Neurologia pediátrica e desenvolvimento · Epilepsias e eventos paroxísticos

Epilepsias na infância — classificação ILAE e escolha do anticonvulsivante

Definição e classificação ILAE, síndromes, EEG e RM, fármaco anticrise com doses, valproato em meninas, refratária, dieta cetogênica e canabidiol

Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF

Em resumo

Epilepsia (ILAE 2014) é: duas crises não provocadas com mais de 24 h de intervalo; ou uma crise não provocada com risco de recorrência ≥ 60%; ou uma síndrome epiléptica. O diagnóstico é clínico, pela descrição da crise e pelo vídeo da família; o EEG apoia e classifica, mas não exclui; a RM é para epilepsia focal, suspeita estrutural e refratária. O fármaco anticrise é escolhido pelo tipo de crise e pela síndrome, em monoterapia com titulação lenta: carbamazepina nas focais (PCDT); valproato nas generalizadas em meninos; etossuximida ou valproato na ausência infantil. Em meninas, valproato só sem alternativa, com programa de prevenção da gravidez (Anvisa, PCDT). Carbamazepina, oxcarbazepina e fenitoína agravam ausências e mioclonias. Falha de dois fármacos bem escolhidos = epilepsia refratária: centro especializado (cirurgia, dieta cetogênica, estimulação vagal). O pediatra acompanha a criança controlada (🟢), encaminha o diagnóstico novo ao neuropediatra (🟡) e trata como estado de mal toda crise ≥ 5 minutos (🔴).

1.O que é e como se apresenta

Crise provocada (hipoglicemia, trauma, infecção do SNC, intoxicação) e convulsão febril não são epilepsia (ver Convulsão febril e primeira crise epiléptica).

Definição operacional (ILAE 2014; SBP; PCDT) — qualquer um: (1) duas crises não provocadas com intervalo > 24 h; (2) uma crise não provocada com probabilidade de recorrência ≥ 60% em 10 anos (por exemplo, lesão estrutural ou EEG epileptiforme); (3) síndrome epiléptica.

Classificação ILAE (2017) em três níveis: tipo de crise (focal, generalizada, desconhecida); tipo de epilepsia (focal, generalizada, combinada, desconhecida); síndrome — com etiologia (estrutural, genética, infecciosa, metabólica, imune, desconhecida) e comorbidades (aprendizagem, TDAH, TEA, sono). A atualização de 2025 mantém as classes e usa consciência no lugar de "percepção".

Síndromes pediátricas (ILAE 2022; "benigna" passou a "autolimitada"; West passou a "espasmos epilépticos infantis"):

Síndrome Idade e clínica EEG Tratamento
Ausência infantil Idade escolar; dezenas de ausências breves por dia, provocadas pela hiperventilação Ponta-onda generalizada 3 Hz Etossuximida ou valproato (PCDT)
Autolimitada com pontas centrotemporais 4–10 anos em 90%; crises hemifaciais no sono Pontas centrotemporais Muitas vezes não tratar (AEP)
Mioclônica juvenil Adolescência; mioclonias ao acordar; piora com privação de sono e álcool Poliponta-onda generalizada Recorrência > 90% após retirada (PCDT)
Dravet 1º ano, crises febris prolongadas, depois mioclonias e atraso; SCN1A Normal no início Valproato, clobazam, estiripentol; evitar bloqueadores de sódio
Lennox-Gastaut < 18 anos; crises tônicas + outro tipo; deficiência intelectual Ponta-onda lenta ≤ 2,5 Hz; atividade rápida no sono Valproato; lamotrigina, clobazam, rufinamida, topiramato
Espasmos infantis Lactente; espasmos em salvas; regressão Hipsarritmia Urgência: EEG em dias; corticoide ou vigabatrina (PCDT)

