Urgências e emergências pediátricas · Trauma, queimaduras e acidentes

Trauma pediátrico — abordagem inicial do politrauma e do TCE moderado a grave

xABCDE, choque hemorrágico, Glasgow pediátrico, hipertensão intracraniana, lesão secundária, maus-tratos e transporte ao centro de trauma

Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF

Em resumo

Toda criança vítima de trauma de alta energia é politraumatizada até prova em contrário. A avaliação primária segue o xABCDE (ATLS 11ª ed., 2025): hemorragia exsanguinante primeiro, depois via aérea com proteção cervical, respiração, circulação, neurológico e exposição sem hipotermia. Taquicardia, enchimento capilar > 2 s e pulsos finos vêm antes da hipotensão, que é tardia. No choque hemorrágico, cristaloide aquecido 10–20 mL/kg com reavaliação, hemoderivados precoces e ácido tranexâmico 15 mg/kg (máx. 1 g) até 3 h do trauma (PALS do site). O TCE é classificado pelo Glasgow (adaptado abaixo de 2 anos): leve 14–15, moderado 9–13, grave ≤ 8. No moderado e no grave, evitar a lesão secundária: SpO2 94–98%, PA acima do limite para a idade, glicemia normal, cabeceira a 30°, normocapnia e normotermia. Hemofílico com TCE: fator antes da imagem. Glasgow ≤ 13, choque, desconforto respiratório, sinais de hipertensão intracraniana ou suspeita de maus-tratos com lesão são 🔴: estabilizar, oxigênio, acesso, SAMU 192 e centro de trauma. Trauma leve, Glasgow 15 e sem critérios de risco pode ir para casa com orientação (🟢).

1.O que é e como se apresenta

Politrauma: lesões em dois ou mais sistemas, ou ao menos uma lesão com risco de vida. Cerca de 80% dos traumas graves da criança são fechados; a lesão cerebral responde pela maioria das mortes (SEUP-AEP 2024).

Mecanismos: quedas (1 a 4 anos); atropelamento e passageiro sem retenção (escolar); bicicleta, moto, esporte e violência (adolescente).

Particularidades que mudam a conduta:

  • Occipício proeminente: flete o pescoço em decúbito dorsal — coxim sob os ombros.
  • Tórax complacente: contusão pulmonar sem fratura de costela; fratura de costela indica energia muito alta.
  • Abdome: fígado e baço pouco protegidos; cinto mal posto lesa víscera oca e coluna.
  • Superfície corporal grande: hipotermia rápida, piora a coagulação.
  • Coluna: lesão medular possível com radiografia normal.

Peso estimado (1–10 anos): (idade + 4) × 2 kg ou fita de Broselow (PALS do site).

2.Classificação de gravidade

Gravidade Critérios clínicos Conduta
🟢 Leve Baixa energia; Glasgow 15, comportamento normal; sinais vitais normais; sem critérios PECARN para TC de crânio nem da regra abdominal; lesões superficiais ou de um membro, sem deformidade; história compatível Consultório e casa, com orientação por escrito e retorno programado (ver TCE leve e Trauma leve de membros)
🟡 Moderada Alta energia com criança estável e assintomática; risco intermediário PECARN para TCE; um achado isolado da regra abdominal com sinais vitais normais; fratura fechada isolada sem comprometimento neurovascular Observação em serviço de urgência com Glasgow e sinais vitais seriados; imagem conforme o caso; não liberar do consultório
🔴 Grave Glasgow ≤ 13 ou queda de 2 pontos; alto risco PECARN; choque (taquicardia, enchimento > 2 s, pulsos finos, hipotensão); desconforto respiratório, SpO2 < 92%, ausculta assimétrica; sinais de HIC ou herniação; convulsão, déficit focal; lesão penetrante; abdome doloroso ou distendido; fratura de pelve ou fêmur, amputação; maus-tratos com lesão Pronto-socorro/centro de trauma pelo SAMU 192, estabilizado (ver "Como encaminhar")

Fatores que elevam a gravidade: idade < 1 ano; hemofilia, outra coagulopatia ou anticoagulante; derivação ventricular; mecanismo de alta energia — ejeção, capotamento, morte de outro ocupante, atropelamento, queda > 0,9 m (< 2 anos) ou > 1,5 m (≥ 2 anos) (SBP 2017); história incompatível.

