Reumatologia pediátrica · Vasculites

Poliarterite nodosa e deficiência de adenosina deaminase 2 (DADA2)

PAN sistêmica e cutânea, critérios pediátricos EULAR/PRINTO/PReS, estreptococo e hepatite B, DADA2 com AVC precoce e livedo, teste genético e anti-TNF, tratamento e seguimento, segundo SHARE 2019, AEP 2020, ACR 2021 e consenso DADA2 2023

Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF

Em resumo

A poliarterite nodosa (PAN) é uma vasculite necrosante de artérias de médio e pequeno calibre, sem glomerulonefrite e com ANCA negativo; o pico na criança é por volta de 9–10 anos (AEP 2020). A pele é a pista: livedo reticular ou racemoso, nódulos subcutâneos dolorosos, púrpura, úlceras e necrose digital, com febre, mialgia intensa, dor testicular, hipertensão, hematúria e dor abdominal. A forma cutânea (cerca de 1/3 dos casos) costuma seguir infecção estreptocócica e recidivar; a PAN da hepatite B é rara na criança e tem tratamento próprio. Em toda PAN de início precoce, familiar, com AVC ou citopenias, pesquise a deficiência de adenosina deaminase 2 (DADA2): doença recessiva em que o tratamento de escolha é anti-TNF por toda a vida e em que antiagregantes e anticoagulantes devem ser evitados (consenso internacional 2023). A suspeita é 🟡, encaminhamento com prioridade ao reumatologista pediátrico. São 🔴: necrose digital, dor abdominal intensa ou sangramento digestivo, AVC ou déficit focal, crise hipertensiva, insuficiência renal e febre em uso de biológico. A SBP e o MS não têm documento sobre PAN ou DADA2; o site segue o SHARE 2019 e a AEP 2020, e, na DADA2, o consenso de 2023 e o ACR 2021.

1.O que é e como se apresenta

PAN sistêmica (AEP 2020; SHARE 2019). Inflamação com necrose fibrinoide da parede de artérias musculares, focal e segmentar, que forma microaneurismas, estenoses e infartos, sobretudo nas artérias renais, hepáticas e mesentéricas. Não atinge capilares, não causa glomerulonefrite e não se associa ao ANCA. Gatilhos: estreptococo (o mais frequente na criança), hepatite B (rara, classificada como vasculite secundária), CMV, parvovírus, HIV; associação com variantes do gene MEFV (febre familiar do Mediterrâneo).

Quadro (AEP 2020): febre, perda de peso; pele (livedo que piora com o frio, púrpura, nódulos dolorosos, úlceras, infartos ungueais, necrose digital); mialgia intensa, artralgia, dor testicular; rim (hipertensão, hematúria, proteinúria, infarto renal); intestino (dor, sangramento, perfuração, ruptura de aneurisma com hematoma perirrenal); nervos (mononeurite múltipla, neuropatia em luva e bota, hemiplegia por infarto); coração (isquemia, pericardite).

PAN cutânea (AEP 2020). Febre, livedo e nódulos subcutâneos dolorosos com artralgia, mialgia e artrite não erosiva, sem acometimento sistêmico. Cerca de 1/3 das PAN pediátricas; frequentemente após estreptococcia; curso crônico e recidivante, às vezes por anos. Há casos neonatais transitórios em filhos de mães com PAN cutânea. Pode raramente evoluir para a forma sistêmica: vigiar PA, urina e sintomas em todas as consultas.

DADA2 (consenso internacional 2023). Doença autossômica recessiva por variantes bialélicas do gene ADA2, com mais de 35 mil casos estimados no mundo, que começa em geral na infância. Fenótipos, que podem se sobrepor:

  • Inflamatório e vasculítico: febre recorrente, livedo racemoso, úlceras e necrose de pele, AVC isquêmico precoce, hemorragia intracraniana, neuropatia, aneurismas; muitos são rotulados antes como PAN, PAN cutânea ou síndrome de Sneddon.
  • Hematológico: aplasia pura de série vermelha, anemia hemolítica, neutropenia, plaquetopenia, pancitopenia.
  • Imunodeficiente: hipogamaglobulinemia, linfopenia, infecções de repetição.
  • Pré-sintomático: irmãos achados na triagem familiar.

