Pneumologia pediátrica · Infecções e aspiração

Derrame pleural parapneumônico e empiema

Suspeita, confirmação por ultrassonografia, encaminhamento hospitalar, antibiótico IV, dreno com fibrinolítico, videotoracoscopia e seguimento, segundo SBP 2022, IDSA/PIDS 2026 e BTS 2005

Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF

Em resumo

O derrame parapneumônico é a complicação mais comum da pneumonia adquirida na comunidade (PAC); o empiema é o seu estágio purulento. Os agentes principais são pneumococo, Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes (SBP 2022). Suspeitar quando a febre persiste ou volta após 48–72 h de antibiótico adequado, quando a criança piora ou tem dor torácica ou abdominal, e quando há macicez com murmúrio vesicular abolido de um lado. A radiografia sugere; a ultrassonografia de tórax confirma, mede e mostra septações. Todo derrame significativo é 🔴 — hospital: antibiótico intravenoso (penicilina cristalina ou ampicilina; oxacilina, vancomicina e clindamicina na suspeita de S. aureus ou necrose) e, se o derrame tem > 1 cm à ultrassonografia, septações, pus ou compromete a respiração, dreno torácico com fibrinolítico, com videotoracoscopia se falhar (SBP 2022; IDSA/PIDS 2026). O antibiótico dura 3 a 4 semanas no empiema e na pneumonia necrosante, completado por via oral após a alta. Não há tratamento domiciliar na fase aguda: o pediatra suspeita, encaminha e acompanha até a radiografia voltar ao quase normal.

1.O que é e como se apresenta

O derrame parapneumônico e o empiema são estágios do mesmo processo inflamatório pleural. A PAC complicada evolui de forma grave apesar do antibiótico, com derrame, empiema, pneumonia necrosante (até 7% das PAC) ou abscesso pulmonar (SBP 2022).

Estágio Líquido Implicação
1. Exsudativo (derrame simples) Claro, livre, em geral estéril Se pequeno, costuma responder ao antibiótico
2. Fibrinopurulento (derrame complicado) Turvo ou purulento, com fibrina e septações; pH e glicose baixos, DHL alta Drenagem, idealmente com fibrinolítico
3. Organização Espesso, loculado, com "casca" pleural (paquipleuris) Pode exigir videotoracoscopia ou decorticação

Agentes (SBP 2022): pneumococo (o principal); S. aureus, inclusive resistente à meticilina, no lactente, com infecção de pele e após influenza; S. pyogenes após varicela ou escarlatina; H. influenzae e anaeróbios (aspiração).

Quadro (SBP 2022; BTS 2005):

  • A pista é a evolução: resposta lenta ao antibiótico, febre que não cede ou volta após 48–72 h, piora durante o tratamento. A BTS manda excluir derrame em toda criança ainda febril ou mal 48 h após a internação por pneumonia.
  • Febre alta, tosse, taquipneia (> 90%), dispneia crescente; dor torácica ou abdominal do lado acometido, sobre o qual a criança deita.
  • Exame: expansibilidade reduzida, macicez, murmúrio vesicular diminuído ou abolido; atrito pleural no derrame pequeno. Nos graves, toxemia e choque.

Pneumonia necrosante: necrose do parênquima que evolui para cavidades (pneumatoceles), com empiema em 63–100% e fístula broncopleural em 17–67% (pneumotórax, escape de ar pelo dreno). Suspeitar na PAC grave sem melhora após 72 h de antibiótico. Abscesso: cavidade de parede espessa, evolução mais insidiosa (1–2 semanas após aspiração), febre persistente e, se romper no brônquio, vômica (SBP 2022).

2.Classificação de gravidade

Gravidade Critérios clínicos Conduta
🟢 Leve Só na fase pós-alta: afebril, em antibiótico oral, sem dreno, alimentando-se, SpO2 ≥ 95%, sem desconforto. Não existe derrame "leve" para tratar em casa na fase aguda Seguimento pelo pediatra: consulta em 48–72 h após a alta; completar o antibiótico; radiografia em 4–6 semanas
🟡 Moderada Suspeita sem sinais de gravidade: PAC com febre persistente ou recorrente após 48–72 h de antibiótico, ou velamento discreto do seio costofrênico, com SpO2 ≥ 95%, sem desconforto e bom estado geral Avaliação no mesmo dia em serviço com radiografia e ultrassonografia; não trocar o antibiótico "às cegas" em casa. Derrame confirmado segue para 🔴 (SBP)
🔴 Grave Todo derrame significativo (> 1 cm à ultrassonografia ou > 1/4 do hemitórax), que cresce, septado ou purulento; ou derrame com febre persistente, dor, desconforto, SpO2 < 92% (92–94%: observação em serviço), toxemia, desidratação; suspeita de necrose, abscesso, pneumatocele ou pneumotórax; choque Hospital com cirurgia pediátrica: oxigênio, acesso venoso, primeira dose de antibiótico IV conforme o serviço, transporte monitorado; choque ou insuficiência respiratória: UTI pediátrica

