Urgências e emergências pediátricas · Trauma, queimaduras e acidentes

Queimaduras na criança — atendimento inicial

Profundidade e extensão por Lund-Browder, primeiros socorros, curativo da queimadura pequena, analgesia, via aérea, hidratação e critérios de transferência ao centro de queimados (SBP, Ministério da Saúde 2012, ABA, SEUP 2024)

Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF

Em resumo

A queimadura mais comum na criança é a escaldadura por líquido quente, sobretudo em menores de 5 anos, em casa. O primeiro socorro muda o prognóstico: interromper a queimadura, retirar roupas e adornos não aderidos e resfriar com água corrente em temperatura ambiente por 20 minutos (útil até 3 horas depois), sem gelo, manteiga, pasta de dente ou café, mantendo a criança aquecida (SBP; site). A gravidade depende da profundidade (1º, 2º superficial, 2º profundo, 3º grau), da extensão (% da superfície corporal queimada, SCQ, pela palma da criança ≈ 1% ou pela tabela de Lund-Browder), da localização e do agente. Fica em casa (🟢) a queimadura de 1º grau ou de 2º grau superficial < 5% SCQ, fora de áreas especiais, sem suspeita de maus-tratos: curativo não aderente, sem romper bolhas, analgesia e revisão em 24–48 horas. Vão ao pronto-socorro e ao centro de queimados (🔴): 2º grau > 10% SCQ, qualquer 3º grau, face, olhos, mãos, pés, períneo, genitais, grandes articulações, circunferencial, elétrica, química, lesão inalatória, trauma associado e suspeita de maus-tratos (Ministério da Saúde 2012).

1.O que é e como se apresenta

Quase metade das queimaduras notificadas no Brasil envolve crianças, em geral no domicílio (Ministério da Saúde 2012).

Agentes: térmicos (cerca de 85%) — escaldadura (extensa e pouco profunda), contato (pequena e profunda), chama (álcool, fogueira, fogos), às vezes com inalação; elétricos — a área visível subestima o dano profundo, com risco de arritmia e rabdomiólise; químicos — os álcalis são mais profundos e progressivos; radiação solar.

Profundidade (Ministério da Saúde 2012; SEUP 2024):

Profundidade Aspecto Dor Evolução
1º grau Eritema, sem bolhas Dolorosa Cura em 3–6 dias
2º grau superficial Bolhas; base rósea, úmida, empalidece à pressão Muito dolorosa 7–21 dias, em geral sem cicatriz
2º grau profundo Base pálida ou mosqueada, mais seca, não empalidece Menos dolorosa > 21 dias, cicatriz; pode exigir enxerto
3º grau Placa branca nacarada ou enegrecida, aspecto de couro Indolor Não reepiteliza; enxerto

A profundidade costuma ser heterogênea e pode progredir nas primeiras 48–72 horas; a pele do menor de 5 anos é mais fina e queima mais fundo (SEUP 2024).

Extensão (% SCQ) — o 1º grau não entra no cálculo. Palma da criança com os dedos ≈ 1% (lesões pequenas ou esparsas). A tabela de Lund-Browder é a mais precisa na criança, porque corrige a cabeça proporcionalmente maior (valores de cada face; SEUP 2024):

Região (cada face) < 1 ano 1–4 anos 5–9 anos 10–14 anos Adulto
Cabeça 9,5 8,5 6,5 5,5 4,5
Coxa 2,75 3,25 4 4,25 4,5
Perna 2,5 2,5 2,75 3 3,25

Fixos em qualquer idade (cada face): pescoço 1; tronco 13; braço 2; antebraço 1,5; mão 1,25; nádega 2,5; pé 1,75; genitais 1 (região única). Na regra dos 9 adaptada, cabeça ≈ 18% no lactente.

Áreas especiais (Ministério da Saúde 2012): olhos, orelhas, face, pescoço, mãos, pés, região inguinal, períneo e genitais, grandes articulações e lesões que atingem ossos, músculos, nervos ou vasos.

