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Teste do pezinho e as outras triagens do recém-nascido

Exames simples, feitos nos primeiros dias, que encontram cedo doenças tratáveis

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Em poucas palavras

As triagens neonatais procuram, em bebês que parecem saudáveis, doenças graves que têm tratamento — antes dos sintomas. O pacote brasileiro inclui o teste do pezinho (colhido entre 48 horas e o 5º dia, de preferência do 3º ao 5º dia), a orelhinha (audição), o olhinho (reflexo vermelho), o coraçãozinho (oximetria, entre 24 e 48 horas), a linguinha (freio da língua) e o exame do quadril. Confira na Caderneta da Criança se todos foram feitos e traga os resultados à primeira consulta. Resultado alterado não é diagnóstico: na maioria das vezes, a nova amostra é normal. Mas a convocação é para o mesmo dia — atenda o telefone e vá logo.

1.O que é o teste do pezinho e quando colher?

São gotas de sangue do calcanhar, colhidas num papel especial. Faz parte do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) do SUS.

  • Quando: a partir de 48 horas de vida e até o 5º dia, de preferência do 3º ao 5º dia, com o bebê já mamando — algumas doenças só aparecem depois que ele recebe leite.
  • Alta antes de 48 horas: não se colhe antes para "adiantar". Leve o bebê à unidade de saúde no dia marcado.
  • Prematuros, bebês na UTI ou que receberam transfusão têm um esquema próprio, com mais de uma coleta.
  • Não fez? Colha mesmo depois do 1º mês.
  • Guarde o comprovante e mantenha o telefone atualizado.

2.O que o teste do pezinho detecta?

No SUS, em todo o país (etapa 1):

  1. Fenilcetonúria e outras hiperfenilalaninemias.
  2. Hipotireoidismo congênito.
  3. Doença falciforme e outras alterações da hemoglobina.
  4. Fibrose cística.
  5. Hiperplasia adrenal congênita.
  6. Deficiência de biotinidase.
  7. Toxoplasmose congênita.

A ampliação do SUS: a Lei 14.154/2021 prevê ampliar o teste em cinco etapas — galactosemias e outros erros do metabolismo, doenças lisossômicas, imunodeficiências e atrofia muscular espinhal (AME). Em 2026, só a etapa 1 é oferecida em todo o país; as demais avançam de forma desigual entre os estados. O laudo informa quais doenças foram pesquisadas.

Teste ampliado particular: inclui dezenas de doenças; combine com o pediatra quem vai conduzir um resultado alterado.

3.Teste da orelhinha: para que serve?

Procura perda auditiva, que atinge 1 a 3 de cada 1.000 bebês — e metade deles não tem nenhum fator de risco. É obrigatório e gratuito (Lei 12.303/2010), feito antes da alta, com o bebê dormindo, sem dor.

  • Bebê sem risco: emissões otoacústicas (EOA). Bebê com risco (UTI por mais de 5 dias, muito baixo peso, entre outros): EOA e um segundo exame (PEATE-A).
  • Falhou? É comum por líquido ou cera no ouvido. Faça o reteste até o 15º dia de vida. Se falhar de novo, mesmo em um ouvido só, o bebê vai com prioridade ao diagnóstico audiológico.
  • Meta: triagem até 1 mês, diagnóstico até 3 meses e tratamento até 6 meses.
  • Acha que ele não escuta bem, mesmo tendo passado? Fale com o pediatra.

4.Teste do olhinho: o que ele vê?

O médico ilumina os olhos e procura o reflexo vermelho, como o "olho vermelho" das fotos. Feito antes da alta e repetido nas consultas dos primeiros anos, ajuda a descobrir catarata congênita, glaucoma, retinoblastoma (tumor do olho) e outras alterações. Reflexo ausente, diferente entre os olhos ou pupila branca (também em fotos com flash) pedem oftalmologista com urgência.

5.Teste do coraçãozinho: como é feito?

Um sensor de luz, como um curativo, mede o oxigênio no sangue na mão direita e em um pé, entre 24 e 48 horas de vida, em bebês com 35 semanas ou mais. Normal: 95% ou mais nos dois locais, com diferença de até 3%. Valores duvidosos são repetidos após 1 hora; se o teste for positivo, o bebê não tem alta antes da avaliação do cardiologista e do ecocardiograma. Ele procura cardiopatias congênitas críticas — mas não encontra todas as doenças do coração, por isso o exame nas consultas continua.

6.Teste da linguinha: meu bebê vai precisar cortar o freio?

O profissional examina o freio da língua (protocolo de Bristol) antes da alta ou na 1ª consulta. O que o site segue (Ministério da Saúde, Nota Técnica nº 52/2023, e SBP):

  • Freio "curto" no exame não quer dizer cirurgia. Com pontuação baixa, o próximo passo é observar a mamada na consulta.
  • A frenotomia (o pequeno corte do freio) só é indicada quando há interferência confirmada na amamentação, depois da avaliação de uma equipe com experiência.
  • A SBP pediu o fim da obrigatoriedade do teste e alerta para frenotomias desnecessárias.

7.Exame do quadril: por que o pediatra mexe nas perninhas?

As manobras de Ortolani e Barlow procuram a displasia do desenvolvimento do quadril, que no recém-nascido não dói nem deforma. O exame é feito ao nascer, na alta e em toda consulta até 6 meses.

