Ortopedia pediátrica · Coluna, pés e alinhamento

Pé torto congênito, pé plano e outras alterações dos pés na criança

Variação normal, deformidade estrutural e sinal de doença neurológica nos pés, do recém-nascido ao adolescente

Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF

Em resumo

A pergunta central é flexível ou rígido. O pé torto congênito (rígido, não redutível) é estrutural: encaminhar com prioridade ao ortopedista pediátrico já no nascimento para o método de Ponseti (gessos semanais, tenotomia e órtese por anos); a anomalia é registrada na DNV, de notificação obrigatória (compulsória) (Portaria GM/MS nº 10.175/2026). O metatarso aduto flexível e o pé calcaneovalgo postural corrigem sozinhos (o aduto que persiste após 6 meses vai ao ortopedista pediátrico — AAP); os diferenciais rígidos (metatarso varo e tálus vertical) vão ao ortopedista com prioridade. O pé plano flexível é normal na infância e não se trata: palmilhas e sapatos ortopédicos não mudam a evolução. Pé plano rígido ou doloroso (coalizão tarsal) e pé cavo (pensar em Charcot-Marie-Tooth e em doença medular) são encaminhados. A doença de Sever é tratada em casa, com ajuste de carga. Na marcha na ponta dos pés, a forma idiopática é diagnóstico de exclusão: examinar o neurológico e rastrear TEA. Febre com dor no pé, recusa de apoio ou dedos frios ou roxos no gesso: pronto-socorro (🔴).

1.O que é e como se apresenta

Recém-nascido — posicional × estrutural (MS 2014; MS 2022):

Alteração Como se apresenta Flexibilidade Evolução
Pé torto congênito (Q66.0) Equino, varo do retropé, aduto e supinação do antepé, cavo; prega medial, panturrilha fina Rígido, não corrige com manobra delicada Ponseti
Metatarso aduto (postural) Antepé desviado para dentro, borda lateral em "feijão", calcanhar normal Flexível 85–90% corrigem no 1º ano (Pediatría Integral 2024)
Metatarso varo (Q66.2) Simula o aduto Rígido Manipulação e gesso
Pé calcaneovalgo (postural) Dorso do pé encostado na perna, eversão Flexível Correção espontânea; até 50% dos RN têm algum grau (Pediatría Integral 2024)
Tálus vertical congênito Simula o calcaneovalgo; planta convexa, retropé em equino Rígido Grave; tratamento precoce

Pé torto congênito: cerca de 1 em cada 1.000 nascidos vivos (AAOS), mais comum em meninos. É idiopático na maioria; pode ser neurogênico (mielomeningocele) ou sindrômico (artrogripose, trissomias e outras síndromes) — formas mais resistentes ao tratamento (AAOS).

Criança que anda:

  • Pé plano flexível: o arco longitudinal medial se forma ao longo da infância (dos 2 aos 6 anos ou mais — SBOP; até cerca de 10 anos — POSNA). Presente em cerca de 45% dos pré-escolares (AAFP 2017). Associa-se a hipermobilidade, obesidade e tendão calcâneo curto.
  • Pé plano rígido: o arco não aparece na ponta dos pés e a mobilidade subtalar é limitada. No pré-adolescente e no adolescente, a causa típica é a coalizão tarsal (ponte entre ossos do tarso), com dor, entorses de repetição e espasmo dos fibulares; também tálus vertical e doença neuromuscular.
  • Pé cavo: arco alto, retropé varo, dedos em garra; surge progressivamente na idade escolar. No cavo acentuado, cerca de 70% têm causa neurológica, sobretudo Charcot-Marie-Tooth; cavo unilateral, de início recente, sugere doença medular (medula presa, tumor, siringomielia) (AAPM&R, PM&R KnowledgeNow).
  • Doença de Sever (apofisite do calcâneo): dor no calcanhar com a atividade em criança ativa de 8 a 12 anos (séries de 7 a 16 anos — Nweke, 2025), com dor à compressão lateral do calcâneo; causa mais comum de dor no calcanhar nessa idade, autolimitada.
  • Marcha na ponta dos pés: frequente no início da marcha. A idiopática é bilateral, começa com a marcha, a criança apoia o calcanhar quando pedido e o exame neurológico é normal; cerca de 80% param até os 10 anos (POSNA, em "Variações normais dos membros inferiores"). Pesquisar sinais de TEA, como em "Variações normais dos membros inferiores".

