Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), tratamento em casa e critérios para encaminhar ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais. 📄 Baixar em PDF
A ITU deve ser lembrada em todo lactente com febre sem foco e em toda criança com disúria, polaciúria, dor lombar ou incontinência nova. O diagnóstico exige exame de urina sugestivo e urocultura colhida por método confiável (jato médio; cateterismo ou punção suprapúbica no lactente). O saco coletor só serve para descartar ITU; se alterado, confirmar por método invasivo antes do antibiótico. A via oral é a preferida acima de 2–3 meses e é tão eficaz quanto a parenteral (AAP, SBP): cefalosporinas orais ou amoxicilina-clavulanato, conforme a resistência local. A ITU febril é tratada por 7–10 dias (10 dias na SBP); a cistite, por 3–5 dias. Tratam-se em casa (🟢/🟡) as crianças maiores de 2–3 meses em bom estado, hidratadas e que aceitam a via oral, com reavaliação em 48–72 h. Lactentes < 2–3 meses, toxemia, vômitos persistentes, desidratação, uropatia obstrutiva ou falha em 48–72 h vão ao hospital (🔴); exceção (AAP 2021): de 29 a 60 dias, bem aparente, com marcadores inflamatórios normais, boa aceitação oral e seguimento garantido, admite-se antibiótico oral em casa com reavaliação próxima. A ultrassonografia de rins e vias urinárias é indicada após a primeira ITU febril abaixo de 2 anos; a uretrocistografia miccional é seletiva.
Veja também, nesta Biblioteca: Refluxo Vesicoureteral e ITU em Crianças (Nefrologia e Urologia).
1.O que é e como se apresenta
- Definição: crescimento de uropatógeno único na urina colhida adequadamente, associado a sintomas e a alteração do exame de urina (piúria e/ou bacteriúria). Divide-se em ITU febril/pielonefrite (acometimento do parênquima renal; febre — axilar ≥ 37,5 °C (SBP; NICE/AAP: ≥ 38 °C) —, dor lombar, toxemia) e cistite (sintomas miccionais sem febre).
- Etiologia: Escherichia coli na maioria; Klebsiella, Proteus, Enterococcus e Pseudomonas são mais frequentes em uropatias e após antibiótico ou internação.
- Faixa etária: maior prevalência no primeiro ano de vida (meninos não circuncidados nos primeiros meses) e, depois, em meninas.
- Quadro clínico:
- Lactente: febre sem foco, irritabilidade, recusa alimentar, vômitos, baixo ganho de peso; icterícia prolongada no recém-nascido. A ITU é a causa bacteriana mais frequente de febre sem sinais localizatórios nessa idade (ver Como Conduzir uma Criança com Febre, em Urgências e Emergências).
- Pré-escolar e escolar: disúria, polaciúria, urgência, incontinência diurna ou enurese secundária, dor abdominal ou lombar, urina com odor forte.
- Fatores predisponentes: refluxo vesicoureteral (RVU), uropatias obstrutivas, disfunção vesical e intestinal (constipação, adiamento da micção), fimose com balanopostites, sinéquia de pequenos lábios, cateterismo, bexiga neurogênica.
2.Classificação de gravidade
| Gravidade | Critérios clínicos | Conduta |
|---|---|---|
| 🟢 Leve | Cistite (sem febre) em criança com controle esfincteriano; ou ITU febril em criança > 3 meses com bom estado geral, hidratada, sem vômitos, aceitando via oral e com família capaz de retornar | Urocultura antes do antibiótico; antibiótico oral em casa; revisar com o antibiograma e reavaliar em 48–72 h |
| 🟡 Moderada | ITU febril com febre alta, dor lombar ou vômitos ocasionais; lactente de 2–6 meses em bom estado; uropatia conhecida sem obstrução; ITU recorrente; dúvida sobre adesão | Iniciar via oral (ou 1ª dose de ceftriaxona IM/IV no consultório ou PS e seguir via oral); reavaliação obrigatória em 24–48 h; internar se não tolerar ou piorar |
| 🔴 Grave | Idade < 2–3 meses (exceto 29–60 dias bem aparente com marcadores normais: ver "Quando encaminhar", AAP 2021); aspecto toxêmico ou sinais de sepse; vômitos persistentes ou desidratação; impossibilidade de via oral; suspeita de uropatia obstrutiva, rim único ou RVU grau III–V; imunossupressão; falha clínica após 48–72 h de antibiótico adequado | Encaminhar ao pronto-socorro/hospital para antibiótico parenteral, exames (hemograma, função renal, hemocultura) e ultrassonografia na fase aguda |
Fatores de risco que elevam a gravidade ou a chance de complicação
- Idade < 3 meses, sobretudo o período neonatal.
