Terapia intensiva pediátrica · Suporte avançado

Choque na UTI pediátrica — monitorização hemodinâmica e drogas vasoativas

Tipos de choque, metas hemodinâmicas, ultrassom à beira do leito, fluidos, drogas vasoativas com doses, hidrocortisona e ECMO, segundo SBP, Surviving Sepsis Campaign 2026 e SECIP

Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF

Em resumo

Choque é a oferta de oxigênio insuficiente para a demanda dos tecidos; na criança, a hipotensão é tardia e marca o choque descompensado. Reconhece-se antes, por taquicardia, tempo de enchimento capilar (TEC) > 2 s, pulsos finos, extremidades frias, pele moteada, alteração da consciência e diurese < 1 mL/kg/h. Os tipos — hipovolêmico, distributivo, cardiogênico e obstrutivo — com frequência se misturam. Na UTI, a ressuscitação é guiada pela clínica, com lactato, SvcO2 ≥ 70% e ultrassom à beira do leito (SSC 2026). Fluidos em bolus de 10–20 mL/kg com reavaliação, cristaloide balanceado; sem UTI e sem hipotensão, não fazer bolus. Persistindo a má perfusão, adrenalina (0,05–1 mcg/kg/min) ou noradrenalina, já por veia periférica ou intraóssea. Choque nunca é tratado em casa: toda suspeita é 🔴 — SAMU 192, oxigênio para SpO2 94–98%, acesso e UTI pediátrica. O reconhecimento e o pacote da primeira hora da sepse estão em Sepse e choque séptico na criança.

1.O que é e como se apresenta

Fisiologia: oferta de O2 = débito cardíaco × conteúdo arterial de O2. A criança pequena depende da frequência cardíaca e compensa com vasoconstrição intensa — mantém a PA até tarde e descompensa de forma abrupta.

Tipos de choque (PALS do site; SBP, Manual de Orientação nº 5/2019):

Tipo Mecanismo Causas na criança Pistas clínicas
Hipovolêmico Pré-carga baixa Diarreia e vômitos, cetoacidose, queimadura, dengue, hemorragia (trauma, maus-tratos) Mucosas secas, fontanela deprimida, perda de peso
Distributivo Vasodilatação e má distribuição do fluxo Sepse, anafilaxia, lesão medular (neurogênico), intoxicações Séptico "quente": pulsos amplos, diastólica baixa; "frio": vasoconstrição; neurogênico: hipotensão com bradicardia
Cardiogênico Contratilidade ou ritmo Miocardite, cardiomiopatia, cardiopatia congênita, taquicardia supraventricular, sepse com disfunção miocárdica Hepatomegalia, estertores, galope, estase jugular, piora após volume
Obstrutivo Obstrução ao enchimento ou à ejeção Pneumotórax hipertensivo, tamponamento, tromboembolismo pulmonar; no RN, cardiopatia dependente do canal arterial Pulso paradoxal, jugulares ingurgitadas, desvio de traqueia, bulhas abafadas

Fases: compensado (PA normal, perfusão alterada) → descompensado ou hipotensivo (PA sistólica abaixo do limite para a idade) → irreversível (falência de múltiplos órgãos). Hipotensão pela PA sistólica (PALS do site): < 60 mmHg no RN; < 70 mmHg de 1 a 12 meses; < 70 + (2 × idade em anos) de 1 a 10 anos; < 90 mmHg acima de 10 anos.

Choque séptico é a sepse com ≥ 1 ponto cardiovascular no escore de Phoenix (SBP, DC nº 133/2024): PAM baixa para a idade, lactato ≥ 5 mmol/L ou droga vasoativa — detalhes em Sepse e choque séptico na criança.

2.Classificação de gravidade

Gravidade Critérios clínicos Conduta
🟢 Leve Sem choque: perda hídrica ou febre com FC que normaliza com hidratação ou com a febre controlada, TEC ≤ 2 s, extremidades quentes, pulsos cheios, consciência normal, diurese preservada Tratar a causa em casa (por exemplo, terapia de reidratação oral), retorno programado e sinais de alerta por escrito
🟡 Moderada Sinais intermediários sem critério de choque: taquicardia persistente, TEC 2–3 s, diurese reduzida, criança menos ativa; desidratação com sinais de alerta Observação no pronto-socorro com reavaliação seriada, glicemia e lactato; piora → 🔴; melhora → casa com reavaliação em 24–48 h
🔴 Grave Choque compensado (taquicardia + TEC > 2 s, pulsos finos, extremidades frias, pele moteada, oligúria, alteração da consciência) ou hipotensivo; lactato elevado; necessidade de droga vasoativa; sinais de choque cardiogênico ou obstrutivo SAMU 192 → pronto-socorro e UTI pediátrica; oxigênio, acesso venoso ou intraósseo, glicemia, fluidos conforme o tipo; antibiótico na suspeita de sepse