Fatores de risco que elevam a gravidade: idade < 2 anos (maior mortalidade no empiema); pós-influenza ou pós-varicela; infecção de pele; vacinação incompleta; internação recente; imunodeficiência, doença neuromuscular, disfagia, desnutrição, anemia falciforme; atraso no diagnóstico e na drenagem (SBP 2022).

3.Diagnóstico no consultório

Clínico. Na PAC que não melhora em 48–72 h, reexaminar comparando percussão e ausculta dos dois hemitórax e medir a SpO2. Macicez com murmúrio abolido, dor pleurítica ou piora do estado geral bastam para encaminhar. Febre: axilar ≥ 37,5 °C.

Imagem:

  • Radiografia (PA ou AP): velamento do seio costofrênico, curva de Damoiseau, opacificação do hemitórax; não distingue derrame simples de empiema.
  • Ultrassonografia de tórax: o exame mais sensível e recomendado para confirmar, medir e ver septações e fibrina, e para guiar punção e dreno — sem radiação nem sedação (SBP 2022; BTS; IDSA/PIDS 2026, que a prefere à tomografia).
  • Tamanho (IDSA/PIDS): pequeno < 10 mm no decúbito lateral ou < 1/4 do hemitórax; moderado entre 1/4 e 1/2; grande > 1/2.
  • Tomografia com contraste: não é rotina (BTS); reservada à necrose, abscesso ou falha, por decisão hospitalar.

Análise do líquido (colhido na drenagem ou toracocentese): sempre Gram, cultura (PCR se disponível) e citologia. Sugerem derrame complicado ou empiema (SBP 2022): pus, germes no Gram, leucócitos ≥ 15.000/mm³ com neutrófilos, pH < 7,20 (< 7,0: alto risco de septação), glicose < 40 mg/dL (a SBP drena com < 50 mg/dL), DHL ≥ 1.000 UI/L, proteínas > 3 g/dL. Linfocitose pleural obriga excluir tuberculose e neoplasia (BTS). Hemocultura em todos (BTS).

Diferenciais que não podem passar: tuberculose pleural (febre prolongada, contato, exsudato linfocítico); linfoma e leucemia (massa mediastinal, citopenias — nada de corticoide antes de afastar neoplasia); dengue com sinais de alarme, síndrome nefrótica, insuficiência cardíaca, SIM-P; consolidação extensa que imita derrame.

4.Tratamento e seguimento

Papéis. O tratamento é hospitalar, com pediatra, cirurgião pediátrico e, idealmente, pneumologista pediátrico desde cedo (BTS). Ao pediatra do consultório cabem a suspeita, o encaminhamento e o seguimento após a alta.

Antibiótico IV (SBP 2022; documento Antibioticoterapia na Pneumonia): penicilina cristalina ou ampicilina com drenagem adequada resolvem a maioria. Suspeita de S. aureus (evolução rápida, pneumatocele, lactente, pele, pós-influenza): oxacilina; vancomicina se resistente ou grave; clindamicina associada quando há toxina. Pneumonia necrosante: vancomicina + clindamicina ± ceftriaxona (site); a SBP propõe vancomicina com cefotaxima, ceftriaxona ou cefepima. Abscesso: cefotaxima + clindamicina ou metronidazol. Aspiração: penicilina cristalina, amoxicilina-clavulanato ou aminopenicilina-sulbactam IV (a SBP cita amoxicilina-sulbactam; o site, ampicilina-sulbactam). < 2 meses: ampicilina + aminoglicosídeo.