- Uropatia conhecida (hidronefrose pré-natal, RVU de alto grau, válvula de uretra posterior), rim único, doença renal crônica, bexiga neurogênica.
- ITU febril recorrente; antibiótico nos últimos 30–90 dias ou internação prévia (maior risco de resistência, SBP).
- Imunodeficiência; contexto social que dificulte o retorno.
3.Diagnóstico no consultório
Coleta da urina (o passo mais importante)
- Com controle esfincteriano: jato médio após higiene com água (SBP, NICE, AEP).
- Sem controle esfincteriano:
- Cateterismo vesical ou punção suprapúbica para a urocultura (AAP; SBP; AEP em situações urgentes).
- Clean catch (coleta "no voo"), preferida pelo NICE: a SBP descreve oferecer 25 mL/kg de líquidos e, após cerca de 25 minutos, estimular a micção por percussão suprapúbica ou massagem lombar (útil sobretudo abaixo de 6 meses, AEP).
- Saco coletor: alta taxa de falso-positivos. Serve para triagem em quadro leve, quando a demora não prejudica a criança: se o exame for negativo, afasta ITU; se for positivo, repetir por método confiável antes de iniciar o antibiótico (SBP, AAP, AEP). Nunca tratar com base em urocultura de saco coletor.
Exame de urina e fita reagente
- Sugestivos: esterase leucocitária positiva, nitrito positivo, piúria (> 5–10 leucócitos/campo, SBP) e bacteriúria à bacterioscopia.
- O nitrito positivo é muito específico, mas frequentemente negativo no lactente, que urina com frequência. Fita negativa não exclui ITU no lactente febril.
- Fita isolada é confiável a partir de 2–3 anos (NICE ≥ 3 anos; AEP > 2 anos): com esterase e nitrito negativos, procurar outra causa. Abaixo dessa idade, preferir microscopia e cultura; abaixo de 3 meses, o NICE encaminha sem se basear na fita.
Urocultura — pontos de corte
| Método | SBP (2023) | AAP (2011) | AEP (2024) |
|---|---|---|---|
| Punção suprapúbica | Qualquer contagem | — | Qualquer crescimento |
| Cateterismo vesical | > 50.000 UFC/mL | ≥ 50.000 UFC/mL + piúria (cateterismo ou punção) | ≥ 10.000 UFC/mL |
| Jato médio | > 100.000 UFC/mL | — | ≥ 50.000–100.000 UFC/mL |
O documento da SBP de 2021 aceitava contagem acima de 1.000 UFC/mL por cateterismo; o de 2023 adotou 50.000 UFC/mL.
Outros exames: hemograma e PCR são dispensáveis na criança em bom estado; creatinina se houver uropatia, recorrência ou hipertensão.
Investigação por imagem
- Ultrassonografia de rins e vias urinárias: após a primeira ITU febril em menores de 2 anos (AAP; SBP). O NICE a faz na fase aguda na ITU atípica (sepse, jato fraco, massa, creatinina elevada, falha em 48 h, germe não E. coli) e em até 6 semanas abaixo de 6 meses.
- Uretrocistografia miccional: não rotineira. Indicada se a ultrassonografia mostrar hidronefrose, cicatriz ou sinais de RVU de alto grau ou obstrução, e na recorrência da ITU febril (AAP); o NICE acrescenta germe não E. coli e história familiar de RVU.
- Cintilografia com DMSA: 4–6 meses após a infecção, na ITU atípica ou recorrente (NICE) ou quando houver evidência de acometimento do parênquima (SBP).
- Encaminhar ao nefrologista pediátrico se houver alteração à imagem, ITU febril recorrente, cicatriz renal, hipertensão ou alteração da função renal.
Diagnóstico diferencial que não pode passar
- Vulvovaginite, sinéquia de pequenos lábios, balanopostite, oxiúros (disúria sem ITU).
- Apendicite (disúria e piúria discreta por contiguidade), pneumonia de base, gastroenterite.
- Bacteriúria assintomática (não tratar).
- Abuso sexual em disúria recorrente com corrimento ou lesão genital.