2.Classificação de gravidade

Gravidade Critérios clínicos Conduta
🟢 Leve 1º grau; ou 2º grau superficial < 5% SCQ fora de áreas especiais; dor controlada por via oral; história compatível; em menores de 5 anos, só queimaduras mínimas Resfriamento, limpeza, curativo não aderente, analgesia; revisão em 24–48 horas
🟡 Moderada 2º grau de 5–10% SCQ; dúvida sobre a profundidade; dor difícil de controlar; família sem condição de fazer o curativo; menor de 5 anos com queimadura não mínima Pronto-socorro: avaliação, curativo e decisão sobre internação ou contato com o centro de queimados
🔴 Grave 2º grau > 10% SCQ; qualquer 3º grau; áreas especiais; circunferencial; elétrica; química; lesão inalatória; trauma associado; doença prévia; suspeita de maus-tratos ou tentativa de suicídio Pronto-socorro e transferência ao centro de tratamento de queimados após estabilização; SAMU (192) se instável

Fatores de risco que elevam a gravidade

  • Idade < 3 anos: fator de maior gravidade (Ministério da Saúde, 2012) — avaliar com mais cautela, sem tornar a transferência automática; menores de 5 anos têm via aérea menor e acesso venoso difícil.
  • Chama em ambiente fechado (monóxido de carbono, cianeto), explosão, queda ou eletrocussão.
  • Doença crônica, desnutrição, situação social adversa, atraso na procura, história incompatível.

3.Diagnóstico no consultório

O diagnóstico é clínico:

  1. ABCDE antes da pele. Fuligem em boca ou nariz, vibrissas queimadas, queimadura de face e pescoço, rouquidão, estridor, escarro carbonáceo ou dispneia = suspeita de lesão inalatória (🔴); o edema da via aérea progride nas primeiras horas (SEUP 2024). Na circunferencial, checar expansão torácica e perfusão distal; glicemia capilar se rebaixada.
  2. Oximetria normal não exclui intoxicação por monóxido de carbono (o oxímetro comum não distingue a carboxiemoglobina).
  3. História: hora, agente, mecanismo, testemunhas, tempo até a procura, primeiro socorro, vacina antitetânica, peso.
  4. Profundidade, % SCQ e localização, com desenho ou foto no prontuário.
  5. Padrões de maus-tratos (SEUP 2024; NICE CG89):
    • Imersão forçada: bordas nítidas, sem respingos, em luva ou meia, simétrica; nádegas, períneo e membros inferiores.
    • Forma do objeto (ferro; cigarro: pequenas, redondas, profundas).
    • Dorso das mãos, planta dos pés, costas, nuca; lactente que não se locomove; atraso na procura; história ausente, mutável ou incompatível com o desenvolvimento.

Exames: nenhum na queimadura leve. No serviço, nas moderadas e graves: hemograma, eletrólitos, função renal, gasometria, lactato e carboxiemoglobina se houver inalação, urina (mioglobinúria); na elétrica, CK e ECG com monitorização por 24–48 horas (Ministério da Saúde 2012; SEUP 2024).

Diferencial: impetigo bolhoso, síndrome da pele escaldada estafilocócica, fitofotodermatose, Stevens-Johnson — e maus-tratos rotulados como acidente.

4.Tratamento e seguimento

Primeiros socorros:

  • Afastar da fonte (na elétrica, desligar a corrente antes de tocar).
  • Retirar roupas e adornos não aderidos.
  • Água corrente em temperatura ambiente por 20 minutos, útil até 3 horas após (site; NHS); nunca gelo nem remédios caseiros (SBP). Resfriar a queimadura, não a criança.
  • Química: retirar roupa e pó e irrigar com água corrente por no mínimo 30 minutos; olhos, irrigação exaustiva; ligar para o Disque-Intoxicação 0800-722-6001 (Ministério da Saúde 2012).
  • Cobrir com filme plástico em camada única, sem enrolar apertado, ou pano limpo.