Fatores que elevam a gravidade

  • Idade < 3 meses, prematuridade, cardiopatia congênita, cardiomiopatia.
  • Imunossupressão, neutropenia, asplenia, doença falciforme, cateter central.
  • Corticoide recente ou crônico, doença adrenal ou hipofisária (risco de insuficiência adrenal).
  • Desnutrição grave, doença renal crônica, local sem UTI pediátrica.
  • Hipotensão, lactato ≥ 5 mmol/L, bradicardia com má perfusão (pré-parada).

3.Diagnóstico no consultório

É clínico: Triângulo de Avaliação Pediátrica e ABCDE; FC, FR, PA com manguito adequado, TEC, extremidades, pulsos, consciência, SpO2, glicemia capilar, fígado, ausculta, jugulares e pele (petéquias, urticária). Sinais vitais por idade: PALS do site.

Pistas para o tipo — e para não errar no volume:

  • Hepatomegalia, estertores, galope ou piora após bolus → cardiogênico: alíquotas pequenas e inotrópico precoce.
  • Bradicardia com hipotensão após trauma → neurogênico.
  • Urticária, broncoespasmo, exposição a alérgeno → anafilático: adrenalina IM primeiro (padrão do site).
  • RN ou lactente jovem com choque e pulsos femorais fracos → cardiopatia dependente do canal: prostaglandina E1 com o cardiologista.
  • Ingurgitamento jugular, desvio de traqueia, assimetria de murmúrio, abafamento de bulhas → obstrutivo: descompressão é o tratamento.

Exames — no hospital, sem atrasar a estabilização: gasometria com lactato, glicemia, eletrólitos, cálcio iônico, hemograma, função renal e hepática, coagulograma; troponina e NT-proBNP se suspeita cardiogênica; hemocultura se sepse; ECG, radiografia de tórax e ecocardiograma.

Diferencial que não pode passar: taquicardia supraventricular, miocardite, MIS-C, crise adrenal, cetoacidose, erros inatos, intoxicações e maus-tratos.

4.Tratamento e seguimento

O pediatra estabiliza e transfere (ver Quando encaminhar). A UTI pediátrica faz monitorização invasiva, drogas vasoativas tituladas, ventilação, terapia renal substitutiva e ECMO.

Metas da ressuscitação na UTI:

  • Clínicas (base da conduta): FC normal para a idade, TEC ≤ 2 s, pulsos normais, extremidades quentes, consciência normal, diurese > 1 mL/kg/h (SBP 2019; SECIP 2020; SSC 2026).
  • PAM: limite ideal não estabelecido; manter entre os percentis 5 e 50 ou acima do p50 para a idade (SBP, DC nº 6/2021). Phoenix pontua PAM ≤ 30 (até 1 mês), ≤ 38 (1–11 meses), ≤ 43 (1 a < 2 anos), ≤ 44 (2 a < 5 anos), ≤ 48 (5 a < 12 anos) e ≤ 51 mmHg (12–17 anos) (SBP, DC nº 133/2024).
  • Lactato: acompanhar a tendência (meta < 2 mmol/L — SBP 2019).
  • SvcO2 ≥ 70% quando houver cateter central (SSC 2026, sugestão fraca; SBP 2019; SECIP 2020).
  • Ultrassom à beira do leito (POCUS): função ventricular, derrame pericárdico, veia cava e linhas B pulmonares, para decidir entre volume, inotrópico e vasopressor (SSC 2026, sugestão fraca, se houver recurso; SBP, DC nº 6/2021).

Fluidos (SSC 2026; SBP, DC nº 6/2021; PALS do site):

  • Com UTI: bolus de 10–20 mL/kg, até 40–60 mL/kg na 1ª hora, reavaliando após cada um e parando se houver sobrecarga (hepatomegalia, estertores, queda da SpO2).
  • Sem UTI e sem hipotensão: não fazer bolus (recomendação forte; ensaio FEAST), só manutenção; sem UTI e com hipotensão: até 40 mL/kg.
  • Cristaloide balanceado (Ringer lactato, Plasma-Lyte) em vez de SF 0,9% (SSC 2026; SBP, DC nº 6/2021; SECIP 2020); SF 0,9% é alternativa e preferível na hiponatremia e na infecção do SNC (SSC 2026). Cristaloide em vez de albumina; sem amidos nem gelatinas (SBP).
  • Cardiogênico e RN: alíquotas de 5–10 mL/kg (PALS do site). Hemorrágico: hemocomponentes precoces (Transfusão de hemocomponentes na criança). Estabilizado, evitar balanço hídrico positivo acumulado.

