Urgências e emergências pediátricas · Trauma, queimaduras e acidentes

Trauma pediátrico — abordagem inicial do politrauma e do TCE moderado a grave

XABCDE, choque hemorrágico, Glasgow pediátrico, hipertensão intracraniana, lesão secundária, maus-tratos e transporte ao centro de trauma

Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF

Em resumo

Toda criança vítima de trauma de alta energia é politraumatizada até prova em contrário. A avaliação primária segue o XABCDE: hemorragia externa grave, via aérea com proteção cervical, respiração, circulação, estado neurológico e exposição com prevenção de hipotermia. A criança compensa o choque por muito tempo — taquicardia, enchimento capilar > 2 s e pulsos finos vêm antes da hipotensão, que é tardia. No choque hemorrágico, cristaloide aquecido 10–20 mL/kg com reavaliação, hemoderivados precoces e ácido tranexâmico 15 mg/kg (máx. 1 g) até 3 h do trauma (PALS do site). O TCE é classificado pelo Glasgow (adaptado abaixo de 2 anos): leve 14–15, moderado 9–13, grave ≤ 8. No moderado e no grave, o objetivo é evitar a lesão secundária: SpO2 ≥ 94%, PA sistólica acima do limite para a idade, glicemia normal, cabeceira a 30° com cabeça neutra, normocapnia e normotermia. Glasgow ≤ 13, choque, desconforto respiratório, sinais de hipertensão intracraniana ou suspeita de maus-tratos com lesão são 🔴: estabilizar, oxigênio, acesso, SAMU 192 e centro de trauma. Trauma leve, Glasgow 15 e sem critérios de risco pode ir para casa com orientação (🟢).

1.O que é e como se apresenta

Politrauma: lesões em dois ou mais sistemas, ou ao menos uma lesão com risco de vida. Cerca de 80% dos traumas graves da criança são fechados; a lesão cerebral responde pela maioria das mortes (SEUP-AEP 2024).

Mecanismos: quedas (1 a 4 anos); atropelamento e passageiro sem retenção (escolar); bicicleta, moto, esporte e violência (adolescente). No lactente que não anda, lesão sem mecanismo compatível é maus-tratos até prova em contrário.

Particularidades que mudam a conduta:

  • Cabeça grande e occipício proeminente: em decúbito dorsal flete o pescoço — coxim sob os ombros para a posição neutra.
  • Tórax complacente: contusão pulmonar sem fratura de costela; fratura de costela indica energia muito alta.
  • Abdome: fígado e baço pouco protegidos; cinto mal posicionado lesa víscera oca e coluna.
  • Circulação: a PA se mantém até perdas volumosas; os sinais precoces são taquicardia, enchimento lento, pele fria e alteração de consciência.
  • Superfície corporal grande: hipotermia rápida, que piora a coagulação.
  • Coluna: ligamentos frouxos; lesão medular possível com radiografia normal.

Peso estimado (1 a 10 anos): (idade + 4) × 2 kg ou fita de Broselow (PALS do site).

2.Classificação de gravidade

Gravidade Critérios clínicos Conduta
🟢 Leve Baixa energia; Glasgow 15, comportamento normal; sinais vitais normais; sem critérios PECARN para TC de crânio nem da regra abdominal; lesões superficiais ou de um membro, sem deformidade; história compatível Consultório e casa, com orientação por escrito e retorno programado; ver Traumatismo cranioencefálico leve e concussão e Trauma leve de membros
🟡 Moderada Alta energia com criança estável e assintomática; risco intermediário PECARN para TCE; um achado isolado da regra abdominal com sinais vitais normais; fratura fechada isolada sem comprometimento neurovascular Observação em serviço de urgência com Glasgow e sinais vitais seriados; imagem conforme o caso; não liberar do consultório
🔴 Grave Glasgow ≤ 13 ou queda de 2 pontos; alto risco PECARN; choque (taquicardia, enchimento > 2 s, pulsos finos, hipotensão); desconforto respiratório, SpO2 < 92%, ausculta assimétrica; sinais de HIC ou herniação; convulsão, déficit focal; lesão penetrante; abdome doloroso ou distendido; fratura de pelve ou fêmur, amputação; maus-tratos com lesão Pronto-socorro/centro de trauma pelo SAMU 192: XABCDE, oxigênio para SpO2 ≥ 94%, proteção da coluna, acesso venoso ou intraósseo, controle de sangramento, aquecimento (ver "Como encaminhar")

Fatores que elevam a gravidade: idade < 1 ano; coagulopatia ou anticoagulante; derivação ventricular; mecanismo de alta energia — ejeção, capotamento, morte de outro ocupante, atropelamento, queda > 0,9 m (< 2 anos) ou > 1,5 m (≥ 2 anos) (SBP 2017); história incompatível.

