Urgências e emergências pediátricas · Trauma, queimaduras e acidentes

Afogamento e obstrução de via aérea por corpo estranho

Classificação de Szpilman, reanimação com prioridade para a ventilação, observação e alta no afogamento; manobras de desengasgo por idade, aspiração não presenciada e broncoscopia, segundo SBP 2025, Ministério da Saúde, SOBRASA, AHA/AAP 2025 e SEUP 2024

Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF

Em resumo

Afogamento é a insuficiência respiratória por submersão ou imersão em líquido; a lesão é a hipóxia, e a reanimação começa pela ventilação: 5 ventilações de resgate e, sem sinais de vida, RCP 30:2 (um socorrista) ou 15:2 (dois), sem tentar retirar água dos pulmões e sem manobra de Heimlich (SOBRASA; PALS do site). A gravidade segue a classificação de Szpilman (graus 1 a 6). Todo afogado vai ao serviço de saúde (Ministério da Saúde, SAMU 192; site); a criança assintomática após submersão significativa fica 6–12 horas em observação e recebe alta se exame e SpO2 forem normais (SEUP 2024). No engasgo, tosse eficaz não se interrompe. Na obstrução total (não tosse, não chora, não fala): abaixo de 1 ano, 5 golpes nas costas e 5 compressões torácicas; a partir de 1 ano, Heimlich direto (SBP 2025) ou 5 golpes nas costas alternados com 5 compressões abdominais (AHA/AAP 2025); se perder a consciência, RCP e SAMU 192. Toda criança que precisou de manobra e todo engasgo seguido de tosse persistente, sibilância ou ausculta assimétrica vão ao pronto-socorro: radiografia normal não exclui corpo estranho, e a broncoscopia decide.

1.O que é e como se apresenta

Afogamento

  • Resgate é a vítima retirada viva da água sem tosse nem espuma em boca ou nariz; afogamento pressupõe evidência de aspiração (tosse, espuma, dispneia). "Quase afogamento" e "afogamento secundário" são termos obsoletos (SOBRASA 2017).
  • No Brasil, é a 1ª causa de morte de 1 a 4 anos, a 2ª de 5 a 9 e a 3ª de 10 a 14 anos (SBP 2023). Abaixo de 5 anos, basta pouca água (balde, banheira, vaso sanitário); o afogamento é rápido e silencioso. No adolescente: grupo, álcool, nadar sozinho, mergulho em água rasa (trauma cervical).
  • A água lesa o surfactante, com shunt, hipoxemia e edema pulmonar, seguidos de lesão hipóxico-isquêmica cerebral; água doce e salgada lesam de forma semelhante. Hipotermia é frequente. O prognóstico depende sobretudo do tempo de submersão (SOBRASA 2017).

Obstrução de via aérea por corpo estranho (OVACE)

  • Cerca de 90% dos casos ocorrem abaixo de 5 anos (SBP 2025): amendoim e castanhas, uva, salsicha, cenoura crua, pipoca, balas, carne; peças pequenas, moedas e balões de látex (principal causa de engasgo fatal abaixo de 6 anos).
  • A maioria se aloja nos brônquios (direito ≈ 52%, esquerdo ≈ 18%); laringe e traqueia são menos comuns, mas causam obstrução total (SBP 2025).
  • Quadro: engasgo súbito com tosse em crise, estridor ou cianose ao comer ou brincar; depois, um intervalo assintomático que engana; seguem-se tosse, sibilância unilateral, murmúrio reduzido localizado e, semanas depois, pneumonia de repetição no mesmo lobo ou atelectasia.
  • Engasgo por líquidos (leite, saliva, vômito), comum no lactente, é em geral reflexo protetor e não é OVACE: não se fazem manobras de desobstrução (SBP 2025).