2.Classificação de gravidade

Gravidade Critérios clínicos Conduta
🟢 Leve PAN cutânea com poucos nódulos, sem úlcera nem necrose, PA, urina e função renal normais, em seguimento; PAN ou DADA2 em remissão no tratamento, afebril Seguimento pelo pediatra com o reumatologista: PA, urina, crescimento, vacinas, adesão, tratar cada estreptococcia
🟡 Moderada Suspeita de PAN: livedo persistente, nódulos dolorosos, mialgia, febre prolongada com VHS ou PCR altas, sem disfunção de órgão; PAN cutânea ativa ou com úlcera superficial; hipertensão abaixo do limiar de crise; hematúria ou proteinúria com função renal normal; suspeita de DADA2 sem evento agudo (livedo com inflamação, PAN precoce ou familiar, AVC antigo, citopenia estável); febre em bom estado só com metotrexato ou azatioprina Encaminhar com prioridade ao reumatologista pediátrico (e ao hematologista, se citopenia); febre com imunossupressor convencional: avaliação no mesmo dia
🔴 Grave Isquemia digital ou gangrena; dor abdominal intensa, vômitos com sangue, melena ou abdome agudo; AVC (déficit focal, afasia, convulsão), cefaleia súbita (hemorragia); crise hipertensiva; oligúria ou creatinina em ascensão; mononeurite com perda motora progressiva; insuficiência cardíaca ou dor torácica; citopenia grave com sangramento ou febre; febre (axilar ≥ 37,5 °C) em uso de biológico, mesmo em bom estado Pronto-socorro/hospital; estabilizar e transferir (ver "Quando encaminhar")

Fatores de risco que elevam a gravidade

  • Acometimento intestinal (maior risco de recaída e de perfuração), renal, neurológico ou cardíaco (AEP 2020).
  • Atraso diagnóstico; recaídas, até 3 vezes mais frequentes que no adulto (AEP 2020).
  • Na DADA2: AVC prévio, uso de antiagregante ou anticoagulante, citopenia grave, hipogamaglobulinemia e interrupção ou subdose do anti-TNF (consenso 2023).
  • Hepatite B ativa; imunossupressão de alto grau; tuberculose latente não tratada antes do biológico.

3.Diagnóstico no consultório

Critérios de classificação EULAR/PRINTO/PReS (Ankara 2008, publicados em 2010) para a PAN da infância, recomendados pelo SHARE e pela AEP:

  • Obrigatório: doença inflamatória sistêmica com biópsia mostrando vasculite necrosante de artérias de médio ou pequeno calibre ou angiografia com aneurisma, estenose ou oclusão dessas artérias (não devidos a displasia fibromuscular).
  • Mais pelo menos 1 de 5: (1) pele (livedo, nódulos, infartos cutâneos); (2) mialgia ou dor muscular; (3) hipertensão (> p95 para a estatura); (4) neuropatia periférica (sensitiva em luva e bota ou mononeurite múltipla motora); (5) rim: proteinúria > 0,3 g/24 h ou albuminúria aumentada, hematúria (> 5 hemácias/campo, cilindros hemáticos ou ≥ 2+ na fita) ou filtração < 50% do normal.