2.Classificação de gravidade

Gravidade Critérios clínicos Conduta
🟢 Leve Epilepsia controlada (ou síndrome autolimitada estável), monoterapia bem tolerada, plano de resgate definido Pediatra com o neuropediatra: adesão, dose por peso, efeitos adversos, exames anuais, segurança
🟡 Moderada Suspeita nova (segunda crise afebril, ausências, mioclonias); falha ou intolerância ao 1º fármaco; efeito adverso relevante; adolescente em uso de valproato Neuropediatra em até 2 semanas (NICE; inclui < 3 anos, < 4 anos com mioclonias, lesão estrutural, piora escolar); refratária: centro especializado em até 4 semanas (NICE). EEG, glicemia, ECG
🔴 Grave Crise ≥ 5 minutos ou crises seguidas sem recuperação; déficit focal; espasmos infantis ou regressão; febre com exantema em uso de lamotrigina ou carbamazepina; vômitos, dor abdominal ou icterícia com valproato Pronto-socorro; resgate no consultório (Protocolo de Estado de Mal Convulsivo). Espasmos ou regressão: neuropediatra em até 24 h (NICE)

Fatores de risco que elevam a gravidade:

  • Idade < 2 anos; crises em salvas ou estado de mal prévio.
  • Dravet, Lennox-Gastaut, lesão estrutural, deficiência intelectual, doença metabólica.
  • Má adesão, interação nova, privação de sono; família sem resgate ou longe do serviço.

3.Diagnóstico no consultório

O diagnóstico é clínico (SBP; PCDT): relato da testemunha (início, duração cronometrada, pós-ictal, gatilhos), vídeo e diário de crises; antecedentes neonatais, febris e familiares. Exame: perímetro cefálico, pele (manchas café com leite, hipocrômicas), dismorfias, exame neurológico.

  • Glicemia capilar em toda crise.
  • ECG de 12 derivações após a primeira crise (NICE).
  • EEG: não obrigatório e não exclui epilepsia (PCDT; NICE); classifica e orienta o fármaco; pelo menos 30 minutos (PCDT); após a 1ª crise, idealmente em até 72 h; se normal, com privação de sono (NICE).
  • RM de encéfalo: epilepsia focal ou suspeita estrutural (PCDT); o NICE indica a todos, exceto epilepsia generalizada idiopática e autolimitada com pontas centrotemporais. Não é preciso TC antes da RM (PCDT); TC só na urgência.

Diferencial que não pode passar: síncope e arritmias (QT longo); perda de fôlego; parassonias; tiques; desatenção × ausências (a hiperventilação provoca a ausência); distonia por metoclopramida; hipoglicemia; crises psicogênicas.

4.Tratamento e seguimento

Quando iniciar: decisão fortalecida após duas crises não provocadas (PCDT); após a primeira, em geral não se inicia, a critério do neuropediatra (padrão do site). Neuropediatra: diagnóstico sindrômico, escolha do fármaco, RM, genética, cirurgia, dieta. Pediatra: dose por peso, adesão, efeitos adversos, interações, exames, vacinas (epilepsia não contraindica), escola, segurança e resgate.

Princípios (PCDT; AEP; AAP): monoterapia, dose baixa e aumento lento; resposta em cerca de 3 meses; se falhar, trocar; associação só após duas monoterapias.

Escolha pelo tipo de crise (sem documento da SBP; o site segue o PCDT, com as restrições da Anvisa ao valproato):

Crise ou síndrome Primeira escolha Alternativas Podem agravar
Focal Carbamazepina (PCDT) Oxcarbazepina (AEP; fora do PCDT), lamotrigina, levetiracetam (NICE), topiramato —
Tônico-clônica generalizada Meninos: valproato (PCDT). Meninas: lamotrigina ou levetiracetam (NICE) Topiramato, clobazam —
Ausência infantil Etossuximida (≥ 3 anos) ou valproato (PCDT) Lamotrigina (menos eficaz) Carbamazepina, oxcarbazepina, fenitoína, fenobarbital, gabapentina, vigabatrina
Mioclônica juvenil Meninos: valproato (PCDT). Meninas: lamotrigina (PCDT) Levetiracetam (NICE: 1ª escolha em meninas), clonazepam, topiramato Os mesmos; lamotrigina pode piorar mioclonias (PCDT)
Espasmos, Dravet, Lennox-Gastaut Especialista — Dravet: bloqueadores de sódio

Doses (titulação pelo especialista; dose por peso da AEP 2022 quando o PCDT só traz mg/dia):