Curativo ambulatorial da queimadura pequena (🟢):

  • 1º grau: hidratante, analgesia, fotoproteção; sem curativo e sem corticoide tópico (SEUP 2024).
  • 2º grau superficial pequeno: limpeza com soro fisiológico ou água e sabão neutro; não romper bolhas (SBP); curativo não aderente (gaze de malha fina com vaselina) ou filme plástico, firme e não compressivo. Sulfadiazina de prata 1% ou curativos com prata são opções do serviço (Ministério da Saúde 2012; SEUP 2024), sem sulfadiazina abaixo de 2 meses (SEUP). Face: curativo exposto.
  • Revisão em 24–48 horas e depois a cada 2–3 dias. Não cicatrizou em 2 semanas, aprofundou ou infectou → centro de queimados.
  • Sem antibiótico sistêmico profilático (Ministério da Saúde 2012; SEUP 2024); celulite ao redor, mudança de cor ou de cheiro, febre ou dor crescente: reavaliar.
  • Tétano: queimadura é ferida de risco; vacina e, quando indicada, imunoglobulina antitetânica conforme a situação vacinal — seguir a profilaxia pós-exposição do Guia Vacinal Completo do site.
  • Após a cicatrização: hidratação, fotoproteção e vigilância de cicatriz hipertrófica.

Medicamentos

Medicamento Dose Intervalo Duração Observação e referência
Paracetamol 10–15 mg/kg/dose 4–6 h (máx. 5 doses/dia) Enquanto houver dor Máx. 75 mg/kg/dia, nunca > 4 g/dia; máx. 500 mg/dose < 12 anos (bula); reavaliar após 48–72 h (padrão do site)
Dipirona 15 mg/kg/dose 6 h (máx. 4 doses/dia) Enquanto houver dor Não usar < 3 meses ou < 5 kg (bula); padrão do site (decisão de 30/09/2026); SBP 2024 e MS: 15–25 mg/kg
Ibuprofeno 5–10 mg/kg/dose 6–8 h Enquanto houver dor A partir de 6 meses; evitar na queimadura extensa, desidratação, varicela e suspeita de dengue (padrão do site)
Morfina (só no serviço, IV) 0,05–0,1 mg/kg (0,5–1 mg para cada 10 kg) Conforme a dor, com monitorização Fase aguda e curativos Queimaduras moderadas e graves (Ministério da Saúde 2012; SEUP 2024: 0,1 mg/kg)
Ringer lactato (no serviço) 2–4 mL/kg × % SCQ nas 24 h 50% nas primeiras 8 h e 50% nas 16 h seguintes, contadas da hora da queimadura 24 h, ajustado pela diurese Fórmula de Parkland (Ministério da Saúde 2012); se SCQ > 10%
Soro de manutenção com glicose (no serviço) Holliday-Segar: 100 mL/kg/dia até 10 kg; + 50 mL/kg/dia de 10 a 20 kg; + 20 mL/kg/dia acima de 20 kg Contínuo Fase de reanimação Somado ao Parkland na criança, contra hipoglicemia (SEUP 2024; NHS Northern Burn Care Network 2026); o MS pede controle da glicemia

Hidratação (do serviço): SCQ > 10% na criança exige hidratação venosa formal, acesso periférico calibroso (mesmo em área queimada) e sonda vesical (Ministério da Saúde 2012; SEUP 2024). A fórmula é só o ponto de partida; titula-se pela diurese — 0,5–1 mL/kg/h pelo MS; 1 mL/kg/h abaixo de 30 kg nas referências pediátricas (SEUP 2024; Romanowski e Palmieri 2017); cerca de 1,5 mL/kg/h no trauma elétrico até clarear a urina (MS). Choque: bolus de 20 mL/kg conforme o PALS do site, sem descontar da fórmula, e procurar lesão associada. Sem coloide, diurético ou droga vasoativa nas primeiras 24 horas (MS).

5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar

Transferência ao centro de tratamento de queimados (Ministério da Saúde 2012), adotada pelo site:

  • 2º grau > 10% SCQ; 3º grau em qualquer extensão.
  • Face, olhos, períneo, mãos, pés ou grandes articulações.
  • Elétrica (internar sempre, monitorização por 24–48 horas) ou química.
  • Lesão inalatória ou circunferencial de tórax ou membros.
  • Doença associada, politrauma, maus-tratos, tentativa de suicídio ou situação social adversa.