O que o pediatra pode pedir (SHARE 2019; AEP 2020)

Objetivo Exames
Inflamação e órgão Hemograma com esfregaço, PCR e VHS (anemia, leucocitose, trombocitose), creatinina, transaminases, CK, LDH, urina tipo 1 e proteína/creatinina, coagulação
Infecção ASLO e/ou anti-DNase B, cultura de orofaringe se faringite; HBsAg, anti-HBc, anti-HCV, HIV; IgG para varicela; parvovírus, EBV e CMV conforme o quadro
Imunologia (com o especialista) FAN, ENA, ANCA (negativo na PAN), antifosfolípides, complemento, imunoglobulinas (baixas sugerem DADA2)
Imagem inicial Radiografia de tórax, ultrassom com Doppler abdominal (aneurismas, infartos, parede intestinal e vesícula), ECG e ecocardiograma; fotografar as lesões

Com o especialista: biópsia profunda (cirúrgica) de pele, com subcutâneo, ou de músculo (a punção superficial rende pouco, e biópsia normal não exclui); angiografia por cateter (padrão-ouro, em centro com experiência pediátrica); angio-TC ou angio-RM como alternativas, que perdem microaneurismas. Biópsia renal percutânea não é indicada (sangramento, fístula) (SHARE 2019; AEP 2020).

Quando pesquisar DADA2 (consenso 2023; SHARE 2019; ACR 2021):

  • PAN ou PAN cutânea da infância ou familiar; síndrome de Sneddon; livedo racemoso com inflamação; autoinflamatória sem explicação.
  • AVC isquêmico criptogênico ou hemorragia cerebral sem causa na infância ou no adulto jovem.
  • Falência medular, aplasia pura de série vermelha, citopenias sem causa ou imunes com linfoproliferação.
  • Todos os irmãos de um caso confirmado, mesmo sem sintomas.

Como confirmar: atividade da enzima ADA2 no plasma ou soro (rápida, em laboratório habilitado) e/ou sequenciamento do gene ADA2 (painel de doenças autoinflamatórias ou exoma). A ordem depende da disponibilidade; variante de significado incerto pede a dosagem da enzima. O exame é pedido pelo especialista, com aconselhamento genético (consenso 2023).

Diagnóstico diferencial que não pode passar (AEP 2020; SHARE 2019):

  • Doença meningocócica e sepse na febre com púrpura (🔴); endocardite.
  • Kawasaki, vasculite por IgA, vasculites ANCA, Behçet, lúpus, síndrome antifosfolípide (livedo e trombose), AIJ sistêmica.
  • Hepatites B e C, parvovírus, EBV, CMV, HIV; eritema nodoso (nódulos sem livedo nem necrose — ver "A pele como sinal de doença sistêmica na criança").
  • DADA2, SAVI, CANDLE, febre familiar do Mediterrâneo; linfoma e leucemia.

4.Tratamento e seguimento

O pediatra: reconhece o quadro, pede os exames iniciais, trata a estreptococcia, encaminha com prioridade, faz a triagem de tuberculose e hepatites, atualiza as vacinas e acompanha PA, urina e infecções. O especialista define indução, manutenção, biológico e, na DADA2, o anti-TNF e o transplante. A SBP e o MS não têm protocolo para PAN ou DADA2: as doses seguem o SHARE 2019 e a AEP 2020; nos biológicos, o padrão do site é o PCDT da AIJ 2026 e a bula, com as doses da AEP como divergência.

PAN cutânea (SHARE 2019; AEP 2020): sem inflamação sistêmica grave nem órgão acometido, AINE e/ou corticoide em dose moderada, com retirada monitorada. Estreptococo demonstrado: tratar como em "Faringoamigdalite (viral × estreptocócica)": penicilina G benzatina < 20 kg 600.000 UI; ≥ 20 kg 1.200.000 UI, ou amoxicilina 30–50 mg/kg/dia de 8/8 ou 12/12 h por 10 dias (padrão do site). Penicilina profilática: como as recaídas acompanham novas estreptococcias (até 25%), "alguns autores" a mantêm durante a infância (AEP 2020); a evidência é fraca (séries de casos e opinião de especialistas, sem ensaio), e o SHARE 2019 e o ACR 2021 (que exclui a PAN cutânea) não tratam dela. Se o especialista indicar, o site usa o esquema da profilaxia secundária de "Febre reumática": penicilina G benzatina IM < 20 kg 600.000 UI; ≥ 20 kg 1.200.000 UI a cada 21 dias (SBP 2024), com duração definida pelo especialista. Nos refratários: metotrexato, imunoglobulina IV, colchicina, dapsona (hemólise), azatioprina, hidroxicloroquina (AEP 2020).

