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Gripe e COVID-19 em crianças — sintomas, cuidados e quando se preocupar

Como reconhecer, cuidar em casa, proteger quem tem mais risco e saber a hora de procurar ajuda

Conteúdo informativo, em linguagem acessível, para orientar o cuidado do seu filho. Não substitui a consulta nem a orientação do seu pediatra. 📄 Baixar em PDF · Todos os guias para pais

Em poucas palavras

A gripe (causada pelo vírus influenza) e a COVID-19 (causada pelo coronavírus SARS-CoV-2) são infecções por vírus que, na maioria das crianças, melhoram em casa em poucos dias. A gripe começa de repente, com febre alta, dor no corpo e prostração. Têm mais risco de complicar crianças com menos de 5 anos — sobretudo abaixo de 2 anos — e as que têm doença crônica (asma, doença do coração, neurológica, diabetes, imunidade baixa). Nelas, procure o pediatra logo no início: o antiviral pode ser indicado, só com receita. Vá ao pronto-socorro se ela respirar rápido ou com esforço, ficar roxa, muito sonolenta ou desidratada; febre por mais de 3 dias pede reavaliação. A vacina da gripe todo ano, a partir de 6 meses, e a da COVID-19 protegem contra as formas graves.

1.Qual a diferença entre gripe, COVID-19 e resfriado?

  • Resfriado: começa aos poucos, com nariz escorrendo e pouca febre; a criança continua bem-disposta.
  • Gripe: começa de repente, com febre alta, dor no corpo e de cabeça e prostração; pode complicar com otite ou pneumonia.
  • COVID-19: pode parecer um resfriado ou uma gripe, ou nem dar sintomas; na criança, em geral é leve.

Só pelos sintomas não dá para ter certeza do vírus. O teste é feito quando muda a conduta, e o pediatra decide.

2.Como aparece?

  • Na criança maior: febre de início súbito, tosse ou dor de garganta, dor de cabeça, dor no corpo, cansaço. Às vezes vômitos ou diarreia.
  • No bebê e na criança com menos de 2 anos: febre com tosse, coriza e nariz entupido; às vezes só febre, irritação e menos apetite.
  • COVID-19: pode ser igual a um resfriado ou a uma gripe, ou até passar sem sintomas. Raramente, 2 a 6 semanas depois, aparece uma inflamação em vários órgãos (SIM-P): febre persistente com dor de barriga, vômitos, manchas na pele ou olhos vermelhos — isso pede avaliação no mesmo dia.
  • A tosse pode continuar por alguns dias depois que a febre passa.

3.Quem tem mais risco de complicar?

  • Crianças com menos de 5 anos; o maior risco de internação é abaixo de 2 anos, especialmente abaixo de 6 meses.
  • Doença do pulmão (inclusive asma), do coração, dos rins, do fígado, do sangue (como anemia falciforme), diabetes.
  • Doenças neurológicas e do desenvolvimento (paralisia cerebral, epilepsia, síndrome de Down, doenças neuromusculares).
  • Imunidade baixa (quimioterapia, corticoide por longo tempo, remédios imunossupressores), obesidade.
  • Uso prolongado de AAS (risco de síndrome de Reye) e adolescentes gestantes.

4.Semáforo: quando cuidar em casa, quando procurar o pediatra e quando ir ao pronto-socorro

Cor O que você observa O que fazer
🟢 Cuidar em casa Criança de 5 anos ou mais, sem doença crônica; febre há 3 dias ou menos; respira sem esforço; bebe e faz xixi; brinca quando a febre baixa Cuidados em casa (abaixo). Procure o pediatra se não melhorar ou se piorar
🟡 Procure o pediatra Criança com menos de 5 anos ou com doença crônica com sintomas de gripe; febre por mais de 3 dias ou que volta depois de 48 horas sem febre; dor de ouvido; chiado leve; bebe menos que o habitual; piora depois de ter melhorado; febre persistente nas semanas depois de uma COVID-19 Consulta no mesmo dia — no grupo de risco, o antiviral funciona melhor se começar nas primeiras 48 horas. Nos demais, em até 24 h
🔴 Pronto-socorro agora (ou SAMU 192) Respiração rápida ou com esforço, costelas afundando, nariz abrindo e fechando, gemido, chiado forte ou barulho alto ao puxar o ar; lábios ou pele roxos, palidez intensa; oxímetro (se tiver) em 94% ou menos; muito sonolenta, irritada sem parar ou difícil de acordar; não consegue beber, vomita tudo, sem xixi há 6–8 horas; convulsão; dor no peito; qualquer febre em bebê com menos de 3 meses Vá agora. SAMU 192 se estiver roxa, com muita falta de ar, sem reagir ou em convulsão

5.Como cuidar em casa?