3.Diagnóstico no consultório

Avaliação primária xABCDE (ATLS 11ª ed., 2025; PALS do site) — hemorragia exsanguinante primeiro, tratando cada problema ao encontrá-lo:

  • x — hemorragia externa grave: compressão direta; torniquete em sangramento de membro não controlado ou amputação (PALS do site; NICE NG39).
  • A — via aérea com proteção cervical: estabilização manual bimanual em posição neutra; tração da mandíbula, sem hiperestender; aspirar.
  • B — respiração: FR, esforço, simetria, SpO2. Ausculta abolida, turgência jugular e choque = pneumotórax hipertensivo (descompressão por agulha — PALS do site).
  • C — circulação: FC, pulsos, enchimento capilar, pele, PA; sangramento oculto em tórax, abdome, pelve e fêmur.
  • D — neurológico: Glasgow, pupilas, movimentação, glicemia capilar.
  • E — exposição: despir, dorso em bloco, equimoses suspeitas; cobrir e aquecer.

Hipotensão — PA sistólica abaixo de (SBP 2017): 70 mmHg de 1 a 12 meses; 70 + (2 × idade) de 1 a 10 anos; 90 mmHg acima de 10 anos.

Glasgow com adaptação para menores de 2 anos (SBP 2017):

Componente Criança maior Lactente (< 2 anos)
Ocular (1–4) Espontânea 4, ao comando 3, à dor 2, nenhuma 1 Igual
Verbal (1–5) Orientado 5, confuso 4, palavras inapropriadas 3, sons 2, nenhuma 1 Balbucio 5, choro irritado 4, choro à dor 3, gemido 2, nenhuma 1
Motora (1–6) Obedece 6, localiza 5, retirada 4, decorticação 3, descerebração 2, nenhuma 1 Espontânea 6, retirada ao toque 5, à dor 4, flexão anormal 3, extensão 2, nenhuma 1

Registrar cada componente (NICE NG232). A SBP (2017) escreve "moderado entre 8 e 14" (faixas sobrepostas); o site mantém 9–13.

🔴 Hipertensão intracraniana e herniação iminente: queda de 2 ou mais pontos no Glasgow; pupila assimétrica, fixa ou dilatada; tríade de Cushing (hipertensão, bradicardia, respiração irregular — tardia); decorticação ou descerebração; no lactente, fontanela tensa, vômitos, irritabilidade ou apatia (SBP 2017).

Avaliação secundária: história AMPLA e exame da cabeça aos pés — fratura de base (equimose periorbitária, Battle, hemotímpano, rino ou otorreia), sinal do cinto, pelve, deformidades, pulsos.

Imagem (decisão do serviço):

  • TCE: TC em todo TCE moderado ou grave (SBP 2017); no leve, a maioria não precisa de TC (SBP 2025) — regra PECARN, validada em 2024 (sensibilidade 100% < 2 anos e 98,8% ≥ 2 anos), em Traumatismo cranioencefálico leve e concussão. Hemofílico: fator antes da imagem (MS 2015).
  • Coluna cervical: regra PECARN 2024 — TC só no alto risco (Glasgow 3–8, alteração de A, B ou C, déficit focal); radiografia no risco intermediário (dor cervical, Glasgow 9–14).
  • Abdome: a regra PECARN dispensa TC se todos ausentes — dor abdominal, vômito, Glasgow < 14, murmúrio diminuído, trauma de parede torácica, trauma de parede abdominal (sinal do cinto), dor à palpação (validada em 2024).
  • FAST: na criança instável, mostra líquido livre e prioriza a cirurgia; não exclui lesão nem decide a TC (SEUP-AEP 2024).
  • Radiação: sem TC de corpo inteiro de rotina; tórax por radiografia e/ou ultrassom (NICE NG39; AAP 2016).

Maus-tratos — padrões de lesão (SBP 2018; AAP 2015): lesão em lactente que não se locomove; história ausente, mutável ou incompatível com o desenvolvimento; demora em procurar atendimento; equimoses em orelhas, face, pescoço, tronco ou em qualquer local até 4,99 meses (TEN-4-FACESp); marcas com forma de objeto; queimadura em luva ou meia, de períneo e nádegas, ou por cigarro; fraturas de costelas posteriores, metafisárias ou em diferentes fases; hemorragia retiniana; irritabilidade, vômitos, apneia ou convulsão sem causa (traumatismo craniano abusivo).