PAN sistêmica — indução (3–6 meses) e manutenção (12–36 meses)

Medicamento Dose Intervalo Duração Observação e referência
Prednisona ou prednisolona VO 1–2 mg/kg/dia (máx. 60 mg/dia) 1 vez ao dia 0,8 mg/kg/dia no 1º mês, depois −0,1 a 0,2 mg/kg/dia por mês até 0,2 mg/kg/dia (ou 10 mg) no 6º mês SHARE 2019; AEP 2020
Metilprednisolona IV (pulso) 10–30 mg/kg/dia (máx. 1 g) 1 vez ao dia 3 dias Doença grave, antes da prednisona; hospitalar (SHARE 2019; AEP 2020)
Ciclofosfamida IV 500–1.000 mg/m² (máx. 1,2 g) A cada 3–4 semanas 3–6 meses Com MESNA; preferida à oral (SHARE 2019; AEP 2020); ACR 2021 também indica na PAN grave
Micofenolato de mofetila VO 600 mg/m²/dose 12/12 h Indução alternativa AEP 2020 (ensaio MYPAN comparando com ciclofosfamida); teratogênico
Azatioprina VO (manutenção) 1–3 mg/kg/dia (SHARE 2019: 2–3) 1 vez ao dia 12–36 meses AEP 2020; dosar TPMT; iniciar ≥ 14 dias após a última ciclofosfamida; com prednisona 0,2–0,4 mg/kg/dia ou em dias alternados
Metotrexato VO ou SC (manutenção) 10–15 mg/m²/semana Semanal 12–36 meses AEP 2020; ácido fólico conforme o especialista
Ácido acetilsalicílico 3–5 mg/kg/dia (máx. 80 mg/dia) 1 vez ao dia Indução e manutenção Padrão do site (teto da SBP, Nota de Alerta SIM-P 2020); SHARE 2019 e AEP 2020: 2–5 mg/kg/dia, como antiagregante (opinião de especialistas); o ACR 2021 não traz recomendação de antiagregação na PAN. Não usar na DADA2 (consenso 2023, abaixo)
Infliximabe IV 5 mg/kg Semanas 0, 2 e 6, depois a cada 8 semanas Refratária Padrão do site: dose de uveíte do PCDT AIJ 2026; fora da bula na PAN. Divergência: AEP 2020, 6 mg/kg nas semanas 0, 2 e 4 e depois a cada 6–8 semanas
Adalimumabe SC < 30 kg 20 mg; ≥ 30 kg 40 mg A cada 2 semanas Refratária Padrão do site: PCDT AIJ 2026 e bula; fora da bula na PAN. Divergência: AEP 2020, 24 mg/m² abaixo de 30 kg
Etanercepte SC 0,8 mg/kg (máx. 50 mg) Semanal Refratária PCDT AIJ 2026 (dose e teto), igual à AEP 2020; fora da bula na PAN
Rituximabe IV 750 mg/m² 2 doses com 2 semanas de intervalo Refratária AEP 2020; antes, hepatite B e imunoglobulinas

Suporte (SHARE 2019): profilaxia de Pneumocystis na imunossupressão intensa, cálcio e vitamina D (600 UI/dia — SBP 2024), criopreservação de sêmen no menino púbere antes da ciclofosfamida, epoprostenol IV na gangrena incipiente, plasmaférese se risco de vida. Hipertensão: com o nefrologista pediátrico.

Retirada (SHARE 2019; AEP 2020): só após 12 meses sem atividade depois de suspender o corticoide, devagar, em pelo menos 6 meses. O dano vascular crônico favorece aterosclerose precoce.