- Uropatia obstrutiva no lactente com jato fraco, massa abdominal ou falha terapêutica.
4.Tratamento em casa
- Colher a urocultura antes da primeira dose e revisar o esquema em 48–72 h pelo antibiograma (descalonar sempre que possível, SBP).
- Via oral é a preferida acima de 2–3 meses (SBP) e é tão eficaz quanto a parenteral (AAP).
- Na ITU febril, não usar nitrofurantoína (nem ácido nalidíxico): não atinge concentração no parênquima renal (SBP, NICE).
- Escolha pela resistência local: a resistência de E. coli a amoxicilina e a sulfametoxazol-trimetoprima costuma ser alta; usá-los apenas com antibiograma favorável.
| Medicamento | Dose | Intervalo | Duração | Observação |
|---|---|---|---|---|
| Cefuroxima axetil | 30 mg/kg/dia (SBP); 20–30 mg/kg/dia (AAP) | 12/12 h | Febril: 7–10 dias | Opção oral para ITU febril na SBP e na AEP |
| Cefalexina | 50 mg/kg/dia (SBP); 50–100 mg/kg/dia (AAP) | 6/6 h ou 8/8 h | Febril: 7–10 dias; cistite: 3–5 dias | Primeira escolha oral do NICE na pielonefrite (doses fixas por idade) |
| Cefaclor | 40 mg/kg/dia (SBP) | 8/8 h | Febril: 7–10 dias | Alternativa oral da SBP |
| Amoxicilina-clavulanato | 20–40 mg/kg/dia de amoxicilina (AAP; SBP 2023) | 8/8 h | Febril: 7–10 dias | Formulação 4:1 (AEP). Na ITU o alvo é E. coli; a regra de dose alta vale para infecções pneumocócicas |
| Cefixima | 8 mg/kg/dia (AAP) | 1x/dia | Febril: 7–10 dias | Primeira escolha na AEP; disponibilidade limitada no Brasil |
| Sulfametoxazol-trimetoprima | 6–12 mg/kg/dia de trimetoprima (AAP); 8–12 mg/kg/dia (SBP) | 12/12 h | Febril: 7–10 dias; cistite: 3–5 dias | Só com antibiograma ou resistência local baixa; contraindicado < 6 semanas (bula brasileira; < 2 meses na bula americana) |
| Nitrofurantoína | 5–7 mg/kg/dia (SBP) | 6/6 h | Cistite: 3–5 dias | Apenas cistite; nunca na ITU febril. Idade: a partir de 3 meses (BNFc/NICE); bula brasileira contraindica < 1 mês |
| Ceftriaxona IM/IV | 50 mg/kg/dia (Como Conduzir Febre); doses maiores só se houver suspeita de meningite (esquema de meningite do documento de febre) | 1x/dia | Até tolerar a via oral (24–48 h) e completar o total por via oral | Opção de primeira dose no consultório ou PS quando há vômitos ou dúvida; máximo conforme bula |
| Paracetamol | 10–15 mg/kg/dose | 4–6 h (máx. 5 doses/dia) | Enquanto houver febre ou dor | Máx. 75 mg/kg/dia, nunca > 4 g/dia |
| Ibuprofeno | 5–10 mg/kg/dose | 6–8 h, conforme bula | Enquanto houver febre ou dor | A partir de 6 meses; evitar se desidratado ou com função renal alterada |
Paracetamol. Atenção ao efeito cumulativo: o uso repetido por 48–72 h, especialmente em doses no limite máximo, em criança desidratada, desnutrida, com jejum prolongado ou somando mais de um produto com paracetamol, aumenta o risco de hepatotoxicidade — não ultrapassar a dose diária, não usar por mais de 48–72 h sem reavaliação médica e conferir outros medicamentos que contenham paracetamol.
Duração do tratamento
- ITU febril: 10 dias na SBP (alinhada a NICE, sociedade italiana e australiana); 7–14 dias na AAP de 2011; 7–10 dias na AEP e no NICE (pielonefrite). Em 2026 a AAP publicou nova diretriz (8 dias a 5 anos), cujo texto integral não pôde ser consultado nesta revisão.
- Cistite: 3 dias no NICE (trimetoprima ou nitrofurantoína) e 3–4 dias na AEP.