4.Tratamento e seguimento

O pediatra: reconhece a gravidade, faz o xABCDE, chama o SAMU 192 e mantém a criança estável até a equipe de trauma; cirurgia, neurocirurgia e UTI são do serviço de referência.

Coluna: estabilização manual bimanual é a primeira opção; colar de tamanho correto na alta energia, sinal neurológico ou rebaixamento de consciência — não de rotina (SEUP-AEP 2024). O protocolo do SAMU 192 prevê prancha longa com alinhamento, sem atrasar o transporte (MS). Pelve instável: faixa ou lençol circular (NICE NG39; SEUP-AEP 2024).

Choque hemorrágico:

  • Dois acessos calibrosos; intraósseo se falharem (2 tentativas em até 90 s — PALS do site).
  • Cristaloide aquecido 10–20 mL/kg, reavaliando após cada bolus (PALS do site); no trauma grave com choque, limitar o cristaloide e passar logo a hemoderivados (SEUP-AEP 2024; NICE NG39).
  • Hemácias precoces (tabela); sem tipagem em cerca de 10 min, O negativo (SEUP-AEP 2024). Hemorragia maciça: hemácias, plasma e plaquetas 1:1:1 (PALS do site; SEUP-AEP 2024) a 2:1:1 (TAXI 2018 — ver Transfusão de hemocomponentes na criança).
  • Metas: PA sistólica acima do limite para a idade, enchimento ≤ 2 s, diurese > 1 mL/kg/h. Sem hipotensão permissiva na criança com TCE (SEUP-AEP 2024; NICE NG39).
  • Sem resposta: choque obstrutivo ou medular.

TCE moderado ou grave — prevenção da lesão secundária (SBP 2017):

  • Oxigenação: SpO2 94–98%; intubação em sequência rápida se Glasgow ≤ 8, HIC ou herniação, corrigindo antes a hipotensão (ATLS 2025); evitar cetamina (SBP 2017).
  • Ventilação: normocapnia (PaCO2 35–40 — PALS do site); sem hiperventilação profilática (SBP; MS; BTF); leve (30–35) só como ponte na herniação ou HIC refratária (SBP 2017).
  • PA: evitar qualquer hipotensão; alíquotas de 20 mL/kg de salina se necessário (SBP 2017).
  • Glicemia: 80–180 mg/dL (PALS).
  • Posição: cabeça neutra, cabeceira 30–45° após assegurada a via aérea; colar sem comprimir as jugulares; sonda orogástrica (SBP 2017).
  • Temperatura: evitar hipertermia; sem corticoide (SBP 2017; BTF 2019).
  • Convulsão: tratar já (Protocolo de Estado de Mal Convulsivo).
Medicamento Dose Intervalo Duração Observação e referência
Cristaloide (SF 0,9% ou Ringer lactato) aquecido 10–20 mL/kg IV/IO Repetir após reavaliação Até os hemoderivados PALS do site; SEUP-AEP 2024: máx. 20 mL/kg no trauma grave
Concentrado de hemácias 10–20 mL/kg Conforme resposta — SEUP-AEP 2024; fora do choque, 10–15 mL/kg (MS 2015)
Ácido tranexâmico 15 mg/kg IV (máx. 1 g) em 10 min Ataque Até 3 h do trauma; manutenção 2 mg/kg/h por 8 h no serviço (SEUP-AEP) PALS do site; NICE NG39 (não após 3 h)
Manitol 0,25–1 g/kg IV Pode repetir Osmolalidade ≤ 310 SBP 2017; com neurocirurgia; não no choque não corrigido
Salina hipertônica 3% Bolus 2–5 mL/kg em 10–20 min; infusão 0,1–1 mL/kg/h Bolus conforme PIC Enquanto houver HIC Infusão SBP 2017 (1ª linha); bolus BTF 2019
Glicose IV (hipoglicemia) 0,5–1 g/kg (SG 10% 5–10 mL/kg) a partir de 1 mês; RN SG 10% 2 mL/kg Pela glicemia — Padrão do site (MS, SAMU 192)

Analgesia (padrão do site): dipirona 15 mg/kg/dose 6/6 h (máx. 4/dia; não < 3 meses ou < 5 kg) ou paracetamol 10–15 mg/kg/dose (máx. 75 mg/kg/dia); opioide e cetamina no serviço (ver Analgesia e sedação).

Não fazer: hiperventilação de rotina; corticoide no TCE; solução hipotônica para expansão; sedação que impeça a avaliação neurológica; radiografia de crânio para triagem.