2.Classificação de gravidade

Gravidade Critérios clínicos Conduta
🟢 Leve Metatarso aduto flexível; calcaneovalgo postural que corrige; pé plano flexível assintomático; marcha na ponta dos pés com calcanhar que apoia, dorsiflexão e neurológico normais; Sever típico Seguimento pelo pediatra; orientar; sem palmilha, bota ou sapato ortopédico
🟡 Moderada Pé torto congênito; metatarso aduto rígido ou que persiste após 6 meses (AAP; SBP e MS não fixam idade; a AAFP 2017 e a Pediatría Integral 2024 esperam a resolução até 1 ano); suspeita de tálus vertical (com prioridade); pé plano rígido ou doloroso, entorses de repetição; pé cavo; marcha na ponta dos pés unilateral, persistente após 3 anos, com tendão curto (dorsiflexão < 90°), sinal neurológico, atraso motor ou sinais de TEA; Sever que não melhora Encaminhar ao ortopedista pediátrico — com prioridade no pé torto (desde a maternidade), no tálus vertical e no cavo unilateral progressivo; neuropediatra se sinal neurológico; rastreio de TEA
🔴 Grave Dor no pé com febre (axilar ≥ 37,5 °C), calor, edema, recusa de apoio (osteomielite do calcâneo, artrite séptica); trauma com deformidade; criança em gesso de Ponseti com dedos frios, roxos ou inchados, gesso escorregado ou ferida; pé cavo ou fraqueza de instalação aguda com dor lombar, alteração da marcha ou da micção e evacuação (compressão medular) Pronto-socorro; seguir "Osteomielite e artrite séptica" e "A criança que manca"

Fatores que elevam a gravidade

  • Pé torto com outras anomalias, artrogripose, mielomeningocele ou síndrome (mais gessos e cirurgias).
  • Assimetria, rigidez, dor ou progressão; história familiar de pé cavo ou Charcot-Marie-Tooth; quedas e entorses de repetição.
  • Prematuridade, atraso motor, perda de habilidades, sinais de TEA; lesão cutânea lombossacra (disrafismo oculto).

3.Diagnóstico no consultório

O diagnóstico é clínico, com a criança despida até a roupa íntima:

  1. Recém-nascido: tentar a correção com manobra delicada — o pé posicional reduz, o pé torto não (MS 2022). Examinar quadril (o calcaneovalgo indica ultrassom de quadril pelo MS — ver "Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ)"), coluna e demais articulações (artrogripose).
  2. Metatarso aduto: a linha que divide o calcanhar ao meio passa normalmente entre o 2º e o 3º dedos; quanto mais lateral, maior o aduto (AAFP 2017). Ver se o antepé chega ao neutro.
  3. Pé plano: arco na ponta dos pés e teste de Jack (estender o hálux faz surgir o arco); calcanhar de valgo a varo na ponta dos pés; dorsiflexão com joelho estendido; hipermobilidade e peso.
  4. Pé cavo: retropé varo, dedos em garra, calosidades, teste do bloco de Coleman; exame neurológico (força distal, reflexo aquileu, sensibilidade, atrofia de panturrilha e mãos), coluna e história familiar.
  5. Calcanhar: dor à compressão lateral do calcâneo ligada ao esporte. Dor em repouso, à noite, unilateral com edema ou febre não é Sever.
  6. Ponta dos pés: apoio do calcanhar, dorsiflexão, tônus, reflexos, clônus, Gowers, marcos motores, linguagem e interação (rastreio de TEA).

Quando pedir exames

  • Variações fisiológicas e Sever típico: nenhum exame; radiografia "para ver os ossos" não está indicada (AAFP 2017).
  • Pé plano rígido ou doloroso: radiografia dos pés com carga; tomografia ou ressonância ficam com o ortopedista (Pediatría Integral 2024).
  • Pé cavo: o especialista indica eletroneuromiografia, teste genético e ressonância da coluna se unilateral ou com sinal neurológico (AAPM&R).
  • Marcha na ponta dos pés com sinais neurológicos: CPK no menino com fraqueza proximal ou sinal de Gowers (Duchenne), como em "Variações normais dos membros inferiores"; avaliação neurológica.
  • Dor com sinais de alerta: hemograma, VHS, PCR e radiografia, conforme "Dor em membros (dor de crescimento e sinais de alerta)".