Drogas vasoativas:

  • Choque séptico refratário a fluidos: adrenalina ou noradrenalina em 1ª linha, sem preferência (SSC 2026; SBP, DC nº 6/2021). Na prática (SBP 2019; SECIP 2020): adrenalina no choque "frio" com baixo débito, noradrenalina no "quente" com hipotensão, confirmando o perfil com lactato, SvcO2 e ultrassom. Pode começar antes de 40–60 mL/kg se houver hipotensão grave ou sobrecarga.
  • Via: veia periférica, em concentração diluída, ou intraóssea, sem esperar o cateter central (SSC 2026; SBP, DC nº 6/2021; SECIP 2020), vigiando extravasamento; cateter central assim que possível. Dopamina só na falta das duas (SBP 2019).
  • Doses altas de catecolaminas: acrescentar vasopressina (SBP, DC nº 6/2021; a SSC 2026 aceita também subir a catecolamina).
  • Baixo débito com PA normal e resistência alta: milrinona ou dobutamina; a SSC 2026 não recomenda nem contraindica inodilatador, e a SBP (DC nº 6/2021) e a SECIP o usam na hipoperfusão persistente com disfunção cardíaca.
  • Choque cardiogênico: milrinona de 1ª linha na miocardite (AHA 2021), adrenalina em dose baixa se hipotensão — conduta em Miocardite, pericardite e MIS-C e Insuficiência cardíaca na criança (Cardiologia).
  • Obstrutivo: descompressão (drenagem, pericardiocentese); a droga vasoativa é só ponte.
Medicamento Dose Intervalo Duração Observação e referência
Adrenalina 0,05–1 mcg/kg/min Infusão contínua Titular pela perfusão e PA SBP, MO nº 5/2019 (padrão do site); SBP DC nº 6/2021 e SECIP iniciam em 0,05–0,3; AHA antiga 0,01–1
Noradrenalina 0,05–2 mcg/kg/min Infusão contínua Titular PALS do site; SBP 2019 e SECIP iniciam em 0,05
Dobutamina 2–20 mcg/kg/min Infusão contínua Titular PALS do site; SBP, GPA nº 158/2024: 2,5–15 (divergência); taquicardia
Milrinona 0,25–0,75 mcg/kg/min; ataque 50–75 mcg/kg em 30–60 min Infusão contínua Bula: até 35 h Bula (Primacor, uso pediátrico); GPA SBP nº 158/2024: 0,5–4 (provável erro); hipotensão; acumula na insuficiência renal
Vasopressina 0,0005–0,002 U/kg/min Infusão contínua Enquanto necessária Indicação: SBP DC nº 6/2021 e SSC 2026 (sem dose); dose: ensaio de Choong 2009 (fonte primária), sem benefício
Dopamina 5–20 mcg/kg/min Infusão contínua Titular Só na falta das anteriores (SBP 2019; PALS do site)
Hidrocortisona 50–100 mg/m²/dia IV (≈ 2–4 mg/kg/dia) 6/6 h Até suspender as drogas vasoativas PALS do site; SECIP 2020: 100 mg/m²/dia
Glicose IV (≥ 1 mês) 0,5–1 g/kg (SG 25% 2–4 mL/kg ou SG 10% 5–10 mL/kg) Conforme glicemia Manter 80–180 mg/dL Padrão do site (MS, SAMU 192)

Hidrocortisona: não usar quando fluidos e drogas vasoativas estabilizam (SSC 2026, rec. 40, sugestão fraca; SBP, DC nº 6/2021). No choque que segue instável apesar de fluidos e drogas vasoativas, a SSC 2026 (rec. 41) acha evidência insuficiente e a SBP não se posiciona a favor nem contra; a SECIP a reserva a esse grupo: decisão do intensivista. Dose de estresse indicada na insuficiência adrenal suspeita ou confirmada (SSC 2026): exposição aguda ou crônica a corticoide, doença hipotálamo-hipofisária, hiperplasia adrenal congênita, cetoconazol ou etomidato recentes (SBP, DC nº 6/2021).