  1. Líquidos em pequenas quantidades e com frequência; mantenha o peito.
  2. Soro fisiológico no nariz, várias vezes ao dia, sobretudo antes das mamadas e do sono.
  3. Repouso e ambiente arejado, sem fumaça de cigarro.
  4. Febre e dor: antitérmico só se houver desconforto. Confira com o pediatra a dose em mL do remédio que você tem em casa:
    • Dipirona: 15 mg/kg por dose a cada 6 h (máximo 4 doses/dia); não usar abaixo de 3 meses ou 5 kg.
    • Paracetamol: 10–15 mg/kg por dose a cada 4–6 h (máximo 5 doses/dia e 75 mg/kg/dia); uso por mais de 48–72 h pede reavaliação.
    • Ibuprofeno: 5–10 mg/kg por dose a cada 6–8 h, a partir de 6 meses; evite na suspeita de dengue, na catapora e na desidratação.
    • Não alterne antitérmicos e nunca dê AAS (síndrome de Reye).
  5. Mel para a tosse, só acima de 1 ano. Xaropes, antigripais e antialérgicos não ajudam e podem fazer mal.
  6. Proteja a família: lave as mãos, tussa no cotovelo e afaste a criança doente de bebês, idosos e pessoas com doença crônica.

6.E o antiviral (oseltamivir)?

  • O oseltamivir age contra o vírus da gripe. O Ministério da Saúde o indica para quem tem sintomas de gripe e está no grupo de risco (inclusive todas as crianças menores de 5 anos) ou tem sinais de gravidade, mesmo vacinado e sem exame. Funciona melhor se começar nas primeiras 48 horas.
  • Só com receita, na dose que o médico calcula para o peso; o SUS fornece. Não use sobras nem remédio de outra pessoa.
  • Antibiótico não trata gripe nem COVID-19. Só é usado se o médico encontrar uma complicação por bactéria, como otite ou pneumonia.

7.Quando a criança pode voltar à escola?

Quando estiver sem febre há 24 horas, sem uso de antitérmico, e bem-disposta, com os sintomas melhorando (Ministério da Saúde para a gripe; CDC também para a COVID-19). Se a tosse continuar, mantenha a etiqueta da tosse e a lavagem das mãos.

8.Quais vacinas protegem?

  • Gripe (influenza): todo ano, a partir de 6 meses, de preferência antes do período de maior circulação; na primeira vez, abaixo de 9 anos, 2 doses com 1 mês de intervalo. No SUS, é de rotina dos 6 meses aos menores de 6 anos e nos grupos de risco; a SBP a recomenda para todas as crianças e adolescentes.
  • COVID-19: faz parte do Calendário Nacional de Vacinação do Ministério da Saúde para os bebês, com doses aos 6, 7 e 9 meses (quem atrasou pode vacinar até antes dos 5 anos) e, em qualquer idade, para crianças com doença crônica ou imunidade baixa, sempre com a versão mais atualizada.
  • Na gestação, as duas vacinas são recomendadas, em qualquer fase.

9.Dúvidas e mitos comuns

Gripe e resfriado são a mesma coisa?

Não. O resfriado é mais leve, com nariz escorrendo e pouca febre. A gripe começa de repente, com febre alta e dor no corpo, e complica mais, sobretudo nas crianças pequenas.

A vacina da gripe pode causar gripe?

Não. A vacina é feita com vírus inativado e não causa a doença. Pode dar dor no local e febre baixa por 1 a 2 dias; resfriados que aparecem depois são coincidência da época.

Meu filho já tomou a vacina da gripe no ano passado. Precisa de novo?

Precisa. A proteção da vacina diminui ao longo do tempo, mesmo quando os vírus da nova temporada são parecidos, e a vacina é atualizada a cada ano. Por isso a dose é anual.

Posso dar Tamiflu que sobrou de outra pessoa?

Não. O oseltamivir só deve ser usado com receita, na dose calculada para o peso da criança e pelo tempo indicado. O pediatra decide se ele é necessário.

Lembre-se
  1. Menores de 5 anos e crianças com doença crônica têm mais risco: procure o pediatra cedo, nas primeiras 48 horas.
  2. Respiração rápida ou com esforço, lábios roxos, sonolência ou desidratação: pronto-socorro.
  3. Febre por mais de 3 dias ou que volta depois de sumir pede reavaliação.
  4. Antiviral só com receita; antibiótico não trata gripe; nunca AAS.
  5. Vacina da gripe todo ano a partir de 6 meses e vacina da COVID-19 em dia.

10.Veja também

Veja também, nesta Biblioteca:

O que dizem as referências

Onde concordam (SBP, Ministério da Saúde, AAP): crianças pequenas e com doença crônica têm mais risco; antiviral para o grupo de risco e os casos graves, de preferência nas primeiras 48 horas; vacina da gripe anual a partir de 6 meses.

Onde há diferenças: SBP e AAP vacinam todas as crianças e adolescentes contra a gripe; o SUS, até antes dos 6 anos e os grupos de risco. Este guia segue a SBP no calendário e o Ministério da Saúde no antiviral.

11.Fontes

  • Ministério da Saúde. Guia de manejo e tratamento de influenza, 2023. bvsms.saude.gov.br
  • Ministério da Saúde. Calendário Nacional de Vacinação 2026 — Criança. gov.br
  • Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Preventing spread of respiratory viruses when you're sick, 2025. cdc.gov
  • Documentos desta Biblioteca: Guia vacinal completo (SBP 2026/2027 e PNI 2026); Resfriado comum; Pneumonia; Miocardite, pericardite e MIS-C.