Vão ao pronto-socorro (🟡): 2º grau de 5–10%, dúvida de profundidade, dor refratária ao analgésico oral e menor de 5 anos com queimadura não mínima.

Como encaminhar

  1. Via aérea primeiro. Inalação ou queimadura de face e pescoço: cabeceira a 30° e oxigênio a 100% em máscara com reservatório, independentemente da SpO2 (por 3 horas na suspeita de monóxido de carbono; Ministério da Saúde 2012); nas demais situações, oxigênio para manter SpO2 ≥ 94%. Estridor ou rouquidão progressiva: SAMU (192) — pode ser preciso intubar precocemente.
  2. Resfriar (se dentro de 3 horas) sem esfriar a criança; cobrir com filme plástico ou pano limpo; manter aquecida.
  3. Analgesia antes de sair.
  4. Acesso venoso se SCQ > 10% ou choque, sem atrasar o transporte.
  5. Elétrica: ECG se disponível. Química: irrigar antes de sair; levar a embalagem.
  6. Contato prévio com o serviço ou a regulação; o grave viaja com médico em ambulância de suporte avançado (MS).
  7. Relatório: hora, agente, primeiro socorro, % SCQ, profundidade, áreas especiais, sinais de inalação, medicamentos, vacina antitetânica, peso.
  8. Suspeita de maus-tratos: documentar (descrição e foto) e fazer a notificação obrigatória (compulsória) ao Conselho Tutelar (ECA, art. 13) e à vigilância (PRC nº 4/2017), sem depender de confirmação.

6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família

  • "Na hora: água corrente da torneira por 20 minutos, sem gelo, pasta de dente, manteiga ou café; depois, filme plástico ou pano limpo."
  • "Não fure as bolhas; curativo limpo e seco; volte na revisão."
  • "Dê o analgésico antes da troca do curativo, sem passar da dose; proteja a pele nova do sol."
  • Prevenção: nunca segurar a criança com bebida ou panela quente; cabos para dentro e bocas de trás do fogão; criança fora da cozinha; testar a água do banho com o cotovelo; aquecedor em no máximo cerca de 49 °C (AAP); ferro fora do alcance; tomadas protegidas; inflamáveis trancados; sem álcool líquido acima de 45% em casa (SBP). Criança longe da fogueira e nenhuma criança ou adolescente manuseia fogos (SBP, Nota de Alerta nº 51/2026).
  • Procurar o pronto-socorro se houver: febre, secreção, mau cheiro, vermelhidão que se espalha, dor crescente, criança sonolenta ou urinando pouco, rouquidão, tosse ou falta de ar após fumaça, ferida que não fecha em 2 semanas.

7.Comparação com as referências

Item SBP Ministério da Saúde AAP NICE AEP Johns Hopkins Harvard Oxford / Cambridge
Primeiros socorros Água fria, não gelada; sem gelo ou pastas Interromper, retirar adornos, cobrir com tecido limpo Água fria; sem gelo ou manteiga NHS: água corrente 20 min, até 3 h Água ≥ 8 °C por cerca de 10 min (SEUP) Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE/NHS
Classificação Sem posição específica localizada 1º, 2º superficial/profundo, 3º; palma = 1% Sem posição específica localizada Sem diretriz de queimaduras localizada Lund-Browder na criança Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE
Transferência Sem posição específica localizada 2º grau > 10%, qualquer 3º grau, áreas especiais, elétrica, química, inalação ABA: parcial ≥ 10%, espessura total, áreas especiais; toda criança pode se beneficiar do centro Rede NHS 2026: ≥ 2% SCQ na criança 2º grau > 10%, 3º grau > 2%, áreas especiais Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE/NHS
Hidratação Sem posição específica localizada Parkland 2–4 mL/kg/%; diurese 0,5–1 mL/kg/h Sem posição específica localizada Rede NHS: 3 mL/kg/% + manutenção Parkland 4 mL/kg/% + basais Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE/NHS
Bolhas e antibiótico Não romper bolhas Sulfadiazina 1%; sem profilaxia Gaze ou pano limpo Rede NHS: desbridar bolhas finas Prata ou sulfadiazina; sem profilaxia Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE/NHS
Maus-tratos Notificação (ECA) Maus-tratos = queimadura grave Sem posição específica localizada Imersão, luva/meia, objeto (CG89) Imersão, simetria, cigarro Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE
Prevenção Medidas domésticas; fogos (2024; 2026) Prevenção é fundamental Aquecedor ≤ 48,9 °C NHS: orientações à família Guia de prevenção Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE/NHS