3.Diagnóstico no consultório

Avaliação primária XABCDE — tratar cada problema ao encontrá-lo (no PALS do site: hemorragia catastrófica primeiro, depois ABCDE):

  • X — hemorragia externa grave: compressão direta; torniquete em sangramento de membro não controlado ou amputação (PALS do site; NICE NG39).
  • A — via aérea com proteção cervical: estabilização manual bimanual em posição neutra; tração da mandíbula, sem hiperestender; aspirar.
  • B — respiração: FR, esforço, simetria da expansão e da ausculta, SpO2. Ausculta abolida, turgência jugular e choque = pneumotórax hipertensivo (descompressão por agulha, depois drenagem — PALS do site).
  • C — circulação: FC, pulsos, enchimento capilar, pele, PA; sangramento oculto em tórax, abdome, pelve e fêmur.
  • D — neurológico: Glasgow, pupilas, movimentação dos membros, glicemia capilar.
  • E — exposição: despir, examinar o dorso em bloco, procurar equimoses de padrão suspeito; cobrir e aquecer.

Hipotensão — PA sistólica abaixo de (SBP 2017): 70 mmHg de 1 a 12 meses; 70 + (2 × idade) de 1 a 10 anos; 90 mmHg acima de 10 anos.

Glasgow com adaptação para menores de 2 anos (SBP 2017):

Componente Criança maior Lactente (< 2 anos)
Ocular (1–4) Espontânea 4, ao comando 3, à dor 2, nenhuma 1 Igual
Verbal (1–5) Orientado 5, confuso 4, palavras inapropriadas 3, sons 2, nenhuma 1 Balbucio 5, choro irritado 4, choro à dor 3, gemido 2, nenhuma 1
Motora (1–6) Obedece 6, localiza 5, retirada 4, decorticação 3, descerebração 2, nenhuma 1 Espontânea 6, retirada ao toque 5, à dor 4, flexão anormal 3, extensão 2, nenhuma 1

Registrar cada componente (NICE NG232). O guia da SBP (2017) escreve "moderado entre 8 e 14", com sobreposição de faixas; o site mantém 9–13.

🔴 Hipertensão intracraniana e herniação iminente: queda de 2 ou mais pontos no Glasgow; pupila assimétrica, fixa ou dilatada; tríade de Cushing (hipertensão, bradicardia, respiração irregular — tardia); decorticação ou descerebração; no lactente, fontanela tensa, vômitos, irritabilidade ou apatia (SBP 2017).

Avaliação secundária: história AMPLA e exame da cabeça aos pés — sinais de fratura de base (equimose periorbitária, sinal de Battle, hemotímpano, rinorreia ou otorreia), sinal do cinto, dor pélvica, deformidades, pulsos distais.

Imagem (decisão do serviço):

  • TCE: TC em todo TCE moderado ou grave (SBP 2017); no leve, regra PECARN, validada em 2024 (sensibilidade 100% < 2 anos e 98,8% ≥ 2 anos) — critérios em Traumatismo cranioencefálico leve e concussão. Não encaminhar para TC direto da comunidade (NICE NG232).
  • Abdome: a regra PECARN dispensa TC se todos ausentes — dor abdominal, vômito, Glasgow < 14, murmúrio diminuído, trauma de parede torácica, trauma de parede abdominal (sinal do cinto), dor à palpação (sensibilidade 100% na validação de 2024).
  • FAST: na criança instável, mostra líquido livre e prioriza a cirurgia; não exclui lesão nem decide a TC (SEUP-AEP 2024).
  • Radiação: sem TC de corpo inteiro de rotina; tórax por radiografia e/ou ultrassom (NICE NG39; AAP 2016).