- Cursos curtos: o ensaio SCOUT (JAMA Pediatrics, 2023; 664 crianças de 2 meses a 10 anos com melhora clínica no 5º dia) comparou 5 com 10 dias. A falha terapêutica foi baixa com 5 dias (cerca de 4%), mas maior que com 10 dias (0,6%). Na prática, 7 dias é razoável na criança maior com boa resposta; nos lactentes e nas ITU febris com resposta lenta, manter 10 dias.
Não fazer: urocultura de controle durante ou após o tratamento em criança que melhorou (AEP); tratar bacteriúria assintomática; profilaxia de rotina após a primeira ITU.
Medidas de suporte e prevenção
- Hidratação oferecida com frequência; micção a cada 3 horas na criança maior; tratar a constipação.
- Higiene genital com água, de frente para trás; tratar balanopostites e sinéquias.
- Profilaxia antibiótica (SBP): alterações à ultrassonografia, RVU grau IV–V, uropatias obstrutivas e ITU recorrente (dois ou mais episódios de pielonefrite, uma pielonefrite e uma cistite, ou três ou mais cistites); dose de 1/3 a 1/2 da terapêutica, uma vez ao dia, à noite; nitrofurantoína ou sulfametoxazol-trimetoprima (acima de 6 semanas) e cefalexina abaixo de 6 semanas. A AEP (2024) lembra que a profilaxia não previne ITU em crianças sem anomalia estrutural e aumenta a resistência.
5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar
- Recém-nascido ≤ 28 dias: sempre hospital. Lactente de 29 dias a 2–3 meses com suspeita de ITU (conduzir também como febre no lactente jovem): hospital, exceto o de 29 a 60 dias bem aparente, com marcadores inflamatórios normais, boa aceitação oral e retorno garantido em 24 h, em que a AAP 2021 admite antibiótico oral em casa desde a 1ª dose (cefalexina ou cefixima), com seguimento próximo (ver Como Conduzir uma Criança com Febre e o caso 3 de Febre sem sinais localizatórios).
- Toxemia, hipotensão, má perfusão, letargia, gemência (sepse urinária).
- Vômitos persistentes, recusa da via oral ou desidratação.
- Uropatia obstrutiva suspeita ou conhecida, rim único, RVU grau III–V, doença renal crônica, imunossupressão.
- Falha clínica após 48–72 h de antibiótico adequado (febre persistente): pedir ultrassonografia para afastar obstrução ou abscesso e ampliar a cobertura (SBP).
- Impossibilidade de garantir adesão ou retorno.
Como encaminhar
- Colher urina por cateterismo (se possível) antes da primeira dose, sem atrasar o antibiótico na criança grave.
- Na toxemia ou quando houver demora no transporte, aplicar a primeira dose de ceftriaxona IM ou IV após contato com o serviço.
- Oxigênio e acesso venoso com expansão volêmica se houver sinais de choque; controlar a febre.
- Contatar o serviço de destino (SAMU 192 se houver instabilidade) e enviar relatório com método de coleta, exame de urina e antibiótico aplicado.
6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família
- "A febre deve ceder em 48 a 72 horas de antibiótico. Se continuar, volte."
- "Dê o antibiótico no horário e até o fim, mesmo que a criança melhore antes."
- "Vamos rever o resultado da cultura em 2 a 3 dias; talvez seja preciso trocar o remédio."
- "Em qualquer febre futura, procure atendimento nas primeiras 48 horas e peça exame de urina" (AAP).
- Retorno programado para rever o antibiograma, a ultrassonografia e a necessidade de investigação.
- Ir ao pronto-socorro se: vômitos que impedem o remédio, sonolência excessiva, gemido, pele fria ou manchada, pouca urina, piora da dor lombar ou febre alta persistente após 48 horas.