Maus-tratos: documentar (palavras do cuidador, horários, lesões); notificação obrigatória (compulsória) na ficha de violência (PRC nº 4/2017) e comunicação ao Conselho Tutelar (ECA, arts. 13 e 245), sem precisar de confirmação (SBP 2018). Na dúvida, internar.

Seguimento: sequelas cognitivas e escolares do TCE e estresse pós-traumático na criança e na família.

5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar

Pronto-socorro/centro de trauma (🔴) pelo SAMU 192: todos os critérios 🔴 da classificação e ainda fratura de base ou afundamento, sinal do cinto, hematúria macroscópica, alta energia mesmo com a criança bem, queimadura associada e coagulopatia. TCE moderado (sobretudo Glasgow < 11) e grave: UTI pediátrica (SBP 2017). Transportar direto a centro com recursos pediátricos e neurocirurgia (NICE NG232; AAP 2016).

Como encaminhar:

  1. SAMU 192: idade, peso, mecanismo, Glasgow por componente, pupilas, sinais vitais, condutas.
  2. xABCDE; oxigênio para manter SpO2 94–98%; bolsa-válvula-máscara se necessário.
  3. Estabilização da coluna (colar se indicado); faixa pélvica se pelve instável.
  4. Compressão ou torniquete; hemofílico: fator já, antes da imagem (MS 2015; WFH 2020); acesso venoso ou intraósseo; cristaloide aquecido 10–20 mL/kg no choque; ácido tranexâmico 15 mg/kg (máx. 1 g) se sangramento importante e menos de 3 h do trauma, sem atrasar a remoção.
  5. Glicemia capilar e correção; cobrir e aquecer; jejum; não atrasar o transporte por exames.
  6. Maus-tratos: registrar a história e notificar; a criança não volta com o possível agressor.

6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família

Para a criança liberada após trauma leve, voltar imediatamente ou chamar o SAMU 192 se houver:

  • Sonolência difícil de despertar, confusão, vômitos repetidos, dor de cabeça que piora, convulsão, fraqueza, pupilas diferentes, sangue ou líquido claro pelo nariz ou ouvido.
  • Dor abdominal nova ou crescente, barriga inchada, palidez, suor frio, urina com sangue, dor no ombro esquerdo nas primeiras 24–48 h.
  • Membro frio, roxo, inchado ou com dor que não cede.

Analgésico na dose orientada, sem calmantes nem codeína; adulto atento por 24–48 h. Prevenção: retenção no carro (Contran 819/2021), capacete, telas.

7.Comparação com as referências

Item SBP Ministério da Saúde AAP NICE AEP Johns Hopkins Harvard Oxford / Cambridge
Abordagem inicial ABCDE; Glasgow < 2 anos (TCE 2017) SAMU 192: SatO2 ≥ 94% (2016) Sistema de trauma integrado (2016) ABCDE; Glasgow por componente (NG39 2016; NG232 2023) TEP + ABCDE (SEUP 2024) Sem posição localizada Sem posição localizada Segue o NICE
Choque hemorrágico Alíquotas de 20 mL/kg de salina (2017) Cristaloide (SAMU 2016); perda ≥ 15%: hemácias pela clínica (Guia 2015) Sem posição específica localizada Restritivo; plasma 1:1 (NG39 2016) Cristaloide ≤ 20 mL/kg; hemácias 10–20; 1:1:1 (2024) Sem posição localizada Sem posição localizada Segue o NICE
Ácido tranexâmico Sem posição localizada Sem posição localizada Sem posição específica localizada Até 3 h (NG39); TCE Glasgow ≤ 12: 15–30 mg/kg em 2 h (NG232 2023) 15–20 mg/kg (máx. 1 g) + 2 mg/kg/h (2024) Sem posição localizada Sem posição localizada Segue o NICE
Imagem TC no moderado/grave (2017); leve: maioria sem TC (2025) Sem posição pediátrica TC criteriosa (2016) Sem TC de corpo inteiro (NG39) FAST não define TC (2024) Sem posição localizada Sem posição localizada Segue o NICE
HIC Manitol; salina 3% em infusão; sem corticoide (2017) Sem hiperventilação profilática (SAMU 2016) Sem posição específica localizada Sem posição sobre osmoterapia (NG232) Protocolo de HTIC (2024) Sem posição localizada Sem posição localizada Segue o NICE
Coluna Neutra; retirar colar para intubar (2017) Prancha longa e colar (SAMU 2016) Sem posição específica localizada TC cervical < 16 anos só com critérios (NG232) Bimanual; colar não de rotina (2024) Sem posição localizada Sem posição localizada Segue o NICE
Maus-tratos e transporte Notificação; Conselho Tutelar (2018) Regulação pelo SAMU 192 (2016) Avaliação estruturada (2015) Direto ao centro de trauma (NG39) Coerência da história (2024) Sem posição localizada Sem posição localizada Segue o NICE