Maus-tratos — padrões de lesão (SBP 2018; AAP 2015): lesão em lactente que não se locomove; história ausente, mutável ou incompatível com o desenvolvimento; demora em procurar atendimento; equimoses em orelhas, face, pescoço, tronco ou em qualquer local abaixo de 4 meses (regra TEN-4-FACESp, do documento de TCE leve do site); marcas com forma de objeto; queimadura em luva ou meia, de períneo e nádegas, ou por cigarro; fraturas de costelas posteriores, metafisárias ou em diferentes fases; hemorragia retiniana; irritabilidade, vômitos, apneia ou convulsão sem causa (traumatismo craniano abusivo).

4.Tratamento e seguimento

O pediatra: reconhece a gravidade, faz o XABCDE, chama o SAMU 192 e mantém a criança estável até a equipe de trauma; cirurgia, neurocirurgia e UTI são do serviço de referência.

Coluna: estabilização manual bimanual é a primeira opção; colar de tamanho correto na alta energia, sinal neurológico ou rebaixamento de consciência — não de rotina, e sem forçar a criança que luta (SEUP-AEP 2024). O protocolo do SAMU 192 prevê prancha longa com alinhamento, sem atrasar o transporte (MS). Pelve instável: faixa ou lençol circular (NICE NG39; SEUP-AEP 2024).

Choque hemorrágico:

  • Dois acessos calibrosos; intraósseo se falharem (2 tentativas em até 90 s — PALS do site).
  • Cristaloide aquecido 10–20 mL/kg, reavaliando após cada bolus (PALS do site); no trauma grave com choque, limitar o cristaloide e passar logo a hemoderivados (SEUP-AEP 2024; NICE NG39).
  • Concentrado de hemácias 10–20 mL/kg; sem tipagem em cerca de 10 min, O negativo (SEUP-AEP 2024). Hemorragia maciça: hemácias, plasma e plaquetas 1:1:1 (PALS do site; SEUP-AEP 2024).
  • Metas: PA sistólica acima do limite para a idade, enchimento ≤ 2 s, diurese > 1 mL/kg/h. Sem hipotensão permissiva na criança com TCE (SEUP-AEP 2024; NICE NG39).
  • Sem resposta: pensar em choque obstrutivo ou medular.

TCE moderado ou grave — prevenção da lesão secundária (SBP 2017):

  • Oxigenação: SpO2 ≥ 94%; intubação em sequência rápida se Glasgow ≤ 8, HIC ou herniação; evitar cetamina na intubação (SBP 2017).
  • Ventilação: normocapnia (PaCO2 35–40 — PALS do site); sem hiperventilação profilática (SBP; MS; BTF); leve (30–35) só como ponte na herniação ou HIC refratária (SBP 2017).
  • PA: evitar qualquer hipotensão; alíquotas de 20 mL/kg de salina se necessário (SBP 2017).
  • Glicemia: 80–180 mg/dL (PALS do site).
  • Posição: cabeça neutra, cabeceira 30–45° após assegurada a via aérea; colar sem comprimir as jugulares; sonda orogástrica (SBP 2017).
  • Temperatura: evitar hipertermia; corticoide: não usar (SBP 2017; BTF 2019).
  • Convulsão: tratar já (Protocolo de Estado de Mal Convulsivo do site).
Medicamento Dose Intervalo Duração Observação e referência
Cristaloide (SF 0,9% ou Ringer lactato) aquecido 10–20 mL/kg IV/IO Repetir após reavaliação Até os hemoderivados PALS do site; SEUP-AEP 2024: máx. 20 mL/kg no trauma grave
Concentrado de hemácias 10–20 mL/kg Conforme resposta — SEUP-AEP 2024; protocolo de transfusão maciça do serviço
Ácido tranexâmico 15 mg/kg IV (máx. 1 g) em 10 min Ataque Até 3 h do trauma; manutenção 2 mg/kg/h por 8 h no serviço (SEUP-AEP) PALS do site; NICE NG39 (não após 3 h)
Manitol 0,25–1 g/kg IV Pode repetir Osmolalidade ≤ 310 SBP 2017; com neurocirurgia; não no choque não corrigido
Salina hipertônica 3% Bolus 2–5 mL/kg em 10–20 min; infusão 0,1–1 mL/kg/h Bolus conforme PIC Enquanto houver HIC Infusão SBP 2017 (1ª linha); bolus BTF 2019
Glicose IV (hipoglicemia) 0,5–1 g/kg (SG 25% 2–4 mL/kg ou SG 10% 5–10 mL/kg); RN SG 10% 2 mL/kg Repetir pela glicemia — Padrão do site (MS, SAMU 192)

Analgesia: paracetamol ou dipirona nas doses padrão do site na dor leve; opioide e cetamina no serviço, conforme protocolo.