Medicamento Dose Intervalo Duração Observação e referência
Ácido valproico Início 10–15 mg/kg/dia; manutenção 15–40 (até 60) mg/kg/dia; máx. 2.500 mg/dia 8/8 ou 12/12 h Contínuo Dose por peso: AEP 2022 (o PCDT só traz mg/dia: início 250 mg, máx. 3.000); hepatotoxicidade maior < 2 anos e em politerapia (PCDT)
Levetiracetam 1–6 meses: 14 mg/kg/dia, +14 a cada 2 semanas, máx. 42. ≥ 6 meses e < 50 kg: 20 mg/kg/dia, +20 a cada 2 semanas, máx. 60. ≥ 50 kg: 1.000 a 3.000 mg/dia 12/12 h Contínuo PCDT (adjuvante no SUS); irritabilidade, humor
Lamotrigina Com valproato: 0,15 mg/kg/dia por 2 semanas, 0,3 por mais 2, depois +0,3 a cada 1–2 semanas até 1–5 mg/kg/dia (máx. 500 mg/dia). Com indutores: 0,6 mg/kg/dia por 2 semanas, 1,2 por mais 2, até 5–15 mg/kg/dia (máx. 700 mg/dia) 12/12 h Contínuo PCDT (monoterapia só > 12 anos após falha da 1ª linha; adjuvante > 2 anos). Titulação lenta (exantema grave)
Etossuximida Início 10 mg/kg/dia; manutenção 15–40 mg/kg/dia; máx. 1.500 mg/dia 12/12 ou 8/8 h Contínuo Dose por peso: AEP 2022 (o PCDT só traz mg/dia: 250 mg, máx. 1.500); PCDT: ausência ≥ 3 anos
Carbamazepina < 6 anos: 5–10 mg/kg/dia, +5–10/semana, máx. 35 mg/kg/dia. 6–12 anos: 100 mg/dia, +100/semana, máx. 600–1.000 mg/dia 8/8 ou 6/6 h (12/12 h na liberação lenta) Contínuo PCDT (1ª escolha nas focais); hiponatremia, exantema; indutor enzimático
Oxcarbazepina Início 8–10 mg/kg/dia; manutenção 25–40 mg/kg/dia; máx. 2.400 mg/dia 12/12 h Contínuo AEP 2022; não incorporada ao PCDT (sem superioridade à carbamazepina); hiponatremia
Clobazam Início 0,1–0,3 mg/kg/dia; manutenção 0,5–1,5 mg/kg/dia; máx. 30 (40) mg/dia 12/12 h Contínuo Dose por peso: AEP 2022 (PCDT: máx. 40 mg/dia); adjuvante; tolerância
Topiramato Adjuvante > 2 anos: 1–3 mg/kg/dia, +1–3/semana, máx. 5–9 mg/kg/dia (até 400 mg/dia) 12/12 h Contínuo PCDT; cálculo renal, perda de peso, teratogênico

Valproato em meninas (Anvisa 2018, com a EMA; PCDT): não prescrever salvo sem alternativa adequada — a exposição na gestação causa malformações em cerca de 10% e distúrbios do neurodesenvolvimento em até 30–40%. Se indispensável (Dravet, Lennox-Gastaut): especialista na menarca, depois reavaliação anual e programa de prevenção da gravidez (teste, contracepção eficaz, formulário de riscos); na idade fértil, dose mínima, se possível ≤ 500–600 mg/dia (PCDT). A MHRA (2024) exige dois especialistas para iniciar valproato abaixo de 55 anos em ambos os sexos e contracepção a meninos e homens até 3 meses após; a carta da Anvisa não traz essas medidas.

Exames e interações:

  • Anuais (PCDT): hemograma, plaquetas, TGO/TGP, sódio, potássio, lipídios, vitamina D, TSH e T4 livre; nível sérico se má adesão, intoxicação ou politerapia (valproato 50–100 µg/mL).
  • Indutores (carbamazepina, fenitoína, fenobarbital) reduzem até 50% o anticoncepcional oral (PCDT).
  • Valproato eleva a lamotrigina (PCDT); canabidiol eleva clobazam e, com valproato, transaminases (SBP 2019); claritromicina eleva a carbamazepina e carbapenêmicos reduzem o valproato (bula).

Retirada: após pelo menos 2 anos sem crises (PCDT; AEP: 2–4 anos), pelo neuropediatra.