Leitura: as referências concordam no ABCDE com controle precoce da hemorragia (o xABCDE do ATLS 11ª ed., 2025), na prevenção da lesão secundária, sem corticoide nem hiperventilação profilática, e no transporte direto a centro pediátrico. Divergem no volume (NICE sem cristaloide no hospital com sangramento ativo; SEUP até 20 mL/kg; SBP e PALS do site 10–20 mL/kg), na proporção da transfusão maciça (1:1:1 na SEUP; 1:1:1 a 2:1:1 no TAXI 2018), no ácido tranexâmico (sem posição da SBP e do MS; SEUP 15–20 mg/kg com manutenção; NICE 15–30 mg/kg em 2 h no TCE), na imobilização (prancha longa no SAMU 2016; colar não de rotina na SEUP) e no bolus de salina 3%, que a SBP não traz. O site adota a posição da SBP e, onde ela não se manifesta, as doses do PALS do site (cristaloide 10–20 mL/kg; ácido tranexâmico 15 mg/kg, máx. 1 g, até 3 h) e a BTF 2019 para o bolus de salina hipertônica.

Pontos práticos
  1. Trauma de alta energia = politrauma até prova em contrário; xABCDE, tratando cada problema ao encontrá-lo.
  2. Hipotensão é tardia: taquicardia, enchimento > 2 s e alteração de consciência já são choque.
  3. Choque hemorrágico: cristaloide aquecido 10–20 mL/kg, sangue precoce e ácido tranexâmico 15 mg/kg (máx. 1 g) até 3 h.
  4. TCE: SpO2 94–98%, PA acima do limite para a idade, glicemia normal, cabeceira a 30°, normocapnia e normotermia.
  5. Pupila assimétrica, queda de 2 pontos no Glasgow ou tríade de Cushing = herniação iminente.
  6. Lesão incompatível com a história: proteger, documentar e notificar (obrigatória/compulsória) ao Conselho Tutelar.

Veja também, nesta Biblioteca: Traumatismo cranioencefálico leve e concussão e Trauma leve de membros (Patologias do consultório); Queimaduras, PALS e Protocolo de Estado de Mal Convulsivo (nesta área); A criança que sangra e Transfusão de hemocomponentes na criança (Hematologia); Trauma e estresse pós-traumático (Saúde mental).

8.Fontes

  • SBP, Departamento Científico de Terapia Intensiva. Trauma Cranioencefálico (Guia Prático de Atualização nº 1), 2017. PDF
  • SBP, SPSP e CFM. Manual de Atendimento às Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência, 2ª ed., 2018. PDF
  • Ministério da Saúde. Protocolos de Suporte Avançado de Vida — SAMU 192 (emergências traumáticas), 2014, revisão 2016. PDF
  • AAP. Management of Pediatric Trauma. Pediatrics, 2016. PDF
  • AAP. Christian CW. The Evaluation of Suspected Child Physical Abuse. Pediatrics, 2015. PubMed
  • NICE. Major trauma — assessment and initial management (NG39), 2016. nice.org.uk
  • NICE. Head injury — assessment and early management (NG232), 2023. nice.org.uk
  • SEUP-AEP. Ballestero Díez Y. Manejo del paciente politraumatizado, 4ª ed., 2024. PDF
  • Holmes JF et al. PECARN prediction rules for CT imaging of children with blunt abdominal or minor head trauma. Lancet Child Adolesc Health, 2024. PDF
  • SBP, Departamento Científico de Emergência. Traumatismo cranioencefálico leve na infância, out/2025. sbp.com.br
  • American College of Surgeons. Launch of ATLS 11 (xABCDE), 16/09/2025. facs.org
  • Leonard JC et al. PECARN cervical spine rule. Lancet Child Adolesc Health, 2024 — resumo ALiEM. aliem.com
  • Brain Trauma Foundation. Guidelines for the Management of Pediatric Severe TBI, 3ª ed., 2019. braintrauma.org