Medicamento Dose Intervalo Duração Observação e referência
Penicilina G cristalina IV 150.000–200.000 UI/kg/dia 4/4 h ou 6/6 h IV até melhora e 24–48 h afebril 1ª escolha — SBP DC 7/2022
Ampicilina IV 150–200 mg/kg/dia 6/6 h Idem 1ª escolha — SBP DC 7/2022 (IDSA/PIDS 2011 igual); máx. 12 g/dia (AEP 2015)
Ceftriaxona IV 100 mg/kg/dia 12/12 h ou 1 vez/dia Idem Grave sem agente definido — SBP DC 7/2022
Cefotaxima IV 100–200 mg/kg/dia 6/6 h ou 8/8 h Idem Abscesso, com clindamicina — SBP DC 7/2022
Oxacilina IV 150–200 mg/kg/dia 6/6 h ou 8/8 h Idem S. aureus sensível — IDSA/PIDS 2011 (a SBP indica, sem dose)
Vancomicina IV 15 mg/kg/dose (40–60 mg/kg/dia) 6/6 h Idem S. aureus resistente; função renal e nível sérico — SBP DC 7/2022
Clindamicina IV 10–13 mg/kg/dose (30–40 mg/kg/dia) 8/8 h ou 6/6 h Idem Bloqueio de toxinas; teste D — SBP DC 7/2022
Amoxicilina VO (após a alta) 90 mg/kg/dia (máx. 4 g/dia) 8/8 h ou 12/12 h Completar o total Pneumococo ou cultura negativa — padrão do site; IDSA/PIDS 2011
Amoxicilina-clavulanato VO 90 mg/kg/dia de amoxicilina + 6,4 mg/kg/dia de clavulanato (14:1) 12/12 h Completar o total H. influenzae — padrão do site; IDSA/PIDS 2011. Na aspiração, 50 mg/kg/dia (veja Pneumonia aspirativa e disfagia)
Cefalexina VO 75–100 mg/kg/dia 6/6 h ou 8/8 h Completar o total S. aureus sensível — IDSA/PIDS 2011

Doses máximas: conforme bula e protocolo do serviço.

Drenagem (SBP 2022):

  • Pequeno (< 1 cm), sem desconforto: antibiótico e ultrassonografia seriada (IDSA/PIDS 2026).
  • Drenar se: pus; gram-positivos no Gram; glicose < 50 mg/dL; DHL > 1.000 UI/L; derrame extenso que compromete a respiração; septações ou loculações; > 1 cm à ultrassonografia. Toracocenteses repetidas não são recomendadas: dreno de início (BTS).
  • Dreno guiado por ultrassonografia, aspiração de 15–20 cmH2O; retirar com débito < 40–60 mL/24 h ou < 1–1,5 mL/kg/dia e sem escape de ar (SBP). Calibre: a SBP traz tabela por peso (8–10 Fr no < 3 kg até 24–28 Fr acima de 40 kg); a IDSA/PIDS 2026 sugere dreno fino (≤ 12 Fr) — escolha do cirurgião.

Fibrinolítico × videotoracoscopia (BTS 2005; APSA 2012, via SBP; IDSA/PIDS 2011 e 2026): dreno com fibrinolítico e videotoracoscopia (VATS) têm resultados clínicos semelhantes; o dreno é menos invasivo e mais barato. A IDSA/PIDS 2026 sugere dreno com fibrinolítico como primeira linha e alteplase isolada, sem dornase. A SBP recomenda a videotoracoscopia após falha do dreno com fibrinolítico — posição do site.

  • Uroquinase (SBP; SEIP/SENP): 10.000 UI em 10 mL de SF 0,9% (< 1 ano) ou 40.000 UI em 40 mL (≥ 1 ano), 12/12 h por 3 dias (6 doses; duração da SEIP/SENP e da BTS), dreno pinçado por 4 h com mudanças de decúbito (BTS: mesmo esquema, corte em 10 kg).
  • Alteplase (SBP): 1 vez/dia por 3 dias, repetível; dose conforme protocolo do serviço.
  • Falha do dreno (SBP): febre persistente ou crescente 72 h após a drenagem, débito escasso com imagem persistente, septações persistentes ou piora respiratória → cirurgião. VATS: derrame volumoso persistente após 2–3 dias de dreno e fibrinolítico, fístula que não fecha, necrose extensa. Decorticação: empiema organizado sintomático.
  • Pneumonia necrosante: tratamento inicial clínico; cirurgia se piorar. Abscesso: antibiótico por pelo menos 3–4 semanas; punção guiada no abscesso periférico selecionado; abscesso com empiema não se drena cirurgicamente, em regra (SBP; BTS).