Diagnóstico diferencial que não pode passar

  • Pé torto tratado como posicional; tálus vertical tomado por calcaneovalgo; metatarso varo por aduto flexível.
  • Coalizão tarsal no adolescente com "entorses de repetição".
  • Charcot-Marie-Tooth, disrafismo oculto, tumor medular, paralisia cerebral leve e distrofia muscular por trás de pé cavo ou marcha na ponta dos pés.
  • TEA na criança que anda na ponta dos pés com atraso de linguagem ou de interação.
  • Osteomielite do calcâneo, artrite (AIJ, entesite), fratura e tumor na dor do calcanhar.

4.Tratamento e seguimento

O que o pediatra faz

  • Pé torto congênito: reconhecer ao nascer, encaminhar com prioridade ao ortopedista pediátrico com experiência em Ponseti, descrever a anomalia na DNV (notificação obrigatória (compulsória); Portaria GM/MS nº 10.175/2026; ver "Deformidades Posicionais e Estruturais do RN"), examinar quadril e coluna e reforçar a adesão à órtese, principal proteção contra recidiva.
  • Metatarso aduto flexível e calcaneovalgo postural: tranquilizar; ensinar alongamentos e manipulações suaves nos casos mais acentuados (MS 2014); reavaliar nas consultas.
  • Pé plano flexível: não tratar. Estimular andar descalço em local seguro e atividade física, controlar o peso, alongar o tríceps sural se o tendão for curto. Na dor do arco, palmilha macia pode aliviar (POSNA, em "Variações normais dos membros inferiores"; Pediatría Integral 2024), sem mudar a forma do pé.
  • Doença de Sever: repouso relativo e ajuste da carga sem afastar do esporte de forma definitiva, gelo após a atividade, alongamento do tríceps sural, calcanheira, calçado com amortecimento; analgésico nas crises. Com fisioterapia, o retorno ao esporte ocorreu em até 2 meses (Nweke, 2025).
  • Ponta dos pés idiopática: orientar e alongar; o encurtamento vai ao especialista.

O que é do especialista

  • Método de Ponseti: manipulação e gesso inguinopodálico trocado semanalmente, em geral 5 a 8 gessos (Boston Children's; 6 a 8 semanas na AAOS), com correção em torno de 3 meses (MS 2014); tenotomia percutânea do tendão calcâneo em cerca de 90–95% (AAOS; Boston Children's), com gesso por mais 3 semanas; depois, órtese de abdução (botas com barra) 23 horas por dia por cerca de 3 meses e, a seguir, à noite e nas sonecas até 4 anos ou mais (AAOS: 3–4 anos no mínimo; Boston Children's: até 4 anos).
  • Metatarso varo: gessos seriados ou calçado corretivo antes da marcha (AAFP 2017). Tálus vertical: gessos em sentido inverso (Dobbs) e cirurgia (Pediatría Integral 2024). Coalizão: imobilização; ressecção se a dor persistir. Cavo: investigação neurológica, órteses e, no progressivo, cirurgia. Ponta dos pés com encurtamento: gessos seriados, órteses, toxina botulínica ou alongamento cirúrgico.

Calçados: o calçado é proteção, não tratamento. Flexível, leve, do tamanho certo, com sola que não escorregue; desnecessário antes da marcha; andar descalço em local seguro é estimulado (SBOP). Botas rígidas, sapatos ortopédicos, palmilhas, cunhas não formam o arco nem corrigem o alinhamento (AAFP 2017; SBOP; HealthyChildren/AAP 2023; Pediatría Integral 2024); botas rígidas podem causar atrofia muscular (SBOP).

Analgesia (apenas na dor — Sever, coalizão, pé plano doloroso):

