equivalentes | — | — | Segue o NICE |
| Canabidiol | Evidência nas epilepsias graves | Não incorporado (2021) | Sem posição localizada | Com clobazam, Dravet e Lennox-Gastaut | 2ª opção nessas síndromes | Sem posição localizada | Sem posição localizada | Segue o NICE |
Leitura: convergem na definição ILAE, no diagnóstico clínico, no EEG que não exclui, na monoterapia e na refratária após dois fármacos. Divergem na 1ª escolha nas focais (PCDT: carbamazepina; NICE: lamotrigina ou levetiracetam; AEP: oxcarbazepina e outras), na EMJ em meninas (PCDT: lamotrigina; NICE: levetiracetam) e no valproato (MHRA 2024: também em meninos). Sem documento da SBP sobre o fármaco, o site segue o PCDT (doses por peso da AEP; NICE na tônico-clônica em meninas); adota a SBP na definição, no diagnóstico, na refratária e no canabidiol. No estado de mal, segue o MS na 2ª linha e recomenda o levetiracetam onde houver.
- Epilepsia = duas crises não provocadas > 24 h, uma crise de alto risco ou síndrome; EEG normal não exclui.
- Carbamazepina, oxcarbazepina e fenitoína agravam ausências e mioclonias: não use às cegas.
- Valproato em menina só sem alternativa, com prevenção da gravidez e reavaliação anual.
- Lamotrigina exige titulação lenta, sobretudo com valproato; febre com exantema = suspender e pronto-socorro.
- Falha de dois fármacos: rever adesão e diagnóstico; centro de epilepsia.
- Toda criança com epilepsia sai com plano de resgate escrito e orientação sobre água e altura.
Veja também: Convulsão febril e primeira crise epiléptica, TDAH, Distúrbios do sono na infância (Patologias do consultório); Protocolo de Estado de Mal Convulsivo, Síncope na Criança e no Adolescente (Urgências); QT longo, canalopatias e prevenção da morte súbita (Cardiologia).
8.Fontes
- SBP, Departamento de Neurologia. Epilepsia (Pediatria para Famílias), 2023. sbp.com.br
- SBP. Indicações para uso da Cannabis em pacientes pediátricos (DC nº 3), 2019. PDF
- Ministério da Saúde. PCDT da Epilepsia (Portaria Conjunta nº 17/2018; anexo alterado em 05/05/2026). gov.br
- Conitec. Canabidiol na epilepsia refratária (Relatório nº 621), 2021. PDF
- Anvisa. RDC nº 327/2019 — produtos de Cannabis. PDF
- Anvisa. Carta aos profissionais — valproato, 2018. gov.br
- AAP. Managing Pediatric Epilepsy. aap.org
- NICE. NG217 — Epilepsies in children, young people and adults, 2022. nice.org.uk
- MHRA. Drug Safety Update — valproate, 2024. PDF
- AEP. Alarcón Martínez H et al. Tratamientos anticrisis epilépticas, 2022. PDF
- Manokaran RK et al. ILAE 2022 childhood epilepsy syndromes. Indian Pediatr, 2024. PDF
- Beniczky S et al. ILAE 2025 classification. Epileptic Disord, 2026. PDF
- Johns Hopkins. Kossoff EH. The Modified Atkins Diet for epilepsy, 2023. pure.johnshopkins.edu
- Trinka (ILAE), Epilepsia 2015; Shinnar, Ann Neurol 2001; Brophy (NCS), Neurocrit Care 2012; Glauser (AES) 2016; ESETT, EcLiPSE, ConSEPT 2019; Liberalesso 2018.
- Dr. José Roberto Stefani. Convulsão febril e primeira crise epiléptica; Protocolo de Estado de Mal Convulsivo — Biblioteca, 2026.