Duração: IV até melhora clínica, 24–48 h afebril e dreno retirado; depois via oral. Total: 21–28 dias ou mais no empiema e na pneumonia necrosante (documento Antibioticoterapia na Pneumonia; a SBP fixa 3–4 semanas só na necrose e no abscesso). Febre por alguns dias após a drenagem, com melhora geral, não é falha.

Não fazer: fisioterapia respiratória no empiema, antiagregante para a plaquetose reativa, broncoscopia de rotina (BTS); corticoide de rotina.

Suporte: analgesia generosa (sobretudo com dreno); antitérmico nas doses do site (dipirona 10–12 mg/kg/dose 6/6 h; paracetamol 10–15 mg/kg/dose, máx. 75 mg/kg/dia e 500 mg/dose < 12 anos; sem alternar); oxigênio para manter SpO2 ≥ 94%; mobilização precoce.

Seguimento após a alta (pediatra):

  • Consulta em 48–72 h e até o fim do antibiótico (adesão, dose por peso, efeitos adversos).
  • Radiografia em 4–6 semanas (BTS); normaliza em > 90% aos 6 meses e em todas até 18 meses. Macicez residual por espessamento pleural é esperada.
  • Prognóstico muito bom; investigar imunodeficiência, fibrose cística ou malformação só se houver infecções graves prévias, germe incomum ou recorrência.
  • 🟡 Pneumologista pediátrico (prioritário, em até 2–4 semanas) se a radiografia não melhorar em 6–8 semanas, cavidade ou pneumatocele persistente, sintomas persistentes ou recorrência no mesmo lobo.
  • Vacinas em dia: pneumocócica conjugada, Hib, influenza anual, varicela, COVID-19 (calendários do SUS e da SBP).

5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar

Critérios (qualquer um):

  • Derrame confirmado ou fortemente suspeito ao exame ou à imagem (critério de internação da SBP; a BTS interna todos).
  • Febre persistente ou recorrente após 48–72 h de antibiótico adequado para PAC.
  • SpO2 < 92% (92–94%: observação em serviço); tiragem, gemência, FR > 70 irpm no lactente ou > 50 irpm na criança maior.
  • Toxemia, má perfusão, desidratação, recusa alimentar, sonolência.
  • Pneumatocele, cavitação, pneumotórax, suspeita de necrose ou abscesso.
  • Idade < 2 anos, doença de base relevante ou impossibilidade de reavaliação próxima.

Como encaminhar:

  • Oxigênio para manter SpO2 ≥ 94% (e se houver esforço); posição semissentada.
  • Acesso venoso se houver sinais de choque (expansão conforme o protocolo de sepse) ou transporte demorado; nesse caso, com orientação do serviço, hemocultura e primeira dose de ampicilina ou ceftriaxona IV, sem atrasar a remoção.
  • Preferir hospital com cirurgia pediátrica, ultrassonografia e UTI pediátrica; contatar o destino com FR, SpO2, antibiótico em uso (dose e dias) e imagens.
  • Ambulância com oxigênio e monitorização nos graves.

6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família

  • "A infecção do pulmão formou líquido ou pus em volta dele. O tratamento é no hospital, com antibiótico na veia e, muitas vezes, um dreno. Quase todas as crianças se recuperam por completo."
  • Em casa, dar o antibiótico até o fim, no horário, mesmo com a criança bem; o tratamento todo dura de 3 a 4 semanas.
  • Tosse e cansaço podem durar semanas; a radiografia leva meses para normalizar.
  • Voltar ou ir ao pronto-socorro se: febre de novo, respiração rápida ou difícil, "barriga afundando" abaixo das costelas, lábios arroxeados, dor no peito que piora, vômitos que impedem o remédio, sonolência ou irritação intensa, urina escura ou escassa, palidez intensa ou manchas roxas.