2.Classificação de gravidade

Szpilman (SOBRASA), no local ou no primeiro atendimento; mortalidade entre parênteses (Chest 1997):

Grau Achado Conduta inicial
Resgate Sem tosse, espuma ou dispneia Avaliação; liberar se exame normal
1 Tosse, ausculta normal (0%) Repouso, aquecimento, observação
2 Estertores em alguns campos (0,6%) O2 por cânula; observação hospitalar 6–24 h
3 Edema pulmonar sem hipotensão (5,2%) O2 por máscara; em geral intubação; UTI
4 Edema pulmonar com hipotensão (19,4%) Intubação, PEEP, volume; UTI
5 Parada respiratória com pulso (44%) Ventilação imediata; depois como grau 4
6 Parada cardiorrespiratória (93%) RCP começando pela ventilação; UTI
Cadáver Submersão > 1 h ou sinais evidentes de morte Não reanimar

Semáforo do site:

Gravidade Critérios clínicos Conduta
🟢 Leve Engasgo resolvido pela tosse da criança, sem tosse residual, ausculta simétrica e SpO2 normal; resgate sem tosse, espuma ou dispneia, já avaliado em serviço de saúde (Acidentes domésticos), com exame e SpO2 normais Orientação, sinais de alerta e retorno se surgirem sintomas; ensinar as manobras
🟡 Moderada Submersão significativa ou grau 1, assintomático; tosse persistente após engasgo, sem desconforto; criança que precisou de manobra e está bem; engasgo antigo com tosse ou chiado localizado, estável Pronto-socorro: observação de 6–12 h no afogamento (SEUP 2024); radiografia e avaliação para broncoscopia no engasgo (SBP 2025)
🔴 Grave Afogamento grau 2 a 6: estertores, desconforto, SpO2 < 94%, alteração de consciência, hipotermia, hipotensão, ventilação ou RCP no local, mecanismo de trauma; obstrução total; estridor, cianose, sibilância unilateral ou assimetria após engasgo SAMU (192); ventilação e oxigênio; serviço com UTI pediátrica e broncoscopia; ver "Como encaminhar"

Fatores de risco que elevam a gravidade

  • Afogamento: submersão prolongada, RCP no local, demora para ventilar, Glasgow baixo, trauma (mergulho), álcool ou drogas, crise convulsiva ou arritmia como causa (QT longo), hipotermia grave.
  • OVACE: idade < 3 anos, corpo estranho orgânico (amendoim inflama a mucosa), objeto grande ou cortante, localização laríngea ou traqueal, diagnóstico tardio, distúrbio de deglutição.

3.Diagnóstico no consultório

Afogamento — clínico; a classificação de Szpilman exige só ausculta, pulso e pressão arterial. Registrar tempo de submersão, tipo e temperatura da água, quando começou a ventilação, RCP e duração, mecanismo, Glasgow, FR, SpO2, temperatura e glicemia capilar. No serviço, radiografia e gasometria conforme a gravidade; a radiografia não é imprescindível no assintomático (SEUP 2024). Coluna cervical só com mecanismo de trauma ou sinais neurológicos (SOBRASA 2017; SEUP 2024). História incoerente: pensar em negligência.

OVACE — a história de engasgo é o dado mais importante; perguntar ativamente.

  • Exame: estridor (laringe/traqueia), sibilância ou murmúrio reduzido unilateral, assimetria de expansão; pode ser normal.
  • Radiografia de tórax inspiratória e expiratória (SBP 2025): hiperinsuflação unilateral, atelectasia, desvio do mediastino; poucos objetos são radiopacos. Normal não exclui; tomografia nos casos duvidosos (SBP 2025).
  • Broncoscopia: com história sugestiva e sintomas ou sinais localizados, mesmo com radiografia normal (site). A rígida é a de escolha para retirar (sucesso ≈ 95%); a flexível é alternativa nos brônquios distais (SBP 2025).
  • Aspiração não presenciada: tosse crônica ou "asma" que não responde, sibilância localizada, pneumonia persistente ou de repetição no mesmo lobo, atelectasia que não resolve.
  • Diferencial que não pode passar: crupe, epiglotite e traqueíte bacteriana, anafilaxia com edema de glote (Protocolo de Anafilaxia do site), asma e bronquiolite (sibilância bilateral), corpo estranho esofágico, bateria de botão e ímãs (Acidentes domésticos).