  • Ultrassom do quadril se o exame estiver alterado ou duvidoso, ou se o bebê nasceu sentado (pélvico) ou tem pai, mãe ou irmão com o problema — a partir de 3 semanas de vida.
  • Enfaixe só o tronco e os braços, deixando as pernas livres para dobrar e abrir; carregadores com base larga, que mantêm as pernas abertas.
  • Tratado cedo, com suspensório, evita cirurgia.

8.O teste do pezinho deu alterado. E agora?

  1. Calma: alterado não é diagnóstico. Prematuridade, coleta antes de 48 horas, amostra insuficiente ou estresse do bebê podem alterar o resultado. Muitas convocações não confirmam doença.
  2. Mas não espere. Se o serviço ligar (reconvocação), vá no mesmo dia, com a Caderneta e o laudo.
  3. Confirmação: o Serviço de Referência em Triagem Neonatal colhe nova amostra ou exames de confirmação e, se preciso, já inicia o tratamento.
  4. Continue amamentando, a não ser que o serviço oriente outra coisa (por exemplo, na suspeita de galactosemia).
  5. Teste normal não exclui toda doença: sinais no bebê sempre pedem avaliação.
Cor O que você observa O que fazer
🟢 Rotina Pedido de nova coleta por amostra insuficiente, coleta antes de 48 horas ou protocolo de prematuro; resultado de traço (portador, como o traço falciforme) Recolher sem atraso, no prazo pedido; no traço, o pediatra explica o que significa para a família
🟡 Convocação com urgência Serviço de triagem ou pediatra avisa de resultado alterado; bebê mamando bem e ativo Ir no mesmo dia para exame, confirmação e encaminhamento
🔴 Pronto-socorro agora Resultado classificado pelo serviço como crítico (mesmo com o bebê bem); ou qualquer resultado alterado com bebê mole, sonolento, mamando mal, vomitando, muito amarelo, gelado, com convulsão ou febre Avaliação imediata no serviço de referência ou pronto-socorro, levando o laudo; SAMU 192 se o bebê estiver muito mal

9.Dúvidas e mitos comuns

Posso fazer o teste do pezinho antes de 48 horas?

Não é o indicado. Antes de 48 horas de vida e de o bebê mamar, algumas doenças podem passar despercebidas. Se a alta for antes, colha na unidade de saúde no dia marcado.

O teste do pezinho do SUS é igual ao ampliado particular?

Não. O SUS pesquisa em todo o país as 7 doenças da etapa 1, e alguns estados já pesquisam mais. O particular inclui dezenas de doenças. Pergunte ao pediatra e confira no laudo o que foi pesquisado.

Meu bebê falhou no teste da orelhinha. Ele é surdo?

Não necessariamente. A falha é comum por líquido ou cera no ouvido logo após o parto. O importante é fazer o reteste até o 15º dia e, se falhar de novo, ir ao diagnóstico.

O teste da linguinha alterado quer dizer que tem que cortar?

Não. Só se corta o freio quando ele comprovadamente atrapalha a amamentação, após avaliação. Muitas dificuldades melhoram com o ajuste da pega.

O que dizem as referências

Onde concordam: triagem universal; resultado alterado é convocação, não diagnóstico; confirmação rápida e tratamento antes dos sintomas; exame do quadril e dos olhos em todo bebê (SBP, Ministério da Saúde, AAP, NHS, AEP).

Onde há diferenças: o número de doenças do pezinho é decisão de cada país (7 em todo o Brasil, mais de 30 na maioria dos estados dos EUA, 10 no NHS) e a idade da coleta varia (24–72 horas nos EUA, 5º dia no Reino Unido). O coraçãozinho é obrigatório no Brasil e adotado pela AAP, mas não pelo programa do NHS. Este guia segue a SBP e o Ministério da Saúde.

Lembre-se
  1. Pezinho entre 48 horas e o 5º dia, de preferência do 3º ao 5º, com o bebê mamando.
  2. Confira na Caderneta: pezinho, orelhinha, olhinho, coraçãozinho, linguinha e quadril.
  3. Falhou na orelhinha: reteste até o 15º dia.
  4. Convocação do pezinho: vá no mesmo dia; alterado não é diagnóstico.
  5. Linguinha alterada não significa cortar o freio: primeiro, avaliar a mamada.

10.Veja também

Veja também, nesta Biblioteca:

11.Fontes

  • Brasil. Lei nº 14.154, de 26 de maio de 2021 (ampliação do teste do pezinho).
  • Ministério da Saúde. Triagem neonatal biológica, manual técnico, 2016; Portaria GM/MS nº 7.293/2025 (PNTN).
  • Ministério da Saúde. Guia Nacional da Triagem Auditiva Neonatal, 2025; Nota Técnica Conjunta nº 52/2023 (teste da linguinha).
  • Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de Orientação nº 4 — teste do coraçãozinho, 2022.
  • Ministério da Saúde. Atenção à saúde do recém-nascido, v. 3, 2ª ed., 2014 (quadril).
  • Documentos desta Biblioteca: Triagem neonatal (Genética); Perda auditiva e triagem (Otorrinolaringologia); Consulta do recém-nascido (Puericultura).