7.Comparação com as referências

Item SBP Ministério da Saúde AAP NICE AEP Johns Hopkins Harvard Oxford / Cambridge
Internação Derrame é critério de internação Sem protocolo específico localizado IDSA/PIDS (endossada pela AAP em 2011): hospitalar Sem diretriz específica; BTS 2005 interna todos Derrame moderado-grande no hospital Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE
Imagem Ultrassonografia de escolha; TC na necrose — Ultrassonografia antes de TC (2026) BTS: ultrassonografia; TC não rotineira Ultrassonografia — — Segue o NICE
Bioquímica do líquido pH, glicose, DHL entram na decisão — Raramente muda a conduta BTS: desnecessária Em desuso para decidir — — Segue o NICE
Drenagem > 1 cm, pus, septações, glicose < 50, DHL > 1.000 — Moderado com desconforto, grande ou purulento Derrame que cresce ou compromete a respiração Moderado-grande com empiema ou desconforto — — Segue o NICE
Fibrinolítico × VATS Uroquinase ou alteplase; VATS na falha — Dreno ≤ 12 Fr + alteplase isolada (2026) BTS: uroquinase; cirurgia na falha Uroquinase; VATS após 2–3 dias — — Segue o NICE
Antibiótico Penicilina cristalina ou ampicilina 150–200 mg/kg/dia; 3–4 semanas na necrose e no abscesso — 2–4 semanas (2011) BTS: IV com cobertura de pneumococo; VO 1–4 semanas após alta Ampicilina 250–300 mg/kg/dia; 2–4 semanas — — Segue o NICE

Leitura: todas concordam que o derrame significativo é doença hospitalar, que a ultrassonografia é o exame de escolha, que o derrame pequeno sem desconforto pode ser observado com antibiótico e que dreno com fibrinolítico e videotoracoscopia têm resultados semelhantes, com o dreno como primeira abordagem na maioria. Divergem em quatro pontos: a bioquímica do líquido (critério de drenagem na SBP; pouco útil para BTS, IDSA/PIDS e SEIP/SENP); o fibrinolítico (uroquinase na SBP, BTS e AEP; alteplase isolada na IDSA/PIDS 2026); a dose de ampicilina (maior na AEP); e a duração (2–4 semanas na IDSA e na AEP; 1–4 semanas de via oral após a alta na BTS; 3–4 semanas na SBP para necrose e abscesso). A IDSA/PIDS 2026 prefere dreno ≤ 12 Fr; a tabela da SBP usa calibres maiores. O site adota a posição da SBP: internação de todo derrame, penicilina cristalina ou ampicilina IV, drenagem também por critérios bioquímicos, videotoracoscopia na falha do fibrinolítico; a duração de 21–28 dias ou mais no empiema segue o documento Antibioticoterapia na Pneumonia.

Pontos práticos
  1. Febre persistente ou que volta após 48–72 h de antibiótico na pneumonia é derrame, empiema, necrose ou abscesso até prova em contrário: reexaminar e obter imagem no mesmo dia.
  2. Macicez com murmúrio abolido de um lado basta para encaminhar; a ultrassonografia confirma, mede e mostra septações.
  3. Todo derrame significativo é 🔴: hospital com cirurgia pediátrica; não trocar antibiótico oral em casa.
  4. Primeira escolha IV: penicilina cristalina ou ampicilina; oxacilina, vancomicina e clindamicina na suspeita de S. aureus ou necrose.
  5. Derrame > 1 cm, septado ou purulento: dreno com fibrinolítico; videotoracoscopia se falhar em 2–3 dias.
  6. Após a alta: completar 3–4 semanas de antibiótico, radiografia em 4–6 semanas e pneumologista se não melhorar.

Veja também, nesta Biblioteca: Pneumonia adquirida na comunidade (Patologias do consultório); Antibioticoterapia na Pneumonia (Pneumologia); Tuberculose na infância no Brasil (Temas SBP 2026); Dengue, chikungunya, zika e Oropouche (Patologias do consultório).

8.Fontes

  • Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico de Pneumologia. Pneumonias adquiridas na comunidade complicadas. Documento Científico nº 7, 2022. PDF
  • Balfour-Lynn IM et al. BTS guidelines for the management of pleural infection in children. Thorax, 2005. brit-thoracic.org.uk
  • Bradley JS et al. (PIDS/IDSA, endossada pela AAP). The management of community-acquired pneumonia in infants and children older than 3 months of age, 2011. academic.oup.com
  • St. Peter SD et al. (IDSA/PIDS). 2026 Clinical Practice Guideline Update — The Use of Pleural Fluid Drainage versus Observation. Clin Infect Dis, 2026. PDF
  • IDSA/PIDS. 2026 Clinical Practice Guideline Update — The Use of tPA and DNase or tPA Alone for Fibrinolysis. Clin Infect Dis, 2026. academic.oup.com
  • Moreno-Pérez D et al. (SEIP/SENP, AEP). Neumonía adquirida en la comunidad — tratamiento de los casos complicados y en situaciones especiales. An Pediatr, 2015. analesdepediatria.org