4.Tratamento e seguimento

Afogamento — ventilação primeiro

  1. Retirar da água com segurança (acionar 193/192); em terra, decúbito dorsal. Não drenar a água (cabeça para baixo ou compressão abdominal aumentam vômito e aspiração) (SOBRASA 2017; SEUP 2024).
  2. Sem respiração: 5 ventilações de resgate (SOBRASA; SEUP 2024). Com pulso (grau 5): só ventilação, 1 a cada 2–3 s (PALS do site). Sem sinais de vida (grau 6): RCP 30:2 (um socorrista) ou 15:2 (dois), 100–120/min (PALS do site); DEA assim que disponível.
  3. Vômito: lateralizar, limpar a boca e continuar. Retirar roupas molhadas e aquecer; não interromper a RCP antes do reaquecimento (SOBRASA: acima de 34 °C).
  4. No serviço: oxigênio para SpO2 ≥ 94%; CPAP ou ventilação não invasiva no edema pulmonar se a consciência permitir; intubação se necessário; o oxigênio costuma durar 48–72 h (SEUP 2024).
  5. Não usar antibiótico nem corticoide profilático, nem furosemida no edema pulmonar; antibiótico só se surgir pneumonia (SEUP 2024).

OVACE — manobras por idade e quando não intervir (SBP 2025)

  • Obstrução parcial (tosse, choro ou fala): não fazer manobras — podem tornar a obstrução total. Acalmar, deixar na posição que preferir, estimular a tosse, observar e levar ao pronto-socorro se persistir; se a tosse ficar ineficaz, golpes leves no dorso antes das manobras.
  • Obstrução total, < 1 ano: bebê de bruços sobre o antebraço apoiado na coxa, cabeça mais baixa, mão segurando a mandíbula; 5 golpes entre as escápulas com o calcanhar da mão; virar e fazer 5 compressões torácicas com dois dedos logo abaixo da linha mamilar; repetir. Nunca compressão abdominal no lactente.
  • Obstrução total, ≥ 1 ano: há duas condutas aceitas. SBP 2025: compressões abdominais (manobra de Heimlich) direto — socorrista atrás (de joelhos na criança pequena), punho entre o umbigo e o apêndice xifoide, compressões rápidas para dentro e para cima até a expulsão. AHA/AAP 2025: 5 golpes nas costas (criança inclinada para a frente) alternados com 5 compressões abdominais, até a expulsão.
  • Inconsciente: SAMU (192), superfície rígida, RCP pelas compressões; antes de ventilar, olhar a boca e retirar o objeto só se visível. Nunca varredura às cegas, nunca pendurar de cabeça para baixo, não dar água (SBP 2025; SAMU 192).
  • Engasgo por líquido: sentar, limpar a boca e observar; apneia, estimular as costas; sem retorno, RCP.
  • Depois de qualquer manobra: exame médico e radiografia (fragmento residual, lesão pela manobra). Corpo estranho retido há semanas: antibiótico e corticoide antes da retirada a critério do especialista (SBP 2025).
Medicamento Dose Intervalo Duração Observação e referência
Oxigênio Manter SpO2 ≥ 94% Contínuo Afogamento: em geral 48–72 h 100% na PCR e na instabilidade (PALS do site; SEUP 2024)
Adrenalina IV/IO (PCR) 0,01 mg/kg (0,1 mL/kg de 1:10.000), máx. 1 mg A cada 3–5 min Durante a RCP PALS do site (AHA)
Glicose IV (hipoglicemia) 0,5–1 g/kg (SG 25% 2–4 mL/kg ou SG 10% 5–10 mL/kg) a partir de 1 mês; RN: SG 10% 2 mL/kg Repetir pela glicemia — MS, Protocolo SAMU 192; padrão do site
Salbutamol spray + espaçador (broncoespasmo) 4–10 jatos de 100 mcg (6–11 anos); < 6 anos, jatos por peso (SEUP) A cada 20 min na 1ª hora Conforme resposta GINA 2025; documento de asma do site
Midazolam (crise ≥ 5 min) IN 0,2; bucal 0,3; IM 0,2 mg/kg (máx. 10 mg) Conforme protocolo — Protocolo de Estado de Mal Convulsivo do site

No edema de glote por anafilaxia, que imita a OVACE: adrenalina IM 0,01 mg/kg (máx. 0,3 mg na criança, 0,5 mg no adolescente) (Protocolo de Anafilaxia do site).

5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar

  • Todo afogado e toda submersão significativa, mesmo assintomática (Ministério da Saúde, SAMU 192; site).
  • Afogamento com estertores, desconforto, SpO2 < 94%, alteração de consciência, hipotensão, hipotermia, ventilação ou RCP no local, trauma ou intoxicação: internação; graus 3 a 6 em UTI pediátrica (SOBRASA 2017).
  • Obstrução total e toda criança que precisou de manobra de desengasgo.
  • Engasgo seguido de tosse persistente, estridor, rouquidão, sibilância, assimetria, desconforto ou SpO2 baixa.
  • Suspeita de aspiração não presenciada com sinais localizados ou radiografia alterada: pronto-socorro com broncoscopia, ou encaminhamento com urgência à pneumologia ou cirurgia pediátrica.