Medicamento Dose Intervalo Duração Observação e referência
Paracetamol 10–15 mg/kg/dose 4–6 h (máx. 5 doses/dia) Nas crises; não mais de 48–72 h sem reavaliação Máx. 75 mg/kg/dia; teto por dose da apresentação (bulas: gotas 200 mg/mL máx. 35 gotas, suspensão 32 mg/mL máx. 15 mL e 100 mg/mL máx. 2,5 mL abaixo de 12 anos; comprimidos só a partir de 12 anos; nunca > 1 g/dose); nunca > 4 g/dia (padrão do site; bula)
Ibuprofeno 5–10 mg/kg/dose 6–8 h Nas crises A partir de 6 meses; evitar em desidratação, suspeita de dengue e varicela (padrão do site; bula)
Dipirona 15 mg/kg/dose 6 h (máx. 4 doses/dia) Nas crises Não usar < 3 meses ou < 5 kg (padrão do site; bula)
  • Paracetamol — efeito cumulativo: uso repetido por 48–72 h, no limite da dose, em criança desidratada, desnutrida, em jejum ou somando produtos com paracetamol aumenta o risco de hepatotoxicidade. Não alternar analgésicos; dor que exige analgesia contínua não é Sever típico.
  • Não usar: palmilha ou sapato ortopédico no pé plano flexível assintomático, botas rígidas, radiografia de rotina.

5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar

Nenhuma alteração estrutural do pé, isolada, exige pronto-socorro. Urgência se houver:

  • Dor no pé com febre (axilar ≥ 37,5 °C), calor, edema ou recusa de apoio (osteomielite, artrite séptica).
  • Trauma com deformidade ou sem conseguir apoiar.
  • Gesso de Ponseti com dedos frios, pálidos ou roxos, edema, choro inconsolável, gesso escorregado, mau cheiro ou ferida.
  • Fraqueza, alteração da marcha ou do controle urinário e fecal agudos (compressão medular).

Como encaminhar

  1. Analgesia conforme a tabela; tala provisória no trauma.
  2. Gesso com sinal de compressão: elevar o membro e levar ao serviço que aplicou o gesso ou ao pronto-socorro com ortopedia; não cortar o gesso em casa.
  3. Suspeita de infecção: sem antibiótico oral antes da avaliação e das culturas ("Osteomielite e artrite séptica na criança").
  4. Sinais neurológicos agudos: pronto-socorro com neurocirurgia; SAMU (192) se piora rápida; se houver oxigênio, manter SpO2 entre 94% e 98% (padrão do site).
  5. Relatório: início, lado, febre, trauma, tratamento em curso e exames.

6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família

  • "O pé torto tem tratamento muito eficaz: gessos semanais, um pequeno procedimento no tendão e a órtese com barra. A órtese é a parte mais importante para o pé não voltar a entortar."
  • "Pé chato que forma a curvinha na ponta dos pés é normal. Palmilha e sapato ortopédico não fazem o arco aparecer; deixe andar descalço em lugar seguro."
  • "Pé do bebê virado para dentro, que endireita quando você mexe, costuma corrigir sozinho no primeiro ano."
  • Voltar antes da consulta de rotina se: o pé ficar duro, doer, piorar ou ficar diferente do outro, a criança torcer o pé com frequência, cair muito, não apoiar o calcanhar ou perder força.
  • Pronto-socorro se: febre com dor ou inchaço no pé, recusa de pisar, trauma com deformidade, dedos frios ou roxos no gesso.

7.Comparação com as referências

Item SBP Ministério da Saúde AAP NICE AEP Johns Hopkins Harvard Oxford / Cambridge
Documento (versão/data) Sem documento específico localizado Atenção ao RN v. 3, 2014; Guia de anomalias, 2022; Portaria 10.175, 23/01/2026 HealthyChildren: Clubfoot e Pigeon toes, 25/01/2022; Flat feet, 14/03/2023 Sem diretriz localizada Pediatría Integral (SEPEAP), 06/2024 Sem posição específica localizada Boston Children's, Clubfoot (10/2026) Segue o NICE
Pé torto congênito — Rígido; gesso semanal precoce; notificar na DNV Ponseti com 1–3 semanas; 5–7 gessos; tenotomia 90%; órtese até 4–5 anos — Ponseti, tenotomia, órtese; sucesso > 90% — 5–8 gessos; tenotomia 95%; órtese até 4 anos Segue o NICE
Aduto e calcaneovalgo — Posturais: observar; varo e tálus vertical: tratar Aduto resolve até 1 ano; rígido ou > 6 meses: ortopedista, gessos — Aduto corrige em 85–90% no 1º ano — — Segue o NICE
Pé plano — (SBOP: sem bota nem palmilha) — Flexível sem tratamento; palmilha não forma arco; rígido ao ortopedista — Palmilha só no sintomático; rígido: imagem; cavo: causa neurológica — — Segue o NICE
Ponta dos pés — — — — — — — Segue o NICE

"—" = sem posição específica localizada.