Antes de chamar de refratário (SBP 2019; SECIP 2020): afastar derrame pericárdico, pneumotórax e hipertensão intra-abdominal; corrigir hipoglicemia e hipocalcemia; controlar o foco.

ECMO: venoarterial só como resgate no choque séptico refratário e venovenosa na hipoxemia refratária (SSC 2026, sugestões fracas; SBP, DC nº 6/2021); no cardiogênico refratário, ECMO ou assistência ventricular como ponte (SBP, GPA nº 158/2024). Discutir cedo a transferência a um centro com ECMO quando a catecolamina sobe sem resposta.

O que não fazer: esperar hipotensão; bolus sem reavaliação; volume liberal no cardiogênico; atrasar a droga vasoativa pelo cateter central; dopamina como 1ª escolha; hidrocortisona de rotina; ibuprofeno.

5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar

Pronto-socorro e UTI pediátrica, pelo SAMU 192, se houver:

  • Qualquer sinal de choque: taquicardia com TEC > 2 s, pulsos finos, extremidades frias, pele moteada, oligúria, alteração da consciência, hipotensão para a idade.
  • Púrpura com febre, suspeita de sepse, anafilaxia com resposta incompleta à adrenalina IM.
  • Hepatomegalia, estertores, galope ou FC muito alta e fixa; RN com pulsos femorais fracos.
  • Trauma com hemorragia ou lesão medular; suspeita de pneumotórax hipertensivo ou tamponamento.
  • Sinal 🟡 que não melhora com a reidratação ou família sem condições de observar e retornar.

Como encaminhar

  1. Acionar o SAMU 192 e avisar o serviço de destino; criança em choque não vai em carro particular.
  2. Oxigênio para SpO2 94–98% (RN e cardiopatia cianótica: metas próprias), monitorização; manter aquecida.
  3. Acesso venoso ou intraósseo se a equipe for treinada, sem atrasar a remoção.
  4. Glicemia capilar; se < 60 mg/dL, glicose IV 0,5–1 g/kg (≥ 1 mês).
  5. Volume conforme o tipo: 10–20 mL/kg com reavaliação; 5–10 mL/kg se suspeita cardiogênica; sem UTI e sem hipotensão, não fazer bolus.
  6. Anafilaxia: adrenalina IM 0,01 mg/kg (máx. 0,3 mg na criança, 0,5 mg no adolescente), repetindo em 5–15 min se necessário (padrão do site). Sepse: antibiótico conforme Sepse e choque séptico na criança.
  7. Relatório: sinais vitais seriados, volume, glicemia, medicamentos com dose e horário (Estabilização e transporte).

6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família

  • "Hoje seu filho não tem sinais de choque, mas a desidratação ou a infecção podem piorar em poucas horas. Ofereça líquidos aos poucos e observe como ele está, não só a febre."
  • Procurar o pronto-socorro imediatamente se houver: sonolência ou dificuldade para acordar, irritabilidade que não passa, mãos e pés frios, pele pálida, acinzentada ou marmorizada, lábios roxos, respiração rápida ou com esforço, xixi muito pouco (fraldas secas por muitas horas), vômitos que não param, manchas roxas que não somem ao apertar, desmaio, coração muito acelerado ou dor no peito.
  • Após a alta da UTI: levar o resumo de alta ao pediatra e avisar se houver cansaço, inchaço ou falta de ar.

7.Comparação com as referências

Item SBP Ministério da Saúde AAP NICE AEP Johns Hopkins Harvard Oxford / Cambridge
Metas Clínicas; PAM p5–p50 ou > p50; SvcO2 > 70% (DC nº 6/2021) Sem protocolo de UTI localizado Perfusão e PA para a idade (AHA/AAP 2025) Sem diretriz de UTI; NG254 remete ao especialista SvcO2 > 70%, ecografia (SECIP 2020) Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE
Fluidos 10–20 mL/kg, até 40–60; balanceado Estabilizar antes de referir 10–20 mL/kg, reavaliando 10 mL/kg (máx. 250 mL) 10–20 mL/kg, limite 60; balanceado — — Segue o NICE
1ª droga e via Adrenalina ou noradrenalina; periférica ou IO — Adrenalina ou noradrenalina Especialista Adrenalina 0,05–0,3; periférica ou IO — — Segue o NICE
Refratário Vasopressina; inodilatador na prática — — — Milrinona, vasopressina conforme o perfil — — Segue o NICE
Hidrocortisona Contra no estável; sem posição no refratário — — — Reservada ao refratário — — Segue o NICE