Alta após afogamento: sem RCP, assintomática, Glasgow > 13, após 6–12 h com SpO2 e exame normais (SEUP 2024).

Como encaminhar

  1. Ventilação e oxigênio primeiro (ABCDE): SpO2 ≥ 94%; bolsa-valva-máscara se a respiração for insuficiente; RCP pelo PALS do site.
  2. Coluna cervical só com mecanismo de trauma ou sinais neurológicos, sem atrasar a ventilação (SOBRASA 2017).
  3. Inconsciente que respira: posição lateral de segurança. Retirar roupas molhadas, aquecer, medir temperatura e glicemia.
  4. Obstrução parcial: criança no colo, na posição que escolher, oxigênio sem forçar a máscara, jejum, sem espátula na orofaringe e sem tentar retirar o objeto.
  5. SAMU (192) se houver instabilidade; contato prévio com o destino (broncoscopia ou UTI).
  6. Relatório: horário, tempo de submersão, manobras e RCP, sinais vitais seriados, grau de Szpilman, tipo de objeto.
  7. Suspeita de negligência ou maus-tratos: notificação obrigatória (compulsória) e Conselho Tutelar.

6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família

  • "Depois do afogamento, mesmo que a criança pareça bem, ela precisa ser examinada e, às vezes, observada no hospital."
  • "Se a criança engasgar e estiver tossindo forte, chorando ou falando, deixe-a tossir. Só faça a manobra se ela não conseguir tossir, chorar ou respirar. Nunca coloque o dedo na garganta nem vire a criança de cabeça para baixo."
  • Procurar o pronto-socorro se houver: após afogamento — tosse que não passa, respiração rápida ou difícil, chiado, febre, sonolência ou vômitos nas horas seguintes; após engasgo — tosse persistente, chiado, rouquidão, falta de ar, febre ou pneumonia, mesmo semanas depois.
  • Prevenção do afogamento (SBP 2023; SOBRASA; AAP): supervisão a um braço de distância, sem celular; baldes e bacias vazios, piscina portátil esvaziada, vaso sanitário fechado; cerca nos 4 lados da piscina (1,5 m, vãos de até 12 cm, portão com trava); boia não é segurança, só colete; natação a partir de 4 anos (SBP), sem substituir a supervisão; não mergulhar em água rasa; sem álcool perto da água; ralos com proteção contra sucção.
  • Prevenção do engasgo (SBP 2025; site): até 4 anos, evitar amendoim, castanhas, pipoca e balas duras; uva cortada em quatro e salsicha no comprimento; comer sentado e supervisionado; balões de látex, moedas, baterias e ímãs fora do alcance.
  • Cuidadores aprendem desengasgo e RCP; salvar SAMU 192 e Bombeiros 193.

7.Comparação com as referências

Item SBP Ministério da Saúde AAP NICE AEP Johns Hopkins Harvard Oxford / Cambridge
Afogamento — reanimação Sem documento clínico localizado A-B-C, O2 100%; considerar imobilizar a coluna (SAMU 2016) Ventilação precoce (AHA/AAP 2025) Sem diretriz; NHS: RCUK 2025, reverter hipóxia 5 ventilações; 15:2; sem Heimlich (SEUP 2024) Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE; RCUK 2025
Afogamento — observação Sem posição localizada Toda criança submersa ao hospital Sem posição específica localizada Sem diretriz Assintomático, Glasgow > 13: 6–12 h Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE
Prevenção do afogamento Braço de distância; cerca 1,5 m; natação ≥ 4 anos (2023) Sem posição específica localizada Camadas; cerca nos 4 lados; natação após 1 ano Sem diretriz Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE
OVACE < 1 ano 5 golpes + 5 compressões torácicas (2 dedos) 5 golpes + 5 compressões torácicas 5 golpes + 5 torácicas; sem abdominal (2025) Sem diretriz; RCUK: 2 polegares 5 golpes + 5 torácicas Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE; RCUK 2025
OVACE ≥ 1 ano Heimlich; não intervir com tosse eficaz Heimlich; obstrução leve sem manobras 5 golpes alternados com 5 abdominais (2025) Sem diretriz; RCUK: golpes, depois abdominais 5 golpes alternados com 5 abdominais Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE; RCUK 2025
Aspiração — diagnóstico Rx inspiração/expiração; normal não exclui; broncoscopia rígida Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Sem diretriz Avaliação médica após qualquer manobra Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE

Leitura: há concordância no essencial: no afogamento, reverter a hipóxia com ventilação precoce, sem manobras para retirar água; no engasgo, não intervir enquanto a tosse for eficaz, sem varredura às cegas e sem compressão abdominal no lactente. As divergências: (1) a partir de 1 ano, SBP (2025) e SAMU (2016) indicam Heimlich, enquanto AHA/AAP 2025, RCUK 2025 e SEUP começam por 5 golpes nas costas alternados com 5 compressões abdominais; (2) compressões torácicas no lactente: a SBP mantém dois dedos, o RCUK usa dois polegares e a AHA 2025 abandonou os dois dedos nas compressões da RCP; (3) afogado assintomático: o Ministério da Saúde leva toda criança ao hospital, a SEUP observa 6–12 h e a SOBRASA libera no local o resgate e o grau 1; (4) coluna cervical: o SAMU considera imobilizar, SOBRASA e SEUP só com mecanismo de trauma; (5) natação: SBP a partir de 4 anos, SOBRASA de 2, AAP após 1 ano. O site adota a SBP (Guia Prático de 2025) e, no engasgo a partir de 1 ano, cita as duas condutas (SBP e AHA/AAP 2025); e, onde a SBP não tem posição, o Ministério da Saúde: todo afogado vai ao serviço de saúde, com observação de 6–12 h no assintomático (SEUP) e proteção cervical só com mecanismo de trauma, como em Acidentes domésticos.

Pontos práticos
  1. Afogamento é hipóxia: 5 ventilações de resgate, depois RCP 30:2 ou 15:2; nunca tentar tirar água nem fazer Heimlich.
  2. Todo afogado vai ao serviço de saúde; o assintomático após submersão significativa fica 6–12 h em observação.
  3. Não interromper a RCP do afogado hipotérmico antes de reaquecê-lo.
  4. Engasgo com tosse eficaz: não intervir. Obstrução total: < 1 ano, 5 golpes + 5 compressões torácicas; ≥ 1 ano, Heimlich direto (SBP 2025) ou 5 golpes nas costas alternados com 5 compressões abdominais (AHA/AAP 2025); inconsciente, RCP.
  5. Nunca varredura às cegas; engasgo por líquido não é OVACE.
  6. Tosse, sibilância ou murmúrio reduzido unilateral após engasgo: pronto-socorro; radiografia normal não exclui.

Veja também, nesta Biblioteca: Acidentes domésticos (Patologias do consultório; bateria de botão e ímãs); PALS e Principais Causas de Urgência em Pediatria (Urgências e Emergências); Protocolo de Anafilaxia e Protocolo de Estado de Mal Convulsivo; Tosse persistente e crônica; Pneumonias de repetição (Pneumologia); Consultas de puericultura (prevenção por idade).

8.Fontes

  • SBP, Curso de Suporte Básico de Vida. Obstrução de vias aéreas por corpo estranho e engasgo por líquidos: o que fazer? Guia Prático nº 222, 2025. PDF
  • SBP, Departamento Científico de Prevenção e Enfrentamento das Causas Externas. Afogamento, 2023. sbp.com.br
  • Ministério da Saúde. Protocolos de Suporte Básico de Vida — SAMU 192 (BPed 4, 5 e 27), 2016. PDF
  • Szpilman D. Afogamento — Diretriz de Ressuscitação, SOBRASA, 2017. PDF
  • Szpilman D. Near-drowning and drowning classification. Chest, 1997. PubMed
  • AHA e AAP. Part 6: Pediatric Basic Life Support, 2025 (resumo). PubMed
  • AAP. Denny SA et al. Prevention of Drowning. Pediatrics, 2021 (resumo). PubMed; orientação às famílias. healthychildren.org
  • SEUP-AEP. Lesiones por inmersión, 4ª ed., 2024. PDF
  • SEUP-AEP. Soporte vital (OVACE), 4ª ed., 2024. PDF
  • Resuscitation Council UK. Paediatric basic life support guidelines, 2025. resus.org.uk