PAN associada à hepatite B (AEP 2020; ACR 2021): manejo diferente: antiviral, corticoide curto e, às vezes, plasmaférese, com o hepatologista; ciclofosfamida e corticoide prolongado pioram a infecção viral. Prevenção: vacina contra hepatite B em dia (calendário do PNI). Ver "Hepatites virais na criança e no adolescente".

DADA2 (consenso 2023; ACR 2021)

Medicamento Dose Intervalo Duração Observação e referência
Etanercepte SC 0,8 mg/kg (máx. 50 mg) Semanal Por toda a vida Dose do PCDT AIJ 2026; anti-TNF é a escolha na vasculite, no AVC e na inflamação persistente (consenso 2023; ACR 2021, recomendação forte); fora da bula e fora do PCDT na DADA2
Adalimumabe SC < 30 kg 20 mg; ≥ 30 kg 40 mg A cada 14 dias Por toda a vida Dose do PCDT AIJ 2026; monitorar nível sérico e anticorpos antidroga a cada 6–12 meses; metotrexato pode prevenir anticorpos (consenso 2023)
Infliximabe IV 5 mg/kg Semanas 0, 2 e 6, depois a cada 8 semanas Por toda a vida Dose de uveíte do PCDT AIJ 2026; mesmas observações
  • Triagem de tuberculose obrigatória antes do anti-TNF (consenso 2023): PPD ou IGRA e radiografia, conforme "Biológicos na reumatologia pediátrica".
  • Evitar antiagregantes (inclusive o AAS), anticoagulantes e outros antitrombóticos, pelo risco de AVC hemorrágico (consenso 2023, declaração 5.5), ao contrário do AAS usado nas outras vasculites. No AVC agudo: medidas neuroprotetoras, corticoide e/ou anti-TNF.
  • Falência medular, citopenias imunes refratárias e imunodeficiência grave: transplante de células-tronco hematopoéticas, curativo, com o hematologista. Hipogamaglobulinemia com infecções: reposição de imunoglobulina; neutrófilos < 500/mm³ ou CD4 < 200/mm³: profilaxia antimicrobiana.
  • Pré-sintomáticos: considerar anti-TNF, pelo risco de AVC imprevisível. Portadores de uma variante (pais): em geral sem sintomas e sem tratamento.

Vacinas (Manual dos CRIE 2023, como em "Vacinação da criança imunocomprometida e com doenças crônicas (CRIE)"; consenso DADA2 2023): inativadas do calendário, influenza anual e COVID-19; vivas contraindicadas com biológico e com corticoide ≥ 2 mg/kg/dia (até 10 kg) ou ≥ 20 mg/dia por ≥ 14 dias; vivas ≥ 4 semanas antes de iniciar. Na DADA2 com imunodeficiência, qualquer vacina viva só com o especialista e o CRIE.

O que não fazer: corticoide "de teste" antes do diagnóstico; biópsia renal percutânea; AAS ou anticoagulante na DADA2; suspender o anti-TNF da DADA2 por conta própria.

5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar

  • Dedo, orelha ou nariz frio, roxo ou necrosado; úlcera que se aprofunda rapidamente.
  • Dor abdominal intensa, vômitos com sangue, melena, distensão, dor no flanco súbita (ruptura de aneurisma, hematoma perirrenal).
  • AVC: fraqueza ou dormência de um lado, desvio da boca, fala alterada, convulsão; cefaleia súbita e intensa.
  • Crise hipertensiva; oligúria, edema ou creatinina em ascensão.
  • Pé ou mão caídos de instalação rápida; dor torácica, insuficiência cardíaca.
  • Citopenia com sangramento, palidez intensa ou febre (DADA2).
  • Febre (axilar ≥ 37,5 °C) em uso de biológico, mesmo em bom estado; com imunossupressor convencional isolado, febre em bom estado é 🟡 (avaliação no mesmo dia), e com toxemia, 🔴 (padrão do site).

