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Pais e cuidadores · Orientações por idade

Guia da adolescente — para meninas e suas famílias

Corpo, menstruação, emoções, relacionamentos e saúde, dos 10 aos 18 anos

Conteúdo informativo, em linguagem acessível, para orientar o cuidado da sua saúde. Não substitui a consulta nem a orientação do seu pediatra.

Este guia foi escrito para você, menina de 10 a 18 anos. No fim há uma parte para os seus pais. Leia no seu tempo e leve suas dúvidas para a consulta. Versão de outubro de 2026.

1. O corpo que muda: puberdade, mamas e menarca

A puberdade é o conjunto de mudanças que transforma o corpo de criança em corpo adulto. Cada menina tem o seu ritmo, e está tudo bem.

Caroço na mama nessa idade quase sempre é benigno (o mais comum é o fibroadenoma). Mamografia não é feita em adolescentes, e você não precisa fazer autoexame todo mês. Mostre ao pediatra se notar um caroço; volte logo se ele crescer rápido, se a pele ficar repuxada, se sair sangue ou leite do mamilo.

Converse com o pediatra se: não tiver mamas aos 13 anos; não menstruar até os 15 anos ou até 3 anos depois do início das mamas; a puberdade começar e parar; você parar de crescer.

2. O ciclo menstrual: o que é normal

Conte o ciclo do primeiro dia de uma menstruação até o primeiro dia da seguinte. Na adolescente, é normal:

Anote num calendário ou aplicativo o primeiro dia e quantos absorventes usa. Isso ajuda muito na consulta. Absorvente, coletor ou calcinha absorvente: escolha o que for mais confortável e troque com frequência.

Ciclo irregular no começo é normal. Menstruação muito forte, nunca. Procure o pediatra se:

Ficar sem menstruar não é normal, nem no esporte. E mesmo com ciclo irregular, é possível engravidar.

3. Cólica: o que ajuda e quando não é normal

A cólica costuma começar 6 a 12 meses depois da primeira menstruação. Tem tratamento, e você não precisa aguentar calada.

Volte ao pediatra se a dor existe desde a primeira menstruação e piora a cada mês, aparece fora da menstruação, vem com dor para fazer cocô ou xixi, ou faz você faltar à escola todo mês apesar do remédio. Pode ser endometriose, que tem tratamento.

Pronto-socorro: dor forte e repentina no pé da barriga, que vai e volta ou vem com vômitos (pode ser torção do ovário — o tempo conta, não espere passar); dor com febre; desmaio; dor ou sangramento com a menstruação atrasada.

4. Higiene íntima e corrimento

Corrimento normal: branco ou transparente, sem cheiro forte e sem coceira. Muda de quantidade ao longo do ciclo.

Pode ser infecção: corrimento com mau cheiro, coceira, ardor, cor amarelada ou esverdeada, ou com sangue. Marque consulta com o pediatra ou o ginecologista, com conversa reservada. Não use pomadas por conta própria. Quem tem vida sexual pode precisar tratar também a parceria.

5. Espinhas

A acne aparece na maioria dos adolescentes. Não é falta de higiene, e merece tratamento cedo para evitar manchas e cicatrizes.

Se a acne mexe com sua autoestima, fale disso na consulta. O sofrimento conta.

6. Sono e telas

Você precisa de 8 a 10 horas de sono por noite. Na puberdade, o relógio do corpo atrasa 1 a 2 horas: dormir tarde não é preguiça. Mas acordar cedo para a escola com pouco sono pesa no humor, nas notas e na saúde.

7. Alimentação e imagem corporal

Sinais de transtorno alimentar (podem acontecer em qualquer peso): perder peso sem querer ou por dieta muito rígida; medo intenso de engordar; ficar sem menstruar; exercício em excesso; provocar vômito; usar laxante, diurético ou remédio para emagrecer; comer muito escondido, com culpa. Isso é doença, não falta de força de vontade, e tem tratamento. Conte a alguém de confiança e ao pediatra.

8. Atividade física e esporte

9. Emoções, ansiedade e tristeza

Oscilar de humor faz parte. Mas ansiedade e depressão são doenças reais e tratáveis, não frescura. Às vezes aparecem como irritação, dores frequentes, vontade de ficar isolada ou de não ir à escola.

10. Álcool, cigarro eletrônico e drogas

Quer parar ou está preocupada? O pediatra conversa com você a sós e ajuda, sem julgamento.

11. Relacionamentos, consentimento e violência

Se alguém forçou você: a culpa não é sua. Procure um serviço de saúde no mesmo dia. Os remédios que previnem gravidez e infecções funcionam melhor quanto antes (a prevenção do HIV, até 72 horas). Você é atendida sem precisar de boletim de ocorrência. Se possível, não tome banho e guarde a roupa.