Não fazer: hiperventilação de rotina; corticoide no TCE; solução hipotônica para expansão; sedação que impeça a avaliação neurológica; radiografia de crânio para triagem.

Maus-tratos: documentar (palavras do cuidador, horários, descrição das lesões); notificação obrigatória (compulsória) na ficha de violência (PRC nº 4/2017) e comunicação ao Conselho Tutelar (ECA, arts. 13 e 245), sem precisar de confirmação (SBP 2018). Na dúvida, internar.

Seguimento: sequelas cognitivas e escolares do TCE e estresse pós-traumático na criança e na família.

5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar

Pronto-socorro/centro de trauma (🔴) pelo SAMU 192: Glasgow ≤ 13 ou queda de 2 pontos; pupila alterada, convulsão, déficit focal, fratura de base ou afundamento; choque, sangramento não controlado, fratura de pelve ou fêmur, amputação; desconforto respiratório, SpO2 < 92%; dor ou distensão abdominal, sinal do cinto, hematúria macroscópica; alta energia mesmo com a criança bem; lesão penetrante; queimadura associada; maus-tratos com lesão; coagulopatia. TCE moderado (sobretudo Glasgow < 11) e grave: UTI pediátrica (SBP 2017). Transportar direto a centro com recursos pediátricos e neurocirurgia (NICE NG232; AAP 2016).

Como encaminhar:

  1. SAMU 192: idade, peso, mecanismo, Glasgow por componente, pupilas, sinais vitais, condutas.
  2. XABCDE; oxigênio para SpO2 ≥ 94%; bolsa-válvula-máscara se a respiração for insuficiente.
  3. Estabilização da coluna (colar se indicado); faixa pélvica se pelve instável.
  4. Compressão ou torniquete; acesso venoso ou intraósseo; cristaloide aquecido 10–20 mL/kg no choque; ácido tranexâmico 15 mg/kg (máx. 1 g) se sangramento importante e menos de 3 h do trauma, sem atrasar a remoção.
  5. Glicemia capilar e correção; cobrir e aquecer; jejum.
  6. Não atrasar o transporte por exames.
  7. Maus-tratos: registrar a história e notificar; a criança não volta com o possível agressor.

6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família

Para a criança liberada após trauma leve, voltar imediatamente ou chamar o SAMU 192 se houver:

  • Sonolência difícil de despertar, confusão, vômitos repetidos, dor de cabeça que piora, convulsão, fraqueza, pupilas diferentes, sangue ou líquido claro pelo nariz ou ouvido.
  • Dor abdominal nova ou crescente, barriga inchada, palidez, suor frio, urina com sangue, dor no ombro esquerdo nas primeiras 24–48 h.
  • Membro frio, roxo, muito inchado ou com dor que não cede.

Analgésico na dose orientada, sem calmantes nem codeína; um adulto atento por 24–48 h. Prevenção: retenção no carro (Contran 819/2021), capacete, telas em janelas.

7.Comparação com as referências

Item SBP Ministério da Saúde AAP NICE AEP Johns Hopkins Harvard Oxford / Cambridge
Abordagem inicial ABCDE; Glasgow adaptado < 2 anos (2017) SAMU 192: avaliação primária, SatO2 ≥ 94% Sistema de trauma pediátrico integrado (2016) ABCDE; Glasgow por componente TEP + ABCDE em 5–10 min (2024) Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE
Choque hemorrágico Alíquotas de 20 mL/kg de salina (2017) Bolus de cristaloide; protocolo de trauma adulto Sem posição específica localizada Restritivo; sem cristaloide no hospital; plasma 1:1 Cristaloide ≤ 20 mL/kg; hemácias 10–20; 1:1:1 Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE
Ácido tranexâmico Sem posição localizada Sem posição localizada Sem posição específica localizada Até 3 h; TCE Glasgow ≤ 12: 15–30 mg/kg em 2 h 15–20 mg/kg (máx. 1 g) + 2 mg/kg/h Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE
Imagem TC no TCE moderado/grave; leve por PECARN Sem posição pediátrica TC criteriosa, menos radiação Sem TC de corpo inteiro de rotina FAST não define TC Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE
HIC Manitol; salina 3% em infusão; sem corticoide Sem hiperventilação profilática Sem posição específica localizada Sem posição pediátrica sobre osmoterapia Remete ao protocolo de HTIC Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE
Coluna Neutra; retirar colar para intubar Prancha longa e colar (2014) Sem posição específica localizada TC cervical < 16 anos só com critérios Bimanual; colar não de rotina Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE
Maus-tratos e transporte Notificação; Conselho Tutelar (2018) Regulação pelo SAMU 192 Avaliação estruturada (2015) Direto ao centro de trauma Coerência da história Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE

Leitura: as referências concordam no ABCDE com controle precoce da hemorragia, na prevenção da lesão secundária, sem corticoide nem hiperventilação profilática, e no transporte direto a centro pediátrico. Divergem no volume (o NICE não usa cristaloide no hospital com sangramento ativo e a SEUP o limita a 20 mL/kg; a SBP e o PALS do site falam em 10–20 mL/kg), no ácido tranexâmico (sem posição da SBP e do MS; SEUP 15–20 mg/kg com manutenção; NICE até 30 mg/kg, máx. 2 g, no TCE), na imobilização (prancha longa para todos no SAMU 2014; colar não de rotina na SEUP) e no bolus de salina 3%, que a SBP não traz. O site adota a posição da SBP e, onde ela não se manifesta, as doses do PALS do site (cristaloide 10–20 mL/kg; ácido tranexâmico 15 mg/kg, máx. 1 g, até 3 h) e a BTF 2019 para o bolus de salina hipertônica.

Pontos práticos
  1. Trauma de alta energia = politrauma até prova em contrário; XABCDE, tratando cada problema ao encontrá-lo.
  2. Hipotensão é tardia: taquicardia, enchimento > 2 s e alteração de consciência já são choque.
  3. Choque hemorrágico: cristaloide aquecido 10–20 mL/kg, sangue precoce e ácido tranexâmico 15 mg/kg (máx. 1 g) até 3 h.
  4. TCE: SpO2 ≥ 94%, PA acima do limite para a idade, glicemia normal, cabeceira a 30°, normocapnia e normotermia.
  5. Pupila assimétrica, queda de 2 pontos no Glasgow ou tríade de Cushing = herniação iminente.
  6. Lesão incompatível com a história: proteger, documentar e notificar (obrigatória/compulsória) ao Conselho Tutelar.

Veja também, nesta Biblioteca: Traumatismo cranioencefálico leve e concussão, Trauma leve de membros e Acidentes domésticos (Patologias do consultório); Queimaduras, PALS — Suporte Avançado de Vida em Pediatria, Protocolo de Estado de Mal Convulsivo e Principais Causas de Urgência em Pediatria (nesta área); Trauma e estresse pós-traumático (Saúde mental).

8.Fontes

  • SBP, Departamento Científico de Terapia Intensiva. Trauma Cranioencefálico (Guia Prático de Atualização nº 1), 2017. PDF
  • SBP, SPSP e CFM. Manual de Atendimento às Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência, 2ª ed., 2018. PDF
  • Ministério da Saúde. Protocolos de Suporte Avançado de Vida — SAMU 192 (emergências traumáticas), 2024. PDF
  • AAP, Committee on Pediatric Emergency Medicine e outras seções. Management of Pediatric Trauma. Pediatrics, 2016. PDF
  • AAP. Christian CW. The Evaluation of Suspected Child Physical Abuse. Pediatrics, 2015. PubMed
  • NICE. Major trauma — assessment and initial management (NG39), 2016. nice.org.uk
  • NICE. Head injury — assessment and early management (NG232), 2023. nice.org.uk
  • SEUP-AEP. Ballestero Díez Y. Manejo del paciente politraumatizado, 4ª ed., 2024. PDF
  • Holmes JF et al. PECARN prediction rules for CT imaging of children with blunt abdominal or minor head trauma. Lancet Child Adolesc Health, 2024. PDF
  • Brain Trauma Foundation. Guidelines for the Management of Pediatric Severe TBI, 3ª ed., 2019. braintrauma.org