Epilepsia refratária: falha de dois fármacos tolerados, bem escolhidos e em dose adequada (ILAE; PCDT; AEP); com um terceiro, o controle cai a cerca de 3% (AEP). Rever adesão, dose e diagnóstico (20–30% dos encaminhados não têm epilepsia — PCDT) e encaminhar a centro terciário: cirurgia, dieta cetogênica, estimulação vagal.

Dieta cetogênica (PCDT; NICE; AEP): só com equipe especializada; escolha na deficiência de GLUT-1 e de piruvato desidrogenase; eficaz em espasmos, Dravet, Lennox-Gastaut e refratária; avaliar em 3,5 meses e, se reduzir > 50% das crises, manter 2–3 anos (PCDT). A dieta de Atkins modificada (Johns Hopkins) é mais simples para adolescentes (Kossoff, 2023).

Canabidiol (AEP 2022: 2,5–5 mg/kg/dia, até 10–20 mg/kg/dia, só pelo especialista): a evidência está nas síndromes de Dravet e Lennox-Gastaut (SBP 2019; NICE: com clobazam, acima de 2 anos, após outras opções). A Conitec recomendou não incorporar o canabidiol ao SUS para epilepsia refratária de crianças e adolescentes (Portaria SCTIE/MS nº 25/2021). Os produtos de Cannabis da RDC 327/2019 da Anvisa não são medicamentos registrados e só podem ser prescritos quando esgotadas outras opções, com termo de consentimento e receita B (THC ≤ 0,2%).

Segurança (NICE; AAP; SBP):

  • Água: chuveiro em vez de banheira; natação só com supervisão direta.
  • Altura: não subir acima da própria altura sem supervisão; capacete na bicicleta.
  • Sono regular; evitar álcool.
  • Direção: só com crises controladas, liberação do neurologista e avaliação do Detran.
  • Plano escrito para a escola (AAP); risco pequeno de morte súbita (SUDEP) reforça a adesão (NICE).

Resgate domiciliar (padrão do site): crise ≥ 5 minutos, dose por escrito e família treinada — midazolam intranasal 0,2 mg/kg, bucal 0,3 mg/kg ou IM 0,2 mg/kg (máx. 10 mg), ou diazepam retal 0,5 mg/kg (máx. 10 mg); se não cessar, SAMU (192). Atualizar pelo peso.

5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar

  • Crise ≥ 5 minutos (mesmo que ceda com o resgate) ou crises seguidas sem recuperação da consciência.
  • Não recuperação, déficit focal novo, trauma, confusão persistente (estado de mal não convulsivo); vômitos que impedem as doses.
  • Reação cutânea grave (febre, exantema, mucosas, bolhas) com lamotrigina, carbamazepina, oxcarbazepina ou fenitoína.
  • Com valproato: vômitos, dor abdominal, icterícia, sonolência (hepatotoxicidade, pancreatite, hiperamonemia).
  • Espasmos infantis ou regressão sem acesso rápido ao neuropediatra.

Como encaminhar: posição lateral; oxigênio para SpO2 ≥ 94%; glicemia capilar; crise ≥ 5 min: benzodiazepínico no consultório, com bolsa-valva-máscara à mão; SAMU (192); relatório com fármacos, doses e horários. No hospital: Protocolo de Estado de Mal Convulsivo.

6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família

  • "Dê o remédio todos os dias; nunca pare nem troque por conta própria."
  • Na crise: cronometrar, deitar de lado, nada na boca, filmar; resgate se passar de 5 minutos e SAMU (192).
  • Pronto-socorro se: crise que não para, crises seguidas, não acorda bem, fraqueza de um lado, manchas com febre, pele amarelada com valproato.
  • Levar diário de crises e lista de remédios.