Como encaminhar

  1. Contato prévio com hospital com UTI pediátrica, imagem vascular e reumatologia pediátrica.
  2. Oxigênio para manter SpO2 entre 94% e 98% se houver choque, desconforto respiratório ou déficit neurológico; acesso venoso; jejum se dor abdominal intensa.
  3. AVC: horário de início, glicemia capilar, SAMU (192) para hospital com RM; sem AAS nem heparina antes da imagem e do especialista (em especial se DADA2 for possível), como em "AVC na infância".
  4. Não baixar a PA no consultório nem dar nifedipino.
  5. Relatório: lesões fotografadas, PA, urina, medicamentos com dose e data do último biológico, PPD ou IGRA, sorologias e resultado de ADA2, se houver.

6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família

  • "Toda dor de garganta com febre deve ser examinada: o estreptococo pode reativar a doença."
  • "As manchas em rede na pele, os caroços doloridos e as feridas precisam ser fotografados e mostrados ao médico."
  • "Na DADA2, o remédio injetável é para a vida toda e protege o cérebro. Não suspenda e não dê AAS nem outros remédios que 'afinam o sangue' sem falar com o reumatologista."
  • Procurar o pronto-socorro se houver: dedo roxo ou preto, dor de barriga forte ou sangue nas fezes ou no vômito, fraqueza ou formigamento de um lado do corpo, fala enrolada, convulsão, dor de cabeça súbita e forte, pouca urina, falta de ar, manchas roxas ou sangramento, febre em quem usa injeção para a imunidade.

7.Comparação com as referências

Versões consultadas: SBP — sem documento sobre PAN ou DADA2 (a PAN aparece só como diferencial nos DC de Kawasaki, 2019, e de Takayasu, 2020); MS — sem PCDT; vacina contra hepatite B no PNI; AAP — sem diretriz própria (apoio: ACR/VF 2021, com reumatologistas pediátricos no painel); NICE — sem diretriz; AEP — Poliarteritis nodosa, Protocolos de Reumatología (2020); Johns Hopkins — Vasculitis Center (adultos); Harvard — sem posição localizada; Oxford e Cambridge — sem protocolo local localizado. Apoio: SHARE (2019) e consenso internacional DADA2 (JAMA Netw Open, 05/2023).

Item SBP Ministério da Saúde AAP NICE AEP Johns Hopkins Harvard Oxford / Cambridge
Critérios Sem documento Sem PCDT Sem diretriz; ACR 2021: imagem e biópsia Sem diretriz EULAR/PRINTO/PReS (Ankara 2008) Página de adultos Sem posição localizada Segue o NICE
PAN cutânea — — Excluída do ACR 2021 — AINE ou corticoide; tratar estreptococo; penicilina profilática opcional — — Segue o NICE
PAN grave — — ACR: ciclofosfamida + corticoide — Pulso, prednisona, ciclofosfamida IV ou micofenolato — — Segue o NICE
Manutenção — — ACR: limitar exposição a corticoide e ciclofosfamida — Azatioprina ou metotrexato, 12–36 meses — — Segue o NICE
PAN da hepatite B — Vacina no PNI Excluída do ACR 2021 — Antiviral; evitar imunossupressão prolongada Minoria dos casos de adulto — Segue o NICE
DADA2 — — ACR: anti-TNF em vez de corticoide (forte) — Diferencial a pesquisar — — Segue o NICE