Leitura: SBP (DC nº 6/2021, baseado na SSC 2020), SSC 2026, SECIP (2020) e PALS (AHA/AAP 2025) convergem em metas clínicas, bolus de 10–20 mL/kg com reavaliação, cristaloide balanceado, adrenalina ou noradrenalina por via periférica ou IO, vasopressina e ECMO como resgate. Divergências: a SSC 2026 não define a catecolamina preferida, a meta de PAM, o papel dos inodilatadores nem o da hidrocortisona no refratário, e sugere SpO2 de 88–92% na UTI (o site mantém 94–98%); a SECIP reserva a hidrocortisona ao refratário e inicia a adrenalina em 0,05–0,3; o NICE usa bolus de 10 mL/kg; a AHA usava adrenalina 0,01–1; o GPA de Insuficiência cardíaca da SBP (2024) traz dobutamina 2,5–15 e milrinona 0,5–4 (provável erro: repete a faixa do nitroprussiato; o site segue a bula, 0,25–0,75). O site adota a posição da SBP e, onde ela é anterior ou silente, a SSC 2026, com os padrões do site: adrenalina 0,05–1, noradrenalina 0,05–2 e dobutamina 2–20 mcg/kg/min (PALS do site) e SpO2 94–98%.

Pontos práticos
  1. Choque se reconhece antes da hipotensão: taquicardia, TEC > 2 s, pulsos finos, extremidades frias, consciência e diurese.
  2. Identifique o tipo antes do segundo bolus: hepatomegalia, estertores ou piora com volume indicam choque cardiogênico — alíquotas de 5–10 mL/kg e inotrópico.
  3. Bolus de 10–20 mL/kg de cristaloide balanceado com reavaliação após cada um; sem UTI e sem hipotensão, não faça bolus.
  4. Adrenalina 0,05–1 mcg/kg/min ou noradrenalina 0,05–2 mcg/kg/min, já por veia periférica ou intraóssea, sem esperar o cateter central.
  5. Na UTI, guie-se pela clínica, pelo lactato, pela SvcO2 ≥ 70% e pelo ultrassom à beira do leito; vasopressina ou milrinona conforme o perfil hemodinâmico.
  6. Hidrocortisona só no choque refratário, por decisão do intensivista, e sempre se houver risco de insuficiência adrenal; ECMO como resgate em centro especializado.

Veja também, nesta Biblioteca: Reconhecimento precoce da criança que piora — escores de alerta (PEWS), time de resposta rápida e quando chamar a UTI (nesta área); Sepse e choque séptico na criança, Estabilização e transporte, Distúrbios hidroeletrolíticos e Suporte respiratório na emergência (Urgências e emergências); PALS; Miocardite, pericardite e MIS-C, Insuficiência cardíaca na criança e Cianose e crise hipoxêmica (Cardiologia); Transfusão de hemocomponentes na criança (Hematologia); Protocolo de Anafilaxia.

8.Fontes

  • SBP, Departamento Científico de Terapia Intensiva. Novas diretrizes do Surviving Sepsis Campaign 2020 para o tratamento da sepse e choque séptico em pediatria (DC nº 6), 12/02/2021. PDF
  • SBP, Departamento Científico de Terapia Intensiva. Sepse grave e choque séptico pediátrico (Manual de Orientação nº 5), fevereiro de 2019. PDF
  • SBP, Departamento Científico de Medicina Intensiva Pediátrica. Diretrizes para novas definições de sepse e choque séptico em pediatria (DC nº 133), 23/02/2024. PDF
  • SBP, Departamento Científico de Cardiologia. Insuficiência cardíaca na criança (Guia Prático de Atualização nº 158), 20/06/2024. PDF
  • Weiss S et al. Surviving Sepsis Campaign International Guidelines for Sepsis and Septic Shock in Children 2026. Pediatr Crit Care Med, 23/03/2026. SCCM; texto das recomendações: Guideline Central
  • SECIP (AEP), Grupo de Trabalho de Infecciosas. Protocolo de diagnóstico y tratamiento del shock séptico y de la sepsis asociada a disfunción orgánica, março de 2020. PDF
  • Sanofi Medley. Primacor (lactato de milrinona) — bula do profissional de saúde. PDF
  • Choong K et al. Vasopressin in pediatric vasodilatory shock — a multicenter randomized controlled trial. Am J Respir Crit Care Med, 2009. PMC