7.Comparação com as referências

Item SBP Ministério da Saúde AAP NICE AEP Johns Hopkins Harvard Oxford / Cambridge
Diagnóstico Clínico; duas crises > 24 h; EEG classifica ILAE 2014; EEG não obrigatório Diagnóstico preciso e plano ECG; EEG não exclui ILAE Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE
Focal e ausência Sem documento de escolha Carbamazepina; etossuximida ou valproato Monoterapia Lamotrigina ou levetiracetam; etossuximida Oxcarbazepina, lamotrigina, levetiracetam, carbamazepina; valproato, etossuximida Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE
Valproato em meninas — Evitar na idade fértil — Só se alternativas falharem Limitar na adolescência Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada MHRA: dois especialistas
Refratária Cirurgia, dieta, estimulação vagal Dois fármacos; centro terciário ~30% refratários Centro terciário em 4 semanas Dois fármacos Atkins modificada Sem posição específica localizada Segue o NICE
Canabidiol Evidência nas epilepsias graves Não incorporado (2021) Sem posição específica localizada Com clobazam, Dravet e Lennox-Gastaut 2ª opção nessas síndromes Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE

Leitura: há convergência na definição ILAE, no diagnóstico clínico, no EEG que não exclui, na monoterapia, nos fármacos que agravam ausências e mioclonias e na refratariedade após dois fármacos. Divergem na primeira escolha nas crises focais (PCDT: carbamazepina; NICE: lamotrigina ou levetiracetam; AEP: oxcarbazepina, lamotrigina, levetiracetam ou carbamazepina), na mioclônica juvenil em meninas (PCDT: lamotrigina; NICE: levetiracetam; AEP contraindica a lamotrigina na EMJ) e no valproato, que todos restringem em meninas, mas o Reino Unido estendeu medidas aos meninos (MHRA 2024). Sem documento da SBP sobre a escolha do fármaco, o site segue o Ministério da Saúde (PCDT) — carbamazepina nas focais e lamotrigina na EMJ em meninas —, com as restrições da Anvisa; doses por peso ausentes no PCDT vêm da AEP 2022; nas crises tônico-clônicas em meninas, sem posição da SBP nem do PCDT, segue o NICE. Adota a SBP na definição, no diagnóstico, na refratária e no canabidiol.

Pontos práticos
  1. Epilepsia = duas crises não provocadas com mais de 24 h, uma crise com alto risco ou uma síndrome; EEG normal não exclui.
  2. Carbamazepina, oxcarbazepina e fenitoína agravam ausências e mioclonias: não use às cegas.
  3. Valproato em menina só sem alternativa, com prevenção da gravidez e reavaliação anual desde a menarca.
  4. Lamotrigina exige titulação lenta, sobretudo com valproato; febre com exantema = suspender e pronto-socorro.
  5. Dois fármacos falharam: revise adesão e diagnóstico e encaminhe a centro de epilepsia.
  6. Toda criança com epilepsia sai com plano de resgate escrito e orientação sobre água e altura.

Veja também, nesta Biblioteca: Convulsão febril e primeira crise epiléptica, TDAH e Distúrbios do sono na infância (Patologias do consultório); Protocolo de Estado de Mal Convulsivo e Síncope na Criança e no Adolescente (Urgências); QT longo, canalopatias e prevenção da morte súbita (Cardiologia pediátrica).

8.Fontes

  • SBP, Departamento de Neurologia. Epilepsia (Pediatria para Famílias), 2023. sbp.com.br
  • SBP. Indicações para uso da Cannabis em pacientes pediátricos (Documento Científico nº 3), 2019. PDF
  • Ministério da Saúde. PCDT da Epilepsia (Portaria Conjunta nº 17/2018; anexo alterado em 05/05/2026). gov.br
  • Conitec. Canabidiol na epilepsia refratária (Relatório nº 621), 2021. PDF
  • Anvisa. RDC nº 327/2019 — produtos de Cannabis. PDF
  • Anvisa. Carta aos profissionais — valproato, 2018. gov.br
  • AAP. Managing Pediatric Epilepsy. aap.org
  • NICE. NG217 — Epilepsies in children, young people and adults, 2022. PDF
  • MHRA. Drug Safety Update — valproate, 2024. PDF
  • AEP. Alarcón Martínez H et al. Tratamientos anticrisis epilépticas, 2022. PDF
  • Manokaran RK et al. ILAE 2022 childhood epilepsy syndromes. Indian Pediatr, 2024. PDF
  • Beniczky S et al. 2025 ILAE seizure classification. Epileptic Disord, 2026. PDF
  • Johns Hopkins. Kossoff EH. The Modified Atkins Diet for epilepsy, 2023. pure.johnshopkins.edu
  • Dr. José Roberto Stefani. Convulsão febril e primeira crise epiléptica; Protocolo de Estado de Mal Convulsivo — Biblioteca, 2026.