Leitura: as referências que tratam do tema convergem nos critérios EULAR/PRINTO/PReS para a criança, na biópsia profunda e na angiografia para confirmar, no corticoide com ciclofosfamida IV na PAN grave, na manutenção com azatioprina ou metotrexato, no manejo à parte da PAN da hepatite B e da PAN cutânea, e na pesquisa de DADA2 na PAN da criança, que muda o tratamento para anti-TNF (recomendação forte do ACR 2021 e do consenso de 2023). As diferenças: o SHARE e a AEP usam AAS como antiagregante nas vasculites, mas o consenso DADA2 manda evitar antiagregantes e anticoagulantes na DADA2; a AEP aceita micofenolato como alternativa à ciclofosfamida, ainda em estudo (MYPAN); as doses dos anti-TNF diferem: a AEP usa adalimumabe 24 mg/m² abaixo de 30 kg e infliximabe 6 mg/kg, e o PCDT da AIJ e a bula, 20 mg abaixo de 30 kg e 5 mg/kg; a penicilina profilática da PAN cutânea é opção de "alguns autores" na AEP, sem menção no SHARE nem no ACR. SBP e MS não têm posição; o site segue o SHARE 2019 (consenso pediátrico) com as doses da AEP 2020 na PAN, e o consenso DADA2 de 2023 com o ACR 2021 na DADA2; em todos os biológicos, as doses do PCDT da AIJ 2026 e da bula (infliximabe 5 mg/kg; adalimumabe 20 mg abaixo de 30 kg), com as da AEP como divergência; no AAS, o padrão do site (3–5 mg/kg/dia, máx. 80 mg/dia), proibido na DADA2.

Pontos práticos
  1. Livedo persistente, nódulos dolorosos e mialgia em criança febril com VHS alta: meça a PA, faça urina e pense em PAN.
  2. Peça ASLO ou anti-DNase B e trate a estreptococcia: ela desencadeia e reativa a PAN cutânea.
  3. Pesquise hepatite B (HBsAg, anti-HBc) antes de imunossuprimir: a PAN da hepatite B tem tratamento antiviral.
  4. PAN de início na infância, familiar, com AVC, livedo racemoso ou citopenia: pesquise DADA2 (enzima ADA2 e gene ADA2) e examine os irmãos.
  5. Na DADA2, anti-TNF por toda a vida e nada de AAS ou anticoagulante; AVC agudo é pronto-socorro.
  6. Necrose digital, dor abdominal intensa, AVC, crise hipertensiva e febre em uso de biológico são pronto-socorro.

Veja também, nesta Biblioteca: Classificação e abordagem das vasculites na criança, Arterite de Takayasu, Doença de Behçet, Doença de Kawasaki e Febres periódicas e síndromes autoinflamatórias (nesta área); A pele como sinal de doença sistêmica na criança (Dermatologia); Faringoamigdalite (viral × estreptocócica) (Patologias do consultório); Hepatites virais na criança e no adolescente (Gastroenterologia); AVC na infância (Neurologia); Neutropenias na infância (fora da quimioterapia) (Hematologia); Crise hipertensiva na criança e no adolescente (Urgências); Biológicos na reumatologia pediátrica (Imunoterapias); Vacinação da criança imunocomprometida e com doenças crônicas (CRIE) (Imunizações).

8.Fontes

  • Ozen S et al. EULAR/PRINTO/PRES criteria for Henoch-Schönlein purpura, childhood polyarteritis nodosa, childhood Wegener granulomatosis and childhood Takayasu arteritis: Ankara 2008. Part II. Ann Rheum Dis, 2010;69:798–806. Europe PMC
  • de Graeff N et al. European consensus-based recommendations for the diagnosis and treatment of rare paediatric vasculitides — the SHARE initiative. Rheumatology (Oxford), 2019;58:656–671. PDF
  • AEP. Martí Masanet M, Calvo Penadés I. Poliarteritis nodosa. Otras vasculitis. Clasificación. Protoc diagn ter pediatr, 2020;2:271–283. PDF
  • Chung SA et al. 2021 American College of Rheumatology/Vasculitis Foundation Guideline for the Management of Polyarteritis Nodosa. Arthritis Rheumatol, 2021;73:1384–1393. PMC
  • Lee PY et al. Evaluation and Management of Deficiency of Adenosine Deaminase 2: An International Consensus Statement. JAMA Netw Open, 2023;6(5):e2315894. Repositório Utrecht
  • Johns Hopkins Vasculitis Center. Polyarteritis Nodosa (página informativa). hopkinsvasculitis.org