Leitura: as referências que se posicionam convergem: a rigidez separa o pé posicional (observar) do estrutural (tratar); o pé torto é tratado pelo Ponseti, iniciado cedo e mantido com órtese por anos (MS 2014; AAP 2022; Pediatría Integral 2024; Boston Children's; AAOS); e palmilhas e sapatos ortopédicos não mudam a evolução do pé plano flexível (AAP 2023; Pediatría Integral 2024; SBOP). Divergem em detalhes: número de gessos (5–7 na AAP; 5–8 em Boston), duração da órtese noturna (até 4–5 anos na AAP; 3–4 anos no mínimo na AAOS; até 4 em Boston), encaminhamento do metatarso aduto (o site segue a AAP — persistente após 6 meses —, pois SBP e MS não fixam idade; a AAFP 2017 e a Pediatría Integral 2024 esperam a resolução até 1 ano) e palmilha no pé plano sintomático (alívio aceito pela AEP; a AAP alerta que pode trazer mais problemas que o próprio pé plano). SBP e NICE não têm documento sobre o tema; Johns Hopkins, Oxford e Cambridge não puderam ser abertos. Posição adotada pelo site: sem posição da SBP, a do Ministério da Saúde no recém-nascido (rigidez, tratamento precoce do pé torto, do metatarso varo e do tálus vertical, notificação na DNV); no pé plano, no calçado e na criança que anda, a da AAP (HealthyChildren 2022–2023), concordante com a SBOP; a AAFP (American Academy of Family Physicians, que não é a AAP) é só apoio.

Pontos práticos
  1. Flexível ou rígido: a manobra delicada no RN separa o pé posicional do estrutural.
  2. Pé torto: encaminhar com prioridade para o Ponseti, descrever na DNV (notificação obrigatória (compulsória)), examinar quadril e coluna.
  3. A órtese com barra é o que evita a recidiva: reforçar a adesão em toda consulta.
  4. Pé plano que forma arco na ponta dos pés é normal: não prescrever palmilha, bota ou sapato ortopédico.
  5. Pé plano rígido ou doloroso pensa em coalizão; pé cavo pensa em Charcot-Marie-Tooth e em medula — exame neurológico e história familiar.
  6. Marcha na ponta dos pés: calcanhar que apoia, dorsiflexão, neurológico e rastreio de TEA; CPK no menino com Gowers.

Veja também: Deformidades Posicionais e Estruturais do RN e Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ) (Neonatologia); Variações normais dos membros inferiores, A criança que manca (claudicação aguda) e Dor em membros (dor de crescimento e sinais de alerta); Osteomielite e artrite séptica na criança; Paralisia cerebral; Doenças neuromusculares — AME e Duchenne; Obesidade e risco cardiometabólico.

8.Fontes

  • Ministério da Saúde. Atenção à saúde do recém-nascido, v. 3, 2ª ed., 2014 (cap. 30, Problemas ortopédicos). PDF
  • Ministério da Saúde. Guia prático — diagnóstico de anomalias congênitas no pré-natal e ao nascimento, 2022. PDF
  • Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 10.175, de 23/01/2026 (anomalias congênitas na Lista Nacional de Notificação Compulsória). bvsms.saude.gov.br
  • AAP (HealthyChildren.org). Flat feet and fallen arches: when is treatment needed?, atualizada em 14/03/2023. healthychildren.org
  • AAP (HealthyChildren.org). Clubfoot: diagnosis and treatment in babies, 25/01/2022 healthychildren.org; Pigeon toes (intoeing), 25/01/2022 healthychildren.org
  • Fonte de apoio (AAFP, não é a AAP): Rerucha CM et al. Lower extremity abnormalities in children. American Family Physician, 2017. aafp.org
  • Garlito Díaz H et al. Pie plano y otras alteraciones del pie. Pediatría Integral (SEPEAP), 2024. pediatriaintegral.es
  • Boston Children's Hospital. Clubfoot (acesso em 10/2026). childrenshospital.org
  • AAOS (OrthoInfo). Clubfoot. orthoinfo.org
  • AAPM&R. Pes cavus. PM&R KnowledgeNow. now.aapmr.org
  • Nweke TC et al. Conservative management of Sever's disease. Cureus, 2025. pmc.ncbi.nlm.nih.gov