Leitura: há convergência no primeiro socorro sem gelo, na prioridade da via aérea, na hidratação venosa acima de 10% SCQ titulada pela diurese e na ausência de antibiótico profilático. As divergências são de grau: tempo de resfriamento (20 minutos no NHS e no site; cerca de 10 na SEUP; "vários minutos" na SBP); limiar de transferência (2º grau > 10% no MS e na SEUP; parcial ≥ 10% na ABA; ≥ 2% na rede de queimados do NHS); fórmula (2–4 mL/kg/% no MS, 3 mais manutenção no NHS, 4 mais basais na SEUP); diurese (0,5–1 mL/kg/h no MS, 1 mL/kg/h abaixo de 30 kg nas referências pediátricas); idade (o MS considera < 3 anos fator de maior gravidade; o site avalia com mais cautela, sem transferência automática); e bolhas (SBP: não romper; NHS: desbridar as de parede fina). Sem documento técnico da SBP sobre classificação, transferência e hidratação, o site segue a SBP no primeiro socorro e nas bolhas e o Ministério da Saúde (Cartilha 2012) na classificação, na transferência e na hidratação, somando o soro de manutenção com glicose das referências pediátricas.

Pontos práticos
  1. Água corrente em temperatura ambiente por 20 minutos, até 3 horas após; nunca gelo; resfriar a queimadura e aquecer a criança.
  2. % SCQ pela palma da criança (≈ 1%) ou por Lund-Browder, sem contar o 1º grau.
  3. 🟢 só 1º grau ou 2º superficial < 5%, fora de áreas especiais e sem suspeita de maus-tratos; não romper bolhas; revisão em 24–48 horas.
  4. 🔴 2º grau > 10%, qualquer 3º grau, áreas especiais, circunferencial, elétrica, química, inalação ou maus-tratos: pronto-socorro e centro de queimados.
  5. Fuligem, rouquidão, estridor ou queimadura facial: oxigênio a 100% e SAMU; oxímetro normal não exclui monóxido de carbono.
  6. Imersão em luva ou meia, bordas nítidas sem respingos, forma de objeto ou história incompatível: proteger, documentar e notificar.

Veja também, nesta Biblioteca: Acidentes domésticos (Patologias do consultório); Festas juninas — queimaduras, fogos e engasgos (Temas atualizados pela SBP, 2026); PALS e Principais Causas de Urgência em Pediatria (Urgências e Emergências); Guia Vacinal Completo (profilaxia do tétano); Impetigo, celulite e abscessos.

8.Fontes

  • Sociedade Brasileira de Pediatria. Queimaduras (Pediatria para Famílias), 2024. sbp.com.br
  • Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento de Segurança. Festas Juninas — Nota de Alerta nº 51, 2026. sbp.com.br
  • Ministério da Saúde. Cartilha para tratamento de emergência das queimaduras, 2012. PDF
  • SEUP-AEP. Fernández Santervás Y, Melé Casas M. Quemaduras. Protocolos de Urgencias de Pediatría, 4ª ed., 2024. PDF
  • American Burn Association. Guidelines for Burn Patient Referral (versão vigente). ameriburn.org
  • AAP — HealthyChildren.org. Treating and preventing burns, 2023. healthychildren.org
  • NICE. Child maltreatment — when to suspect maltreatment in under 18s (CG89), atualizada em 2025. nice.org.uk
  • NHS. Burns and scalds, 2026. nhs.uk
  • NHS — Northern Burn Care Network. Guidelines for referral and management of paediatric burn patients, 2026. PDF
  • Romanowski KS, Palmieri TL. Pediatric burn resuscitation: past, present, and future. Burns Trauma, 2017. PMC