7.Comparação com as referências
| Item | SBP / MS | AAP | NICE | Oxford / Cambridge | AEP |
|---|---|---|---|---|---|
| Coleta sem controle esfincteriano | Cateterismo ou punção; saco coletor só para descartar | Cateterismo ou punção para cultura; saco coletor só para triagem | Clean catch sempre que possível; cateter ou punção se inviável | Segue o NICE | Estimulação vesical; cateterismo ou punção se urgente; bolsa só para triagem |
| Corte (cateterismo) | > 50.000 UFC/mL (2023) | ≥ 50.000 UFC/mL + piúria | Não define número no NG224 | Segue o NICE | ≥ 10.000 UFC/mL |
| Via e antibiótico | Via oral > 3 meses; cefuroxima, cefaclor, cefalexina, amoxicilina-clavulanato | Oral = parenteral; escolha pela resistência local | Cefalexina (pielonefrite); trimetoprima ou nitrofurantoína (cistite) | Segue o NICE | Cefixima, amoxicilina-clavulanato ou cefuroxima axetil |
| Duração | Febril 10 dias | 7–14 dias (2011) | Pielonefrite 7–10 dias; cistite 3 dias | Segue o NICE | Febril 7–10 dias; afebril 3–4 dias |
| Internação | < 2 meses, grave, risco de não adesão | Toxemia, intolerância oral, lactente jovem | < 3 meses e alto risco: encaminhamento imediato | Segue o NICE | < 2–3 meses, sepse, vômitos, obstrução, RVU III–V |
| Imagem | Ultrassonografia < 2 anos com pielonefrite; UCM e DMSA seletivas | Ultrassonografia em toda ITU febril 2–24 meses; UCM seletiva | Ultrassonografia na atípica e < 6 meses; DMSA e UCM seletivas | Segue o NICE | Ultrassonografia inicial; UCM e DMSA conforme risco |
Leitura: as referências convergem em quatro pontos: coleta confiável antes do antibiótico, com saco coletor apenas para excluir; via oral como padrão na criança maior de 2–3 meses em bom estado; exclusão da nitrofurantoína na ITU febril; e uretrocistografia seletiva, não rotineira. As divergências estão no ponto de corte por cateterismo (10.000 UFC/mL na AEP; 50.000 UFC/mL na SBP e na AAP), na idade que obriga internação (2 meses na SBP; 3 meses no NICE), na duração (10 dias fixos na SBP; 7–10 dias no NICE e na AEP; cursos mais curtos em estudo) e na ultrassonografia, que é universal abaixo de 2 anos na AAP e na SBP e mais restrita no NICE. O antibiótico preferido varia com a epidemiologia local: cefalosporinas no Brasil e na Espanha, cefalexina e trimetoprima no Reino Unido.
- Sem urocultura colhida por método confiável não há diagnóstico de ITU; saco coletor positivo não confirma nada.
- Lactente com febre sem foco: pensar em ITU e colher urina antes de qualquer antibiótico.
- Na ITU febril, via oral com cefalosporina (cefuroxima ou cefalexina) ou amoxicilina-clavulanato, ajustada ao antibiograma em 48–72 h; nunca nitrofurantoína.
- Tratar a ITU febril por 7–10 dias (10 dias no lactente) e a cistite por 3–5 dias.
- Menores de 2–3 meses, toxemia, vômitos persistentes, uropatia obstrutiva ou falha em 48–72 h vão ao hospital (exceção: 29–60 dias bem aparente com marcadores normais, AAP 2021).
- Ultrassonografia após a primeira ITU febril em menores de 2 anos; uretrocistografia apenas se a ultrassonografia for alterada ou houver recorrência.
8.Fontes
- Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico de Nefrologia. Infecção do trato urinário em pediatria — atualização, 2021. PDF
- Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico de Nefrologia. Infecção urinária — diagnóstico, investigação e prevenção, 2023. PDF
- American Academy of Pediatrics. Urinary Tract Infection — Clinical Practice Guideline for the Diagnosis and Management of the Initial UTI in Febrile Infants and Children 2 to 24 Months, 2011 (reafirmada em 2016). PDF
- American Academy of Pediatrics. Clinical Practice Guideline for the Diagnosis and Treatment of Urinary Tract Infection in Children From 8 Days to 5 Years of Age. Pediatrics, 2026 (texto integral não acessado).
- NICE. NG224 — Urinary tract infection in under 16s: diagnosis and management, 2007, atualizado em 2022. nice.org.uk
- NICE. NG111 — Pyelonephritis (acute): antimicrobial prescribing, 2018. nice.org.uk
- NICE. NG109 — Urinary tract infection (lower): antimicrobial prescribing, 2018. nice.org.uk
- González Rodríguez JD et al. Actualización de la guía de práctica clínica española sobre infección del tracto urinario en la población pediátrica. Anales de Pediatría, 2024. analesdepediatria.org
- Zaoutis T et al. Short-Course Therapy for Urinary Tract Infections in Children — The SCOUT Randomized Clinical Trial. JAMA Pediatrics, 2023 (resumo da Pediatric Infectious Diseases Society). pids.org