Onde pedir ajuda: Disque 100 (violência contra crianças e adolescentes), Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher), Conselho Tutelar e, em perigo agora, 190.

12. Sexualidade e prevenção da gravidez e das IST

Sexualidade faz parte da vida. Sua orientação sexual não é doença e merece respeito. Começar ou não a vida sexual é uma decisão sua, no seu tempo, sem pressão.

Todos os remédios e métodos são indicados pelo médico. Converse com seu pediatra para escolher o melhor para você.

13. Seus direitos na consulta

14. Vacinas da adolescência

Leve a caderneta em toda consulta. As principais são:

15. Semáforo: quando procurar ajuda

CorO que você observaO que fazer
🟢 Cuidar em casaCiclo irregular nos primeiros anos, sem fluxo forte; cólica que melhora com bolsa morna e remédio; mamas de tamanhos diferentes; corrimento branco sem cheiro; algumas espinhas; dúvidas sobre o corpoCuidados deste guia, calendário menstrual e consulta anual
🟡 Procure o pediatra (em dias)3 meses ou mais sem menstruar; menstruação por mais de 7 dias ou troca a cada 1–2 horas; cólica que faz faltar à escola; corrimento com cheiro, coceira ou cor estranha; caroço na mama; menstruação atrasada; dietas muito rígidas ou vômitos provocados; tristeza ou ansiedade por 2 semanas ou maisMarque consulta; leve o calendário e suas anotações
🔴 Pronto-socorro agora (ou SAMU 192)Sangramento que encharca um absorvente a cada hora ou com tontura, desmaio ou coração acelerado; dor forte de barriga com vômitos; dor com febre; dor ou sangramento com teste de gravidez positivo; não conseguir urinar; mama vermelha e quente com febre alta; relação forçada; pensar em se matar com plano ou ter tentado; intoxicaçãoVá agora, acompanhada. CVV 188 para apoio emocional
Para os pais
  • Prepare sua filha antes da menarca: explique o que vai acontecer e deixe absorventes à mão.
  • Respeite o momento a sós na consulta. Ele protege sua filha; nada sério fica escondido de vocês quando há risco.
  • Não comente peso ou corpo — de ninguém da casa. Não elogie emagrecimento e evite dietas em casa.
  • Telas fora do quarto à noite, para toda a família. O exemplo conta.
  • Leve a cólica a sério: ela tem tratamento e não deve fazer sua filha perder aula todo mês.
  • Converse sobre consentimento, namoro, álcool e sexualidade sem sermão. Informação protege.
  • Se ela contar uma violência: acredite, acolha, não culpe e procure ajuda no mesmo dia.
  • Confira as vacinas e mantenha a consulta anual com o pediatra.
  • Na dúvida sobre remédios, converse com seu pediatra. Nada de automedicação.
O que dizem as referências

Este guia compara as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), do Ministério da Saúde, da Academia Americana de Pediatria (AAP), do NICE (Reino Unido), da Associação Espanhola de Pediatria (AEP), do Johns Hopkins, de Harvard (Boston Children's), de Oxford e de Cambridge.

Onde concordam:

  • Momento a sós com o pediatra e sigilo, que só é quebrado diante de risco grave, avisando antes (SBP, Ministério da Saúde, AAP, NICE, AEP).
  • Dormir 8 a 10 horas, telas desligadas 1–2 horas antes de dormir; dupla proteção (camisinha e um método eficaz) e vacina HPV.
  • Tristeza que dura 2 semanas ou mais merece ajuda; pensar em morrer com plano é pronto-socorro.
  • Johns Hopkins e Harvard (Boston Children's) seguem a AAP e reforçam o questionário sobre o humor; Oxford e Cambridge seguem o NHS, com atendimento confidencial nas escolas.

Onde há diferenças:

  • Questionários na consulta: a AAP aplica a todos, a partir de 12 anos, questionários sobre humor, risco de suicídio e uso de substâncias; o NICE não usa escalas para prever risco; a SBP faz essas perguntas na conversa a sós, sem questionário obrigatório. Este guia segue a SBP (o pediatra pode usar um questionário como apoio).
  • Atraso da puberdade: a SBP, o Ministério da Saúde e a AEP investigam se não houver sinais de puberdade aos 13 anos na menina e aos 14 no menino; o NHS só fala em atraso aos 15 anos. Este guia segue a SBP.
  • Melatonina: a AEP a admite no adolescente; a AAP, só como exceção por pouco tempo; no Brasil a Anvisa não autoriza o suplemento abaixo de 19 anos. Este guia: só com indicação médica.

Fontes conferidas em outubro de 2026.

16. Fontes

Baseado nos documentos profissionais desta Biblioteca (Medicina do adolescente e Ginecologia infanto-puberal) e nas referências neles citadas.